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Cad. Saúde Pública vol.17 número4

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Academic year: 2018

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Cad. Saúde Púb lica , Rio de Jane iro , 1 7 (4 ):1 03 6 , jul-ag o , 2 00 1 C A RTAS L E T T E R S

Vigilância epidemiológica da distribuição da lagarta Lonomia obliqua Wa l k e r, 1855, no Est ado do Paraná, Brasil

Epide mio lo g ical surve illanc e o f distrib utio n o f the c ate rpillar Lo no mia o b liq ua Wa l k e r, 1855, in the State o f Paraná, Brazil Gisélia Burigo Guimarães Rubio 1

1 Divisão de Zoonoses e Animais Pe ç o n h e n t o s , Ce n t ro de Saúde Am b i e n t a l . Rua Piquiri 170, Cu r i t i b a , PR 80230-140, Bra s i l .s e s a c s a @ p r. g ov. b r

A gravidade dos acidentes hemorrágicos causados pela lagarta L on om i aque desde 1986 já apre s e n t a va suas vítimas no Rio Grande do Sul e Santa Ca t a ri n a , l e vou a Se c re t a ria Estadual da Saúde do Pa raná a mo-n i t o rar a presemo-nça desta lagarta e dos acidemo-ntes em todos os municípios do Estado, pro c u rando conhecer o comportamento biológico deste animal que amea-ça tanto a população ru ral quanto a urbana.

O presente trabalho pretende mostrar dados

epi-demiológicos dos acidentes por lagarta L on om i an o

Estado do Pa raná, desde o pri m e i ro re g i s t ro, em 1989. Fo ram utilizados os seguintes instru m e n t o s :

• Ficha Epidemiológica de Acidente por Animal

Pe-çonhento – utilizada em todas as 22 Regionais de Saúde do Estado do Pa raná e três Ce n t ros de In f o r-m a ç ã o / Co n t role de In t ox i c a ç õ e s.

• Ficha de In vestigação sobre L on om i as p.– cri a d a por técnicos da Se c re t a ria Estadual da Sa ú d e.

• Modelo Individual de Etiqueta para Envio de

Ani-mais – distribuído em todas as Vigilâncias Sa n i t á ri a s Municipais do Estado do Pa ra n á .

As fichas epidemiológicas foram analisadas no p ro g rama Epi In f oversão 6.04 (CDC/WHO, 1996).

As Vigilâncias Sa n i t á rias Municipais e Ce n t ros de In f o rm a ç ã o / Co n t role de In t oxicações enviam todas as lagartas coletadas ou deixadas pela população, c a u s a d o ras ou não de acidentes, para identificação no Ce n t ro de Saúde Ambiental ou Ce n t ro de Pro d u-ção e Pesquisa de Im u n o b i o l ó g i c o s, acompanhadas de pelo menos um modelo das fichas acima mencio-n a d a s.

Todos os municípios de ocorrência do acidente são catalogados e lançados no mapa de distri b u i ç ã o, após a confirmação do gênero L on om i a .

Os exemplares sem condições de identificação são encaminhados para o Labora t ó rio de En t o m o l o-gia do Museu de Hi s t ó ria Na t u ral da Se c re t a ria Mu n i-cipal do Meio Ambiente de Cu ritiba ou para o In s t i t u-to Butantan, em São Pa u l o.

Após cada identificação confirmada de L on om i a

nos municípios, as equipes de Vigilância Sa n i t á ria e Epidemiológica recebem treinamento sobre biologia, coleta e envio adequado das lagartas e posteri o rm e n-te desencadeiam ações junto à população para co-nhecimento e pre venção de acidentes com distri b u i-ção de f o ld e r se cart a zes educativo s, envo l vendo a mídia, escolas, pre f e i t u ras e igre j a s.

Com a finalidade de oferecer subsídios técnicos à classe médica, capacitações foram re a l i z a d a s, com o apoio do Hospital Vital Brazil do Instituto Bu t a n t a n , São Paulo; também o tratamento mais indicado, o so-ro antilonômico, foi descentralizado para pontos es-t raes-tégicos como Cu ries-tiba, Londrina, Ca s c a vel, Un i ã o da Vi t ó ria, Pato Bra n c o, Francisco Beltrão e Gu a ra-p u a va .

De 1989 até 2000, foi identificada a lagarta L on o -m i anas regiões nort e, centro, sul, sudoeste, oeste e capital do Estado, com predominância no centro, sul e sudoeste.

Atualmente a lagarta L on omia e stá identificada

em 67 municípios (16%) do Estado do Pa raná, mas em 13 municípios não ocasionaram acidentes.

Os exemplares de L on om i arecebidos foram

iden-tificados como L on omia obliquaWa l k e r, 1855. To d a s

as lagartas L on om i aque estavam em boas condições

f o ram encaminhadas adequadamente para o Labora-t ó rio de EnLabora-tomologia do InsLabora-tiLabora-tuLabora-to BuLabora-tanLabora-tan para os p rocedimentos de produção do soro antilonômico.

Na análise de 159 casos confirmados no período de 1997 a 1999, observou-se que houve pre d o m i n â n-cia do sexo masculino, com 63% dos casos, pre d o m i-nando na faixa etária de ze ro a nove anos, com 25%, e de 10 a 19 anos, com 20%. O local de contato com as l a g a rtas mais atingido são os membros superi o re s, chegando a 38% nas mãos. Com relação à distri b u i-ção sazonal, os casos aconteceram com maior inci-dência (57% ) nos meses de feve re i ro e março.

To t a l i z a m - s e, até a presente data, 199 casos com cinco óbitos (letalidade de 2,5).

Recebemos no ano de 1998 mais de oito mil la-g a rtas L on om i a ,sendo seis mil somente do Mu n i c í-pio de Cruz Ma c h a d o, identificadas pela população e coletadas pela Vigilância Sa n i t á ria do Mu n i c í p i o.

Du rante o período de 1997 a 1999, foram re a l i z a-dos onze Se m i n á rios Ma c ro r regionais de Di a g n ó s t i c o e Tratamento de Acidentes com Animais Pe ç o n h e n-t o s, dando ênfase aos acidenn-tes hemorrágicos

causa-dos pela L on omia nas Regionais de ocorrência; cinco

Capacitações para os médicos e enferm e i ras dos lo-cais onde o soro ficou descentralizado; e oito Tre i n a-mentos para as equipes de Vigilância Sa n i t á ria e Ep i-demiológica e, também, Agentes de Saúde da Fu n d a-ção Nacional de Saúde para identificaa-ção e coleta das l a g a rt a s.

É necessário dar continuidade às capacitações e t reinamentos das equipes de saúde para melhorar o diagnóstico dos acidentes causados por lagartas urt i-c a n t e s, bem i-como intensifii-car a identifii-cação destes i n s e t o s.

As Vigilâncias devem estar sensibilizadas aos re-latos da população sobre a ocorrência de lagart a s c a u s a d o ras de acidente, em especial os acidentes he-m o r r á g i c o s, para que tão logo sejahe-m identificadas, campanhas de educação sanitária sejam realizadas o mais urgente possíve l .

CDC (Centers for Disease Co n t rol and Pre ve n t i o n ) /

WHO (World health Organization), 1996. Epi In f o

Referências

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