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cultivada pela primeira

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Academic year: 2021

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(1)

Planeta

perde

terra

cultivada

pela

(2)

Renaturalização

Já somos 7,6

mil

milhões

de

habitantes

mas estamos

a

usar menos

terra para alimentar

mais

gente.

Portugal

é o

único

país

da

Europa

que está a

perder terra

agrícola

e

florestal

Terra

cultivada

no

mundo

diminui

pela

primeira

vez

Texto

Virgílio

Azevedo

Infografia JAIME FIGUEIREDO

\as

montanhas da China,

floresta espontânea e mato começam a

po-voar terras agrícolas

esquecidas. No Irão, na Austrália eno

Cazaquis-tão, animais selvagens "estão atomar conta de pastos abandonados". E em Portugal, no Chile ena Argentina, quintas deixadas ao abandono

tornam--se "corredores de ligação entre

terri-tórios fragmentados de vida selvagem". É assim que Joseph Poore, investigador do impacto ambiental da agricultura na Universidade de Oxford, descreve, num artigo publicado recentemente na revista britânica "New Scientist", uma

nova tendência napaisagem mundial: pela primeira vez na história registada a área de terras agrícolas epastos

cultiva-dos está a encolher. E a Natureza está a ocupar asáreas abandonadas.

São menos

2.000.000

km2 desde

2000,

uma tendência surpreendente num mundo onde épreciso alimentar uma população que continua a crescer

ao

ritmo

de 70 milhões de habitantes

por ano. Eas terras que são roubadas à

agricultura pela expansão das cidades?

E a desflorestação das florestas

tropi-cais para dar lugar às culturas intensivas de palma ou soja e a pastos cultivados para ogado?

A

revista "Nature" revelava em 2011que a expansão da agricultura em todo o mundo

tinha destruído ou

convertido 70% das pastagens naturais,

50% da savana, 45% da floresta

tem-perada e 27% da floresta tropical. Mas

as estatísticas da FAO, aOrganização

das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, foram analisadas por

Jose-ph Poore e os números são reveladores: "De dois emdois anos, uma área igual à

do Reino Unido éabandonada", ou seja,

242.495 km2

,oequivalente a 2,6vezes a área de Portugal. "Isto éparticularmente verdade em áreas de clima temperado e de terras áridas, mas também nalgumas partes dos trópicos."

Curiosamente, oinvestigador destaca que um dos fatores que estão a contribuir

para esta tendência éa preferência dos

consumidores por roupa de algodão ou fibra sintética em vez delã,oque levou a

umaqueda dos preços da lã no mercado

mundial e ao abandono de pastos cul-tivados, emparticular na Ásia Central, Austrália eNova Zelândia. Sónestes dois países, "que são dos maiores produtores

mundiais, mais de

600.000

km2de

pas-tos foram abandonados desde 1990".

O exemplo do Vale do Coa

Portugal perdeu 5%dasuaárea agrícola entre 1999 e2009(último recenseamen-to agrícola). Poore dáo exemplo do Vale

(3)

aagri-DE

DOIS EM DOIS

ANOSÉ

ABANDONADA

UMA

ÁREA

IGUALA

DO

REINO

UNIDO

OU

2,6

VEZES

A

ÁREA

DE

PORTUGAL

cultura de montanha foi

gradualmen-te abandonada depois de se tornar não competitiva". E houve organizações de conservação da Natureza "que adquiri-ram terras quando não apareciam outros compradores no mercado". Para os que ficaram, "emergiram novas

oportunida-des com a chegada de turistas, atraídos pela paisagem natural epela observação de veados, lobos eabutres negros, que ocuparam as terras abandonadas". As organizações são aRewilding Europe e aAssociação Transumância e Nature-za, que criou aÁrea Protegida Privada Faia Brava —aprimeira do país —para a

conservação deaves eda biodiversidade,

depois detercomprado 526 hectares nos concelhos deFigueira deCastelo Rodrigo e dePinhel. Contactado pelo Expresso, Joseph Poore diz que para

não quer falar mais sobre o tema, porque precisa

de tempo para desenvolver asua tese. "O abandono de terras cultivadas é mais complexo enão sepode dizer gene-ricamente que o seu impacto épositivo

ou negativo", afirma Francisco Ferreira, presidente da organização

ambientalis-ta ZERO. "Há casos de abandono dos

solos agrícolas que não resultam do seu

esgotamento mas do despovoamento, migrações, seca, falta de água e

nutrien-tes ou artificialização com construções urbanas". E nestas situações, "o aban-dono não vai contribuir para asua rena-turalização".

A

invasão daNatureza "é

um processo mais ou menos lento mas

ébem-vinda, porque há um conjunto

de serviços de ecossistemas com valor económico que passam aser fornecidos

às populações, desde que a degradação dos solos não seja irreversível, como acontece em certas zonas do Alentejo ou

da Austrália, por exemplo". Francisco

Ferreira diz que "com apopulação

mun-dial acrescer énecessário intensificar a produção agrícola, passar deum regime extensivo para intensivo sem rotação de

terras, oque édramático, porque acaba por penalizar asáreas cultivadas em ter-mos ambientais esociais —cria menos

emprego com mais maquinaria". Masao

mesmo tempo, com mais população nas

cidades "ficam mais áreas rurais abando-nadas disponíveis".

Abandono diminui biodiversidade?

Paradoxalmente, o abandono de terras cultivadas nos países mediterrânicos

pode

diminuir

a biodiversidade.

"Há

exemplos derenaturalização com perda de biodiversidade, porque nasregiões de

clima mediterrânico (7% da superfície terrestre) esta está associada a

interven-ções humanas muito antigas na paisagem

ligadas ao trabalho dos solos, ao corte de vegetação, aopastoreio eao fogo", expli-caJosé Lima Santos. O investigador do Centro de Estudos Florestais (CEF) edo

Instituto Superior deAgronomia de Lis-boa (ISA) sublinha que umdos exemplos

"éaestepe cerealífera doAlentejo, onde

oabandono de terras marginais com sis-temas agrícolas não muito intensivos ea substituição natural pelo azinhal reduziu

onúmero de efetivos deaves estepárias, algumas em risco de extinção, como a abetarda, osisão, a calhandra real, o

pe-neireiro dastorres, os cortiçóis, o

alcara-vão, a águia imperial ou oabutre".

São sistemas agrícolas "em que o

ser-viço principal jánão éa produção de ali-mentos mas a biodiversidade, ocontrolo

dos fogos ea preservação da paisagem".

Em contrapartida,

em ecossistemas

muito estáveis, com pouca intervenção humana, como as florestas tropicais, "o

lema 'quanto mais natural melhor para a biodiversidade' faz todo osentido".

Cibele Queiroz, investigadora

portu-guesa do Stockholm Resilience Centre na Universidade de Estocolmo, com uma tese de doutoramento eartigos

científi-cos publicados sobre abandono agrícola eimpacto na biodiversidade, argumenta que "oabandono tem sempre consequên-cias negativas para algumas espécies e positivas para outras, ou seja, há sempre

vencedores e perdedores". E concorda que na Europa "as práticas agrícolas têm

alterado osecossistemas nativos desde há

milhares de anos", sendo as paisagens agrícolas que conhecemos hoje "o resul-tado de uma permanente interação entre

oHomem ea Natureza".

Algumas espécies evoluíram com esta

interação e "adaptaram-se a coexistir com práticas agrícolas de intensidade moderada, ou seja, não estamos a falar

de paisagens com práticas agrícolas in-tensivas, produto da Revolução

Indus-trial", esclarece ainvestigadora. Essas espécies "são obviamente afetadas pelo abandono agrícola". Mas este "constitui

também uma oportunidade para a re-generação de habitais naturais que no

passado sofreram uma redução de área significativa devido à conversão de terra

para a agricultura, como florestas de

ca-ducifólias no caso português (nogueiras

eoutras árvores de folhas caducas), oque

beneficia mamíferos de médio egrande porte". Assim, se o abandono acontece em áreas adjacentes auma área prote-gida, "o potencial para a regeneração de habitais com alto valor de conservação será elevado", tendo um impacto positivo para a biodiversidade.

"O abandono de terras em Portugal

éantigo", constata José Lima Santos. "O pico da ocupação agrícola foi na déca-da de 1960 (ver gráfico) e depois veio a emigração, a urbanização eo abandono

COM

A

POPULAÇÃO

MUNDIAL A

CRESCER

E

A

CONCENTRAR-SE

NAS

CIDADES

MAIS

ÁREAS RURAIS

VAZIAS DISPONÍVEIS

NO MEDITERRÂNEO

A

BIODIVERSIDADE

RESULTA DE

UMA

INTERAÇÃO

PERMANENTE

ENTRE

O

HOMEM

E

A

NATUREZA

(4)

de solos marginais, pouco rentáveis, que mesmo para floresta eram fracos". Hoje Portugal éumdos países europeus "com menor percentagem de solos bons usan-do a tecnologia atual". Eeste problema "aumenta a tendência para oabandono". Mas há mais: "Se excluirmos os 60% a 70% de área agrícola nacional pouco produtiva não perderíamos muito, por-que representam apenas 5% a 10% da produção agrícola total."

Subsídios daPAC travam processo

O que mantém esta área marginal "são

os subsídios da Política Agrícola Comum"

egrande parte das políticas de conser-vação da natureza "concentra-se nestes

60% a 70%, onde opastoreio permanente éo uso dominante", salienta o investiga-dor. Haveria, no entanto, "um impacto importante nos fogos" seesta vasta área

fosse excluída de qualquer uso agrícola einvadida por floresta natural ematos, ressalva oprofessor do ISA. Há, na ver-dade, "um ciclo em Portugal que liga baixa rentabilidade agrícola, abandono

dos solos enúmero de fogos".

As regiões onde aprodutividade do trabalho agrícola émais baixa são asmais atingidas pelos incêndios florestais, "o que significa que oque comanda a

reten-ção do território nacional para a

agricul-tura éorendimento do trabalho agrícola"

(ver mapa). Quando ospinheiros ardidos não são replantados, "vêm as acácias —

uma praga —, os matos e os carvalhos,

ou são plantados eucaliptos". Portanto,

"o ciclo do fogo evolui para uma paisa-gem com muito pouca biodiversidade em comparação com a paisagem humana que a precedeu", conclui Lima Santos.

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Referências

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