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Rev. adm. empres. vol.51 número2

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Academic year: 2018

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ISSN 0034-7590 ©RAE • São Paulo • v. 51 • n. 2 • mar./abr. 2011 • 127

EDITORIAL

A análise dos dados publicados em estudos internacionais (sciencewatch.com e www.sciencemag.org) sobre a produção acadêmica brasileira nas últimas duas décadas traz algumas informações que merecem a nossa reflexão. Em primeiro lugar, é notável o crescimento dessa produção entre 1989 e 2007, quando passamos de pouco mais de três mil artigos publicados em periódicos indexados no Thomson Reuters para quase 20 mil. Com esse aumento, comparando com toda a produção científica mundial, a porcentagem de artigos com pelo menos um brasileiro como autor saltou de 0,56%, em 1989, para 2,02%, em 2007.

Olhando apenas para esses números, teríamos muito o que comemorar. No entanto, se levarmos a análise um pouco mais adiante, o quadro pode não se apresentar tão favorável. É preciso primeiro verificar que o crescimento dessa produ-ção não foi uniforme entre todas as áreas de conhecimento. Áreas como Ciências Agrárias, Microbiologia e Ciências do Ambiente estão entre as mais produtivas do país, enquanto nas últimas posições estão as áreas de Economia e Negócios, Psicologia e Ciência da Computação. Falando pela perspecti-va de uma revista como a RAE, que está incluída na área que possui menor aumento da sua produção acadêmica, temos que ficar preocupados.

Outro problema a ser destacado é que o crescimento quantitativo da nossa produção acadêmica não acompanha necessariamente um crescimento qualitativo equivalente. Se for considerado o fator de impacto desses mesmos artigos brasileiros, medido pelo número de vezes que são citados, atingimos apenas dois terços da média mundial. E, se temos relevância em áreas como Engenharia, Matemática e Física, temos também feito progresso em áreas como Química e Mi-crobiologia. Mais significativa ainda é a melhoria do impacto em áreas em que o volume da produção não tem crescido tanto, como Psicologia, por exemplo. Novamente, as áreas de Ciências Sociais, Economia e Negócios não aparecem com nenhum destaque.

Enquanto esperamos pela definição da Capes sobre a nova lista do Qualis para a nossa área, a RAE tem se esmerado no

aperfeiçoamento de seus processos, tornando mais rigorosa a seleção e procurando contribuir com o processo de aperfei-çoamento dos artigos publicados. Nesta edição, tivemos uma média de 329 dias entre o período de submissão e aprovação dos artigos, com 2,6 rodadas de revisão dos artigos, em média.

Ao final do processo, oferecemos um conjunto de artigos inéditos e interessantes para nossos leitores. O primeiro, “‘Aprecie com moderação’: a identidade da organização como drama e atos de performance”, examina o processo de construção identitária de uma cervejaria em um período de contestação das regras sobre o consumo de álcool. “Signi-ficado do trabalho nas indústrias criativas” utiliza técnicas psicométricas de análise de dados para investigar a relação dos profissionais das indústrias criativas com seu trabalho. “Dimensões da imitação entre empresas: um estudo na in-dústria de transformação brasileira” mensura a imitação entre empresas e mostra que as que investem menos em P&D ten-dem a apresentar maior índice de imitação. O artigo “Gestão da terceirização no setor brasileiro de distribuição de energia elétrica” investiga modelos desenvolvidos por distribuido-ras bdistribuido-rasileidistribuido-ras. O artigo em inglês, “Transaction costs: an empirical analysis of their relationship with investment and foreign direct investment”, avalia os custos de transação em operações de investimento estrangeiro, com foco de análise nos países do grupo BRIC.

A edição conta ainda com uma pensata, que traz a opinião do ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Sergio Machado Re-zende, sobre as conquistas e desafios da produção científica e tecnológica no país. Na resenha é analisado o processo de inovação e gestão de competências do músico Eric Clapton ao longo de sua carreira e, para as indicações bibliográficas, apresentamos sugestões sobre gestão de empresas familiares e a chave da inovação em países emergentes.

A todos, uma boa leitura!

Eduardo Diniz

Referências

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