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Neodarwinismo: biologia e evolução

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Academic year: 2020

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NEODARWINISMO: BIOLOGIA E EVOLUÇÃO

NEO-DARWINISM: BIOLOGY AND EVOLUTION

NEODARWINISMO: BIOLOGÍA Y EVOLUCIÓN

Rodrigo Ferraz Ramos1

Débora Leitzke Betemps2

Resumo: A teoria evolucionista, atualmente é a mais bela e completa teoria científica que dispomos para explicar a vida, sua origem e diversidade de formas vivas em nosso planeta. Na presente resenha, objetivou-se apresentar os principais tópicos debatidos na obra intitulada “Evolução e o sentido da biologia”. A obra discute tópicos de biologia evolutiva, como a teoria darwiniana da evolução e da seleção natural, e discorre sobre os dilemas científicos do neodarwinismo para o século XXI.

Palavras-chave: Biologia Evolutiva. Darwin. Seleção Natural.

Abstract: Evolutionary theory is currently the most beautiful and complete scientific theory we have to explain life, its origin and diversity of living forms on our planet. In the present review, the main topics debated in the work titled "Evolução e o sentido da biologia" were presented. The book discusses topics of evolutionary biology, such as the Darwinian theory of evolution and natural selection, and discusses the scientific dilemmas of neo-Darwinism for the twenty-first century.

Keywords: Evolutionary Biology. Darwin. Natural selection.

Resumen: La teoría evolutiva es actualmente la más bella y completa teoría científica que tenemos que explicar la vida, su origen y la diversidad de formas de vida en nuestro planeta. En la presente reseña se objetivó presentar los principales tópicos debatidos en la obra titulada "Evolución y el sentido de la biología". El trabajo analiza los temas de la biología evolutiva, como la teoría darwiniana de la evolución y la selección natural, y discute los dilemas científicos neodarwinismo para el siglo XXI.

Palabras-clave: Biología Evolutiva. Darwin. Selección Natural.

Envio 11/09/2018 Revisão 22/10/2018 Aceite 19/11/2018

1 Graduando em Agronomia. Laboratório de Microbiologia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). E-mail: [email protected]

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Na presente resenha, objetiva-se discutir a excepcional obra intitulada “Evolução e o Sentido da Biologia”, de autoria dos pesquisadores Diogo Meyer e Charbel Niño El-Hani. Uma breve apresentação dos principais tópicos debatidos na obra serão apresentados para ilustrar as abordagens empregadas e os temas suscitados pelos autores.

Na obra, a teoria da evolução é abordada a luz da biologia evolutiva. Ao longo de cinco capítulos, os autores ilustram apaixonadamente como a biologia evolutiva surgiu ao longo dos séculos XIX e XX, apresentando os principais pensadores que contribuíram para o desenvolvimento das bases da teoria da evolução, seu contexto cultural e temas atuais da biologia evolutiva para o século XXI.

Para os autores, a natureza instiga a nossa curiosidade perante os complexos fenômenos do mundo natural. Como surgiu estruturas leves e resistentes, como as penas, e como essas características se encaixam de modo aparentemente tão perfeito à função que exercem? Porque existe comportamentos aparentemente nocivos a própria espécie, como o canibalismo em aranhas? Qual a razão dos enjoos durante a gravidez? Qual a origem do vírus da Aids e como ele consegue resistir ao sistema imune? E quais os mecanismos que possibilitam a resistência bacteriana aos antibióticos? Durante a obra, essas e outras questões são discutidas a luz da biologia evolutiva, através de uma linguagem clara, concisa e instigativa.

De acordo com os autores, o estudo da evolução nos fornece a possibilidade de alcançarmos explicações para compreendemos como surge as estruturas e comportamentos das espécies biológicas:

A evolução - a modificação das espécies ao longo do tempo – lança luz sobre a nossa compreensão dos seres vivos de dois modos. Em primeiro lugar, ela implica que há relações de parentesco entre os seres vivos; para cada organismo vivo, há ancestrais que o precederam. [...]. Em segundo lugar, a evolução nos permite investigar como ocorreram as mudanças nos seres vivos (Meyer; El-Hani, 2005, p. 15).

Atualmente, devido a riqueza de evidências, a teoria Darwiniana da evolução é consenso na comunidade científica enquanto teoria capaz de explicar a diversidade biológica de seres vivos. Contudo, como discutem os autores, no contexto cultural dos séculos passados, outras teorias eram hegemônicas no pool de explicações para a origem e diversidade de formas de vida. Para os defensores da visão fixista de mundo, as formas vivas eram imutáveis e reflexo

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da obra de Deus. Posteriormente, em meados do século XVIII surge no mundo ocidental a ideia de que a mudança do mundo natural é a regra, denominada de “evolucionismo” ou “transformismo”.

No que tange as teorias da evolução biológica do século XVIII e XIX, dois eminentes defensores da mudança das formas vivas se destacavam: os franceses Georges Louis Leclerc, ou conde de Buffon (1707-1788) e Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, ou cavaleiro de Lamarck (1744-1829). Ambos defendiam a mudança das espécies, contudo, com percepções distintas:

Buffon via a transformação como o resultado do efeito do ambiente sobre algumas formas que se originariam por geração espontânea, mesmo que fossem complexas; Lamarck via uma tendência inerente à vida de aumento de complexidade, a qual originava formas complexas a partir de múltiplas formas primitivas que surgiam por geração espontânea (Meyer; El-Hani, 2005, p. 24).

Somente em 1858, diante da Sociedade Lineana, em Londres, que a nova teoria evolutiva da vida foi apresentada em dois trabalhos de autoria de Charles Darwin (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913). Posteriormente, em 1959 Darwin compilou e publicou sua teoria da evolução e da seleção natural na magnifica obra intitulada “A origem das espécies”, lançando as bases para um novo período na história para a discussão da evolução e da vida.

Como discutido pelos autores, Darwin introduziu a ideia da árvore da vida, onde “sucessivos eventos de ramificações representam o surgimento de novas espécies a partir das preexistentes” (Meyer; El-Hani, 2005, p. 25). Ainda, Darwin elucidou o mecanismo por traz dos processos de mudanças evolutivas: a seleção natural. Atualmente, tanto a teoria de Darwin, como suas observações são somadas as descobertas da Biologia Molecular, que estuda o código genético da vida, fornecendo evidencias sólidas do parentesco entre todas as espécies:

Os seres vivos diferem no seu patrimônio genético, mas o mecanismo bioquímico que utiliza essa informação – o próprio código genético – é virtualmente idêntico em seres extremamente diversos. A imensa semelhança do código genético entre os mais diversos seres existe porque eles descendem de um mesmo ancestral, no qual o código originalmente surgiu (Meyer; El-Hani, 2005, p. 29).

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De acordo com os autores, o que chamamos de “teoria darwinista da evolução” é um conjunto de teorias inter-relacionadas. A primeira teoria é a defesa de que a evolução ocorre e as espécies não são imutáveis, enquanto que a segunda, defende que os todos os seres vivos partilham ancestrais comuns. Em seguida, a terceira discorre sobre o fato que a variação dentro da espécie origina diferenças entre espécies, onde a evolução seria um processo cumulativo. Como discorrem os autores, “as diferenças que tornam populações distintas, terminariam por gerar espécies diferentes e, numa escala de tempo ainda maior, explicariam a grande diversidade de formas que vemos no planeta” (Meyer; El-Hani, 2005, p. 36).

A quarta e quinta teoria que compõe a teoria darwiniana são, respectivamente, as ideias de que a evolução é gradual e, que a seleção natural, é o mecanismo subjacente à mudança evolutiva. Apesar do mecanismo da seleção natural ser uma explicação elegante para o processo de evolução, faltava na teoria darwiniana um elemento de hereditariedade que explicasse convicentemente os processos por traz das características herdadas pelos organismos vivos. Essa lacuna levou ao surgimento do neolamarckismo e a teoria da ortogênes enquanto teorias alternativas ao darwinismo no século XX. Contudo, devido as iminentes contribuições de Ronald Aymer Fischer (1890-1962), John B. S. Haldane (1892-1964) e Sewall Wright (1889-1988), o darwinismo ressurgiu devido a síntese evolutiva moderna, através da fusão do darwinismo com o mendelismo:

Em conjunto, Fischer, Haldane e Wright demonstraram que a variação estudada por evolucionistas poderia ser explicada pela herança mendeliana e pela seleção natural. [...]. Essa visão marca o início de um novo período do pensamento evolutivo, chamado de neodarwinismo (Meyer; El-Hani, 2005, p. 49).

Para os autores, à luz dos debates atuais da biologia evolutiva, o neodarwinismo possui três grandes questões a serem respondidas que suscitam acirrados debates na comunidade científica. A primeira questão é saber em quais dos níveis (molecular, celular, tecidos, organismos ou populações) que a seleção natural atua. Segundo, se a seleção natural consegue explicar a eliminação dos menos adaptados, ela conseguiria cumprir com o mesmo papel na explicação do surgimento dos mais adaptados? Por último, considerando que a seleção natural explica as pequenas alterações evolutivas, o mesmo mecanismo poderia ser capaz de explicar as grandes mudanças na árvore da vida?

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Como salientam os autores, “essas perguntas referem-se a três princípios presentes na formulação contemporânea do darwinismo, que Gould chama de ‘agencia’, ‘eficácia’ e ‘alcance’, respectivamente” (Meyer; El-Hani, 2005, p. 80). Em síntese, no que tange a biologia evolutiva, observa-se um crescente desenvolvimento de linhas de pesquisa que se debruçam sobre críticas acerca desses três princípios evolutivos. Contudo, em geral, os debates científicos em torno das críticas sobre esses princípios não representam necessariamente um ataque a seleção natural. Contrariamente, “a pesquisa evolutiva hoje busca ampliar e complementar a teoria da seleção natural, e não substituí-la” (Meyer; El-Hani, 2005, p. 105).

Justamente, é nesse pool fecundo de debates ao qual engloba a biologia evolutiva, que questões como a origem e evolução do vírus da Aids, a resistência bacteriana a antibiótico e a origem de estruturas complexas, como as penas, poderão ser elucidas. Contudo, os autores também discutem as implicações de uma problemática social e cultural contemporânea, ao qual engloba a teoria da evolução: a sua negação por parte de grupos de fundamentalistas religiosos. Como discorrem os autores:

Trata-se de pessoas comprometidas com um movimento criacionista, que concebe a diversidade dos seres vivos que vemos ao nosso redor, assim como todas as suas características, como uma criação direta de Deus, e não como o resultado do processo de descendência com modificações (Meyer; El-Hani, 2005, p. 118).

Por fim, a obra preserva a discussão de temas atuais da biologia evolutiva, demonstrando com coerência e paixão o fato que a teoria evolucionista é atualmente a mais bela e completa teoria científica que dispomos para explicar a vida, sua diversidade e origem em nosso planeta. Ainda, entrelaçada a teoria da evolução, a seleção natural é o mecanismo subjacente à toda mudança evolutiva na história da vida. Assim, é a partir da biologia evolutiva que o ser humano possui os meios para responder as questões que permeiam a sua própria origem, existência e evolução.

Referências

MEYER, D.; EL-HANI, C. N. Evolução e o sentido da biologia. São Paulo: Editora UNESP, 2005. 132 p.

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