FINAN AS
BALANÇO
DE PAGAMENTOS E CAMBIO
Os resultados do balanço de pagamentos do Brasil, em 1965, refletem, com dados preliminares, porém quase definitivos, gram::le melhoria nas transações mercantis e financeiras com o exterior.
De fato, estima-se ter havido no ano um superavit, para o con-junto das transações formadoras do balanço, de proximadamente USS 160 milhões, ou seja, mais USS 120 milhões do que em 1964
(ver OU ADRO !).
Essa melhoria decorreu de queda de importações do ffiéüor movimento de exportações, bem assim, do notável volume de em-préstimos compensatórios, ocorrências Que, aliadas ao reescalona-menta das dívidas externas do País, propiciaram, como se viu, grande
desafôgo para o nosso balanço de pagamentos em 1965.
A análise das "transações
COf-rentes" - mercadorias, serviços e donativos - revela um incre-mento de saldo de USS 286 mi -lhões, relativamente a 1964. Elevaram-se as exportações, con-quanto hajam declinado as de café, c o m o conseqüência do maior volume de produtos em-barcados, visto que os preços apresentaram-se em baixa. médios dêstes, de modo geral, FEVEREIRO/1966
Observe-se, a propósito, que a recuperação das vendas mercan-tis externas se deu, também, co
-mo decorrência da maior juste-za dos níveis da taxa cambial, cujo valor médio para compra foi de CrS l' 874jUSS, contra
CrS 1210jUSS, em 1964: in-cremento de S5~; .
Puderam, assim, os produtos exportáveis situar-se em pé de 55
relativa igualdade ante a concor-rência internacional, eis que não foram sufocados pelo crescimen-to dos preços e cuscrescimen-tos internoc", sem a compensação da atua1iza~
ção da taxa cambia~t como vi
-nha acontecendo nos últimos anos.
de USS 10,0 milhões no
confron-to com 1964 - tiveram sua
re-dução motivada quase exclusiva-mente pelos menores ingressos
de trigo, maquinaria -
englo-bando também as amparadas
com financiamento externo
-e de produtos manufaturados. Por outro lado, as
importa-ções - como desnível de cêrca
Explica-se a redução das im
-portações como conseqüências
1 - BALANÇO DE PAGAMENTOS (USS 1000000) Discriminação A - TRANSAÇÕES CORRENTES (1 2 3) 1. Mercadorias - FOB Exportações Importações 2. Serviços Receita Despesa 3. Donativos ... . ..
B-MOVIMENTO AUTÔNOMO DE CAPITAIS (I 2) 1. Ingressos. .
Investimentos Empréstimos
Public Low - Titulo I (60"',,) Outros 2. Saídas Amortizaçãe5 Outras saídas. C-SOMATóRIO (A+S) . D - ERROS E OMISSÕES .... ... . . E-ATRASADOS E CRÉDITOS COMERCIAIS __ .. F-FINANCIAMENTO OFICIAL COMPENSATÓRIO
<H2+3) ... ... . 1. Operações ?e. Regularização
Empreshmos ... . . ... . Fundo Monetário Internacional 2. Outras Operações de Financiamentc
Swaps . . . .. . . . As decorrentes da Instrução 289 da SUMOC 3. Variação das Reservas .. ..
Havere-s (aumento - ) Obrigações (redução ) . Ouro Monetário (aumento O-TOTAL DOS ITENS E e F . . . . H-SUPERAVIT (+) OU DEFICIT (- )
(C'+O)'
1964 147 334 1430 1086 - 259 107 -366 62 12 310 2R 1(,4 !'i/I 298 _271 ->7 159 _ JIQ 57 - 9 7 l1fi -
"
- ~? - 52 - ]1.""\ -''''
-
I'"
"
- 40 40 1965 (estimativa) 220 620 1600 980 - 41Q 220 - 630 2S - 78 172 40 101i"
20 - 250 -2~5 - 15 142 18 _ 185 25 :\5R 3.lR 70 - 3:\ - 17R 14!'i - 300 {- 328 28 - 160 160 Fonte dos dados originai.: Banco Central da República do Brasil.da expectativa em tôrno da po-lítica de estabilização monetá-ria, cuja execução provocou re-trações normais, e previstas do consumo, fato considerado
nor-mal e inerente às fases de
ajus-tamento das economias em re
-cuperação.
Por sua vez, o movimento de
Serviços - os chamados "in vis i .
veis" do balanço de pagamento.;
- apresentou-se grandemente
deficitário, apesar de as
impor-tações terem regredido,
suscitan-do, com isto, menores gastos d'3
fretes.
O deficit da rubrica, que foi de
USS 410 milhões, em estimativa,
no confronto com US$ 259 mi-lhões de 1964, explica-se como
sendo o resultado da política de
maior realismo seguida pelo
Go-vêrno desde 1964, quanto às re· messas para o exterior de rendi·
mentos de capitais e outros.
Êsse maior realismo
afigurou-se ao Govêrno como condição
in-dispensável para se encetar a ta-refa de restituição da confiança do investidor estrangeiro.
Não obstante a política libe-ral do Govêrno no que respeita
ao tratamento aos capitais
autô-nomos estrangeiros, o saldo dessa
rubrica (entradas menos saídas) em 1965 foi deficitário em USS 78 milhões, isto é, com agra-vamento de USS 90 milhões no "VIRlIRO/1 96.
cotejo com 1964. O
movimen-to negativo deveu-se
essencial-mente às menores entradas de
empréstimos, sob a forma de
bens ou monetaria, incluindo-se
na primeira as importações de
trigo norte-americano, ao
ampa-ro da "Public Law" n.o 480 dos
Estados Unidos, as quais,
entran-do no país como capital, foram
pràticamente nulas em 1965.
Cumpre observar também
que, em têrmos globais, o declí
-nio nas entradas de capitais
au-tônomos é conseqüência do fim
de uma fase (1962), em que se
procuraram atingir metas
desen-volvimentistas a qualquer preço.
Os baixos ingressos de capitais
autônomos teriam motivado uma
situação difícil para o País, não
fôsse o conseguido
reescalona-menta das dívidas brasileiras
com o exterior, bem como a
uti-lização dos capitais
compensató-rios. Que no ano alcançaram mais
de USS 400 milhões. Ao
mes-mo tempo, tornou-se possível
contratar swaps de valor
equiva-lente a cêrca de USS 112 mi-lhões, ao passo que as entradas
de recursos com amparo nas
re-gras estabelecidas pela Instrução 289 da extinta SUMOC - ver parte de câmbio. a seguir -
so-maram quase USS 180 milhões. O conjunto das operações de
capitais autônomos e
to rios, mais o resultado líquido das transações correntes, propi-ciaram fôssem melhoradas as po sições em débito dos atrasados comerciais, de obrigações a cur-to prazo perante banqueiros no exterior, reduzindo-se, entretan-to. as reservas-ouro, o que não impediu, no final, que as reser-vas cambiais líquidas em divisas aumentassem, no ano de 1965. em mais de USS 300 milhões.
CÂMBIO (NORMAS CAMBIAIS E DE
COMÉRCIO EXTERIOR)
Instruções de extinta Superin tendência da Moeda e do Crédi-to e Resoluções do Banco Cen-tral da República do Brasil -Instrução n.o 287, de 14.1.65 - promove a elevação, de USS 30 mil para USS 50 mil, do li-mite semanal, por firma, para o fechamento de câmbio do valor CIF das importações. Do limite ficaram isentas as operações am-paradas por empréstimos do ex terior, com prazos superiores a 20 anos e, bem assim, as impor-tações da Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC) .
Instrução n.o 289, de 14.1.65 - dá autorização à Carteira de Câmbio do Banco do Brasil pa-ra comprar mceda estrangeira, garantindo o vendedor de poste -rior fornecimento de divisas
pa-,.
ra o retorno da entrada. A me-dida visou ao carreamento de di-visas de livre conversibilidade, a fim de que as Autoridades Mo-netárias pudessem levar, como se haviam proposto, a bom têrmo seus intentos de restabelecer o equilíbrio do balanço de paga -mentos. O objetivo foi consegui-do e ainda se puderam acumular reservas no exterior.
Instrução n.o 290, de 4.2.65 -com o sentido de estabelecer re· lativa igualdade entre os rendi-mentos em cruzeiros das vendas de carne - rendimentos de ex-portação, de um lado, e de outro, rendimentos de vendas ao con -sumo interno - instituiu-~e
uma "quota de contribuição" pa-ra as cambiais das exportações de carne bovina. A <lquota" foi fixada em 3D(; sôbre o valor do contrato de câmbio em moeda estrangeira, ficando ainda est a-belecido que o contra valor em cruzeiros da quota se destinasse à caixa da extinta SUMOC para, através das Carteiras especiali -zadas do Banco do Brasil, ser utilizado no financiamento de atividades econômicas pertinen-tes à produção, industrializacão e comercialização do produto ~
Instrução n.o 291, de 12.2.65 - fixa critérios, no interêsse do çrocesso de desenvolvimento econômico e social do País, rela~
MESES
It - COTAÇÕES DO DÓLAR AMERICANO CrS USS
BANCO DO BRASIL OUTROS BANCOS
LIVRE G.L.P. E FUEL MERCADO ~"'ARALELO CHEQUE MANUAL COMPRA 1964 1965 1964 1965 1964 1965 1964 19ó5 1964 1965 19':4 1965 1964 1965 1964 1965 1964 1965 Janeiro. .• 600 1825 62!,) 1850 1610 600 1825 620 1850 1370 1829 1387 1839 138l IBM 1398 J84~ Fevereiro 708 1 825 70l 1 850 1610 779 1833 80~ 1 eSI 1381 1836 1395 J 843 1391 1840 1"06 1847 Março. Abril 1139 1825 1179 1850 1 160 1 825 1 200 I 850 185012701835 13131846 15561833 1574 1840 1567 1839 15861845 1850 1170 1827 1210 1839 1260 1842 1237 1850 1264 1842 1284 1850 Maio 1 160 1825 1200 1850 900 185!) 1 168 1830 1209 1840 1260 1862 1270 1873 1265 1862 1276 1874 Junho I 160 1825 1200 1850 1000 1850 1 170 1833 1203 1840 1278 1855 1 286 1862 12$·' 1855 1292 1862 Julho 1160 1825 1200 1850 1000 1850 1180 1830 1214 1840 1322 1855 1330 1860 1327 1855 1335 1860 Agôsto 1 194 1825 1 234 1850 1000 1850 1304 1830 1340 1840 1534 1 e55 1544 1860 1542 1855 1552 1860 Setembro 1 533 1 825 1 589 I 850 I 000 I 850 1 584 1 833 1 632 1 844 1 738 1 850 1 749 1 860 1 748 1 850 1 759 1 860 Outubro ••. 1550 1825 1610 1850 1000 1850 1597 1838 1649 1847 1738 1850 1757 1860 1748 1850 1767 1860 Novembro 15502042 1610 20641000 185015542051 16062061 16432054 166020651654 2054 16762065 Dezembro 16022200 165622201000 181016052203 16552213 16462209 166022181653 2209 16672218 MÉDIA DO ANO 1210 1874 1250 1899 986 1810 1248 1880 1289 1893 1477 1894 1491 1902 1486 1895 1500 190~
tivamente às importações de
má-quinas e equipamentos
financia-dos a prazo inferior a 8 anos, ou sem cobertura carr.bial, n::t mo
-dalidade de investimento direto
de capital estrangeiro. Concede,
ao mesmo tempo. tratamento
prioritário às importações
proce-dentes da ALALC, assim comO
às advindas de áreas monetárias
em que o balanço de pag2-
men-tos se nos apresente favorável_
Determina, ainda, dentro do
pra-zo referido de financiamento, a
proibição de importações que
possam, satisfatoriamente, ser
fornecidas pela indústria nacio
-nal. Além disso, especifica
nor-mas para as importações que
tenham prazo de financiamento
superior a 15 anos_
Instrução n.o 293, de 29.3.65
- fixa normas para aplicação
às emprêsas que aderirem aos
postulados da Portaria GB-71,
de 23 2-65, estabelecendo, no
plano do comércio exterior,
auto-rização à CACEX para, de acôrdo
com as Carteiras especializadas
do Banco do Brasil e com o
Fun-do de Democratização Fun-do Capi-tal das Emprêsas (FUNDECE),
promover o financiamento das
manufaturas destinadas à
expor-tação. Elevou, ainda, de 50r ;
para 100 % o limite de utilização
das divisas produzidas pelas ex
-portações de manufaturados
-sistema de "draw-back" a que se
60
refere a Instrução n.o 279, de 10.9.64.
Resolução n.o 9, de 13.11.65
- com esta norma, o Banco
Central eliminou os depósitos
prévios que incidiam sôbre as
importações e transferências
fi-nanceiras, do mesmo passo que,
ao excluir o encargo financeiro
das operações de importação.
re-duziu para 15c-~, nas transferên
das financeiras. As firmas que
se engajaram nos têrmos da
Per-taria n.o 71 ficaram obrigadas
ao pagamento de apenas 10%.
Determinou ainda que as
impor-tações procedentes dos países da
ALALC, constantes da Lista
Na-cional do Brasil, ficam excluída:;
do regime das operações de
fe-chamento de câmbio, por firma
e por semana, revogando, ao
mesmo tempo, as Instruções '243,
254, 256, 275, 277 e 285 da
ex-tinta SUMQC.
Concomitantemente à
Resolu-çào n.o 9, de 13-11-65, o
Go-vêrno, com decreto da mesma
data, reajustava o valor da taxa
cambial, dos níveis respectivos
de CrS 1825 e CrS 1 850, de
compra e venda, para CrS 2 ~OO
e CrS 2 220. Promovia-se,
as-sim, um reajuste aos têrmos
reais, considerando o
crescimen-to dos preços e custos internos,
desde dezembro de 1964,
quan-do se dera o último
reajustamen-to, como se pode verificar do
QUADRO li.