FUNDAMENTOS DO TRABALHO
Luís Teixeira – Tecnólogo em Segurança do Trabalho Técnico em Segurança do Trabalho [email protected] : [email protected]
TRIPALIUM
Esta apostila foi elabora com carinho para que você possa entender de forma clara o conteúdo da matéria que vamos estudar “ Fundamentos do Trabalho”. Aqui veremos a perspectiva ontológica do trabalho, sua evolução e organização, estudaremos a revolução industrial, a relação homem trabalho e suas competências.
“Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor.” Eclesiastes 7:12
Jorge Luis Teixeira
Palavras do professor autor
Sumário
1 O QUE É TRABALHO ... 6
1.1 HIPÓTESE DE COMO TERIA SURGIDO O TRABALHO ... 11
1.2 O TRABALHO ARTESANAL ... 13
1.3 IDADE MÉDIA ... 13
1.3.1 Clero ... 14
1.3.2 Nobres (guerreiros) ... 14
1.3.3 Camponeses (servos) ... 14
2 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL ... 16
2.1 A MÁQUINA A VAPOR ... 17
2.2 DESENVOLVIMENTO TÉCNICO CIENTÍFICO DO TRABALHO ... 18
2.3 3ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL... 21
3 ALIENAÇÃO DO TRABALHO E MAIS VALIA ... 26
3.1 ENTRE A REFLEXÃO E A EXECUÇÃO ... 29
3.1.1 Alienação total ... 29
3.1.2 Relação hierárquica ... 29
3.1.3 Separação entre execução e reflexão sobre o trabalho... 29
3.2 A ALIENAÇÃO DO TRABALHO ... 30
3.2.1 O salário, a sua essência e suas formas. ... 32
3.2.2 Formas de salário. ... 32
3.2.3 Salário nominal e salário real. ... 33
3.3 RESUMO ... 34
4 O SER HUMANO E O TRABALHO ... 34
4.1 RELAÇÕES HUMANAS NO TRABALHO ... 38
4.2 TRABALHO EM EQUIPE ... 42
4.3 ABSENTEÍSMO NO LOCAL DE TRABALHO ... 44
4.4 INTELIGÊNCIA EMOCIONAL ... 47
5 A PERSPECTIVA DAS CIÊNCIAS COGNITIVAS. A ABORDAGEM DAS COMPETÊNCIAS ... 49
5.1 CIÊNCIAS COGNITIVAS ... 49
5.1.1 Inteligência Artificial ... 53
5.2 A ABORDAGEM DAS COMPETÊNCIAS ... 55
5.2.1 A competência e sua relação com o trabalho ... 56
5.2.2 Competência técnica e interpessoal ... 58
5.2.3 Competência funcional ... 59
5.2.4 Competência profissional ... 59 5.2.5 Competência organizacional ... 60 5.2.6 Dinâmica das competências ... 61
“Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem, estudando, o escreveu.”
Paulo Freire.
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1 O QUE É TRABALHO
Nessa aula vamos ver primeiro uma perspectiva ontológica do trabalho, conhecer o profundo sentido da palavra para entender para que no principio ele servia, ver como se organizou desde a economia extrativista até a manufatureira abrindo cancha para a revolução industrial.
Para começar o significado da palavra ontológico.
Ontológico
relativo à ou próprio da ontologia, a investigação teórica do ser.
no heideggerianismo (fiel pensamento do filósofo alemão Martin Heidegger), relativo ao ser em si mesmo, em sua dimensão ampla e fundamental. Οντολογικός
No dicionário vejamos o significado da palavra trabalho:
trabalho
substantivo masculino
1. conjunto de atividades, produtivas ou criativas, que o homem exerce para atingir determinado fim. "t. manual"
2. atividade profissional regular, remunerada ou assalariada. "t. de tempo integral"
3. exercício efetivo dessa atividade. "o t. de um jornalista, de um metalúrgico"
4. local onde é exercida tal atividade. "mora perto do t."
5. cuidado ou esmero empregado na feitura de uma obra. "deu-lhe muito t. aprimorar o romance"
6. qualquer obra realizada (manual, artística, intelectual etc.); empreendimento, realização. "a ponte era um belo t. de engenharia"
7. qualidade de execução, feitura, lavor. "um delicado t. de ourivesaria"
8. ação ou modo de executar uma tarefa, de manejar um instrumento. "t. de madeira, de cerâmica"
9. tarefa a cumprir; serviço. "pediu ao jardineiro que terminasse o t."
10. esforço incomum; luta, lida, faina. "foi um t. convencê-lo a voltar para casa"
11. aquilo que é ou se tornou uma obrigação ou responsabilidade de alguém; dever, encargo.
"seu t. é zelar pelos alunos“
12. ação progressiva e contínua exercida por elemento natural, e o efeito dessa ação. "o t. da erosão fluvial"
7 13. resultado útil do funcionamento de um aparelho, um maquinismo, um sistema etc. "o t.
muscular"
14. fenômeno orgânico que se opera no interior dos tecidos. "o t. de cicatrização de um corte"
15. bio conjunto de fenômenos que ocorrem em determinada matéria ou substância, alterando-lhe a natureza ou a forma.
16. atividade humana que se caracteriza como fator essencial da produção de bens e serviços.
17. conjunto dos trabalhadores que participam da vida econômica de um país.
18. grandeza definida como o produto da magnitude de uma força e a distância percorrida pelo ponto de aplicação da força na direção desta [Sua unidade de medida no Sistema Internacional é o joule].
19. religioso em cultos afro-brasileiros, esp. umbanda e quimbanda, ação ou prática ritual realizada para atingir objetivos de proteção, de desenvolvimento espiritual, ou maléficos.
20. substantivo masculino plural, conjunto de acontecimentos ou experiências difíceis, aflitivas; padecimentos. "nunca fora tão humilhado por tantos t. e misérias“
21. substantivo masculino plural exames, discussões e deliberações de uma assembleia.
Na linguagem cotidiana a palavra trabalho tem muitos significados. Embora pareça compreensível, como uma das formas elementares de ação dos homens, o seu conteúdo oscila. As vezes, carregada de emoção, lembra dor, tortura, suor do rosto, fadiga. Noutras, mais que aflição e fardo, designa a operação humana de transformação da matéria natural em objeto de cultura. O homem em ação para sobreviver e realizar-se, criando instrumentos, e com esses, todo um novo universo cujas vinculações com a natureza, embora inegáveis, se tornam opacas.
Em quase todas as línguas da cultura europeia, trabalhar tem mais de uma significação. O grego tem uma palavra para fabricação (κατασκευή) e outra para esforço (προσπάθεια), oposto a ócio (ελεύθερος χρόνος); por outro lado, também apresenta pena (φτερό), que é próxima da fadiga (κούραση).
O latim distingue entre teborere, a ação de labor, e operare, o verbo que corresponde a opus, obra. Em francês, é possível reconhecer pelo menos a diferença entre travailler e ouvrer ou oeuvrer, sobrando ainda o conteúdo de tâche, tarefa. Assim também lavorare e operare em italiano; e trabajar e obrar em espanhol.
No inglês, salta aos olhos a distinção entre labour e work.
Em português, apesar de haver labor e trabalho, é possível achar na mesma palavra trabalho ambas as significações: a de realizar uma obra que te expresse, que dê reconhecimento social e permaneça além da tua. vida; e a de esforço rotineiro e repetitivo, sem liberdade, de resultado consumível e incômodo inevitável de aplicação das forças e faculdades humanas para alcançar determinado fim; atividade coordenada de caráter físico ou intelectual,
8 necessária a qualquer tarefa, serviço ou empreendimento; exercício dessa atividade como ocupação permanente, ofício, profissão.
Mas trabalho tem outros significados mais particulares, como o de esforço aplicado à produção de utilidades ou obras de arte, mesmo dissertação ou discurso. Pode significar o conjunto das discussões e deliberações de uma sociedade ou assembleia convocada para tratar de interesse público, coletivo ou particular: "Os trabalhos da assembleia do sindicato tiveram como resultado a greve“.
Pode significar o serviço de uma repartição burocrática, e ainda os deveres escolares dos alunos a serem verificados pelos professores. Como pode indicar o processo do nascimento da criança: “A mulher entrou em trabalho de parto".
Além de atividade e exercício, trabalho também significa dificuldade e incômodo: "aqui vieram passar trabalho"; "a última enchente deu muito trabalho". Pois junto a todas as suas significações ativas, trabalho em português, e no plural, quer dizer preocupações, desgostos e aflições.
É o conteúdo que predomina em labor, mas ainda está presente em trabalho.
Isto se compreende melhor ao descobrir que a palavra trabalho se origina do latim Tripalium embora outras hipóteses a associem a trabaculum. Tripalium era um instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes ainda munidos de pontas de ferro, no qual os agricultores bateriam o trigo, as espigas de milho, o linho para rasgá-los.
A maioria dos dicionários, contudo, registra tripalium apenas como instrumento de tortura, o que teria sido originalmente ou se tornado depois. Atripalium vem do latim vulgar tripaliare, que significa Justamente torturar, Ainda que originalmente o tripalium fosse usado no trabalho do aqricultor, no trato do cereal, é do uso deste instrumento como meio de tortura que a palavra trabalho significou por muito tempo e ainda conota algo como padecimento e cativeiro.
“No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela fostes formado; porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gênesis 3.19).
9 O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.
(Gênesis 3:23)
“Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar” (Gênesis 2.15).
E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente.
(Gênesis 2:16)
E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.
Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo.
No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado;
porquanto és pó e em pó te tornarás. Gênesis 3:17-19
No dicionário filosófico você poderá encontrar que o homem trabalha quando põe em atividade suas forças espirituais ou corporais, tendo em mira um fim sério que deve ser realizado ou alcançado. Assim, mesmo que não se produza nada imediatamente visível com o esforço do estudo, o trabalho de ordem intelectual corresponde àquela definição tanto quanto o trabalho corporal, embora seja este que leve a um resultado exteriormente perceptível.
Todo trabalho supõe tendência para um fim e esforço. Para alguns trabalhos, este esforço será preponderantemente físico; para outros, preponderantemente intelectual. Contudo, parece míope e interesseira esta classificação que divide trabalho intelectual e trabalho corporal. A maioria dos esforços intelectuais se faz acompanhar de esforço corporal; uso minhas mãos e os músculos do braço enquanto datilografo estas páginas, que vou pensando. E o pedreiro usa sua inteligência ao empilhar com equilíbrio os tijolos sobre o cimento ainda não solidificado.
O trabalho do homem aparece cada vez mais nítido quanto mais clara for a intenção e a direção do seu esforço. Trabalho neste sentido possui o significado ativo de um esforço afirmado e desejado, para a realização de objetivos; onde até mesmo o objetivo realizado, a obra, passa a ser chamado trabalho. Trabalho é o esforço e também o seu resultado:
É o processo e é também o que resulta dele
Para muitos, o que distingue o trabalho humano do trabalho dos outros animais é que neste há consciência intencionalidade enquanto os animais trabalham por extinto, sem programa s sem consciência. Há pouco se dizia que a utilização de instrumentos era característica exclusiva do trabalho do homem; hoje, sabemos que, embora de modo muito rudimentar, também outros antropoides se podem valer, por exemplo, de um galho de árvore para fazer cair um fruto.
10 Algo que definitivamente distingue o trabalho humano do esforço dos animais, embora para todos a primeira motivação possa ser a sobrevivência, é que no trabalho do homem ha liberdade: posso parar de fazer o que estou fazendo, embora seja um servo, embora não me seja reconhecido o direito de greve, e embora eu venha a sofrer por causa deste meu gesto.
Natureza e invenção se entrelaçam no trabalho humano, em níveis diversos, da ação mais mecânica e natural à mais controlada e consciente. Natureza e cultura se encontram no labor do parto, no cultivo do campo, na modelagem da argila, na invenção da eletricidade; como na produção de vitaminas em comprimidos, na montagem de cérebros eletrônicos e no envio de astronaves à Lua.
Max Scheler, filósofo alemão do início do século X que se preocupou com este assunto, distinguia três sentidos da palavra trabalho: o de uma atividade humana, às vezes também animal ou mecânica ("esta máquina trabalha bem"; "este burro faz um bom trabalho"); o de produto coisificado de uma atividade ("este quadro é um belo trabalho"; "este livro é um trabalho bem acabado"); e o de uma tarefa ou fim apenas imaginado ("resta-nos muito trabalho para fazer uma democracia no Brasil").
Mas a nossa linguagem diária não faz muitas distinções. Nem sempre diferenciamos o trabalho como atividade especificamente humana dos processos condicionados fisiologicamente e de fluxos mecânicos de movimento. Na linguagem científica, sim, aparecem as diferenças.
Conforme as diferentes disciplinas das ciências naturais e sociais onde a palavra é utilizada, trabalho às vezes se distancia daqueles significados fundamentais do termo, que nos parecem transparentes em nossa linguagem comum.
Em física, por exemplo, trabalho é o nome do produto entre força e deslocamento que um corpo em movimento realiza no tempo. Já a fisiologia diz que um músculo realiza trabalho, embora não se possa, supor aí nenhum objetivo consciente do músculo mesmo. Em sociologia, quando se fala em trabalho, quase sempre se está no contexto da divisão do trabalho social, esquecendo-se o esforço feito no isolamento, com gratuidade, ou sem produto imediatamente aparente, como no caso do trabalho da mulher doméstica, dentro de sua casa.
A significação que hoje é dada ao trabalho se refere à passagem moderna da cultura agrária para a industrial. Entre um e outro desses momentos surgiram as distinções clássicas descritas com palavras diversas, como ocupar-se, produzir, fazer, agir, praticar. Talvez possamos formar uma ideia mais clara do que é trabalho se antes passarmos pela história da experiência que lhe corresponde.
E agora o que é trabalho para você?
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1.1 HIPÓTESE DE COMO TERIA SURGIDO O TRABALHO
Em uma tribo de índios ainda sem contato com a maneira de vida e cultura dos brancos ocidentais.
Eles têm os seus próprios símbolos culturais, são ligados por laços de sangue e sentimentos, motivados por lendas, mitos, crenças e conhecimentos comuns. Mas provêm à sua subsistência por um esforço coletivo que obedece a determinada ordem.
Colhem os frutos das árvores; pescam os peixes dos rios; caçam animais da floresta. Pescam e caçam o que der e vier segundo sua tradição consomem a caça e a pesca conseguidas. O que sobrar será jogado de volta no rio ou será consumido pelo fogo, que deixa de quando em quando uma clareira aberta no meio da mata.
O trabalho neste primeiro estágio da economia isolada e extrativa é um esforço apenas complementar ao trabalho da natureza. O homem colhe o fruto produzido pela árvore da mata virgem; extrai do rio o peixe que sobreviveu ao assalto das piranhas; mata para comer o animal que se reproduziu e cresceu dentro de seu grupo sem nenhum auxílio além de seus instintos.
Na tribo não há excedente - nem, portanto, o problema da acumulação de riquezas nas mãos de alguns. Ao que tudo indica, no entanto, nas comunidades isoladas o trabalho serve apenas indiretamente a subsistência. É regido por um sistema de deveres religiosos e familiares.
Como estágio consecutivo ao das economias, isoladas, temos o tempo em que os homens inventaram ou descobriram a agricultura.
A forma de agricultura pode ter sido descoberta ao acaso. Quando um incêndio na floresta que destrói a vegetação e expulsa a caça, as pessoas talvez tenham observado que as sementes cresciam nas cinzas. Assim tornou-se sistema regular limpar uma certa área de florestas através da queimada. Há também a suposição de que tenham sido as mulheres quem tenha forçado o desenvolvimento inicial da agricultura, colaborando para a superação do nomadismo dos povos caçadores.
Por isso seria comum encontrar-se em povos primitivos uma tal divisão do trabalho.
12 As mulheres plantando, os homens caçando, embora pesquisas antropológicas mostrem que tal divisão não ocorre em todas as culturas. Desenvolvendo a agricultura, a engenhosidade humana já perturba o equilíbrio da natureza.
Descobrindo no plantio uma nova fonte de alimento para si e seus filhos, os homens se multiplicam. A expansão numérica leva a conquistar novas áreas de floresta para o cultivo.
Como é necessário muito tempo para restaurar a plena capacidade de cultivo de uma faixa de floresta, a selva vai sendo destruída e transformada em mato rasteiro ou terra de pastagens.
Junto com o trabalho do plantio devem ter surgido ao mesmo tempo a noção de propriedade e o produto excedente, ou seja o produto não imediatamente consumido.
Criam-se as condições para a existência de uma classe social.
Se eu trabalho esta terra com as minhas mãos, minha aplicação e a força de meus músculos têm a sensação de que me pertence o grão dela colhido, resultado daquele meu empenho e dispêndio de força.
Reivindicarei a posse ou o direito de domínio e determinação sobre o produto deste pedaço de terra que cultivei.
Do que planto, como e alimento meus filhos. E se me sobra alguma coisa leva-a para trocar com o vizinho.
Minha sobra de milho por sua sobra de trigo ou leite de cabra. Mas se o vizinho domina um território mais vasto, e as suas sobras superam as de toda a vizinhança, as nossas trocas se tornam desiguais e geram um novo excedente.
A propriedade, tal coma se encontra em estágios posteriores da evolução econômica, justamente se destaca e se separa do trabalho, a ponto de estabelecer-se a desapropriação total de quem trabalha pelo suposto direito de propriedade do ocioso.
Um fato relacionado com esta evolução da propriedade ara a prática da guerra.
Os povos conquistados na guerra frequentemente permaneciam para trabalhar e entregar seus excedentes aos novos senhores. Ou pela guerra foram capturados e feitos escravos, a força de trabalho, ficando submetidos sob a categoria mais baixa da hierarquia social.
Na antiguidade e Idade Média europeia, e ainda a períodos bem mais recentes da história da América Latina. Conforme tempo e lugar, o país e a época, as terras podem ser trabalhadas por escravos, servos ou camponeses; e o excedente pode ser recebido por fidalgos independentes ou por funcionários de uma monarquia ou de uma potência imperialista.
Mas as linhas principais das relações econômicas eram semelhantes, o excedente era consumido em parte para manter um aparato militar, e outra parte para sustentar o padrão de vida da classe ociosa.
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1.2 O TRABALHO ARTESANAL
Do trabalho sobre a terra e sua organização vai incentivar o desenvolvimento do trabalho artesanal; ao mesmo tempo, se intensifica o comércio, uma vez que há excedentes tanto na agricultura como na criação de animais.
E da primitiva troca em espécies passa-se ao comércio mediado pela moeda.
Na Antiguidade já se tem notícia de povos marcadamente dedicados ao comércio, como os fenícios. Por toda a Idade Média, que do ponto de vista político pode-se dizer que apresenta retrocessos históricos, a economia avança.
O comércio e as manufaturas proporcionam uma fonte de riqueza que não depende mais diretamente da propriedade da terra, embora dependa indiretamente do gasto do excedente agrícola.
É assim que em centros disseminados pelo mundo não só na Europa, mas da China ao Peru desenvolveu-se uma burguesia: uma comunidade de habitantes de cidades que auferia uma renda das atividades comerciais e desfrutava de um grau de independência maior ou menor dos poderes feudais ou dos senhores de terra e da corte dos reis. Os mais bem-sucedidos entre tais comerciantes empregavam trabalhadores, artesãos, carregadores, marinheiros, artistas, criados domésticos, e aos poucos se estabelece uma hierarquia baseada no dinheiro e um mercado onde os produtos agrícolas podem ser vendidos por dinheiro.
1.3 IDADE MÉDIA
Para Franco (1948) Portanto, o sentido básico mantinha-se renascentista: a “Idade Média”
teria sido uma interrupção no progresso humano, inaugurado pelos gregos e romanos e retomado pelos homens do século XVI. Ou seja, também para o século XVII os tempos
“medievais” teriam sido de barbárie, ignorância e superstição.
Precisava de mudanças econômicas, religiosa e social, sobre tudo da organização do trabalho.
O século XVIII, antiaristocrático e anticlerical, acentuou o menosprezo à Idade Média, vista como momento áureo da nobreza e do clero.
A filosofia da época, chamada de iluminista por se guiar pela luz da Razão, censurava sobretudo a forte religiosidade medieval.
1- Clero 2- Nobresa
3- Verdadeiros trabalhadores
14 A sociedade feudal era hierarquizada e estamental. Hierarquizada, pois era muito difícil para uma pessoa passar de uma posição social para outra. Estamental, pois cada pessoa assumia um papel muito bem definido na sociedade, geralmente de acordo com o grupo em que nasceu.
Este modelo de organização social durante o feudalismo recebeu total defesa da Igreja. Esta defendia a ideia de que Deus definia a condição em que a pessoa veio ao mundo, cabendo a esta se manter naquele nível social sem questionar.
A posição e o status social de uma pessoa eram determinados pelo nascimento e pela posse de propriedades, principalmente terras.
Havia uma grande disparidade de renda entre a camada dos mais ricos (senhores feudais e nobres) e os mais pobres (servos camponeses). Portanto, a sociedade feudal era marcada por forte desigualdade social.
Ordens sociais (camadas da sociedade) e suas funções:
1.3.1 Clero
Esta ordem social era composta pelos integrantes da Igreja Católica (padres, bispos, monges, abades e papa). Cabia ao clero, na sociedade feudal, cuidar da vida espiritual de toda sociedade. Embora a função desta ordem fosse rezar, exercia influência política, moral e psicológica na sociedade.
1.3.2 Nobres (guerreiros)
Ordem composta por senhores feudais e cavaleiros (guerreiros). A função dos integrantes desta ordem era garantir a proteção da sociedade, utilizando de recursos militares.
Concentravam poder em função da propriedade de terras, além de exercer o controle da justiça (no caso dos senhores feudais). Moravam em castelos, com suas famílias, que eram verdadeiras fortalezas militares.
1.3.3 Camponeses (servos)
Estavam presos às terras dos senhores feudais, através de obrigações em forma de prestações de serviços e de pagamentos de impostos e taxas. Compunham a grande maioria da população feudal. Dificilmente um servo tinha condição de sair de sua condição de vida. Eram os que trabalhavam de fato, para sustentar as outras duas ordens, pois os integrantes do clero e os nobres não pagavam impostos.
Nas cidades ainda predominava a produção de mercadorias através do artesanato ou da manufatura, geralmente para um mercado local ou colonial.
Por volta de 1780, o mundo ainda era essencialmente rural, os portos continuavam sendo a principal saída para o mundo, que era pequeno em se tratando de possibilidades de deslocamentos e gigante em territórios desconhecidos.
Na produção artesanal, todas as etapas de produção são realizadas na maioria das vezes por uma única pessoa. O artesão até poderia ter auxiliares, mas ele conhecia todas as etapas para a confecção do produto, era dono das ferramentas e tinha acesso ás matérias primas
15 necessárias, ou seja, ele detinha os meios necessários e o conhecimento em relação a todas as etapas de produção.
Além disso, antes das transformações introduzidas pela Revolução Industrial, era o artesão quem decidia quantas horas trabalharia por dia, isto é, era ele quem controlava o tempo e a intensidade do trabalho.
Contudo, essa situação se alteraria no decurso da Revolução Industrial, onde as capitalistas e industriais fariam uso de um sistema de produção que já estava sendo utilizado e que é característico da transição do feudalismo para o capitalismo: a manufatura.
Na manufatura, o capitalista reúne um numeroso contingente de trabalhadores em um espaço comum, uma oficina. Apesar de o trabalho ser essencialmente manual, cada um dos artesãos realizava uma etapa da produção da mercadoria: a divisão técnica do trabalho. O artesão já não era responsável pelo produto do seu trabalho, ao contrário, recebia um determinado salário pelo seu tempo de dedicação ou por sua produtividade. A manufatura tinha como objetivo a potencialização dos lucros, mas, ao mesmo tempo, o controle rígido dos trabalhadores.
O modelo da manufatura será propício ao capitalismo industrial que vai se desenvolver especialmente na Inglaterra a partir da década de 1780. A partir da manufatura, com a introdução das máquinas e a objetividade suprema do lucro, o capitalista fomentará a fábrica.
Abaixo o princípio da divisão técnica do trabalho.
Manufatura de algodão
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2 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
A Revolução Industrial representou a lenta e inevitável evolução do capitalismo que, em última instância, substituiu a força motriz humana pelas máquinas, com profundas consequências econômicas, políticas, sociais e culturais.
Mas, não podemos esquecer que a produção manual que antecede à Revolução Industrial conheceu duas etapas bem definidas, dentro do processo de desenvolvimento do capitalismo:
primeiro o artesanato foi a forma de produção industrial característica da Baixa Idade Média, era produção de caráter familiar, na qual o produtor (artesão) possuía os meios de produção (era o proprietário da oficina e das ferramentas).
Ele realizava todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento final; ou seja não havia divisão do trabalho ou especialização para a confecção de algum produto. Em algumas situações o artesão tinha junto a si um ajudante, porém não assalariado, pois realizava o mesmo trabalho pagando uma “taxa” pela utilização das ferramentas. É importante lembrar que nesse período a produção artesanal estava sob controle das corporações de ofício, assim como o comércio também se encontrava sob controle de associações, limitando o desenvolvimento da produção.
A manufatura predominou ao longo da Idade Moderna e na Antiguidade Clássica, resultou da ampliação do mercado consumidor com o desenvolvimento do comércio monetário.
Nesse momento, já ocorre um aumento na produtividade do trabalho, devido à divisão social da produção, onde cada trabalhador realizava uma etapa na confecção de um único produto.
A ampliação do mercado consumidor relaciona-se diretamente ao alargamento do comércio, tanto em direção ao oriente como em direção à América. Outra característica desse período foi a interferência do capitalista no processo produtivo, passando a comprar a matéria-prima e a determinar o ritmo de produção.
A história britânica contou com uma série de experiências que culminaram com o incentivo ao desenvolvimento da economia burguesa e um conjunto de inovações tecnológicas que colocaram a Inglaterra à frente do processo hoje conhecido como Revolução Industrial.
A Grã-Bretanha foi pioneira no processo da Revolução Industrial por diversos fatores:
Pela aplicação de uma política econômica liberal desde meados do século XVIII. Antes da liberalização econômica, as atividades industriais e comerciais estavam cartelizadas pelo rígido sistema de guildas, razão pela qual a entrada de novos competidores e inovação tecnológica eram muito limitados. Com a liberalização da indústria e do comércio ocorreu um enorme progresso tecnológico e um grande aumento da produtividade em um curto espaço de tempo.
17 O processo de enriquecimento britânico adquiriu maior impulso após a Revolução Inglesa, que forneceu ao seu capitalismo a estabilidade que faltava para expandir os investimentos e ampliar os lucros.
A Grã-Bretanha firmou vários acordos comerciais vantajosos com outros países. Um desses acordos foi o Tratado de Methuen, celebrado com a decadência da monarquia absoluta portuguesa, em 1703, por meio do qual conseguiu taxas preferenciais para os seus produtos no mercado português.
A Grã-Bretanha possuía grandes reservas de ferro e de carvão mineral em seu subsolo, principais matérias-primas utilizadas neste período. Dispunham de mão de obra em abundância desde a Lei dos Cercamentos de Terras, que provocou o êxodo rural. Os trabalhadores dirigiram-se para os centros urbanos em busca de trabalho nas manufaturas.
A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas, adquirir matérias-primas e máquinas e contratar empregados.
Para ilustrar a relativa abundância do capital que existia na Inglaterra, pode se constatar que a taxa de juros no final do século XVIII era de cerca de 5% ao ano; já na China, onde praticamente não existia progresso econômico, a taxa de juros era de cerca de 30% ao ano.
Com a Revolução Industrial, a qualidade das relações de trabalho no ambiente manufatureiro se transformou sensivelmente. Antes, os artesãos se agrupavam no ambiente da corporação de oficio para produzirem os produtos manufaturados.
Todos os artesãos dominavam integralmente as etapas do processo de produção de um determinado produto. Dessa forma, o trabalhador era ciente do valor, do tempo gasto e da habilidade requerida na fabricação de certo produto. Ou seja, ele sabia qual o valor do bem por ele produzido.
2.1 A MÁQUINA A VAPOR
O motor a vapor, também chamado de máquina a vapor e turbina a vapor, é um tipo de máquina térmica que explora a pressão do vapor. ... No caso da máquina a vapor, o fluido de trabalho é o vapor de água sob alta pressão e a alta temperatura.
As inovações tecnológicas oferecidas, principalmente a partir do século XVIII, proporcionaram maior velocidade ao processo de transformações da matéria-prima. Novas máquinas automatizadas, geralmente movidas pela tecnologia do motor a vapor, foram responsáveis por esse tipo de melhoria. No entanto, além de acelerar processos e reduzir custos, as máquinas também transformaram as relações de trabalho no meio fabril.
18 Os trabalhadores passaram por um processo de especialização de sua mão de obra, assim só tinham responsabilidade e domínio sob uma única parte do processo industrial.
Dessa maneira, o trabalhador não tinha mais ciência do valor da riqueza por ele produzida. Ele passou a receber um salário pelo qual era pago para exercer uma determinada função que, nem sempre, correspondia ao valor daquilo que ele era capaz de produzir. Esse tipo de mudança também só foi possível porque a própria formação de uma classe burguesa – munida de um grande acúmulo de capitais – começou a controlar os meios de produção da economia.
O acesso às matérias primas, a compra de maquinário e a disponibilidade de terras representavam algumas modalidades desse controle da burguesia industrial sob os meios de produção. Essas condições favoráveis à burguesia também provocou a deflagração de contradições entre eles e os trabalhadores. As más condições de trabalho, os baixos salários e carência de outros recursos incentivaram o aparecimento das primeiras greves e revoltas operárias que, mais tarde, deram origem aos movimentos sindicais.
O ramo característico da Primeira Revolução Industrial é o têxtil de algodão. Ao seu lado, aparece a siderurgia, dada a importância que o aço tem na instalação de um período técnico apoiado na mecanização do trabalho.
O sistema de técnica e de trabalho desse período é o paradigma manchesteriano, nome dado por referência a Manchester, o centro têxtil por excelência representativo desse período. A tecnologia característica é a máquina de fiar, o tear mecânico. Todas são máquinas movidas a vapor originado da combustão do carvão, a forma de energia principal desse período técnico.
O sistema de transporte característico é a ferrovia, além da navegação marítima, também movida à energia do vapor do carvão.
A base do sistema manchesteriano é o trabalho assalariado, cujo ponto principal é o trabalhador por ofício. Um trabalhador qualificado é geralmente pago por peça.
2.2 DESENVOLVIMENTO TÉCNICO CIENTÍFICO DO TRABALHO
A Segunda Revolução Industrial começou por volta de 1870. Mas a transparência de um novo ciclo só se deu nas primeiras décadas do século XX. Foi um fenômeno muito mais dos Estados Unidos que dos países europeus.
É esta segunda revolução industrial que está por trás de todo desenvolvimento técnico, científico e de trabalho que ocorre nos anos da Primeira e, principalmente, da Segunda Guerra Mundial.
A Segunda Revolução Industrial tem suas bases nos ramos metalúrgico e químico. Neste período, o aço torna-se um material tão básico que é nele que a siderurgia ganha sua grande expressão. A indústria automobilística assume grande importância nesse período. O trabalhador típico desse período é o metalúrgico. O sistema de técnica e de trabalho desse período é o fordista, termo que se refere ao empresário Ford, criador, na sua indústria de
19 automóveis em Detroit, Estados Unidos, do sistema que se tornou o paradigma de regulação técnica e do trabalho conhecido em todo o mundo industrial.
A tecnologia característica desse período é o aço, a metalurgia, a eletricidade, a eletromecânica, o petróleo, o motor a explosão e a petroquímica. A eletricidade e o petróleo são as principais formas de energia.
A forma mais característica de automação é a linha de montagem, criada por Ford (1920), com a qual introduz na indústria a produção padronizada, em série e em massa.
Com o fordismo, surge um trabalhador desqualificado, que desenvolve uma função mecânica, extenuante e para a qual não precisa pensar. Pensar é a função de um especialista, o engenheiro, que planeja para o conjunto dos trabalhadores dentro do sistema da fábrica.
O Fordismo caracterizou-se pela introdução do novo processo de fabricação, criado por Ford e conhecido como “linha de montagem“.
Por volta de 1908, a incipiente indústria automobilística enfrentava dois grandes problemas: o da mão-de-obra especializada e o do alto custo da produção, que era quase artesanal. Henry Ford introduziu, então, um sistema revolucionário, baseado na correia transportadora e na linha de montagem, no qual cada trabalhador executa apenas uma operação altamente padronizada.
O Fordismo, baseado na extrema divisão do trabalho, permitiu resolver os dois problemas que impediam o crescimento da indústria automobilística. De fato, especialização numa única operação resolveu o problema da mão-de-obra e o sistema de linha de montagem, possibilitando a fabricação de um automóvel Ford modelo T em uma hora e trinta e três minutos, resolveu também o segundo problema: o do custo.
A indústria automobilística e, a seguir, todas as outras adotaram o Fordismo e puderam, então, produzir quantidades nunca vistas, a preços satisfatórios.
O processo Ford teve, porém, outras implicações: era viável somente para a grande produção em série e implicava a criação de grandes unidades industriais o que, por sua vez, implicava grandes concentrações financeiras.
Era praticamente impossível encontrar um particular que pudesse financiar, por si só, tal tipo de indústria. Em consequência, desenvolveram-se as Sociedades Anônimas. Paralelamente à
20 criação de grandes unidades industriais, teve lugar a formação de grandes bancos de investimento e de poderosas companhias de seguro. Essas instituições, puramente financeiras, devido às suas disponibilidades de capitais, passaram a ter um papel cada vez mais marcante na sociedade industrial chegando, finalmente, ao seu controle total.
Temos aqui a principal característica do período técnico da Segunda Revolução Industrial: a separação entre concepção e execução, separando quem pensa (o engenheiro) e quem executa (o trabalhador em massa).
É criação do taylorismo (Taylor, 1900) essa série de segmentações que quebra e dissocia o trabalho em aspectos até então organicamente integrados, a partir da separação entre o trabalho intelectual e o trabalho manual (operários).
Sistema de organização do trabalho concebido pelo engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor, com o qual se pretende alcançar o máximo de produção e rendimento com o mínimo de tempo e de esforço.
Também conhecido como Administração Científica, o Taylorismo é um sistema de organização industrial criado por Taylor no final do século XIX. Ele que era engenheiro mecânico e economista. A principal característica deste sistema é a organização e divisão de tarefas dentro de uma empresa com o objetivo de obter o máximo de rendimento e eficiência com o mínimo de tempo e atividade.
O trabalho desenvolvido por Taylor tinha características bastante inovadora para seu tempo que envolvia capacitação e incentivo para o trabalhador.
Principais características e objetivos do Taylorismo:
- Divisão das tarefas de trabalho dentro de uma empresa;
- Especialização do trabalhador;
- Treinamento e preparação dos trabalhadores de acordo com as aptidões apresentadas;
- Análise dos processos produtivos dentro de uma empresa como objetivo de otimização do trabalho;
- Adoção de métodos para diminuir a fadiga e os problemas de saúde dos trabalhadores;
- Implantação de melhorias nas condições e ambientes de trabalho;
- Uso de métodos padronizados para reduzir custos e aumentar a produtividade;
- Criação de sistemas de incentivos e recompensas salariais para motivar os trabalhadores e aumentar a produtividade;
- Uso de supervisão humana especializada para controlar o processo produtivo;
- Disciplina na distribuição de atribuições e responsabilidades;
21 - Uso apenas de métodos de trabalho que já foram testados e planejados para eliminar o improviso.
Frederick W. Taylor: criador do Taylorismo
O trabalho taylorizado é especializado, fragmentado, intenso, rotineiro, insalubre e hierarquizado.
2.3 3ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
A Terceira Revolução Industrial tem início na década de 1970, tendo por base a alta tecnologia, a tecnologia de ponta (HIGH-TECH). As atividades tornam-se mais criativas, exigem elevada qualificação da mão-de-obra e têm horário flexível. E uma revolução técnico-científica,
A 3ª Revolução se origina com a crise do petróleo surgindo as novas técnicas de produção se destacando pelo avanço dos meios de comunicação e transportes, fazendo assim o mundo menor.
Alguns países se destacam por suas características:
EUA – informática e telecomunicação;
Japão – robótica e microeletrônica;
Alemanha – biotecnologia.
As revoluções anteriores buscavam mão de obra barata e matérias-primas, os novos produtos sintéticos faz com que se diminua a importância da natureza, mas pode gerar desequilíbrios em países fornecedores de matérias-primas, a educação passou a ser a base para essas inovações.
A Terceira Revolução exige profissionais criativos e qualificados e eles passam a ser mais importantes que as matérias-primas ou as fontes de energia.
Surgem os tecnopolos
Tecnopolo é um centro tecnologia que reúne, num mesmo lugar, diversas atividades de pesquisa e desenvolvimento, em áreas de alta tecnologia como institutos e centro de pesquisa, empresas e universidades.
As novas indústrias localizam-se em áreas próximas a este centros. O Vale do Silício nos EUA.
As inovações tornam as empresas mais competitivas, e elas passam a investirem em seus centros de pesquisas.
Os Produtos na Nova Revolução
22 Os novos produtos tornam-se obsoletos mais cedo.
Os símbolos da Terceira Revolução:
A microtecnologia;
A computação;
A robótica;
Os software;
A engenharia genética.
As indústrias deixam de estar associada as fontes de matérias-primas e mão de obra.
O processo de robotização é maior nos EUA e Japão, atingindo 95% no trabalho de solda no setor automobilístico.
O sistema de produção em massa disseminou até a década de 1970.
A produção enxuta traz a eliminação de etapas com as equipes de trabalho;
A utilização do código de barras;
O uso do papel pode ser substituído pelas mídias eletrônicas;
O desaparecimento de equipamentos e profissões;
Tempo e conhecimento tornam-se mercadorias.
O Fim do Emprego
O desaparecimento do emprego;
O desemprego estrutural;
O processo de terceirização;
Aumento da informalidade;
Trabalho infantil e escravo;
Falta de profissionais qualificados;
Os defensores do neoliberalismo defendem a desregulamentação do mercado de trabalho;
Alteração da legislação trabalhista;
23 Os sindicatos estão em posição defensiva.
A Globalização
Expressão indica que produção e consumo se mundializaram;
Cada etapa do processo é desenvolvida em um país diferentes;
Os investimentos nos mercado financeiro;
A relocalização das fábricas.
A globalização tem levado a um aumento das desigualdades.
A Revolução industrial trouxe um conjunto de mudanças que aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX. A principal particularidade dessa revolução foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas.
Nessa época, surgiram, então, as primeiras leis de proteção ao trabalho na Inglaterra, França, Alemanha e Itália.
Na Inglaterra, em 1802, criou-se a lei de amparo aos operários dispondo sobre o trabalho de aprendizes paroquianos nos moinhos. Essa lei limitava a 12 horas de trabalho diário a carga horária desses menores.
Em 1819, foi criada outra lei, proibindo o trabalho de menores de 9 anos e limitando a 12 horas a jornada de menores até 16. Em 1833, o Parlamento Inglês votou nova lei, reduzindo para 8 horas o limite de jornada dos menores de 13 anos e para 12 horas aos menores de 18 e proibindo o trabalho noturno de menores. Em 1847, passou a vigorar uma lei que estabelecia a duração diária do trabalho de 10 horas, destinando-se à proteção das mulheres e dos menores.
Em 1908, foi estabelecida a jornada diária de 8 horas; em 1910, foi criada a folga de meio dia por semana os comerciários, e , em 1912, o Código de Leis Trabalhistas, ampliado sempre por estatutos especiais e portarias administrativas.
Dessa forma, pode-se dizer que a Inglaterra foi o berço da ideia do repouso semanal e da limitação da jornada diária de trabalho, daí advindo a “semana inglesa”.
1919 – Criação da OIT (Organização Internacional do Trabalho). O Brasil é membro fundador.
24 A OIT foi como parte do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. Fundou- se sobre a convicção primordial de que a paz universal e permanente somente pode estar baseada na justiça social.
O Brasil nesta época era colônia de Portugal e sofria os efeitos do Pacto Colonial imposto pela coroa portuguesa. Neste contexto, não era permitida abertura de indústrias no Brasil, cabendo aos colonos comprar os produtos manufaturados de Portugal.
Portanto, o modo de produzir gerado pela Revolução Industrial começou a se desenvolver, de forma significativa, em nosso país somente no final do século XIX e começo do século XX.
Foram os ricos cafeicultores de São Paulo, com capital de sobra originário das exportações de café, que começaram a investir no setor industrial.
Nesta fase, as principais atividades industriais era a de produção de tecidos e de processamento de alimentos. Estas indústrias eram de pequeno e médio porte, tocadas pela burguesia industrial que estava em plena ascensão. Concentravam-se, principalmente, nos centros urbanos dos estados da região Sudeste, sendo que a cidade de São Paulo era o grande polo industrial.
Foi com o final da República das Oligarquias que a indústria apresentou um grande avanço no Brasil. O governo de Getúlio Vargas, que teve inicia em 1930, incentivou o desenvolvimento do setor industrial nacional no país.
Foi a partir da década de 1930 que o Brasil começou a mudar seu modelo econômico de agrário-exportador para industrial.
A Era Vargas foi marcada pela ditadura e pela organização dos direitos trabalhistas, muitos deles em vigor até hoje. Alguns foram ampliados, mas pouca gente sabe disso.
Getúlio fez uma comissão para estudar a legislação trabalhista e compilar aquelas regras num único texto de lei.
As leis criadas no governo de Getúlio Vargas determinaram:
- criação do salário mínimo e da carteira de trabalho;
- jornada diária de 8 h;
- direito a férias anuais remuneradas;
- descanso semanal e direito à previdência social;
- regulamentação do trabalho do menor e da mulher.
Em 1943, editou a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), um conjunto de normas criadas desde os anos 30 para proteger o trabalhador.
É na CLT que a Segurança do Trabalho existe juridicamente, ou seja, nessa consolidação existe um capitulo todo voltado para a medicina e segurança do trabalho.
25 Em cumprimento ao disposto no artigo 7° da CF – constituição federal que determina a melhoria social dos trabalhadores, no inciso XX desse artigo sugeriu a criação de normas de saúde e segurança.
Nesse sentido a Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos, decretada pelo congresso nacional a lei 6514 de 22/12/77 sancionada pela presidência, altera o capitule V titulo II da CLT relativo a segurança e medicina do trabalho. Dos artigos 154 a 201 é todo voltado para esse fim.
Em 1978 o Ministério do Estado do Trabalho no uso das suas atribuições legais lança a portaria 3214 aprovando as Normas Regulamentadoras – NR`s do Capituli V, Titulo II da CLT.
Essa portaria colocou em vigor naquele momento 28 NR`s, hoje temos em vigor 36 e uma em processo de legalização. São elas:
NR – 1 – Disposições Gerais NR – 2 – Inspeção Prévia NR – 3 – Embargo e Interdição
NR – 4 – Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT NR – 5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA
NR – 6 – Equipamento de Proteção Individual – EPÌ NR – 7 – Exames Médicos
NR – 8 – Edificações NR – 9 – Riscos Ambientais
NR – 10 – Instalações e Serviços de Eletricidade
NR – 11 – Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais NR – 12 – Máquinas e Equipamentos
NR – 13 – Vasos Sob Pressão NR – 14 – Fornos
NR – 15 – Atividades e Operações Insalubres NR – 16 – Atividades e Operações Perigosas NR – 17 – Ergonomia
NR – 18 – Obras de Construção, Demolição e Reparos NR – 19 – Explosivos
26 NR – 20 – Combustíveis Líquidos e Inflamáveis
NR – 21 – Trabalhos a Céu Aberto
NR – 22 – Trabalhos na Mineração Subterrâneos NR – 23 – Proteção Contra Incêndios
NR – 24 – Condições Sanitárias dos Locais de Trabalho NR – 25 – Resíduos Industriais
NR – 26 – Sinalização de Segurança NR – 27 – Registro de Profissionais NR – 28 – Fiscalização e Penalidades
NR – 29 – Trabalho Portuário (Portaria SSST nº 53 de 17/12/1997) NR – 30 – Trabalho Aquaviário (Portaria nº 34, de 04/12/2002)
NR – 31 – Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura (Portaria nº 86 de 03/03/2005)
NR – 32 –Trabalho no Serviço de Saúde (Portaria 485 de 11/11/2005) NR – 33 –Trabalho em Espaço Confinado (Portaria 202 de 22/12/2006) NR – 34 –Segurança na Indústria Naval (Portaria 200 de 20/01/2011) NR – 35 – Trabalho em Altura (Portaria nº 313 de 23.03.2012)
NR – 36 – Segurança na Indústria de Abate e Processamento de Carnes e Derivados (Portaria n.º 555, de 18/04/2013)
NR 37 - Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (Texto Proposto - Ministério do Trabalho e Emprego - MTE).
Para baixar as NR`s atualizadas, vai no site http://trabalho.gov.br/
Lado esquerdo na janela fiscalização, campo segurança e saúde no trabalho, janela normatização, em baixo, normas regulamentadoras, é só escolher a NR desejada, ela abre em PDF atualizadíssima.
3 ALIENAÇÃO DO TRABALHO E MAIS VALIA
Essa aula começa com um discurso de Charles Chaplin em um dos seus filmes que retrata o que a organização do trabalho trouxe consigo. A alienação do trabalho e a mais valia.
“Não sois máquina! Homens é que sois!”
27 (Discurso de Charles Chaplin no final do filme “O grande ditador”)
A origem da palavra trabalho tem sido comumente atribuída ao latim tripalium, instrumento de tortura utilizado para empalar prisioneiros de guerra e escravos fugídos. Assim, em sua própria terminologia o trabalho carrega uma carga de esforço e desprazer, o que é extremamente compreensível em sociedades em que predominavam o trabalho forçado em que atividades produtivas eram desprezadas e executadas tão somente por escravos como na Grécia e Roma antigas, cabendo aos homens livres a execução de atividades intelectuais ligadas às ciências e às artes
Pode-se afirmar que o trabalho é o ato que o homem executa visando transformar conscientemente a natureza, ou para citar Marx (1983, p. 149), é uma ação em que o homem media, regula e controla seu metabolismo com a natureza. A origem do trabalho encontra-se na necessidade de a humanidade satisfazer suas necessidades básicas, evoluindo para outros tipos de necessidades, mesmo supérfluas. Assim, trabalhar é produzir riqueza, o que é necessário em todos os modos de produção, seja no comunal primitivo, no escravista, no feudal, no capitalista, e mesmo nas experiências socialistas.
O que muda é a forma de produzir, a tecnologia utilizada, e a relação entre o sujeito que produziu e o que se apropria do que foi produzido, que varia de acordo com a forma de organização da sociedade.
Uma sociedade não vive sem o trabalho, na verdade, pode-se dizer que o homem evoluiu de sua condição animal até sua condição atual devido ao seu trabalho.
Engels (s/d, p. 270) afirma que o homem modifica sua relação com a natureza devido ao trabalho. Se na condição animal ele tinha de submeter-se às leis da natureza, através do trabalho ele busca dominar a natureza, transforma-a em proveito próprio. Passa de ser dominado a ser dominante devido ao desenvolvimento do trabalho.
O próprio desenvolvimento do seu corpo, do cérebro, da fala, e da relação entre os homens origina-se do trabalho. Desta forma, Engels afirma que o trabalho criou o homem e o homem criou o trabalho, sendo esta uma ação exclusivamente humana, pois assume uma forma consciente, não intuitiva, pois antes de produzir um objeto é necessário ao trabalhador elaborá-lo inicialmente em seu cérebro para só então partir para a execução. Já as atividades que os animais executam (a aranha e sua teia, o joão-de-barro e sua casa) são meramente intuitivas, daí trabalho ser uma atividade exclusiva da espécie humana.
Para Marx, o único bem que o trabalhador possui devido a não ser proprietário de meios de produção é a sua força de trabalho, a sua capacidade de trabalhar, sendo por isso que o trabalhador é obrigado a vender sua força de trabalho ao capital. Ao contrário de sociedades pré-capitalistas como o feudalismo e a escravidão, no capitalismo o trabalhador entrega sua capacidade de trabalhar por um tempo determinado através de um contrato de trabalho.
Além do estabelecimento de um contrato de assalariamento que regula as relações capital- trabalho, algumas diferenças podem ser encontradas no trabalho sob o modo de produção capitalista em comparação com sociedades pré-capitalistas. Como já visto, o trabalho era desprezado na Grécia e Roma antigas, fazendo com que a socialização dos indivíduos
28 ocorresse fora do trabalho, enquanto na sociedade capitalista a socialização dos indivíduos ocorre exatamente nas relações de trabalho.
Para esta mudança, a revolução industrial dos séculos XVIII e XIX teve um peso determinante, com a formação de exércitos de trabalhadores que desprovidos de qualquer propriedade são obrigados a abandonar a vida do campo, sendo jogados nas cidades em busca de empregos assalariados junto às nascentes indústrias.
O trabalho então assumiria um novo caráter, de atividade indigna no passado, passam a ser vistos como indignos aqueles que não trabalham, taxados como vagabundos os que não se submetem a trabalhar para o capital, mesmo que o próprio capital não tenha interesse em absorver todo o trabalho posto à sua disposição. Assim, os capitalistas sempre encontram um grupo de trabalhadores à margem do processo produtivo, mas sempre ávidos por incorporar- se a ele, a estes trabalhadores Marx denominou de “exército industrial de reserva”.
Em “Tempos modernos” (“Modern times”), filme de Charles Chaplin de 1936, o diretor mostra com maestria os efeitos que o desenvolvimento capitalista e seu processo de industrialização trouxeram à classe trabalhadora. Como diz o texto de introdução do filme, “’Tempos modernos’ é uma história sobre a indústria, a iniciativa privada e a humanidade em busca da felicidade”
A temática de “Tempos modernos” custou a Chaplin uma série de perseguições por parte da CIA, juntamente com a acusação de simpatias comunistas. Além disso, havia recusado naturalizar-se norte-americano argumentando ser um “cidadão do mundo” o que agrava ainda mais sua situação. Chaplin passa a constar na “lista negra” de Hollywood durante a perseguição macarthista, o que torna sua situação de trabalho nos EUA insustentável (seus filmes eram proibidos), levando-o a abandonar definitivamente os EUA em 1952.
No filme, o vagabundo Carlitos, ironicamente, encontra-se na condição de operário. É ao auge do predomínio do padrão de acumulação taylorista-fordista, em que os trabalhadores tem suas habilidades substituídas por um trabalho rotineiro e alienado. É o predomínio da esteira rolante de Ford, do cronômetro de Taylor, do operário-massa.
No final do filme, quando sua amiga indignada com a situação de perseguição, miséria e desemprego pergunta: “para que tudo isso?” ele responde: “levante a cabeça, nunca abandone a luta”. No entanto, a reação dos dois não é o enfrentamento contra o capital, é retirar-se da cidade, indo em direção ao campo.
É de Karl Marx a asserção de que todo novo estado da divisão do trabalho determina as relações dos indivíduos entre si com referência a material, instrumento e produto do trabalho.
Foi assim com a propriedade tribal, depois com a comunal e com a feudal, ou estamental.
Portanto, um modo de produção ou estágio industrial é marcado por um modo de cooperação ou estágio social sendo ele mesmo uma força produtiva.
É de Karl Marx a asserção de que todo novo estado da divisão do trabalho determina as relações dos indivíduos entre si com referência a material, instrumento e produto do trabalho.
Foi assim com a propriedade tribal, depois com a comunal e com a feudal, ou estamental.
29 Portanto, um modo de produção ou estágio industrial é marcado por um modo de cooperação ou estágio social sendo ele mesmo uma força produtiva.
3.1 ENTRE A REFLEXÃO E A EXECUÇÃO
Mas só passou a haver efetiva divisão quando se instalou uma separação entre trabalho manual e trabalho intelectual. Enquanto execução e reflexão andaram juntas nesse processo, o indivíduo pôde de algum modo, realizar-se em sua ocupação.
É só com o trabalho industrial, no modo de produção especificamente capitalista, que se dá de fato a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual. Marx diz que mesmo na manufatura ainda havia a possibilidade de algum trabalho diferenciado.
3.1.1 Alienação total
Na manufatura, ou modo de produção pré-capitalista, o trabalhador é explorado, mas não é despojado do seu saber. O capital se apropria do trabalho, mas a alienação é apenas do corpo.
Já no modo de produção especificamente capitalista (trabalho industrial), o processo de trabalho é desmontado pelo capital que o remonta à sua própria lógica. A alienação é então total. O trabalhador da manufatura torna-se propriedade do capital.
As forças intelectuais da produção desenvolvem-se apenas num aspecto, em função dos operários serem classificados e distribuídos segundo suas aptidões específicas. Já se nota a cisão entre o trabalhador e as forças intelectuais do processo material de produção, que são apropriadas pelo capital.
3.1.2 Relação hierárquica
Na indústria, a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual se configura na relação entre trabalhadores técnico-científicos, cuja função é organizar o processo de trabalho e os operários que o executam.
Essa é uma relação hierárquica. Os operários estão submetidos à lógica que o capital impôs ao processo de trabalho. Quem atua para submetê-los são os trabalhadores técnico-científicos, que se constituem em agentes do capital.
Os trabalhadores técnico-científicos não só organizam e planificam o processo de trabalho, mas também perpetuam uma estrutura hierárquica e reproduzem as relações sociais capitalistas.
3.1.3 Separação entre execução e reflexão sobre o trabalho
Partindo de Marx, André Gorz acrescenta que, "os trabalhadores da ciência e da técnica, no interior de sua função técnico-científica, têm a função de reproduzir as condições e as formas de dominação do capital sobre o trabalho".
As ciências e as técnicas não são, assim, ideologicamente neutras. Elas favorecem a reprodução do capital e de sua lógica.
30 O próprio Marx já havia sugerido que o desenvolvimento geral da ciência e do progresso tecnológico, a utilização do conhecimento científico-tecnológico na produção capitalista - torna-se o motor da criação da riqueza efetiva. E esta é cada vez menos dependente do tempo de trabalho.
Esse conhecimento científico, que resulta da apropriação capitalista do saber social geral, mostra-se como tendência da produção e reprodução capitalista, em sua fase avançada. Isso acentua cada vez mais a separação entre a execução do trabalho e a reflexão acerca do que se faz, acentuando o estranhamento (a alienação) do sujeito em relação ao que ele faz.
3.2 A ALIENAÇÃO DO TRABALHO
“Partiremos de um fato econômico contemporâneo. O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. A desvalorização do mundo humano aumenta na razão direta do aumento de valor do mundo das mercadorias. O trabalho não cria apenas objetos; ele também se produz a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e, deveras, na mesma proporção em que produz bens. ” Manuscrito econômico- filosófico, Karl Marx.
A alienação torna o trabalho estranhado, o trabalhador não se apropria do que é produzido. O indivíduo não se reconhece no trabalho, se desumaniza, o trabalho longe de ser sua realização enquanto indivíduo é sua escravidão. Alienação da nossa própria vontade, de nossos sentidos utilizados pelo capitalista.
No mundo das mercadorias, é o homem a principal mercadoria, é através da utilização da força de trabalho, do trabalho vivo no intercâmbio com as máquinas, trabalho morto, que se cria riqueza a mais-valia que é apropriada pelo burguês; a venda é quantificada pelo tempo, podendo o capitalista aumentar o ritmo da produção e extrair mais valia relativa, ou aumentar a jornada de trabalho e extrair mais valia absoluta.
31 A produção da mais-valia é a lei económica fundamental do capitalismo.
A produção do máximo de mais-valia é o objetivo supremo da produção capitalista, esta é a lei económica fundamental da produção capitalista.
Produção do máximo da mais-valia através da sempre crescente exploração do trabalho assalariado na base da ampliação da produção.
Esta lei mostra, em nome do que e como decorre a produção capitalista e exprime a essência da exploração capitalista.
A lei da mais-valia é o principal regulador do complexo mecanismo da economia capitalista.
Na corrida à mais-valia máxima os capitalistas introduzem nova técnica, desenvolvem as forças produtivas e fazem a transferência de capital de um ramo para o outro.
A mais-valia é a fonte da acumulação e de ampliação da produção.
Antes das lutas pela redução do dia de trabalho e da introdução da técnica na indústria, o capitalista aumentava os seus lucros através do aumento da jornada de trabalho – mais-valia absoluta.
Hoje, instauradas as 8 horas de trabalho diário, e com a introdução da técnica moderna na indústria o capitalista aumenta a mais-valia através da intensificação do trabalho que lhe proporciona o mesmo lucro que o aumento da jornada de trabalho.
Com o auxilio das máquinas, os capitalistas agravam as condições de trabalho dos operários e procuram quebrar a resistência que este opõem a um exploração cada vez mais intensiva.
Ao elevar a produtividade, do trabalho, a máquina aumenta a riqueza da sociedade. Mas, sob o sistema capitalista, todos os frutos do aumento dessa produtividade são açambarcados pelos capitalistas.
A teoria da mais-valia, formulada por Marx, revelou o segredo da exploração capitalista. Esta teoria ensina a classe operária e todos os trabalhadores dos países capitalistas a verem as verdadeiras causas das suas privações e dos seus males.
32 Mostra que a opressão da classe operária e de todos os trabalhadores não resulta do acaso, do arbítrio dos capitalistas particulares, mas de todo o sistema do capitalismo, da própria natureza das relações de produção capitalistas.
O mérito de Marx consiste em ter descoberto a lei económica objetiva, na base da qual se efetua a exploração do proletariado e são criadas as premissas da derrota revolucionária do capitalismo.
Na base da teoria da mais-valia, Marx revelou a causa das contradições antagónicas entre o proletariado e a burguesia, mostrou a inevitabilidade da luta de classes na sociedade burguesa, cujo crescimento conduz objetivamente à derrota revolucionária do capitalismo.
Lenine escrevia” A inevitabilidade da transformação da sociedade capitalista em sociedade socialista é deduzida inteira e exclusivamente da lei económica do movimento da sociedade moderna” ou seja, da lei da mais-valia.
A doutrina de Marx sobre a mais-valia é um poderoso instrumento ideológico na luta do proletariado contra os exploradores.
3.2.1 O salário, a sua essência e suas formas.
É a transformação do preço da força de trabalho em salário.
Valor – forma objetiva do trabalho social despendido para produzir uma mercadoria. Expresso em dinheiro o valor é o preço da força de trabalho.
O salário do operário não constitui o valor ou preço do seu trabalho. Se o capitalista pagasse ao operário o «valor do trabalho», deixaria de existir mais-valia.
O trabalho não tem valor, não é mercadoria. O trabalho é o criador do valor das mercadorias, mas o trabalho não é mercadoria, nem tem valor.
O que se chama «Valor do trabalho» é , na realidade, o valor da força de trabalho.
O salário não é o que parece ser, isto é, o valor ou o preço do trabalho, mas somente uma forma disfarçada do valor ou do preço da força de trabalho.
O salário é apenas o pagamento de uma parte do dia de trabalho. O salário disfarça as relações da exploração capitalista.
3.2.2 Formas de salário.
Por tempo: forma na qual a grandeza do salário do operário depende do tempo por ele trabalhado;
O preço do trabalho – dividindo o valor diário médio da força de trabalho pelo número de horas da jornada média de trabalho, acha-se o preço do trabalho. O valor monetário de certa quantidade de trabalho.
O salario por dia, por semana, etc. pode permanecer o mesmo embora o preço do trabalho caia continuamente.
33 O aumento da intensidade do trabalho também significa, em essência, a queda do preço da hora de trabalho, uma vez que com maior dispêndio de energia, o que de facto equivale ao prolongamento do dia de trabalho, o pagamento permanece o mesmo que antes.
Salário por peça: Forma na qual a grandeza do salário do operário depende da quantidade de artigos elaborados, peças fabricadas, ou operações realizadas na unidade de tempo estabelecida.
A taxa de pagamento por peça é fixada, pelo capitalista, de tal maneira que o salário de uma hora ( um dia ou 1 semana) do operário não seja mais elevada que o salário por tempo.
Esta forma cria no operário a ilusão de que vende ao capitalista, não a sua força de trabalho, mas o seu trabalho e recebe o completo pagamento do trabalho, de acordo com a quantidade de produtos produzidos.
O sistema capitalista de pagamento por tarefa acarreta a permanente intensificação do trabalho.
3.2.3 Salário nominal e salário real.
Salário nominal: É expresso em dinheiro, é a quantia em dinheiro que o operário recebe pela venda da sua força de trabalho ao capitalista.
Salário real: É o salário expresso em meios de subsistência do operário. Indica quantos e quais os artigos de consumo e serviços o operário consegue comprar com o seu salário em dinheiro.
O salário nominal não reflete a dinâmica do nível de vida dos trabalhadores. Este aspecto é refletido no salário real, quer dizer, a soma dos preços das mercadorias e serviços que o operário pode adquirir com o seu salário nominal.
Foi e é por necessidades sociais que os humanos começaram a trocar mercadoria (M).
Outrora as trocando diretamente, surgiu a determinado momento histórico o dinheiro (D) como meio para facilitar a troca entre mercadorias.
Surge também a possibilidade de sobressaltos na circulação, que ocorrem quando por algum motivo as pessoas deixam de colocar dinheiro em circulação, são as ditas crises. Entretanto, no capitalismo, o dinheiro deixou de ser um meio para trocas entre mercadorias de valor equivalente, passando elas a ser o meio para a obtenção de mais-dinheiro (D), sendo agora este a ser o fim.
O Lucro decorre da Mais-Valia (m). Sendo que esta provém da diferença entre o valor produzido por um trabalhador e o salário que lhe é pago. Por outras palavras, é o tempo de trabalho não remunerado. Logo, o lucro vem diretamente ou indiretamente do trabalho