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O autoconceito de idosos e sua relação com níveis de ansiedade e depressão

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Academic year: 2017

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Escola de Medicina

Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gerontologia

O AUTOCONCEITO DE IDOSOS E SUA RELAÇÃO

COM NÍVEIS DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO

Autora: Lenice Maria Oliveira de Carvalho

Orientadora: Profa. Dra. Carmen Jansen de Cárdenas

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LENICE MARIA OLIVEIRA DE CARVALHO

O AUTOCONCEITO DE IDOSOS E SUA RELAÇÃO COM NÍVEIS DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília, como requisitoparcial para a obtenção do Título de Mestre em Gerontologia.

Orientadora: Profa. Dra. Carmen Jansen de Cárdenas

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7,5cm

Ficha elaborada pela Biblioteca Pós-Graduação da UCB

C331a Carvalho, Lenice Maria Oliveira de.

O autoconceito de idosos e sua relação com níveis de ansiedade e depressão. / Lenice Maria Oliveira de Carvalho – 2015.

75 f.; il.: 30 cm

Dissertação (Mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2015. Orientação: Profa. Dra. Carmen Jansen de Cárdenas

1. Gerontologia. 2. Idosos. 3. Autoconceito. 4. Depressão. 5. Ansiedade. I. Cárdenas,Carmen Jansen de, orient. II. Título.

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AGRADECIMENTOS

A Deus por me guiar e iluminar em todos os meus caminhos.

A minha família, meus irmãos Luiz e Lena, em especial a minha mãe e ao meu pai,

Leni e Livio, e a minha filha, Tayná, pelo amor e apoio incondicional em todos os momentos. Aos idosos que possibilitaram esta pesquisa.

A todos os professores do curso, em especial a Profa Carmem e a Profa Gislane pela paciência e orientação para a conclusão deste trabalho.

A todos os meus amigos de curso e “as poderosas” por partilharem alegrias e tristezas, em especial a Leila, Débora, Angela e Mercia pelo apoio, carinho e atenção.

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How old would you be if you didn’t know how old you are?

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RESUMO

CARVALHO, Lenice Maria Oliveira de; CÁRDENAS, Carmen Jansen de. O autoconceito de idosos e sua relação com níveis de ansiedade e depressão – Brasil. 66 págs. (Programa de Pós-Graduação Strictu Sensu Mestrado em Gerontologia, Universidade Católica de Brasília, 2015).

O autoconceito é um construto multidimensional e se refere a percepção que o sujeito tem de si mesmo. Esta percepção, se positiva ou negativa, pode afetar de maneira significativa outras dimensões psicológicas. O objetivo deste estudo foi avaliar o autoconceito em idosos atendidos no Sistema Único de Saúde do Distrito Federal e investigar as possíveis relações deste com níveis de ansiedade e depressão. Trata-se de uma pesquisa com características quantitativas, transversal do tipo descritiva. Para tanto, a amostra foi constituída por 81 idosos, sua maioria mulheres (72,8%), casados (42%), com média de idade igual a 68,38 ±6,8. O autoconceito foi avaliado por meio do Instrumento de Vaz Serra (1986), a Depressão pela Escala de Depressão de Beck (1979) e a ansiedade pela Escala de Ansiedade de Beck (1993).Os resultados demonstraram que em relação ao autoconceito, não houve diferença significativa entre homens (70,00 ±8,77) e mulheres (71,56±11,07), sendo o p= 0, 55. A pontuação no Inventário Clinico de Vaz Serra revela um nível elevado de autoconceito dos idosos desta amostra. Os fatores do autoconceito: aceitação/rejeição social, autoeficácia e impulsividade/atividade possuem correlação negativa com depressão e os fatores aceitação/rejeição social, autoeficácia e o autoconceito geral possuem correlação negativa com ansiedade. Os resultados evidenciaram relação estatisticamente significativa entre fatores do autoconceito e os níveis de ansiedade e depressão nos idosos.

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ABSTRACT

The self-concept is a multidimensional construct and refers to the perception that the person has of itself. This perception, whether positive or negative, can significantly affect other psychological dimensions. The objective of this study was to evaluate the self in elderly patients in the Unified Health System of the Federal District and to investigate possible connections of this with levels of anxiety and depression. This is a survey of quantitative characteristics, cross descriptive. Therefore, the sample consisted of 81 elderly, women majority (72.8%), married (42%), mean age: 68.38 ± 6.8. The self-concept was assessed by Vaz Serra Instrument (1986), the Beck Depression by Depression Scale (1979) and anxiety by Beck Anxiety Scale (1993) .The results showed that In relation to self, no significant difference between men (70.00 ± 8.77) and women (71.56 ± 11.07), with p = 0, 55. The score in Clinical Inventory Vaz Serra reveals a high level of self-concept of the elderly in this sample. The self-concept factors: acceptance / social rejection, self-efficacy and impulsivity / activity have a negative correlation with depression and the factors acceptance / social rejection, self-efficacy and general self-concept have negative correlation with anxiety. The results indicated a significant association between self-concept factors and levels of anxiety and depression in the elderly.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 11

2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 14

2.1 O ENVELHECIMENTO ... 14

2.1.1 Envelhecimento e Depressão ... 15

2.2 DA MELANCOLIA À DEPRESSÃO: UMA BREVE HISTÓRIA ... 17

2.3 AVALIAÇÃO DA DEPRESSÃO EM IDOSOS ... 20

2.4 ANSIEDADE ... 23

2.4.1 Envelhecimento e ansiedade ... 25

2.5 AUTOCONCEITO ... 27

2.5.1 Autoconceito e envelhecimento ... 31

3 OBJETIVOS ... 34

3.1 OBJETIVO GERAL ... 34

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 34

4 HIPÓTESE ... 34

MATERIAIS E MÉTODO ... 39

5 CONCLUSÃO ... 50

REFERÊNCIAS ... 52

APÊNDICE A ... 61

APENDICE B... 63

ANEXO A ... 65

ANEXO B ... 66

ANEXO C ... 68

ANEXO D ... 69

ANEXO E ... 73

ANEXO F ... 74

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1 INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas o Brasil tem se deparado com uma combinação entre o declínio da fecundidade e a diminuição da mortalidade, o que influenciou e influencia significativamente no crescimento da população idosa (ALVES et al., 2007). Dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012) demonstram que número de idosos saltou de 7,3 milhões em 1980 para 14,5 milhões em 2000 e no ultimo senso o numero de idosos chega a 22,9 milhões (11,34% da população). De acordo com os dados da Coordenação de Planejamento Do Distrito Federal - CODEPLAN (2012) a população de idosos do Distrito Federal chega a 200 mil pessoas contabilizadas em todas as regiões administrativas.

Não só em número populacional os idosos têm apresentado alterações, mas observa-se também um aumento na expectativa de vida destes. Idades médias de 70 anos e 182 dias eram observadas em 2000. Atualmente, esta média é de 74,6 anos de idade, com diferenças entre homens e mulheres que variam de 71 anos para os homens e 78,3 anos para as mulheres.

Apesar do crescimento acelerado e do aumento na expectativa de vida desta população, Costa e Ciosak (2010) afirmam que a desinformação sobre a saúde do idoso ainda é grande e precisa ser melhorada, já que se trata de uma fase de vida em que alguns processos de perdas, sejam físicas, sociais ou psicológicas se tornam mais freqüentes (CHAIMOWICZ, 1998).

O processo de envelhecer deve ser compreendido em toda sua amplitude e totalidade como um fenômeno universal, o qual pode variar de indivíduo para indivíduo, sendo mais gradativo para uns e mais rápido para outros. Fatores dependentes relacionados ao gênero, estilo de vida, condições socioeconômicas, doenças crônicas, dentre outros, são determinantes nesta faixa etária (CAETANO, 2006; FIGUEIREDO, 2007). Cabe ressaltar que o inverso também ocorre já que o estado de saúde e doença depende muito da forma como cada um percebe seu processo de envelhecer. Desta maneira, falar de envelhecimento é abrir o leque de interpretações que se entrelaçam ao cotidiano e as diferentes perspectivas pessoais e culturais (FECHINI; TROMPIERE, 2012).

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envelhecer é estar em um processo de doenças. Pelo contrário, o idoso deve vivenciar esta etapa do desenvolvimento com características e valores próprios, os quais possibilitam novas intercorrências, tanto na sua estrutura orgânica, como nos aspectos profissionais, nas relações familiares e, consequentemente, em suas redes sociais (OPAS, 1993). Esse processo de mudanças pode exigir, por parte do idoso, um esforço para adaptar-se às novas situações. No caso de não haver esta adaptação ao novo ciclo vital, os resultados podem conduzir ao aparecimento de perturbações comportamentais reativas que surgem com intensidade, como por exemplo, a depressão (FIGUEIREDO, 2007).

Para Santos (2008), situações como a diminuição da capacidade funcional, a dependência de terceiros, a aposentadoria, a perda de entes queridos, as dificuldades socioeconômicas, o uso de medicamentos podem influenciar consideravelmente a probabilidade da depressão se desenvolver nesta fase da vida. Entretanto, ressalta o autor, a presença de fatores de risco não significa que todos os idosos desenvolverão a depressão, pois esses fatores se correlacionam com a predisposição e com a história de vida de cada indivíduo.

As teorias que defendem ser a depressão no idoso distinta da depressão em outras faixas etárias apoiam-se entre outros aspectos, nas diferenças sintomatológicas apresentadas em cada caso. Um estudo de Cohen e Eisdorfer (2007) demonstra que os idosos apresentam, na sua maioria, depressões atípicas, não se encaixando com isso nos padrões das classificações existentes no CID 10 e DSM IV. Na opinião desses autores, as depressões atípicas podem ser caracterizadas pela falta de episódios de tristeza claramente distintos, mostrando-se o doente apático, com queixas subjetivas de comportamento cognitivo (eventos privados percebidos somente por eles) ansiedade proeminentes, somatização e excesso de preocupação com a saúde e o corpo.

A ocorrência de depressão pode estar ligada as limitações naturais do indivíduo inserido em um contexto que não favorece o seu desenvolvimento para estratégias de enfrentamento às dificuldades ao longo da vida. A essas limitações podem ser acrescidas aquelas colocadas pela sociedade, fruto de preconceitos e estereótipos sociais, o que os tornam ainda mais vulneráveis (CAMARANO, 1999).

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como um período negativo. Apesar dos avanços das pesquisas em relação ao envelhecimento bem-sucedido, observa-se o início de um movimento no sentido de se construir uma visão mais positiva em relação aos idosos e a velhice, mas infelizmente há ainda o predomínio da visão negativa em todos os grupos etários, inclusive entre os próprios idosos (RON, 2007).

Por conseqüência, estes fatores interferem no conceito que essa pessoa terá de si mesma – o autoconceito (OKUMA, 1999). Para Rocha (2007), as funções do autoconceito são essencialmente criar a identidade no processamento da informação, regulação emocional, além da adaptação do comportamento social que influenciam diretamente em outras variáveis psicológicas como a depressão e a ansiedade.

Para a análise de contingências que afetam o indivíduo, o autoconceito é uma parte importante na avaliação do comportamento operante e pode nos dar uma noção de como uma pessoa se vê e se descreve. Trata-se de um dos construtos mais importantes no estudo do comportamento humano, pois refere-se ao conceito que o indivíduo faz de si como um ser físico, social e espiritual ou moral (GECAS, 1982). O autoconceito como um dos componentes básicos da autoestima faz parte da nossa personalidade. Rocha (2007) infere que tanto o autoconceito como a autoestima são fundamentais na nossa vida, porque estão relacionados ao nosso sucesso e ao bem estar.

Para Mello e Teixeira (2011) a sociedade contemporânea valoriza muito o consumo e a produção, o que pode afetar a percepção que a pessoa tem de si, caso esta não produza resultados condizentes com o que é valorizado por esta sociedade. Como resultado dessa desvalorização, o autoconceito tende-se a tornar-se negativo, indicando um sentimento de impotência perante sua nova situação. Ainda de acordo com os autores, o autoconceito quando baixo, aliado a outros fatores, podem levar o idoso a evoluir para um quadro mais grave de ansiedade e depressão.

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 O ENVELHECIMENTO

O envelhecimento é um fenômeno multidimensional, resultante de vários mecanismos como disfunção do sistema imunológico, programação genética, lesões celulares, controle da atividade genética e é descrito como um processo inelutável, determinado por um conjunto completo de fatores fisiológicos, psicológicos e sociais de cada indivíduo (BERGER; MAILLOUX – POIRIER (1995). Embora seja um processo natural e comum a todas as pessoas - decorrente do ciclo de vida biológico constituído pelo nascimento, crescimento e morte - este processo é vivenciado de forma variável de acordo com o contexto social em que cada pessoa está inserida (MONIZ, 2003).

O envelhecimento fisiológico compreende uma série de alterações nas funções orgânicas relacionados aos efeitos da idade avançada sobre o organismo, as quais dificultam a capacidade de manutenção do equilíbrio homeostático e resultam no declínio gradual destas funções (BOLANDER, 1998). A principal característica deste declínio é a diminuição progressiva da reserva funcional do indivíduo, ou seja, quando um organismo envelhece em condições normais, este pode se adaptar adequadamente ao meio, porém quando submetido a situações de estresse físico, emocional, dentre outros, pode apresentar dificuldades em manter seu equilíbrio e, desta forma, manifestar a sobrecarga funcional por meio de processos patológicos (FIRMINO, 2006).

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em diferentes sociedades (WEINECK; 1991). E a idade social seria então para Papaleo Netto (2002) a capacidade que um indivíduo tem de se adequar a certos papéis e comportamentos referentes a um dado contexto histórico da sociedade.

Já o envelhecimento psicológico pode estar relacionado a fatores como desempenho, maturação mental além da soma de experiências vividas (WEINECK, 1991). Pode-se obter a idade psicológica de um indivíduo fazendo-se a relação entre a idade cronológica e as capacidades de memória, aprendizagem e percepção. Este tipo de idade relaciona o senso de subjetividade da idade de um sujeito em comparação com outros indivíduos, tendo como parâmetro a presença de marcadores biológicos, sociais e psicológicos do envelhecimento (PAPALEO NETTO, 2002).

Fechine e Trompiere (2012) afirmam que se a pessoa for capaz de manter seus papéis sociais, seus hábitos, sua motivação, esta será capaz de retardar estes processos deletérios. Isto porque características individuais, ou seja, traços de personalidade influenciam, tanto positivamente como negativamente, no enfrentamento deste processo biopsicossocial. Estudos de diversos autores mostram que quase todos os traços poderiam ser entendidos em termos de cinco fatores designados de neuroticismo, extroversão, abertura à experiência, amabilidade e conscienciosidade (COSTA; YANG; MCCRAE, 1998), e cada um desses traços poderia ser definido por outros, mais específicos e restritos, que possibilitariam uma descrição mais detalhada da personalidade do indivíduo. McCrae et al. (1999) Srivastava, John, Gosling, e Potter (2003) afirmam que traços como extroversão, sociabilidade e vigor, assim como neuroticismo e consequentemente rigidez, impulsividade, medo, raiva, fazem com que estes indivíduos apresentem-se mais ou menos motivados, e também mais ou menos ansiosos (PETTI, 1999), mais ou menos depressivos (PENN; COLS., 1999; PETTI, 1999), e/ou com melhores ou piores estratégias de enfrentamento do envelhecimento (ARGYLE; LU, 1990).

Desta forma, segundo Fonseca (2010) o impacto do processo em si, está condicionado, de forma preponderante, às trajetórias do desenvolvimento percorridas pelo indivíduo durante a vida. Deve-se, por isso, considerar o contexto em que se deu essa trajetória e as circunstâncias ambientais e sociais para que se possa aprofundar o conhecimento dessa fase do desenvolvimento humano.

2.1.1 Envelhecimento e Depressão

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vertiginosamente (BIRD; PARSLOW, 2002). O impacto negativo da depressão não está só no sentimento, mas em todos os aspectos da vida e, por isso, possui grande relevância na Saúde Pública. Apesar de ser considerada como um problema de saúde importante que atinge pessoas de todas as idades, conduzindo a sentimento de tristeza e isolamento social, a depressão é o problema de saúde mental mais comum na terceira idade (MARTINS, 2008). Segundo Frank e Rodrigues (2006) a maior prevalência está entre os idosos mais jovens, do sexo feminino, com ausência de companheiro e com pouca escolaridade.

Os estudos de Tourigny-Rivard et al. (2006) demonstram que a depressão em idosos está associada ao declínio das atividades diárias, a aposentadoria, ao estresse no círculo familiar, fatores estes que têm ocasionado um risco maior de morte por suicídio (TOURIGNY-RIVARD et al, 2006). Todavia, ainda é corriqueira a atribuição errônea dos sintomas depressivos ao processo de envelhecimento normal, tanto por parte da família como de profissionais da saúde e do próprio idoso, o que tem dificultado a sua correta detecção e tratamento (FRANK, 2006).

Parece não haver consenso na literatura sobre os índices de prevalência da depressão em idosos (FORLENZA, 1997): diferentes autores sugerem valores de 1 a 10% de idosos que vivem na comunidade (BLAZER, 2003) e 10 a 30% entre aqueles que vivem institucionalizados (SCHRAMM et al, 2004). Segundo Oliveira (2000), a ocorrência da depressão em idosos pode atingir 50% desta população podendo trazer consequências sérias, como a perda da autoestima, que impossibilita o idoso de satisfazer suas necessidades ou impulsos ou mesmo de se defender contra qualquer ameaça a sua segurança.

Em analogia ao surgimento repentino da depressão no indivíduo, Widlocher (2001) em seu livro intitulado “As Lógicas da Depressão” destaca que afirmar ser uma depressão endógena, é como dizer que seu aparecimento é unicamente produzido por um estado interior e que essa condição nada tem a ver com as circunstâncias e acontecimentos da vida do indivíduo.

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Nenhuma teoria explica satisfatoriamente a etiologia da depressão no idoso. Alterações no sistema nervoso central (diminuição do número de neurônios e neurotransmissores) e uma maior suscetibilidade biológica são possíveis explicações, além do fato de o idoso estar inserido obrigatoriamente a mais estressores psicológicos e sociais do que qualquer outra faixa etária. Além disso, a diminuição gradativa da sua capacidade física e mental restringe sua capacidade de interagir com o ambiente, reforçando o isolamento. A distinção entre fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais é importante, mas a depressão no idoso parece ser o produto heterogêneo da interação entre diversos fatores predisponentes e desencadeantes em proporções variáveis (FORLENZA, 1997).

Portanto, dados empíricos sugerem que esse modelo de interações recíprocas seja o ideal, sendo legítimo pensar que as interações entre o estado do cérebro e os acontecimentos psicossociais constituem uma via de mão dupla (BALLONE, 2002). Tal modelo nos convida tanto a pensarmos no estado depressivo como uma resposta a inquietações de ordem social e psicológica, que provocam como resposta a ativação de um sistema neurofisiológico, como a questionarmos sobre a natureza psicológica dessa resposta, ou seja, quais acontecimentos sociais, comportamentais e mentais correspondem a tais acontecimentos fisiológicos ou neuroquímicos. A investigação unicamente biológica não pode explicar tudo (BALLONE, 2002).

2.2 DA MELANCOLIA À DEPRESSÃO: UMA BREVE HISTÓRIA

O termo melancolia (melan, negro, e cholis, bílis) já era conhecido por Hipócrates no fim do século V a.C. Denominado simbolicamente como pai da medicina, Hipócrates representou toda uma escola que mudou o foco da discussão centrada no sobrenatural e passou a lidar com a doença em termos científicos (CORDÁS, 2002).

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Os tipos seriam coléricos, fleugmáticos, sanguíneos e melancólicos, respectivamente (CORDÁS, 2002).

A escolha desses quatro humores tem estreita correspondência com o pensamento filosófico pré-socrático, que buscava a origem do universo na combinação dos quatro elementos; terra, ar, água e fogo. Essa teoria era chamada de teoria dos quatro elementos. Assim, tudo parecia fazer sentido, já que igualmente quatro eram os sentidos, quatro as estações do ano e quatro eram os principais órgãos conhecidos – baço, fígado, cérebro e coração (CORDÁS, 2002). A bílis negra, por exemplo, representava o outono e, como a terra, era fria e seca tornando-a hostil à vida e podendo ocasionar a melancolia, uma doença resultante do seu acúmulo no baço (SCLIAR, 2003).

Segundo Straub (2005) a teoria de Hipócrates foi a primeira explicação racional para o fato das pessoas adoecerem. Nela, um corpo e uma mente saudáveis resultavam do equilíbrio entre esses quatro fluidos. Para manutenção desse equilíbrio o indivíduo deveria seguir um estilo de vida saudável, incluindo exercícios, descanso suficiente, boa dieta e evitar excessos. Por sua vez, o desequilíbrio dos humores resultaria em corpo e mente afetado de maneiras previsíveis, dependendo de qual dos quatro humores estivesse em excesso. O excesso de sangue,contribuiria para uma personalidade sanguínea que seria otimista e alegre. Embora uma personalidade alegre possa ser desejável, Hipócrates acreditava no contrário: sangue demais aumentava a suscetibilidade da pessoa à epilepsia, angina, disenteria e artrite. O tratamento para excesso de sangue consistia na abertura de uma veia para remover o sangue, conhecida como flebotomia, acompanhada de banhos frios e enemas (SCLIAR, 2003).

Straub (2005) descreve que eram aplicados diferentes tratamentos para cada um dos tipos de desequilíbrio. Assim, em uma pessoa melancólica ─ que possuía bile negra demais, e por isso uma disposição triste, sorumbática e sombria, daí o termo melancolia ─ se esperava que essa condição contribuísse para a ocorrência de úlceras e hepatite, que poderiam ser tratadas com uma dieta especial, banhos quentes, eméticos (drogas que induzem o vômito) e queima de tecido corporal com um ferro quente (cauterização).

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O humor melancólico é tão acre que ele altera sensivelmente todas as substâncias que ele toca; ele fermenta rapidamente, corrói os tecidos vivos, tem um sabor azedo e um odor muito forte... Sob a longa influência de sua ação deletéria, o sono se perde, as noites se tornam agitadas, os sonhos ficam arrepiantes, o caráter fica sombrio, a inteligência se perturba (PESSOTI, 1994, p.47).

Com o tempo a teoria do estado químico dos humores foi descartada, porém, Straub (2005) enfatiza que mesmo com os avanços em anatomia, fisiologia e microbiologia, a noção sobre os traços da personalidade estarem ligados aos fluidos corporais persiste na medicina popular e alternativa de muitas culturas. Além disso, o autor afirma que como se sabe atualmente, muitas doenças envolvem um desequilíbrio dos neurotransmissores do cérebro, e isso mostra que Hipócrates não estava tão errado.

A definição do quadro clínico da melancolia por Hipócrates é clássica, “aversão à comida, falta de ânimo, insônia, irritabilidade e inquietação” (STRAUB, 2005). Em seguida, sobre essa “personalidade melancólica”, Cordás (2002), descreve que Aristóteles colocava a afirmação: Todos aqueles que se tornaram eminentes filósofos, políticos, poetas ou artistas aparecem sendo melancólicos, a ponto de serem tomados pelas enfermidades oriundas da bílis negra. Segundo Aristóteles, existe um tipo de melancolia natural, que devido a ação da bílis negra tornaria seu portador genial. A melancolia é colocada como condição de genialidade, responsável por capacidades distintivas. Assim, a criação e a melancolia ficam associadas: o homem triste é também um homem profundo (GINZBURG, 2001; PERES, 1996; SCLIAR, 2003).

As habilidades de homens “excepcionais” e ilustres como Empédocles, Platão, Sócrates entre outros eram atribuídas ao “temperamento melancólico” e, portanto, longe de ser uma doença, um mal a ser sanado pela medicina, era um sinal de superioridade intelectual. E assim foi concebido e perdurou até o início do século XIX, como um diferencial, não só intelectual, como também de refinamento e status social (JACKSON, 1986). Essa concepção difere da de Hipócrates e as duas, hipocrática e aristotélica, marcaram o pensamento ocidental moderno sobre a melancolia, de modo que as reflexões sobre o tema estão ligadas as duas bases antigas (GINZBURG, 2001; PERES, 1996; SCLIAR, 2003).

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que o termo depressão tenha suplantado a milenar melancolia em função da aparente impressão fisiológica e metafórica de queda das funções que sugeria.

Em 1915, Freud escreve o artigo “luto e melancolia” em duas versões, dando início à primeira tentativa psicológica de entendimento causal e de tratamento psicoterápico da depressão. Freud discute as semelhanças entre o estado normal de luto e a melancolia, ambos apresentando em comum uma perda de interesse pelo mundo externo, e as dessemelhanças, já que no luto a perda do objeto é real e na melancolia o objeto não desapareceu, mas foi “perdido enquanto objeto de amor” (FREUD, 1917)

É importante destacar a abertura do texto que demonstra o quanto Freud (1974, p. 11) estava à frente de muitos dos seus seguidores: “A melancolia, cuja definição conceitual é oscilante, mesmo na psiquiatria descritiva, apresenta-se sob várias formas clínicas, cuja síntese em uma unidade não parece assegurada, e dentre estas algumas sugerem afecções mais somáticas que psicógenas”.

Nas atuais classificações (como o DSM IV) o termo melancolia tem sido empregado para designar o subtipo anteriormente chamado de “endógeno”, “vital”, “biológico”, “somático” ou “endogenomorfo” de depressão (PARKER; COLS, 1994).

2.3 AVALIAÇÃO DA DEPRESSÃO EM IDOSOS

Para a avaliação da depressão em idosos é necessária uma busca ativa para o diagnóstico, pela possibilidade de atribuição errônea da origem ao processo e das morbidades pré-existentes. É importante durante a fase de diagnóstico, descartar outras doenças como Alzheimer e demência que podem coexistir e mascarar ou confundir a presença da depressão (FRANK; RODRIGUES, 2006).

Uma pessoa deprimida pode manifestar mudanças cognitivas e comportamentais características dessa desordem emocional como falta de motivação ou vontade, desinteresse geral, fraqueza, dificuldade de convívio social com amigos, colegas e familiares (ZIMERMAN, 2000). No idoso, humor deprimido ou tristeza não são suficientes para o diagnóstico das síndromes depressivas, precisa-se de uma avaliação mais detalhada, isto porque as próprias perdas do processo de envelhecimento tendem a mascarar este diagnóstico (BALLOONE, 2002).

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valores e características para a consideração desta doença em idosos. Segundo o Manual Estatístico Diagnóstico da Associação Norte-americana de Psiquiatria (DSM IV – TR) os transtornos do humor estão classificados em dois grandes grupos, os Transtornos Depressivos e os Transtornos Bipolares. Já no DSM – V (2014) foram separados os transtornos de humor e os agora chamados transtornos Depressivos incluem transtorno disruptivo da desregulação do humor, transtorno depressivo maior, Transtorno depressivo persistente (distimia), Transtorno disfórico pré-menstrual, Transtorno depressivo induzido por substancia/ medicamento, transtorno depressivo devido a outra condição médica, outro transtorno depressivo especificado e transtorno depressivo não especificado. Voltaremos nosso foco para os Transtornos Depressivos que incluem o Transtorno Depressivo Maior, o Transtorno Distímico e o Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação, pois segundo alguns estudos como o de Beckman (1999) e o de Barcelos – Ferreira e colaboradores (2009), que avaliou uma amostra de 15.491 idosos houve prevalência desses quadros.

O Transtorno Depressivo Maior tem como característica essencial o humor deprimido com perda de interesse ou prazer pela maior parte das atividades por um período mínimo de duas semanas. Esses sintomas devem vir acompanhados de quatro sintomas adicionais tais como: alterações no apetite ou peso, onde o apetite geralmente está reduzido sendo que muitos indivíduos sentem vontade de se forçar a comer; o sono e atividade psicomotora alterada, sendo que num Episódio Depressivo Maior a perturbação do sono mais comum é a insônia, mas alguns indivíduos podem apresentar sonolência excessiva e nas alterações psicomotoras estão a agitação ou retardo psicomotor; a diminuição da energia onde o cansaço e a fadiga são comuns e persistentes mesmo sem nenhum esforço físico; sentimentos de desvalia ou culpa com interpretação negativa e irrealista de eventos triviais ou neutros do cotidiano; dificuldades para pensar, concentrar-se ou tomar decisões e pensamentos recorrentes sobre a morte, ideação suicida, planos ou tentativas de suicídio (DSM-IV, 1995).

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inadequação, de não ser desejável, ou de ser diferente das outras pessoas está sempre presente nesses pacientes (BARLOW, 1999).

Um fator preponderante na etiologia da depressão segundo Sapolsky (2007) parece ser a junção de estressores aliados a falta de apoio social. Se as interpretações das interações sociais, que circundam o indivíduo, forem vistas de uma forma distorcida, como um sinal de rejeição, o indivíduo responderá a esse evento como se realmente tivesse sido rejeitado. Mediante este cenário, pode haver um aumento da probabilidade desse indivíduo, se tornar socialmente mais isolado, o que pode corroborar com sua percepção inicial e culminar em um maior risco de ocorrência de um círculo vicioso.

Para Sapolsky (2207) o organismo dos depressivos parece funcionar de uma forma diferente (SAPOLSKY, 2007). Esse mesmo autor define o transtorno distímico como uma depressão crônica, que se caracteriza por alguns sintomas depressivos de baixa intensidade. Segundo o DSM – V (2014) os sintomas são humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias, indicado por relato subjetivo ou por observação feita por outras pessoas, pelo período mínimo de dois anos; presença enquanto deprimido de duas ou mais das seguintes características: apetite diminuído ou alimentação em excesso, insônia ou hipersonia, baixa energia ou fadiga, baixa autoestima, concentração pobre ou dificuldade em tomar decisões, sentimentos de desesperanca, além de outros. Para o diagnóstico do Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação devem haver apresentações de humor deprimido com prejuízo clinicamente significativo, mas que não satisfazem os critérios de duração ou gravidade do transtorno depressivo maior e/ou do transtorno depressivo persistente (DSM-IV, 1995).

Identificadas algumas características dos critérios diagnósticos podemos verificar alguns outros aspectos da doença quando atrelada ao idoso e ao envelhecimento. Não há mudança na atenção e o nível de consciência permanece inalterado se não houver outra doença concomitante. O humor pode variar de deprimido a ansioso e o inicio assim como o declínio é rápido, apresentando-se em semanas ou meses; o pensamento como característico é negativo e embotado e a queixa de memória maior do que a realidade, mas não há alteração na percepção. O humor irritadiço (sintoma que também é encontrado em crianças e adolescentes com mesmo diagnoóstico); a alteração do sono na maior parte das vezes é insônia com despertar frequente e piora pela manhã e a atividade psicomotora se mostra diminuída (MCGUE; CHRISTENSEN, 2002).

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freqüentemente utilizados para o rastreamento de depressão em idosos que pode ser utilizada por qualquer profissional de atenção básica, entrevistadores leigos ou mesmo ser autoaplicável. Essa escala se apresenta nos formatos de 30 e 15 questões e está validada para o português (ALMEIDA, 1999). A escala HAD Hospital Anxiety and Depression Scale -contém 14 questões do tipo múltipla escolha. Compõe-se de duas subescalas, para ansiedade e depressão, com sete itens cada. A pontuação global em cada subescala vai de 0 a 21 avalia ansiedade e depressão sem recorrer a itens contendo sintomas vegetativos. Por essa razão, tem sido amplamente utilizada para avaliar transtornos do humor em pacientes com doenças físicas (ZIGMANG; SNAITH, 1983). A Escala de Depressão para Idosos (EDI), capaz de avaliar níveis de depressão na população idosa, sendo que na sua validação a grande maioria era representada por indivíduos com baixo nível de escolaridade (GIAVONI et al, 2008).

Para essa pesquisa foi escolhido O Inventário de Depressão de Beck ("Beck Depression Inventory"; BECK et al., 1961; BDI) é provavelmente a medida de auto-avaliação de depressão mais amplamente usada tanto em pesquisa como em clínica (e.g. Dunn et al., 1993), que foi traduzido para vários idiomas e validado em diferentes países.

A escala original consiste de 21 itens, incluindo sintomas e atitudes, cuja intensidade varia de 0 a 3. Os itens referem-se a tristeza, pessimismo, sensação de fracasso, falta de satisfação, sensação de culpa, sensação de punição, autodepreciação, auto-acusações, idéias suicidas, crises de choro, irritabilidade, retração social, indecisão, distorção da imagem corporal, inibição para o trabalho, distúrbio do sono, fadiga, perda de apetite, perda de peso, preocupação somática, diminuição de libido.

As validades concorrentes do BDI em relação a outras avaliações clínicas de depressão, tais como as escalas de Hamilton (Hamilton, 1960) e de Zung (Zung, 1965), são altas para pacientes psiquiátricos (0,72 e 0,76, respectivamente) (BECK et al., 1988).

2.4 ANSIEDADE

Para Ballone (2002) a capacidade de perceber e conhecer o mundo proporciona nossa percepção pessoal da realidade. Essa percepção pessoal que é única em cada individuo se chama procepção. A principal conclusão é que a realidade será sempre representada no íntimo de cada um de acordo com os filtros de cada um, quer dizer, de acordo com a procepção que cada um tem do que viveu e vive.

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que diz respeito a estados internos do falante quanto a processos no ambiente e comportamentais que produzem esses estados internos. Muitos eventos descritos como agradáveis também podem desencadear um sentimento de ansiedade, principalmente quando envolvem espera. Mas é sobretudo quando a ansiedade se refere a relação do indivíduo com o meio que ela adquire o status de problema e muitas vezes de queixa clínica.

A ansiedade tem sido definida como um estado emocional desagradável acompanhado de desconforto somático, que guarda relação com outra emoção – o medo. Esse estado é geralmente relacionado com o futuro e as vezes considerado desproporcional a uma ameaça real (GENTIL, 1997). O desconforto presente na ansiedade costuma ser descrito pelo senso comum por meio de sensações físicas tais como frio na barriga, coração apertado, nó na garganta, mãos suadas e é, além disso, sentido como paralisante. Elementos comuns nas definições do conceito “ansiedade” apontam para um estado que envolve excitação biológica ou manifestações autonômicas e musculares (taquicardia, respostas galvânicas na pele, hiperventilação, sensações de afogamento ou sufocamento, sudorese, dores e tremores) redução na eficiência comportamental (decréscimo em habilidades sociais, dificuldade de concentração), respostas de esquiva ou fuga o que sugere expectativa ou controle por eventos futuros além de relatos verbais de estados internos desagradáveis ( angustia, apreensão, medo, insegurança, mal-estar indefinido) (GENTIL,1998; KANFER; PHILLIPS, 1970).

Assim sendo, a maioria dos estímulos capazes de produzir ansiedade, estresse e esgotamento não podem ser detectados exclusivamente no mundo a nossa volta. Eles estão sim, na maioria das vezes, no nosso organismo. São estímulos internos que tornam constante e patológica a ansiedade humana (BALLONE, 2002).

O construto “ansiedade”, de acordo com essas perspectivas, necessariamente envolve o anúncio de que algum evento aversivo vai ocorrer. Em outras palavras, sua definição implica um futuro carregado de aversividade. No entanto, para uma análise científica, a explicação do comportamento por eventos futuros é bastante imprecisa (SKINNER, 1953). Podemos estar ansiosos devido ao medo de sermos assaltados, agredidos, adoecidos, criticados, embora essas possibilidades nao sejam racionalmemte e objetvamente tão prováveis, mas enquanto ouver apenas o medo sem nenhum indicio objetivo disso, a ameaca é eminentemente interna e subjetiva (BALLONE, 2002).

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ocuparem um tempo considerável do dia. Esses casos são tratados pela literatura médica e psicológica como Transtornos de Ansiedade.

Em termos de diagnostico, o DSM- IV (Manual de Diagnostico e Estatística dos Transtornos Mentais) aborda os transtornos de ansiedade dividindo-os em Transtorno de Pânico Sem Agorafobia, Transtorno de Pânico Com Agorafobia, Agorafobia Sem Histórico de Transtorno de Pânico, Fobia Específica, Fobia Social, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Transtorno de Estresse Agudo, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno de Ansiedade Devido a um Condição Médica Geral, Transtorno de Ansiedade Induzido Por Substância e Transtorno de Ansiedade Sem outra Especificação (DSM – IV – TR).

No DSM V os transtornos de ansiedade incluem transtornos que compartilham características de medo e ansiedade excessivos e perturbações comportamentais relacionadas. Descrevem medo como uma resposta emocional a ameaça iminente real ou percebida, enquanto ansiedade é descrita como a antecipação de ameaça futura. Nele foram incluídos transtornos como Transtorno de Ansiedade de Separação, Mutismo Seletivo, Outro Transtorno de Ansiedade Especificado, além de pequenas mudanças na nomenclatura dos transtornos preexistentes ( DSM – V).

Enquanto nos animais os estímulos que provocam reações de medo e ansiedade aparecem periodicamente, no ser humano esses estímulos internos e subjetivos podem ser continuados e estarem presentes a todo momento. Essa continuidade produz insegurança e pessimismo e faz com que o individuo veja a realidade como ameaçadora, o que compromete a auto-estima, tornando-o inseguro por sempre se sentir ameaçado com qualquer coisa (BALLONE, 2002).

Essa falência adaptativa, poderá aparecer sob a forma de depressão típica, com todo quadro sentimental e emocional ou, dependendo da personalidade de cada um, sob as várias formas de ansiedade, como síndrome do pânico, quadros fóbicos, transtornos somatomorfos ou ansiedade generalizada (BALLONE, 2002).

2.4.1 Envelhecimento e ansiedade

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cada ano. Existem poucos estudos sobre a prevalência de transtorno de ansiedade para populações acima de 65 anos. Schneider (1996) buscando na literatura estudos de prevalência de ansiedade baseados em populações de idosos residentes em uma comunidade, identificou apenas três estudos. Neles, a taxa de prevalência entre idosos variava consideravelmente. A prevalência estimada de TAG foi de 10,6%, cuja presença estava associada a uma maior ocorrência de depressão clinicamente diagnosticável, com um significativo maior numero de sintomars depressivos, quando medidos pela escala de depressão geriátrica. Já Copeland et al. (1987) encontraram em Londres e Nova York as prevalências de TAG entre idosos de 1,1% e de 0,7%, respectivamente. Estudando uma amostra de 890 sujeitos acima de 65 anos, Lindesay et al. (1989) encontraram a prevalência de TAG de 3,7% entre os idosos entrevistados.

Avaliar quais os motivos que levam o idoso a procurar o serviço médico foi o foco do estudo de Almeida (1999). Os dados levantados sugerem que o transtorno do humor foi o problema psiquiátrico mais freqüente, sendo muito comum entre as mulheres. Também foram encontrados diagnósticos de síndrome demencial, transtornos ansiosos, esquizofreniformes, alcoolismo e abuso de sedativos. Contudo, Gazalle, Hallal e Lima (2004) apontam que problemas psicológicos tais como ansiedade, depressão em idosos são pouco investigados pelos médicos ou outros profissionais no contexto clínico, embora sejam comuns como queixas clínicas.

No caso da ansiedade, são freqüentes sintomas como insônia, tensão, angústia, irritabilidade, dificuldade de concentração, bem como sintomas físicos como taquicardia, tontura, cefaléia, dores musculares, formigamento, suor. Para o diagnóstico de uma síndrome ansiosa é importante verificar a intensidade dos sintomas e seu impacto na vida do indivíduo (DALGALARRONDO, 2000).

A ansiedade ocorre diante de uma visão catastrófica dos eventos, anunciando que algo perigoso e ameaçador pode acontecer. Para Skinner e Vaughan (1985), a ansiedade nos idosos está relacionada às limitações vivenciadas na velhice e, na maioria das vezes, interpretadas como ameaçadoras. As pessoas com altos níveis de ansiedade apresentam uma tendência de antecipar sua inabilidade e questionar suas habilidades intelectuais. Essas percepções negativas interferem na atenção seletiva, na codificação de informações na memória, bloqueando a compreensão e o raciocínio (COES, 1991), o que nessa fase da vida poderia ser a diferença entre uma saúde mental boa ou comprometida.

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ansiedade generalizada. Os elevados índices de ansiedade estavam associados com sintomas depressivos, transtorno depressivo maior e depressão menor. Os autores ressaltam a importância da atitude do médico diante do idoso, devendo considerar a presença de comorbidades entre ansiedade e humor depressivo.

Em um estudo epidemiológico com 18571 pessoas, Regier e cols. (1988) verificaram que 5,5% dos idosos com mais de 65 anos de idade apresentavam transtorno ansioso, excluindo os casos mais comuns de ansiedade generalizada. Esse índice aumenta para 15% quando são incluídos casos de ansiedade generalizada (KATONA; MANELA; LIVINGSTON, 1996). No estudo de Almeida (1999) com 398 idosos foi encontrada uma prevalência de 15,4% de idosos com transtorno de ansiedade.

2.5 AUTOCONCEITO

O psicólogo William James, em 1890, foi o primeiro a analisar o autoconceito, na perspectiva psicológica, sendo que suas principais contribuições foram no sentido da compreensão e estudo do self, ou seja, o autoconceito envolvendo o reconhecimento do self como uma estrutura, física, psicológica e social (ROCHA, 2007; GOLDSTEIN, 1995). Nesta perspectiva o autoconceito envolve um sistema de generalizações ou esquemas acerca do self, com base nas suas experiências e características pessoais, que envolve a associação da dimensão do processamento de informações na memória, a categorização de valores e atitudes, bem como uma estrutura multidimensional (DEMO, 1992).

O autoconceito é um produto da atividade de reflexão humana, sujeito a mudanças quando o indivíduo enfrenta novos papéis, novas situações ou transições do curso normal da vida. Portanto, tem um papel significativo na organização dos dados, das experiências de vida, e age na elaboração do conhecimento acerca de si mesmo, ao atribuir significado a informação proveniente do meio (DEMO, 1992). É um termo com vários significados e designações (autoimagem, autodescrição, autoestima, etc), muito utilizado nas Ciências Sociais, mas de difícil compreensão para a sua contextualização e interpretação, principalmente na população idosa. O conhecimento e familiarização do conceito têm sua relevância na medida em que permite compreender a relação entre o comportamento social e o desenvolvimento cognitivo, com ênfase no bem-estar do idoso (CORREIA, 2003).

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autoconceito percorreu a filosofia, com os filósofos, teólogos e outros profissionais que não estavam diretamente ligados à Psicologia. Somente por volta dos anos de 1940, que o autoconceito começa a despertar o interesse no campo da Psicologia e da Sociologia (ROCHA, 2007; ALBUQUERQUE; OLIVEIRA, 2002).

Diante da complexidade das estruturas e dimensões que o autoconceito engloba, ele pode ser entendido como sendo a percepção que a pessoa tem do seu próprio self (eu), que é elaborado por meio das experiências, valores e interpretações do meio onde está inserido (GOLDSTEIN, 1995; DEMO, 1992).

O autoconceito na perspectiva de Vaz Serra (1986, p. 57) compreende:

[...] a percepção que um indivíduo tem de si próprio nas mais variadas facetas, sejam elas de natureza social, emocional, física ou acadêmica. É um constructo integrador que leva a reconhecer a unidade, a identidade pessoal e a coerência do comportamento de um indivíduo independentemente das influências do meio. (p. 7)

Segundo Vaz Serra 1986, o autoconceito é composto por imagens acerca do que o indivíduo pensa sobre si mesmo, o que pensa que pode conseguir realizar e na crença do que os outros pensam sobre si, e por fim de como gostaria de ser. Ou seja, o autoconceito compreende todas as maneiras de como uma pessoa acredita ser em seus julgamentos, nas avaliações e tendências de comportamento.

Devido a multiplicidade de conceitos, Albuquerque e Oliveira (2002) apresentam uma definição operacional criada por Shavelson e Bolus, na qual o autoconceito é entendido como um constructo hipotético, cujo conteúdo é a percepção que o indivíduo tem sobre o seu Eu, percepção esta que é formada por intermédio das interações estabelecidas com os outros, bem como por meio das atribuições do seu próprio comportamento.

Mediante estes pressupostos, o autoconceito exerce papel fundamental na medida em que tenta compreender e explicar o comportamento, as crenças, o julgamento que a própria experiência proporciona para o indivíduo sobre si mesmo, e mais, qual a percepção do outro olhar sobre si mesmo e sobre seu comportamento.

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sociais (relações, papéis desempenhados, personalidade), e é justamente a integração de todas estas facetas que proporciona à pessoa a sua individualidade e singularidade (ROCHA, 2007).

Enfim, é por meio desta interação que há o desenvolvimento e construção do Eu, que nada mais é do que o resultado das relações pessoais que o sujeito estabelece dentro do processo de experiência e atividades sociais, na qual revela a importância das reações e opiniões dos outros na percepção que o indivíduo tem de si próprio (ROCHA, 2007; VAZ SERRA, 1986).

A construção do processo de compreender o autoconceito envolve o reconhecimento do self como um componente central no desenvolvimento do sistema cognitivo das pessoas, envolvido com as representações dos acontecimentos do passado, o que permite gerar comportamentos orientados para o futuro. O self permite que os acontecimentos tenham um sentido e consequência, sem ele o comportamento seria somente uma reação imediata sem a percepção da consequência (ROCHA, 2007).

O autoconceito, sendo uma organização interna de atitudes, é composto por três componentes (ROCHA, 2007, VAZ SERRA, 1986), que são:

• Componente Cognitivo: é um dos elementos do autoconceito mais importante e está relacionado com o aspecto perceptivo do autoconceito, denominado de autoimagem, que compreende às crenças, opiniões e julgamentos que o indivíduo tem de si mesmo (ROCHA, 2007; ALBUQUERQUE; OLIVEIRA, 2002). A autoimagem pode ser subdividida em autoimagem real, ideal e social. A primeira refere-se à imagem que a pessoa tem das suas próprias características, a ideal relaciona-se com a imagem que gostaria de ter e a imagem social é a representação que o indivíduo tem de si mesmo, em função da opinião dos outros (ROCHA; 2007; ALBUQUERQUE; OLIVEIRA, 2002);

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avaliativo do autoconceito, a qual se refere à crença nas auto percepções de suas capacidades e eficácia para o enfrentamento, com êxito, nas situações com o meio (ROCHA, 2007).

• Componente Comportamental: envolve o que o sujeito faz, é o elemento em que a pessoa faz a sua auto apresentação, com objetivo de transmitir ao outro uma imagem positiva de si mesma, na qual envolve a forma como a pessoa se percebe (ROCHA, 2007; ESTEBAN, 1996).

Segundo Rocha (2007), as funções do autoconceito são essencialmente criar a identidade no processamento da informação, regulação emocional, além da adaptação do comportamento social. O seu desenvolvimento ocorre ao longo do crescimento, sendo que ao nascer a criança não tem autoconceito e, gradualmente, no decurso da maturação e interação com o meio, ocorrem a formação, remodelagem e estruturação do autoconceito. O processo do desenvolvimento do autoconceito inicia-se no núcleo familiar e aos poucos, por meio das experiências e interações estendem-se para os grupos, chegando às instituições (ROCHA, 2007, ALBUQUERQUE; OLIVEIRA, 2002, VAZ SERRA, 1986).

O modo como o comportamento de um indivíduo é julgado pelos outros; dá-se importância nesse contexto, aos comentários que se referem depreciativamente à identidade de um indivíduo sobretudo quando este ainda se encontra numa etapa em quenão desenvolveu por completo a capacidade do pensamento crítico (NELSON-JONES, 1994). Segundo Wylie (1979) a família desempenha papel primordial na gênese do autoconceito. Quer como modelos ou como reforços, os pais tem a possibilidade de influenciarem os filhos ao longo de vários anos, não só na visão e sentimentos sobre si mesmo como no tipo de pessoa que gostariam de poder ser.

O feedback que o indivíduo guarda do seu próprio desempenho também é uma influência para o autoconceito assim como a comparação que o indivíduo faz entre o seu comportamento e o daqueles que considera os seus pares sociais, concebendo-se como mais ou como menos capaz, melhor ou pior do que os outros. Por último o ser humano também é influenciado pelo julgamento que faz do seu próprio comportamento tendo em conta as regras estabelecidas por um determinado grupo normativo ao qual se encontra vinculado. O indivíduo sente-se satisfeito se considerar que a forma como se conduz está de acordo com as normas que preza, observando-se o contrário na situação inversa.

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adultos, ela está no processo de construção do seu self (ROCHA, 2007). Neste processo de construção há sempre a fusão do self velho com os novos elementos, que reorganiza o self antigo e um novo self é armazenado, confirmando o processo dinâmico do autoconceito. Portanto, o autoconceito é influenciado pelas relações sociais, como também as relações sociais sofrem influência do autoconceito (BRUGES, 2003; DEMO, 1992; VAZ SERRA, 1986).

2.5.1 Autoconceito e envelhecimento

No Brasil, a reestruturação do olhar mediante a imagem e conceito do idoso não foi somente uma reformulação nas bases científicas, mas muito mais profunda e abrangente, onde até então o envelhecimento era visto como um processo somente de perdas e declínios (NETTO, 2006). Nesta perspectiva o idoso limitava-se a esperar a sua finitude, sem perspectivas futuras de um envelhecimento digno, com qualidade de vida (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008; NETTO, 2006). Os avanços das pesquisas, a ampliação de novos profissionais, com a interdisciplinaridade mais presente neste processo de envelhecer questionou esta visão cartesiana e limitada, expandindo o conceito de envelhecimento – como um período de perdas sim, mas ampliando o olhar para os fenômenos de ganhos, até então incompatíveis com o processo do envelhecimento (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008).

Outro avanço importante é o conhecimento dos fatores sócio-psico-econômicos e culturais interferindo de forma direta neste processo de envelhecer, além dos fatores biofisiológicos. Portanto o envelhecimento passou a ser um processo multidimensional, subjetivo e que sofre interferência direta conforme a história do indivíduo, da sua capacidade de lidar com as situações adversas, da cultura além das suas condições genéticas (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008; NETTO, 2006).

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Em relação ao autoconceito há também o contínuo movimento de reformulação e redefinição, além da contínua consolidação de esquemas pessoais e compreensão de experiências passadas, resultando na constante reorganização deste autoconceito (YASSINE, 2011). A percepção do envelhecimento e a auto percepção fazem parte das interações pessoais, sociais e culturais que permitem aos idosos, que as experiências favoreçam ou não, a constante mutação do autoconceito ao longo da vida (YASSINE, 2011).

A percepção de uma pessoa sobre si mesma corresponde a um processo de detecção e identificação dos estímulos do ambiente, na qual a percepção não será somente uma reprodução simples da realidade. Essa autopercepção é uma construção da interação destas experiências da realidade com as crenças e valores que o idoso possui, ou seja, a percepção é o ponto de intersecção entre o Eu e o ambiente. (YASSINE, 2011; RON, 2007).

Na velhice os estereótipos e estigmas se tornam mais relevantes, o que favorece sua maior internalização por parte dos idosos (LEVY, 2008). A absorção desses estigmas age diretamente nas crenças e no autoconceito dos idosos sobre o seu próprio envelhecimento, o que pode interferir de forma significativa sobre seu funcionamento cognitivo e comportamental (YASSINE, 2011; LEVY, 2008). Indivíduos idosos associados a um estereótipo positivo do envelhecimento demonstraram melhores desempenhos na capacidade da memória, melhor desempenho nas atividades e maior vontade de viver, baixa resposta cardiovascular ao estresse, quando comparados com os que estavam associados a um grupo de idosos de estereótipos negativos em relação ao envelhecimento (LEVY, 2008).

A autopercepção do envelhecimento é um constructo multidimensional, dinâmico, que engloba as esferas da satisfação com o envelhecimento. A elevada satisfação com o processo de envelhecer tem se demonstrado como um indicador da capacidade dos idosos em se adaptarem a perdas relacionadas com o envelhecimento (KEONG, 2010). A visão negativa do envelhecimento ocorre quando o idoso entra em contato e toma consciência do seu declínio físico e/ou cognitivo. Esta avaliação negativa pode ocorrer quando a avaliação da auto percepção da pessoa idosa volta sua atenção para a comparação de suas experiências entre a condição atual e a sua condição nas fases mais jovens, realçando assim os processos de perdas e consequentemente a visão negativa frente ao envelhecimento (YASSINE, 2011).

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As alterações do autoconceito em idosos perpassam também por modificações em relação ao self, onde Yassine (2011) faz uma análise reflexiva no sentido de acrescentar que os idosos com idades mais avançadas, apresentam um self que não envelhece, na qual o autoconceito permanece praticamente inalterado, apesar das alterações físicas e sociais. A manutenção desta visão positiva do self, nos idosos, está intimamente ligada ao processo de construção deste self e suas relações ao longo da vida, principalmente com experiências positivas em relação a autoestima.

Outro fator importante na relação autoconceito e envelhecimento é o vínculo dos idosos com as tradições ou instituições, neste sentido Brandtstädter e Greve (1994) revelam que os declínios e dificuldades que surgem em decorrência do envelhecimento, podem ser minimizados ou mesmo os idosos podem ser protegidos quando estes estão vinculados a religiosidade, núcleo familiar significante, dentre outros círculos sociais. Estas observações trazem um novo componente ao processo de envelhecimento do autoconceito que são os mecanismos adaptativos, protetores e dinâmicos como a resiliência do self nos idosos. Estes autores também apontam que, com a idade há uma convergência cada vez maior entre o self do idoso e os seus ideais e metas.

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3 OBJETIVOS

3.1 OBJETIVO GERAL

Avaliar a relação dos níveis de autoconceito, ansiedade e depressão em Idosos atendidos pelo Sistema Único de Saúde do Distrito Federal –Brasil.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Identificar o perfil sociodemográfico dos idosos;

• Identificar níveis de depressão e ansiedade nos idosos pesquisados;

• Identificar possíveis relações entre os fatores do autoconceito, depressão e ansiedade além de diferenças em relação a idade e ao sexo.

• Identificar o uso de psicofármacos para depressão nos idosos.

4 HIPÓTESE

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O AUTOCONCEITO EM IDOSOS E SUA RELAÇÃO COM NÍVEIS DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO

Lenice Maria Oliveira de Carvalho Angela Maria Sacramento Leila Cristina Lima de Freitas

Gislane Ferreira de Melo Carmen Jansen Cárdenas Resumo

O autoconceito é um construto multidimensional e se refere a percepção que o sujeito tem de si mesmo. Esta percepção, se positiva ou negativa, pode afetar de maneira significativa outras dimensões psicológicas. O objetivo deste estudo foi avaliar o autoconceito em idosos atendidos no Sistema Único de Saúde do Distrito Federal e investigar as possíveis relações deste com níveis de ansiedade e depressão. Trata-se de uma pesquisa com características quantitativas, transversal do tipo descritiva. Para tanto, a amostra foi constituída por 81 idosos, sua maioria mulheres (72,8%), casados (42%), com média de idade igual a 68,38 ±6,8. O autoconceito foi avaliado por meio do Instrumento de Vaz Serra (1986), a Depressão pela Escala de Depressão Beck (1979) e a ansiedade pela Escala de Ansiedade Beck (1993). Os resultados demonstraram que em relação ao autoconceito, não houve diferença significativa entre homens (70,00 ±8,77) e mulheres (71,56±11,07), sendo o p= 0, 55. A pontuação no Inventário Clinico de Vaz Serra revela um nível elevado de autoconceito dos idosos desta amostra. Os fatores do autoconceito: aceitação/rejeição social, autoeficácia e impulsividade/atividade possuem correlação negativa com depressão e os fatores aceitação/rejeição social, autoeficácia e o autoconceito geral possuem correlação negativa com ansiedade. Os resultados evidenciaram relação estatisticamente significativa entre fatores do autoconceito e os níveis de ansiedade e depressão nos idosos.

Palavras-chave: Idosos. Autoconceito. Depressão. Ansiedade. Abstract

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INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas o Brasil tem se deparado com uma combinação entre o declínio da fecundidade e a diminuição da mortalidade, o que influenciou e influencia significativamente no crescimento da população idosa (ALVES et al., 2007). Dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012) demonstram que número de idosos saltou de 7,3 milhões em 1980 para 14,5 milhões em 2000 e no ultimo senso o número de idosos chega a 22,9 milhões (11,34% da população). De acordo com os dados da Coordenação de Planejamento Do Distrito Federal - CODEPLAN (2012) a população de idosos do Distrito Federal chega a 200 mil pessoas contabilizadas em todas as regiões administrativas.

Não só em número populacional os idosos têm apresentado alterações, mas observa-se também um aumento na expectativa de vida destes. Idades médias de 70 anos e 182 dias eram observadas em 2000. Atualmente, esta média é de 74,6 anos de idade, com diferenças entre homens e mulheres que variam de 71 anos para os homens e 78,3 anos para as mulheres.

Apesar do crescimento acelerado e do aumento na expectativa de vida desta população, Costa e Ciosak (2010) afirmam que a desinformação sobre a saúde do idoso ainda é grande e precisa ser melhorada, já que trata-se de uma fase de vida em que alguns processos de perdas, sejam físicas, sociais ou psicológicas se tornam mais frequentes (CHAIMOWICZ, 1998).

O processo de envelhecer deve ser compreendido em toda sua amplitude e totalidade como um fenômeno universal, o qual pode variar de indivíduo para indivíduo, sendo mais gradativo para uns e mais rápido para outros. Fatores dependentes relacionados ao gênero, estilo de vida, condições socioeconômicas, doenças crônicas, dentre outros, são determinantes nesta faixa etária (CAETANO, 2006; FIGUEIREDO, 2007). Cabe ressaltar que o inverso também ocorre já que o estado de saúde e doença depende muito da forma como cada um percebe seu processo de envelhecer. Desta maneira, falar de envelhecimento é abrir o leque de interpretações que se entrelaçam ao cotidiano e as diferentes perspectivas pessoais e culturais (FECHINI; TROMPIERE, 2012).

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envelhecer é estar num processo de doenças. Pelo contrário, o idoso deve vivenciar esta etapa do desenvolvimento com características e valores próprios, os quais possibilitam novas intercorrências, tanto na sua estrutura orgânica, como nos aspectos profissionais, nas relações familiares e, consequentemente, em suas redes sociais (OPAS, 1993). Esse processo de mudanças pode exigir, por parte do idoso, um esforço para adaptar-se as novas situações. No caso de não haver esta adaptação ao novo ciclo vital, os resultados podem conduzir ao aparecimento de perturbações comportamentais reativas que surgem com intensidade, como por exemplo, a depressão (FIGUEIREDO, 2007).

Para Santos(2008), situações como a diminuição da capacidade funcional, a dependência de terceiros, a aposentadoria, a perda de entes queridos, as dificuldades socioeconômicas, o uso de medicamentos podem influenciar consideravelmente a probabilidade da depressão se desenvolver nesta fase da vida. Entretanto, ressalta o autor, a presença de fatores de risco não significa que todos os idosos desenvolverão a depressão, pois esses fatores se correlacionam com a predisposição e com a história de vida de cada indivíduo.

As teorias que defendem a depressão no idoso, como sendo diferente da depressão em outras faixas etárias apoiam-se entre outros aspectos, nas diferenças sintomatológicas apresentadas em cada caso. Estudos demonstram que os idosos apresentam, na sua maioria, depressões atípicas, não se encaixando com isso nos padrões das classificações existentes no CID 10 E DSM IV (COHEN; EISDORFER, 1997). Na opinião desses autores, as depressões atípicas podem ser caracterizadas pela falta de episódios de tristeza, claramente distintos, mostrando-se o doente apático, com queixas subjetivas de comportamento cognitivo, ansiedade proeminente, somatização e excesso de preocupação com a saúde e o corpo.

A ocorrência de depressão pode estar ligada as limitações naturais do indivíduo inserido em um contexto que não favorece o seu desenvolvimento para estratégias de enfrentamento às dificuldades ao longo da vida. A essas limitações podem ser acrescidas aquelas colocadas pela sociedade, fruto de preconceitos e estereótipos sociais, o que os tornam ainda mais vulneráveis (CAMARANO, 1999).

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bem-sucedido, observa-se o início de um movimento no sentido de se construir uma visão mais positiva em relação aos idosos e a velhice, mas infelizmente há ainda o predomínio da visão negativa em todos os grupos etários, inclusive entre os próprios idosos (RON, 2007)

Por consequência estes fatores interferem no conceito que essa pessoa terá de si mesmo – o autoconceito (OKUMA, 1999). Para Rocha (2007), as funções do autoconceito são essencialmente criar a identidade no processamento da informação, regulação emocional, além da adaptação do comportamento social e influenciam diretamente em outras variáveis psicológicas com a depressão e ansiedade.

Para a análise de contingencias que afetam o indivíduo, o autoconceito é uma parte importante na avaliação do modo operante do indivíduo e pode nos dar uma noção de como uma pessoa se vê e se descreve. Trata-se de dos construtos mais importantes no estudo do comportamento humano, pois refere-se ao conceito que o indivíduo faz de si como um ser físico, social e espiritual ou moral (GECAS, 1982). O autoconceito como um dos componentes básicos da autoestima faz parte da nossa personalidade. Rocha (2007) infere que tanto o autoconceito como a autoestima são fundamentais na nossa vida, porque estão relacionados ao nosso sucesso e ao bem estar.

Para Mello e Teixeira (2011) a sociedade contemporânea valoriza muito o consumo e a produção, e isso pode afetar a percepção que a pessoa tem de si, com as mudanças decorrentes da aposentadoria por exemplo, caso a pessoa não produza resultados condizentes com o que é valorizado por esta sociedade. Como resultado dessa desvalorização, o autoconceito tende-se a tornar-se negativo, indicando um sentimento de impotência perante sua nova situação. Ainda de acordo com os autores o autoconceito quando baixo aliado a outros fatores podem levar o idoso a evoluir para um quadro mais grave de ansiedade e à depressão.

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MATERIAIS E MÉTODO

Tipo de estudo: Trata-se de pesquisa quantitativa, do tipo transversal descritivo. O presente estudo foi desenvolvido no centro de saúde de três regionais de Saúde da Secretaria Estadual do Distrito Federal – SES-DF. Os locais elencados fazem parte da Atenção Primária, como os Centros de Saúde (01 e 02) de Santa Maria, de Sobradinho e na Federação de Bandeirantes do Brasil, unidade do Paranoá. Nestas regionais há atividades direcionadas a população idosa, que faz parte das estratégias de Saúde da Pessoa Idosa do Distrito Federal. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa – FEPECS/SES-DF, CAAE:30266714.2.3001.5553.

Amostra: Composta por 81 idosos com média de idade de 68,38 ± 6,80 anos, sendo em sua grande maioria (72,8%) mulheres com 9,18 ± 6,14 anos de estudos. Destes 37% eram procedentes de Santa Maria, 49,4% de Sobradinho e 13,6% do Paranoá. Foram investigados os indivíduos, com 60 anos ou mais que concordaram em participar da pesquisa, após assinar o Termo de Consentimento Livro e Esclarecido. O critério de exclusão foram os idosos que não demonstraram capacidade de expressão verbal, ou de manter uma comunicação lógica para resposta adequada dos instrumentos e também os que não demonstraram interesse em participar da pesquisa foram retirados da amostra.

Instrumentos: Os instrumentos utilizados foram um questionário sóciodemográfico, que elencou informações para identificação dos participantes (sexo, idade, escolaridade, ocupação, residência, dentre outras). Para a avaliação do autoconceito foi utilizado o Inventário clínico de Autoconceito, desenvolvida por Vaz Serra (1986). É uma escala unidimensional de tipo Likert, construída com o objetivo de mensurar os aspectos emocionais e sociais do autoconceito. O terceiro instrumento refere-se ao Inventário de Depressão Beck – BDI, o qual foi desenvolvido por Beck e colaboradores (1961). Este instrumento revelou-se de alta confiabilidade (0,86) e boa validade quando comparado com o diagnóstico realizado por profissionais.

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mantidos os mesmos escores do original para classificar os diferentes níveis de intensidade dos sintomas ansiosos.

Análise dos dados: Os dados descritivos da amostra foram analisados pelas médias, Desvios e frequências, com uso do teste de Kolmogorov Smirnov, para verificação da normalidade da amostra. Nas análises inferenciais foram utilizadas teste t para amostras independentes, One-Way ANOVA, Correlação de Pearson, Qui-Quadrados. Todos os dados foram analisados com o Software Statistical Package for Social Science (SPSS-IBM 22.0) devidamente registrado, utilizando-se um nível de significância de p ≤ 0,05.

RESULTADOS

A amostra foi composta por 81 sujeitos, sendo 59 mulheres, com média de idade de 68,38 anos (± 6,8), em relação a moradia a maioria é residente de Santa Maria (49,4%), sendo 22,2% casados e quando questionados sobre a percepção do próprio estado de saúde 46,9% relataram como sendo regular. A tabela 1, demonstra os dados sóciodemograficos da amostra.

Tabela 1: Dados Sociodemográficos

Variáveis Porcentagem (%) Total

Sexo

Mulheres 72,8 59

Homens 27,2 22

Escolaridade Fundamental

Incompleto 30,9 25

Fundamental completo

11,1 9

Medio completo 17,3 14

Medio incompleto 11,1 9

Superior completo 17,3 14

Pós Graduação 6,2 5

Não estudou 6,2 5

Estado Civil

Casado 42,0 34

Solteiro 11,1 9

Viúvo 22,2 18

Separado 14,8 12

Outros 9,9 8

Ocupação Atual

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Beneficiário 21,0 17

Aposentado 44,4 36

Trabalhando 18,5 15

Não trabalha 2,5 2

Utilização de Psicofármacos

Sim 21,0 7

Não 79,0 64

Exercício Físico

Sim 80,2 65

Não 19,8 16

Lazer

Sim 51,9 42

Não 48,1 39

Saúde

Muito boa 6,2 5

Boa 38,3 31

Regular 46,9 38

Ruim 4,9 4

Muito ruim 3,7 3

FONTE: DADOS DA PESQUISA

Em relação ao autoconceito, não houve diferença significativa entre homens (70,00 ±8,77) e mulheres (71,56±11,07), sendo o p= 0, 55. Importante ressaltar que os escores foram altos, o que revela um nível elevado de autoconceito dos idosos desta amostra. Nos fatores do autoconceito, somente o F4 – impulsividade/atividade evidenciou diferença significativa entre os sexos, com p=0,03, onde mulheres obtiveram o valor de 11,64±2,05 e homens de 10,50±1,99. Para análise dos dados quantitativos foram utilizados o teste T-Studant e o One-Way Anova.

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Gráfico 1: Autoconceito e Faixa Etária

FONTE: DADOS DA PESQUISA

F1 = aceitação/rejeição; F2 = autoeficácia; F3= maturidade psicológica e F4 = impulsividade/atividade

Em relação a depressão e a ansiedade apesar de apresentarem escores baixos em todos os grupos etários, verificou-se maior média na faixa etária de 64-69 anos com 18,27±12,04 para depressão e 17,15±9,67 para ansiedade. Na comparação da depressão e sexo, não houve diferença significativa (p=0,96), com média para mulheres de 14,37±11,00 e entre os homens foi de 14,27±7,28.

Na análise da comparação de ansiedade e sexo, os valores demonstraram haver diferença significativa (p=0,006), com pontuação média de 13,86±9,22 para mulheres e 8,50±6,70.

Na correlação do autoconceito com a depressão, a tabela 2 demonstra os valores destas variáveis.

F1 F2 F3 F4

60-64 17,26 22,59 14,67 10,96

65-69 16,19 20,31 15,31 11,42

70-74 16,72 22,22 14,39 11,61

70 16,1 22,6 11,2 11,6

Imagem

Tabela 1: Dados Sociodemográficos
Gráfico 1: Autoconceito e Faixa Etária
Tabela 2 – Relação do Autoconceito e Depressão   Autoconceito  Depressão  (r)  p  F1Aceitação/rejeição  social  -0,31  0,006  F2 Auto eficácia  -0,38  0,0001  F3Maturidade Psicológica  0,24  0,83  F4impulsividade/atividade  -0,23  0,04  Autoconceito Geral
Tabela 3 – Comparação de ansiedade por faixa etária

Referências

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