“Partiremos de um fato econômico contemporâneo. O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. A desvalorização do mundo humano aumenta na razão direta do aumento de valor do mundo das mercadorias. O trabalho não cria apenas objetos; ele também se produz a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e, deveras, na mesma proporção em que produz bens. ” Manuscrito econômico-filosófico, Karl Marx.
A alienação torna o trabalho estranhado, o trabalhador não se apropria do que é produzido. O indivíduo não se reconhece no trabalho, se desumaniza, o trabalho longe de ser sua realização enquanto indivíduo é sua escravidão. Alienação da nossa própria vontade, de nossos sentidos utilizados pelo capitalista.
No mundo das mercadorias, é o homem a principal mercadoria, é através da utilização da força de trabalho, do trabalho vivo no intercâmbio com as máquinas, trabalho morto, que se cria riqueza a mais-valia que é apropriada pelo burguês; a venda é quantificada pelo tempo, podendo o capitalista aumentar o ritmo da produção e extrair mais valia relativa, ou aumentar a jornada de trabalho e extrair mais valia absoluta.
31 A produção da mais-valia é a lei económica fundamental do capitalismo.
A produção do máximo de mais-valia é o objetivo supremo da produção capitalista, esta é a lei económica fundamental da produção capitalista.
Produção do máximo da mais-valia através da sempre crescente exploração do trabalho assalariado na base da ampliação da produção.
Esta lei mostra, em nome do que e como decorre a produção capitalista e exprime a essência da exploração capitalista.
A lei da mais-valia é o principal regulador do complexo mecanismo da economia capitalista.
Na corrida à mais-valia máxima os capitalistas introduzem nova técnica, desenvolvem as forças produtivas e fazem a transferência de capital de um ramo para o outro.
A mais-valia é a fonte da acumulação e de ampliação da produção.
Antes das lutas pela redução do dia de trabalho e da introdução da técnica na indústria, o capitalista aumentava os seus lucros através do aumento da jornada de trabalho – mais-valia absoluta.
Hoje, instauradas as 8 horas de trabalho diário, e com a introdução da técnica moderna na indústria o capitalista aumenta a mais-valia através da intensificação do trabalho que lhe proporciona o mesmo lucro que o aumento da jornada de trabalho.
Com o auxilio das máquinas, os capitalistas agravam as condições de trabalho dos operários e procuram quebrar a resistência que este opõem a um exploração cada vez mais intensiva.
Ao elevar a produtividade, do trabalho, a máquina aumenta a riqueza da sociedade. Mas, sob o sistema capitalista, todos os frutos do aumento dessa produtividade são açambarcados pelos capitalistas.
A teoria da mais-valia, formulada por Marx, revelou o segredo da exploração capitalista. Esta teoria ensina a classe operária e todos os trabalhadores dos países capitalistas a verem as verdadeiras causas das suas privações e dos seus males.
32 Mostra que a opressão da classe operária e de todos os trabalhadores não resulta do acaso, do arbítrio dos capitalistas particulares, mas de todo o sistema do capitalismo, da própria natureza das relações de produção capitalistas.
O mérito de Marx consiste em ter descoberto a lei económica objetiva, na base da qual se efetua a exploração do proletariado e são criadas as premissas da derrota revolucionária do capitalismo.
Na base da teoria da mais-valia, Marx revelou a causa das contradições antagónicas entre o proletariado e a burguesia, mostrou a inevitabilidade da luta de classes na sociedade burguesa, cujo crescimento conduz objetivamente à derrota revolucionária do capitalismo.
Lenine escrevia” A inevitabilidade da transformação da sociedade capitalista em sociedade socialista é deduzida inteira e exclusivamente da lei económica do movimento da sociedade moderna” ou seja, da lei da mais-valia.
A doutrina de Marx sobre a mais-valia é um poderoso instrumento ideológico na luta do proletariado contra os exploradores.
3.2.1 O salário, a sua essência e suas formas.
É a transformação do preço da força de trabalho em salário.
Valor – forma objetiva do trabalho social despendido para produzir uma mercadoria. Expresso em dinheiro o valor é o preço da força de trabalho.
O salário do operário não constitui o valor ou preço do seu trabalho. Se o capitalista pagasse ao operário o «valor do trabalho», deixaria de existir mais-valia.
O trabalho não tem valor, não é mercadoria. O trabalho é o criador do valor das mercadorias, mas o trabalho não é mercadoria, nem tem valor.
O que se chama «Valor do trabalho» é , na realidade, o valor da força de trabalho.
O salário não é o que parece ser, isto é, o valor ou o preço do trabalho, mas somente uma forma disfarçada do valor ou do preço da força de trabalho.
O salário é apenas o pagamento de uma parte do dia de trabalho. O salário disfarça as relações da exploração capitalista.
3.2.2 Formas de salário.
Por tempo: forma na qual a grandeza do salário do operário depende do tempo por ele trabalhado;
O preço do trabalho – dividindo o valor diário médio da força de trabalho pelo número de horas da jornada média de trabalho, acha-se o preço do trabalho. O valor monetário de certa quantidade de trabalho.
O salario por dia, por semana, etc. pode permanecer o mesmo embora o preço do trabalho caia continuamente.
33 O aumento da intensidade do trabalho também significa, em essência, a queda do preço da hora de trabalho, uma vez que com maior dispêndio de energia, o que de facto equivale ao prolongamento do dia de trabalho, o pagamento permanece o mesmo que antes.
Salário por peça: Forma na qual a grandeza do salário do operário depende da quantidade de artigos elaborados, peças fabricadas, ou operações realizadas na unidade de tempo estabelecida.
A taxa de pagamento por peça é fixada, pelo capitalista, de tal maneira que o salário de uma hora ( um dia ou 1 semana) do operário não seja mais elevada que o salário por tempo.
Esta forma cria no operário a ilusão de que vende ao capitalista, não a sua força de trabalho, mas o seu trabalho e recebe o completo pagamento do trabalho, de acordo com a quantidade de produtos produzidos.
O sistema capitalista de pagamento por tarefa acarreta a permanente intensificação do trabalho.
3.2.3 Salário nominal e salário real.
Salário nominal: É expresso em dinheiro, é a quantia em dinheiro que o operário recebe pela venda da sua força de trabalho ao capitalista.
Salário real: É o salário expresso em meios de subsistência do operário. Indica quantos e quais os artigos de consumo e serviços o operário consegue comprar com o seu salário em dinheiro.
O salário nominal não reflete a dinâmica do nível de vida dos trabalhadores. Este aspecto é refletido no salário real, quer dizer, a soma dos preços das mercadorias e serviços que o operário pode adquirir com o seu salário nominal.
Foi e é por necessidades sociais que os humanos começaram a trocar mercadoria (M).
Outrora as trocando diretamente, surgiu a determinado momento histórico o dinheiro (D) como meio para facilitar a troca entre mercadorias.
Surge também a possibilidade de sobressaltos na circulação, que ocorrem quando por algum motivo as pessoas deixam de colocar dinheiro em circulação, são as ditas crises. Entretanto, no capitalismo, o dinheiro deixou de ser um meio para trocas entre mercadorias de valor equivalente, passando elas a ser o meio para a obtenção de mais-dinheiro (D), sendo agora este a ser o fim.
O Lucro decorre da Mais-Valia (m). Sendo que esta provém da diferença entre o valor produzido por um trabalhador e o salário que lhe é pago. Por outras palavras, é o tempo de trabalho não remunerado. Logo, o lucro vem diretamente ou indiretamente do trabalho
34 humano, do trabalhador. Daí, ainda podemos calcular a taxa de exploração (m’), por exemplo, se o valor produzido por um trabalhador durante um ano é de 40000$ e a mais-valia de 20000$, então: