Sistema de Pagamentos Brasileiro
SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO
ÍndiceIntrodução ... 1
1. Aspectos institucionais 1.1 - Aspectos legais ... 1
1.2 - O papel dos intermediários financeiros ... 3
1.3 - O papel do Banco Central do Brasil ... 4
1.4 - O papel de outras entidades públicas e privadas ... 5
2. Instrumentos de pagamento utilizados por não-bancos 2.1 – Pagamentos em espécie ... 6
2.2 – Pagamentos sem utilização de papel-moeda (non-cash) ... 6
2.2.1 – Transferências de crédito ... 7
2.2.2 – Cheques ... 7
2.2.3 – Cartões de crédito ... 8
2.2.4 – Cartões de débito ... 8
2.2.5 – Cartões de loja ... 8
2.2.6 – Cartões com valor armazenado (charge cards)... 9
2.2.7 – Débitos diretos ... 9
3. Sistemas de liquidação 3.1 – Visão geral dos sistemas de liquidação ... 9
3.2 – Sistemas de liquidação de transferências de fundos interbancárias . ... 10
3.2.1 - Sistema de Transferência de Reservas - STR ... 11
3.2.2 - Sistema de Transferência de Fundos – Sitraf ... 15
3.2.3 - Centralizadora da Compensação de Cheques e Outros Papéis - Compe ... 17
3.2.4 – Sistema de Liquidação Diferida das Transferências Interbancárias de Ordens de Crédito - Siloc ... 17
3.2.5 - Câmara Tecban ... 18
3.3 - Sistemas de liquidação de títulos, valores mobiliários, moedas estrangei – ras e derivativos ... 18
3.3.1 - Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic ... 21
3.3.2 - Câmara de Custódia e Liquidação – Cetip ... 22
3.3.3 - Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia - CBLC ... 24
3.3.4 – BM&F - Câmara de Ativos ... 26
3.3.5 –BM&F - Câmara de Derivativos ... 28
3.3.6 – BM&F - Câmara de Câmbio ... 29
4. Rede do Sistema Financeiro Nacional – RSFN ... 30
5. Dados estatísticos Tabela 1 – Dados estatísticos básicos ... 32
Tabela 2 – Meios de liquidação utilizados por não-bancos ... 32
Tabela 3 – Meios de liquidação utilizados por instituições bancárias ... 33
Tabela 4 – Estrutura do sistema financeiro ... 33
Tabela 5 – Papel moeda emitido ... 34
Tabela 6 – Caixas automáticos ... 34
Tabela 8 – Indicadores de uso de instrumentos de pagamento
Quantidade de transações ... 35
Tabela 9 – Indicadores de uso de instrumentos de pagamento Valor das transações ... ... 36
Tabela 10 – Sistemas interbancários de transferências de fundos Quantidade de transações ... 36
Tabela 11 – Sistemas interbancários de transferências de fundos Valor das transações ... 37
Tabela 12 – Depositários de títulos – Dados básicos ... 37
Tabela 13 – Depositários de títulos – Valor dos títulos registrados ... 38
Tabela 14 – Sistemas de liquidação de títulos, derivativos e moeda estrangeira Quantidade de transações ... 38
Tabela 15 – Sistemas de liquidação de títulos, derivativos e moeda estrangeira Valor das transações ... 39
Tabela 16 – Poder de compensação em sistemas de liquidação .. ... ... 39
Tabela 17 – Operações de crédito intradia ... ... ... 40
Quadros Quadro 1: Estrutura do sistema financeiro ... 4
Quadro 2: Participação relativa do papel-moeda em poder do público nos meios de pagamento ... 6
Quadro 3: Cetip – Grade horária ... 23
Quadro 4: CBLC – Ciclo de liquidação por tipo de título e de operação ... 24
Quadro 5: CBLC – Grade horária ... 25
Quadro 6: BM&F Ativos – Grade horária ... 27
Diagramas e gráficos Diagrama 1: Arranjo geral dos sistemas de liquidação ... 10
Diagrama 2: STR – Estrutura técnica ... 12
Diagrama 3: STR – Grade horária ... 14
Diagrama 4: Sitraf – Grade horária ... 15
Diagrama 5: Sitraf – Fluxo de processamento ... 16
Diagrama 6: Visão geral do sistema financeiro (mercados x sistemas de compensação e liquidação) ... 20
Diagrama 7: Selic – Exemplos de operações associadas ... 22
Gráfico 1: Uso relativo dos instrumentos de pagamento ... 7
SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO
IntroduçãoAté meados dos anos 90, as mudanças no Sistema de Pagamentos Brasileiro – SPB foram motivadas pela necessidade de se lidar com altas taxas de inflação e, por isso, o progresso tecnológico então alcançado visou principalmente o aumento da velocidade de processamento das transações financeiras. Na reforma recentemente conduzida pelo Banco Central do Brasil, o foco foi redirecionado para a administração de riscos. Nessa linha, a entrada em funcionamento do Sistema de Transferência de Reservas - STR, em 22 de abril de 2002, marca o início de uma nova fase do SPB. Com esse sistema, operado pelo Banco Central do Brasil, o País ingressa no grupo de países em que transferências de fundos interbancárias podem ser liquidadas em tempo real, em caráter irrevogável e incondicional. Esse fato, por si só, possibilita redução dos
riscos de liquidação1 nas operações interbancárias, com conseqüente redução também do risco sistêmico,
isto é, o risco de que a quebra de um banco provoque a quebra em cadeia de outros bancos, no chamado "efeito dominó".
Outra alteração importante ocorreu no regime de operação da conta Reservas Bancárias. A partir de 24 de junho de 2002, depois de observada uma regra de transição, qualquer transferência de fundos entre contas da espécie passou a ser condicionada à existência de saldo suficiente de recursos na conta do participante emitente da correspondente ordem. Com isso houve significativa redução no risco de crédito incorrido pelo Banco Central do Brasil.
A liquidação em tempo real, operação por operação, a partir de 22 de abril de 2002, passou a ser utilizada também nas operações com títulos públicos federais cursadas no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic, o que se tornou possível com a interconexão entre esse sistema e o STR. A liquidação dessas operações agora observa o chamado modelo 1 de entrega contra pagamento, conforme denominação utilizada em relatórios do Bank for International Settlements - BIS.
A reforma do SPB, entretanto, vai além da implantação do STR e da alteração do modus operandi do Selic. Para redução do risco sistêmico, objetivo maior da reforma, foram igualmente importantes algumas alterações legais. Nesse sentido, a Lei 10.2142, de março de 2001, reconheceu a compensação multilateral
nos sistemas de compensação e de liquidação e estabeleceu que, em todo sistema de compensação multilateral considerado sistemicamente importante, a correspondente entidade operadora deve atuar como contraparte central e assegurar a liquidação de todas as operações cursadas.
Todas essas alterações têm o propósito de fortalecer o sistema financeiro, dando, assim, continuidade à reestruturação iniciada, em 1995, com o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional - Proer e, mais adiante, com o Programa de Incentivo à Redução da Participação do Setor Público Estadual na Atividade Bancária - Proes. Como se observa, no início do processo o foco esteve direcionado para o fortalecimento das instituições financeiras, via fusões e transferências de controle, e para a redução da presença do setor público na atividade bancária.
A reforma do sistema de pagamentos, que está centrada, conforme mencionado, no gerenciamento dos riscos de liquidação, constitui, assim, uma segunda etapa do processo de reestruturação do sistema financeiro. No conjunto, procura-se reduzir a possibilidade de ocorrência de crise no sistema financeiro e, por efeito, na economia real.
1. Aspectos institucionais 1.1 - Aspectos legais
De acordo com a Lei 4.595 (Lei da Reforma do Sistema Financeiro Nacional), que regula o funcionamento do sistema financeiro brasileiro, o Conselho Monetário Nacional - CMN é o órgão formulador da política da moeda e do crédito, devendo atuar inclusive no sentido de promover o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros, com vistas à maior eficiência do sistema de pagamentos e de mobilização de recursos. O Banco Central do Brasil é o principal órgão executor da política traçada pelo CMN, cumprindo-lhe também, nos termos da mencionada lei, autorizar o funcionamento e exercer a
1 Os riscos de liquidação compreendem os riscos de crédito e de liquidez, isto é, respectivamente, o risco de perda definitiva do valor total ou parcial de uma operação e o risco de a liquidação de uma operação somente ocorrer em data posterior à combinada.
fiscalização das instituições financeiras3, emitir moeda e executar os serviços do
meio-circulante.Adicionalmente, o Banco Central do Brasil tem competência legal para submeter as instituições financeiras a regimes de intervenção ou de administração especial, podendo, também, decretar sua liquidação extrajudicial (Lei 6.024 e Decreto-Lei 2.321).
A Lei 10.214, o marco legal da reforma do sistema de pagamentos brasileiro, estabelece, entre outras coisas, que:
• compete ao Banco Central do Brasil definir quais sistemas de liquidação são considerados sistemicamente importantes;
• é admitida compensação multilateral de obrigações no âmbito de um sistema de compensação e de liquidação;
• nos sistemas de compensação multilateral considerados sistemicamente importantes, as respectivas entidades operadoras devem atuar como contraparte central e adotar mecanismos e salvaguardas que lhes possibilitem assegurar a liquidação das operações cursadas;
• os bens oferecidos em garantia no âmbito dos sistemas de compensação e de liquidação são impenhoráveis; e
• os regimes de insolvência civil, concordata, falência ou liquidação extrajudicial, a que seja submetido qualquer participante, não afetam o adimplemento de suas obrigações no âmbito de um sistema de compensação e de liquidação, as quais serão ultimadas e liquidadas na forma do regulamento desse sistema.
Os princípios básicos de funcionamento do sistema de pagamentos brasileiro foram estabelecidos por intermédio da Resolução 2.882, do Conselho Monetário Nacional, e seguem recomendações feitas, isolada ou conjuntamente, pelo BIS - Bank for International Settlements e pela IOSCO - International Organization of Securities Commissions, nos relatórios denominados "Core Principles for Systemically Important Payment Systems" e "Recommendations for Securities Settlement Systems". A mencionada resolução dá competência ao Banco Central do Brasil para regulamentar, autorizar o funcionamento e supervisionar os sistemas de compensação e de liquidação, atividades que, no caso de sistemas de liquidação de operações com valores mobiliários, exceto títulos públicos e títulos privados emitidos por bancos, são compartilhadas com a Comissão de Valores Mobiliários - CVM.
O Banco Central do Brasil, dentro de sua competência para regular o funcionamento dos sistemas de compensação e de liquidação, estabeleceu, por intermédio da Circular 3.057, entre outras coisas, que:
• os sistemas de liquidação diferida considerados sistemicamente importantes devem promover a liquidação final dos resultados neles apurados diretamente em contas mantidas no Banco Central do Brasil;
• são considerados sistemicamente importantes todos o sistemas que liquidam operações com títulos, valores mobiliários, outros ativos financeiros, inclusive moeda estrangeira, e derivativos financeiros, bem como os sistemas de transferência de fundos por intermédio do qual sejam feitas transferências de valor superior a R$ 10 milhões por operação ou que apresentem giro diário superior a R$ 5 bilhões, valores referenciais normativamente denominados K1 e K24
• o prazo limite para diferimento da liquidação da operação deve ser de até: (i) o final do dia, no caso de sistema de transferência de fundos considerado sistemicamente importante; (ii) um dia útil, no caso de operações à vista com títulos e valores mobiliários, exceto ações; e (iii) três dias úteis, no caso de operações à vista com ações realizadas em bolsas de valores. O prazo limite de liquidação para outras situações é estabelecido pelo Banco Central do Brasil em exame caso a caso; e
• a entidade operadora deve manter patrimônio líquido compatível com os riscos inerentes aos sistemas de liquidação que opere, observando limite mínimo de R$ 30 milhões ou de R$ 5 milhões por sistema conforme ele seja ou não considerado sistemicamente importante.
Os cheques são regulados segundo os princípios gerais da Convenção de Genebra (Lei 7.357) e as relações financeiras entre os agentes econômicos, aí incluídas as questões relacionadas com transferências de fundos e compensação e liquidação de obrigações, são comandadas por contratos entre as partes,
3 De acordo com o ordenamento jurídico em vigor, são consideradas instituições financeiras as pessoas jurídicas, públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.
sujeitos às disposições, principalmente, do Código Civil (Lei 10.406), do Código Comercial (Lei 556), da Lei do Mercado de Capitais (Lei 4.728) e da chamada Lei do Colarinho Branco (Lei 7.492), além da já mencionada Lei 10.214. As relações entre as instituições financeiras e seus clientes subordinam-se também às disposições da Lei de Defesa do Consumidor (Lei 8.078).
1.2 - O papel dos intermediários financeiros
No atual arranjo do sistema financeiro, as principais instituições estão constituídas sob a forma de banco múltiplo (banco universal), que oferece ampla gama de serviços bancários. Outras instituições apresentam certo grau de especialização, conforme exemplos a seguir:
• bancos comerciais, que captam principalmente depósitos à vista e depósitos de poupança e são tradicionais fornecedores de crédito para as pessoas físicas e jurídicas, especialmente capital de giro no caso das empresas;
• bancos de investimento, que captam depósitos a prazo e são especializados em operações financeiras de médio e longo prazo;
• caixas econômicas, que também captam depósitos à vista e depósitos de poupança e atuam mais fortemente no crédito habitacional;
• bancos cooperativos e cooperativas de crédito, voltados para a concessão de crédito e prestação de serviços bancários aos cooperados, quase sempre produtores rurais;
• sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e empréstimo, também voltadas para o crédito habitacional;
• sociedades de crédito e financiamento, direcionadas para o crédito ao consumidor; e
• empresas corretoras e distribuidoras, com atuação centrada nos mercados de câmbio, títulos públicos e privados, valores mobiliários, mercadorias e futuros.
Dentre as instituições relacionadas, ocupam posição de destaque no âmbito do sistema de pagamentos os bancos comerciais, os bancos múltiplos com carteira comercial, as caixas econômicas e, em plano inferior, os bancos cooperativos e as cooperativas de crédito. Essas instituições captam depósitos à vista e, em contrapartida, oferecem aos seus clientes contas movimentáveis por cheque, muito utilizadas pelo público em geral, pessoas físicas e jurídicas, para fins de pagamentos e transferências de fundos. O sistema financeiro conta com 1.577 instituições financeiras da espécie, incluindo cooperativas de crédito, totalizando cerca de 17 mil agências e 90 milhões de contas (dez/04).
No quadro a seguir é mostrada a estrutura do sistema financeiro brasileiro, com indicação da área de competência de cada órgão de supervisão:
Instituições Órgãos de regu-
lação e fiscali -
zacão5 Categoria Discriminação
Bancos múltiplos c/ carteira comercial Bancos comerciais
Caixas econômicas Instituições financeiras
que captam depósitos à vista
Cooperativas de crédito
Bancos múltiplos s/ carteira comercial Bancos de investimento
Bancos de desenvolvimento
Sociedades de crédito, financiamento e investimento Sociedades de crédito imobiliário
Companhias hipotecárias Demais instituições
financeiras
Associações de poupança e empréstimo Bolsas de mercadorias e de futuros Bolsas de valores
Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários Sociedades de arrendamento mercantil
Sociedades corretoras de câmbio Outros intermediários
ou auxiliares financei- ros
Agentes autônomos de investimento Entidades fechadas de previdência privada Entidades abertas de previdência privada Sociedades seguradoras
Sociedades de capitalização Entidades ligadas aos
sistemas de previdên - cia e de seguros
Sociedades administradoras de seguro-saúde Fundos mútuos
Clubes de investimentos
Carteiras de investidores estrangeiros Entidades administra - doras de recursos de terceiros Administradoras de consórcios CMN CNSP CGPC B C B C V M SUSEP SPC Entidades operadoras de sistemas de liquida- ção
Sistemas de compensação e de liquidação
1.3 - O papel do Banco Central do Brasil
O Banco Central do Brasil tem como missão institucional a estabilidade do poder de compra da moeda e a solidez do sistema financeiro. No que diz respeito ao sistema de pagamentos, nos termos da Resolução 2.882, o Banco Central do Brasil deve atuar no sentido de promover a solidez, o normal funcionamento e o contínuo aperfeiçoamento do sistema de pagamentos. Para funcionamento, os sistemas de liquidação estão sujeitos à autorização e à supervisão do Banco Central do Brasil, inclusive aqueles que liquidam operações com títulos, valores mobiliários, moeda estrangeira e derivativos financeiros6. Como
previsto na Lei 10.214, compete também ao Banco Central do Brasil a definição de quais são os sistemas de liquidação sistemicamente importantes. O Banco Central do Brasil é também provedor de serviços de
5 CMN - Conselho Monetário Nacional; CNSP – Conselho Nacional de Seguros Pricvados; CGPC – Conselho de Gestão da Previdência Complementar; BCB - Banco Central do Brasil; CVM - Comissão de Valores Mobiliários; SUSEP - Superintendência de Seguros Privados; SPC - Secretaria de Previdência Complementar.
6 Os sistemas que liquidam operações com títulos e valores mobiliários estão sujeitos também à autorização da CVM, competindo ao Banco Central do Brasil, nesse caso, com exclusividade, a análise dos aspectos relacionados com o controle do risco sistêmico. Os sistemas que liquidam títulos públicos e títulos emitidos por bancos estão sujeitos à supervisão exclusiva do Banco Central do Brasil.
liquidação e nesse papel ele opera o STR (item 3.2.1) e o Selic (item 3.3.1), respectivamente um sistema de transferência de fundos e um sistema de liquidação de operações com títulos públicos.
Para operacionalização de algumas de suas atribuições, o Banco Central do Brasil oferece às instituições bancárias e aos bancos de investimento contas denominadas Reservas Bancárias, cuja titularidade é obrigatória para as instituições que recebem depósitos à vista e opcional para os bancos de investimento e para os bancos múltiplos sem carteira comercial. Por intermédio dessas contas, as instituições financeiras cumprem os recolhimentos compulsórios/encaixes obrigatórios sobre recursos à vista, sendo que elas funcionam também como contas de liquidação. Cada instituição é titular de uma única conta, centralizada, identificada por um código numérico.
No Brasil, por disposição legal, uma instituição bancária não pode manter conta em outra instituição bancária. Por isso, exceto aqueles efetuados em espécie e aqueles que se completam no ambiente de um único banco, isto é, quando o pagador e o recebedor são clientes do mesmo banco, todos os pagamentos têm liquidação final nas contas Reservas Bancárias.
Por determinação constitucional, o Banco Central do Brasil é o único depositário das disponibilidades do Tesouro Nacional. Também as entidades operadoras de sistemas de liquidação defasada, se considerados sistemicamente importantes, são obrigadas a manter conta no Banco Central do Brasil, para liquidação dos resultados líquidos por elas apurados.
Para assegurar o suave funcionamento do sistema de pagamentos no ambiente de liquidação de obrigações em tempo real, o Banco Central do Brasil concede crédito intradia aos participantes do STR titulares de contas Reservas Bancárias, na forma de operações compromissadas com títulos públicos federais, sem custos financeiros.
1.4 - O papel de outras entidades públicas e privadas
Conforme já mencionado, os sistemas que liquidam operações com títulos e valores mobiliários (exceto títulos públicos e títulos privados emitidos por bancos) sujeitam-se à autorização de funcionamento e à supervisão da Comissão de Valores Mobiliários - CVM, competência essa compartilhada com o Banco Central do Brasil. A Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto - Andima, associação civil sem fins lucrativos que congrega os interesses das instituições financeiras que atuam no mercado aberto, é a mantenedora do Selic (item3.3.1).
A Câmara Interbancária de Pagamentos - CIP, associação civil sem fins lucrativos com sede na cidade de São Paulo, opera o Sistema de Transferência de Fundos – Sitraf (item 3.2.2) e o Sistema de Liquidação Diferida das Transferências Interbancárias de Ordens de Crédito – Siloc (item 3.2.4). A Tecnologia Bancária S.A. - TecBan, empresa privada com fins lucrativos localizada na cidade de São Paulo, opera a rede de auto-atendimento bancário denominada Banco24Horas, bem como uma câmara de compensação relacionada com operações de varejo (item 3.2.5).
Na liquidação de operações com títulos e valores mobiliários, além do Banco Central do Brasil, que opera o Selic, e da Bolsa de Mercadorias e Futuros – BM&F, tratada adiante, atuam a Cetip (item 3.3.2) e a CBLC (item 3.3.3). A Cetip é uma associação civil sem fins lucrativos e a CBLC, empresa privada com fins lucrativos constituída sob a forma de sociedade anônima.
A BM&F, entidade civil sem fins lucrativos sediada em São Paulo, é a principal bolsa do país em operações com derivativos. A entidade mantém sistemas para liquidação de operações com títulos (item 3.3.4), com derivativos (item 3.3.5) e com moeda estrangeira (item 3.3.6).
Na compensação de cheques, tem papel de destaque o Banco do Brasil S.A., responsável pela operação da Centralizadora da Compensação de Cheques e Outros Papéis – Compe (item 3.2.3). As propostas de aperfeiçoamento e demais assuntos relativos a essa área são preliminarmente examinados por um grupo consultivo (Grupo Compe), do qual participam representantes do Banco Central do Brasil, do Banco do Brasil e de diversas associações de bancos.
Com a crescente utilização de instrumentos eletrônicos de pagamento, observada nos anos mais recentes, as empresas emissoras e administradoras de cartões de crédito e de débito passaram a desempenhar papel mais importante no sistema de pagamentos, com destaque para a Visa, Mastercard e American Express, entre as bandeiras, e para a Credicard, principal administradora e emissora de cartões de crédito.
A ECT - Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos atualmente desempenha importante papel no
sistema de pagamentos, tendo em conta que, atuando como “correspondente bancário”7, ela atende a quase
todos os municípios brasileiros nos quais inexistem agências bancárias. 2. Instrumentos de pagamento utilizados por não-bancos8
2.1 - Pagamentos em espécie
O dinheiro em espécie é usado principalmente para pagamentos de baixo valor, relacionados com as pequenas compras do dia-a-dia. No final de 2004, o total de moeda em circulação era de cerca de R$ 61.936 milhões, sendo aproximadamente R$ 60.581 milhões em cédulas e R$ 1.355 milhões em moedas metálicas. As cédulas são emitidas em sete denominações (R$ 100; R$ 50; R$ 20; R$ 10; R$ 5; R$ 2,00 e R$ 1) e as moedas metálicas, em seis denominações (R$ 1; R$ 0,50; R$ 0,25; R$ 0,10; R$ 0,05 e R$ 0,01). Tanto cédulas quanto moedas metálicas têm curso forçado no território brasileiro, mas a aceitação de moeda metálica como meio de liquidação é obrigatória apenas até 100 unidades de cada valor.
No período 2000 a 2004, o papel-moeda em poder do público correspondeu, em média, a 39,9% do agregado monetário M1, conforme quadro a seguir:
Quadro 2: Participação relativa do papel-moeda em poder do público nos meios de pagamento 1/
Ano Papel-moeda em poder do público (PMPP) R$ milhões
Total dos meios de pagamento (M1) R$ milhões PMPP/M1 % 2000 28.641 74.352 38,5 2001 32.628 83.707 39,0 2002 42.351 107.846 39,3 2003 43.064 109.648 39,3 2004 52.019 127.946 40,7 Média 39,9
Fonte: Banco Central do Brasil.
1/ Posição em final de ano.
2.2 - Pagamentos sem utilização de papel-moeda (non-cash)
Pagamentos que não envolvem a utilização de papel-moeda são efetuados principalmente por meio de cheques, transferências de crédito, cartões de crédito e de débito e, também, por débitos diretos. Todas essas movimentações, quando cursadas no Sistema Financeiro Nacional, são realizadas exclusivamente na moeda nacional.
Os gráficos a seguir mostram o uso relativo desses instrumentos, em volume e em valor, em 2004:
7 Tipicamente, correspondentes bancários são casas lotéricas, supermercados, farmácias e outros varejistas que, atuando em nome dos bancos, entre outras coisas, recebem pagamentos e propostas de abertura de contas.
8 São considerados não-bancos as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não bancárias, ou, em outras palavras, todos os agentes econômicos exclusive os bancos (instituições que captam depósitos à vista).
Gráfico 1 – Uso relativo dos instrumentos de pagamento - 2004
Em volume
Cartão créd/déb 34% Transf. crédito 16% Débito direto 10% Cheque 40%Em valor
Cartão créd/déb 2% Transf. crédito 67% Déb. direto 2% Cheque 29% 2.2.1 - Transferências de créditoNo Brasil, as transferências de crédito interbancárias efetuadas por não-bancos compreendem as Transferências Eletrônicas Disponíveis (TEDs) por conta de cliente, os Documentos de Crédito (DOCs) e as movimentações interbancárias relacionadas com os bloquetos de cobrança.
A transferência de crédito feita por intermédio da TED é disponibilizada para o favorecido no mesmo dia (same day funds), geralmente em poucos minutos após a emissão da correspondente ordem pelo remetente. No caso do DOC, os recursos são disponibilizados para o favorecido, para saque, no dia útil
seguinte (D+1)9. A transferência de crédito relacionada com bloqueto de cobrança, cuja liquidação
interbancária também ocorre em D+1, é colocada à disposição do favorecido em prazo menor ou maior conforme acordo entre ele e seu banco.
O pagamento por transferência de crédito pode ser iniciado nos caixas das agências bancárias, em máquinas de atendimento automático (ATM) ou pela Internet (Internet banking). Os bloquetos de cobrança contêm código de barras que possibilita a leitura ótica de seus dados (Optical Character Recognition – OCR). Quaisquer que sejam o modo10 e o meio utilizados para dar início à transferência de crédito, a movimentação de fundos é sempre feita eletronicamente.
Em 2004 foram efetuadas cerca de 1,0 bilhão de transferências de crédito interbancárias, totalizando cerca de R$ 4,4 trilhões (valor médio de R$ 4.336 por transação). No período 2000/2004, os pagamentos feitos com esse instrumento evoluíram, em quantidade, cerca de 46,6% (média de 10,0% a.a.).
2.2.2 - Cheque
O cheque continua sendo um importante instrumento de pagamento no Brasil, embora tenha havido redução em seu uso nos últimos anos, devido, principalmente, a sua substituição por instrumentos eletrônicos.
9 Embora a liquidação interbancária ocorra na manhã de D+1, vários bancos, como era a praxe antes da existência da TED, consideram que os recursos foram transferidos para o favorecido na noite do dia anterior (Do).
Com formato e características básicas padronizados, as folhas de cheque contêm registros magnéticos que possibilitam a leitura automática de seus dados fundamentais (Magnetic Ink Character Recognition – MICR). O cheque, algumas vezes, é entregue ao beneficiário para ser sacado em data futura (“cheque pré-datado”), situação na qual ele funciona como instrumento de crédito. No Brasil, as contas de depósito à vista são as únicas movimentáveis por cheques.
A liquidação interbancária dos cheques é feita em D+1, segundo sistemáticas diferenciadas conforme
seu valor11. Nas contas dos clientes, tomando-se como data-base a de acolhimento do documento (D), os
lançamentos são normalmente feitos:
• a crédito do depositante do cheque, na noite de D+1 no caso de “cheque acima”, ou na noite de D+2 no caso de “cheque abaixo” 12; e
• a débito do emissor do cheque, ao final de D no caso de “cheque acima”, ou na noite de D+1 no caso de “cheque abaixo”.
Em 2004, foram emitidos cerca de 2,5 bilhões de cheques, no valor global de cerca de R$ 2,0 trilhões (valor médio de R$ 781 por cheque). No período 2000/2004, os cheques emitidos apresentaram redução de 12,4% no que diz respeito à quantidade (-3,0%a.a.).
2.2.3 - Cartões de crédito
Lançado no Brasil em 1956, o cartão de crédito ganhou maior importância a partir da década de 90. Contribuíram para isso a eliminação de algumas restrições antes impostas ao seu uso, como, por exemplo, a que proibia sua utilização para compra de combustíveis, bem como a extinção da regra da “bandeira exclusiva”, condição de mercado existente até 1996 que impedia um mesmo emissor (banco) de operar com mais de uma “bandeira”13.
Na sistemática observada no País, o titular do cartão de crédito não paga encargos financeiros quando as compras de mercadorias e serviços são pagas na primeira data de vencimento seguinte. O prazo médio, entre a data da compra e a do vencimento, é de cerca de 25 dias, segundo informações de empresas do setor.
O número de cartões de crédito evoluiu de 29,4 milhões (média de 1 cartão para cada 5,7 habitantes), em 2000, para 53,5 milhões em 2004 (média de 1 cartão para cada 3,4 habitantes), com variação da ordem de 82,0% no período (média de 16,2% a.a). Em 2004 foram efetuadas cerca de 1,3 bilhão de transações com cartões de crédito, no valor global de cerca de R$ 92,5 bilhões, com valor médio de cerca de R$ 74 por transação. No período 2000/2004, as transações com cartões de crédito cresceram cerca de 77,4% em quantidade (média de 15,4% a.a).
2.2.4 - Cartões de débito
Os cartões de débito podem ser utilizados em caixas automáticos, de uso exclusivo (rede proprietária de um banco) ou compartilhado, ou em estabelecimentos comerciais que contam com máquinas apropriadas para a realização de transferências eletrônicas de fundos a partir do ponto de venda (EFTPOS – Electronic Funds Transfer from the Point of Sale). Os principais produtos são o Visa Electron, da Visa, o Maestro e o RedeShop, da Mastercard, e o Cheque Eletrônico da TecBan. A exemplo dos cartões de crédito, os cartões de débito com tarja magnética estão sendo paulatinamente substituídos por unidades dotadas de microprocessador (chip).
O débito na conta do titular do cartão é normalmente feito no momento do pagamento, enquanto o crédito na conta do estabelecimento comercial é feito em determinado prazo, maior ou menor conforme o contrato estabelecido com a administradora do cartão.
Em 2004, foram efetuadas cerca de 912,1 milhões de transações com cartão de débito, no valor global de cerca R$ 42,2 bilhões, com valor médio da ordem de R$ 46 por transação. No período 2000/2004, a quantidade de cartões de débito evoluiu de 85,5 milhões (média de 1 cartão para cada 1,9 habitante) para 149,1 milhões de unidades (média de 1 cartão para cada 1,2 habitante), com crescimento de cerca de 74,4%
11 A partir de 18.02.2005, os cheques de valor igual ou superior ao VLB-Cheque , valor referencial atualmente fixado em R$ 250 mil, passaram a ser liquidados bilateralmente entre os bancos, sem compensação, por intermédio do STR. Os de valor inferior ao VLB-Cheque continuam a ser liquidados por intermédio da Compe (anteriormente, todos os cheques eram liquidados por intermédio desse sistema).
12 O “cheque acima” é o cheque de valor igual ou superior a R$ 300,00. 13 As principais “bandeiras” são Visa, Mastercard e American Express.
(média de 14,9% a.a.). Os pagamentos com esse instrumento, no mesmo período, apresentaram crescimento de cerca de 343,2 % em quantidade (média de 45,1% a.a.).
2.2.5 - Cartões de loja (retailer cards)
Os cartões de loja, emitidos principalmente por grandes redes varejistas, normalmente só podem ser usados nas lojas da rede emissora. A utilização do cartão de loja geralmente implica a postergação do pagamento14. No vencimento, quase sempre tendo de voltar ao estabelecimento comercial, o devedor utiliza dinheiro em espécie ou outro instrumento de pagamento (dinheiro em espécie, cheque ou cartão de débito) para liquidar sua obrigação.
A quantidade de cartões de loja evoluiu de 42 milhões em 2000 para 100 milhões em 2003, com crescimento de cerca de 138% (média de 33,5% a.a). O número de cartões em 2004 e, bem assim, outras informações relacionadas com o uso desses cartões (quantidade e valor das transações) não estão disponíveis.
2.2.6 - Cartões com valor armazenado (charge cards)
O cartão com valor armazenado é utilizado para pagamento de serviços específicos, relacionados principalmente com o uso de telefones e meios de transporte públicos, ou compras de pequeno valor.
No primeiro caso, atualmente o mais comum, os emissores são as próprias concessionárias dos serviços públicos e a aquisição do cartão é feita principalmente em pequenos estabelecimentos comerciais credenciados. Nessa situação os serviços são pré-pagos e o cartão, quando esgotado seu limite de utilização, é geralmente descartado.
No segundo caso, o cartão é emitido por instituição bancária que o carrega com certo valor, para utilização pelo cliente nos estabelecimentos comerciais credenciados. Esse tipo de cartão, que é dotado de microprocessador, pode ser recarregado várias vezes, observando-se, em cada uma delas, valor limite de carregamento fixado pelo emissor. Nesse formato, o cartão com valor armazenado ainda se encontra em fase embrionária no Brasil, sendo utilizado no âmbito de projetos pioneiros desenvolvidos pela Visa e pela Mastercard.
Não estão disponíveis estatísticas relacionadas com o uso desse instrumento de pagamento no Brasil.
2.2.7 - Débitos diretos
O débito automático em conta, ou débito direto, é normalmente utilizado para pagamentos recorrentes, isto é, que observam uma certa periodicidade, tais como os referentes aos serviços de água, luz e telefone. Nesses casos, mediante iniciativa do prestador do serviço, beneficiário do pagamento, o valor da obrigação é debitado direta e automaticamente na conta bancária do devedor, ao amparo de uma prévia autorização por ele dada ao seu banco. Essa autorização é normalmente concedida por tempo indeterminado, com validade, portanto, enquanto não for revertida.
Em 2004, foram realizados cerca de 657,4 milhões de pagamentos por débito direto, no valor global de cerca de R$ 118,5 bilhões (valor médio de R$ 180 por transação). No período 2000/2004, os pagamentos por débito direto evoluíram cerca de 103,9% em quantidade (média de 19,5% a.a.).
3. Sistemas de liquidação
3.1 – Visão geral dos sistemas de liquidação
O diagrama a seguir apresenta uma visão geral dos sistemas de compensação e de liquidação:
Diagrama 1: Arranjo geral dos sistemas de liquidação
Banco Central
do Brasil
SELIC
títulos públicos federais LBTRSTR
transferências de fundos LBTRContas de
Liquidação
BM&F Câmbio câmbio interbancário LDL BM&F Derivativos mercadorias, futuros, opções e swaps LDL CETIP títulos privados; títulos estaduas e municipais; swaps LDL/LBTR CIP - SILOC DOC e bloqueto de cobrança LDL TECBAN transferências de fundos LDL CIP - SITRAF transferências de fundos HÍBRIDO CBLC ações e outros títulos privados LDL / LBTR COMPE cheque LDL BM&F Ativos títulos federais LDLRSFN
3.2 - Sistemas de liquidação de transferências de fundos interbancárias
O STR é o centro de liquidação das operações interbancárias, em decorrência da conjugação dos seguintes fatos:
• primeiro, por disposição legal (Lei 4.595), todas as instituições bancárias (instituições que captam depósitos à vista) têm de manter suas disponibilidades de recursos no Banco Central do Brasil; • segundo, por determinação regulamentar (Circular 3.057), os resultados líquidos apurados nos
sistemas de liquidação considerados sistemicamente importantes devem ter sua liquidação final em contas Reservas Bancárias mantidas no Banco Central do Brasil; e
• finalmente, também por disposição regulamentar (Circular 3.101), todas as transferências de fundos entre contas mantidas no Banco Central do Brasil têm de ser feitas por intermédio do STR.
Transferências interbancárias de fundos são também liquidadas por intermédio do Sitraf, Siloc,
Compe e Câmara TecBan. O Sitraf utiliza modelo híbrido de liquidação15. Os demais são sistemas de
liquidação diferida, com compensação multilateral. Entre esses sistemas, apenas o Sitraf é considerado sistemicamente importante.
Para o suave funcionamento do sistema de pagamentos no ambiente de liquidação em tempo real recentemente implementado, três aspectos são especialmente importantes:
• primeiro, o Banco Central do Brasil concede crédito intradia aos participantes do STR titulares de conta Reservas Bancárias. Para tanto são utilizadas operações compromissadas com títulos públicos federais, sem custos financeiros, isto é, o preço da operação de volta é igual ao preço da operação de ida;
• segundo, a verificação de cumprimento dos recolhimentos compulsórios é feita com base em saldos de final do dia, valendo dizer que esses recursos podem ser livremente utilizados ao longo do dia para fins de liquidação de obrigações16;
• por último, o Banco Central do Brasil, se e quando julgar necessário, pode acionar rotina para otimizar o processo de liquidação das ordens de transferência de fundos mantidas em filas de espera no âmbito do STR.
3.2.1 - Sistema de Transferência de Reservas - STR
O STR é um sistema de transferência de fundos com liquidação bruta em tempo real (LBTR), operado pelo Banco Central do Brasil, que funciona com base em ordens de crédito, isto é, somente o titular da conta a ser debitada pode emitir a ordem de transferência de fundos. O sistema é de importância fundamental principalmente para liquidação de operações interbancárias realizadas nos mercados monetário, cambial e de capitais, inclusive no que diz respeito à liquidação de resultados líquidos apurados em sistemas de compensação e liquidação operados por terceiros.
São também liquidados por intermédio do STR os cheques de valor igual ou superior ao VLB-Cheque (R$ 250 mil), bem como os bloquetos de cobrança de valor igual ou superior ao VLB-Cobrança (R$ 5 mil). Nos dois casos, a liquidação é feita bilateralmente entre os bancos, por valores brutos agregados (sem compensação).
As ordens de transferência de fundos podem ser emitidas pelos participantes em nome próprio ou por conta de terceiros, a favor do participante destinatário ou de cliente do participante destinatário, sendo que, por acordo entre os participantes, atualmente está sendo observado o limite mínimo de R$5 mil por transferência. A transferência de fundos é considerada final, isto é irrevogável e incondicional, no momento em que feitos os correspondentes lançamentos nas contas de liquidação (contas Reservas Bancárias, Conta Única do Tesouro Nacional e contas mantidas no Banco Central do Brasil por entidades operadoras de sistemas de compensação e de liquidação). O participante destinatário é informado da transferência de fundos apenas no momento em que ocorre sua liquidação.
15 Os sistemas híbridos de liquidação combinam características da liquidação líquida defasada e da liquidação bruta em tempo real. 16 A utilização de recursos mantidos em contas Reservas Bancárias, cujo saldo é considerado para fins de verificação do recolhimento compulsório e encaixe obrigatório relacionados com recursos à vista, independe de qualquer providência especial. Para utilização de outros recursos, registrados em outras contas de recolhimento compulsório/encaixe obrigatório, o participante precisa encaminhar ao STR ordem específica determinando a transferência dos recursos, da conta em que se encontravam registrados, para sua conta Reservas Bancárias.
câmaras e presta- dores de serviços de compensação e de liquidação
Banco Central do
Brasil
cabos de fi- bra ótica (2 redes inde -pendentes)RSFN
Provedor 1
RSFN
Provedor 2
instituições financeirasSTR
contas de liquidaçãoC
E
N
T
R
O
1
C
E
N
T
R
0
2
STR
contas de liquidação Secretaria do Tesouro Nacional O diagrama a seguir mostra a estrutura técnica do STR, em linhas gerais:Diagrama 2: STR - Estrutura técnica
Na emissão de uma ordem de transferência de fundos, o participante determina seu nível de preferência para fins de liquidação, que pode ser, em ordem decrescente, "A", "B", "C" ou "D". O nível de preferência "A" é aplicável exclusivamente às ordens de transferência de fundos relacionadas com saques e depósitos de numerário e com a liquidação de resultados financeiros apurados em outros sistemas de compensação e de liquidação, cujas entidades operadoras possuam conta de liquidação no Banco Central do Brasil. Quando não indicada a preferência, o STR assume o menor nível ("D").
A ordem de transferência de fundos é submetida à liquidação no momento de seu recebimento pelo STR, sendo encaminhada para fila de espera se ocorrer qualquer uma das seguintes hipóteses: (i) insuficiência de recursos na conta de liquidação do participante emitente; (ii) existência de outra ordem de transferência de fundos em fila de espera, do mesmo participante, com nível de prioridade igual ou superior. O enfileiramento não se aplica às ordens de transferência de fundos relacionadas com o Selic, bem como
àquelas emitidas por entidades operadoras de sistemas de compensação e de liquidação. Nesses casos, havendo insuficiência de fundos, as ordens de transferência de fundos são imediatamente rejeitadas pelo STR.
As ordens mantidas em fila de espera são ordenadas, por participante, com base no nível de preferência de cada ordem e, quando apresentarem o mesmo nível de preferência, na cronologia do recebimento de cada uma delas. Como regra geral, uma ordem mantida em fila de espera não pode ser liquidada antes daquela que a antecede, isto é, o processamento da fila é feito com base no princípio "primeiro que entra primeiro que sai". Para evitar situações de travamento no fluxo de pagamentos, o Banco Central do Brasil pode acionar, se e quando julgar necessário, rotina de otimização do processo de liquidação.
Participam obrigatoriamente do STR, além do Banco Central do Brasil, as instituições titulares de conta Reservas Bancárias e as entidades prestadoras de serviços de compensação e de liquidação que operem sistemas considerados sistemicamente importantes. As entidades responsáveis por sistemas não considerados sistemicamente importantes participam opcionalmente do STR. A Secretaria do Tesouro Nacional - STN também participa do sistema, sendo liquidadas pelo STR, entre outras, transferências de fundos relacionadas com recolhimentos de impostos ao Tesouro Nacional e com o pagamento de despesas do governo federal. Participam do STR (dez/2004), além do Banco Central do Brasil e da STN, 141 instituições titulares de contas Reservas Bancárias e cinco entidades operadoras de sistemas de compensação e de liquidação17.
A utilização do STR sujeita o participante ao pagamento de tarifa, cujo preço é fixado pelo Banco Central do Brasil com o objetivo de recuperação de custos (cobertura dos custos de implantação e de operação do sistema). A tarifa básica é cobrada das duas pontas da ordem de transferência de fundos, isto é, do participante emissor e do participante destinatário. A tarifa é reduzida para a metade de seu valor integral, se a liquidação da transferência de fundos ocorrer até 8h.
O STR é colocado à disposição dos participantes, para registro e liquidação de ordens de transferência de fundos, em todos os dias considerados úteis para fins de operações praticadas no mercado financeiro. O horário regular de funcionamento é das 6h30 às 18h30 (horário de Brasília), sendo que o registro de ordens de transferência de fundos a favor de cliente só é permitido até às 17h30. A grade horária do STR, contemplando os principais eventos, é mostrada no diagrama a seguir:
Diagrama 3: STR - Grade horária
6h30 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 18h30 BM&F - Câmbio Cetip Abertura Encerramento Sitraf - pré-depósitos Compe – sessão diurna
BM&F - Ativos CBLC
BM&F - Derivativos
TecBan-1ªsessão
Siloc – 1ª sessão Compe – sessão noturna
Sitraf–ciclo complementar
Sitraf – ciclo principal TecBan – 2ª sessão
Siloc – 2ª sessão
Transferências de fundos em nome próprio do participante; operações do Selic; pagamento de “repo” intradia Solicitação de crédito intradia (“repo” intradia”)
Operações LBTR da Cetip
3.2.2 – Sistema de Transferência de Fundos – Sitraf
O Sitraf, que é operado pela CIP, utiliza compensação contínua de obrigações (continuous net settlement). As ordens de transferência de fundos são emitidas para liquidação no mesmo dia (D), por assim dizer, "quase em tempo real". É um sistema híbrido de liquidação no sentido de que reúne características dos sistemas de liquidação diferida com compensação de obrigações (LDL) e dos sistemas de liquidação bruta em tempo real (LBTR). Em situações de agendamento, a ordem de transferência de fundos é submetida ao processo de liquidação no início do dia indicado. O sistema, que entrou em funcionamento em 06 de dezembro de 2002, funciona com base em ordens de crédito, isto é, somente o titular da conta a ser debitada pode emitir a ordem de transferência de fundos, a qual pode ser feita em nome próprio do participante ou por conta de terceiros, a favor do participante destinatário ou de cliente do participante destinatário. A liquidação é efetuada com base em recursos mantidos pelos participantes no Banco Central do Brasil, seja no que diz respeito aos pré-depósitos efetuados no início de cada dia e às suas eventuais complementações, seja no que diz respeito às transferências de fundos efetuadas para atendimento das ordens de transferência de fundos no denominado ciclo complementar.
As mensagens eletrônicas de transferência de fundos, que transitam exclusivamente por intermédio da Rede do Sistema Financeiro Nacional - RSFN, são padronizadas e observam procedimentos específicos de segurança (criptografia e certificação digital). Os serviços de processamento de dados, incluindo desenvolvimento e manutenção de programas computacionais e implantação e manutenção de infra-estrutura tecnológica, são fornecidos pela Cetip. O Sitraf é suportado por dois centros de processamento de dados (centro principal e centro secundário) localizados na cidade do Rio de Janeiro, sendo que o centro secundário funciona em hot standby. O sistema opera em ambiente de baixa plataforma e tem capacidade para processar 90 mil pagamentos por hora (25 por segundo).
Condicionada também à participação no capital social da CIP, a participação direta no Sitraf é restrita às instituições titulares de conta Reservas Bancárias, isto é, bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial, caixas econômicas e bancos de investimento (119 participantes em dez/2004).Os participantes se sujeitam ao pagamento de tarifa, que é cobrada do emissor da ordem de transferência de fundos e da instituição destinatária. O preço da tarifa é fixado com o propósito de cobertura dos gastos de operação do sistema e de recuperação dos recursos investidos em sua implantação. Com o mesmo propósito, os participantes pagam à CIP uma contribuição anual.
O sistema funciona em todos os dias considerados úteis e inicia suas operações às 6h30 (horário de Brasília). Feita a abertura, cada participante transfere para a conta de liquidação do Sitraf no Banco Central do Brasil, até 7h30, o valor do pré-depósito para ele determinado, calculado com base no seu histórico de operações, isto é, em dados estatísticos. Essas transferências de fundos são comunicadas à CIP pelo Banco Central do Brasil e, para cada participante, constitui a massa de recursos sobre a qual as mensagens de transferência de fundos são liberadas. No âmbito do Sitraf, cada pré-depósito é creditado em uma conta titulada pelo correspondente participante, cujo saldo é sensibilizado pelas ordens de transferência de fundos liberadas pelo sistema. É permitido ao participante efetuar depósitos complementares ao inicial.
Os participantes podem emitir ordens de transferência de fundos no período de 7h30 às 17h. O ciclo completo de liquidação é constituído pelo ciclo principal, que se estende até 17h e cuja liquidação final, em contas mantidas no Banco Central, ocorre às 17h10, e pelo ciclo complementar, das 17h10 às 17h2518. Diagrama 4: Sitraf - Grade horária
Durante o ciclo principal, as ordens de transferência de fundos são processadas com base no saldo da conta de cada participante, sendo que todas elas devem sempre apresentar saldo igual ou maior do que zero. Para evitar possível concentração de liquidez, durante o ciclo principal o sistema também observa, em relação ao saldo de cada conta, limite superior equivalente a valor múltiplo do pré-depósito inicialmente
efetuado pelo participante19, o qual é desconsiderado no período de 17h às 17h10. O algoritmo de
processamento pode considerar a ordem de transferência de fundos isoladamente ou no contexto de uma
18 Os participantes podem cancelar ordens de transferência de fundos remanescentes até 17h15.
19 O limite superior é equivalente a “n” vezes o valor do pré-depósito, sendo que “n” pode ser alterado pela CIP de tempos em tempos.
6h30 7h30 17h10 17h25 Pré-depósito ciclo principal ciclo complementar
tranche de compensação bilateral ou multilateral. O fluxo de processamento é mostrado no diagrama a seguir:
Diagrama 5: Sitraf - Fluxo de processamento
No ciclo complementar, os participantes que apresentarem ordens de transferência de fundos pendentes de liberação devem efetuar o necessário depósito adicional, até o horário limite de 17h20. As ordens de transferência de fundos remanescentes são então processadas para fins de liberação, sendo que, às 17h25, a CIP transfere, para as contas reservas bancárias dos participantes, os eventuais saldos remanescentes em suas respectivas contas no âmbito do Sitraf.
Os depósitos na conta de liquidação do Siraf no Banco Central do Brasil 20, feitos pelos participantes, bem como a devolução, pela CIP, de saldos remanescentes no final do ciclo complementar, são efetuados por intermédio do STR. Como princípio de funcionamento, o participante destinatário só é informado da transferência de fundos no momento de sua liberação pela CIP.
20 Pré-depósito, depósito complementar durante o ciclo principal e depósito adicional durante o ciclo complementar.
Unilateral
Bilateral
Multilateral
Fila
viável?
Classificação por valor
Ordens de pagamento
viável?
viável?
Sim Sim
Ordem aprovada
Sim
Não
Não
3.2.3 - Centralizadora da Compensação de Cheques e Outros Papéis - Compe
Atualmente a Compe liquida as obrigações interbancárias relacionadas principalmente com cheques de valor inferior ao VLB-Cheque (R$ 250 mil)21. Cobrindo todo o território nacional, o sistema é composto,
para fins de troca física dos documentos, por uma câmara nacional, quinze câmaras regionais e dez câmaras locais. Em uma câmara local são trocados os cheques sacados contra as agências localizadas na praça por ela atendida. Na câmara regional, são trocados os cheques sacados contra agências bancárias localizadas nas praças por ela atendidas, vinculadas a uma praça centralizadora, sempre uma capital de Estado. Os cheques sacados contra bancos sem presença nas câmaras locais e regionais são trocados na câmara nacional, localizada em São Paulo, da qual todos os bancos obrigatoriamente participam, diretamente ou por intermédio de representação.
A cada dia útil são realizadas duas sessões, apurando-se, em cada sessão, um resultado multilateral único, de âmbito nacional, para cada participante. Tomando-se como base a data de acolhimento do documento que dá origem à obrigação, a liquidação interbancária na Compe é feita, em D+1, nas contas Reservas Bancárias mantidas no Banco Central do Brasil.
O Banco do Brasil S.A., operador da Compe, fornece o espaço físico e o apoio logístico necessários ao seu funcionamento, seja para a troca física de documentos, nas situações em que isso acontece, seja para a compensação eletrônica de todas as obrigações. O operador mantém um centro de processamento principal em São Paulo e um centro secundário no Rio de Janeiro, que funciona em hot standby.
Participam da Compe apenas instituições bancárias, nomeadamente os bancos comerciais, os bancos múltiplos com carteira comercial e as caixas econômicas, totalizando 141 instituições em dez/2004. A participação é condicionada à prévia constituição de depósito prévio no Banco Central do Brasil até 9h30 de cada dia.
Por limitação de espaço, os guichês nas câmaras de compensação, para troca física, são reservados apenas às instituições financeiras que normalmente apresentam maior volume de cheques compensáveis e às associações de bancos com assento no Grupo Compe, essas representando terceiros. Os demais participantes encaminham documentos para troca física por intermédio de terceiros detentores de guichê, de sua livre escolha, na forma de convênio firmado entre as partes. Os cheques são sempre convertidos para registros eletrônicos22.
No próprio dia do acolhimento (D), os participantes transmitem para o centro de processamento principal e, simultaneamente, para o centro de processamento secundário os arquivos eletrônicos contemplando os cheques acima do valor referencial, denominados “cheques acima”. Os “cheques acima” são fisicamente trocados nas câmaras de compensação em sessão noturna realizada no mesmo dia. Os cheques abaixo do valor referencial, denominados “cheques abaixo”, são transmitidos para os centros de processamento na manhã do dia seguinte (D+1), com troca física em sessão diurna realizada naquele dia.
O resultado da sessão noturna é informado a cada participante às 8h do dia seguinte e o da sessão diurna, às 17h do próprio dia da realização da sessão, sendo liquidados às 9h e às 18h, respectivamente. As duas sessões são liquidadas, portanto, sempre em D+1 da data do acolhimento dos documentos. Caso o valor disponível na conta vinculada em que registrado o depósito prévio efetuado seja insuficiente para saldar sua posição devedora, o participante deve fazer a necessária complementação até 8h30 ou 17h30, conforme se trate, respectivamente, da sessão noturna do dia anterior ou da sessão diurna do próprio dia.
3.2.4 – Sistema de Liquidação Diferida das Transferências Interbancárias de Ordens de Crédito – Siloc O Siloc liquida obrigações interbancárias relacionadas com os documentos de crédito (DOC)23 e com
os bloquetos de cobrança de valor inferior ao VLB-Cobrança (R$ 5 mil)24. A liquidação é feita, com
compensação multilateral de obrigações, em contas mantidas pelos participantes no Banco Central do Brasil (Reservas Bancárias), geralmente no dia útil seguinte ao de emissão do DOC, ou de recebimento do pagamento, no caso do bloqueto de cobrança. O sistema, operado pela CIP, entrou em operação em 18.02. 2004.
21 A Compe liquidou obrigações relacionadas com DOC e com bloquetos de cobrança, respectivamente até fev/04 e fev/05 respectivamente.
22 No processo de conversão, a leitura dos dados é feita de forma automática (Magnetic Ink Character Recognition - MICR).
23 Ordem de transferência de fundos por intermédio da qual o cliente emitente, correntista ou não de determinado banco, transfere recursos para a conta do cliente beneficiário em outro banco, podendo o cliente emitente e o cliente beneficiário serem a mesma pessoa. A emissão de DOC é limitada ao valor de R$ 5 mil.
24 Documento representativo de dívida originada na compra de bens e serviços, que é liquidado na rede bancária em espécie , cheque ou débito em conta. Os dados são sempre convertidos para registros eletrônicos via leitura automática (Optical Character Recognition
A cada dia útil (D) são realizadas duas sessões, uma pela manhã e outra à tarde. O resultado multilateral é informado para cada participante, por intermédio de arquivos eletrônicos, até às 5h10 do dia D, no caso da sessão da manhã, e até às 15h5 no caso da sessão da tarde. Em cada sessão é apurado um único resultado multilateral, de âmbito nacional. Na primeira sessão, que se encerra às 8h20, são liquidadas as obrigações interbancárias relacionadas com os documentos tratados na rede bancária no dia útil anterior
(D-1)25. Na segunda, que se encerra às 16h10, são liquidadas principalmente obrigações relacionadas a
documentos liquidados na sessão da manhã que, por qualquer razão, forem devolvidos pelas instituições financeiras destinatárias devido à inconsistência nos dados informados.
Participam do Siloc apenas instituições bancárias, isto é, bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial e caixas econômicas, totalizando 117 instituições (dez/04).
3.2.5 - Câmara TecBan
No sistema de compensação e de liquidação operado pela Tecnologia Bancária S.A. - TecBan, que entrou em funcionamento em 22.04.2002, são processadas transferências de fundos interbancárias relacionadas principalmente com pagamentos realizados com cartões de débito e saques em rede de atendimento automático de uso compartilhado, denominada Banco24Horas. O sistema utiliza compensação multilateral de obrigações, com a liquidação final dos resultados apurados sendo feita, por intermédio do Sistema de Transferência de Reservas - STR, em contas mantidas pelos participantes no Banco Central do Brasil. De vez que esse sistema de liquidação, na forma da regulamentação em vigor, não é considerado sistemicamente importante, a liquidação em contas mantidas no Banco Central do Brasil decorre de opção da entidade operadora.
Com poucas exceções, a liquidação é garantida pela TecBan e, para tanto, os participantes depositam garantias e se sujeitam à observação de limites operacionais. A liquidação ocorre em D ou D+1 dependendo do horário em que a operação que dá origem à transferência de fundos é realizada. Para isso, em cada dia considerado útil para fins de funcionamento do sistema financeiro, o sistema realiza dois ciclos de liquidação. No primeiro, que se encerra às 10h10, são liquidadas as transferências de fundos originadas em operações confirmadas pelos participantes entre 14h e 24h do dia útil anterior, no caso de operações garantidas, e entre 14h do dia útil anterior e 8h do próprio dia, no caso de operações não garantidas. No segundo ciclo, que se encerra às 17h10, são liquidadas as transferências de fundos relacionadas com operações confirmadas pelos participantes entre 0h e 14h do próprio dia, no caso de operações garantidas, e entre 8h e 14h também do próprio dia, no caso de operações não garantidas.
Participam do sistema 45 instituições financeiras (dez/04). Cerca de 85 milhões de cartões têm acesso ao Banco24Horas.
É utilizada rede de comunicação própria para transmissão de dados entre os pontos de captura (máquinas de auto atendimento, pontos de venda, etc) e a TecBan. Todas as confirmações são feitas pela TecBan em tempo real, salvo nos casos de débitos diretos e créditos diversos.
3.3 - Sistemas de liquidação de títulos, valores mobiliários, moedas estrangeiras e derivativos No Brasil, quase todos os títulos são desmaterializados, existindo apenas sob a forma de registros eletrônicos. Os sistemas de negociação, de compensação e de liquidação são altamente automatizados e STP (straight-through processing) é amplamente utilizado. O princípio da entrega contra pagamento (EcP) é observado em todos os sistemas de liquidação de títulos e valores mobiliários. No caso das operações interbancárias de câmbio, o princípio equivalente, de pagamento contra pagamento (PcP), é observado se a liquidação é feita por intermédio da Câmara de Câmbio da BM&F.
Na liquidação de operações com títulos e valores mobiliários, o SPB apresenta certa segmentação. O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic, operado pelo Banco Central do Brasil, liquida operações com títulos públicos federais. A BM&F Câmara de Ativos também liquida operações com esses títulos, segundo sistemática diferenciada. As operações com ações, normalmente realizadas na Bolsa de Valores de São Paulo - Bovespa, são liquidadas por intermédio da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia - CBLC, entidade que também atua como depositária central desse valor mobiliário. A CBLC liquida também as operações com ações e títulos negociados no âmbito da Sociedade Operadora do Mercado de Ativos - Soma. Os títulos de dívida corporativa são liquidados principalmente por intermédio da Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos - Cetip, que também atua como depositário central.
A BM&F, além da Câmara de Ativos, opera sistema próprio de liquidação de operações com derivativos e outro para liquidação de operações de câmbio interbancário.
O diagrama a seguir contém a visão geral do sistema financeiro brasileiro, no que diz respeito à negociação, compensação e liquidação de operações com títulos, valores mobiliários, derivativos e câmbio interbancário:
Diagrama 6 : Visão geral do sistema financeiro (mercados x sistemas de compensação e liquidação)
tpf – título público federal tpe – título público estadual
tdc – título de dívida corporativa di – depósito interfinanceiro ci – câmbio interbancário
LDL
LBTR
deriv – derivativos merc - mercadoriasCompensa-ção
Liquidação
final
Negociação/
registro
STR/RB
B
B
A
A
N
N
C
C
O
O
C
C
E
E
N
N
T
T
R
R
A
A
L
L
Mercado de bolsas
Mercado de balcão
SOMA
ações tdcSELIC
tpf BM&F CÂMBIO ciCETIP
tdc tpe di swaps outros BOVES-PA ações opções tdcCBLC
BM&F ATIVOS tpf BM&F DERIV deriva. merc.3.3.1 - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic
O Selic é o depositário central dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central do Brasil e nessa condição processa, relativamente a esses títulos, a emissão, o resgate, o pagamento dos juros e a custódia. O sistema processa também a liquidação das operações definitivas e compromissadas realizadas em seu ambiente, observando, a partir de 22 de abril de 2002, o modelo 1 de entrega contra
pagamento26. Todos os títulos são escriturais, isto é, emitidos exclusivamente na forma eletrônica. A
liquidação da ponta financeira de cada operação é realizada por intermédio do Sistema de Transferência de Reservas - STR, ao qual o Selic é interligado.
O sistema, que é gerido pelo Banco Central do Brasil e é por ele operado em parceria com a Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto - Andima, tem seus centros operacionais (centro principal e centro de contingência) localizados na cidade do Rio de Janeiro. O horário normal de funcionamento é das 6h30 às 18h30, em todos os dias considerados úteis. Para comandar operações, os participantes liquidantes e os participantes responsáveis por sistemas de compensação e de liquidação encaminham mensagens por intermédio da Rede do Sistema Financeiro Nacional - RSFN, observando padrões e procedimentos previstos em manuais específicos da rede. Os demais participantes utilizam outras redes, conforme procedimentos previstos no regulamento do sistema.
Participam do sistema, na qualidade de titular de conta de custódia, além do Tesouro Nacional e do Banco Central do Brasil, bancos comerciais, bancos múltiplos, bancos de investimento, caixas econômicas, distribuidoras e corretoras de títulos e valores mobiliários, entidades operadoras de serviços de compensação e de liquidação, fundos de investimento e diversas outras instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. São considerados liquidantes, respondendo diretamente pela liquidação financeira de operações, além do Banco Central do Brasil, os participantes titulares de conta Reservas Bancárias, incluindo-se nessa situação, obrigatoriamente, os bancos comerciais, os bancos múltiplos com carteira comercial e as caixas econômicas, e, opcionalmente, os bancos de investimento. Os não-liquidantes liquidam suas operações por intermédio de participantes liquidantes, conforme acordo entre as partes, e operam dentro de limites fixados por eles. Cada participante não-liquidante pode utilizar os serviços de mais de um participante liquidante, exceto no caso de operações específicas, previstas no regulamento do sistema, tais como pagamento de juros e resgate de títulos, que são obrigatoriamente liquidadas por intermédio de um liquidante-padrão previamente indicado pelo participante não-liquidante.
Os participantes não-liquidantes são classificados como autônomos ou como subordinados, conforme registrem suas operações diretamente ou o façam por intermédio de seu liquidante-padrão. Os fundos de investimento são normalmente subordinados e as corretoras e distribuidoras, normalmente autônomas. As entidades responsáveis por sistemas de compensação e de liquidação são obrigatoriamente participantes autônomos. Também obrigatoriamente, são participantes subordinados as sociedades seguradoras, as sociedades de capitalização, as entidades abertas de previdência, as entidades fechadas de previdência e as resseguradoras locais. O sistema conta com cerca de 4.900 participantes (dez/04).
Tratando-se de um sistema de liquidação em tempo real, a liquidação de operações é sempre condicionada à disponibilidade do título negociado na conta de custódia do vendedor e à disponibilidade de recursos por parte do comprador. Se a conta de custódia do vendedor não apresentar saldo suficiente de títulos, a operação é mantida em pendência pelo prazo máximo de 30 minutos ou até 12h, o que ocorrer primeiro (não se enquadram nessa restrição as operações de venda de títulos adquiridos em leilão primário realizado no dia). A operação só é encaminhada ao STR para liquidação da ponta financeira após o bloqueio dos títulos negociados, sendo que a não liquidação por insuficiência de fundos implica sua rejeição pelo STR e, em seguida, pelo Selic.
Na forma do regulamento do sistema, são admitidas algumas associações de operações. Nesses casos, embora ao final a liquidação seja feita operação por operação, são considerados, na verificação da disponibilidade de títulos e de recursos financeiros, os resultados líquidos relacionados com o conjunto de operações associadas.