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INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FUNORTE/SOEBRÁS

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INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FUNORTE/SOEBRÁS

COMPARAÇÃO DO HEXÁGONO EXTERNO, HEXÁGONO INTERNO E CONE MORSE QUANTO A FENDA (gap) NA

CONEXÃO IMPLANTE-INTERMEDIÁRIO

ANA CAROLINA FERREIRA NAVES

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INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FUNORTE/SOEBRÁS

COMPARAÇÃO DO HEXÁGONO EXTERNO, HEXÁGONO INTERNO E CONE MORSE QUANTO A FENDA (gap) NA

CONEXÃO IMPLANTE-INTERMEDIÁRIO

ANA CAROLINA FERREIRA NAVES

Três Corações, 2010

Monografia apresentada ao Programa de Pós Graduação do ICS – FUNORTE/SOEBRÁS NÚCLEO TRÊS CORAÇÕES, como parte dos requisitos para obtenção do título de Especialista em Prótese Dentária

ORIENTADOR: Msc. José Alberto Nabak

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DEDICO ESTE TRABALHO

A meus pais, Aguinaldo e Cleusa, que foram o suporte essencial para essa jornada.

Aos meus irmãos Aguinaldo e Ana Paula, aos meus sobrinhos Leandro e Pedro.

Ao Alex, por toda compreensão durante o curso e a sua dedicação em nos manter unidos.

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4 AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Msc. José Alberto Nabak, Coordenador dos Cursos de Especialização em Prótese Dentária da FUNORTE/SOEBRÁS, NÚCLEO TRÊS CORAÇÕES, meu muito obrigada, pela imensa paciência em ensinar e exigir o melhor de nós.

À Lene pela ajuda inestimável e simpatia sempre presente. Vou sentir falta do seu café.

Aos demais Professores do Curso de Pós-Graduação que contribuíram diretamente para a minha formação.

À Dra. Elaine C. Sadoco Gomes, além de prima, é uma amiga que muito contribuiu para a minha formação com suas palavras de incentivo. Obrigada!

A meus queridos companheiros de curso, que tenho certeza seremos amigos de longas datas.

Aos pacientes que sempre tiveram boa vontade e muita paciência, ao longo desses anos de curso.

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“Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio.

Temos somente hoje, comecemos.”

Madre Teresa de Calcutá

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6 RESUMO

O sucesso da restauração protética suportada por implantes osseointegrados e a saúde dos tecidos circundantes estão intimamente relacionados à precisão e adaptação dos componentes, a estabilidade da interface implante-intermediário, assim como a resistência desta interface quando submetida a cargas durante a função mastigatória. Três dos principais tipos de implantes disponíveis no mercado são: hexágono externo, hexágono interno e cone Morse. Uma microfenda presente entre o implante e o intermediário protético, permite a penetração bacteriana e colonização do interior do implante. Essa microfenda, juntamente com a colonização bacteriana, tem sido associado com a perda óssea ao redor dos implantes, característica da periimplantite. O objetivo do trabalho foi comparar a interface entre implante-intermediário das conexões do tipo hexágono externo, hexágono interno e cone Morse quanto a presença de fendas (gap). Pode-se concluir com o presente trabalho que diante da revista da literatura, a conexão do tipo cone Morse apresentou vantagens quanto a ausência de fendas e microinfiltração bacteriana na sua interface implante-intermediário quando comparado aos sistemas de conexões hexagonais.

Palavras-chave: Hexágono externo, hexágono interno, cone Morse, gap.

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7 SUMMARY

The success of restorations supported by dental implants and tissue health Surrounding are closely related to precision and adaptation of components, the stability of the interface implant-abutment as well as the strength of this interface when subjected to a load during function mastication. Three main types of implants available in the market are: external hexagonal, internal hexagonal and Morse taper. A microgap present between the prosthetic implant and the abutment, enables bacterial penetration and colonization of the implant. This microgap, associated with the bacterial colonization has been related with bone loss around implants, feature periimplantitis. The aim was to compare the interface between implant-abutment the connections of external hexagonal, internal hexagonal and Morse taper for the presence of gap. It can be concluded with this work that before the literature review, the connection type Morse taper shows advantages in the absence of bacterial penetration and gap in the interface implant-abutment when compared to systems hexagonal connections.

Key-words: External hexagonal, internal hexagonal, Morse taper, gap.

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SUMÁRIO

RESUMO SUMMARY

1 – INTRODUÇÃO...09

2 – PROPOSIÇÃO...11

3 – REVISÃO DE LITERATURA ...12

4 – DISCUSSÃO...18

5 – CONCLUSÃO...20

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...21

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9 1 - INTRODUÇÃO

Na era da odontologia moderna, a importância da reposição dentária tem aumentado diariamente, aliando requisitos não só funcionais, mas também estéticos e até mesmo sociais de nosso pacientes, que vêem o sistema estomatognático não só como a porta de entrada do nosso sistema digestivo, mas também como cartão de visitas pessoal, tendo em vista a grande importância que o sorriso, e com ele o resto do sistema estomatognático, tem no ato da demonstração dos sentimentos e vontades do ser humano desde a infância.

O advento da osseointegração, descrito por Per-Ingvar Bränemark em 1966, em estudos sobre a micro-circulação em coelhos, e o bom senso desse mesmo pesquisador em transportar esse achado para outras áreas da medicina, publicando em 1969 o primeiro artigo sobre o uso de implantes osseointegrados de titânio como suporte de prótese dentárias revolucionou a Odontologia de tal maneira que é praticamente impossível não considerar essa descoberta como uma das mais importantes da área. Desde a sua descoberta surgiram diversos novos paradigmas sobre a osseointegração, sendo que todos eles têm contribuído imensamente no desenvolvimento da capacidade que os cirurgiões dentistas de nosso tempo tem em devolver ao paciente o seu sistema estomatognático funcional, estética e socialmente reabilitado, ao entender que a perda óssea e dentária na região da cavidade oral deve ser tratada não como uma simples perda decorrente do tempo ou do descuido, mas sim como uma amputação que afeta o corpo humano como qualquer outro órgão ou sistema perdido (MICHAEL et al, 1997).

Francischone & Vasconcelos (1998) atribuem aos altos índices de sucesso clínico dos implantes osseointegrados em pacientes total e parcialmente edêntulos, o desenvolvimento e a introdução de técnicas e componentes protéticos em restaurações unitárias.

Vários estudos longitudinais demonstraram o sucesso de longo prazo dos implantes osseointegrados (ADELL et al., 1981; VAN STEENBERGHE et al., 1990), porém alguns fatores podem influenciar negativamente a longevidade dos implantes, dentre eles, a adaptação entre o implante e o intermediário. A existência de espaços na interface implante- intermediário favorece o acúmulo do biofilme bacteriano, que pode resultar em inflamação nos tecidos perimplantares. Estudos in vitro e in vivo (JANSEN; CONRADS; RICHTER, 1997; HERMANN et al., 2001) demonstraram a contaminação da porção interna de implantes osseointegráveis por bactérias. Considerando o biofilme bacteriano como um importante fator etiológico da perimplantite, a infiltração bacteriana poderá afetar a evolução do tratamento e interferir no sucesso em longo prazo dos implantes osseointegráveis. Uma adaptação

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10 inadequada entre o implante e o intermediário pode ser considerada como um fator de risco similar às restaurações dentárias mal adaptadas, podendo levar a alterações clínicas e microbiológicas nos tecidos perimplantares. Além disso, por permitir micromovimentos do pilar protético, uma falha da adaptação entre esse e o implante representa um risco biomecânico, pois possibilita que o conjunto seja submetido a cargas indesejáveis, podendo resultar, por exemplo, em afrouxamento ou fratura do parafuso protético, ou fratura do corpo do implante. Esses fatores podem resultar em comprometimento estético e funcional dos implantes osseointegráveis ou mesmo na perda da osseointegração.

Na dificuldade em evitar-se a existência de fendas entre os componentes na adaptação de diferentes partes de um sistema de implante, o significado clínico dessa desadaptação demanda estudos. Deve-se estabelecer sua relevância, suas conseqüências e a que nível seriam aceitáveis. Desta forma, o objetivo do presente trabalho é comparar a existência de fenda (gap) na interface implante-intermediário das conexões tipo hexágono externo, hexágono interno e cone morse.

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11 2 - PROPOSIÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo comparar a interface implante-intermediário das conexões tipo hexagonais e cone Morse quanto à existência de fendas (gap).

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12 3 - REVISÃO DE LITERATURA

Bränemark et al. (1985) definiu a osseointegração como uma conexão direta, estrutural e funcional entre o osso vital organizado e a superfície de um implante de titânio capaz de receber carga funcional. A sua consolidação como forma de tratamento permitiu a reabilitação em pacientes totalmente edêntulos, bem como os parcialmente edêntulos, melhorando as funções do sistema estomatognático e consequentemente a qualidade de vida.

Originalmente, o hexágono externo foi concebido para adaptar o monta-implante e inserir o implante no alvéolo cirúrgico. Constitui-se em um sistema de sucesso e mundialmente consagrado. As próteses confeccionadas sobre este sistema devem apresentar duas características: passividade e elementos unidos, segundo Hobo et al, (1989). Esse tipo de conexão foi implementada na implantodontia de maneira empírica, sem suporte científico que respaldasse sua utilização. A utilização de implantes do tipo hexágono externo por muitos anos tornou esse tipo de conexão popular, e é até hoje o sistema de maior utilização na implantodontia (NORTON, 1999). Entre as vantagens desse tipo de conexão estão as apropriações para a abordagem em dois estágios cirúrgicos; presença de um mecanismo anti- rotacional; reversibilidade; compatibilidade entre diversos sistemas. Dentre as complicações nos implantes de conexões de hexágono externo, que acontecem com mais freqüência, estão a quebra e o afrouxamento do parafuso, provocados por micro-movimentos devido à altura do hexágono ser de 0.7mm, apresentando uma menor resistência rotacional nos movimentos laterais. Além disso, apresenta um microgap próximo ao osso, onde são referidas situações de sobrecarga na plataforma do implante (MAEDA & SATOH, 2006).

Para Misch (1995) as próteses implanto-suportadas retidas por cimento têm como vantagens sobre as próteses retidas por parafusos o fato do gap de 40 μm existente entre a estrutura protética e os componentes serem preenchidos por cimento, o que determina uma supra-estrutura mais passiva, além de ajudar na transferência de carga ao osso.

Criada por marcas conhecidas no mercado internacional (Astra, Dentsply-Friadent e Straumann), este tipo de conexão, também conhecida como Cone Morse, apresenta maior capacidade de suportar cargas horizontais, pois possuem uma maior sobreposição de superfícies entre o implante e o intermediário, confirmando os achados de Möllersten et al (1997). A conexão cônica tem um design preciso que, durante a instalação do intermediário junto ao implante, promove uma íntima adaptação entre as superfícies sobrepostas. Como nenhum microgap existe entre os dois componentes, o intermediário apresenta uma maior resistência aos movimentos rotacionais. Soma-se a isto a diminuição de pontos de tensão,

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13 especialmente sobre o parafuso de retenção, cuja função fica restrita a produzir um apertamento final adequado entre o implante e o intermediário. Para suprir as desvantagens das conexões hexagonais, foi desenvolvida a conexão do tipo cone-morse, que proporcionaria íntimo contato entre as paredes dos cones com ângulos precisos, permitindo um torque por fricção das paredes internas do cone do implante e diminuindo assim a fenda existente entre implante/intermediário (NORTON, 1997; NORTON, 1999). As conexões do tipo Cone Morse apresentam alta resistência ao afrouxamento, necessitando de torque 7 a 20% maior para que o parafuso afrouxe. Isso ocorre devido ao travamento mecânico que existe entre o pilar e a parede interna do implante, observando uma taxa de apenas 3% de afrouxamento do parafuso em coroas unitárias. Esse tipo de conexão apresenta algumas vantagens em relação aos outros tipos, tais como: melhor adaptação entre o intermediário e o implante; melhor estabilidade mecânica do intermediário, minimizando a ocorrência de micro movimentos; a minimização dos micro-movimentos causou a redução de afrouxamentos e fraturas de parafusos; melhor fixação anti-rotacional; melhor resistência do conjunto implante/intermediário, já que a íntima união entre os dois praticamente torna a resposta mecânica de corpo único. As desvantagens desse tipo de conexão são: ausência de um mecanismo de posicionamento anti-rotacional, alto custo e pouca familiaridade com o sistema por parte de dentistas e técnicos (BOZKAYA &

MÜFTÜ, 2005).

Ao conectar estruturas protéticas não passivas aos implantes, introduzem-se tensões ao redor dos dentes, principalmente em razão do aperto de parafusos protéticos. A mensuração da fenda marginal formada entre as conexões protéticas é uma forma descrita pela literatura para avaliar a passividade. Porém, o limite para aceitação dessa fenda é muito controverso, variando de 30 a 150 μm. A geração de tensão estática provocada pela falta de adaptação entre estrutura e intermediários é outro fator que deve ser considerado, pois podem acarretar falhas no sistema prótese/implante quando essas tensões são submetidas às cargas mastigatórias (WATANABE et al, 2000).

Com este crescente uso dos implantes e consequentemente crescente uso das próteses implanto-suportadas, surge a preocupação com a precisão de adaptação destas próteses, já que a adaptação passiva é um dos fatores importantes para o sucesso longitudinal dessas reabilitações protéticas. Entende-se como adaptação passiva o contato máximo entre a base de infraestruturametálica e os intermediários sem gerar tensões entre estes e/ou nos parafusos de sustentação. A má adaptação da prótese pode ocasionar sobrecarga no sistema de implantes, resultando em afrouxamento ou até mesmo fratura do parafuso de fixação dos intermediários.

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14 Outro problema recorrente dessa má adaptação é a presença de fenda (gap) entre o implante e o intermediário gerando microinfiltração de bactérias nos implantes podendo ocasionar mau odor e inflamações dos tecidos periimplantares e em alguns casos até severa reabsorção óssea (PIATTELLI et al., 2001)

Considerando-se que a fenda entre o implante e o intermediário influencia os níveis da crista óssea, é possível que o tamanho da fenda e a subseqüente invasão bacteriana da interface exerçam um importante efeito na saúde perimplantar. Sistemas de implantes que apresentam interface implante-intermediário em sua configuração estarão associados com mudanças biológicas, independentemente do tamanho da fenda (KING et al., 2002).

Lang et al. (2003) utilizaram o intermediário Procera em conjunto com diferentes sistemas de implantes, verificando a fenda do hexágono interno do intermediário em relação ao hexágono externo do implante. Para esse estudo foram utilizados os implantes das marcas comerciais Brånemark System, Lifecore Restore, 3i Implant Innovations, SternGold Implamed e Paragon. Foi aplicado um torque de 32Ncm ao parafuso de fixação dos intermediários Procera, com a precisão do assentamento entre o intermediário e o implante mensurada radiograficamente. Os autores concluíram que o intermediário Procera obteve um bom assentamento, podendo ser universalmente usado com todos os sistemas avaliados.

De acordo com Morris et at. (2004) os implantes com plataforma tipo cone Morse apresentam uma conexão tal que, quando avaliada ao nível microscópico não se observa a presença de micro fendas (microgaps), quase sempre encontrados nos outros tipos de plataforma.

Essa micro fenda está diretamente relacionado à presença de bactérias e, quando associado à micro-movimentos entre o implante e o componente protético, leva a uma inflamação localizada com perda óssea cervical. A estabilidade encontrada nos implantes com conexão cone Morse associada à ausência do microgap praticamente e limina esse problema (TCHOU et al,. 2004).

A fenda da interface implante-intermediário também foi estudada por Fujiwara (2005).

Nesse estudo foram utilizados implantes de cinco marcas comerciais diferentes: AS Tecnology, Conexão Sistema de Prótese, Neodent, Sterngold Implamed e 3I Implant Innovations. Em cada sistema foram testados pilares cônicos, Gold UCLA e mult-unit. Todos os intermediários protéticos receberam torque de 20Ncm. Os conjuntos foram incluídos em baquelite e desgastados longitudinalmente com lixas de diferentes granulações até o meio da amostra e analisados em MEV. As medidas foram feitas em três pontos de cada lado da

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15 amostras (direito e esquerdo), representando a parte externa, o meio e a parte interna de cada lado. O autor concluiu que, de acordo com as medidas obtidas, a menor fenda foi encontrada para o intermediário cônico, grupo Neodent; seguido do Gold UCLA, grupo Sterngold Implamed; e abutment mult-unit, grupo Conexão. Quando os intermediários foram comparados entre si, o pilar cônico e o mult-unit apresentaram fendas menores do que o Gold UCLA. O ponto interno apresentou menor fenda em relação ao ponto médio, o qual foi menor do que o ponto externo.

Segundo Rodrigues (2005) o assentamento passivo, ou seja, o contato máximo entre a base da prótese e o pilar protético, está intimamente relacionado ao tipo de material empregado, técnica utilizada, tipo de componente utilizado e experiência do profissional, entre outros. No entanto, sempre haverá uma fenda (gap) existente entre a coifa e o intermediário e/ou entre o implante e o intermediário (micro-gap).

Steinebrunner et al (2005) ressaltaram que o intermediário pode estar bem ajustado no momento da sua inserção, mas em função da carga mastigatória, forças laterais podem alterar esta união, aumentando a fenda (gap), principalmente nos sistemas de hexágono externo.

Deve--se, portanto, avaliar a carga mastigatória, a estabilidade do parafuso de fixação da prótese e o torque aplicado para um melhor ajuste implante-intermediário.

Para se evitar a infiltração e colonização bacteriana dentro do implante, tem se verificado diversos estudos (Duarte et al., 2006; Sartori, 2006) que tentaram diminuir ou até mesmo vedar esta microfissura. Mccarthy & Guckes (1993) sugeriram como método a utilização de um cimento colocado dentro do espaço de acesso ao parafuso, antes da prótese ser parafusada. Com isso, os pacientes relataram a completa eliminação do gosto desde que o cimento foi adicionado em conjunto à fixação do parafuso. Contudo tal melhora clínica não eliminou a fenda (gap) existente, sendo que a longo prazo a infiltração ocorre novamente como comprovado por Duarte et al.(2006), que na tentativa de vedação com verniz e silício de diferentes implantes, observaram a presença de contaminação após um mês.

Diversos sistemas de conexão foram desenvolvidos ao longo do tempo no intuito de reduzir a incidência de problemas biomecânicos frequentemente associados ao implantes do tipo hexágono externo. Os sistemas de conexão interna apresentaram resultados promissores, com propostas de conexão de hexágono interno, triângulo interno, entre outras. Os implantes de hexágono interno apresentaram vantagens, tais como: facilidade no encaixe do intermediário; adequado para abordagens de instalação em um estágio e carga imediata; maior estabilidade e efeito anti-rotacional, devido à maior área de conexão entre o implante e o

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16 intermediário, tornando-os mais adequados para restaurações unitárias; maior resistência a cargas laterais devido ao centro de rotação mais apical; maior distribuição das forças oclusais no osso adjacente. Suas desvantagens são: paredes mais finas ao redor da área de conexão;

dificuldades em se ajustar divergências de angulações entre implantes (Maeda et al., 2006).

Lanza & Lanza (2007) sugerem que fixações com implante de hexágono interno apresentam uma maior e melhor distribuição de forças que implantes de hexágono externo. Perda ou afrouxamento de parafuso podem resultar em deslocamento da prótese, causando perda de função. Isso ocorre mais freqüentemente nas restaurações unitárias parafusadas em regiões posteriores em implantes de hexágono externo. Concluiu-se que conexões de hexágono interno são clinicamente mais favoráveis nas próteses unitárias e parciais.

Lanza & Lanza (2007) relataram que complicações causadas por carregamento oclusal podem influenciar o prognóstico das reconstruções protéticas parciais e unitárias. A carga oclusal pode ultrapassar a capacidade de tolerância mecânica e biológica das próteses ou dos implantes osseointegrados, causando falhas mecânicas ou falha na osseointegração, pode ser denominada de sobrecarga. As complicações mais frequentemente encontradas, foram relacionadas ao desajuste entre implante e intermediário, o afrouxamento e a quebra de parafuso, a retenção de placa bacteriana, as respostas adversas dos tecidos moles e perda da osseointegração.

Quaresma et al (2008) publicaram um trabalho de elementos finitos onde compararam os sistemas de hexágono interno e cone Morse. Para esse estudo, foi criado uma coroa metalocerâmica simulada sobre os intermediários de cada sistema e uma força de 100N foi aplicada na cúspide vestibular. O estresse resultante foi medido na prótese, no intermediário, no implante e no osso adjacente. O sistema de hexágono interno provocou maior estresse no osso alveolar e na prótese, porém menor no intermediário protético. Já o sistema cone Morse poderia levar a uma menor reabsorção óssea que o hexágono interno, acreditando que o formato do seu intermediário protético dissipa, de maneira mais efetiva, as forças geradas na prótese.

Pimentel (2009) realizou um trabalho com o objetivo de comparar a possível contaminação bacteriana entre hexágono externo, hexágono interno e cone Morse, em um período de 24 horas, semelhante ao que ocorre na carga imediata. Para tal, foram utilizados 10 implantes de cada tipo, com seus respectivos intermediários protéticos. No interior de cada implante foram inoculados 2 μL de meio de cultura (BHI). Os espécimes foram depositados individualmente em tubos de ensaio contendo 4 mL de BHI estéril. Após um teste de

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17 esterilidade, 100 μL de BHI contendo Enterococcus faecalis foram inoculados em cada tubo.

Após 24 horas em meio contendo bactérias, os espécimes foram removidos, desinfectados e reabertos. Concluiu-se que após um período de 24 horas, houve contaminação bacteriana em todos os grupos analisados, sendo estatisticamente maior no grupo de hexágonos externos.

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18 4 - DISCUSSÃO

Mesmo com o desenvolvimento de novos implantes e intermediários e na tentativa de alguns autores proporcionarem o melhor vedamento de forma a evitar a microinfiltração, a infiltração bacteriana entre implante/intermediário não foi, até o momento evitado.

Mccarthy & Guckes (1993) e Misch (1995), sugerem como formas de diminuir e/ou vedar a fenda (gap) a utilização de cimento colocado dentro do espaço de acesso ao parafuso antes da prótese ser parafusada e em caso de prótese cimentada, o próprio cimento ocupará o espaço existente entre os componentes e estrutura protética.

Vários autores (Möllersten et al.,1997; Morris et al., 2004; Tchou et al., 2004;

Boskaya & Müftü, 2005) concordaram ao afirmar que a conexão do tipo cone Morse devido as suas características que praticamente o tornaram uma conexão de corpo único, minimizou os micromovimentos que causam afrouxamento e fraturas de parafusos, presença de microfendas e infiltrações bacterianas, quando comparada as conexões do tipo hexagonais (Maeda & Satoh, 2006; Lanza & Lanza, 2007).

Piatelli et al (2001) definiu a adaptação passiva como sendo o contato máximo entre a base da infraestrutura metálica e intermediários sem gerar tensões entre estes e/ou nos parafusos de sustentação. Segundo o autor, a má adaptação da prótese pode ocasionar sobrecarga no sistema de implantes, resultando em afrouxamento ou até mesmo fratura do parafuso de fixação dos intermediários e favorecendo a presença de fendas (gap) entre o implante-intermediário causando microinfiltração bacteriana. Já Rodrigues (2005) acrescenta que o assentamento passivo está intimamente ligado ao tipo de material usado, técnica empregada, tipo de componente utilizado e experiência do profissional, ressalta também que sempre haverá uma fenda (gap) entre o implante-intermediário. Steinebrunner et al.(2005) ressaltaram ainda que apesar do intermediário estar bem ajustado no momento de inserção, em função de cargas mastigatórias, forças laterais podem alterar esta união e aumentar a fenda, principalmente nos sistemas de hexágono externo.

Considerando-se que a desadaptação entre o implante e o intermediário influencia os níveis da crista óssea, é possível que seu tamanho exerça um profundo efeito na saúde perimplantar (KING et al., 2002). Porém, Hermann et al. (2001) estudaram a influência do tamanho da desadaptação da interface implante-intermediário nas mudanças da crista óssea ao redor dos implantes com intermediários que apresentavam diferentes tamanhos de fenda.

Esses autores demonstraram que as alterações na crista óssea foram significativamente

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19 influenciadas pelos possíveis movimentos entre o intermediário e o implante, mas não pelo tamanho da desadaptação. Os estudos in vitro não têm demonstrado uma relação direta entre o ajuste da interface implante-intermediário e a infiltração bacteriana (JANSEN; CONRADS;

RICHTER, 1997).

Quaresma et al (2008) compararam os sistemas de conexão do tipo hexágono interno e cone Morse e concluiu que o cone Morse poderia levar a uma menor reabsorção óssea, acreditando que o formato do seu intermediário dissipa as forças geradas na prótese. Já Pimentel (2009) ao comparar uma possível contaminação bacteriana entre hexágono externo, hexágono interno e cone Morse concluiu que houve contaminação bacteriana em todos os grupos analisados, sendo maior no hexágono externo.

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20 5 - CONCLUSÃO

Conclui-se com o presente trabalho que diante da revista da literatura, a conexão do tipo cone Morse apresentou vantagens quanto a ausência de fendas e microinfiltração bacteriana na sua interface implante-intermediário quando comparado aos sistemas de conexão hexagonais.

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21 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Referências

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