FACULDADE METROPOLITANA DE ANÁPOLIS AGRONOMIA
MAURICIO MIRANDA ALVES
ATRIBUTOS FITOTÉCNICOS DO CAPIM MOMBAÇA SUBMETIDO A DIFERENTES DOSES DE UREIA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Metropolitana de Anápolis como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Agronomia.
Anápolis, GO 2018
ATRIBUTOS FITOTÉCNICOS DO CAPIM MOMBAÇA SUBMETIDO A DIFERENTES DOSES DE UREIA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Metropolitana de Anápolis como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Agronomia.
Orientador: Prof. Msc. Vanderli Luciano da Silva
Anápolis, GO 2018
MAURICIO MIRANDA ALVES
ATRIBUTOS FITOTÉCNICOS DO CAPIM MOMBAÇA SUBMETIDO A DIFERENTES DOSES DE UREIA
Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso DEFENDIDO E APROVADO em 13 de Dezembro de 2018, pela Banca Examinadora constituída pelos membros:
__________________________________________
Prof. Msc. Vanderli Luciano da Silva Presidente – Fama
Prof. Dr. Fabricio Moreira Alves Membro – Fama
Prof. Msc. Rafael Batista Ferreira Membro – Fama
Agradeço primeiramente a Deus e ao Espirito Santo que guiaram os meus passos dando força, coragem e sabedoria nessa minha jornada.
Agradeço especialmente aos meus pais por mi apoiar nessa jornada, sem medir nenhum esforço para que não me faltasse nada. Agradeço também a minha família e amigos por me apoiar no decorrer da minha caminhada em busca dos meus sonhos.
Agradeço ao meus professores que disponibilizarão seu tempo e conhecimentos durante o curso, e em especial ao meu professor e orientador Vanderli Luciano da Silva que me orientou durante todo esse trabalho.
Agradeço também aos meus amigos Matheus Moreira da S.Machado, Diego Diemine S.e Hallefe Lopes S. que me auxiliaram no desenvolvimento do experimento
SUMÁRIO
LISTA DE TABELAS ... 6
LISTA DE FIGURAS ... 7
RESUMO ...8
1 INTRODUÇÃO ... 9
2 REVISÃO DE LITERATURA ... 11
2.1 CAPIM MOMBAÇA ... 11
2.2 ADUBAÇAO NITROGENADA ... 12
2.2.1 Benefícios da adubação nitrogenada no capim Mombaça ... 13
2.3 UREIA CONVENCIONAL ... 14
3 MATERIAL E MÉTODOS ... 16
3.1 LOCAL DO EXPERIMENTO ... 16
3.2 PREPARO DO SOLO E SEMEADURA ... 16
3.3 TRATAMENTOS... 17
3.4 AVALIAÇÕES ... 17
3.5 TABULAÇÃO DOS DADOS ... 18
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 19
5 CONCLUSÃO ... 24
6 REFERÊNCIAS ... 25
Tabela 1. Análise de solo ... 16 Tabela 2. Número de perfilhos em quatro períodos de avaliação em capim Mombaça
submetido a doses de adubação nitrogenada. ... 19 Tabela 3. Altura de corte em centímetros do capim Mombaça submetido a diferentes doses
de nitrogênio em três períodos. ... 20 Tabela 4. Produtividade de massa verde em t ha-1 do capim Mombaça submetido a
diferentes doses de nitrogênio em três períodos de corte. ... 22 Tabela 5. Teor de matéria seca (MS) em percentual da massa verde do capim Mombaça
submetido a diferentes doses de nitrogênio em três períodos. ... 23
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Número de perfilhos em capim Mombaça submetido a doses de nitrogênio avaliado em quatro períodos. ... 20 Figura 2. Altura em centímetros do capim Mombaça sob diferentes doses de nitrogênio
em três períodos de avaliação. ... 21 Figura 3. Produtividade em gramas por m² de massa verde do capim Mombaça sob
diferentes doses de nitrogênio. ... 22
ALVES, M. M. Atributos fitotécnicos do capim mombaça sob diferentes doses de ureia.
2018. 29 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Agronomia) – Faculdade Metropolitana de Anápolis, Anápolis Goiás, 2018.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de bovinos. A maior parte do rebanho é criado a pasto, apresenta baixa produtividade por diversos fatores, entre eles o manejo inadequado das pastagens e dos animais, falta de fertilização dos solos e principalmente de conhecimento sobre a espécie forrageira trabalhada. O objetivo com esse trabalho foi avaliar as características fitotécnicas do capim Mombaça sob diferentes doses de nitrogênio. A pesquisa foi desenvolvida na Fazenda Escola da Faculdade Metropolitana de Anápolis-GO. O delineamento experimental DBC. Os tratamentos foram os seguintes: (0, 50, 100, 150, 200 kg de N ha-1) aplicados a lanço após cada corte com 40 cm de resíduo. Foram utilizadas parcelas de 2x2 m para cada unidade experimental e 5 repetições. Avaliou-se o perfilhamento, altura de corte, produção de massa verde e teor de matéria seca. Os dados obtidos foram submetidos à Análise de Variância e medias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Em todos os tratamentos houve aumentos no perfilhamento, havendo diferença significativa entre os tratamentos em todos os períodos avaliados para esta variável. Todos os tratamentos utilizando N em cobertura foram iguais estatisticamente para a variável altura de corte e produção de massa vede nos períodos avaliados, mas no acumulado, há uma tendência de que utilizando 300 e 450 kg de N ha-1 afere a maior altura de corte e produtividade de massa verde. Os teores de matéria seca diferiram entre os tratamentos e períodos avaliados. Não havendo diferença significativa para os parâmetros fitotécnicos, recomenda-se a dose de 450 kg de N ha-1 utilizando ureia porque esta beneficiou o perfilhamento.
Palavras-chave: Adubação de nitrogenada; Manejo; Panicum maximum.
1 INTRODUÇÃO
O Mombaça (Panicum maximum) é uma gramínea pertencente à família Poaceae originaria da África tropical, sendo encontradas formas nativas até a África Sul nas margens florestais, ocupando os solos recém-desmatados e sob sombras rala de arvores (JANK, 1995).
Destaca-se por ser uma cultivar de alta capacidade produtiva de forragem e de lâminas foliares.
É uma gramínea tropical de porte elevado, com desenvolvimento vigoroso, de reprodução assexuada, e com resultados muito satisfatórios, nas fazendas de pecuária intensificada (JANK et al., 2008).
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de bovinos, com cerca 210 milhões de cabeças (CONAB, 2015). A maior parte do rebanho é criado a pasto, em uma área total de 173 milhões de hectares, sendo que cerca de 67% são de pastagens cultivadas e apenas 3%
desse rebanho são terminados em sistema intensivo (RODRIGUES, 2010; ABIEC, 2018). A maior parte das pastagens cultivadas é representada por gramíneas do gênero Braquiária. No entanto, as pastagens de capim braquiária têm sofrido considerável redução nos últimos anos, e o capim Panicum maximum cv. Mombaça tem sido introduzido em substituição a essas pastagens (DIM et al., 2010).
Segundo Vilela (2018) em relação à acidez e à fertilidade do solo o capim Mombaça é tão exigente quanto às outras cultivares do gênero, no entanto apresenta maior eficiência na utilização do fósforo.
A maior parte das pastagens cultivadas ou nativas encontra-se em algum estádio de degradação que decorre de diversos fatores, entre eles o manejo inadequado das pastagens e dos animais, falta de práticas conservacionistas, de fertilização dos solos e principalmente de conhecimento sobre a espécie forrageira trabalhada (ANDRADE et al., 2011).
Nas plantas forrageiras o N é um dos elementos mais exigido, e sua utilização na adubação influencia na produção de massa seca. Segundo Herling et al. (2000), o Panicum maximum sendo submetido à adubação adequada, pode alcançar produções acima de 50 t Matéria Seca (MS) ha-1 ano. Para Cantarella et al. (2002), a eficiência de uso do nitrogênio expressa em kg de MS produzida por kg de N aplicado, reflete nas poucas adubações nitrogenadas nas pastagens.
O conhecimento das características do solo/planta com uso de fertilizantes, principalmente os nitrogenados para a produção de forragem e entre elas as cultivares de Panicum maximum, tem sido foco de inúmeras pesquisas (COLOZZA et al., 2000; LAVRES JUNIOR & MONTEIRO, 2002; ISEPON, 2003).
O Mombaça apresenta boa resposta a adubação nitrogenada, sendo este nutriente de grande importância para os processos de crescimento e de desenvolvimento da planta (GARCEZ NETO et al., 2002). Segundo Mesquita e Neres (2008), o capim Mombaça tem potencial para atingir uma média de produtividade de 16,8 kg de matéria seca por kg de N aplicado no solo. Embora esse nutriente seja o mais abundante na atmosfera, as plantas não são capazes de metabolizá-lo na forma gasosa, sendo necessária a incorporação no solo. A adubação com N aumenta a produção de forragem, quando a quantidade de N ofertada pela microbiota do solo não é apto de atender à exigência da forrageira (VILELA, 2003).
Nesse contexto, o objetivo desse trabalho foi avaliar as diferentes características fitotécnicas do capim mombaça sob diferentes doses de adubação nitrogenada, determinar a produtividade de massa verde, matéria seca, analisar o perfilhamento e quantificar a altura de corte do capim mombaça.
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 CAPIM MOMBAÇA
O capim-Mombaça é de origem africana e foi lançado no Brasil pela Embrapa Gado de Corte em 1993. Apresenta ciclo perene com crescimento cespitoso, formando touceiras de 1,00 m de diâmetro muito concentrada, bem nutrido pode apresentar aproximadamente até 3,00 m de altura com um bom desenvolvimento. Suas folhas são longas de coloração verde com 3 cm de largura. Suas lâminas foliares com poucos pelos curtos na face superior, as bainhas são glabras com colmos arroxeados, apresentando ramificações longas na base e na sua maior parte verdes levemente arroxeadas no ápice (ROSA, 2010).
De acordo com Vilela (2009), o capim-Mombaça tem baixa tolerância à seca, ao frio, requer uma precipitação de 1000 mm ano, não tolera sombreamento, temperatura ótima de 19,1 a 22,9ºC e possui baixa tolerância a solos mal drenados.
Segundo Rosa (2010) o capim-Mombaça apresenta alta produção submetido a adubação intensiva, apresenta alta qualidade bromatólogica e resistência moderada a cigarrinha das pastagens. É exigente com acidez e fertilidade do solo quanto as outras cultivares de Panicum maximum, mas apresenta maior eficiência na utilização do fósforo do solo que os demais cultivares, o capim-Mombaça tem apresentado maiores produções de matéria seca total e de folhas (VILELA, 2009).
As áreas de produção com adubação nitrogenada estão sendo muito utilizada como uma importante ferramenta no aumento na produção das pastagens. Juntamente com os outros nutrientes, o fornecimento do nitrogênio aumenta a produção de forragem, contribuindo para o aumento na lotação animal e o ganho de peso. De acordo com Abiec (2018), a taxa de lotação do rebanho nacional é de 1,2 animais ha.
A ureia é o fertilizante nitrogenado mais usado pelos produtores, por ter mais facilidade na compra e principalmente por ter menor custo por kg de N. Porém os produtores já estão buscando outras fontes de N com maior eficiência na aplicação do que a ureia, pois esta quando aplicada na superfície pode volatizar até 80% de N (MARTHA JÚNIOR et al., 2004).
O esforço para melhorar a nutrição e a produtividade da planta forrageira no país por meio da adubação ainda é muito limitado, mas essa situação vem mudando a cada dia (BEEFPOINT, 2018).
De acordo com Jank et al., (2005) a média da produtividade de MS do Capim- Mombaça é de 33 t ha-1 ano. No entanto, para que a planta atinja seu potencial máximo de
desenvolvimento e crescimento, são necessárias condições ótimas a respeito dos fatores edafoclimáticos.
2.2 ADUBAÇAO NITROGENADA
Segundo Chanpin et al. (1987) a maioria das pastagens geralmente não recebem correção e adubação, relataram que a produtividade de uma pastagem de gramíneas é altamente dependente das condições edafoclimáticas, e manejo a que são submetidas e principalmente com as doses de nitrogênio aplicada por tratar-se do nutriente mais limitante ao crescimento das plantas. Lopes (1989) ressaltou quanto à necessidade da manutenção de teores adequados de fósforo, potássio, enxofre e outros nutrientes, que contribui para aumentar a capacidade das plantas na utilização do N, principalmente em altas doses. Com maior produção vegetal, ocorre à extração de outros nutrientes do solo, que se não repor pode limitar a eficiência futura da adubação nitrogenada e por isso é essencial o balanço entre esses nutrientes (QUADROS et al., 2002; PRIMAVESI et al., 2004).
O uso de adubos nitrogenados no cultivo das gramíneas forrageiras é primordial para o aumento da massa verde (MARTIN, 1993), que através de uma ação de choque, promovendo seu rápido crescimento, com uma grande produção dos caules e folhas de cor verde-escuro (PUPO, 2002), resultando na utilização dos carboidratos solúveis elaborados pela própria planta (COSTA et al., 1992).
Segundo Boin (1986), para além do desenvolvimento de tecido novo rico em proteína, pobre em parede celular e lignina, a adubação nitrogenada acelera o desenvolvimento das plantas. Assim o efeito na qualidade das forragens será acentuado, dependendo da dose de N, da idade de colheita e dos componentes morfológicos das plantas.
De acordo com Vicente-Chandler (1974), as gramíneas forrageiras tropicais respondem positivamente as adubações nitrogenadas até 160 kg ha-1 de N. Monteiro (1995) relatou que a utilização de N na aplicação em pastagens de Panicum maximum tem variado de 50 a 300 kg ha-1, sendo que o nível mais baixo de adubação tem sido considerado como mínimo para evitar a degradação e a mais elevada recomendada para desenvolvimento da pastagem necessitando do parcelamento dessas doses com o objetivo de reduzir ou evitar a perda do adubo nitrogenado.
Lugão et al. (2003) observaram que a disponibilidade de N em quantidades menores do que aquelas exigidas pelas plantas forrageiras comprometem a expressão do potencial de
13 produção. É preciso conhecer a dose indicada para a aplicação desse nutriente, capaz de maximizar economicamente o potencial de produção e a dinâmica do N no solo.
Carvalho & Saraiva (1987) observaram que a eficiência de utilização do N é um parâmetro que determinante a dose de N mais eficiente para ser aplicada no solo, ajustando os custos de adubação das pastagens. Que é determinado pela quantidade de massa seca produzida por unidade de N aplicado (ROCHA et al., 2002).
Rocha et al. (2002) observaram os efeito das doses de nitrogênio sobre a produção de proteína bruta em três gramíneas, e constataram aumento significativo correspondente a 3,22 kg ha-1 de proteína bruta para cada kg de N aplicado. À medida que eleva as doses de N, foram observados aumentos consideráveis no teor médio de proteína bruta.
Segundo Colozza (1998) diversos estudos têm demonstrado aumentos significativos na produção de massa seca e valor nutricional de Panicum maximum, com o suprimento de nitrogênio apesar de na maioria desses experimentos ter havido respostas lineares ao nitrogênio, a magnitude dessas respostas têm oscilado. Conclui-se então a necessidade de avaliar as doses de N aplicadas, como também a frequência do seu suprimento para entender o comportamento produtivo dessas plantas.
Dessa forma, a aplicação de N pode promover o ritmo de crescimento e a qualidade das gramíneas forrageiras aumentando a produção de massa seca e a síntese de proteínas com uma distribuição anual mais uniforme. Visando viabilizar o uso dessa técnica, tornam-se necessários mais estudos sobre a relação custo/benefício para que seja recomendada a dosagem adequada de nitrogênio (ROCHA et al., 2002).
2.2.1 Benefícios da adubação nitrogenada no capim Mombaça
A adubação nitrogenada determina o ritmo de crescimento que interfere na qualidade das forragens produzidas. No entanto, para evitar perdas e aumentar a eficiência de utilização do nitrogênio na produtividade das gramíneas e na produção animal, torna-se necessário conhecer a maneira como o N afeta a produção e a qualidade das forrageiras, como a dose adequada a ser aplicada (CORSI, 1994; ALVIM et al., 2000). O aumento do teor de nitrogênio no solo por meio de fertilização é uma das formas de aumentar a produtividade nas pastagens, principalmente quando as planta forrageira responde à aplicação desse nutriente (MARTUSCELLO et al., 2005).
Braga et al. (2004) avaliaram a resposta do capim-Mombaça submetido à adubação nitrogenada em intervalos de corte e observaram que além de influenciar a produção, a dose equivalente a 500 kg ha-1 proporcionou a maior produção de biomassa vegetal.
Segundo Corsi & Nussio (1992), há a possibilidade de resposta à adubação nitrogenada até a faixa de 400 a 800 kg ha-1, com eficiência de conversão variando entre 40 a 70 kg de MS/kg de nitrogênio aplicado no capim mombaça.
Martha Júnior et al. (2006) relataram que a eficiência de conversão do fertilizante nitrogênio em massa de forrageiras, em pastagens de gramíneas tropicais, pode atingir valores de até 83 kg de MS/kg de nitrogênio aplicado, a eficiência é de 26 kg de MS/kg de nitrogênio, sendo que maiores eficiências ocorrem com a aplicação de nitrogênio de 150 kg ha-1.
2.3 UREIA CONVENCIONAL
A ureia é um composto orgânico cristalino, de cor branca, solúvel em água e álcool.
É um composto quaternário, constituído por nitrogênio, oxigênio, carbono e hidrogênio. Possui características específicas, uma vez que é deficiente em todos os minerais, não possui valor energético próprio e é rapidamente convertida em amônia no rúmen (Maynard et al., 1984). A ureia foi descoberta no século XVIII e só foi sintetizada artificialmente em 1828, pelo médico alemão Friedrich Wohler (Loosli e McDonald, 1968). A sua produção em escala industrial iniciou-se em 1870, quando Bassarow conseguiu sintetizá-la a partir do gás carbônico e da amônia, e os primeiros estudos sobre sua utilização em dietas de ruminantes foram iniciados por Zuntz, em 1891.
E o fertilizante nitrogenado mais usado no Brasil por apresentar boa combinação entre eficiência agronômica e preço em relação aos demais adubos nitrogenados (Ernani, 2008).
No entanto, o uso de ureia como fonte de N pode ocasionar elevadas perdas do nutriente, principalmente se aplicada em cobertura sem incorporação.
A ureia, principal adubo nitrogenado usado mundialmente devido aos custos mais baixos de obtenção e à alta concentração de N (46%) Malavolta (1981).
E usada em menor proporção como adubo foliar, particularmente quando se pretende realizar correção da deficiência de nitrogênio. O volume maior é usado para aplicação no solo (Mitsui, 1967; Malavolta, 1981 e Mello, 1987). No solo, quando aplicada em cobertura, sem incorporação, parte do N da uréia pode se perder por volatilização de amônia devido à atividade da urease já mencionada. A perda é, entretanto, desprezível se houver umidade suficiente para levar a ureia ao alcance da raiz. As transformações da ureia no solo terminam
15 nos mesmos produtos finais da mineralização da matéria orgânica e da nitrificação: comporta- se como o adubo orgânico que é. Deve-se destacar que o N derivado da ureia segue o mesmo caminho seguido pelo N dos outros adubos nitrogenados, incluído as fontes orgânicas (Urquiaga & Zapata, 2000).
3.1 LOCAL DO EXPERIMENTO
A pesquisa foi desenvolvida na Fazenda Escola da Faculdade Metropolitana de Anápolis-GO, localizada a 16º19’10.0’’ S e 48º53’49.2’’ W. Foi utilizado um Latossolo Vermelho distrófico de textura argilosa. O clima da região é considerado como sendo tipo Aw com estações bem definidas.
3.2 PREPARO DO SOLO E SEMEADURA
O preparo do solo foi realizado pelo sistema convencional, com uma aração e duas gradagens, esse processo foi necessário para homogeneizar a superfície do solo e eliminar resíduos indesejáveis no local e para a incorporação dos corretivos.
Foram coletadas amostras de solo na camada de 0-20 cm, para análise química.
Tabela 1. Análise de solo Argila
%
Silte
%
Areia
%
M.O
%
pH (CaCl2)
P (Mehl) mg/dm³
K mg/dm³
45,00 11,00 44,00 1,1 5,2 1,50 55,0
Ca cmol/dm³
Mg cmol/dm³
H+Al cmol/dm³
Al cmol/dm³
CTC cmol/dm³
M
%
V
%
1,40 0,50 3,50 0,0 5,5 1,6 36,8
Fonte: Laboratório agronômico, 2018.
A calagem e a adubação foram realizadas de acordo com a análise de solo (Tabela 1), seguindo as exigências do capim Mombaça e recomendações de Martha Júnior et al., (2004).
A semeadura do capim mombaça foi manual a lanço, empregando-se uma taxa de 12,5 kg ha-1 de sementes puras viáveis (SPV) seguindo recomendações do produtor da semente.
Após o estabelecimento da pastagem, foi realizado o primeiro corte na altura ideal para pastejo (90 cm) para homogeneizar o capim.
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3.3 TRATAMENTOS
O delineamento experimental foi em blocos casualizados (DBC), com os seguintes tratamentos:
-T1: Utilização de 0 kg ha-1 de nitrogênio;
-T2: Utilização de 150 kg ha-1 de nitrogênio;
-T3: Utilização de 300 kg ha-1 de nitrogênio;
-T4: Utilização de 450 kg ha-1 de nitrogênio;
-T5: Utilização de 600 kg ha-1 de nitrogênio;
A fonte de N utilizada foi a ureia e essas dosagens foi dividida em três aplicações após cada corte. Foram utilizadas parcelas de 2x2m para cada unidade experimental. Cada tratamento teve de 5 repetições.
3.4 AVALIAÇÕES
As variáveis analisadas foram: altura das plantas nas parcelas, produtividade de massa verde e seca, teor de matéria seca e número de perfilhos.
Para a avaliação da altura das plantas foi utilizada uma régua graduada com uma lâmina foliar de plástico (tipo raios-X) que foi colocada em 4 pontos diferentes de cada parcela e obtido a média, este monitoramento foi feito 3 vezes por semana até que se obteve a altura de 90 cm, ponto de corte.
Foram realizados 3 cortes para as avaliações. Cada corte ocorreu no mesmo período de tempo em todas as parcelas, quando o primeiro tratamento atingiu a altura de 90 cm (altura fixa para o tratamento que melhor responder), sendo considerado a altura ideal para entrada de animais, deixando um resíduo de 40 cm de altura ao nível do solo após os cortes (Carnevalli et al., 2006).
Para produtividade de massa verde (MV) a forragem colhida no campo foi acondicionada em saco plástico, identificada e pesada, para obter a porcentagem de matéria seca em relação ao peso de massa verde, de acordo com Silva & Queiroz (2002).
Para avaliação do número de perfilhos, foi determinado aleatoriamente uma touceira por parcela e esta foi envolvida com um cano PVC medindo 150 mm de diâmetro por 8 cm de altura. A cada corte realizado foi contado manualmente a quantidade de perfilhos dentro do espaço envolto pelo cano.
Os tratos culturais foram realizado manualmente de acordo com a necessidade.
3.5 TABULAÇÃO DOS DADOS
Os dados obtidos de produtividade de massa verde (MV) e matéria seca (MS), perfilhamento e a altura de corte foram submetidos à Análise de Variância e comparados pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Foi aplicada análise de regressão polinomial simples para as doses de nitrogênio.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com os dados apresentados na tabela 2 houve diferença significativa (p<0,05) entre os tratamentos em todos os períodos avaliados para a variável número de perfilhos. Na primeira contagem de perfilho, em 18/09/18 não havia sido feita adubações de cobertura, portanto considera a partir daí o ponto de partida até a última data de avaliação.
Assim pode se observar na (Figura 1) que em todos os tratamentos houve aumentos no perfilhamento, variando de 63,63%, 92,85%, 69,23%, 116,66% a 110,00% nos tratamentos com 0, 150, 300, 450 e 600 kg de N ha-1 respectivamente, entre a primeira avaliação e a última.
Tabela 2. Número de perfilhos em quatro períodos de avaliação em capim Mombaça submetido a doses de adubação nitrogenada.
Tratamentos Períodos
18/09/18 03/10/18 17/10/18 01/11/18
0 kg N ha-1 2,7500b 3,2500c 3,7500c 4,5000c
150 kg N ha-1 3,5000a 5,0000a 6,2500a 6,7500a
300 kg N ha-1 3,2500ab 4,0000b 5,0000b 5,5000b
450 kg N ha-1 3,0000b 4,7500a 6,0000a 6,5000a
600 kg N ha-1 2,5000c 4,2500b 4,7500b 5,2500b
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem estatisticamente pelo teste Tukey a 5%.
Tem-se verificado que aplicações de nitrogênio influenciam no aumento do perfilhamento, na área foliar e no comprimento de raízes do capim Mombaça (LAVRES JÚNIOR & MONTEIRO, 2003). Também foram observados efeitos significativos no número de perfilhos, no número de folhas por perfilho, na taxa de aparecimento e de alongamento das folhas, na duração de vida e no comprimento final da folha do capim Mombaça em função de doses de nitrogênio (GARCEZ NETO et al., 2002).
LAVRES JÚNIOR & MONTEIRO (2003) atribuem o aumento do perfilhamento do primeiro para o segundo corte do capim Mombaça ao fato de que, no período de crescimento inicial, a planta concentra grande parte da energia para o seu estabelecimento, com a formação do sistema radicular e da parte aérea, enquanto que no segundo período de crescimento (segundo corte) a planta, já estabelecida e com maior volume radicular, tem a capacidade de absorver maior quantidade de nutrientes, somado ao fato de que a ação do primeiro corte promove o desenvolvimento das gemas basais, originando maior número de perfilhos.
Figura 1. Número de perfilhos em capim Mombaça submetido a doses de nitrogênio avaliado em quatro períodos.
As alturas de plantas nos diferentes períodos avaliados foram influenciadas pela aplicação de N (Tabela 3). No entanto, observa-se que todos os tratamentos utilizando N em cobertura foram iguais estatisticamente para a variável altura de corte, más no acumulado, há uma tendência de que a maior dose afere a maior altura de corte e utilizando 300 e 450 kg de N ha-1 estas se equiparam no acumulado em altura (Figura 2).
Tabela 3. Altura de corte em centímetros do capim Mombaça submetido a diferentes doses de nitrogênio em três períodos.
Tratamentos Períodos
03/10/18 17/10/18 01/11/18
0 kg N ha-1 68,5000b 59,0000b 62,7500b
150 kg N ha-1 89,7500a 120,0000a 118,2500a
300 kg N ha-1 97,2500a 120,0000a 127,0000a
450 kg N ha-1 95,2500a 120,5000a 130,2500a
600 kg N ha-1 98,7500a 121,7500a 132,0000a
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem estatisticamente pelo teste Tukey a 5%.
Carnevalli et al. (2006) avaliaram o capim Mombaça em pastejo rotativo caracterizado por duas alturas de resíduo (30 e 50 cm) e duas condições de pré-pastejo (95 e 100% de interceptação de luz pelo dossel), em Araras, SP. Os resultados permitiram os referidos autores concluírem que, de forma geral, a maior produção de forragem foi registrada no tratamento de 30 cm de resíduo e 95% de interceptação de luz. Observou-se também que pasto
0,0000 1,0000 2,0000 3,0000 4,0000 5,0000 6,0000 7,0000 8,0000
18/09/18 03/10/18 17/10/18 01/11/18
Número de perfilhos
Datas de Avaliação
0 kg N ha 150 kg N ha 300 kg N ha 450 kg N ha 600 kg N ha
21 de capim Mombaça quando intercepta 95% da luz atinge aproximadamente 90 cm de altura, indicando que essa altura poderia ser utilizada como critério, em campo, confiável para o controle e monitoramento do processo de rebrotação e pastejo.
Moreno (2004) avaliando a produção de forragem e a modelagem para respostas produtivas e morfofisiológicas encontrou valores para a altura de dossel de 93 cm para Mombaça durante o verão. Portanto, diante destas respostas, as características morfosiológicas poderão ser utilizadas como ferramenta de manejo das pastagens.
Figura 2. Altura em centímetros do capim Mombaça sob diferentes doses de nitrogênio em três períodos de avaliação.
De acordo com os dados apresentados na tabela 4 a produção de massa verde foi influenciada (p<0,05) pelos tratamentos, porém não houve diferença significativa entre os tratamentos que utilizou N em cobertura, apenas estes diferenciaram da testemunha (Figura 3).
0,0000 20,0000 40,0000 60,0000 80,0000 100,0000 120,0000 140,0000
03/10/18 17/10/18 01/11/18
Altura de corte em cm
Datas de Avaliação
0 kg N ha 150 kg N ha 300 kg N ha 450 kg N ha 600 kg N ha
Tabela 4. Produtividade de massa verde em t ha-1 do capim Mombaça submetido a diferentes doses de nitrogênio em três períodos de corte.
Tratamentos Períodos
03/10/18 17/10/18 01/11/18
0 kg N ha-1 23,72b 46,27b 41,87b
50 kg N ha-1 42,45ª 75,27a 71,67a
300 kg N ha-1 39,12ª 82,15a 78,72a
450 kg N ha-1 39,77ª 83,25a 81,00a
600 kg N ha-1 35,07ª 85,50a 85,55a
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem estatisticamente pelo teste Tukey a 5%.
O uso de adubos nitrogenados no cultivo das gramíneas forrageiras é primordial, refletindo no aumento da massa verde (MARTIN, 1993), através de uma ação de choque, promovendo seu rápido crescimento, com grande produção de caules e folhas de cor verde- escuro (PUPO, 2002), resultando na utilização dos carboidratos solúveis elaborados pela própria planta (COSTA et al., 1992).
Segundo Jank et al. (2010), o Mombaça pode produzir até 165.000 kg ha-1ano-1 de massa verde, com até 41.000 kg ha-1ano-1 de massa seca, com alta porcentagem de folhas (82%) – o que representa 33.000 kg ha-1 ano-1 de massa seca de folhas –, sendo considerada a mais produtiva entre as cultivares de P. maximum e apresenta bom valor nutritivo com até 13% de proteína nas folhas.
Figura 3. Produtividade em gramas por m² de massa verde do capim Mombaça sob diferentes doses de nitrogênio em três períodos de corte.
0,0000 0,1000 0,2000 0,3000 0,4000 0,5000 0,6000 0,7000 0,8000 0,9000
0 150 300 450 600
Produtividade em g/m²
Doses de nitrogênio em kg ha-1
03/08/2018 17/10/2018 01/11/2018
23 Analisando a tabela 5, observa-se que houve influência dos tratamentos nos teores de matéria seca. Para o primeiro corte, observa-se que utilizando a maior dose de N apresentou menor teor de MS, isso indica que o tratamento tinha mais folhas que os demais no momento do corte. No segundo corte, os tratamentos utilizando 0 e 600 kg ha-1 de N não diferem, bem como nos tratamentos com 150, 300 e 450 kg ha-1 de N. Já no último corte, os tratamentos não influenciaram (p>0,05) nos resultados.
Tabela 5. Teor de matéria seca (MS) em percentual da massa verde do capim Mombaça submetido a diferentes doses de nitrogênio em três períodos.
Tratamentos Períodos
06/10/18 20/10/18 05/11/18
0 kg N ha-1 24,5754a 19,3939b 23,4052a
150 kg N ha-1 25,2359a 21,6272a 25,1206a
300 kg N ha-1 22,4551ab 23,0286a 22,3207a
450 kg N ha-1 20,1846b 25,3967a 22,3527a
600 kg N ha-1 19,7133b 20,6832b 23,8270a
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem estatisticamente pelo teste Tukey a 5%.
A produção de massa seca resulta da atividade fotossintética das folhas, cuja eficiência apresenta grande dependência do tamanho, forma, posição e estrutura dos órgãos que realizam a fotossíntese (HERLING et al.,2001).
O capim Mombaça (Panicum maximum Jacq.) é considerado uma das forrageiras tropicais mais produtivas à disposição dos pecuaristas, podendo atingir produção de massa seca anual em torno de 33 t ha-1 (Jank, 1995).
O N é um dos elementos mais exigidos pelas plantas forrageiras e a sua utilização influencia a produção de massa seca. Segundo Herling et al. (2000), a espécie Panicum maximum, quando submetida à adubação correta, pode alcançar produções acima de 50 t MS ha-1 ano. Os mesmos autores, utilizando adubação de 150 kg ha-1 de N, obtiveram 24,3 t ha-1 no verão e 7,4 t ha-1 no inverno. Sisti et al. (1999), utilizando a mesma adubação, obtiveram 23,8 t ha-1 no verão e 4,9 t ha-1 no inverno, para produção de massa seca do capim Mombaça.
Haja vista que não houve diferença significativa entre os tratamentos para os dados fitotécnicos conclui-se que o mais recomendável seja a utilização de 450 kg de N ha-1 em função do melhor perfilhamento, pois a pastagem ainda está em fase de formação e isto contribuirá significativamente para sua efetividade.
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