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Rev. Bras. Enferm. vol.70 número4

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BOAS PRÁTICAS: FUNDAMENTOS DO

CUIDAR EM ENFERMAGEM GERONTOLÓGICA

PESQUISA

Validação de cartilha educativa para prevenção de HIV/Aids em idosos

Validation of educational booklet for HIV/Aids prevention in older adults

Validación de una cartilla educativa para la prevención del VIH/sida en ancianos

Luana Ibiapina Cordeiro

I

, Thais de Oliveira Lopes

II

, Luciane Elise de Abreu Lira

II

,

Sarah Maria de Sousa Feitoza

II

, Maria Eliana Peixoto Bessa

II

, Maria Lúcia Duarte Pereira

II

,

Aline Rodrigues Feitoza

II

, Adriano Rodrigues de Souza

II

I Universidade Estadual do Ceará, Programa de Pós-Graduação Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde. Fortaleza-CE, Brasil.

II Universidade de Fortaleza, Centro de Ciências da Saúde, Departamento de Enfermagem. Fortaleza-CE, Brasil.

Como citar este artigo:

Cordeiro LI, Lopes TO, Lira LEA, Feitoza SMS, Bessa MEP, Pereira MLD, et al. Validation of educational booklet for HIV/Aids prevention in older adults. Rev Bras Enferm [Internet]. 2017;70(4):775-82. [Thematic Edition “Good Practices: Fundamentals

of care in Gerontological Nursing”] DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0145

Submissão: 16-02-2017 Aprovação: 02-04-2017

RESUMO

Objetivo: Descrever o processo de construção e validação de cartilha educativa para prevenção de HIV/Aids em idosos. Método: Estudo metodológico desenvolvido em duas etapas — construção da cartilha e validação do material educativo por juízes. O processo de construção envolveu um diagnóstico situacional com idosos, cujo resultado apontou lacunas no conhecimento com relação ao HIV/Aids. Já o processo de validação foi realizado por nove juízes, selecionados por conveniência. Considerou-se uma concordância de no mínimo 0,80, analisado pelo índice de validade de conteúdo. Resultados: Optou-se por um diálogo entre dois idosos dividido em três categorias: mitos e tabus; desconhecimento; e prevenção e importância do diagnóstico. A média dos itens foi de 0,90. As sugestões realizadas pelos juízes foram acatadas e modifi cadas para a versão fi nal. Conclusão: O material apresentou conteúdo relevante para os juízes, além de poder ser utilizado pelos profi ssionais de saúde no ensino e esclarecimento de questões sobre a temática.

Descritores: Idoso; Materiais de Ensino; Doenças Sexualmente Transmissíveis; Enfermagem Geriátrica; HIV.

ABSTRACT

Objective: To describe the process of manufacturing and validation of an educational booklet for HIV/Aids prevention in older adults Methods: Methodological study developed in two phases – manufacturing of the booklet and validation of the educational material by judges. The manufacturing process involved a situational diagnosis with older adults, and its result indicated gaps in the knowledge with respect to HIV/Aids. The validation process was performed by nine judges, selected by convenience. It was considered an agreement index of at least 0.80, analyzed through the content validity index. Results: We opted for a dialogue between two older adults divided into three categories: myths and taboos; ignorance; and prevention and importance of diagnosis. The average of the items was 0.90. The suggestions made by the judges were observed and modifi ed for the fi nal version. Conclusion: The material had relevant content for the judges, in addition to being able to be used by health professionals in the education and clarifi cation of issues on the subject.

Descriptors: Older People; Teaching Materials; Sexually Transmitted Diseases; Geriatric Nursing; HIV.

RESUMEN

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INTRODUÇÃO

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) é uma doença crônica, de caráter emergente e ocasionada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), o qual é capaz de atacar o sistema imunológico do hospedeiro, deixando-o susceptível a novas infecções(1-2).

O foco inicial da epidemia da Aids no Brasil se deu em 1980, se concentrou na região Sudeste, com 465 mil casos registrados pelo Ministério da Saúde (MS) e era composto por uma população de homossexuais; posteriormente, usuários de drogas injetáveis, hemotransfundidos, mulheres, crianças e idosos foram infectados pelo HIV(2).

Outro desafio mundial aos serviços de saúde está associa-do ao envelhecimento populacional. Segunassocia-do projeções esta-tísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2025, o Brasil ocupará o sexto lugar quanto ao contingente de idosos, com cerca de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Pessoas com 50 anos ou mais que vivem com HIV também são consideradas idosas, devido ao comprometimento imuno-lógico ocasionado pela doença(3).

Estudos epidemiológicos relacionados à Aids, por faixa etá-ria no Brasil, apontam para o aumento de 80% nas taxas de detecção do HIV em relação ao público de 60 anos e mais, nos últimos 12 anos. Desde 1980 a 2016, foram notificados, ao total, 28.122 casos de idosos infectados pelo HIV por 100.000 habitantes. A população idosa ocupa o 10º lugar com maior incidência de Aids no País(4-5).

O elevado número de idosos infectados pelo HIV se deve a vários fatores: aumento da expectativa de vida, disponibilida-de disponibilida-de alternativas farmacológicas para disfunção erétil e para reposição hormonal, vulnerabilidade física e psicológica; e pelos outros tipos de exposição ao HIV, além do sexual, como por transfusão sanguínea, uso de drogas ilícitas injetáveis e au-mento da sobrevida das pessoas que vivem com HIV/Aids(6-7).

No entanto, ainda existem tabus quanto à sexualidade dos idosos, fato esse que pode contribuir para o aumento das In-fecções Sexualmente Transmissíveis (IST) como o HIV/Aids(8).

Muitos idosos possuem ceticismo quanto ao risco de infec-ção pelo HIV, pois acreditam que tal infecinfec-ção só é provável em pessoas que levam uma vida promíscua. Eles demonstram resis-tência ao uso do preservativo, por considerá-lo apenas um mé-todo contraceptivo. Além disso, algumas campanhas existentes são destinadas prioritariamente à população mais jovem(9-11).

Certos profissionais de saúde não se sentem capacitados em destinar assistência em relação à saúde sexual dos idosos, além de existir deficiências quanto à utilização de tecnologias do tipo leve, com implementação do cuidado para estabele-cer relações pessoais ou leve-dura, as que se valem de saberes estruturados em geral, como a cartilha educativa(12).

Portanto, percebe-se uma lacuna nas ações destinadas à população idosa no que diz respeito à prevenção do HIV/ Aids. Sabe-se ainda que ações de educação em saúde devem ser repensadas, uma vez que a forma de abordar o idoso não pode ser a mesma utilizada com o jovem.

Diante da carência de informação dessa população em vir-tude de ser público-alvo de poucas campanhas e de poucas orientações por parte dos profissionais de saúde, infere-se a relevância da utilização de materiais educativos impressos para informação e prevenção do HIV/Aids nessa população.

Os materiais educativos impressos têm sido utilizados como ferramenta de educação em saúde para facilitar o conhecimen-to, esclarecer mitos e tabus relacionados ao tema. Com isso, é crescente o uso de cartilha educativa com objetivo de auxiliar nas orientações, além de ser um recurso que a pessoa também poderá utilizar na ausência do profissional de saúde(13-15).

A validação de conteúdo é necessária a fim de inferir a cientificidade do conteúdo inserido no material, visando aju-dar na orientação dos idosos quanto à importância da preven-ção do HIV/Aids(16).

Considerando a importância desses aspectos, objetivou-se, neste estudo, descrever o processo de construção e validação de cartilha educativa para prevenção de HIV/Aids em idosos.

MÉTODO

Aspectos éticos

O projeto foi submetido e aprovado pelo comitê de ética em pesquisa. Foram respeitados os preceitos éticos e legais, considerando o respeito pela dignidade humana e pela espe-cial proteção devida aos participantes das pesquisas científicas envolvendo seres humanos, conforme a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde(17).

Desenho, local do estudo e período

Trata-se de uma pesquisa do tipo metodológica, resultante do grupo de pesquisa de saúde coletiva da Universidade de Fortaleza, abrangendo o tema HIV em idosos. A cartilha edu-cativa é intitulada “Cuidar de si é se amar: Um diálogo sobre HIV/Aids entre idosos”.

A cartilha educativa foi construída de acordo com as re-comendações para construção e avaliação de materiais edu-cativos para população idosa, conforme os itens: conteúdo, linguagem, ilustrações, layout e design(18). No processo de

construção da cartilha, foi feito o diagnóstico situacional no qual foram analisadas seis pesquisas de campo realizadas en-tre o período de 2008 a 2013, cujos resultados apontaram lacunas relativas ao conhecimento de idosos sobre HIV/Aids.

Os resultados indicaram as seguintes lacunas e mitos: “idoso não precisa usar camisinha”, “idoso não pega Aids”, “camisinha Luana Ibiapina Cordeiro E-mail: [email protected]

AUTOR CORRESPONDENTE

Conclusión: El material presentó contenido relevante para los jueces y puede ser utilizado por los profesionales de la salud en la enseñanza y en la clarificación de cuestiones sobre el tema.

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só serve para evitar gravidez”, “quem tem Aids é rejeitado da sociedade», «Aids é a mesma coisa que HIV”. Assim, após a aná-lise dos resultados das pesquisas, foi realizada a montagem da cartilha conforme as principais lacunas e mitos que precisavam ser desmistificados em relação ao HIV/Aids nos idosos.

A partir da identificação das lacunas e mitos, foi realizado um levantamento da literatura nas bases de dados LILACS, Medline/ PubMed e Scopus, utilizando os descritores presentes em Ciên-cias da Saúde/Medical subject Heading (DECS/MeSH): “idoso” (“aged”), “doenças sexualmente transmissíveis” (“sexually trans-mitted diseases”), “HIV” (“HIV”), “educação em saúde” (“Health education”), “sorodiagnóstico da Aids” (“Aids serodiagnosis”), “preservativos” (“condoms”). Utilizou-se o descritor controla-do “icontrola-doso” (“aged”) associacontrola-do por meio controla-do operacontrola-dor booleano AND aos descritores supracitados.

O trabalho de design e diagramação das imagens foi feito por profissional de design gráfico, e as ilustrações, conforme realizadas, eram enviadas às pesquisadoras para aprovação. As imagens foram descritas detalhadamente e, depois, traba-lhadas no Adobe Illustrator.

Para validação do conteúdo da cartilha, usou-se o conceito de validação de conteúdo, ou seja, foi avaliado o quanto cada ele-mento do constructo é representativo na avaliação dos juízes(19).

O instrumento de avaliação dos juízes foi dividido em duas partes. A primeira relacionada com as suas características quanto aos dados de identificação e formação profissional, como: ida-de, sexo, ocupação atual, área de atuação, titulação, tempo de formação, participação em grupo de pesquisa e produção cien-tífica. A segunda parte do instrumento referia-se às instruções de preenchimento do instrumento e aos itens avaliativos da cartilha, totalizando 30 itens distribuídos em cinco aspectos avaliativos: objetivo, linguagem, relevância, ilustrações, layout e design. As opções de respostas para a avaliação foram em forma de escala do tipo Likert. A pontuação da escala foi de cinco pontos (1 = dis-cordo totalmente, 2 = disdis-cordo, 3 = neutro, 4 = condis-cordo, 5 = concordo totalmente)(19). Vale ressaltar que os domínios

represen-tantes do conteúdo são: objetivo, relevância e conteúdo. E os do-mínios que representam a aparência são: ilustração e linguagem. A coleta de dados foi realizada de agosto a novembro de 2015.

População ou amostra do estudo; critério de inclusão e exclusão

Para a validação, foram selecionados nove juízes através de consultas na Plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Na sele-ção dos mesmos, foram considerados os seguintes aspectos: desenvolver ações de prevenção e/ou promoção da saúde vol-tada à população idosa; ter experiência profissional, na área de saúde do idoso e/ou com IST/HIV/Aids, há mais de dois anos; ter trabalhos científicos sobre saúde do idoso e/ou com IST/HIV/Aids; possuir conhecimento sobre tecnologia educa-tiva; possuir conhecimento sobre o processo de construção e validação de instrumentos; ser portador do título de mestre ou doutor com produção científica na área de saúde do idoso e/ou com IST/HIV/Aids ou produção de tecnologia educati-va. Foram excluídos os juízes que não estivessem exercendo atividade na área de saúde do idoso há mais de cinco anos.

Protocolo do estudo

O processo de validação da cartilha educativa foi norteado pelo referencial teórico de validade de conteúdo (20), que

des-creve como deve ser medida da porcentagem de especialistas que concordaram sobre o conteúdo do material construído. Dessa forma, faz-se necessário que os especialistas sejam re-ferência na área de interesse do conteúdo, pois somente assim serão capazes de avaliar de forma satisfatória conteúdo repre-sentativo do material educativo(19).

Primeiramente, foi realizado um levantamento desses especia-listas por meio da Plataforma Lattes do portal CNPq. Foi iniciada a pesquisa por assunto (palavras-chave: idoso/HIV/Aids/Educação em Saúde/Materiais educativos impressos) na opção busca sim-ples, e foram utilizados os filtros para refinar os critérios.

Além do critério selecionado acima, efetuou-se a seleção dos especialistas por meio da amostragem bola de neve: as-sim, quando era identificado um sujeito que se enquadrava nos critérios de inclusão estabelecidos, era solicitado ao mes-mo que sugerisse outros participantes(20). Para o contato com

os especialistas, foi utilizado o endereço eletrônico e a forma presencial por meio de carta-convite.

Após a aplicação dos critérios de inclusão, foi feito um convite para os especialistas, via correio eletrônico ou pessoalmente, no qual constava os objetivos do estudo. Em seguida, os especialistas que concordaram em participar do estudo, receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e a Cartilha Educativa.

O trabalho dos especialistas consistiu em uma leitura crí-tica da cartilha para preencher o instrumento de avaliação, o qual foi disposto em itens que avaliaram objetivos, conteúdo, linguagem, ilustrações, layout e design.

Foi estabelecido um prazo de 15 dias para que o mesmo fizesse a análise, preenchesse o instrumento de avaliação e os devolvesse à pesquisadora pessoalmente ou pelo correio eletrônico. Por fim, realizou-se o consolidado das informa-ções descritas pelos especialistas para adequação da cartilha conforme as recomendações sugeridas.

Análise dos resultados e estatística

Os dados referentes à validação foram inseridos no programa Excel 7.0 e organizados em tabela e quadros sendo analisados conforme o Índice de Validade de Conteúdo (IVC), calculado com base em três equações matemáticas: S-CVI/Ave (média dos índices de validação de conteúdo para todos os índices da es-cala), S-CVI/UA (proporção de itens de escala que atinge escore 4/concordo e 5/concordo totalmente, por todos os juízes) e o I-CVI (validade de conteúdo dos itens individuais)(19). Vale

des-tacar, que o IVC varia de -1 a 1 e considera válido o item cuja concordância entre os juízes seja igual a ou maior que 0,80(19).

RESULTADOS

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assessoria técnica na área de IST/Aids e Hepatites Virais na Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza, construção de tecnologias educativas, produção de pesquisas em idosos e participação no grupo de pesquisa em Saúde Coletiva.

Para uma melhor compreensão do conteúdo da cartilha, uti-lizou-se um diálogo entre dois amigos, no qual o primeiro tem ideias errôneas e preconceituosas, e o segundo é um idoso in-fectado pelo HIV. A sequência do diálogo desenvolveu-se a par-tir de três categorias principais: mitos e tabus; desconhecimento; e prevenção e importância do diagnóstico. Tais tópicos foram elencados após leitura do material selecionado em associação com as respostas obtidas no diagnóstico situacional.

A escolha do título da cartilha, “CUIDAR DE SI É SE AMAR: Um diálogo sobre HIV entre idosos” foi escolhido a fim de se tornar objetivo para que sejam haja uma boa leitura e compre-ensão do idoso no que se diz respeito ao cuidar de si como um todo, pois se trata de uma forma de se amar.

A categoria mitos e tabus surgiu a partir de fatos reais, onde ainda se percebem muitos idosos com pouco conhecimento sobre Aids. Isso pode ocorrer devido à falta de interesse sobre assuntos da realidade, ou até mesmo por tabus, já que se trata de uma Infecção Sexualmente Transmissível.

A interrogação “Gente da nossa idade precisar de camisi-nha?”, por parte do idoso, deve-se ao fato de campanhas de educação em saúde e prevenção da Aids serem mais destinadas

à população jovem, assim fazendo que os idosos estejam me-nos informados sobre o HIV e meme-nos conscientes de como se proteger da infecção(10).

Além disso, a população que está na senectude não vivenciou o uso apelativo ao preservativo, como é evidenciado atualmente. Em relação à categoria desconhecimento, são inúmeras as lacunas percebidas no idoso sobre a realidade do HIV/Aids, como foi ficou claro pela análise das pesquisas do diagnóstico situacional, tendo associação direta com o aumento da vulne-rabilidade do mesmo.

Outra lacuna no conhecimento é sobre as formas de trans-missão do HIV. Muitos idosos ainda têm a ideia que se tinha no início da epidemia, quando se acreditava que o contato pessoal e através de objetos também eram formas de transmis-são da Aids. O desconhecimento gera preconceito.

A última categoria, prevenção e importância do diagnósti-co prediagnósti-coce, foi ilustrada diagnósti-com seis figuras na cartilha, que enfo-cam pontos principais sobre a prevenção do HIV e importân-cia de conhecer o status sorológico. Além da prevenção por meio do uso de preservativos masculino e feminino, optou-se por abordar o cuidado com o (a) parceiro (a) e a exposição da mulher à contaminação do HIV. Contudo, foi evidenciado por meio de ilustrações que o conhecimento precoce da infecção pelo HIV e a busca de um adequado controle podem contri-buir para fortalecer o sistema de prevenção da Aids.

Fonte: Feitoza; Cordeiro; Lopes, 2015.

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A importância do diagnóstico é mostrar para o idoso como é fácil o acesso à testagem do HIV e ressaltar o trabalho desen-volvido pelos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).

Quanto à validação de conteúdo realizada pelos juízes, os mesmos demonstraram avaliação positiva da cartilha e indicaram o material como um excelente complemento nas orientações práticas pelos profissionais de saúde acerca da temática, principalmente pelo estilo com que foi adiciona-do o conteúadiciona-do — por este ser exposto de forma conversa-cional, o público-alvo, ao ler o material, poderia então sen-tir-se mais motivado em seguir as orientações propostas. As

sugestões dos juízes foram incluídas na cartilha, de modo que a mesma foi revisada até se chegar à versão final.

A concordância entre os juízes quanto ao material educati-vo obteve-se média do I-CVI de 0,95, sendo S-CVI de 1 para o domínio relevância, S-CVI de 0,91 para o domínio objetivo e S-CVI de 0,91 para o domínio conteúdo.

A concordância entre os juízes quanto à aparência do material educativo obteve média do I-CVI de 0,95, sendo S-CVI de 0,92 para o domínio ilustração, S-CVI de 0,95 para o domínio linguagem e S-CVI de 1 para o domínio layout e design.

Quadro 1 – Síntese da análise qualitativa das alterações sugeridas pelos juízes, Fortaleza, Ceará, Brasil, 2016

Domínios Sugestão dos juízes

Objetivos Reforçar o uso do preservativo em todas as relações sexuais e sobre as outras IST, além de acrescentar uma fala geral sobre o preconceito homossexual.

Conteúdo Em relação ao modo de transmissão, é necessária reformulação da frase “tatuagem com sangue contaminado, pois pode parecer que a tatuagem só é feita com sangue contaminado; explorar sobre a dificuldade que os idosos têm de usar o preservativo de forma correta e o estigma da ereção por conta do preservativo”.

Linguagem Substituir o termo “receptáculo” por “ponta” ou “extremidade”; alterar a expressão “macho” por outra mais utilizada entre os idosos; substituir os termos “brochar” por “falhar” e “bobagem” por “besteira”.

Ilustração A ordem dos personagens muda em apenas um colocar as figuras de orientação do uso dos preservativos ao lado de cada orientação correspondente. slide; diversificação das imagens para tornar o material mais atrativo;

Layout e design Aumentar o tamanho da letra; as cores brancas estão muito presentes, tornando a leitura pouco atrativa; sugiro mudar a cor da calça do Zé e escurecer um pouco as paisagens; trocar o plano de fundo, pois apenas um prevalecendo torna a leitura cansativa.

Nota: IST - Infecções Sexualmente Transmissíveis

Tabela 1 – Avaliação da concordância da adequação da cartilha educativa quanto ao Índice de Validade de Conteúdo, Forta-leza, Ceará, Brasil, 2015

Domínios Itens I-CVI*

Objetivo 1.1 Gerar reflexão sobre os cuidados necessários a serem tomados pelos idosos em suas relações sexuais 1 1.2 Promover uma mudança de comportamento e atitude frente aos perigos da falta de prevenção 0,89

1.3 Promover a desmistificação do assunto HIV/Aids no meio dos idosos 1

1.4 Esclarecer as informações a respeito das formas de contaminação por HIV 0,78

1.5 Mitigar as ideias preconceituosas sobre o assunto HIV 0,89

IVC**- Total 0,91

Conteúdo 2.1 Apropriada para a orientação dos idosos na prevenção de DST/HIV/Aids 1

2.2 Esclarecem dúvidas sobre as formas de contaminação 1

2.3 As mensagens estão apresentadas de maneira clara e objetiva 1

2.4 As informações apresentadas estão cientificamente corretas 0,89

2.5 Os conteúdos são variados e suficientes para atingir os objetivos da cartilha 0,89

2.6 Existe uma sequência lógica do conteúdo proposto 1

IVC**- Total 0,96

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DISCUSSÃO

A avaliação dos juízes evidenciou que a cartilha educativa constitui-se de um material educativo de conteúdo pertinente e válido quanto ao constructo que se desejava avaliar (prevenção do HIV/Aids em idosos) além de uma aparência atrativa e moti-vadora para leitura, com excelentes IVCs individuais para cada domínio. Apesar do resultado do IVC-Total de todos os domí-nios ser acima de 0,8, os juízes sugeriram algumas mudanças.

Em relação aos domínios, foram sugeridas mudanças tanto no conteúdo quanto nas ilustrações, assim como reformula-ção das frases. As sugestões de substituireformula-ção e explicareformula-ção de termos considerados inapropriados e confusos e o acréscimo de informações relevantes fazem-se necessárias, pois as orien-tações fornecidas pelos profissionais de saúde não podem ser diferentes nem conflitantes. Além disso, demonstram o inte-resse desses profissionais, principalmente os que trabalham na área, em utilizar a tecnologia impressa(21-22).

Foi solicitado um reforço quanto ao uso do preservativo em todas as relações sexuais, já que essa é uma prática ainda negada

pelas pessoas idosas. O uso de preservativos, masculinos ou fe-mininos, por pessoas sexualmente ativas é o método mais eficaz para a redução do risco de transmissão do HIV e de outras ISTs, devendo ser utilizado em todas as relações sexuais(23).

O objetivo da cartilha foi trazer a discussão da problemá-tica do HIV/Aids, mesmo sabendo que outras Infecções Sexu-almente Transmissíveis (ISTs) também precisem ser discutidas com essa população específica.

Houve um aumento no número de pessoas com diagnósti-co de IST no Brasil na faixa etária acima de 60 anos. Isso pode ser resultado do aumento das relações sexuais mantidas por essa população, a qual — provavelmente por questões edu-cativas, culturais, econômicas, dentre outras — deixa de usar preservativo masculino e feminino(23-24).

Existe uma problematização da velhice como variável de mu-danças e inovações culturais no mundo moderno, no qual o in-divíduo idoso é agente constituidor de novos estilos de vida(24).

Foi solicitada a substituição de termos de difícil compreen-são, pois a utilização da linguagem deve ser coerente com a mensagem do instrumento destinado ao público-alvo, deve ser

Tabela 2 – Avaliação da concordância da adequação da cartilha educativa quanto à aparência, Fortaleza, Ceará, Brasil, 2015

Domínios Itens I-CVI*

Relevância 4.1 Oportunidade de aquisição de conhecimento sobre o assunto HIV/Aids 1

4.2 Adequação da cartilha para uso por profissionais da área da saúde com seus pacientes 1

4.3 Adequação da cartilha como meio para educação em saúde 1

4.4 Esclarecimento da população sobre a problemática enfrentada 1

4.5 Ênfase no aspecto-chave que deve ser reforçado. 1

IVC**- Total 1

Ilustrações 5.1 Ênfase nos pontos e ideias importantes do texto 0,89

5.2 Pertinentes ao conteúdo do material 1

5.3 O número de ilustrações é suficiente para expressar bem o conteúdo 0,89

5.4 As legendas são adequadas e auxiliam o leitor a compreender a imagem 0,89

IVC**- Total 0,92

Linguagem 3.1 Facilidade de compreensão do conteúdo pela apresentação do mesmo em forma de conversa 1 3.2 Facilidade de compreensão do conteúdo pelo uso de textos objetivos e curtos 0,89 3.3 Facilidade de compreensão do conteúdo pelo uso da voz ativa com palavras de definições simples e familiares 1 3.4 Facilidade de compreensão do conteúdo pela boa estruturação do discurso com uso de boa concordância e ortografia correta 0,89

IVC**- Total 0,95

Layout

e design 6.1 A apresentação da cartilha está atrativa e bem organizada 1

6.2 A fonte tipográfica utilizada foi adequada ao público-alvo 1

6.3 As fontes tipográficas do texto são adequadas e facilitam a leitura 1

6.4 O número de páginas está adequado 1

6.5 As informações mais importantes estão dispostas no texto de forma correta para um melhor entendimento 1

6.6 A utilização da impressão fosca melhorou a legibilidade do texto 1

IVC**- Total 1

(7)

de fácil leitura e entendimento(13). Materiais educativos

destina-dos a pessoas idestina-dosas precisam ter uma linguagem acessível, que evite termos técnicos ou de difícil compreensão, seja clara, obje-tiva e facilite a reflexão sobre o assunto abordado(15,18).

O termo “receptáculo”, que se encontra na explicação dos preservativos masculino e feminino, é de difícil compreensão. En-tão, foi sugerido alterar para “ponta” na seguinte frase: “deve ser colocado antes da penetração, durante a ereção, o receptáculo existente na extremidade do preservativo”. O vocabulário utiliza-do deve ser coerente com a mensagem e com o público-alvo; pa-lavras complexas e terminologias técnicas devem ser evitadas(25).

Com a finalidade de tornar a cartilha um material didático, de fácil e agradável leitura, foi sugerido colocar as figuras das orientações do uso do preservativo ao lado de cada orientação. Assim, seria possível ler a orientação e comparar com a figura correspondente. Vale destacar a importância da ilustração para a legibilidade e compreensão de um texto. Sua função é atrair o leitor, despertar e manter seu interesse pela leitura, complemen-tar e reforçar a informação fornecida pelo profissional de saúde em relação à prevenção pelo HIV/Aids(18).

Imagens que não retratam a realidade criam visões deturpa-das sobre as características reais do ambiente ou dos persona-gens. Além disso, as ilustrações devem fazer parte do material educativo para facilitar o entendimento do leitor, por isso preci-sam contemplar personagens, cenários e vivências mais próxi-mas do público-alvo, possibilitando a oportunidade de construir novos significados e permitindo compreensão do cotidiano(26).

Limitações do estudo

Diante dessa necessidade de diversificação, o material pre-cisa sofrer alterações para tornar-se mais atrativo aos leitores, podendo-se mudar a ordem dos personagens, expressões e plano de fundo.

Idosos apresentam uma redução da acuidade visual, de tal maneira que as cores brancas presentes no material podem ge-rar um cansaço visual. Foi sugerido escurecer um pouco as ima-gens de fundo para um melhor contraste entre as figuras, bem

como aumentar o tamanho da letra. O layout e o design tornam o material mais fácil de ler e mais atraente para o leitor(19,27).

Contribuições para a área de enfermagem, saúde ou po-lítica pública

Trabalhos educativos realizados na forma de cartilha têm importância fundamental na educação de populações re-sistentes a assuntos relativos à sua intimidade sexual, como seja a população idosa, pois, muitas vezes, podem-lhes tra-zer constrangimento, intimidação e vergonha. Além disso, tal material pode ser utilizado como uma tecnologia educativa, pelos profissionais de saúde, direcionada ao ensino e esclare-cimento de questões sobre a temática.

CONCLUSÃO

A tecnologia utilizada mostrou-se efetiva preservando a privacidade do idoso, esclarecendo suas dúvidas, fornecendo conhecimentos sobre as IST/Aids, suas formas de transmissão, prevenção e desmitificando os mitos, sem que ele precise ver-balizar, expondo a sua intimidade sem interferência de outrem, minimizando angústias e medos. Ressalta-se que isso é eviden-ciado principalmente em populações idosas escolarizadas.

Os objetivos relacionados à facilidade de leitura, lingua-gem acessível, conteúdo apropriado, características relevan-tes, ilustrações foram alcançados. Esses objetivos auxiliam na compreensão do texto e tornam o material atrativo.

Posteriormente, pretende-se realizar a validação de aparên-cia e clínica junto aos idosos, a fim de verificar o que não foi compreendido, o que deve ser acrescentado ou aperfeiçoado, além de perceber o que foi apreendido pelo público-alvo.

FOMENTO

Pesquisa desenvolvida com recursos do Programa de Pesquisa para o SUS/Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e tecnológico – edital 03/2012 (PPSUS/2012).

REFERÊNCIAS

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Imagem

Figura 1 – Capa e páginas da cartilha para prevenção de HIV em idosos, Fortaleza, Ceará, Brasil, 2015
Ilustração A ordem dos personagens muda em apenas um slide; diversificação das imagens para tornar o material mais atrativo;

Referências

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