SOBRE A
J
il î ti u us MIS ï» A a ï
rj' ASTiiaA .
THESE
APRESENTADA E SUSTENTADA
PERANTE
A
FACULDADE DE MEDICINA
DO RIO DDJANEIRO EM 15 DE DEZEMBRO DE 1840
POB
J1StT&ÏÏ IQ<ODSf2Jl£T23
NATURALDO RIODE JANEIRO, DOUTOREM MEDICINA
E Cirurgião Formado pela Academia Mcdico
-
Cirurgicad'esta Côrte.
Daveniaro scriptis,quorum nongloria nobis Causa,sedmilitas,ofliciumque fuit
.
Ov
.
DEPOïTTOLian.
3.
®'a X
RIO DE JANEIRO ,
TYP
.
DO DIARIO ,DEN.
L.
VIANNA.
1840 .
no mo DE sa JANEIRO .
«MC*
=
Os SENHORES DOUTORES
- —
Lentes Proprietários.
Manoel ilo Yalladão Pimentel Director.
(Pliysica medica
.
Botanica Medica, cprincipioselc
-
(. mentares deZoologia
.
ANNoS
F
.
de 1». CândidoF
.
F.
Allemao. . .
1.
L
ïJ. Y
.
TorresHomem.. .
Examinador..
iCliimicaMedica,
cprincípios ele-
2.*
’
mentares deMineralogia.
(J.Maurício N.Garcia
..
Examinador..
(.
Anathomia geral,
e descriptiva.
(Physiologia
.
I
Anathomiageral,edescriptiva.
Pharmacia, Matoria Medica , es
-
pecialmente a Brasileira,Thc
-
rapcutica ,eArte de Formular
.
Putlndogiainterna
.
Pathologia externa
.
Operações,Anathomia Topogra
-
phien,e Apparellios
.
•'Partos,Moléstias dasmulherespe
- j
jadas,eparidas,edemeni-
V nos rccem
-
nascidos.
1).U
.
dos GuimarãesPeixoto.
J
.
MaurícioN.
GarciaJ
.
J.
deCarvalho.. .
Examinador1 .
JL. .
JF..
daFerreiraSilva. .
C. B
.
Monteiro.
s
fi
.
0^
F.
J.
Xavier Examinador..
.
0t
J.M. da C Johim. ..
Examinador. ..
{Medicina Legal.
‘ (T
.
G.
dos Santos Presidente lHygiene,eHistoria daMedicina.
Clinica interna,cAnathomia Pa
-
thologienrespective
.
Clinica externa ,cAnathomiaPa
-
thologica respective
.
Manoel do V
.
Pimentel.M. F
.
P.doCarvalho.
LENTESSUBSTITUTOS
.
A
.
T.
do Aquino A.
F Martins J.
It.da Itoza... .
L
.
d« A. P.
da Cunha.
I).M
.
d\\.
Americano.
!
. .
da C.
FeijòI
Secção de ScienciasAccessorias.
j
Secção Medica.Secção Cirúrgica
.
Srrrrlano
—
O Sr.
l)r. Luiz Carlos da Fonseca.
Examinador
.
)
VH K m*oiii»l« *1« Ii'im» rMoldçf»« m
.
nFaruldad*nãoappro»»,nrmrrprov»*iopinion»
.
mini*« riiwr«,»•
quer» clrvriu wrrunuidcrndaiconiuprnprlai dciruiaulorn.
1
Á MINHA PRESADA FAM
ÍLIA ,
PEQUENO SIGNAL DA5I1ZADE
.
A MEMORIAI> E MEO RESPEITÁVEL PAI ,
A'MINHA QUERIDA MÃI
TESTEMUNHODE RESPEITO,EGRATIDÃO
.
AOS MEOS VERDADEIROS, E SINCEROS AMIGOS
Homenagemdeconsideração
,
eeslimaque lhes consagraOÀV T O K
.
1» It IJ F A Ç l 0 .
hui lodos os tempos
,
entre todos os povos os maisantigos ,aHygiene
sempre
mereeêo não pequena attenção,
ou fosse applicada aos homens reunidos em massa, ou a cadahum isoladamente.
Le-
gisladores, ePhilosophos de todas as idades tem tlado os mais sá
-
bios preceitos sobre tão importante materia; tem empregado todas asforças do seu genio para hum objecto de tão subido interesse; tem procurado na Hygiene hum meiodemelhorar a sorte
,
e ado-
çar a existência dos seus semelhantes
.
Este interessante ramo da nobre arte decurar , be sem contra
-
dicção de grande merecimento; elle nos dá a maior das felicida
-
des
,
faz-
nos gozaro melhor dos bens.
E na verdade , não he asaude o fanal seductor para onde se dirigem todos ostrabalhos hu
-
manos ? 0Anathomista, oPhysico
,
o Chymico,e todos os, que cullivão as Sciencias , terião huma utilidade real , se n ãoempregas-
sem os seus louváveis esforços sobre o conhecimento do homem, e dos objeclos
,
que lhe podem ser uteis ? Certo, asSciencias não terião por fim, mais que huma esteril curiosidade,
se acaso não tivessem sobre a saudedohomem as maisfecundasapplicaçòes.
Hepois a Hygiene huma parte dasSciencias medicas assaz importante
.
lie hum ramo de moral, lie (segundo Rousseau) huma virtude
.
Fe-
lizo povo que lhepresta cultos
.
eque
cegamenteobedece ás leissuas Depoisque huma longa experiencia dôo nascimento a bumt ão grande numero dc observaçõessobre a utilidade
,
e perigos decer-
tas praticas, que a memoria não as pôde
conservar
; eque riqtie-
ns Ião penosa
,
e longamenteaccumuladas pelosséculos não devião serconfiadas
a huma tradicção infiel, ou ao menos incerta: então foi aHygiene reduzida aarte.
Sua origem não remonta muito alemfjr lr
.
ro, o de J íerodico; estes Sábios estudarãode huma maneira««
pccial
ainfluencia
do regimen,
dos banhos,
a dagymnastic *
so-
—
(1—
l»re asamle
do
homem:por
émHyppocratcs esse
gcnio immcnsoapro -
veitando sera duvidaasdescobertasdosseuspredecessores
,
nostrans -
mittio
preceitos
os mais sábios e nos deixoudifferentes
tratados sobre osprincipaes
objectos daHygiene .
DeHyppocrates
atéCelso
nào se encontrão ideas novas respeitoa arte de conservar a saúde; entretanto lie este hum dos Autores mais instruidos
,
que se póde 1er sobre tal objectode,
onde fez reviver.
osPlutarcoprincípiosescreveo
de Pithagorasa arte de: AuloconservarGelioa satratou
ú-
da educação dos meninos , e do
aleitamento
materno: poré m Ga-
lenoimagina
,
humçãodos maioresprodigiosatalentos,
e de,
extraordinque tem existido,
dotado de hu-
ário saber
,
muito enri-
quecles ,èeoaoutros
Hygiene
sábios:Oribasonada,
mais fizerÆcio,
Pauloão,
d’Egineque seguir,
Alexandree estenderdeTral -
a doutrina Galenica
.
Os modernos muito tem progredido,etem con-
seguido desmedida superioridadeximado a hum typo de perfeiçãoaos
,
aantigosqueseu.
A Hygienetem-
seapro -
estado primitivo dava apenas esperança
.
Aão lie nosso intento dissertar sobre a Iïvgiene geral
,
nem o curto espaço de huma thèse dá campo sufficieutepara
o extenso desenvolvimento de que liesusceptivelsemelhante objecto; nós nos limitamos somente a alguns dos pontos maisimportantes relativos á primeira infancia,
que com Mr.
Halle consideramos desde cimentoaté asegunda dentição.
A Hygiene d’esta epoca da da merece muita consideração ; porquanto he ella,
que vai plantar•is alicerces de huma existência feliz, he ella quo fará gozar hum lisongeiro porvir
.
Oxalá a nossa curta capacidade não se oppozessc ao perfeito desenvolvimento da materia! Possa ao menoseste pequeno trabalho servir de excitante a génios elevados! Mui feliz,í
.
O ellegrangear
ossuffragios
dos meus Sábios Juizes,
e a estima dos meus Concidadãos.
m a
o nas
-
nossavi
-
me u
CAPITULO I .
DOS BANHOS .
$
Lesbainsticies sont aussitrès utiles pour ouvrir les pores de lapeau,etfavoriserla transpira
-
tioncutanée
.
HATIJî
-
COURSD'ACCOICIIBMENS.Os banhostomsemduvidasidousados desdeas primeiras idades do mun
-
do , eosantigos lhes derao sobrea saúde do homem a mais poderosa in
-
fluencia ; se em todasasépocasda vida os banhosconcorrem poderosatnen
-
te paraconservação da saude, a infancia he sein contradicção a quemais necessita d’elles, e indispensáveisse tornáopara entrctiinento do aceio da pélle,epara favorecera transpiraçãotáoessensialà vidadorecem
-
nascido:nós podemos empregaros banhos frios ,mornos, ou quentes ; certascir
-
cunstancias particularesnosguiarãonaescolha d'elles: osbanhos frios , se
-
gundo muilosautores
,
fortificdo aconstituição,
augmentât)aenergia dos or-
gaos ,consolidão os tecidos , impedindoas perdas occasionadas pela trans
-
piração, auginentando a actividade dosystcma digestivo , por consequência facilitando osmeios da reparação
.
Locke foi hum tiosprimeiros Medicos , que ndoptou ousodosbanhos frios, comofortificantesaos meninos ; Floyerseo compatriota concorrco muito, e empregou todos os esforços possíveis para se acreditar estaopinião : Housscau noseu Emilio também adoptou o uso dos banhos frios;porem mais1’
liilosoplios, que Medicos observadores,elles exagerão muito hum uso, que n experiência tem mostradoseus grandes in-
convenientes : quando Lycurgo barbarameuto fazia mergulhar n’hum rio o
rerprn
-
navido, cpor este meio pretendia formar cidadãos fortes, homenscto.ipazes« n ,peloseudesenvolvimento pliisico ,dosustentarnRepublica;aquan
-
áorouboua vida?quantos nãoforfiovictimas desgraçadasde tãocruel ensaio ? Sóescapavãonquclles , cuja constituiçãoforteapresentava resistência,
«• «ooppunhaa taocruelgolpe
.
1’
rulicu barbara,
einliol!I 1 quantos meni-
—
fi-
nos »
.
»onascem fracos ,otornão-
sohomens fortes,
e valentes!que génios , que talentos seperderão por essa terrivellei ! O frio emgeral beinimigo•lo menino,será muito prejudicial principalinenteáaqnolle, que fôr un
—
turnlmeutúfraco amenosqueelleintoconservehuma forçaréactivaparasu
-
portar a impressão) podendo sohrcvir
-
lhegraves resultadoscomocontracçòes dos membros , congestões ,apoplexias&c.
: ainda que se nosappresentem as(laulezas levando ellas mesmas, logo depois do parto , seus filhos paraos banhar no rio , tacsexemplosnãopodem,ser imitados nos nossos dias ; o tempo das Bollovczas ,e dasSegovezas já nãoexiste
,
c se no nossoestado social, ondea educação, ccostumessão tãodiflcrentc.s,
quizessemos adopter<>s usosgrosseiros, omesmo barharos dalgumas hordas selvagens , que nao
\i\iao senão nos bosques; em logar de favorecermos a propagação d’hum povocivilizado,certo , seriamos contrários a cilacpromoveríamos sua extinc
-
ção
.
Quando certas circunstanciasexijao o empregod'elles, não odevemos lazerrapidamente; massim principiando por quentes , mornos ,egradativa-
mente fazendodescera temperatura ate que cheguemos a frios
.
Osbanhos mornos amaciãoa pelle,diminuemairritabilidade geral,favorecem afunc-
ção dupelle, produzem hum estado geral agradavel, efazem apparccer hum
soinno consoladoresalutar,estes sao os mais convenientes ,e dequesede
-
ve lançar mão para entreter
-
seoaceio dos meninos,
cconservar-
sea suasaude. Os banhos quentes não convém aosrecem
-
nascidos,
elles excitâoo systema nervoso , promovem abundantemente a transpiração , cos poemem humadebilidade,
cincomtnodidado,
que lhessão nimiamentefataes.
CAPITULO II .
DA VESTIMENTA
.
Lesmembres d'uncorps,quicrôit,doiventílreau large dans leur vetimenl;rien nedoitgener leur mouvement,nileur accroissement
.
J J.RnrssKAr
.
A maneira devestir hum rcccm
-
nascido influe muito sobre suasfunc-
o'
-
i présentes e futuras, usobreosdostinos desuavida : porlongo tempo-
< tr-
in cominettido muitos erros no modo de vestiros meninos, osquae«Irn/iao males incalculáveis, edetrimento a sua saudo
.
Com ofleilo nadasepronuncia mais contrario ás intenções danatures»
,
que omodo de vestir. .
meninos adoptado autigamunto«m totla a Europa e «mire n«'»s: «**mc-
010« muUidj* cm hum
.
i estufa, privados de lodoso<«eus movimentos, e—
1)—
'
•
'llremlt» grandes apertos(')sobroo thorax, eabdomen , naopodiao ici"bumaU naturalcompress
desenvolvimento
ão tao forte,;tornavaoas visccras-
seincapazesthoracicasdeoseuahdomiiiacs , solircrescimento,e-
eraoudo»‘de do dillorontesenfermidades: quantus vidimus tem feito nossosdesgra -
ç
ados usos! Porem comoa natures« triumpha de nossos barharos obstácu-
los! triumpha; masella nãoconserva se
nao
huma vida,queserá depouca duração, e bumcorposem as formas , e graças que pertencemá força , e a saude.
Parece,
quecom iguaes laços nao se poderia criar bum só me-
nino; entretantoa populaçãosempre foi em augmento:sim! mas aespecie humana está deteriorada, e no estado social assuas formasse temafasta
-
do muito das primitivas
.
Comparem-
se com as dos povos , em que todoo aperto lie proscripto
,
e veremos quanto as gerações setem arruinado ,o,
sobre tudo, quão poucos homens tem no thorax aquellas , que deviáo ser naturaes
.
OsAsiáticos,
osTurcos, os Africanos , e todos ospovos , cujosor-
gãos setem desenvolvidocm liberdade,sãoremarcaveispela largura dopeito, do dorso, edesuasespaduas, que ostornuomaisbellos
,
maisfortes,mais sadios.
Hoje onossousoliemuitomaismoderado ,ejásetembanidooexcessoda antiguidade: com tudoaindaha muitas mais, que usao por muito tempo
îlegrandes cinteirosapertados, decoeiros delaa, e dedillerentes pannes , quenao sãopouco prejudiciacs ,eoppostosásaude dosmeninos
.
Kmquanto omisoiiacordãodeumbilicnllaafina,naoalgunscabepannos; bumiScccinteirofara,
huma camisa fina , humaca-
óocompletotoilete do recem
-
nascido; tudoisto deveserapplicado de talsorte , que conservandoocalor periférico
,
naoconstranjaosseusmovimentos;poremalguns diasdepois da queda do cordão,
quandooannel umbilicalseachar maisforte , e menos disposto á hernia ,ocinteirotorna-
seinútil , c será despresado;somentese adoptará o mais, salvose bum estadopathologicoreclamaralguma uttençao particular.
Agrandeartede vestir bum menino, lieterasua vestimenta mcdiocre
-
menteapertada; d’esta maneira ellaentretern hum docecalor no seucorpo, sem seopporaos seusmovimentos: antigamente asamas nao secontentavdo de trazer os meninos nomaior aperto ,edeospregar comalfinetes;(*’)
(*) Apenas a criança tem sabido do utero desua mai , eapenas go
-
«a da liberdade demover , e deestender seus membros daolhenovaspri
-
soe
-
, enfaixão,edeitao-
na pondo-lhe a cabeça presa,
aspernas estiradas,os braços unidos nos ladosdocorpo, cercao
-
na dc pannos, e de ataduras de diversas qualidades que Hies nao hepermittido mudar delugar.
(Juan-
tonáoseriáofelizes ascrianças seassim nao fossem apertadas, a ponto de nao poderem respirar , o que antes tivessem a precaução de as deitar de burn lado , para que as humidades
,
que lançãopela boca, podessemcom facilidade sahir ; porque lhes lie impossível voltar a cabeça para facilitar suaevacuação
.
Bouffon.
Hist.
nat.
( * *) Deve
-
se banirinteiramontoouso dos alfinetes , que adoptáo ai-
mais para pregar a roupado menino
,
ellespodempicandoapelle.
R i t m a s
10
—
»‘lias julgavSo necessário ligal
-
os corn huma atadurad'esde os pés atéas es-
pailuas, os braçosmesmo não escnpavAo u esta prisão , scnao no (im de seis semanas
,
e sódurante o dia: costumetyranno e matador , que só aignorância pôde inventar!o menino assim ligado , posto que naturalmen-
te vivo , e inimigodo repoiso, era condemnado a guardar a mesma posi
-
ção, ainda que lho fosse muito incommoda: e a despeito da natureza, prevaleciaaarte ahsurda ,eprejudicialparadegradação dophisico dohomem
.
Duranteoverãoserá vantajoso não usar
-
seda camisa de lãa, que re-
servar
-
se-
ha para os dias frios e húmidos, e n'estes dias seráde alguma utilidade usar-
sede hum leve honete.
O menino, ámedida que fôr cres-
cendopóde vestir
-
se dedifferentes modos,
segundoogosto,
ccaprichodas famílias,comtantoque os seusorgãos nao sejaocomprimidos,
e que seja, duranteoinverno,
preferida a vestimentadelaa,edecôrpretaou escura.
CAPITULO III .
DO ALEITAMENTO MATERNO
.
Se hadebaixo doCéohumobjecto,que mereça fixar asvistas daDivindade ,liesem conlradicção huma rnãi,queamamentaseu filho
.
J
.
A.5111.LOT.A mulher
,
que tem hum filho,
ficasugeita a huma lei imposta pela natureza, à qual não póde subtrahir-
se, sem expôr suasaude a funestos resultados,
e sem que os males,
que resultão d’esta omissão,se esten-
dâoaseu filho : se aquella que cumpre tãosagrada lei , merece encomios, e suffragios dos seus semelhantes; censurável, e digna de despreso he aquella
,
cujo estado de saude,
e circunstancias convenientes lhe permit-
tern amamentarseu innocente filho
,
cque se furta a tão doce desem-
penho , ou pelo prejuizo de, arruinar a saude
,
dc perder a elegancia do ta-
lhe, e aformosura dos seusseios ; motivos , que deverião movcl
-
a,
so ellafosse mais instruída
,
á execução d’este dever; poisque deve ter emvistas queasmulheresGregas,
e Romanas criavãoseus íilhos,
cos historiadoresou
penetrando
a fontanclla dar logar ngritos contínuos,
áconvulsões c a uiortescomo aconteceo a meninos tiequo fallûolinen,
o Undcrvood*( Capuron
.
)- I l
—
f.illâo com enthusiasmode sua bellcza,eque as Georgiannas, quesflose
-
gundoattestâoviajantes,as mais bel lus«loUniverso
,
devemaocostume, em que estão, do criar seus filhos , a vantagem, que gosáo, de ter o mais brilhante colorido, conservando sua frescura,c lindos seios atéa idade de mais de quarenta annos ; ouporqueoluxo corruptor ,armado deseusloucos caprichosa fazinhuman» ,e endurecendo seucoração,atornasurda ,eina-
halavclás caricias, eàslagrimas de quem tanto necessita dos seussoccorros ; ecom manifesta ingratidãoentrega seu filhoù huma mulher,que por ne
-
nhumtitulo lheprestará oleite ,eoscuidados,que lhesãonecessários
.
He inegável,
que entronós ,passa por rnoda deixarem asmaisdedaropuro leite aseusfilhos, paradeposital-
os nasbrutas mãosde humaamagrosseira, emuitas vezescompoucasaude;equeos vaicriarcontraavontade:Barbaras! abando-
nar oobjecto ,quelhedevesermaiscaro,e aquem devemdedicarsua alma,e seu coraçao1 Quem mais , que huma maicarinhosa , póde dar o leite pro
-
prio , e prestar oscuidadosqueomenino necessita nos
primeiros
tempos desua existência? Oh! não vosnegueis a tao sagrada obrigação! Os animaes feroses áellasesubmeltem, edao a seus filhos todos ossoccorros necessários depois do nascimento !vós nãosois maisduras, que elles: não vospersua
-
daesqueanatureza vos ornoucom essesmimosospomosarredondados pelas mãos das Graças sópor vostornar niais hellas, e maisseduclôras;cilateve vistas outro fim mais justo. Porem mulheres há, queasuapoucasau
-
de, eafraquesa do suaconstituição aspriva d’essepraser,e impossívellhes he nutrir seus(ilhós"; assimaquella, queestiver affectada de certas molés
-
tiascomoPtysica pulmonar , scorbuto ,scrophulas, d.irtros,crancros
,
rachi-
tismo<5cc., aquella que fôr fraca e lânguida , que exercer alguma profissão nãosaudavcl , que asecreçãodo leite nãofôr sufficient, ou nãotiver lo
-
om
gar , que respirar continuamente máo ar &c
.
; hecom toda a justiça dis-
pensada : onosso rigor arespeita , porqueseteimar a dar leite,a seusfilhos , a existência dc ambosserá compromoltida, e viráó a ser victimas desgraça
-
das ; mas estascircunstancias n
.
ioformão senãoexcepções,em todasasou-
tras a naturesa obriga as mais a nutrir seusfilhos,ella não sofrerá impu
-
nemente qualquer transgressão, e vingará o ultraje que lhe for feito
.
SUAS VANTAGENS
.
Duasrasoesprincipaes devem empenharamaianutrirseus filhos, oin
-
teresse de gozar huma boa saude ,eautilidade ,que colheo menino de ser amamentadopelapropria mai:aquella,que surdaao votodanaturesa nega peitono filho ,estásugeita omuito mais enfermidadesdepois do parto , doquo aquella , que desempenhatãosagradamissão;ccrtamcnte
,
a quedá cunho ,ccomplementoamaternidade.
Km Iodasa> mulheres , depois do parto , os seiosappresentáohum li
-
cor,destinadopelo Author da naturesa paranutriçãodos meninos;sccilas naocriãoseus filhos, este licor demora
-
so nos peitos, coaguln-
se n’elles,inita-os,forma inílammaçoes ,acompanhadasde terrí veisdores, quo a flagel
-
lacontiriuamcnte; dáorigem a tumores, c ascirros
mulher tem dispozição, apparecem cancros , principaluicnte na época
,
»eu
e muitasvezesse « em
l
á —
que ileve cPS'iir n menstruação
.
A inulhor qua criar ficará provavelmente1'mptaili febre tl<’ leite , e.seesta sobrevier , será muito mais moderada;
>> contrario appnrccurá intensa n’aquelln,que se negar,e muitas vezes o desenvolvimento do appurato febril, que acompanha a revoluçãodo leite
,
l.iwoecerà a inlluencia dodifferentes causas
,
e fará nascer graves enfermi-
dades
.
que sem a sua presença scriãode nenhum efibilo.
A irritação que a acção de mamar produz nos peitos,póde tornar
-
se hum preservativo; póde mesmo dirivar certas moléstias,
que iriâoaccoimnet-
ter dilTerentes orgãos; evitará muitas infiammaçóes no utero
,
(que depois do parto se acha tãodisposto a uffootar- se)
e odesenvolvimento de scirros , u cancros n'este orgáo.
Vmulher quecrianão sóestá menos expostaa differentesenfermidades, qm
-
sedesenvolvem logo depoisdo parto,
enaidade emquedevem cessar as suas regras; comotambém fica mais segura do amor do seu esposo ; por-
que nada he mais capaz de despertaro alléelo, sustentar a amizade
,
ede tornar esta adhesao sólida, e constante.
Náo he repugnante a huma cari-
nhosa mai, que seu fillio ame aoutra por dever
-
lhe mais que aella? Na mulher onde ha os puros cuidados de huma mai ( diz Rousseau) não deve lambem haver a inclinação , e amor de hum filh>? A mulher,
que cria , he a verdadeira mai, esta lie amesmaidèa, queMr.
Noysi apprcsenta n es-
tes dous versos de seu Drama intitulado
—
A verdadeira mai.
« Par
-
toutá haute voix la nature le dit«La veritable mère est celle
,
que nourrit.
Em fim a experiência tem mostrado que morrem mais mulheres , dü
-
nnte os partos,e»las suas consequências , quando ellas nãocriao
,
do que quandodesempenhao estesagradodever, cujo complemento lhesdá odoce nomede maisperfeitas.
Quanto devemos recearda mulher, que náo cria 1 que tormentos a esporão! quantas lagrimas lhe custara tao revoltante procedi-
mento!
«Jovens esposas, se todos estes perigos vos causão apenas ligeira im
-
«pressão ;se a perda de vossasaúde vosabala dc longe:ao menosvos to
-
•
> que,e sensibiliseo interesse pelo objecto, que mais vos devesurprehen-
K der: palpite o vosso coração por quem cuidadosaincntc alimentastes nas entranhas , e nao consinta a vossa ternura , queseja victima de
• huma pratica immoralaqucllc, que vem estreitar osdoces laços do amor
« conjugal, e favonear a vossa existência e a doesposo amado: periga a
4
-
nascent• vida de vosso filho se lhe negaes os peitos, náo o sacrifiqueis ,f» q
- .
i iiaes vòr morto, oucoberto de enfermidades,
que o arrasta-
r /in(ao tunulo: lembrai
-
vos que a ingrata mai, que despresa seus ten-
ilhiiihos, eosentregaà huma estranha, faz desapparecer ou ao me
-
« II0‘eiifi
.
iqiirn:extrcinamento a affeiçao, c aamizade, com que a natu-u vsa une.aalma dos meninos á do seus Pais: vósmesmassentireis ditni
-
» nuir, e emíiin apagnr
-
sc a chama sagrada »lo amor materno,
que•
venleirns mflis nada póde extinguir.
“ A naluieu rc’
- .
s»nlida procura vingar-
se.
O menino só eonheee »>« vio, que «» aleita; siuliun
-
ulos d'atuismle , caricias, tudo he dedicado «" UM«ma,‘óairnliffcmiçn, » esquecimento oahemà Mai;lodososgemnr
.
v«vossas
* nein
•
' ronnas
I
:
í» il> amorapprcsenlnfilluI snoalgumasulTooados naumisadoauroraa o sautores dos«la vida
,
doSIMISmaneira quedias,
nãoselieOguiame - -
«do [»elo grito da uaturesa
,
lie dm humademonstrarão de pura civili-
« daile
.
u mno
O menino , que tem a fortuna de ser creado por sna Alai
,
gosandn dos seus continuados dcsvélos, appresentarú huma saude brilhante , e vigo-
losa; oseu rizo, a vivacidade do seusolhos darão provas seguras docon
-
tentamento de sua alma, ereconhecendoosassíduoscuidados maternoslhe, adquirira firme amisade ,easua gratidão será hum diaomais valiosopré
-
mio de tãohonrosa tarefa
.
Auaturesa tem coordenado a pouca consistên-
ciaquesado, cleitepouca, logo depoisenergia do estomago do menino , elle liedo parto ,conhecido pelo nome o que mais lhecolostrumàfra
-
<ouvem, pois queseroso , e tenue
,
hede mui facil digestão,esuasqua-
lidades nutritivas saoproporcionadasás necessidades domenino ; alemd'is* to pela faculdadepurgi
.
tiva , lubrifica o canal intestinal , dissolveasmatérias, que elle contem, e facilita a expulsãodo meconium, e a proporção queo menino cresce
,
e toma maior desenvolvimento, também o leite torna-
semais consistente , e adquire maior capacidade nutritiva
.
Entreos braços<le sua Alai o menino não tem que temer ainsensibilidade ,enegligencia , el-
le lerá todos ossoccorrosnecessários, egozandohumasaule florescente fa
-
rá as diiicias dos pais , ca esperança dasuaNação ;poisque pode
-
se mes-
modizer, que a inamenlaçáo materna he o maisseguro meiode fornecer a Patria homens robustos
,
e de melhorar os seus costumes.
ESCOLHA DE 1IUMA AMA
.
Quandohuma mai nor ju
-
losmotivosnãopudercumprir odever, queIlic lie imposto pelo titulo demài ; e for reduzida atriste necessidade cie confiará mãosestranhas oprosado fructo das suasentranhas:então cuida
-
dosos maisminuciosos se devem empregar na escolha do huma ama;por
-
que d’ella depende toda a felicidadefutura do menino: lie muito dilficil encontrar
-
se huma ama , que seja outra mai , isto lie , que tenha a mesma idade ,o mesmotemperamento , a mesma saude; e cujo leitese-
ja inteiramenteanalogo : he muito dilficil achar
-
se cm huma mercenária a probidade , doçura, sensibilidade , amisade,
e ternura; eem huma palavra todas as qualidadesde huma verdadeira mai ; estas reflexões serião nimia-
uienteaíHictivas ,e magoaria.)oscorações dospais ,seaexperiencianão nos mostrasse
,
que algumas amas lia , que nãosendo inleiramentc semelhantes As mais , com tudo nutrem os meninos, cdão-
lhes hum desenvolvimento,
c estado dc saude ,capazesd’agradar
.
Alas na escolha de huma ama quedifliculdades
a vencer? que temiveis embaraçosa evitar ? Heprecisoter em vistas muitas circunstancias; he preferível huma ama,
que tenha vinte , a trinta ccinco nunosdeidade, antes da primeira epocaocorponão seacha phtamenlc desenvolvido, edepois da segunda muitas mulheres já não dao leite «llTicieiite para nutrir o menino.
II
, .
muitovantajoso queaamatenha tido seu filho ao mesmo tempo.
mai do menino
,
para queoleite por suas qualidades se aproximeo romque a
1 1
mais possível a nquellc , que o devia alimentar
.
Sendo mais velho,
o hi-
le torna
-
se de maisdiflicildigestão ; adquire huma consistência nãopropor-
cionada A fraqueza das v ísceras do menino ; elle produzirá continuas indi
-
gestguidoões, fraco ,; c emelogara mortede
.
crescer, eaproveitar,
o menino tornar-
sc-
ha lan-
será oresultado. A amadeveapresentarhuma gor
-
dura mediocre , huma constituiçãoforte , deve ser habitualmente sadia , e isempta de moléstias, sem deformidade apparente;cila deve ter nboca guar
-
necida de hellos dentes, ohálito agradavel , as gengivas firmes , c em bom estado; os seios devem ser de hum volumeordinário, omamelão apresen
-
tando differentes orifícios, e de huma longura conveniente;deve
-
seregei-
tar aquella, cuja pélle fór coberta de erupções , cuja transpiração tiver hum cheiro forte, quefôraffectadado{loresbrancas
,
ede cngorgilamento de glandulas kc.
Se pelo tempo adiante descobrir-
sealgumas enfermidades*na amacomodartros, endurecimentos glnndulosos &c
.
emalguma partedo corpo, cuja existência não tivesse sidodescoberta no primeiro exaine.
hemister mudar o maisdepressa possivcl;esta mudançadeama , aquemui
-
tos paisse oppoem com receio de que os meninos sintão,e regeitem a troca do peito, hcabsolutamente neccssaria para que o menino não her
-
de osvicios , de que a ama podeestar infeccionada : porquese he certo, queo leiteserve de vehiculo aosmedicamentos, ccuraasenfermidadesdo menino; lieevidente, que , se servede vehiculo aos medicamentos , tam
-
bém servirá do virus ,dequeestiver affectada aama
.
Ocaracter,e o moral da amanãodevem serindifferentespara suaes- colha
.
Que huma ama, diz o Philosopho de Genova , seja tão sãa de co-
ração comodecorpo, isto lie, queella nãotenha doenças , nemviciosino
-
raes; que sejade hum humor docil , e jovial, pois que faráapparecer no meninotodasas suas inclinações;elle apresentará em miniatura o seufí
-
sico e moral. Aquella, que for sugeita á cólera, que tiver huma lenden
-
eia a raiva , aoodio, á inveja , ao ciúme&c
.
será hum verdadeiro flagel-
lo para o menino
.
Já os antigos sabiao mui hem queosvicios,
e as boasqualidades muitas vezes setransmittiáo pelo leite; nós estamos convencidos d’esta verdade
,
e alguma attenção será bastantepara nos offerecer mil pro-
vas;quando em Virgílio Dido exprobra Eneas ,seu amado,pela ingratidão com quea trataquerendo ausentar
-
sebarbaraniente para Italia, tendo-lhe occultado por muito temposeu cruel projecto; cheia dedôr,
e raiva, as-
simdiz:
Nectibi Diva parens, generis nec Dardanus auctor , Perfide: sed duris genuitte.eautibus horrens
.
Caucasus,Ilyrcanœque admorunt ubera tigres
.
(*)Bem nos mostra , que oleite tem decidida influencia sobre o moral,
que tanta ferocidadedc hum coração , devia necessariamente ser tirada do seiodeliurna fei n, pois o leite de,huma Deosanão podia produzir huma alma tãodura. Se osgrandes compositores Italianos achao, e compoemem lodososclimasessa divina melodia, que não podeminventar algunsoutros
(*) Virg
.
L.
°4.° dasEneidos versos dGfi.
15
—
Europcos;
-
cm duvida ellesa devem nàosò a seuclima , mas a humaor-
iMiiivti
-
circunstancias<;ão particularaccessories ; se, noleite,
queellesosfossemalimentouremovidos,ea,humealeitadosconcurso
porde ccrmu- -
lheres d’outras nações ; certo, que perderiãoessaqualidndefeliz, o tornai
-
xc-hiãoincapazesdebrilhantesproducções
.
Peloque fica ditoconcluimos,
que o phisico, eomoral da ama nos devemerecer grandeimportância; e que-
oaescolhermoscom todasc.'tas precauções,ccuidndosacima exarados , as fam ílias,que forem zelosas desua conservação,chegaráonoultimo gráode perfeição phisicacmoral.
ALEITAMENTOARTIFICIAL
.
Quandohuma causa qualquernosobrigar alançarmãodo aleitamento artificial , para irmosdeaccôrdocoma naturesa ,buscaríamosaquelleleite, que maisseaproximasse ao da mulher;c sesempre fossepossível, faría
-
mos o menino tomar oleite no proprioseio:A analyse chimica nos faz conhecer que o leite , que mais sc aproxima por suas qualidades ao da mulher, lie sem duvidaode burra;esteseriaoque deveríamosdaraome
-
nino,senãohouvessem grandesdiffieuldades;depoisdo leite de hurra o,que mais scassemelhahe o de egoa,depoisd'estesegue
-
seodevacca :oleite de cabra lie o , que leni menos analogia com oda mulher ,e entretanto hc omais empregado paraoaleitamento artificial pela facilidadede conscr-
\ar-.
-
e talanimal, eporqueconsegue-seque omeninochupenoobre; d’es-
tc leite a materia butiroza lie maissólida ainda , que o de vacca, esua materia caseosa ,he dura , e de dilücil digestão: portanto concluimos, que o leite decabra heo ultimo , de quese deve lançar maopara o aleita
-
mentoartificial ,e(piandose empregue, nno deve ser puro ,devecombi
-
nar-se com huma decocçãode cevada, ou de grama ; assimdiluído
,
ficará de mais fácil digestão,e em relaçao cora asforçasdcgeslivas do menino;e para imitar-
sea naturesasediminue cadadia a porção d’estediluente,e se augmentaa consistência do leite, a medida queo mesmo cresce, até aos mezes, épocaemque elle podetomarsem mistura alguma; eserámais natural, que o meninose nutra mesmo no ulire.
Na verdade, sco leite da cobra por suas qualidades chimicas nãodif
-
ferisse tantodo da mulher, seria semduvida aoque dever íamos recorrer , r muitas rasoesparecem justificarestaescolha; agrossura, eforma dos bi
-
cos das mamas, que a boca do menino pode facilmente segurar , a abun
-
dancia do leite , a facilidadecom quesepodeapresentarsua inaniaaome
-
nino , aamisade, que este animal ,liesusceplivcí deconceberporelle òcc., justos motivosdepreferencia; poreuiantes quea cabraseacostume a mamentar omenino, he necessário haver muita cautclla; porque sua petu
-
lância , e impaciência expõem omenino , aalgunsperigos, queseevitarão,
prestando
-
sealgum cuidado; também lienecessário , que cila não seja mui-
to moça, nem muito velha; c quoseu leite nãoseja muito aromatico:af
-
firmo
-
se,queascabrasseinpontas ,ccujo púlo hobranco , produzem humJeito porfeita monte inodoro, e muitoconveniente
.
Quando o menino não puder chupar oleite no ubreda cubra dar-
se-
ha por meio de huma co-
9t*!S
>ao
1(5
‘
gioshcr,mereceo ou
por hum bebedor; oinventado porM
."*':Breton ,
que tantos elo-
, forma
-
se do huma garrafapequena ,
cujo gargaloguarneci-
do com huma esponja
presa
por hum lio, represente a forma do bico do peito; pode cobrir-
se a esponja com hum panodelirado:o uso do bebe-
dor mereceria preferencia
,
senão fosse o iueomtnodo,
e a dilficuldade de estar sempre lavando-
se,
pela necessidade deconservar
-se o aparelho na maior limpesa possível.
PRINCIPIO
,
ETERMINA
ÇÃO DO ALEITAMENTO.
Poucas horas depois do nascimentoo peito deveser apresentado ao rr
-
ccm
-
nascido ; he hum erro popular,
quenãodeixade arrastar grandesmales, crer-
se , que lie necessário,
que a febre dc leitese declare,
obrigando o menino a hum prolongado jejum.
Hemui diílicil marcar-
seaocerto a hora, em que a mãi devedar o primeiro leiteaseufilho; porem osseus gritos,
e vagidos; os movimentos desucção ,que elle executa com força , darão a conhecer a necessidade , que ellesent*.
( ) aleitamento deve durar mais ou menos tempo ,segundo a robustez,
ou fraqueza do menino ; em geral, a mãi oua amanão lhe deve negar o peio, senão quando ellepuderpassar sem leite , e usar de outros alimentos de mais di ílicil digestão: a naturesa parece ensinar-
nos que a sahida dos dentes deve servir de guia, e deter-
minar a época, emquese deve desmamaro menino:esta época indeter
-
minada nãopodeser a mesma para todos:alguns práticos pretendem quea lactação prolongada alem de hum anno he prejudicial ao menino, porque odispõem a rachitis
,
ascrophulas &c.
; porem quantos factosmiose poderão allegar afavor dehuma opiniãocontraria? Opartidomaisseguro hesempre desmamar o mais tarde possivel.
Também privar o menino de mamarre-
pentinamentelie
-
lhe muito prejudicial, devo-
se pois proceder gradualmonte , r.de huma maneira inscnsivel. Na primeira semana, diz Mr.
Gradicu,
a mulher deve apresentaropeito ao menino huma vez de menos por dia, na semana seguinte devediminuir maisonumero devezes,
quecilacostumava aleitar o menino,
eassim pordiante,
até que elle não mame mais,que huma vez por dia ;deixa-
sedepoisdiae meio, dois,
e mesmo Irezsem ma-
mar ,
tendoo cuidado deaugrnmitar-
seem proporçõesconvenientesoalimen-
to , que deve suprira falta do leite
.
Outro cuidado a e.
xigir-
se lie que nãodeem demamar a outros meninos na
presen
ça
d’aquello, quescpretende desmamar.
17
—
CAPITULO IV .
DO LEITO DO RECEM
-
NASCIDO.
Lr‘rnfm» sinfi clrvéssont be»ucoufplusbeaux , plusfermes ,et plus forts,quetous lesautre» dumême4ge
.
( A i r
.
L E R)O homem lie de todosos nuimacs aquclle , que mais dorme nos pri
-
meiros momentos da sua existência
.
Se o menino tiver convenientemente evacuado depoisdoseu nascimento,se,gosaudodo calor desuamãi, receber bumleitevivificante,eabundante;semduvida conciliará bumsomnolongo,
e satisfaclorio , até quehuma necessidade ofaçadespertar; porem be muito necessário lixarmos nossa attençfio sobre o leito, elle deve ser tal , que favoreçaosomno,ecoadjuvea naturesanocompletodesenvolvimentodome
-
inno ; não deve ser muito molle, nem demasiadamente duro; sobre hum leito molleosmusculosdo menino tem humapoiovacillante, semelhantea bumsolo sem firmeza, onde scanda com di íTiculdade, cfadiga; porque o esforçocontinuo não acha reacçaosobre hum ponto deapoio inovei; n’elle
omenino transpira consideravelmente durante seusomno;todososorifícios, e sphincteresserelachao,edaooccasião aexpulsão dematériasfecaes,eurina* sobre oleito;incominodo que dura até huma idadeavançada
.
Osmeninos, quese deitao em hum leito duro,
íicão maisfortes,andãomuitomaiscedo emuito melhor.
Lycurgo nãodeixouás mais ocuidado da composição do leito, elle queria, que os meninos fossem deitados duramentesobre palhas bem balidas,poremcobertos devestimentas quentes.
Osmeninos assim creados tem huma firmesa muscular , que nãotem os outros , ehuma aptidão para melhor suportarorigor dofrio, edocalor;nãolie semrazão,
quePlutarco attribue a força , easgraças d'Alcibiades ao mcthodoSpartano,com que foi creado; os (Jregos, eos Romanos creadospor mulheresdeSparta erão mais robustos, e mais hem feitos Hum berço lieo leito, que se devepreferir para o recem-
nascido, este deve scr forrado por hum pequeno colchãode crina , ou de palha , sebanirá ode penna oudeláa , cujo excessivo calor sera incommode, ecuja molesa poderá favorecer amáattitude do corpo: deitar•se-
haomenino sobre hum dos lados,
tendo a cabeça, cas espaduas hum pouco elevados para facilitar a rejeição da saliva , ou de mucosidade* deque *ii peito< ià maisou menos sohcarregado ; depois omenino devo»er roh:locom hum pauno fino, osobro esto npplicar
-
se-
hahumapequona cobroUi de la-
i,
ou huma pelleîle carneiro, podo cobrir-
se esto pequenob i t u p u a iiiuJour aiuij»rc.»s:io dal u z,oudo IVio, poremocortinado >eri
— 18
hastantoelevado , econservar
-
so-
ha mui abertoparapcrmitlir ronovar-
seo nr : o berço dove estar baslantcmcnlc conchegado ao leiloda mai para queo menino tenha todos ossoccorros com promptidao, c paru recebero calor fortificantedesuamai.
Housomuito seguido embalar ascriançasparaasador-
mecer, poremeste meio ho muitoperigoso, alem do rnáo habito,em que os meninos licäode nãodormirsem esses movimentos, pode alterar a or
-
ganisaçdodo cercbro, mudar o rythmodomovimento naturaláeconomia, produzir huma grande perturbação nas vísceras &c
.
(’) « Oembalar as«crianças,diz Garret,paraasadormecer,e callar, lie vicio
,
que aindapre-
«domina muito , c que não teve outro principiosenãoacommodidade das
«amas, que sc enfadáo doschôros do innocente,e develar em quanto
«elle não dorme
.
O embalar adormenta a criança , porqueapoecm hum« estado de turpor, etem oefleilo dos narcóticos ,quesão momentanea
-
«mente sedativos, massempre irritantes
.
Desarranja-
se a digestão, esc.en -«torpcce ocercbro, mas aosabir d’essctorporairritaçãoha dcaugmenlar,
«ca proporçãoquese tornar habitual este pernicioso meio,a irritabilidade
« doestomago, edosnervosse tornaráchronica, e talvezincurável
.
» Galeno emseu tempo conseguio destruir este fatal uso.
Era por doces canções , por huma terna melodia queosGregos faziâoadormecerseusfilhos, e por imitação a estes,o paide.
Montaigne fazia acordarseu filhoaosom d’instrumentos; tão hellos costumes nãotemosainda adoptado, e nempos-
suímoshumaarte de fazer dormir , eacordar os meninos por meios har
-
moniosos , propriosa aperfeiçoar assensações
.
CAPITULO V .
DOS ALIMENTOS
.
Corporagorem ;lustenlansmxiloiexliiiaraus,inataurans viretânimos.,animique vi
-
PHR
.
Nos primeiros dias depoisdonascimento ounicoalimento, e omaia
necessário
,
quese devedar nomenino, lie sem duvida oleitematerno;he ellenaturesa, quemais sepor suacombina ,pouca consistemais emência,
pela facilidaderela dedigirir-
se,
eporsuação seacha com a pouca força doestomago do'reccm
-
nascido ; porem passado algum espaçode tempo hcI ) Educação IMiisico
.
Carta 2.
* pog.
57.
I í
> —
"’ l
,
r‘c>suat
^ °
aj, , ,
llarao »'
so >loleitealguns outros alimentos,quonflosendo [>r»*)i:dinars no estomago,concorrao,efavoreçáomuitou nutrição.
Osmo-
"
1"°
'creudos com o leito, ainda quo se mostrem gordos, e illudão pelalo«antadora , tem huma constituiancora brilhante, ccoloiidoçãda sua po quasiêlle ,sempreapresentandoIraca ,eas suashuma bollesa en
carnes
sao-
nmito 11,
.
cillas.
L quanto naosofrornelles naépocadedesmamar-
se, pas-
sanilode repente de hum modotio nutrição, para outrolao différente? eer
-
tauienletencia: que esta Iranziportanto he muitoçaonaonecessserásem perigo, e compromellcrá sua exis
-
ário,queosmeninos sehabituem aoutros alimentos, paraque lhessojaapenassensível a ausênciado leite , quando
»0separarem doseio materno.
Osmeninostemnecessidade paraviver,ecrescerde huma grandequan
-
tidade de materia alimentar, e oleite, principalmentedemulheres fracas, o delicadas ,comosão quasi todas no nosso estudosocial , naohesufficient«. Si nósconsideramos comohuma necessidade o uso dealgunsalimentos juntamente como leite , tamhein nãodesconhecemosagrandecircunspecçao
,
quese deve empregar na escolhad'elles:na verdade assim como hum ali-
mento delicado , e que está cm relação coma fraquesa doestomago,deve concorrer para obem
.
estar do menino; assim lambem osalimentosgros-
seiros devem irazer males incalculáveis, carrastar asua ruina
.
Naosepodemarcarexactamenléquando se deve principiar comosali
-
mentos; pois que certas circunstancias, da partedomenino, ou dequemo cria, obrigão a usar d’ellesmais
,
ou menos cedo : em geral depoisdos1resuiczcs sedeve dar principio
.
Chegado o momento,emque omeninodevefazer uso d'outrosalimen
-
tos, quaes , osque merecem preferencia? Devemser tirados do reino ve
-
getal ? Snppomos que não: porquanto o regimen vegetal enfraquece os orgãosdigestivos, e a circulação , produz pouco calor animal, diminuea actividade da nutrição, faz nascer humaconstituição fraca, predispõe ás moléstias chronicas, aoscorbuto ,oásscropbulas:eseguramenteseriabeen prejudicialao menino , e contrario aos nossosdesejos:porquehe nosso in
-
tentoelevar as suas forças,oajudar anaturesa ;esóno regimen animal
,
usadocomprudência, acharemos matériasparatal fin».
Ile uso muitoseguidodar
-
se aos meninos oalimento preparadocomo papas , ousopas: quasi todos os práticosdespresãoaquellas,tomo huma colla,ou grude dedidicil digestão:Mr.
Descartesmenos rigorosonaoper—
mitteoseu uso, senão ao oitavo mez ;porem algunsMedicos modernosre
-
conhecem , queosinconvenientes attribuidosáellas , sernlousadascom mo
-
deração,sãoexagerados:Doublet MedicodoHospitaldeLaugeradsemprea»
applicou com feliz resultado
.
Assopastem merecidomais aceitação ,coontãomais sectários ;Mr.Àl
-
phons , que aconselha muitoo seu uso, manda prcparal
-
asda maneira se-
guinte:feitoocaldocom hum pedaço devitella
.
eduas, outrès onçasde carne dovaca comacôdea de hum paofaz-
se ferverbastante,cápropor-
çãoquefôr dcsapparecendoocaldo,vai
-
sedeitando mais: deve-
seadoçar(*) ,( *) O assucar , diz elle , heo sal, que mais convenr n’estaidade, acha inteiramente formadono leite desua Mai
.
cque o menino