• Nenhum resultado encontrado

UNIVERSIDADE PAULISTA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "UNIVERSIDADE PAULISTA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO"

Copied!
163
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE PAULISTA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

PROPOSTA DE MODELO INTEGRADOR ENTRE OPERACIONALIDADE E RESULTADOS DE REDES DE

POLÍTICAS PÚBLICAS: O CASO DA RAPS - REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Paulista – UNIP, para a obtenção do título de Mestre em Administração.

RONI DE MELO PIUCHI

São Paulo 2018

(2)

UNIVERSIDADE PAULISTA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

PROPOSTA DE MODELO INTEGRADOR ENTRE OPERACIONALIDADE E RESULTADOS DE REDES DE

POLÍTICAS PÚBLICAS: O CASO DA RAPS - REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Paulista – UNIP, para a obtenção do título de Mestre em Administração.

Orientador: Prof. Dr. Ernesto Michelangelo Giglio.

Área de Concentração: Redes Organizacionais.

Linha de Pesquisa: Abordagens Sociais nas Redes.

RONI DE MELO PIUCHI

São Paulo 2018

(3)

FICHA CATALOGRÁFICA

Ficha elaborada pelo Bibliotecário Rodney Eloy CRB8-6450 Piuchi, Roni de Melo.

Proposta de modelo integrador entre operacionalidade e resultados de redes de políticas públicas : o caso da RAPS - Rede de Atenção Psicossocial. / Roni de Melo Piuchi - 2018.

161 f. : il. color + CD-ROM.

Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Paulista, São Paulo, 2018.

Área de Concentração: Redes Organizacionais. Orientador: Prof. Dr. Ernesto Michelangelo Giglio.

1. Redes. 2. Operacionalidade. 3. Comprometimento. 4. Solução de conflitos. 5. Resultados. I. Giglio, Ernesto Michelangelo (orientador). II. Título.

(4)

RONI DE MELO PIUCHI

PROPOSTA DE MODELO INTEGRADOR ENTRE OPERACIONALIDADE E RESULTADOS DE REDES DE

POLÍTICAS PÚBLICAS: O CASO DA RAPS - REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Administração da Universidade Paulista – UNIP para a obtenção do título de Mestre em Administração.

Aprovado em:

BANCA EXAMINADORA

___________________________/___/___ Prof. Dr. Ernesto Michelangelo Giglio

Universidade Paulista – UNIP

___________________________/___/___ Prof. Dr. Roberto Bazanini

Universidade Paulista - UNIP

___________________________/___/___ Prof. Dr. Lucilaine Pascuci

(5)

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho à minha companheira de jornada, Vanessa, que mesmo com todas as adversidades nunca deixou de acreditar nos meus sonhos; e a nossa pequena Sophia, que mesmo a caminho, já fez minha vida um tanto melhor.

(6)

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradeço ao meu mentor acadêmico e orientador Prof. Dr. Ernesto Michelangelo Giglio, por suas preciosas contribuições nesta pesquisa, pela condução das orientações de forma precisa e justa, pela paciência e respeito dedicados ao longo do trabalho e, principalmente, por acreditar neste projeto. Obrigado professor!

Agradeço à Vanessa Ferreira de Almeida Piuchi por seu amor ilimitado e por todo apoio, paciência e torcida para que este trabalho fosse possível. Por acreditar no meu potencial, mesmo nos momentos mais difíceis.

Agradeço aos meus professores do curso pelas aulas e trocas de experiências, sempre tão enriquecedoras, contribuindo para nossa formação acadêmica.

À Universidade Paulista – UNIP, ao Departamento de Pós-Graduação em Administração, à coordenação do curso e aos colaboradores por toda atenção e apoio fornecido ao longo do curso.

Aos professores da banca examinadora: Prof. Dr. Ernesto Michelângelo Giglio, Prof. Dr. Roberto Bazanini, Profª. Drª. Lucilaine Pascuci e Profª. Drª. Carmem Lúcia Albuquerque de Santana por todas as contribuições no trabalho.

Aos meus amigos de classe: Everton, Israel, Renata Delgado, e Sérgio, que tornaram meus dias mais alegres e produtivos. Em especial, a amiga Renata Bove, pelas muitas formas que me ajudou a chegar até aqui. Agradeço a todos vocês pela jornada incrível e a certeza que continuaremos juntos!

Aos meus pais Antonio Piuchi e Jacira de Melo Piuchi por todo apoio e compreensão pelos momentos em que estive ausente para realizar a pesquisa e a minha querida irmã Kênia de Melo Piuchi Desideri por acreditar desde o início neste projeto. Muito obrigado!

Aos participantes da pesquisa que voluntariamente dedicaram parte do seu tempo para contribuir com esta pesquisa.

A todos os seres que de alguma forma me deram força e coragem para chegar até aqui. Obrigado!

(7)

RESUMO

O trabalho investigou a proposição que a operacionalidade de uma rede traz consequências positivas para os resultados de políticas públicas. Define-se operacionalidade como um conjunto de fatores relativos ao comprometimento, à solução de conflitos e variáveis de foco. Define-se resultados como as evidências de objetivos alcançados. A pesquisa se caracteriza por ser qualitativa, com análises de discursos advindos de entrevistas e dados de fontes secundárias; e quantitativa, com análises não paramétricas advindas de dados de questionários com escalas Likert. Os instrumentos de coleta foram elaborados a partir da construção de indicadores de presença das categorias. Os dados coletados nas entrevistas foram analisados conforme a categorização construída nos indicadores e pela técnica de análise temática. Os dados de fontes secundarias foram analisados conforme sua natureza, isto é, se textos, gráficos, tabelas. Como campo de investigação selecionaram-se duas redes de serviços de atenção psicossocial da cidade de São Paulo, em duas macrorregiões da cidade de São Paulo, no programa denominado Rede de Atenção Psicossocial - RAPS. O comparativo das duas redes não apresentou grandes distinções entre elas, indicando que seu funcionamento possui semelhança. Os dados indicaram que nas duas redes é possível identificar a correspondência entre indicadores de operacionalidade e indicadores de resultados. Os resultados sustentam a proposição que quanto mais operacional for a rede, mais resultados positivos ela tem. O caminho da ausência também sustenta a proposição, ou seja, quanto menos operacional for a rede, menos resultados positivos ela apresenta. Ao final foi possível refinar a matriz de indicadores, com adição e subtração de variáveis e o quadro final constitui um benefício metodológico importante, podendo ser utilizado em pesquisas futuras. Sobre o benefício teórico foi possível fazer uma correspondência entre os indicadores de operacionalidade e de resultados, como afirmam as teorias de grupos operativos utilizados nesta pesquisa. Considerando os limites do trabalho, uma das sugestões de novas pesquisas é o estudo do ator Organizações Sociais como organizadores dos serviços da rede e sua influência nos processos da rede.

(8)

ABSTRACT

This paper investigated the proposition that the network operationality brings positive consequences to the results of public policies. Operationality may be defined as a set of factors related to the commitment, conflict resolution, and focus variables. Results can be defined as evidence of achieved goals. The research is qualitative, with interviews speech analyses and data from secondary sources: and quantitative with non-parametric analyses from surveys using a Likert scale. The interviews data collection instruments were elaborated using the construction of categories presence indicators. The data collected during the interviews were analysed according to the categorization built based on the indicators and using thematic analysis technique. The secondary sources data were analyzed according to their nature, i.e: texts, charts, tables. The investigation field selected was a group of two psychosocial care services networks in the city of São Paulo, in two macro-regions inside the city, being part of a program named Rede de Atenção Psicossocial – RAPS. The comparison of those two networks did not show a significant distinction between them, indicating a similar operation. The data indicated that on both networks is possible to identify the correspondence between operationality and result indicators. The results support the proposition that the more operational a network is the more are the positive results it presents. The absence path also supports the proposition, it means, the less operational a network is the less are the positive results it presents. At the end, it is possible to refine the indicators matrix, adding and subtracting variables and the final frame is an important methodological benefit and can be used on future researches. Considering the theoretical benefit, it is possible to build a correspondence between operationality and result indicators, as demonstrated in the operational groups´s theory utilized in this research. Considering the limits of this work, one suggestion for new researches is the study of the actor Organizações Sociais as the network services organizers and its influence on the network processes.

(9)

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Desenho da pesquisa 51

Figura 2 – Composição da Rede de Atenção Psicossocial 52

Figura 3 – Diagrama do fluxo de atendimento do caso 1 70

Figura 4 – Diagrama do fluxo de atendimento do caso 2 73

Figura 5 – Estrutura de ligações da Rede de Atenção Psicossocial - RAPS no Município

de São Paulo 118

Gráfico 1 – Indicadores de operacionalidade da RAPS Região Norte 93

Gráfico 2 – Indicadores de resultados da RAPS Região Norte 93

Gráfico 3 – Indicadores de Operacionalidade e Resultados Região Norte - Mediana 94

Gráfico 4 – Indicadores de operacionalidade da RAPS Região Sudeste 110

Gráfico 5 – Indicadores de resultados da RAPS Região Sudeste 110

Gráfico 6 – Indicadores de Operacionalidade e Resultados Região Sudeste - Mediana 111 Gráfico 7 – Sinais de operacionalidade da rede a partir do comprometimento – Resultado

Geral 139

Gráfico 8 – Sinais de operacionalidade da rede com solução de conflitos – Resultado

Geral 141

Gráfico 9 – Sinais de operacionalidade da rede a partir das categorias de foco –

Resultado Geral 143

Gráfico 10 – Sinais de resultado – Resultado Geral 144

Gráfico 11 – Sinais de operacionalidade da rede a partir do comprometimento – RAPS

Região Norte 146

Gráfico 12 – Sinais de operacionalidade da rede com solução de conflitos – RAPS

Região Norte 148

Gráfico 13 – Sinais de operacionalidade da rede a partir das categorias de foco – RAPS

Região Norte 150

Gráfico 14 – Sinais de resultados – RAPS Região Norte 152

Gráfico 15 – Sinais de operacionalidade da rede a partir do comprometimento – RAPS

Região Sudeste 154

Gráfico 16 – Sinais de operacionalidade da rede com solução de conflitos – RAPS

(10)

Gráfico 17 – Sinais de operacionalidade da rede a partir das categorias de foco – RAPS

Região Sudeste 158

Gráfico 18 – Sinais de resultados – RAPS Região Sudeste 160

Mapa 01 – Coordenadorias Regionais de Saúde 75

Mapa 02 – Supervisões Técnicas de Saúde da Coordenadoria Regional Norte 76

Mapa 03 – Supervisões Técnicas de Saúde da Coordenadoria Regional Sudeste 97

Quadro 1 – Resumo dos conceitos das características do formato em rede 35

Quadro 2 – Exemplo de um modelo de avaliação de políticas públicas através de

indicadores sociais 45

Quadro 3 – Resumo dos princípios adotados 45

Quadro 4 – Descrição dos indicadores de operacionalidade encontrados na literatura que

serão utilizados na construção dos instrumentos de coleta 48

Quadro 5 – Descrição dos indicadores de resultados encontrados na literatura que serão

utilizados na construção dos instrumentos de coleta 50

Quadro 6 – Sinais e características de rede no Serviço de Atenção Psicossocial 67

Quadro 7 – Relação entre indicadores a partir das respostas do Sujeito 01 79

Quadro 8 – Relação entre indicadores a partir das respostas do Sujeito 04 82

Quadro 9 – Relação entre indicadores a partir das respostas do Sujeito 05 84

Quadro 10 – Relação entre indicadores a partir das respostas do Sujeito 08 86

Quadro 11 – Relação entre indicadores a partir das respostas do Sujeito 10 88

Quadro 12 – Relação entre indicadores a partir das respostas do Sujeito 12 90

Quadro 13 – Relação entre indicadores a partir das respostas do Sujeito 03 101

Quadro 14 – Relação entre indicadores a partir das respostas do Sujeito 06 104

Quadro 15 – Relação entre indicadores a partir das respostas do Sujeito 07 106

Quadro 16 – Relação entre indicadores a partir das respostas do Sujeito 11 107

(11)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – As indicações de categorias de redes presentes em artigos a partir do portal

Web of Science 24

Tabela 2 – Presença de pareamento de categorias no portal Web of Science 24

Tabela 3 – As indicações de categorias de redes presentes em artigos a partir do portal

SciELO Brasil 26

Tabela 4 – Presença de pareamento de categorias no portal SciElo Brasil 26

Tabela 5 – Busca de pareamento de categorias presentes em artigos a partir do portal

SciELO Brasil 27

Tabela 6 – Indicadores presentes no atendimento de um caso no programa RAPS 70

Tabela 7 – Indicadores do Caso 2 73

Tabela 8 – Frequência das correspondências entre as categorias de operacionalidade e

resultados – Região Norte 91

Tabela 9 – Frequência das correspondências entre as categorias de operacionalidade e

(12)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ACS - Agente Comunitário de Saúde ARD - Agente de Redução de Danos

CAPS AD - Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas CAPS Infantil - Centro de Atenção Psicossocial Infantil CGR - Colegiado de Gestão Regional

CIR - Comissão Intergestores Regional

CREAS - Centro de Referência Especial da Assistência Social IDB - Indicadores e Dados Básicos

NASF - Núcleo de Apoio à Saúde da Família PVC - Programa de Volta para Casa

RAPS - Rede de Atenção Psicossocial RRAS - Rede Regional de Atenção à Saúde

SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência SHR - Serviço Hospitalar de Referência

SRT - Serviços Residenciais Terapêuticos UAA - Unidade de Acolhimento Adulto

UAI - Unidade de Acolhimento Infanto-juvenil UBS - Unidade Básica de Saúde

(13)

SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 14 1.1 Tema 18 1.2 Problema 19 1.3 Justificativa 20 1.4 Objetivo Geral 21 1.4.1 Objetivos específicos 21 2. REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA 23

2.1 Sobre as categorias selecionadas 23

2.2 Sobre Redes de Políticas Públicas 26

2.3 Comentários sobre a revisão 29

3. TEORIA DE BASE 31

3.1 As organizações em rede 31

3.2 Características distintivas do formato de rede 33

3.3 Abordagem social de redes 36

3.4 Operacionalidade de redes 37

3.4.1 Comprometimento 39

3.4.2 Solução de conflitos 41

3.5 Sobre Resultados 43

3.6 Indicadores das categorias 46

4. METODOLOGIA 53

4.1 Protocolo 56

4.1.1 Objetivo 56

4.1.2 Escopo 57

4.1.3 Sujeitos 57

4.1.4 Instrumentos de coletas de dados 57

(14)

4.1.4.2 Questionário 59

4.1.5 Formas de análise 61

5. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS 62

5.1 A Rede de Atenção Psicossocial - RAPS 65

5.1.1 Sobre processos e fluxos da rede 68

5.2 A RAPS da Região Norte 75

5.2.1 Dados das entrevistas – Região Norte 76

5.2.2 Dados dos questionários – Região Norte 92

5.2.3 Resposta ao problema de pesquisa na rede da Região Norte 95

5.3 A RAPS da Região Sudeste 97

5.3.1 Informações de fontes secundárias 97

5.3.2 Dados das entrevistas – Região Sudeste 98

5.3.3 Dados dos questionários – Região Sudeste 109

5.3.4 Resposta ao problema de pesquisa na rede da Região Sudeste 112

6. COMENTÁRIOS FINAIS 114

6.1 Resposta ao problema de pesquisa 114

6.2 Discussão sobre a teoria de base e os resultados da pesquisa 115

6.3 Sobre a metodologia 116

6.4 Sobre os objetivos e as contribuições 117

6.5 Sobre os limites do trabalho 119

6.6 Sobre sugestões de novas pesquisas 120

7. REFERÊNCIAS 123

GLOSSÁRIO 132

APÊNDICE A – Roteiro de entrevista 133

APÊNDICE B – Questionário 137

APÊNDICE C – Detalhamento dos dados quantitativos da RAPS 139

(15)
(16)

1. INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, o tema de redes ganhou notoriedade na produção acadêmica por meio de estudos sobre as categorias racionais, econômicas e sociais que buscam entender o desenvolvimento, a formação, a manutenção das redes, as relações entre os atores e a configuração, ou os estados dinâmicos, das redes.

Para Nohria e Eccles (1992), os três principais motivos que levaram ao aumento da relevância das redes são: (a) novas maneiras a partir das quais as empresas estão competindo, não mais de forma isolada, mas entre grupos; (b) a tecnologia, que auxilia na descentralização e, consequentemente, na flexibilidade dos arranjos produtivos, contribuindo para a expansão da rede de relações; e (c) os estudos sobre o tema de redes tornaram-se legítimos e presentes nas discussões, seminários e congressos.

A partir dessa nova forma de competição, na qual as empresas não mais competem e concorrem sozinhas, mas sim em grupos, surgiram várias redes com o intuito de diminuir as dificuldades comuns das organizações. O que diferencia as redes entre si é sua configuração, no sentido de estrutura, objetivos, governança e força dos laços. Conforme é defendido neste trabalho, são as relações sociais que iniciam o processo que culmina na configuração especial de cada rede, na sua operacionalidade e nos resultados.

O fenômeno de redes pode ser estudado como perspectiva de análise (no sentido mais acadêmico), ou como estrutura de governança (no sentido mais gerencial) (LOPES e BALDI, 2009). A primeira perspectiva, adotada neste trabalho, permite obter uma melhor compreensão do processo de funcionamento da rede. Dentro da perspectiva de análise, segundo Sacomano, Neto e Truzzi (2004), é possível realizar inferências e interpretações de uma rede a partir da estrutura de relações sociais. O desenho das ligações entre os atores permite, por exemplo, compreender a dominância de confiança, ou de competição, ou da origem e eficácia das regras de ações coletivas.

Alguns autores, como Nohria e Eccles (1992), Grandori e Soda (1995), Tichy, Tushman e Fombrun (1979), merecem destaque pela contribuição a respeito da compreensão do fenômeno de redes. Conforme Grandori e Soda (1995), existem várias abordagens sobre o estudo de redes, que incluem princípios racionalistas, econômicos, sociais e institucionais. O presente estudo adota as afirmativas da sociedade em rede (CASTELLS, 1999) e as afirmativas e constructos da abordagem social de redes (GRANOVETTER, 1985; GRANDORI e SODA, 2006; GULATI, 1998). Segundo Castells (1999), a sociedade atual está configurada no formato

(17)

de redes e, para a perspectiva social, a afirmativa principal é que as relações sociais constituem uma teia que dirige os processos, as ações e os comportamentos dos participantes. Unindo-se as duas perspectivas, pode-se afirmar que todas as organizações estão em redes (NOHRIA e ECCLES, 1992) e que o desenvolvimento das redes ocorre em função de uma teia social. Essa é a base teórica da dissertação.

Os conceitos de redes passaram a ser aplicados também nas políticas públicas e de forma mais frequente, com uma considerável variedade de definições. Autores como Kickert, Klijn e Koppenjan (1997) e Börzel (1998) reconhecem essa variedade de definições e afirmam a necessidade de um aprofundamento nos estudos teóricos para uma melhor compreensão sobre o assunto e possível encontro de convergências. Uma das questões debatidas é se as redes de políticas públicas (RPP) são distintas de outras redes, em função da ação direta do governo e de seus objetivos políticos. Outra questão é se os conflitos entre os atores de RPP, comparativamente aos das redes de negócios, seriam um dos motivos responsáveis pela falta de operacionalidade dessas redes, com burocracias e resistências. Em relação ao comprometimento, a questão é o quanto essa categoria interfere nos resultados da rede.

Granovetter (1985) descreve o comprometimento como sendo uma disposição de valorizar e considerar as expectativas de outros atores sobre seu comportamento. Larson (1992) afirma que é possível considerar o declínio e a dissolução das redes quando surgem o oportunismo e a falta de comprometimento. No entendimento de Morgan e Hunt (1994), o comprometimento é a crença de um dos parceiros de que o relacionamento existente é tão importante que vale a pena os esforços para mantê-lo, com a finalidade de atingir um objetivo comum. Os autores mostram a importância do comprometimento na solução e continuidade das redes.

Uma vez que o comprometimento é colocado como uma categoria importante para a solução e continuidade das redes, torna-se relevante a compreensão dessa categoria, também no contexto e objetivos das RPPs. O objetivo político das RPPs foi afirmado por Menahem (1998), que define RPP como “relações integradas, estáveis e duradouras entre atores governamentais e não-governamentais, [as quais] proveem um ambiente em que os interesses do Estado são definidos e um paradigma de política prevalece” (MENAHEM 1998, p. 285). Outra definição de RPP é oferecida por Kickert, Klijn e Koppenjan (1997), que as define como “padrões (mais ou menos) estáveis de relações sociais entre atores interdependentes, em relação a determinados problemas ou programas de políticas públicas” (KICKERT, KLIJN e KOPPENJAN, 1997, p. 6). Utilizando as mesmas premissas e ampliando um pouco mais o

(18)

conceito de RPP, Börzel (1998) define a RPP como um conjunto relativamente estável de relações de natureza interdependente e não-hierárquica entre diversos atores, os quais compartilham interesses comuns em relação a uma política e que trocam recursos entre si para atingir tais interesses, reconhecendo que a cooperação é o melhor meio de alcançá-los (BÖRZEL, 1998, p. 254). Nesta última definição de Börzel está implícita a suposição que os interesses dos atores são convergentes nas RPP.

Essa visão mais otimista de redes é contrastada pelo próprio Börzel (1998), quando comenta sobre resultados de redes. Segundo o autor, o problema da implantação e dos resultados de RPP está na rede local, do município, ou região onde a política será implantada. É ali que são definidos a operacionalidade e os resultados da rede. Conforme é defendido neste trabalho, a operacionalidade e os resultados das redes locais dependem do comprometimento e da solução de conflitos.

Börzel (1998) apresenta uma distinção entre duas escolas que abordam o conceito de RPPs: a alemã e a anglo-saxã. De acordo com o autor, a primeira, chamada de “escola da governança” adota as redes de política públicas como “forma específica de governança, um mecanismo de mobilização de recursos, em situações em que estão dispersos entre atores públicos e privados”; a segunda, conhecida por “escola de intermediação de interesses”, toma as redes de políticas públicas como uma forma de interação entre grupos de interesse e o Estado (BÖRZEL, 1998, pp. 255-265).

Será que essa forma de interação pode ser considerada uma rede? A discussão remete ao assunto do formato de rede. Alguns autores sugerem que o formato de rede é diferente do formato de hierarquia e de mercado. O formato de mercado (WILLIAMSON, 1975) é constituído por uma lógica imediatista, sem expectativa de relações futuras entre as partes, não altruísta, refletindo a racionalidade autodirigida e independente dos atores. O formato de hierarquia é constituído por uma lógica do poder e regula as transações dos atores. Já o formato de rede, segundo alguns autores, segue a lógica da ação coletiva, interdependência e cooperação (GRANDORI e SODA, 1995). Essa lógica implica em analisar o fenômeno de rede como um fenômeno de grupo, isto é, da rede toda (OLSON, 1965; DIMAGGIO e POWELL, 1983). Para que o grupo seja operacional, é necessário que desenvolva uma capacidade para resolver assimetrias sem criar situações conflitantes que dificultem o desenvolvimento das capacidades do grupo, ou seja, é necessário solucionar os conflitos.

(19)

Pfeffer (1992) define uma variedade de estratégias por meio das quais os atores (indivíduos ou organizações) podem influenciar as assimetrias de poder em seus relacionamentos. Estas estratégias incluem posicionamento na hierarquia, estabelecimento de centralidade na rede, identificação dos aliados e apoiadores e construção de reputação relacionada ao poder. Para Cavalcanti (1998) o caráter de conflito é constitutivo da rede: trata-se de organizações autônomas que atuam com lógicas e valores próprios e, ao mesmo tempo, desejam conciliar ações visando alcançar um objetivo comum. Nesse processo, as organizações necessitam negociar, isto é, trabalhar em conjunto.

Os parágrafos anteriores mostram a complexidade de temas e os modos de interpretação das redes, com discussões sobre suas origens, seu desenvolvimento, os fatores primordiais, as causas, os efeitos e as questões em debate. Quando o foco é dirigido para RPP, somam-se outras complexidades, tais como conflitos de interesses, heterogeneidade de capacidades e participação dos atores; burocracia de ações com regras nem sempre flexíveis; pressões para resultados políticos, entre os mais evidentes. É nesse campo de complexidades e questionamentos que este trabalho está posicionado.

Desse quadro surgem questionamentos sobre a dinâmica das redes de políticas públicas: quais seriam os fatores preponderantes para a coesão do grupo? Como tornar uma rede operacional, trabalhando em equipe e sem criar situações conflitantes para a realização das tarefas e para obtenção de resultados? É necessário um sistema praticamente hierárquico, que controle as assimetrias? A rede de atores deve ser aberta, com flutuações de participantes, ou fechada? A natureza da tarefa (saúde, bem-estar, criança, educação, transporte...) altera significativamente a dinâmica da rede?

O presente trabalho ocupa-se com as redes de políticas públicas voltadas para a tarefa da saúde e tem como principal questionamento a possível correspondência entre operacionalidade e resultados das redes. Conforme já comentado, há paradigmas racionais, econômicos e sociais sobre os fatores que determinam a eficiência de uma rede e a obtenção de resultados. Este trabalho segue o paradigma social, que afirma que a operacionalização de uma rede e os resultados estão diretamente vinculados às relações sociais entre os atores, especialmente o comprometimento, os acordos para solução de conflitos e as variáveis de foco nas tarefas. Sobre as variáveis de foco nas tarefas (trabalhar em equipe; foco na solução; clareza de papeis dos atores; foco nos resultados) são aquelas que constituem uma categoria vinculadas às relações sociais.

(20)

Como campo de investigação, selecionou-se uma rede formada por vários serviços de atendimento às pessoas com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, bem como suas famílias. Nessa rede, encontram-se as Unidades Básicas de Saúde – UBS, o Núcleo de Apoio a Saúde da Família – NASF, os Centros de Convivência e Cultura, as Unidades de Acolhimento – UA, os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS, entre outras unidades e serviços, coordenadas pela Rede de Atenção Psicossocial - RAPS, uma evolução do modelo CAPScêntrico que atendia a população com tais demandas, tornando-se uma instância que articula as informações para os diversos serviços.

A escolha desse serviço deve-se ao fato de ser multifacetado, com complexidades próprias de RPP, envolvimento direto e indireto de diversos atores e diversos campos (público, político, privado, social entre outros) e com extrema sensibilidade ao erro. Este serviço também apresenta um sistema de governança formal, claramente definido e regulamentado, que servirá de ponto de partida para a análise das relações entre os atores e das formas de operacionalização das tarefas.

Dados iniciais de fontes secundárias, os técnicos que trabalham na rede selecionada para investigação, indicam que ela funciona com o mínimo de conflitos e resistências, que os atores são dedicados e comprometidos e que a rede obtém resultados significativos de recuperação de pessoas. Um exemplo são os Centros de Atenção Psicossocial que apresentam crescimento nos últimos anos, como aponta o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (2010). O número de CAPS por 100 mil habitantes passou de 0,21, em 2002, para 0,60, em 2009. Considerando esses parâmetros, e ainda segundo os dados oficiais, a cobertura populacional em saúde mental passou de 21%, em 2002, para 60%, em 2009 (CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2010).

Considerando a complexa organização estrutural dessa rede de atendimento e a divisão realizada pelo governo em regiões, decidiu-se analisar duas sub-redes, em duas regiões distintas, que os próprios profissionais chamam de Rede da Região “X” (por exemplo, Rede da Região Norte e Rede da Região Sudeste). A partir de agora, as redes serão tratadas com essa nomenclatura.

1.1 Tema

O trabalho discute qual a possível correspondência entre operacionalidade e resultados das redes. Entre as categorias que caracterizam a operacionalidade, o presente projeto encontrou

(21)

o comprometimento, a solução de conflitos e as variáveis de foco como as mais relevantes para os resultados. A pergunta que se coloca, nesse conjunto, diz respeito a quais seriam as variáveis de operacionalidade mais importantes que estão associadas aos resultados positivos da rede.

1.2 Problema

A partir da análise de trabalhos sobre o desenvolvimento, a formação, a operação e os resultados de redes, verifica-se que existem posições divergentes sobre qual seria a base desses processos. Para Klein, Pereira e Quatrin (2014), por exemplo, os fatores fundamentais seriam a definição de critérios para seleção dos integrantes, a confiança, o comprometimento e o coletivismo. É interessante observar que os critérios de seleção de integrantes são uma forma de eliminar ou diminuir os conflitos.

Autores (GRANDORI e SODA, 2006; POWELL, 1990) ressaltam a importância da governança nos processos da rede. A governança é o conjunto de mecanismos que permite a operacionalidade da rede e a solução de conflitos é um dos aspectos que devem ser resolvidos. A governança com a presença de laços fortes de confiança e comprometimento é colocado por alguns autores (GRANOVETTER, 1985; ZAHEER e VENKATRAMAN, 1995, GULATI, 1998; DIMAGGIO e POWEL, 1983) como base para a permanência e o sucesso da rede.

Outros autores (GULATI, 1998; UZZI, 1997) defendem que o desenvolvimento e a formação da rede estão alicerçados nas relações sociais, que as redes somente poderão se formar e realizar seus objetivos caso haja uma base social anterior, que dê apoio às pessoas para unirem esforços, comprometerem-se uns com os outros em prol de objetivos comuns, provocando, assim, o desenvolvimento da rede.

Considerando os estudos e questionamentos existentes sobre a estrutura, a configuração e a dinâmica das redes, este estudo tem como pergunta de pesquisa: qual a possível correspondência entre operacionalidade e resultados das redes? Como questão secundária, indaga-se sobre a importância de variáveis do comprometimento, da solução de conflitos e das variáveis de foco na operacionalidade das RPP voltadas à saúde, quando comparada a outras categorias e variáveis, como governança, estrutura, infraestrutura, recursos humanos e definição de papéis.

(22)

1.3 Justificativa

Atualmente, os estudos sobre redes apresentam crescente valorização da abordagem da Sociologia Econômica (GRANOVETTER, 1985; GRANDORI 2006; PAULI, 2009; LOPES JÚNIOR, 2002). O presente trabalho segue essa trilha, valorizando as relações sociais nos estudos de redes de políticas públicas, com tarefas que se unem a interesses sociais e políticos. Os fatores determinantes para o funcionamento, a eficiência e os resultados das redes têm sido objeto de inúmeras pesquisas, nas quais os autores procuram identificar os motores dessa configuração. Autores como Gulati (1998) e Uzzi (1997) defendem que a configuração da rede, isto é, sua estrutura e dinâmica, está alicerçada nas relações sociais, isto é, que as redes somente poderão se formar e desenvolver caso haja uma base social anterior, que dê apoio às pessoas unirem esforços, comprometendo-se uns com os outros em prol de objetivos em comum.

Essa tendência, a de valorizar o social em pesquisas de redes, pode ser observada em Radomsky e Schneider (2007, p.252), que procuraram responder à seguinte questão: “como as relações de reciprocidade, proximidade, amizade e parentesco podem constituir redes sociais, econômicas e políticas capazes de estimular o desenvolvimento?”.

Alguns estudos, como os de Bertóli, Giglio e Rimoli (2014), procuram investigar a existência de uma relação entre as categorias sociais de confiança e comprometimento com a estrutura e a governança das redes. No trabalho citado, os autores partiram da premissa que as ações coletivas e os mecanismos de incentivos e controle do comportamento estão intrinsicamente relacionados à presença da confiança e do comprometimento, o que se alinha à proposta deste trabalho de colocar o comprometimento e a solução de conflitos como a base funcional e de resultados de uma rede.

As pesquisas citadas valorizam e justificam o presente trabalho pela importância teórica do tema das categorias sociais como bases das redes. Neste sentido, o presente trabalho busca oferecer uma pequena contribuição sobre a capacidade explicativa da abordagem social nos processos e resultados das redes.

Quando essa abordagem é aplicada às políticas públicas de saúde, como os serviços de atendimento psicossocial às pessoas necessitadas, surgem evidências de assimetrias entre os atores, alguns do governo, outros do segundo e do terceiro setor, que criam um contexto

(23)

propício para surgimento de conflitos. Nessa situação, afirma-se que a presença de laços fortes de comprometimento e a disposição para solução dos conflitos são condições necessárias para o alcance de resultados.

O presente trabalho também se justifica uma vez que os serviços prestados na área de saúde, historicamente, eram realizados de maneira autônoma, ou seja, cada serviço funcionava levando em conta apenas sua especialidade. Como o passar do tempo, ficou evidente que o sujeito atendido criava demandas de diversas ordens e necessitava um tratamento integrado. Por isso, os serviços começaram a atuar de forma integrada, trocando informações e oferecendo cuidados de forma integrada, sendo que um dos agentes coordenadores é um serviço denominado RAPS. Essa atuação em rede justifica a escolha por esse campo.

1.4 Objetivo Geral

O objetivo geral do trabalho consiste em apresentar uma proposta de modelo integrador entre as categorias operacionalidade e resultados nas redes de políticas públicas. O campo de investigação é a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no município de São Paulo. A partir do objetivo geral, desdobram-se os objetivos específicos.

1.4.1 Objetivos Específicos

São objetivos específicos deste trabalho:

1. apresentar o mapa das conexões das organizações envolvidas na rede;

2. organizar os indicadores de operacionalidade;

3. organizar os indicadores de resultados das RPP;

4. apresentar o resultado da operacionalidade e confiabilidade dos indicadores;

5. apresentar o resultado final da sustentação da proposição.

O trabalho está estruturado da seguinte forma:

(24)

contexto em que ele se insere. São apresentados os argumentos que justificam a investigação.

No item 2, apresenta-se a revisão bibliográfica, quando são apresentados trabalhos que investigaram o tema dos estados dinâmicos de redes a partir das relações sociais, e comentários sobre essa revisão, dando ênfase aos autores que afirmam que a configuração das redes está alicerçada nas categorias sociais.

No item 3 são apresentados os fundamentos teóricos do trabalho, com a discussão sobre os conceitos da Abordagem da Sociedade em Rede e Abordagem Social; também são apresentados os conceitos de policy networks e de estado de rede, e as categorias que, operacionalmente, compõem o modelo de estado de redes, compondo o quadro dos conceitos e dos indicadores levantados. Ao final do item, apresenta-se o desenho da pesquisa.

No item 4, descreve-se a metodologia do trabalho, caracterizando a pesquisa como descritiva e interpretativa, de natureza qualitativa, tomando como exemplo a rede de atenção psicossocial do município de São Paulo, nas sub-regiões Centro-Oeste e Leste.

No item 5, apresentam-se e discutem-se os dados coletados. Seguem-se as premissas da análise qualitativa, em que cada caso é apresentado e é dada resposta ao problema de pesquisa.

No último item são apresentadas as conclusões da pesquisa, a discussão de suas implicações, a discussão dos dados e das teorias, os limites e as sugestões para novas pesquisas.

(25)

2. REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA

A revisão bibliográfica tem o objetivo de fundamentar a validade e a justificativa da pergunta da pesquisa, e resulta da busca de trabalhos que utilizaram as categorias de comprometimento e solução de conflitos e sua correspondência com operacionalidade e resultados de redes. Esta parte complementa e fundamenta a revisão bibliográfica inicial, apresentada na introdução.

Além dessa tarefa, a revisão tem o intuito de verificar as tendências de usos de teorias e métodos de investigação dos trabalhos que tratam das categorias selecionadas. Ao final dessa análise, é possível explicitar o lugar do presente trabalho no contexto das correntes de pesquisa que foram levantadas.

Para investigação da produção internacional foi utilizado o portal Web of Science. Em todas as buscas, foram utilizados os critérios: Pesquisa Avançada, Articles e Title. A busca da palavra network, com filtro para 10 anos (2008 a 2018) resultou em 185.351 artigos, e o filtro para os últimos cinco gerou indicações da ordem de 119 mil, o que significa que, nos últimos anos, o tema foi cada vez mais abordado por pesquisadores. Esses números justificam a importância do estudo de redes.

2.1 Sobre as categorias selecionadas

Durante o processo de busca por indicadores das categorias pesquisadas, notou-se que a categoria operability possuía alguns termos similares, ou seja, termos que poderiam ser buscados para compreensão do mesmo fenômeno. Entre eles, estão os termos commitment e conflict resolution.

Repetindo-se os critérios, buscaram-se as palavras-chave 1) Operability e; 2) Results: os números indicaram que a expressão operability gerou indicações da ordem de uma centena, ao passo que a expressão results gerou indicações da ordem de milhares. Considerando esse desbalanceamento, buscaram-se palavras sinônimas de operability (111): operational (4.724), operative (4.741), effective (30.284), functional (64.926), efficient (61.493) e effectiveness (24.669). Sobre os resultados destas indicações de variações da expressão operability, utilizando o filtro de Categorias do Web of Science, aplicaram-se os seguintes critérios: Economics, Business Finance, Business, Sociology, Psychology Social, Operations Research Management Science, Anthropology e Management. Os novos resultados foram: operability

(26)

(0), operational (524), operative (82), effective (705), functional (602), efficient (1.114) e effectiveness (1.670).

As mesmas operações foram realizadas para as expressões: a) commitment (3.876), gerando 1.211 indicações; b) conflict resolution (448), gerando 78 indicações; e c) results (61.890), gerando 1.047 indicações. Os resultados destas operações podem ser vistos na Tabela 1.

TABELA 1: As indicações de categorias de redes presentes em artigos a partir do portal Web of Science.

Categorias Frequência Operability Commitment 1.211 Conflict resolution 78 Outras variáveis* 4.697 Results 1.047

FONTE: Desenvolvido pelo autor em 2018.

* Outras variáveis representa a soma das várias expressões de busca (operability, operational, operative, effective, functional, efficient, effectiveness).

Conforme é possível ver na Tabela 1, quando o termo é pesquisado na sua expressão isolada, há uma discrepância de quantidade de indicações encontradas. Os termos commitment e operability aparecem com uma frequência maior do que o termo results, que não alcançou nem a metade das indicações encontradas nos outros dois termos. Tal resultado pode sinalizar que os pesquisadores estão mais orientados para o estudo das categorias comprometimento e operacionalidade, quando comparadas à categoria de resultados. No segundo passo, realizaram-se cruzamentos pareando as categorias, e os resultados são aprerealizaram-sentados na Tabela 2.

TABELA 2: Presença de pareamento de categorias no portal Web of Science.

Categorias Frequência

1) Commitment e Results 74

2) Conflict Resolution e Results 2

3) Operability* e Results 1.671

FONTE: Desenvolvido pelo autor em 2018.

* Operability representa a soma das várias expressões de busca (operability (1), operational (36), operative (139), effective (236), functional (699), efficient (92) e effectiveness (468)).

O primeiro comentário diz respeito aos pareamentos realizados. Conforme a Tabela 2, é possível perceber que as categorias pesquisadas, quando pareadas entre si, apresentam uma discrepância entre o número de indicações, o que indica que poucos pesquisadores têm realizado os dois primeiros pareamentos. O segundo comentário refere-se ao baixo número de indicações do pareamento commitment e results (74). O resultado chama a atenção,

(27)

considerando os números absolutos apresentados na Tabela 1 (commitment = 1.211; results = 1.047) e sinaliza que essas categorias, de forma isolado, atraem os pesquisadores, embora sua conjunção raramente seja investigada.

Uma das expressões que indicam operacionalidade é a solução de conflitos. Foram encontrados dois trabalhos que buscam a relação entre comprometimento e a operacionalidade das redes, quando essa operacionalidade manifesta-se como solução de conflitos.

A pesquisa de Yang (2014) aponta que os meios para a resolução de conflitos são gerados a partir da mudança de comprometimento, promovida pela integração entre os atores, e da inspiração e motivação, que são observadas como satisfação no trabalho. Em outra pesquisa, o mesmo autor (YANG, 2012) afirma que o principal efeito da resolução de conflitos é mediado pelo comprometimento de mudança e de satisfação no trabalho. Em ambos os artigos, o autor não define com clareza os conceitos utilizados para resolução de conflitos, e apenas mostra quais mecanismos ajudam na resolução de conflitos, sendo o comprometimento um desses. Esse trabalho sustenta a proposição de correspondência entre comprometimento e operacionalidade das redes.

Segundo Kimbrough et al. (2015), quando há ausência de acordos contratuais, os atores geralmente evitam conflitos ao se comprometerem com o mecanismo de solução do conflito. Neste artigo, tal como no anterior citado, os autores optam por trazer exemplos de comprometimento e resolução de conflitos e o quanto um interfere no outro, mas não definem, de forma clara, essas categorias. Por exemplo, o comprometimento é associado às expectativas dos atores, o que cria confusão com o conceito de confiança.

Uma das tarefas nesta dissertação é buscar uma definição teórica e uma definição operacional clara e objetiva das categorias selecionadas no que se refere ao seu conteúdo, e não aos seus antecedentes, ou consequentes.

Para investigação da produção nacional, foi utilizado o portal SciELO. Foi utilizada a ferramenta de “Pesquisa Avançada”, buscando sempre, no campo de “Título”, as quatro categorias utilizadas nesta pesquisa – comprometimento, solução de conflitos, operacionalidade e resultados. Os filtros utilizados para a pesquisa foram: “Coleções”, no qual foi selecionado “Brasil”, para buscar apenas artigos publicados em território brasileiro; “Idioma”, selecionando o idioma “Português”, pois o intuito é verificar apenas a produção nacional; “Ano de publicação”, selecionando os últimos 05 anos (de 2013 a 2018) e, por fim; “Tipo de Literatura”, selecionando apenas o item “Artigo”. A seguir, a Tabela 3 apresenta os resultados encontrados.

(28)

TABELA 3: As indicações de categorias de redes presentes em artigos a partir do portal SciELO Brasil. Categorias Frequência Operacionalidade Comprometimento 51 Solução de conflitos 2 Outras variáveis* 519 Resultados 391

FONTE: Desenvolvido pelo autor em 2018.

* Outras variáveis representa a soma das várias expressões de busca (operacionalidade (0), operacional (32), operativo (7), efetivo (9), funcional (283), eficiente (18), eficácia (170)).

Como é possível visualizar na Tabela 3, a categoria Resultados retornou indicações da ordem de centenas. O pareamento resultou em zero indicações em todos os cruzamentos. Com o intuito de buscar artigos relevantes, fez-se nova pesquisa, utilizando os mesmos filtros, buscando, porém, as categorias no campo Resumo, ao invés de buscar no Título. A seguir, os resultados encontrados dessa nova pesquisa.

TABELA 4: Presença de pareamento de categorias no portal SciELO Brasil.

Categorias Frequência

1) Comprometimento e Resultados 0

2) Solução de Conflitos e Resultados 0

3) Operacionalidade* e Resultados 3

FONTE: Desenvolvido pelo autor em 2018.

* Operacionalidade representa a soma das várias expressões de busca (operacionalidade (0), operacional (0), operativo (0), efetivo (0), funcional (1), eficiente (0), eficácia (2)).

A Tabela 4 revela a ausência de indicações quando as categorias são pareadas entre si. Essa tabela pode significar que, para pesquisadores brasileiros, tais categorias juntas despertam pouco interesse em pesquisas e publicações, ou que não há instrumentos adequados de investigação da correspondência. Os trabalhos que apareceram no pareamento operacionalidade e resultados não eram do campo de investigação dessa pesquisa e também não trouxeram definições claras sobre operacionalidade.

2.2 Sobre Redes de Políticas Públicas

Para a revisão dos estudos de Políticas Públicas em âmbito nacional, buscou-se apenas por literatura nacional, privilegiando artigos publicados nos últimos cinco anos. Essa escolha foi feita por envolver políticas públicas específicas do Brasil; em outras palavras, considerou-se que considerou-seria muito complexo e delicado comparar as PP´s com outros paíconsiderou-ses, ainda que de realidades próximas, dada a quantidade de fatores que deveriam ser levados em conta.

(29)

Para investigação da produção nacional foi utilizado o portal SciELO e a ferramenta de “Pesquisa Avançada”. A primeira busca realizada foi no campo de “Resumo”, com termo “Políticas Públicas”, o qual retornou um total de 1.062 artigos. Em seguida utilizou-se o filtro de “Coleções”, no qual se selecionou “Brasil”, para buscar apenas artigos publicados em território brasileiro, e obteve-se um retorno de 548 artigos. Em seguida, usou-se o filtro de “Idioma”, selecionando o idioma “Português”, pois o intuito foi verificar apenas a produção nacional, obtendo-se um retorno de 521 artigos. E, por fim, aplicou-se o filtro de “Ano de publicação”, selecionando os últimos 05 anos (de 2013 a 2018). Como resultado final desta pesquisa, foram encontrados 252 artigos.

A partir destes resultados, foram pareadas as categorias 1) comprometimento; 2) operacionalidade; e 3) resultados. Seguindo os mesmos filtros utilizados (Título, Coleções, Idioma e Ano de Publicação) e concatenando o termo “políticas públicas” com as categorias deste trabalho (comprometimento; solução de conflitos; operacionalidade; resultados), nenhum artigo foi encontrado. Ampliando a mesma pesquisa, com os mesmos termos e filtros, porém, buscando os termos no campo “Resumo” ao invés do campo “Título”, foram encontrados alguns resultados.

TABELA 5: Busca de pareamento de categorias presentes em artigos a partir do portal SciELO Brasil.

Categorias Frequência

1) Políticas Públicas e Comprometimento 09

2) Políticas Públicas e Solução de Conflitos 01

3) Políticas Públicas e Operacionalidade* 72

4) Políticas Públicas e Resultados 453

5) PP, Comprometimento e Solução de Conflitos 00

6) PP, Comprometimento e Operacionalidade* 00

7) PP, Comprometimento e Resultados 05

8) PP, Solução de Conflitos e Operacionalidade* 00

9) PP, Solução de Conflitos e Resultados 01

10) PP, Operacionalidade* e Resultados 00

11) PP, Comprometimento, Solução de Conflitos e Operacionalidade 00

12) PP, Comprometimento, Solução de Conflitos e Resultados 00

13) PP, Comprometimento, Operacionalidade e Resultados 00

14) PP, Solução de Conflitos, Operacionalidade e Resultados 00

15) PP, Comprometimento, Solução de Conflitos, Operacionalidade e Resultados

00

FONTE: Desenvolvido pelo autor em 2018.

* Operacionalidade representa a soma das várias expressões de busca (operacionalidade, operacional, operativo, efetivo, funcional, eficiente e eficácia).

Como é possível verificar, a busca nacional com os mesmos termos utilizados na busca internacional, e concatenados com o termo políticas públicas, resultou em um retorno muito

(30)

baixo de artigos. Podemos concluir que ainda há poucas pesquisas sobre o tema proposto por este trabalho. A seguir, algumas indicações encontradas nos artigos pesquisados.

Sobre a questão do comprometimento, vale destacar o trabalho de Melo et al. (2014), que o define como sentimento de responsabilidade que os atores têm, que os leva a disporem de esforço considerável em benefício da instituição e a desejarem manter-se como seus membros. Os autores apresentam sete variações de comprometimento, sendo que duas categorias – a disposição em permanecer no grupo e o compromisso pelo desempenho das tarefas (foco na tarefa) – oferecem uma resposta melhor à pergunta de pesquisa.

Para Gonçalves et al. (2015), a operacionalidade de uma rede está associada aos arranjos organizacionais necessários, tais como espaços de reunião, participação em comissões e grupos, além da subdivisão da equipe para as diversas tarefas nos espaços. O uso do espaço pelos atores de uma rede é um conceito que será utilizado neste trabalho, com o título “indicadores de estrutura”.

Já para Lima e D'Ascenzi (2013), a operacionalidade de políticas públicas depende de um conjunto de estruturas e normas internas, no qual o plano é absorvido, traduzido e adaptado às possibilidades e aos constrangimentos das agências e dos indivíduos que deverão executá-lo. Assim, inúmeros fatores – tais como disponibilidade e qualidade dos recursos humanos e materiais, estrutura e a dinâmica das regras organizacionais (formais e informais), e fluxo e disponibilização de informações – influenciam a forma por meio da qual ocorrerão a apropriação e a implementação do plano nos espaços locais. Para os propósitos deste trabalho, as variáveis estrutura (como indicadores de estrutura), normas internas (como aceitação de normas) e fluxo de informações (como troca entre parceiros) serão utilizadas como indicadores. Adicionalmente, foram feitas novas buscas nos bancos de dados PubMed e LILACS, específicos da área de saúde. No banco de dados PubMed foi feita a busca pelo termo “Rede de Atenção Psicossocial” no campo “Título”, e foram encontrados dois artigos que tratavam da RAPS, sendo que, em um deles, foi abordada a questão dos mecanismos de avaliação, concluindo-se que os mecanismos avaliativos no campo burocrático são pouco incorporados à política de saúde (TRAPE; CAMPOS, 2017).

No banco de dados LILACS foi feita a busca pelo termo “Rede de Atenção Psicossocial” no campo “Título”, e retornaram 30 artigos. No entanto, nenhum correspondia aos interesses desta pesquisa, pois todos tratavam de assuntos técnicos da área da saúde.

(31)

2.3 Comentários sobre a revisão

A revisão mostrou como são raros os trabalhos que realizam pareamento de categorias, embora exista um expressivo número de indicações quando essas mesmas categorias são investigadas isoladamente. Pode-se perceber que os pesquisadores preferem escolher apenas uma categoria e construir seus trabalhos de pesquisa. Esta forma de valorização de uma categoria é um sinal de domínio de raciocínios analíticos, e resulta da decisão de fragmentar o fenômeno e isolar uma categoria. Nessa situação, interroga-se se, no caso de redes, esse isolamento é válido, porque, conforme discutido na introdução e ao longo deste trabalho, as categorias apresentam-se de forma interligada.

Quando investigado o pareamento das categorias, as indicações caíram para dezenas, ou mesmo unidades. Interpreta-se essa evidência como realizado no parágrafo anterior os pesquisadores preferem realizar pesquisas utilizando apenas uma categoria. Outra interpretação possível é que os problemas multiplicam-se na realização da pesquisa com duas categorias, situação que os pesquisadores preferem evitar.

A exceção, no caso dos pareamentos, deu-se em relação à dupla operacionalidade e resultados, em especial na literatura internacional. Provavelmente, esse resultado ocorre por conta da cultura acadêmica de valorização de pesquisas que investiguem resultados, ou seja, que têm uma visão mais gerencial.

Com relação à investigação de PP na literatura brasileira, os resultados indicam o mesmo panorama, isto é, os pareamentos têm indicações de unidades, com exceção do pareamento com a categoria resultados.

Não foram encontradas pesquisas que tenham as mesmas proposições de categorias deste trabalho. De certa forma, isso demonstra um ineditismo desta pesquisa e sua contribuição para o tema e para a compreensão do campo, e sinaliza algumas dificuldades, já que há pouca literatura acadêmica para suporte e que permita dar continuidade a pesquisas anteriores.

Respondendo, então, aos objetivos de um capítulo de revisão bibliográfica, o atual trabalho justifica-se pela importância das categorias, ressaltada nos vários artigos. Por outro lado, a união de mais de duas categorias num modelo integrador, quando considerados o comprometimento e a solução de conflitos, não encontra paralelo na produção acadêmica, mostrando ineditismo e dificuldades no uso de instrumentos validados. Com esse resultado,

(32)

surge a tarefa do capítulo de base teórica buscar as aproximações não encontradas na revisão.

A escolha de comprometimento e solução de conflitos como categorias que constituem a operacionalidade resultou, principalmente, do fato de essas categorias aparecerem nos resultados da revisão realizada neste trabalho. As pesquisas de Yang (2012; 2014) e Kimbrough et al. (2015) atestam que tanto o comprometimento quanto a solução de conflitos constituem a operacionalidade.

Por fim, este trabalho encontra-se alinhado com o interesse da corrente de pesquisadores que valorizam e estudam as categorias sociais como determinantes dos processos e resultados das redes.

(33)

3. TEORIA DE BASE

Neste item são apresentados os conceitos e as afirmativas que sustentam a investigação da proposição da dissertação: sejam quais forem os motivos e a natureza das redes, comercial ou de políticas públicas, as categorias sociais de comprometimento, solução de conflitos e variáveis de foco influenciam a operacionalidade da rede e seus resultados.

O item de teoria de base está estruturado da seguinte forma: primeiramente, apresenta-se o conceito de rede adotado no trabalho; depois, o conceito de operacionalidade, os conceitos de comprometimento, de solução de conflitos e das variáveis de foco e resultados, apresentando um quadro dos conceitos e dos indicadores levantados; ao final, apresenta-se o desenho da pesquisa.

A rede, segundo Anderson, Hakansson e Johanson (1994), pode ser definida como um conjunto de organizações, ou atores, que se relacionam para a solução de necessidades e participação em oportunidades, criando capacidades que não conseguiriam desenvolver de maneira isolada. Autores como Grandori e Soda (1995) e Powell e Smith-Doerr (1994) compartilham dessa visão ao explicarem a estrutura da rede.

3.1 As organizações em rede

A afirmativa básica do paradigma da sociedade em rede é que está em ascensão uma nova forma de organização social, fundada em múltiplas ligações que compõem as redes. O princípio do ser humano é a necessidade de manter ligação uns com os outros, formando um emaranhado de conexões (CASTELLS, 1999; LATOUR, 2005). A ideia de que estamos todos conectados não é recente. As redes sempre existiram, mas situavam-se no domínio do social. Agora, o formato de rede é dominante na sociedade, incluindo os negócios. Nohria e Eccles (1992) afirmam que o termo redes tornou-se o modo contemporâneo para descrever as organizações. Essas organizações estão em redes, mudando com isso a forma de competição, ocorrendo de forma coletiva e não mais de maneira isolada. Os autores mencionam que todas as organizações fazem parte de redes sociais e que podem ser pesquisadas nessa perspectiva, principalmente em relação às atitudes e aos comportamentos dos atores.

Para Castells (1999), a rede é definida como um conjunto de nós interconectados, onde o ponto de encontro entre os atores, que permite a troca de informações, é esse nó. Na esfera

(34)

empresarial, a ligação entre os nós é entendida como as relações entre os atores envolvidos, sendo que essas relações podem ser de natureza comercial ou social. Fombrum (1997) define a rede como sendo um conjunto de fluxos, dispondo de recursos e informações entre os nós. Para o autor, os nós podem ser as pessoas, grupos e organizações.

Percebe-se que as definições são convergentes e afirmam que a rede é caracterizada pelas ligações e relações entre os atores. Neste trabalho, utiliza-se a abordagem de Castells (1999), para quem a sociedade está organizada sob o formato de rede. Assim, todas as pessoas e organizações estão conectadas entre si (ou podem vir a estar), já que há interdependência e complexidade nos fenômenos sociais. Conforme alguns autores (GRANOVETTER, 1985; NOHRIA e ECCLES, 1992; UZZI, 1997), na busca da conexão, ou na sua manutenção, a confiança e o comprometimento são os catalisadores.

Dentro da temática de redes existem vários subtemas e discussões que versam sobre formação, estrutura, resultados, desenvolvimento, liderança e estratégia. O interesse nesse trabalho é sobre o comprometimento, a operacionalidade e os resultados da rede. Conforme a revisão realizada, a formação e o desenvolvimento de redes podem ocorrer por fatores econômicos, sociais, políticos e racionais.

De acordo com trabalhos que realizaram revisões sobre o tema de redes (TICHY, TUSHMAN e FOMBRUN, 1979; MILES e SNOW, 1986; EBERS e JARILLO, 1998; GIGLIO e KWASNICKA, 2005), a sociedade está organizada em redes, havendo duas possíveis interpretações para esse fenômeno: a) as redes são definidas a partir de categorias sociais; e b) as redes são definidas a partir de categorias racionais. Ambas partem do princípio da sociedade em rede.

A ideia de uma sociedade em rede aparece em várias manifestações de autores, dentro e fora do circuito acadêmico. Uma produção científica valorizada é a obra de Deleuze e Guattari (1999). Nela, os autores afirmam o formato de uma sociedade em rede a partir da metáfora do rizoma, já que as ligações se espalham para todos os lados, sem um centro. Essas ligações são a base relacional do rizoma. Dito de outra forma, a sociedade atual não é uma raiz organizada, com ramificações previsíveis. Ela é um rizoma, com imprevisibilidade, independência e desordem. Esta perspectiva aproxima a sociedade em rede de sistemas adaptativos complexos, nos quais há imprevisibilidade e desordem. Esses argumentos distanciam-se das abordagens econômicas, racionais e estratégicas, que aceitam o controle e a previsibilidade.

(35)

Na dissertação, aceita-se a ideia de uma sociedade em rede. Em termos de pesquisa, essa perspectiva valida a investigação de grupamentos de organizações, mesmo que não formais, legais ou burocraticamente constituídas. A partir da análise de qualquer nó (organização), será possível construir a rede de relações na qual o nó está inserido. Em se tratando de políticas públicas, a noção de uma sociedade em rede constitui-se, e cada vez mais, como alternativa de análise, planejamento e gestão (BÖRZEL, 1998).

3.2 Características distintivas do formato de rede

A revisão bibliográfica sobre o conceito de redes indica a existência de um conjunto de sinais que caracterizam o formato de rede. Dentre estas características, pode-se destacar a interdependência, a complexidade de inovação, a consciência de ação coletiva, a presença de problemas comuns e objetivos coletivos e, finalmente, a governança e a cooperação.

De acordo com Rusbult e Arriaga (1997), a interdependência é o fenômeno em que cada ator tem os recursos que os outros necessitam e vice-versa, implicando a necessidade de trocas de complementariedade. Para exemplificar, no processo de atendimento na RAPS, quando um paciente dá entrada em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) por uso problemático de drogas e a equipe identifica que o paciente está com irritação na garganta por excesso de uso de crack (por exemplo), a equipe precisa acionar o atendimento especializado (otorrinolaringologista) através da UBS, e acionar a Atenção Hospitalar em caso de maior complicação do caso e outros serviços para realizar o atendimento de forma integral ao sujeito. Outra característica presente nas redes refere-se à complexidade de tarefas, no sentido da necessidade de especializações para a realização da tarefa, exigindo participações simultâneas e sequenciais de vários atores. Conforme Holland (1995), sistemas adaptativos complexos têm as características de imprevisibilidade, exigindo adaptação das tarefas.

A consciência da ação coletiva é outro sinal de que o grupo atua em rede. Segundo Whitaker (1997), uma organização em rede deve ter participação livre e consciente dos atores. Segundo o autor, caso não exista essa forma de participação, ou seja, se ela é imposta, a rede tende a não se consolidar e/ou se manter. Ainda para o autor, se a rede tiver a participação livre dos atores, e estes prontificam-se em relação à realização de seus objetivos, a capacidade de iniciativa e ação, a rede tende a se adensar e a se fortalecer.

A presença de problemas comuns e objetivos coletivos é, em muitos casos, o motivo para pessoas, ou empresas, unirem-se e atuarem no formato de redes. A busca pela solução dos

(36)

problemas, associada aos objetivos coletivos do grupo, fazem com que essa união se consolide. Popp et al. (2013) ressaltam alguns fatores que devem ser considerados para determinar o momento ideal para formação de uma rede. Dentre estes fatores, os autores destacam os objetivos coletivos. Outros autores, como Reyes Junior, Brandão e Espírito Santo (2011), também destacam a importância de os atores substituírem uma visão individualista por uma visão coletivista. Conforme esses autores, cria-se um circuito de realimentação da rede a partir dos resultados do trabalho coletivo, incrementando a participação e o comprometimento.

A governança é outra característica relacionada ao formato de redes. Grandori e Soda (1995) destacam que a governança é considerada necessária nos processos da rede, podendo ser classificada como formal e informal. Para os autores, a governança informal resulta das relações de confiança e comprometimento. Autores como Castro e Gonçalves (2014); Queiroz (2013); Oliveira e Santana (2012) tratam a governança como sendo um conjunto de regras, definições de responsabilidades e incentivos que visa orientar os processos decisórios na rede, gerando a interação entre os atores, promovendo a cooperação e reduzindo conflitos de interesse. Assim, a existência de uma governança clara, com regras transparentes e legitimadas (as pessoas aceitam e seguem), seja formal ou informal, é sinal de compromisso, controle e incentivo para ações coletivas. A ausência de regras, em geral, indica não existir um grupo organizado, isto é, mostra que há dificuldades no trabalho coletivo.

A cooperação também é uma característica das organizações que atuam em redes. Para Cullen, Johnson e Sakano (2000), a cooperação consiste em um esforço para cada ator agir além das obrigações contratuais, buscando o crescimento do grupo. Para Ariño (2003), a demonstração de cooperação por parte de alguns atores realimenta outros atores a agirem da mesma forma, criando-se uma teia de compromisso no grupo. Balestrin e Vargas (2004) afirmam que as organizações em redes mantêm interações e interdependência entre si, e destacam que uma das categorias que mais influenciam as relações de negócios é a cooperação. Segundo os autores, a cooperação possibilita uma maior troca de informação, de conhecimento e de aprendizagem entre os atores.

Havendo a presença dessas características no grupo (interdependência; complexidade de inovação; consciência de ação coletiva; presença de problemas comuns e objetivos coletivos; governança e cooperação), independentemente da natureza da tarefa; é possível afirmar que ele atua, ou funciona, no formato de rede. Caso essas características se apresentem com sinais fracos, ou ausentes, pode-se afirmar que o grupo de organizações funciona numa situação

Referências

Documentos relacionados

Os autores construíram índices fundamentalistas para o mercado de ações dos EUA baseados na receita, valor patrimonial, vendas brutas, dividendos, fluxo de caixa e número

Nessa situação temos claramente a relação de tecnovívio apresentado por Dubatti (2012) operando, visto que nessa experiência ambos os atores tra- çam um diálogo que não se dá

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) apresenta à categoria e à sociedade em geral o documento de Referências Técnicas para a Prática de Psicólogas(os) em Programas de atenção

Mesmo com a implementação do programa em 2011, os gráficos da evolução da proficiência da rede pública estadual em Língua portuguesa e Matemática não

6 Usou-se como referência para os fatores contextuais, o que foi considerado no SIMAVE, nas Avaliações Contextuais, aplicadas através de questionários aos alunos do

Na apropriação do PROEB em três anos consecutivos na Escola Estadual JF, foi possível notar que o trabalho ora realizado naquele local foi mais voltado à

Esta ação consistirá em duas etapas. Este grupo deverá ser composto pela gestora, pelo pedagogo e ou coordenador pedagógico e um professor por disciplina

Essa modalidade consiste em um “estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, com contornos claramente definidos, permitindo seu amplo e detalhado