Universidade de Cabo Verde
Departamento Ciˆencia & Tecnologia
Texto te´orico de An´alise Matem´atica III
Prof. Narciso Resende Gomes
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⋆
Ano lectivo: 2012/2013
• Aten¸c˜ao: Este texto ´e apenas uma guia que poder´a ajudar o aluno nas aulas te´oricas. Para apoio complementar, o aluno tem a obriga¸c˜ao de consultar outros textos/manuais principalmente a biblio-grafia indicada pelo professor!!
1.1 Revis˜ao . . . 2
1.2 Derivada da Fun¸c˜ao Inversa . . . 4
1.3 Teorema da Fun¸c˜ao Inversa . . . 4
1.4 Exemplos . . . 5
2 Fun¸c˜oes impl´ıcitas . . . 6
2.1 Exemplos . . . 6
2.2 Condi¸c˜oes para fun¸c˜oes do tipo F(x, y) definidas implicitamente . . . 7
2.3 Exerc´ıcios Propostos . . . 8
2.4 Condi¸c˜oes para fun¸c˜oes do tipo F(x, y, z) definidas implicitamente . . . . 8
2.5 Exerc´ıcios Propostos . . . 10
3 Matriz Jacobiana . . . 10
4 Matriz Hessiana . . . 11
5 Teorema de fun¸c˜oes impl´ıcitas para sistemas de equa¸c˜oes . . . 12
Referˆ
encias
[1] A. Breda e J. Costa,C´alculo com fun¸c˜oes de v´arias vari´aveis. McGraw Hill-Portugal, Lisboa, 1996.
[2] E. Lima, An´alise Real - Vol. 2. Rio de Janeiro, Brasil, 2004.
[3] H. Bertolossi, C´alculo diferencial a v´arias vari´aveis. Edi¸c˜oes Loyola e editora PUC-Rio, S˜ao Paulo, Brasil, 2002.
[4] S. Lang, Calculus of Several Variables. Adison-Wesley, 1973.
[5] T. Apostol, C´alculo (Vol. 2). Editora Revert´e, 1996.
1
Fun¸
c˜
oes Inversas
1.1
Revis˜
ao
Sejam A ⊆Re B ⊆R para as defini¸c˜oes seguintes.
Defini¸c˜ao 1: Uma fun¸c˜ao f :A→B diz-se injectiva se
∀x1, x2 ∈A;x1 6=x2 ⇒f(x1)6=f(x2).
ou aplicando a regra de convers˜ao da implica¸c˜ao tem-se
∀x1, x2 ∈A;f(x1) = f(x2)⇒x1 =x2.
Sef for injectiva ent˜ao existe uma fun¸c˜ao inversa de f, designada porf−1
:f(A)→A
dada por
f−1
(y) = xsef(x) =y.
Defini¸c˜ao 2: A fun¸c˜ao f :A→B diz-se sobrejectiva se ∀y∈B,∃x∈A:y=f(x)
Corol´ario 1: Uma fun¸c˜ao diz-se bijectiva se ´e injectiva e sobrejectiva.
Defini¸c˜ao 3: Uma fun¸c˜ao f :A→B diz-se estritamente crescente se ∀x1, x2 ∈A :x1 < x2 ⇔f(x1)< f(x2).
Defini¸c˜ao 4: Uma fun¸c˜ao f :A→B diz-se estritamente decrescente se ∀x1, x2 ∈A :x1 < x2 ⇔f(x1)> f(x2).
Defini¸c˜ao 5: Uma fun¸c˜aof :A→Bdiz-semon´otonase e s´o se for estritamente crescente ou for estritamente decrescente no seu dom´ınio.
Corol´ario 2: As afirma¸c˜oes seguintes s˜ao equivalentes: 1. a fun¸c˜ao f(x) :A→B ´e mon´otona;
2. a fun¸c˜ao f(x) :A→B ´e bijectiva.
Defini¸c˜ao 6: Diz-se que uma fun¸c˜ao, denotada por x = f−1
(y), ´e inversa da fun¸c˜ao
y=f(x) e tem-se:
1. o dom´ınio de f−1
e o contradom´ınio de f s˜ao coincidentes, ou seja,
Df−1 =D
′
f.
2. o dom´ınio de f e o contradom´ınio de f−1
s˜ao coincidentes, ou seja,
Df =D′
f−1.
3. x=f−1
Salienta-se que nem sempre ´e f´acil determinar analiticamente a inversa de uma fun¸c˜ao. Para os casos mais f´aceis, seria apenas resolver a equa¸c˜ao f(x) = y. O Teo-rema da Fun¸c˜ao Inversa garante, a injectividade local de fun¸c˜oes de classeC1 recorrendo apenas `a an´alise da respectiva derivada. Ademais, fica tamb´em garantido que a fun¸c˜ao inversa ´e de classe C1. De seguida, analisar-se-´a alguns casos mais simples.
1. Considere a equa¸c˜ao linear ax = y. Desde que a 6= 0, a solu¸c˜ao de tal equa¸c˜ao existe e ´a dada por x = y/a. Assim, a fun¸c˜ao f : R → R dada por f(x) = ax
´e injectiva desde que a 6= 0 e a respectiva inversa f−1
: R → R ´e dada por
f−1
(y) =y/a.
2. Seja f : R → R dada por f(x) = x2. Trata-se de uma fun¸c˜ao n˜ao injectiva, por ser par: f(−x) = f(x). No entanto, a restri¸c˜ao de f ao conjunto em que x > 0 ´e invert´ıvel e temos f−1
(y) = √y. Note-se que a derivada f′
(x) = 2x anula-se apenas emx= 0 e que a fun¸c˜ao f n˜ao ´e invert´ıvel em torno da origem.
3. Seja a fun¸c˜ao f : R → R dada por f(x) = x3. Facilmente se verifica que f ´e injectiva em Re que a derivada f′
(x) = 3x2 anula-se apenas em x= 0.
4. O dom´ınio fun¸c˜ao f(x) = x2 − 4x ´e
R, isto ´e, Df = R. Verifique que y =
x2−4x= x2−4x+ 4−4 = (x−2)2−4 conclu´ımos que o contradom´ınio de f,
D′
f = [−4,+∞[. Na base das propriedades da fun¸c˜ao quadr´atica conclui-se que
a fun¸c˜ao ´e decrescente no intervalo ]− ∞,2] e ´e crescente no intervalo ]2,+∞]. Portanto a fun¸c˜ao y=x2−4x n˜ao ´e invert´ıvel emR. Partindo o dom´ınio dela em dois intervalos ]− ∞,2] e [2,+∞[ e considerando as restri¸c˜oes da fun¸c˜ao:
(a) y=f1(x) =x2−4x,Df
1 =]− ∞,2] e D
′
f1 = [−4,+∞[.
(b) y=f2(x) = x2−4x, Df2 = [2,+∞[ e D
′
f2 = [−4,+∞[.
conclu´ımos que em cada um deles a fun¸c˜ao ´e invert´ıvel.
5. A fun¸c˜ao y = f(x) = x+ex tem dom´ınio e contradom´ınio
R, ´e crescente e ´e invert´ıvel . A fun¸c˜ao tem inversa, mas porque ´e imposs´ıvel resolver analiticamente em rela¸c˜ao `a vari´avel x a equa¸c˜ao y = x+ex. N˜ao se sabe qual ´e a express˜ao
anal´ıtica. Mas pode ser representada graficamente.
6. Seja f : Rn → Rn uma aplica¸c˜ao linear, ou seja, existe uma matriz An
×n tal que f(x) = Ax. Esta fun¸c˜ao ´e injectiva desde que detA 6= 0 e a respectiva inversa ´e dada por f−1
(y) = A−1
y em que A−1
representa a matriz inversa de A. Note-se que uma aplica¸c˜ao linear ´e uma fun¸c˜ao de classe C1 e a respectiva derivada ´e representada pela matriz A, ou seja,
Df(x) =A.
7. Seja f :R2 →R2 a fun¸c˜ao dada por
f(x, y) = (2xy, x2 +y2).
u = 2xy
v = x2+y2 de onde obtemos
x+y = √v+u x−y = √v−u
desde que se tenha x+y ≥0 e x−y≥0. Portanto, a restri¸c˜ao de f ao conjunto
X ={(x, y)∈R2 :x+y ≥0;x−y≥0}
´e invert´ıvel e a respectiva inversa, definida no conjunto
W ={(u, v)∈R2 :v+u≥0;v−u≥0}
´e dada por
f−1
(u, v) = (x, y) =
1 2(
√
v+u+√v−u,1
2( √
v+u−√v−u
.
1.2
Derivada da Fun¸
c˜
ao Inversa
O teorema seguinte permite calcular a derivada da fun¸c˜ao inversa x =f−1
(y) num ponto gen´erico y=f(x), com x∈ D, sem conhecer a express˜ao anal´ıtica da mesma.
Teorema 1.1: Seja:
(a) y=f(x) ´e invert´ıvel num intervalo I;
(b) a fun¸c˜ao real de vari´avel real y = f(x) ´e de classe C1 e seja x
0 um ponto tal que
f′
(x0) 6= 0 numa vizinhan¸ca Vx0 em que f ´e injectiva. Ent˜ao a fun¸c˜ao inversa
x=f−1
(y) ´e de classe C1 ex∈Vx
0:
(f−1
)′
(y) = 1
f′
(x).
Demonstra¸c˜ao: A demonstra¸c˜ao de (b) ´e trivial.
1.3
Teorema da Fun¸
c˜
ao Inversa
Teorema 1.2: SejaF :T →Rn uma fun¸c˜ao de classe C1 , definida num aberto T ⊂Rn
tal que
detDF(x0)6= 0 em algum ponto x0 ∈T. Ent˜ao,
(a) Existem dois abertosU eV, com x0 ∈U ey0 =F(x0)∈V , e tais queF ´e injectiva em U eF(U) =V.
(b) A fun¸c˜ao inversa F−1
:V →U ´e de classe C1.
Corol´ario 3: Sendo a inversa de classe C1, derivando a equa¸c˜ao
F−1
(F(x)) =x; x∈U,
obt´em-se, para y=F(x),
DF−1
(y) = [DF(x)]−1
Portanto, nas condi¸c˜oes do teorema da fun¸c˜ao inversa, a derivada da fun¸c˜ao inversaF−1
1.4
Exemplos
Exemplo 1.
Seja a fun¸c˜ao definida por
F(x, y) = (x2−y2, xy).
(a) Verifique se F ´e injectiva no seu dom´ınio.
(b) Determine um conjunto de pontos em que F ´e localmente invert´ıvel.
(c) Determine a derivada DF−1
(0,1), sabendo que F(1,1) = (0,1).
Resolu¸c˜ao:
(a) Considere os pontos de R2 da forma (x, x) com x6= 0. Ent˜ao, F(x, x) = (0, x2) e, portanto, F(−x,−x) = F(x, x) donde se conclui que a fun¸c˜ao f n˜ao ´e injectiva em
R2.
(b) A fun¸c˜ao f ´e de classe C1 no seu dom´ınio. Pelo Teorema da Fun¸c˜ao In-versa, a fun¸c˜ao F ser´a localmente invert´ıvel nos pontos (x, y) que verificam a condi¸c˜ao detDF(x, y)6= 0.
Portanto,
DF(x, y) =
2x −2y
y x
e detDF(x, y) = 2(x2+y2), a fun¸c˜ao F tem inversa local em cada ponto deR2\{(0,0)}. (c) Note-se que
detDF(1,1) = det
2 −2 1 1
= 4.
e, portanto, existem vizinhan¸cas U de (1,1) e V deF(1,1) = (0,1) tais que F :U →V
´e invert´ıvel,F−1
:V →U ´e de classe C1 e
DF(0,1) = [DF(1,1)]−1
= 1 4
1 1 −1 2
=
1
4 1 2 −14
1 2
.
Exemplo 2.
Seja a fun¸c˜ao vectorialF :R3 →R3 definida por
F(x, y, z) = (x+xyz, y+xy, z+ 2x+ 3z2).
Verifique se F ´e invert´ıvel numa vizinhan¸ca do ponto (0,0,0).
Resolu¸c˜ao: De facto, F ´e de classe C1 e
detDF(0,0,0) = det
1 0 0 0 1 0 2 0 1
= 1.
A derivada da fun¸c˜ao inversa no ponto F(0,0,0) = (0,0,0) ´e dada por
DF−1
(0,0,0) = [DF(0,0,0)]−1
⇒DF−1
(0,0,0) =
1 0 0 0 1 0 −2 0 1
Exerc´ıcio 1: Consideremos o sistema de equa¸c˜oes x4
+y4
x = u
sinx+ cosx = v.
Recorra ao Teorema da Fun¸c˜ao Inversa para determinar os pontos (x, y) para o qual o sistema seja invert´ıvel.
Exerc´ıcio 2: Considere a fun¸c˜ao definida por
f(x, y) =
lnx
y, y−arctanx+ π
4
.
(a) Determine um conjunto de pontos (x, y) em quef ´e localmente invert´ıvel.
(b) Seja f−1
a inversa local de f em torno do ponto (1,1). Fazendo (x, y) =f−1
(u, v), calcule ∂x
∂u(0,1).
2
Fun¸
c˜
oes impl´ıcitas
Em certas condi¸c˜oes, mesmo n˜ao sendo poss´ıvel explicitar a fun¸c˜aof, poderemos cal-cular as respectivas derivadas. Isto ´e partical-cularmente not´avel porque podemos calcal-cular as derivadas de uma fun¸c˜ao desconhecida.
Os exemplos seguintes encontram-se fun¸c˜oes que s˜ao definidas implicitamente atrav´es de solu¸c˜oes de equa¸c˜oes em que intervˆem duas vari´aveis.
2.1
Exemplos
Exemplo 1:
A equa¸c˜ao y−x2+ 1 = 0 define a fun¸c˜ao y=x2−1(Ver Fig. 1).
Fig. 1: Par´abola da fun¸c˜ao y=x2−1
Observe-se que
y−x2+ 1 = 0⇔y=x2−1,
(i) Como o conjunto de n´ıvel zero da fun¸c˜aoF :R2 →Rdefinida porF(x, y) =y−x2+1, ou seja, o subconjunto de R2 em que F(x, y) = 0.
(ii) Como o gr´afico da fun¸c˜ao f : R → R dada por f(x) = x2 −1, ou seja, como o subconjunto de R2 em que y = f(x). Por outro lado, podemos afirmar que a equa¸c˜ao F(x, y) = 0 define uma das vari´aveis como fun¸c˜ao da outra y=f(x).
Exemplo 2:
A equa¸c˜ao x2+y2 = 4 n˜ao define uma fun¸c˜ao j´a que dela resulta(Ver Fig. 2):
(i) y=√4−x2 para −2< x <2 e y >0, ou
(ii) y=−√4−x2 para −2< x <2 e y <0.
Fig. 2: Circunferˆencia resultante da equa¸c˜ao x2+y2 = 4.
No entanto x2+y2 = 4 e y <0 j´a definem implicitamente uma equa¸c˜ao. Qual?
Para cada uma das fun¸c˜oes pode ser descrita de duas formas diferentes. Por exemplo, para o caso y >0 :
(i) Como o conjunto de n´ıvel zero da fun¸c˜ao F : R2 →
R definida por F(x, y) =
x2+y2−4, ou seja, o subconjunto de R2 em que F(x, y) = 0.
(ii) Como o gr´afico da fun¸c˜ao f :]−2,2[→ R dada por f(x) = √4−x2, ou seja, como o subconjunto de R2 em que y=f(x).
Paray ≥0, a equa¸c˜ao F(x, y) = 0 define uma das vari´aveis como fun¸c˜ao da outra
y = f(x). Portanto, se verifica localmente, em torno de cada um dos pontos, a equivalˆencia
F(x, y) = 0 ⇔y =f(x).
2.2
Condi¸
c˜
oes para fun¸
c˜
oes do tipo
F
(
x, y
)
definidas
implicitamente
SejaF(x, y) = 0 uma fun¸c˜ao nas vari´aveis x e y e (x0, y0) um elemento pertencente ao dom´ınio de F, tal que:
(ii) F possui derivadas parciais cont´ınuas numa vizinhan¸ca do ponto (x0, y0);
(iii) ∂F∂y(x0, y0)6= 0.
Ent˜ao,F(x, y) = 0 define implicitamente ycomo fun¸c˜ao dexnuma vizinhan¸ca do ponto (x0, y0). Al´em disso, a derivada da fun¸c˜ao y de xno ponto x0 ´e dada por:
dy
dx(x0) = − ∂F
∂x(x0, y0) ∂F
∂y(x0, y0) .
Exemplo 3: Considere a equa¸c˜ao 1 +y=x2−lny.
(a) Mostre que a equa¸c˜ao dada define y como fun¸c˜ao impl´ıcita de x numa vizinhan¸ca do ponto P = (√2,1).
(b) Calcule dydx(√2) e ddx2y2(
√ 2).
Resolvido na sala de aula te´orica
2.3
Exerc´ıcios Propostos
Exerc´ıcio 3: Determine dydx e dxd2y2 das fun¸c˜oes dadas implicitamente pelas equa¸c˜oes:
(a) x2y2+x−2y3 = 0.
(b) x2−yx+y2 = 1.
2.4
Condi¸
c˜
oes para fun¸
c˜
oes do tipo
F
(
x, y, z
)
definidas
implicitamente
Considere agora a equa¸c˜ao
F(x, y, z) = 0 (1)
uma fun¸c˜ao nas vari´aveis x, y e z e (x0, y0, z0) um elemento pertencente ao dom´ınio de F. A equa¸c˜ao (1) define implicitamente z como fun¸c˜ao de x e y, z = f(x, y) numa vizinhan¸ca de um ponto (x0, y0, z0) pertencente ao dom´ınio de F nas mesmas condi¸c˜oes anteriores, ou seja:
(i) F(x0, y0, z0) = 0;
(ii) F possui derivadas parciais cont´ınuas numa vizinhan¸ca do ponto (x0, y0, z0);
(iii) ∂F
∂z(x0, y0, z0)6= 0.
Assim, as derivadas parciais da fun¸c˜ao z em ordem a x e y, respectivamente, s˜ao dadas por:
∂z
∂x(x0, y0) = − ∂F
∂x(x0, y0, z0) ∂F
∂z(x0, y0, z0)
e
∂z
∂y(x0, y0) =− ∂F
∂y(x0, y0, z0) ∂F
Assim, ser´a de forma an´aloga paraF(x1, x2, . . . , xn, y) = 0, pondof(x1, x2, . . . , xn) =
y, com f de classeC1. Desta forma,
∂f
∂xi(x1, . . . , xn) = − ∂F
∂xi(x1, . . . , xn, f(x))
∂F
∂y(x1, . . . , xn, f(x)) .
Exemplo 4: Mostre que as seguintes equa¸c˜oes definemz como fun¸c˜ao impl´ıcita de x e y
numa vizinhan¸ca dos pontos mencionados. Calcule ∂z ∂x e
∂z
∂y nesses pontos.
(a) −cos(x+ 2y+z) = 2x+y−3z−1 na vizinhan¸ca de (0,0,0).
(b) x+y+z = sin(xyz) na vizinhan¸ca de (0,0,0).
Nota 1: SejaF :R2 →Ruma fun¸c˜ao de classeC1e (x
0, y0) um ponto tal queF(x0, y0) = 0. Suponhamos que, em alguma bola centrada no ponto (x0, y0) se tem
F(x, y) = 0 ⇔y=f(x),
sendo f uma fun¸c˜ao real de vari´avel real de classe C1 e definida em algum intervalo contendo o ponto x0. Assim, teremos F(x, f(x)) = 0 e derivando obtemos
∂F
∂x(x0, y0) + ∂F
∂y(x0, y0)f
′
(x0) = 0.
Assim,
f′
(x0) = −
∂F
∂x(x0, y0) ∂F
∂y(x0, y0) ,
com
∂F
∂y(x0, y0)6= 0.
Conclui-se ent˜ao que, em certas condi¸c˜oes, ´e poss´ıvel calcular a derivada f′
(x0) mesmo n˜ao sendo poss´ıvel determinar f a partir da equa¸c˜ao F(x, y) = 0.
Teorema 2.1: (Fun¸c˜ao Impl´ıcita em R2) Seja F :R2 →R uma fun¸c˜ao de classeC1 e (x0, y0) um ponto tal que
F(x0, y0) = 0;
∂F
∂y(x0, y0)6= 0.
Ent˜ao existe uma fun¸c˜ao f, de classe C1, tal que, localmente em torno de (x
0, y0), se tem
F(x, y) = 0 ⇔y=f(x).
Teorema 2.2: (Fun¸c˜ao Impl´ıcita em Rn+1) Seja D um aberto de Rn+1, (x0, y0) = (x0
1, . . . , x0n, y0)∈D,F ∈C1, F(x0, y0) = 0 e ∂F∂y 6= 0; ent˜ao:
1. existem α > 0 e β > 0 tais que a cada x = (x1, . . . , xn) ∈ I =]x01 −α, x01 +
α[× · · · ×]x0
n−α, x0n+α[ corresponde um e um s´o yx ∈ J =]y0 −β, y0 +β[ por
forma que se tenha F(x, yx) =F(x1, . . . , xn, yx) = 0;
2. pondo f(x) = f(x1, . . . , xn) = yx para cada x ∈ I, a fun¸c˜ao f ´e de classe C1 e tem-se, para cadax∈I e cada i∈1, . . . , n:
∂f
∂xi(x1, . . . , xn) =− ∂F
∂xi(x1, . . . , xn, f(x))
∂F
∂y(x1, . . . , xn, f(x)) .
Nota 2: E de real¸car tamb´em que o n˜ao anulamento da derivada´ ∂F
∂y no ponto (x0, y0)
n˜ao ´e condi¸c˜ao necess´aria para a existˆencia de uma fun¸c˜ao y = f(x) univocamente definida, nalguma vizinhan¸ca deste ponto, pela equa¸c˜aoF(x, y) = 0. Por exemplo, sendo
F(x, y) = x−y3, tem-se ∂F
∂y(0,0) = 0, embora a equa¸c˜ao defina - at´e globalmente, em
todo o conjuntoR - a fun¸c˜aoy =√3
x(pode notar-se que esta fun¸c˜ao n˜ao ´e diferenci´avel no ponto 0, mas basta considerar o caso da fun¸c˜aoF(x, y) =x3−y3 para se reconhecer que o anulamento de ∂F
∂y(0,0) n˜ao ´e incompat´ıvel com o facto de a fun¸c˜ao definida pela
equa¸c˜ao F(x, y) = 0 ser diferenci´avel no ponto considerado).
Uma aplica¸c˜ao simples do teorema das fun¸c˜oes impl´ıcitas permite obter outro teo-rema importante, habitualmente designado por teoteo-rema da fun¸c˜ao inversa, j´a abordado.
2.5
Exerc´ıcios Propostos
Exerc´ıcio 4: Considere a igualdade zcosx2+ex = 2zy. Mostre que esta igualdade define z como fun¸c˜ao impl´ıcita dexeynuma vizinhan¸ca de (0,1, c). Calcule ∂z
∂x(0,1) e ∂z ∂y(0,1)
Exerc´ıcio 5: Considere a equa¸c˜ao x+ 2yx+ 3z2+x2z = 1.
(a) Diga para que valores dek esta equa¸c˜ao define z implicitamente como fun¸c˜ao de x
ey na vizinhan¸ca do ponto (1,0, k).
(b) Calcule as derivadas parciais da fun¸c˜ao impl´ıcita nos pontos referidos.
(c) Calcule ainda ∂2
z
∂x∂y nos pontos considerados.
3
Matriz Jacobiana
Dado uma fun¸c˜ao vetorial de v´arias vari´aveisF :Rn→RmcomF(x) = (F1(x), . . . , Fm(x)), (com x = (x1, x2, . . . , xn)) a representa¸c˜ao matricial da derivada, quando existe, ´e de-nominada dematriz Jacobiana ´e definido como sendo
JF(x1, x2, . . . , xn) =
F1 ...
Fm
′
=
∂F1
∂x1 · · ·
∂F1
∂xn
... . .. ...
∂Fm
∂x1 · · ·
∂Fm
∂xn
.
Exemplo 5: Obter a matriz jacobiana deF(x, y) =
x2y,x y, x−y
.
Solu¸c˜ao: JF(x, y) = ∂F1 ∂x ∂F1 ∂y ∂F2 ∂x ∂F2 ∂y ∂F3 ∂x ∂F3 ∂y =
2xy x2 1
y
−x y2
1 −1
.
Exemplo 6: Obter o jacobiano de F(x, y) =
xy,x y
.
Solu¸c˜ao: JF(x, y) = " ∂F 1 ∂x ∂F1 ∂y ∂F2 ∂x ∂F2 ∂y # = y x 1 y −x y2
.Assim, o jacobiano ´e
detJF(x, y) = det y x 1 y −x y2
= −x
y −
x
y =−
2x y .
Exerc´ıcio 6: Determine a matriz Jacobianae o jacobianoda transforma¸c˜ao
~
f(ρ, θ, φ) = (ρcosθsinφ, ρsinθsinφ, ρcosφ),
com ρ≥0, 0≤θ ≤2π e 0 ≤φ≤π ((ρ, θ, φ) s˜ao coordenadas esf´ericas em R3).
4
Matriz Hessiana
Dada uma fun¸c˜ao real de v´arias vari´aveis, f : Rn → R, a matriz jacobinana (deri-vada) do gradiente (que ´e fun¸c˜ao vectorial) ´e denominado de matriz hessiana de f. Assim,
Hessf(x1, x2, . . . , xn) = ∂f ∂x1 ... ∂f ∂xn ′ =
∂2f
∂x1∂x1 · · ·
∂2f
∂xn∂x1
... . .. ...
∂2f
∂x1∂xn · · ·
∂2f
∂xn∂xn
.
A matriz hessiana sempre ´e uma matriz quadrada. O determinante da matriz hessiana ´e denominado de fun¸c˜ao hessiana ou simplesmente hessiana.
Exemplo 7: Obter a matriz e a fun¸c˜ao hessiana da fun¸c˜ao f(x, y) = x2y3. Solu¸c˜ao:
∇f(x, y) = (2xy3,3x2y2) =
2xy3 3x2y2
e a matriz hessiana ´e Hessf(x, y) = J
2xy3 3x2y2
=
2y3 6xy2 6xy2 6x2y
.
A fun¸c˜ao hessiana ´e det(Hessf(x, y)) = det
2y3 6xy2 6xy2 6x2y
= 12x2y4 −36x2y4 =
−24x2y4.
Corol´ario 4: Como conseq¨uˆencia doTeorema de Schwarz, quando a matriz hessiana for cont´ınua, ela ser´a uma matriz sim´etrica.
Exerc´ıcio 7: Determine a matriz hessiana e a hessiana da fun¸c˜ao de duas vari´aveis
5
Teorema de fun¸
c˜
oes impl´ıcitas para sistemas de equa¸
c˜
oes
Na formula¸c˜ao mais geral do teorema das fun¸c˜oes impl´ıcitas que estudaremos na sequˆencia tratar-se-´a de determinar condi¸c˜oes para que um sistema de m equa¸c˜oes da forma:
F1(x1, . . . , xn, y1, . . . , ym) = 0 ...
Fm(x1, . . . , xn, y1, . . . , ym) = 0,
onde F1, . . . , Fm s˜ao fun¸c˜oes definidas num aberto D de Rm+n, possa ser resolvido em ordem `as m vari´aveis y1, . . . , ym, por forma que cada uma destas fique expressa (local-mente) como fun¸c˜ao das restantes vari´aveis, x1, . . . , xn. Para esse efeito, tratar-se-´a do caso em D ⊆Rn+2 como t´ıtulo de exemplo. Assim, derivem-se em ordem axi ambos os membros de cada uma das equa¸c˜oes
F(x1, . . . , xn, f(x), g(x)) = 0 e G(x1, . . . , xn, f(x), g(x)) = 0
o que conduz ao sistema:
( ∂F
∂xi +
∂F ∂y
∂f ∂xi +
∂F ∂z
∂g
∂xi = 0
∂G ∂xi +
∂G ∂y
∂f ∂xi +
∂G ∂z
∂g
∂xi = 0.
Particularmente se o sistema ´e de duas equa¸c˜oes a trˆes inc´ognitas, obtemos:
F(x, y, z) = 0
G(x, y, z) = 0,
em que as fun¸c˜oes F : R3 → R e G: R3 → R s˜ao de classe C1. Em que condi¸c˜oes este sistema de equa¸c˜oes define duas das vari´aveis como fun¸c˜oes da terceira vari´avel, como por exemploy =f(x) e z =g(x). Assim, obtemos o sistema equivalente:
F(x, f(x), g(x)) = 0
G(x, f(x), g(x)) = 0. (2)
Derivando o sistema de equa¸c˜ao (2) a ordem ax, em torno de um ponto (a, b, c) tal que
F(a, b, c) = 0 eG(a, b, c) = 0, teremos
∂F
∂x(a, b, c) + ∂F
∂y(a, b, c)f
′
(a) + ∂F
∂z(a, b, c)g
′
(a) = 0
∂G
∂x(a, b, c) + ∂G
∂y(a, b, c)f
′
(a) + ∂G
∂z(a, b, c)g
′
(a) = 0.
Na forma matricial, obtemos
∂F
∂y(a, b, c) ∂F
∂z (a, b, c)
∂G
∂y(a, b, c) ∂G
∂z (a, b, c)
f′
(a)
g′
(a) =− ∂F
∂x(a, b, c)
∂G
∂x(a, b, c)
e podendo determinar as derivadas f′
(a) e g′
(a):
f′
(a)
g′
(a) =− ∂F
∂y(a, b, c) ∂F
∂z (a, b, c)
∂G
∂y(a, b, c) ∂G
∂z (a, b, c)
−1 ∂F
∂x(a, b, c)
∂G
∂x(a, b, c)
com det ∂F
∂y(a, b, c) ∂F
∂z(a, b, c)
∂G
∂y(a, b, c) ∂G
∂z(a, b, c)
6
= 0.
Teorema 5.1: (Fun¸c˜ao Impl´ıcita - caso geral) Seja F :D ⊂Rn×Rm →Rm, tal que
F(x,y) = F1(x,y), F2(x,y), . . . , Fm(x,y) comx∈Rn e y∈Rm. O sistema
F1(x,y) = 0 ...
Fm(x,y) = 0,
define implicitamentemfun¸c˜oesyi =f(x), comi= 1, . . . , m, numa vizinhan¸ca do ponto (x0,y0)∈ D se:
1. F(x0,y0) = 0.
2. Existem e s˜ao cont´ınuas as derivadas
(a) ∂F
∂xi
, com i= 1, . . . , n.
(b) ∂F
∂yj
, com j = 1, . . . , m.
numa vizinhan¸ca do ponto (x0,y0)∈ D.
3. O determinante
det
∂(F1, . . . , Fm)
∂(y1, . . . ,ym)
(x0,y0) = det ∂F1
∂y1 · · ·
∂F1
∂ym
... . .. ...
∂Fm ∂y1 · · ·
∂Fm ∂ym
(x0,y0)
6
= 0.
O c´alculo das derivadas ∂yj
∂xi|x0 com j = 1, . . . , m e i= 1, . . . , n pode obter-se derivando o sistema em rela¸c˜ao a xi sabendo que os yj s˜ao fun¸c˜ao dos xi :
∂F1
∂xi
+
m
X
j=1
∂F1
∂yj
∂yj
∂xi
= 0
...
∂Fm ∂xi
+
m
X
j=1
∂Fm ∂yj
∂yj
∂xi
Exemplo 8: Verifique que o sistema de equa¸c˜oes
x2+y2+z2+w = 0 2x2−w2+ 7 = 0.
define implicitamente as fun¸c˜oes z = f1(x, y), w = f2(x, y) numa vizinhan¸ca do ponto
P = (1,1,1,−3).
Determine, se poss´ıvel ∂z
∂x|(1,1) e
∂w ∂x|(1,1).
Resolu¸c˜ao:
Seja F : R2 → R2 definida por F = (F1, F2) = (x2 +y2 +z2 +w,2x2 −w2 + 7). Verifiquemos as condi¸c˜oes do teorema:
1.
F1(P) = (x2+y2+z2+w)|
P = 0
F2(P) = (2x2−w2 + 7)|
P = 0.
2. As derivadas em rela¸c˜ao `as vari´aveis independentes
∂F1
∂x = 2x; ∂F1
∂y = 2y ∂F2
∂x = 4x; ∂F2
∂y = 0.
As derivadas em rela¸c˜ao `as vari´aveis dependentes
∂F1
∂z = 2z; ∂F1
∂w = 1 ∂F2
∂z = 0; ∂F2
∂w =−2w.
As derivadas existem e s˜ao cont´ınuas em R4.
3.
det
∂(F1, F2
∂(z, w) P = det ∂F1 ∂z ∂F1 ∂w ∂F2 ∂z ∂F2 ∂w P = det 2 1 0 6
= 126= 0.
Logo o sistema dado define implicitamentezewcomo fun¸c˜oes dexeynuma vizinhan¸ca do ponto P.
Derivando o sistema em rela¸c˜ao a x, sabendo que z ew s˜ao fun¸c˜oes de x
2x+ 2z∂z ∂x +
∂w
∂x = 0
4x−2w∂w
∂x = 0
⇔ ∂z ∂x =−
x wz − x z ∂w ∂x = 2x w. Portanto, ∂z
∂x |P=−
2 3;
∂w
∂x |P=−
2 3.
Exerc´ıcio 8: Verifique que o sistema de equa¸c˜oes
xu+yvu2 = 2
xu3 +y2v4 = 2.