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Características da lactação de ovelhas Texel criadas extensivamente / Lactation traits of extensively reared Texel sheep

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Características da lactação de ovelhas Texel criadas extensivamente

Lactation traits of extensively reared Texel sheep

DOI:10.34117/bjdv6n1-109

Recebimento dos originais: 30/11/2019 Aceitação para publicação: 10/01/2020

Eduarda Arteche Berón Da Fontoura

Engenheira agrônoma - instituição: Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs) Endereço: rua rivadávia correa 825, centro, santana do livramento-rs, brasil

Email: [email protected]

Joziéle Quevedo Tâmara

Especialista em desenvolvimento territorial e agroecologia Instituição: Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs) Endereço: rua rivadávia correa 825, centro, santana do livramento-rs, brasil

Email: [email protected]

Dinah Pereira Rodrigues

Engenheira agrônoma pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs) Instituição: Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs)

Endereço: rua rivadávia correa 825, centro, santana do livramento-rs, brasil Email: [email protected]

Gianny De Mello Maydana

Discente em agronomia pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs) Instituição: Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs)

Endereço: rua rivadávia correa 825, centro, santana do livramento-rs, brasil Email: [email protected]

Rivas Matheus Lencina Dos Santos

Discente em agronomia pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs) Instituição: Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs)

Endereço: rua rivadávia correa 825, centro, santana do livramento-rs, brasil Email: [email protected]

Michelle Da Luz Munhoz

Engenheira agrônoma - instituição: Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs) Endereço: rua rivadávia correa 825, centro, santana do livramento-rs, brasil

Email: [email protected]

Gladis Ferreira Corrêa

Doutora em zootecnia - docente de zootecnia - Universidade Federal do Pampa (unipampa) Instituição: Universidade Federal do Pampa (unipampa)

Endereço: rua 21 de abril 80, bairro são gregório, dom pedrito-rs, brasil. Email: [email protected]

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Leonardo De Melo Menezes

Doutor em zootecnia - docente de agronomia pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs)

Discente em ciencias econômicas – Universidade Federal do Pampa (unipampa) Instituição: Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (uergs)

Endereço: rua rivadávia correa 825, centro, santana do livramento-rs, brasil Email: [email protected]

RESUMO

A ovinocultura leiteira apresenta grande potencial de desenvolvimento no sul do país, em função das características de solo e clima (propício aos ovinos), além da adaptação sociocultural do homem do campo à espécie ovina. Entretanto, a atividade ainda é incipiente. O objetivo deste trabalho foi avaliar a produção de leite de ovelhas Texel, manejadas extensivamente. O experimento foi conduzido no Campo Municipal de Cooperação da Prefeitura, situado na localidade Florentina, no município de Santana do Livramento, estado do Rio Grande do Sul. Foram utilizadas 19 ovelhas da raça Texel, acasaladas naturalmente com carneiro de mesma raça. Após a parição, os animais foram conduzidos a uma pastagem de azevém (Lolium multiflorum) e suplementados diariamente com ração concentrada utilizando-se a proporção de 0,5% do peso vivo. Foram realizadas três coletas de leite a partir dos 45 dias de lactação, com intervalos quinzenais. O manejo da ordenha contou com separação prévia de ovelhas e cordeiros por um período de 12 horas (fim de tarde anterior – manhã da ordenha). Previamente a ordenha, cada animal recebeu uma dose de 15 UI de ocitocina por via intramuscular, a fim de auxiliar na ejeção no leite. O leite de cada animal foi retirado através de ordenha mecânica e pesado em balança de precisão. Os valores médios individuais de produção leiteira nos três momentos da lactação (dias 45, 60 e 75) foram respectivamente: 0,742 kg, 0,816 e 0,401kg. O estudo demonstrou que existe potencial para a produção na ovinocultura leiteira, considerando o baixo custo de implementação deste tipo de sistema e possibilidade de realização em pequenas áreas. Mais estudos considerando maior intensificação nutricional para os animais, seleção para a característica produção de leite e mesmo o cruzamento com raças leiteiras devem ser realizados.

Palavras-chave: agricultura familiar; composição do leite; curva de lactação; leite ovino. ABSTRACT

Sheep’s milk presents great potential of development in the south of the country, in function of the soil and climate features (conducive sheep), as well as the socio-cultural adaptation of the country man to the sheep species. However, the activity is still incipient. The objective of this work was to evaluate the production of milk in Texel sheep, held extensively. The experiment was conducted in the Municipal Field of the Cooperative of Florentina, located in Santana do Livramento, in the state of Rio Grande do Sul. 19 sheep of Texel breed were used, mated naturally with lambs of the same breed. After parturition, the animals were led to a ryegrass pasture (Lolium multiflorum) and supplemented daily with concentrated food, at a proportion of 0,5% per live weight. Three collections of milk were performed starting from 45 days of lactation, with fortnightly intervals. The milking management counted on the preliminary separation of sheep and lambs for a 12 hour period (the end of the previous afternoon –the morning of milking). Before the milking, each animal received a dose of 15 UI of oxytocin by intramuscular route, in order to help the milk ejection. The milk of each animal was withdrawn by mechanical milking and weighed on a precision balance. The average individual values of milk production in three lactation moments (days 45, 60 and 75) were respectively: 0.742kg, 0.816kg and 0.401kg. The study demonstrated that there is potential for the production of sheep’s milk, considering the low cost of implementation of this type of system and the possibility of achievement in small areas. More studies considering bigger nutritional intensification for the animals, selection for the production of milk feature and even cross breeding with dairy breed should be undertaken.

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Keywords: family farming; lactation curve; milk composition; sheep’s milk. 1 INTRODUÇÃO

O leite ovino representa 1,3% da produção total de leite a nível mundial, com base produtiva de 217 milhões de ovinos leiteiros, ocupando o quarto lugar entre as espécies produtoras de leite do mundo, sendo uma potencial fonte de proteína para os países em desenvolvimento (FAO, 2013). Na Europa o leite ovino apresenta extrema importância. Os rebanhos são criados de forma intensiva e a maior parte de seu produto é destinado à fabricação de queijos finos (Viana, 2008). Já no Brasil, a exploração da atividade leiteira ainda é recente, teve início em 1992, com a introdução da raça Lacaune no estado do Rio Grande do Sul pela Cabanha Dedo Verde (Brito et. al, 2006). Atualmente no Brasil o processamento do produto leite ovino gira em torno de 509.000 litros por ano, o que corresponde a aproximadamente 526 toneladas (Silveira, 2017).

Nas décadas de 80 e 90 ocorreu a crise internacional nos preços da lã, que ocasionou uma queda no rebanho ovino brasileiro; com o aumento da área cultivada com grãos, os produtores, desestimulados, migraram para outras atividades, como a produção de soja (Viana, 2008). Assim, a produção de leite surge como uma busca de incentivo, e uma nova alternativa para que os agricultores familiares não abandonem a ovinocultura.

O atual rebanho ovino brasileiro é de 13,7 milhões de ovinos, sendo efetivo do estado do Rio Grande do Sul o segundo maior do país, com 2,6 milhões de cabeças ovinas, perdendo apenas para a Bahia que possui 2,8 milhões de cabeças (IBGE, 2017). No estado gaúcho há predomínio de criação sob sistema extensivo sob áreas pertencentes ao bioma Pampa, caracterizado por campos de excelente qualidade para o desenvolvimento da ovinocultura (Viana e Silveira, 2009).

O Estado possui a segunda maior produção de leite do Brasil, com 270 mil litros por ano, ficando somente atrás do Estado de Santa Catarina que possui a maior produção, em torno de 315 mil litros por ano (Bianchi, 2016). O leite ovino possui maiores concentrações de sólidos totais (gordura, proteína, lactose) que o leite das outras espécies, por isso é mais adequado para fabricação de produtos lácteos, tendo excelente rendimento na produção de queijos finos, manteiga e iogurte, sendo pouco utilizado para consumo in natura (Park et. al,, 2007).

A produção de leite depende de diversos fatores, como raça, genética, sistema de produção, nutrição, manejo, estágio da lactação, fatores ambientais e intrínsecos de cada animal (Haenlein, 2001). Dentre as raças leiteiras que foram introduzidas no Brasil, as que estão em destaque são a raça Lacaune, de origem francesa e primeira raça a ser introduzida no país, a raça Bergamácia, de origem italiana, e a raça East Friesian ou Milchschaf, de origem alemã e considerada a raça que possui a maior produção de leite entre todas as raças ovinas (Griebler, 2012).

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A raça Texel é de origem holandesa, ovino de porte médio, e é considerada uma raça de dupla aptidão, produzindo carne de excelente qualidade, com gordura reduzida e, também, uma boa quantidade de lã (ARCO), estando entre as raças mais exploradas no estado do Rio Grande do Sul (Viana e Silveira, 2009).

A avaliação da produção de leite de ovelhas da raça Texel surge de uma necessidade de investigar novos modelos de ovinocultura que garantam sua competitividade e sustentabilidade, e sobretudo para reinventar a ovinocultura no Brasil.

Não há muitos estudos e dados sobre a produção de leite de ovinos no Brasil e essa falta de informações e conhecimento ocasiona a falta de interesse, reconhecimento e aceitação tanto dos agricultores familiares, quanto dos consumidores.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a produção e composição química do leite de ovelhas Texel manejadas extensivamente, suplementadas durante o período de lactação.

2 MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Campo Municipal de Cooperação da Prefeitura, situado na localidade Florentina, município de Santana do Livramento, no estado do Rio Grande do Sul (30º 51’ 47.4” s e 55º 21’ 47.5” w). Foram utilizadas 19 ovelhas, multíparas, da raça Texel, acasaladas naturalmente com carneiro de mesma raça, nunca ordenhadas em lactações anteriores. Durante a gestação os animais foram mantidos em regime de pastoreio sob condições extensivas, em campo nativo. As características bromatológicas da pastagem natural utilizada durante o período gestacional podem ser visualizadas no quadro 1.

Quadro 1 – Caracterização bromatológica da pastagem natural utilizada para ovelhas Texel durante o período gestacional

Altura (centímetros) 12

Disponibilidade de forragem

(kg de matéria seca/ hectare)

1.590

Proteína bruta (%) 5,84

Nutrientes digestíveis totais (%) 62,00

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(%)

Fibras detergentes neutras (%) 72,45

Após a parição os animais foram conduzidos para uma pastagem de azevém (Lolium

multiflorum) e suplementados diariamente com ração formulada a partir de diversos ingredientes, a

fim de auxiliar no suporte à lactação, fornecida na proporção de 0,5% do peso vivo.

A pastagem de azevém foi implantada no dia 24 de abril de 2017. Após o revolvimento do solo com manejos de aração e gradagem, o cultivo foi realizado à lanço com densidade de semeadura de 45 kg/semente/ha e um a dois centímetros de profundidade de plantio. Foi aplicado 30 kg/ha de uréia como adubação de cobertura aos 35 dias após a emergência das plântulas. Não houve coleta de amostras para análise de solo meses antes do plantio e por esse motivo não foi realizada a correção do solo.

Desde a entrada dos animais na pastagem (17 de junho de 2017) os mesmos foram mantidos em sistema de pastoreio contínuo, com carga fixa de 8 ovelhas e seus cordeiros por hectare. As características do azevém utilizado como fonte forrageira podem ser visualizadas no quadro 2.

Quadro 2 – Caracterização da base forrageira utilizada (Lolium multiflorum) para ovelhas Texel em lactação

Estádio Vegetativo (75 dias) Pré-florescimento (120 dias)

Altura (centímetros) 25 40

Disponibilidade de forragem

(kg/hectare de matéria seca)

3.165 4.200

Proteína bruta (%) 20,5 15,3

Amido (%) 52,12 41,36

Nutrientes digestíveis totais

(%)

82,52 75

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Fibras detergentes neutras (%) 38,40 40,56

A composição da ração utilizada como suplemento pode ser visualizada na tabela 1.

Tabela 1 – Composição da ração utilizada para suplementação das ovelhas Texel em lactação

Ingrediente Percentual Grão de milho 63,10 Farelo de soja 24,80 Levedura de cervejaria 10,80 Calcário calcítico 0,60 Sal branco 0,70 Total 100,00

Para a avaliação da produção do leite os cordeiros eram separados das ovelhas 12 horas anteriores a ordenha, realizando-se o seguinte procedimento: ao meio dia (12:00) os cordeiros eram mantidos apartados de suas mães, com a finalidade de promover acúmulo de leite produzido; as 17:30 os animais eram reunidos, para que os cordeiros promovessem uma mamada com a finalidade de “esgotar” o leite contido no úbere; às 18:00 os animais eram novamente apartados e mantidos assim até o momento da ordenha, realizada a partir das 06:00 do dia posterior.

Previamente a ordenha, cada animal recebeu uma dose de 15 UI de ocitocina por via intramuscular, a fim de auxiliar na ejeção no leite. O leite de cada animal foi retirado através de ordenha mecânica, mensurado em balança de precisão e foi separada uma amostra de 40 mL para avaliação da composição química.

Estas amostras individuais foram enviadas ao Laboratório de Qualidade do Leite, da EMBRAPA Clima Temperado localizado em Pelotas-RS, para realização das determinações de proteína, gordura, lactose e sólidos totais, através do método de análise por infravermelho.

A produção leiteira obtida após a ordenha mecânica foi multiplicada por dois, a fim de obter-se a estimativa da produção no período de 24 horas. Ao todo, foram realizadas três coletas de leite a partir dos 45 dias de lactação, com intervalos de quinze dias, e três avaliações da composição físico-química do leite. De posse destes resultados foi estipulada a curva média de lactação das ovelhas. Os dados foram submetidos à análise da variância, considerando-se o efeito do tempo de lactação. Utilizaram-se os procedimentos do General Linear Model (GLM) do pacote estatístico SAS (2010). O teste de comparação de médias utilizado foi o LSMeans a 5% de probabilidade. As médias de

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produção de leite foram comparadas subseqüentemente, ou seja, verificando a existência de diferença na produção média de leite de um período em relação aos subsequentes.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os valores médios de produção leiteira nos três momentos da lactação (dias 45, 60 e 75) podem ser observados no Gráfico 1).

Figura 1 -Curva de lactação de ovelhas Texel criadas extensivamente.

A produção máxima de leite obtida neste estudo entre os 45 e 60 dias de lactação (0,816kg) foi um pouco inferior à encontrada por Souza et al. (2005) que ao trabalharem com ovelhas da raça Corriedale suplementadas com ração obtiveram 0,960kg de leite de produção máxima aos 28 dias de lactação.

A partir dos 60 dias de lactação houve uma queda na média de produção de leite das ovelhas da raça Texel que pode ser explicada pelo estudo de Coimbra Filho (1997) que observou que nas primeiras oito semanas a ovelha produz 80% do leite de uma lactação, e após esse período tem produção mínima. Além disso, a baixa produção pode ser esclarecida levando em consideração que as ovelhas não eram ordenhadas diariamente, concordando com Nudda et al. (2002).

742,48a 816,53b 401,99c 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 40 45 50 55 60 65 70 75 80 P ro duç ão Di ár ia de L ei te ( m l) Lactação (dias)

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De acordo com os estudos de Anderson et al. (2004), o pico de lactação em ovelhas se dá em torno dos 45 dias de lactação, porém neste estudo o pico se deu em um estágio mais avançado de lactação (60 dias). Este resultado difere dos encontrados por Bencinni e Pulina (1997) e Cardellino et al (1999), que em distintos experimentos encontram picos de lactação entre a terceira e quinta semana. Hübner et al (2007) encontraram períodos de pico ainda mais distintos: variando entre a primeira e terceira semana, em função da qualidade da ração ofertada. Neste sentido, percebe-se que podem ocorrer distintos momentos para o pico lactacional, e este momento sofre influencias diversas (genética, nutricional, fatores individuais). As ovelhas utilizadas no presente estudo apresentaram pico lactacional entre a sétimo e oitava semana. Acreditamos que tal fato pode ser explicado devido a raça Texel ser apta a criar e sustentar cordeiros maiores, amamentando-os por mais tempo, o que torna seu pico de lactação tardio em relação ao das outras raças.

A produção média diária das ovelhas Texel neste estudo foi 653,67 mL de leite, sendo superior aos resultados obtidos por Greca (2014) que trabalhando com ovelhas Mestiças e Santa Inês produziram a média diária de 472,5 mL e 452,4 mL de leite, respectivamente. Esse resultado aponta para um potencial pouco explorado pelos criadores de Texel, uma vez que se obteve média superior a ovelhas que apresentam animais leiteiros em sua composição genética, como a Santa Inês. Segundo Larrosa-Borean e Kremer (1990) a raça Texel pode ser considerada uma raça de tripla aptidão, pois além da carne e lã, produz uma quantidade considerável de leite, confirmada pelo presente estudo.

Em um estudo de Griebler (2012) comparou-se ovelhas cruza entre as raças Texel x Ile de France x Lacaune com as de cruza Texel x Ile de France criadas em pastagem cultivada de azevém (Loliummultiflurum) encontrando-se a média de produção diária de 2,418kg e 1,818kg de leite, respectivamente, valores superiores à média encontrada neste trabalho. Acredita-se que os resultados foram mais elevados porque as ovelhas recebiam suplementação mineral ad libitum, ficavam em baias fechadas durante a noite e eram ordenhadas semanalmente a partir do nascimento dos cordeiros até os mesmos completarem 28 kg, manejo o qual certamente influenciou na produtividade das ovelhas. A tabela 3 representa os dados referentes a composição físico-química média do leite obtida nas três ordenhas.

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Tabela 3 - Composição físico-química do leite (média dos três períodos avaliados) Variável Média Proteína (%) Gordura (%) Lactose (%) Sólidos totais (%) 4,39 4,98 4,29 14,81

Em uma comparação da composição láctea de várias espécies (PARK, 2007) relatou que o leite ovino apresenta maior diferença entre o leite bovino e maior similaridade com o leite de cabra, por possuir altos teores de sólidos totais, como os resultados da composição média físico-química do leite observados na tabela 3.

No entanto, os resultados ainda foram inferiores aos encontrados por Bencini e Purvis (1990) que, ao trabalharem com a raça Merino Australiano suplementadas com tremoço (Lupinusssp.) encontraram teor médio de sólidos totais de 19%. Acredita-se que tal resultado pode ser explicado pela influência da raça, idade dos animais, estágio da lactação, e manejo alimentar, uma vez que a nutrição da ovelha interfere diretamente na composição do leite.

A gordura presente no leite é um dos elementos mais importantes para a produção de derivados que é a principal utilidade do leite ovino. Neste estudo a porcentagem de gordura obtida foi 4,98%, abaixo dos resultados observados por Park et al. (2007), Wommer (2010) e Selaive & Osório (2014) que encontraram 7,9%, 6,72% e 8,5%, respectivamente. Ribeiro et al. (2007) em um estudo com ovelhas da raça Santa Inês encontraram o percentual de 5,84% de gordura no leite de ovelhas tratadas com ocitocina e de 4,96% do grupo controle, valores mais próximos ao encontrado neste trabalho.

Neste sentido, cabe considerar o sistema de produção que as ovelhas deste trabalho foram submetidas (extensivo), com baixa tecnologia e suplementadas com pequena quantidade de concentrado. A maioria das ovelhas criadas para produção de leite são submetidas a confinamento, em sistemas intensivos e suplementadas com rações específicas para atender os requerimentos da lactação, possibilitando-se maior suporte para produzir grandes quantidades de leite, o que também interfere na composição e qualidade do leite. Rabassa et al (2009) e Menezes et al (2017) corroboram

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com essas afirmações, uma vez que em seus estudos constataram que o campo nativo, e mesmo pastagens em fim de ciclo são insuficientes para a manutenção dos parâmetros fisiológicos e índices produtivos de animais de alto requerimento nutricional.

4 CONCLUSÃO

Existe potencial para a produção leiteira em ovelhas Texel criadas extensivamente. Mais estudos, prevendo-se intensificação nutricional, seleção para características leiteiras e mesmo cruzamentos devem ser realizados para exploração de uma nova atividade econômica na região.

REFERÊNCIAS

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Universidade Federal de Santa Maria, RS. 75f.

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Tabela 1 – Composição da ração utilizada para suplementação das ovelhas Texel em lactação
Figura 1 -Curva de lactação de ovelhas Texel criadas extensivamente.
Tabela 3 - Composição físico-química do leite (média dos três períodos avaliados)  Variável  Média  Proteína (%)  Gordura (%)  Lactose (%)  Sólidos totais (%)  4,39 4,98 4,29  14,81

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