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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

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Academic year: 2022

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UNIVE R SID ADE FE DE RAL DA B AHIA

F A C U L D A D E D E E D U C A Ç Ã O

L I C E N C I A T U R A E M E D U C A Ç Ã O F Í S I C A

J A I M I L S O N B A R R O S V I E I R A

CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS PROFESSORES EM TEMPOS DE PANDEMIA:

ANÁLISE do DOSSIÊ RETRATOS DA

ESCOLA - V. 14 N. 30, de 2020.

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S a l v a d o r 2 0 2 1

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J A I M I L S O N B A R R O S V I E I R A

CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS PROFESSORES EM TEMPOS DE PANDEMIA:

ANÁLISE do DOSSIÊ RETRATOS DA

ESCOLA - V. 14 N. 30, de 2020.

Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura em Educação Física da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciado em Educação Física.

Orientadora: Prof.ª Drª Elza Margarida de Mendonça Peixoto.

S a l v a d o r 2 0 2 1

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J A I M I L S O N B A R R O S V I E I R A

CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS PROFESSORES EM TEMPOS DE PANDEMIA:

ANÁLISE do DOSSIÊ RETRATOS DA

ESCOLA - V. 14 N. 30, de 2020.

M o n o g r a f i a a p r e s e n t a d a a o C u r s o d e L i c e n c i a t u r a e m E d u c a ç ã o F í s i c a d a F a c u l d a d e d e E d u c a ç ã o d a U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d a B a h i a , c o mo r e q u i s i t o p a r c i a l p a r a a o b t e n ç ã o d o t ít u lo d e L i c e n c i a d o e m E d u c a ç ã o F í s i c a .

S a l v a d o r / B a h i a , 2 0 d e n o v e m b r o d e 2 0 2 1 .

B A N C A E X A M I N A D O R A

E l z a M a r g a r i d a d e M e n d o n ç a P e i x o t o – O r i e n t a d o r a

P ó s - d o u t o r a d o e m F i l o s o f i a d a E d u c a ç ã o p e l a U n i v e r s i d a d e d e L i s b o a P r o f e s s o r a A s s o c i a d a 1 d a U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d a B a h i a .

J a n a i n a R o d r i g u e s d e J e s u s

M e s t r e e m E d u c a ç ã o p e l a U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d a B a h i a P r o f e s s o r a d a r e d e m u n i c i p a l d e I t a b u n a

J a q u e l i n e R o d r i g u e s d a S i l v a

D o u t o r a e m E d u c a ç ã o p e l a U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d a B a h i a P r o f e s s o r a d a r e d e m u n i c i p a l e m F e i r a d e S a n t a n a

Y u r i C a r l o s C o s t a d o s S a n t o s

M e s t r e e m E d u c a ç ã o p e l a U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d a B a h i a P r o f e s s o r d a r e d e M u n i c i p a l e m P e t r o l i n a

C l a u d i a n o d a H o r a d e C r i s t o

M e s t r e e m E d u c a ç ã o p e l a U n i v e r s i d a d e E s t a d u a l d e F e i r a d e S a n t a n a P r o f e s s o r d a r e d e E s t a d u a l e m F e i r a d e S a n t a n a

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A G R A D E C I M E N T O S

A Lucimaura, mãe querida, marisqueira, mãe solo, que a mim e minhas irmãs com muito sacrifício e, mesmo não tendo condições para terminar o ensino básico, me mostrou a importância dos estudos, força e fortaleza nesses anos de graduação. Sem ela, chegar até aqui não seria possível.

A Ingred, Liliane e Itamara, irmãs que amo.

A Débora, esposa que amo, incentivo nos anos de graduação, mulher sempre presente.

A minha vó, por todo amor, e torcida.

A meus avôs Roque e José (em memória) A Lara e Luiz, filhos que amo.

A Enzo, meu sobrinho querido.

A minhas tias e tio por acreditarem em mim.

A meus primos por todo incentivo.

Á Acupe, terra que amo e sempre vou amar.

Á Associação dos Remanescentes de Quilombo de Acupe, nas pessoas de seu Carlos e dona Ivonete, pela luta e resistência em defesa do território quilombola.

A Alexandro Brito, meu ex-treinador, amigo, incentivador, o que começou no Real Acupe FC, se estendeu para a vida.

A Joseli, amiga querida, incentivadora para me continuar estudando.

Á Conaq pela defesa das comunidades quilombolas do Brasil.

Ao Codequi e Movimento Nacional dos Estudantes Quilombolas, pelas lutas travadas em defesa da nossa permanência nas universidades. Vocês são essenciais.

A Monique Neves de Britto, por todo conhecimento partilhado e pela parceria na Iniciação Científica e na graduação.

Aos camaradas do Grupo de Estudos e Pesquisas Marxismo e Políticas de Trabalho e Educação (MTE/UFBA), por todo o carinho, atenção, orientação.

Aos colegas e amigos que fiz durante o curso.

A todos os professores do curso de licenciatura em educação física da UFBA.

Aos professores que lutam todos os dias por valorização e melhores condições de trabalho, em especial aos professores que participaram e colaboraram com está pesquisa.

A minha Orientadora Elza Margarida, pela generosidade, cuidado, cobrança, respeito e toda a orientação científica, política e HUMANA.

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A Universidade Pública, pela indissociabilidade entre a pesquisa, o ensino e a extensão, e pelos serviços de alimentação do Restaurante Universitário (RU), do Transporte Inter campus (BUSUFBA), das bibliotecas, do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), e do Programa de Proficiência em Língua Estrangeira para Estudantes e Servidores da UFBA (PROFICI), os quais devem ser valorizados e defendidos em tempos de ataque a ciência, às Instituições Públicas e a democracia do país.

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“[...] educação é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens.”

DERMERVAL SAVIANI

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VIEIRA, Jaimilson Barros. CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS PROFESSORES EM TEMPOS DE PANDEMIA: ANÁLISE do DOSSIÊ RETRATOS DA ESCOLA - V. 14 N.

30, de 2020. Monografia (Graduação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, 2021.

RESUMO

A política de desmonte do estado de direito vinha a todo vapor, em 2019, quando começaram a ser divulgado os primeiros casos do Covid-19, em Wuhan, na China, que logo se espalhou pelo mundo, o Sars-cov-2, conhecido como Coronavírus, que devido ao alto poder de disseminação, rapidamente foi detectado em muitos países. O governo Bolsonaro repetiu a política negacionista de Trump e colocou a economia acima das vidas, mesma política adotada pelo primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven. Este Trabalho de Conclusão de Curso de licenciatura em Educação Física tem por objeto a análise do V. 14 N. 30, de 2020 da Revista Retratos da Escola, cujo Dossiê traz pesquisas que tomam como referência o Relatório Técnico realizado pelo Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente (GESTRADO) da Universidade Federal de Minas Gerais, acerca das condições de trabalho docente por ocasião da Pandemia de Coronavírus decretada pela Organização Mundial de Saúde – OMS em 11 de março de 2020. Para a análise do Dossiê foram delimitadas as seguintes questões: quais foram as condições de trabalho dos professores da educação básica durante a pandemia? Como os/as professores/as da educação básica conseguiram desenvolver seu trabalho no ambiente doméstico em contexto pandêmico? Quais as principais dificuldades que os professores estão encontrando? Quais as principais denúncias que o Dossiê faz? Nosso objetivo geral será analisar o DOSSIÊ “Trabalho Docente em Tempos de Pandemia” (RETRATOS DA ESCOLA V. 14 N. 30, DE 2020) buscando nos depoimentos e levantamentos as principais respostas a que chegaram os professores acerca da sua própria experiência e das condições de trabalho e ensino da comunidade escolar. Os artigos do dossiê que foi por nós analisado, buscaram discutir a situação dos professores e, sobre a situação dos mesmos na pandemia, pandemia está que obrigou diversos serviços a serem suspensos, inclusive a educação. Com base no Relatório Técnico Trabalho Docente em Tempos de Pandemia, os editores da revista Retratos da Escola, se propuseram ser o mais abragente possível. Na composição do dossiê, selecionamos artigos que abordassem desde o trabalho e formação, as condições de trabalho em relação ao gênero, professores que lecionavam em escolas infantil e rural, docentes que lecionavam no ensino

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especial e etc. A pesquisa ainda está em movimento e outros estudos poderão surgir, não pretendemos aqui encerrar o debate, pois a pandemia está no cotidiano de professores e alunos e suas dificuldades e necessidades continuam presentes.

Palavras-chave: Educação; Professor; Pandemia; condições de Trabalho e Condições de Formação.

RESUMEN

La política de desmantelamiento del estado de derecho estaba en pleno auge en 2019, cuando comenzaron a publicarse los primeros casos de Covid-19, en Wuhan, China, que pronto se extendieron por todo el mundo, el conocido Sars-cov-2 como El coronavirus, que por su alto poder de diseminación, se detectó rápidamente en muchos países. El gobierno de Bolsonaro repitió la política de negación de Trump y colocó la economía por encima de las vidas, la misma política adoptada por el primer ministro sueco Stefan Löfven. Este Trabajo Final de la carrera de Educación Física tiene como objeto el análisis de la V.14 N. 30, de 2020 de la Revista Retratos da Escola, cuyo Dossier recoge investigaciones que toman como referencia la Memoria Técnica realizada por el Grupo de Estudios de Política Educativa y Laboral Docente (GESTRADO) de la Universidad Federal de Minas Gerais, sobre las condiciones de la labor docente en el momento de la Pandemia de Coronavirus decretada por la Organización Mundial de la Salud - OMS el 11 de marzo de 2020. Para el análisis del Dossier, se delimitaron las siguientes preguntas: ¿Cuáles eran las condiciones laborales de los docentes de educación básica durante la pandemia? ¿Cómo lograron los docentes de educación básica desarrollar su trabajo en el hogar en un contexto de pandemia? ¿Cuáles son las principales dificultades a las que se enfrentan los profesores? ¿Cuáles son las principales quejas que hace el Dossier? Nuestro objetivo general será analizar el DOSSIER “Labor Docente en Tiempos de Pandemia”

(RETRATOS ESCOLARES V.14 N. 30, DE 2020) buscando en los testimonios y encuestas las principales respuestas a las que llegaron los docentes sobre su propia experiencia y condiciones de trabajo y docencia de la comunidad escolar. Los artículos del dossier que analizamos buscaban discutir la situación de los docentes y, respecto a su situación en la pandemia, una pandemia ha obligado a suspender varios servicios, incluida la educación. Con base en el Informe técnico sobre la labor docente en tiempos de pandemia, los editores de la revista Retratos da Escola propusieron ser lo más completos posible. En la composición del dossier, seleccionamos artículos que abordaban desde el trabajo y la formación, las condiciones

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laborales en relación al género, los docentes que impartían clases en jardines de infancia y escuelas rurales, los docentes que impartían clases en educación especial, etc. La investigación aún está en marcha y pueden surgir otros estudios, no pretendemos terminar el debate aquí, ya que la pandemia está en la vida cotidiana de docentes y estudiantes y sus dificultades y necesidades siguen presentes.

Palabras llave: Educación; Maestro; Pandemia; Condiciones laborales y de formación.

ABSTRACT

The policy of dismantling the rule of law was in full swing in 2019, when the first cases of Covid-19 began to be published, in Wuhan, China, which soon spread around the world, the well-known Sars-cov-2 as Coronavirus, which due to the high power of dissemination, was quickly detected in many countries. The Bolsonaro government repeated Trump's denial policy and placed the economy above lives, the same policy adopted by Swedish Prime Minister Stefan Löfven. This Final Paper for a degree in Physical Education has as its object the analysis of V.

14 N. 30, from 2020 of the Revista Retratos da Escola, whose Dossier brings researches that take as reference the Technical Report carried out by the Group for Studies on Policy Educational and Teaching Work (GESTRADO) of the Federal University of Minas Gerais, about the conditions of teaching work at the time of the Coronavirus Pandemic decreed by the World Health Organization - WHO on March 11, 2020. For the analysis of the Dossier, the following were delimited questions: what were the working conditions of basic education teachers during the pandemic? How did basic education teachers manage to develop their work in the home environment in a pandemic context? What are the main difficulties teachers are facing? What are the main complaints that the Dossier makes? Our general objective will be to analyze the DOSSIER “Teaching Work in Times of Pandemic” (SCHOOL PORTRAITS V. 14 N. 30, OF 2020) seeking in the testimonies and surveys the main answers that the teachers reached about their own experience and conditions of work and teaching of the school community. The articles in the dossier that we analyzed sought to discuss the situation of teachers and, regarding their situation in the pandemic, a pandemic has forced several services to be suspended, including education. Based on the Technical Report on Teaching Work in Times of Pandemic, the editors of the magazine Retratos da Escola proposed to be as comprehensive as possible. In the composition of the dossier, we selected articles that addressed

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from work and training, working conditions in relation to gender, teachers who taught in kindergarten and rural schools, teachers who taught in special education, and so on. The research is still in motion and other studies may arise, we do not intend to end the debate here, as the pandemic is in the daily lives of teachers and students and their difficulties and needs are still present.

Keywords: Education; Teacher; Pandemic; Working conditions and Training conditions

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Organização dos artigos que compõem o dossiê ...25

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Sentimentos dos professores em relação a pandemia...29

Tabela 2 – Número de matrículas no ensino infantil...30

Tabela 3 – Docentes que atuam em escolas rurais...32

Tabela 4 – Percepção dos docentes em relação a participação dos estudantes...33

Tabela 5 – Atividades desenvolvidas no período...34

Tabela 6 – Organização das atividades com os estudantes...36

Tabela 7 – Projeto...37

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ADI – Ação Direta de Inconstitucionalidade.

BM – Banco Mundial

CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.

CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito.

EaD – Educação a Distância

GETRADO – Grupo de Estudos Sobre Política Educacional e Trabalho Docente.

GPMTE – Grupo de Pesquisa Marxismo e Políticas de Trabalho e Educação.

INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira MEC – Ministério da Educação

MIEIB – Movimento Inter fóruns de Educação Infantil do Brasil.

MP – Medida Provisória.

OMS – Organização Mundial de Saúde.

PDT – Partido Democrático Trabalhista.

PIBIC – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica.

PL – Projeto de Lei

PROAE – Pró-reitora de Assistência Estudantil e Ações Afirmativas.

REDE – Rede Sustentabilidade SLS – Semestre Letivo Suplementar.

SME – Secretaria Municipal de Educação STF – Supremo Tribunal Federal.

TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação.

UFBA – Universidade Federal da Bahia.

UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais.

UFF – Universidade Federal Fluminense UNB – Universidade de Brasília

UNDIME – União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação.

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SUMÁRIO

Introdução ...17

seção 2. A análise da pesquisa: “trabalho docente em tempos de pandemia”. ...22

2.1 trabalho docente em tempos de pandemia: mais um retrato da desigualdade educacional brasileira ...26

2.2 docência em tempos de covid-19: uma análise das condições de trabalho em meio a pandemia ...27

2.3 trabalho docente, feminização e pandemia, de sâmara carla lopes guerra de araujo...28

2.4 aulas remotas, escolas vazias e a carga de trabalho docente ...28

2.5 docência na educação infantil durante a pandemia: percepções de professoras e professores ...29

2.6 trabalho docente em escolas rurais: pesquisa e diálogos em tempos de pandemia ...32

2.7 educação especial e a covid-19: o exercício da docência via atividades remotas ...33

2.8 trabalho e formação de professores/as: retrocessos e perdas em tempos de pandemia ...35

2.9 amor, coragem! Dilemas e possibilidades na relação com estudantes em tempos de pandemia ...35

Seção 3 - análise crítica quais as principais contribuições trazidas pelo dossiê? ...37

Considerações Finais...38

referências bibliográficas ...42

anexo...44

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CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS PROFESSORES EM TEMPOS DE PANDEMIA:

ANÁLISE do DOSSIÊ RETRATOS DA ESCOLA - V. 14 N. 30, de 2020.

Introdução

A política de desmonte do estado de direito vinha a todo vapor, em 2019, quando começaram a ser divulgado os primeiros casos do Covid-19, em Wuhan, na China, que logo se espalhou pelo mundo, o Sars-cov-2, conhecido como Coronavírus, que devido ao alto poder de disseminação, rapidamente foi detectado em muitos países. Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS), declarou que o vírus passou a ser classificado como pandemia mundial. No Brasil a crise não foi levada a sério e o governo Bolsonaro, por inúmeras vezes negou a pandemia que matou, até o momento mais 600 mil brasileiros, quando não houve negacionismo1, houve charlatanismo2 e promoção da Hidroxicloroquina, Ivermectina e outros remédios ineficazes para tratamento da Covid- 19. O Governo Federal demorou para comprar as vacinas, o que levou o Senado Federal a aprovar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Pandemia)3, com o objetivo de investigar as ações da União, estados e municípios no enfrentamento da pandemia. No relatório final da Comissão foram listados diversos crimes que foram classificados em três grupos: crimes comuns, crimes de responsabilidade e crimes contra a humanidade4.

A inexistência de tratamento eficaz e de vacinas, obrigou o isolamento social em todo o mundo, alterando-se significativamente a vida cotidiana. O primeiro caso no Brasil foi detectado em São Paulo, em 26 de fevereiro de 2020. Por conta do negacionismo do governo brasileiro, os partidos de oposição5, entraram com diversas ações no Supremo

1 Negacionismo: é o ato de negar-se a acreditar em uma informação estabelecida em áreas com a ciência e a história. Os negacionistas são vistos como irracionais, pois não acreditam em consensos obtidos por amplo e profundo estudo e escoram suas crenças em informações falsas e teorias da conspiração. Negacionismo. Mundo educação. Disponível em: www.mundoeducacao.uol.com.br/curiosidades/negacionismo.htm. acesso em:

13/11/2021.

2 Charlatanismo: exploração da credulidade pública através da venda de produtos e/ou serviços incapazes de curar doenças. Charlatanismo. Dicio. Disponível em: www.dicio.com.br/charlatanismo/. Acesso em: 13/11/2021.

3 “A instalação da CPI foi determinada em 8 de abril pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Barroso – que concedeu liminar (decisão provisória) em ação movida por senadores. Ao vivo: CPI da Covid é instalada no Senado. Poder360. Disponível em: www.poder360.com.br/congresso/aovivo-cpi-da-covid-e- instalada-no-senado/. Acesso em: 13/11/2021

4 Findado os trabalhos o relatório foi encaminhado para as autoridades responsáveis apontando 29 crimes cometidos pelo governo. Entre os órgãos: Procuradoria Geral da República (PGR) por crimes comuns; Presidência da Câmara, pelos crimes de responsabilidade; Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade. Saiba mais sobre os crimes listados pela CPI da Pandemia. Senado.Leg. Disponível em:

www.12.senado.leg.br/noticias/materiais/2021/10/25/saiba-mais-sobre-os-crimes-listados-pela-cpi-da-pandemia.

Acesso em: 13/11/2021.

5 Rede Sustentabilidade (REDE) e Partido Democrático Trabalhista (PDT).

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Tribunal Federal (STF), contra a Medida Provisória (MP 926/2020), questionando a Corte sobre a legalidade da mesma, uma delas foi por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6.341/2020)6, por entender que, a MP restringia “a liberdade de prefeitos e governadores na tomada de ações contra a pandemia” (Senado.Leg, 2020).

A ação foi aceita em partes pelo STF e, segundo o relator, até então, Ministro da Corte na época Marco Aurélio “a redistribuição de atribuições feita pela MP não afasta a competência concorrente dos entes federativos, nem a tomada de providências normativas e administrativas pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios”7. Em decorrência da decisão do STF, enfrentando a política negacionista de Bolsonaro e dos seus aliados e os constantes ataques as medidas de isolamento, estados e municípios dentro de suas competências decidiram os serviços que seriam suspensos. Entre os serviços estavam igrejas, comércios, shoppings, eventos culturais e esportivos, restaurantes e bares, pontos turísticos, entre outros, que por conta da transmissibilidade do vírus, tiveram suas atividades suspensas e/ou restringidas, inclusive a educação, que através da Portaria nº 343, de 17 de março de 2020, publicada pelo MEC, suspendia as aulas presenciais e autorizava, em caráter excepcional, a substituição por aulas por meios digitais.

Para proteger crianças e jovens, e também reduzir as chances de que eles se tornassem vetores do vírus para sua família e comunidade, sobretudo para os idosos e demais grupos de risco, em documento divulgado ainda no início da pandemia o Banco Mundial divulgou uma nota sobre Políticas educacionais na Pandemia da Covid-19: o que o Brasil pode aprender com o resto do mundo? Segundo o Organismo Internacional

“1.4 bilhão de estudantes ficaram fora das escolas em mais de 156 países” (BANCO MUNDIAL, 2020, p. 1). No documento o órgão apresentava ações que foram utilizadas no mundo para mitigar os efeitos da Covid-19 na educação. O órgão questionava que medida seria adotada pelo Brasil em relação as escolas: fechamento total, adotada, naquele momento por 156 países; fechamento parcial, adotada, naquele momento pelos Estados Unidos, ainda no governo Trump, que adotou também uma política negacionista, que levou a explosão de casos e mortes ou manutenção de escolas abertas, medida adotada pela Suécia, que alegava “que os custos do fechamento não superam os ganhos dessa estratégia” (BANCO MUNDIAL, 2020, p. 1).

O governo Bolsonaro repetiu a política negacionista de Trump e colocou a economia acima das vidas, mesma política adotada pelo primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven. Outra tendência apontada pela nota é o abandono de alunos em decorrência do contexto socioeconômico, muitos estudantes, infelizmente tem na merenda escolar a única refeição regular e saudável do dia8. O Ensino a Distância (EaD)

6 Decisão do STF sobre isolamento de estados e municípios repercute no Senado. Senado.Leg. Disponível em:

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/04/16/decisao-do-stf-sobre-isolamento-de-estados-e- municipios-repercute-no-senado. Acesso em 01/11/2021.

7 STF decide que Estados e municípios têm autonomia para impor isolamento. Poder360. Disponível em:

https://www.poder360.com.br/coronavirus/stf-decide-que-estados-e-municipios-tem-autonomia-para-impor- isolamento/. Acesso em: 01/11/2021.

8 UNICEF. UNICEF Alerta: situação de crianças e adolescentes se agravou consideravelmente após nove meses de pandemia. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/unicef-alerta-situacao-de- criancas-e-adolescentes-se-agravou-consideravelmente-apos-nove-meses-pandemia. Acesso em: 16/11/2021.

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vinha sendo adotada por diversos países, mas a Organização alertava que essa estratégia dependia de infraestrutura e formação dos professores, além dos governos e instituições de ensino proporcionassem aos estudantes o acesso as tecnologias digitais, além disso listavam as ações que deveriam ser tomadas em curto prazo para mitigação dos efeitos da pandemia.

Diante do que foi exposto acima este Trabalho de Conclusão de Curso de licenciatura em Educação Física tem por objeto a análise do V. 14 N. 30, de 2020 da Revista Retratos da Escola, cujo Dossiê traz pesquisas que tomam como referência o Relatório Técnico realizado pelo Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente (GESTRADO)9 da Universidade Federal de Minas Gerais, acerca das condições de trabalho docente por ocasião da Pandemia de Coronavírus decretada pela Organização Mundial de Saúde – OMS em 11 de março de 2020. Para a análise do Dossiê foram delimitadas as seguintes questões: quais foram as condições de trabalho dos professores da educação básica durante a pandemia? Como os/as professores/as da educação básica conseguiram desenvolver seu trabalho no ambiente doméstico em contexto pandêmico?

Quais as principais dificuldades que os professores estão encontrando? Quais as principais denúncias que o Dossiê faz?

Nosso objetivo geral será analisar o DOSSIÊ “Trabalho Docente em Tempos de Pandemia” (RETRATOS DA ESCOLA V. 14 N. 30, DE 2020) buscando nos depoimentos e levantamentos as principais respostas a que chegaram os professores acerca da sua própria experiência e das condições de trabalho e ensino da comunidade escolar. Como objetivos específicos delimitamos: (1) descrever detalhadamente a composição do dossiê, quantos manuscritos foram publicados, quais autores apresentaram manuscritos, de que tipo foram os manuscritos publicados (artigos originais, artigos de revisão, ensaios, resenhas ou entrevistas), qual o tipo de pesquisa que adotaram e as técnicas de coleta de dados de que se utilizaram (artigos de revisão bibliográfica, pesquisa de campo); (2) descrever em termos de síntese os principais resultados produzidos pelo dossiê acerca das condições de trabalho dos professores em tempos de pandemia.

Justifica-se esta delimitação pelos seguintes conjuntos de argumentos: (1) pela proximidade do tema com o que vinha trabalhando durante parte de minha graduação, como Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica (PIBIC), entre 2018-2020, na pesquisa Condições de trabalho e formação dos professores de Educação Física da Rede de Educação Básica do Estado da Bahia10, desenvolvida pelo Grupo de

9 Criado em 2002, o grupo congrega professores e pesquisadores das diversas Universidades da Federação que atuam nos Programas de Pós-Graduação em Educação, Sociologia, Ciências da Informação, Ciências da Computação. Cujo objetivo é analisar as políticas educacionais em ação – a gestão educacional e o trabalho docente – em suas diferentes dimensões.

10 O objetivo do projeto do Grupo Marxismo e Políticas de Trabalho e Educação, foi “desvelar as condições de trabalho e as condições de formação em se efetiva o trabalho do professor de educação física na rede de educação básica da cidade de Salvador, com a finalidade de orientar a promoção de melhorias nas políticas de formação de professores para este componente curricular da educação básica e nos currículos de formação de professores da Região Nordeste.

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Estudos e Pesquisas Marxismo e Políticas de Trabalho e Educação (GPTME)11; (2) por tratar-se de produção bibliográfica veiculada em um órgão de comunicação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)12, a Revista Retratos da Escola - V. 14 N. 30, de 2020, cujo Dossiê publicou estudo abrangente acerca das condições de trabalho na pandemia trazendo também o Relatório Técnico de pesquisa realizada pelo Grupo GESTRADO que buscou representatividade em todos os professores dos Estados da Federação e nas diversas modalidades de ensino, na forma da pesquisa Trabalho Docente em Tempo de Pandemia.

Com base no nosso objetivo geral pretendendo investigar a produção sobre as condições de trabalho e a formação oferecida aos professores da Educação Básica neste contexto de ensino remoto e semipresencial em período pandêmico, o que delimita este estudo como pesquisa bibliográfica. Neste sentido, a pesquisa pode ser considerada um procedimento formal com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais” (MARCONI & LAKATOS, 1992, p. 43). Significa muito mais do que apenas procurar a verdade: é encontrar respostas para questões propostas, utilizando métodos científicos (MARCONI & LAKATOS 2002). Toda pesquisa implica o levantamento de dados de variadas fontes, quaisquer que sejam os métodos ou técnicas empregadas. (MARCONI & LAKATOS, Idem). Acerca da pesquisa bibliográfica Lakatos (2012) afirma tratar-se de pesquisa “[...] de fontes secundárias”, referindo-se ao

“levantamento de toda a bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita” (LAKATOS, 2012, p. 43-77). O objetivo deste tipo de pesquisa é “[...] colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto, com o objetivo de permitir ao cientista “o reforço paralelo na análise de suas pesquisas ou manipulação de suas informações”. A revisão possibilita não apenas “definir, resolver, não somente problemas já conhecidos, como também explorar novas áreas, onde os problemas ainda não se cristalizaram suficientemente” (LAKATOS, 2012, p. 44). Quanto às fases da pesquisa bibliográfica a autora indica: a) escolha do tema; b) elaboração do plano de trabalho; c) identificação; d) localização; e) compilação; f) fichamento; g) análise e interpretação; h) redação (LAKATOS, 2012, p.44-51). Considerando-se o atual estágio de desenvolvimento da informática, da internet e de sofisticadas ferramentas de busca, e a acessibilidade virtual a importante acervo da produção bibliográfica em artigos, Dissertações e Teses e alguns livros em PDF e E-book, as fases “c” a “e” tornam-se mais ágeis e rapidamente

11 Criado em 2015. Congrega interessados no estudo do materialismo dialético. Suas investigações estão concentradas em (1) estudo do Marxismo enquanto uma teoria sobre a possibilidade do conhecimento das problemáticas relativas às políticas de trabalho e educação. (2) na análise das Políticas de Trabalho e Educação compreendidas como constitutivas contraditórias e dialéticas do modo capitalista de produção tal como se encontra determinada na formação social brasileira. Disponível em: http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/195099. Acesso em: 23/11/2021.

12 A CNTE congrega trabalhadores em educação do Brasil, a entidade tem 1945 como marco de sua luta. A Confederação conta com 52 entidades filiadas sendo 26 estaduais, 24 municipais e duas distritais. É a segunda maior Confederação brasileira, filiada à CUT, somando mais de 1 milhão de associados, A entidade luta pela valorização e na defesa dos direitos dos Trabalhadores em educação. Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. CNTE. Disponível em: https://www.cnte.org.br/index.php/menu/institucional/cnte. Acesso em:

14/11/2021

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conseguimos um conjunto de títulos, quando há investigações em curso sobre o tema delimitado. Permanece, entretanto, a dificuldade com a identificação de trabalhos produzidos em todo o mundo, o que demanda o conhecimento da língua inglesa, básica para o acesso universal ao conhecimento produzido em todo o mundo. Reconhecendo as exigências abrangentes da pesquisa bibliográfica, destacamos que em virtude do tempo disponível e das condições de pandemia e de trabalho remoto, delimitamos a nossa pesquisa bibliográfica para este TCC à análise de um número específico da Revista Retratos da Escola conforme destacado acima.

Assim, esta Monografia está estruturado em três seções, a primeira consiste nesta Introdução, onde apresento a estrutura da nossa pesquisa, sua contextualização, problematização, justificativa, objetivos, e os procedimentos metodológicos aplicado nesta pesquisa. Na segunda seção, a Análise da Pesquisa “Trabalho Docente em Tempos de Pandemia”, analiso a pesquisa de campo desenvolvida pelos pesquisadores do Gestrado/UFMG, tanto os dados publicados no Relatório Técnico como os publicados nos artigos que compõem o dossiê, ambos divulgados na Revista Retratos da Escola da Escola de Formação do CNTE. Por fim, a terceira seção, As Condições de Trabalho e de Formação Asseguradas aos Professores em Tempos de Pandemia, que compreende as considerações finais, aqui, procurou compreender, a partir dos dados analisando, as condições de trabalho e de formação ofertadas aos professores da Educação Básica de todo o Brasil pelos gestores federais, estaduais e municipais, as implicações dessa política no trabalho docente e no ensino-aprendizagem dos estudantes. Como também, a posição dos professores diante da política educacional oferta.

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SEÇÃO 2. A ANÁLISE DA PESQUISA: “TRABALHO DOCENTE EM TEMPOS DE PANDEMIA”.

O objetivo desta seção é analisar a pesquisa Trabalho Docente em Tempo de Pandemia procurando compreender as motivações desta pesquisa, os procedimentos teórico-metodológicos utilizados pelos pesquisadores, os dados de campo encontrados e os resultados encontrados. Para tal terei como fonte o Relatório Técnico e os artigos que divulgam a referida pesquisa.

A pesquisa “Trabalho Docente em Tempos de Pandemia” foi desenvolvida por pesquisadores do grupo de pesquisa GESTRADO, coordenada pela Professora Dra.

Dalila Andrade Oliveira e, ao menos, mais dezessete pesquisadores que foram identificados no dossiê que publicam os artigos com os resultados da pesquisa. Assim, o GESTRADO foi o responsável pelo desenho metodológico, construção do instrumento de coleta de dados, como também a sistematização e análise dos resultados, o público- alvo contemplava professores da Educação Básica das redes públicas estaduais e municipais, esse universo abrange cerca de 1,7 milhões de profissionais. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário on-line auto aplicado, disponibilizado na plataforma Google Forms. Os dados foram coletados no período de 8 a 30 de junho de 2020 (GESTRADO, 2020, p. 6).

Nesse sentido, o objetivo da pesquisa foi conhecer os efeitos das iniciativas educacionais, adotadas pelos governos sobre o trabalho de professores da Educação Básica do Brasil para atender a demanda do ensino remoto, em função do isolamento social, devido a pandemia da Covid-19. A pesquisa desenvolvida contou com a participação de mais de 15 mil professores de todas as Unidades da Federação do país, que participaram, respondendo um formulário digital, enviado pelas redes e mídias digitais de comunicação, (GESTRADO/UFMG; CNTE, 2020).

Para a realização da pesquisa o GESTRADO/UFMG contou com a colaboração da CNTE, na divulgação do formulário de pesquisa e na mobilização dos professores para respondê-lo. Com isso, foram contactados 15.654 professores das redes públicas da Educação Básica. Nesse sentido, os pesquisadores conseguiram um grande feito, no período de isolamento social, com os professores confinados. Isso foi possível porque a Confederação é uma organização de representatividade nacional. Ela é a principal representante dos professores da Educação Básica do país, congregando 50 entidades filiadas, abrangendo 26 estados, 24 municípios e 2 distritais. Assim, a CNTE se constitui como uma entidade sindical com força política e econômica e tem uma atuação relevante no cenário nacional. Outra grande contribuição da Confederação para com a realização da pesquisa foi a sua divulgação, por meio da Revista Retratos da Escola, da Escola de Formação da CNTE (ESFORCE). Assim, no volume 14, edição de número 30 de setembro e dezembro de 2020, da revista contém os resultados da pesquisa. Com isso, os professores e pesquisadores de todo o Brasil podem ter acesso aos resultados sobre as suas condições de trabalho e formação de professores durante o período pandêmico, (GESTRADO/UFMG; CNTE, 2020).

O GESTRADO que desenvolveu a pesquisa, publicou seus resultados em duas formas: um Relatório Técnico e um Dossiê. Aquele traz uma síntese quantitativa dos dados gerais abrangendo: perfil dos professores; acesso e utilização de tecnologias digitais; docentes com aulas suspensas; avaliação sobre o ensino à distância; atividades

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desenvolvidas; desenvolvimento de atividades escolares remotas; suporte institucional; e relação com os estudantes. Já o Dossiê é composto por nove artigos: Trabalho docente em tempos de pandemia: mais um retrato da desigualdade educacional brasileira;

Docência em tempos de Covid-19: uma análise das condições de trabalho em meio a pandemia; Trabalho docente, feminização e pandemia; Aulas remotas, escolas vazias e a carga de trabalho docente; Docência na educação infantil durante a pandemia: percepções de professoras e Professores; Trabalho docente em escolas rurais: pesquisa e diálogos em tempos de pandemia; Educação especial e a Covid-19: o exercício da docência via atividades remotas; Trabalho e formação de professores/as: retrocessos e perdas em tempos de pandemia; e, Amor, coragem! dilemas e possibilidades na relação com estudantes em tempos de Pandemia, conforme Quadro 1, (GESTRADO/UFMG; CNTE, 2020).

Com relação ao perfil dos professores, as mulheres representam 78,3% dos respondentes e os homens 21,7%, sendo que a maioria dos professores participantes da pesquisa é constituída por professores com idade entre 30 a 59 anos. Cinco estados tiveram mais de 1.000 respondentes (Ceará, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraíba). Dos professores que responderam à pesquisa 16% tiveram aulas suspensas e 84% estavam trabalhando remotamente 3 a cada 10 declararam ter pouca ou nenhuma experiência com recursos tecnológicos. 83% dos professores possuíam recursos, em casa, para ministrar suas aulas não presenciais. Desses, a maioria compartilhava os recursos tecnológicos com outras pessoas da família. 65,3% dos professores afirmam utilizar banda larga, e 24% responderam que utilizam plano de dados de celular. Mesmo trabalhando em casa, o estudo mostra que muitos professores relataram que trabalharam mais, tinham mais dificuldades para a correção e leitura das atividades realizadas pelos alunos e também com relação a diminuição a participação dos alunos nas aulas. Podemos notar que eram muitos os desafios enfrentados pelos professores antes da pandemia e, que se agravaram ainda mais no período pandêmico. (GESTRADO/UFMG; CNTE, 2020, p.7-10).

Nesse sentido esses dados apontam para o quão foi e está sendo difícil para os professores da Educação Básica de todo o Brasil em assumir o trabalho docente em uma conjuntura tão trágica. Percebe-se que os problemas enfrentados pelos professores são mais em função de uma política pública voltada para massacrar os professores do que os efeitos da pandemia do Convid-19.

Sobre o dossiê os editores da revista viram como,

[...] oportuna a publicação de um dossiê que refletisse acerca de formas pelas quais a pandemia incidiu na educação básica brasileira, sobretudo na experiência laboral de seus professores e professoras que, de uma hora para a outra, viram suas práticas e rotinas serem completamente alteradas. Afinal, a grave situação sanitária decorrente da pandemia provocou efeitos nas distintas esferas da vida e do trabalho, atingindo tanto crianças e jovens como adultos e idosos. Nos sistemas escolares, por exemplo, alguns de seus efeitos imediatos foram a necessidade de suspensão das atividades presenciais – em prol da estratégia de isolamento e distanciamento social -, bem como a adoção do chamado ensino remoto. (EDITORIAL, p, 600).

O dossiê dispõe-se a análise e discussão dos resultados obtidos pela pesquisa Trabalho Docente em Tempos de Pandemia tais resultados foram compilados numa base

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de dados com 15.654 docentes de diferentes etapas e modalidades da educação básica, e divulgados em formato de Relatório Técnico do grupo Gestrado/UFMG, em parceria com o CNTE, cujo

[...] objetivo da pesquisa Trabalho Docente em Tempos de Pandemia foi conhecer o corte no qual o trabalho docente vinha sendo desempenhado durante a pandemia, a fim de fornecer subsídios para o diálogo necessário sobre a oferta educativa nessas condições e no retorno às atividades presenciais (EDITORIAL, p. 601).

O Grupo Gestrado/UFMG, coordenado pela professora dr.ª Dalila Andrade de Oliveira, foi o responsável pelo desenho metodológico, “construção do instrumento de coleta de dados, além da sistematização e análise dos resultados” (GESTRADO/UFMG, 2020, p.6).

Nesta investigação, o público-alvo contempla os(as) professores(as) da Educação Básica das redes públicas estaduais e municipais. Conforme dados do Censo Escolar da Educação Básica de 2019, esse universo abrange cerca de 1,7 milhões de profissionais. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário on-line auto aplicado, disponibilizado na plataforma Google Forms. Os dados foram coletados no período de 8 a 30 de junho de 2020. (GESTRADO/UFMG, 2020, p.6)

Os tópicos da pesquisa foram divididos em quatro blocos: “1. Perfil dos(as) respondentes; 2. Utilização de tecnologias digitais; 3. Docentes com aulas suspensas; e 4.

Desenvolvimento de atividades escolares remotas” (Revista Retratos da Escola, 2020, p.702).

Para além das questões pedagógicas, o estudo buscou conhecer as adaptações a oferta, disponibilidade de recursos tecnológicos, sobrecarga e a efetividade das aulas a distância. O dossiê abordou o trabalho docente na pandemia com dois artigos, posteriormente abordou aspectos específicos como o trabalho docente em escolas rurais, trabalho docente e educação especial, trabalho e formação docente e, por fim, dilemas e possibilidades dos estudantes na pandemia.

O quadro abaixo mostra como está organizado o dossiê:

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Quadro 1- Organização dos artigos que compõem o dossiê.

Autor Título Página

inicial e final

O que o autor traz Fonte

Dalila Andrade Oliveira e Edmilson Antônio Pereira Jr.

Trabalho docente em tempos de pandemia: mais um retrato da desigualdade educacional brasileira

719- 734

Inexistência de planejamento das redes de ensino para a modalidade de ensino remoto;

Injustas divisões da riqueza no mundo;

Pouca ou insuficiente formação dos profissionais para lidar com tecnologias digitais.

Relatório Técnico Trabalho docente em tempos de pandemia

Alexandre Willian Barbosa Duarte e Álvaro Moreira Hypolito

Docência em tempos de covid-19: uma análise das condições de trabalho em meio a pandemia

736- 752

Precarização do atendimento educacional no contexto pandêmico, cuja precária estrutura material das escolas em insumos que permitiriam a oferta de ensino remoto minimamente próximo ao determinado à EaD;

Problemas na infraestrutura

Relatório Técnico Trabalho docente em tempos de pandemia

Sâmara Carla Lopes Guerra de Araújo e Silvia Cristina Yannoulas

Trabalho docente, feminização e pandemia

754- 771

Impacto da pandemia para as mulheres com intensificação e precarização, somando-se a sobrecarga de trabalho docente e sua dupla presença (no espaço público);

Confinamento e aumento da violência contra as mulheres e crianças.

Relatório Técnico Trabalho docente em tempos de pandemia

Gustavo Bruno Bicalho Gonçalves e Jane Mary de Guimarães

Aulas remotas, escolas vazias e a carga de trabalho docente

772- 786

Sentimentos dos professores e o suporte emocional e psicológico;

Pouco apoio das instituições em que trabalham;

O sofrimento no trabalho leva a situações como: “depressão, fadiga, insatisfação, frustação, medo, angústia e assédio”

Relatório Técnico Trabalho docente em tempos de pandemia

Lívia Maria Fraga Vieira e Bruno Tovar Falciano

Docência na educação infantil durante a pandemia: percepções de professoras e professores

788- 805

Dificuldades enfrentadas pelos sistemas de ensino e profissionais com os meios digitais;

Maioria dos docentes não receberam formação para lidar com as tecnologias digitais;

Intensificação do trabalho e aumento na preparação das aulas não presenciais em comparação com as aulas presenciais.

Levantamento realizado pelo Movimento Inter fóruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib);

Relatório Técnico Trabalho docente em tempos de pandemia Elizeu

Clementino de Souza e Michael Daian Pacheco

Trabalho docente em escolas rurais: pesquisa e diálogos em tempos da pandemia

806- 822

Trabalho docente no contexto rural;

As precárias condições de trabalhos, ausência de infraestrutura, de serviços básicos e os baixos índices educacionais das escolas rurais;

Falta de formação continuada;

Diminuição dos estudantes nas atividades propostas.

Relatório Técnico Trabalho docente em tempos de pandemia

Josiane Pereira Torres e Adriana Araújo Pereira Borges

Educação especial e a covid-19: o exercício da docência via atividades remotas

824- 840

Falta de recurso tecnológicos para pessoas com deficiência;

Falta de formação dos professores.

Relatório Técnico Trabalho docente em tempos de pandemia Luiz Fernandes

Dourado e Romilson Martins Siqueira

Trabalho e formação de professores/as: retrocessos e perdas em tempos de pandemia

842- 857

A padronização dos programas de ensino e a diminuição do professor no resultado do seu trabalho;

A mulher e o trabalho remoto

(compartilhamento de equipamento e espaço);

Falta de preparação das redes ensino;

Intensificação, massificação e padronização pedagógica.

Relatório Técnico Trabalho docente em tempos de pandemia

Shirlei Rezende Sales e Cislene Rangel Evangelista

Amor, coragem! Dilemas e possibilidades na relação com estudantes em tempos de pandemia

858- 875

Desigualdades no acesso e em desenvolver atividades;

Baixa participação dos estudantes nas aulas.

Relatório Técnico Trabalho docente em tempos de pandemia F o n t e : a u t o r i a p r ó p r i a

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2.1 Trabalho docente em tempos de pandemia: mais um retrato da desigualdade educacional brasileira, de DALILA ANDRADE OLIVEIRA, professora da Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG e EDMILSON ANTONIO PEREIRA JUNIOR, estatístico do Grupo de Estudos Sobre Política Educacional e Trabalho Docente (GESTRADO);

O artigo faz parte do dossiê da revista Retratos da Escola e, se trata de um artigo de revisão bibliográfica, cujo objetivo foi “conhecer o contexto atual de realização do trabalho docente durante a pandemia, afim de fornecer subsídios para o diálogo necessário sobre a oferta educativa nessas condições e no retorno às atividades presenciais.

(OLIVEIRA e PEREIRA JR., 2020, p. 723). A metodologia teve como base a pesquisa bibliográfica Trabalho Docente em Tempos de Pandemia e foi coletada via Google Forms. Dentre os resultados obtidos destacam-se a significativa variação das condições entre redes públicas de ensino e a relativa sobrecarga de trabalho dos professores.

Os docentes que responderam à pesquisa lecionavam na educação básica nas redes públicas de ensino, independentemente de estarem ou não exercendo alguma atividade de ensino remoto, porém as análises foram delimitadas aos professores que se encontram desenvolvendo aulas remotamente. (idem, 2020, p. 729).

Em relação ao suporte institucional, 14,4% dos professores alegaram não ter contado com nenhum suporte em comparação aos 7,1% dos profissionais das redes estaduais.

O tipo de assistência varia entre as redes de ensino. Algumas alternativas possuem menor custo, como fornecer materiais impressos ou disponibilizar apoio pedagógico para professores e/ou estudantes. Outras estratégias podem custar bem mais, como a disponibilização de aulas por TV ou rádio e a utilização das plataformas ou aplicativos pedagógicos, também denominados ambientes virtuais de aprendizagens (OLIVEIRA e PEREIRA JR., 2020, p. 729).

Considerando apenas as redes estaduais do país o Relatório Técnico mostrou as desigualdades latentes no país. Enquanto as regiões Sul e Sudeste contavam com 60% e com mais de 40%, respectivamente, do acesso a ambientes virtuais de aprendizagem e aulas por TV e rádio, as regiões Norte e Nordeste com percentuais na casa dos 30%

ocupavam as últimas posições.

Em relação a sobrecarga de trabalho 82,4% dos professores afirmou que aumentou a quantidade de horas trabalhadas na destinação de aulas não presenciais (OLIVEIRA e PEREIRA JR., 2020, p. 732). Os professores também afirmaram que a participação dos estudantes diminuiu nas atividades propostas.

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2.2 Docência em tempos de Covid-19: uma análise das condições de trabalho em meio a pandemia, de ALEXANDRE WILLIAM BARBOSA DUARTE, professor substituto na Universidade Federal de Pelotas-RS e ÁLVARO MOREIRA HYPOLITO, professor titular na Universidade Federal de Pelotas-RS;

O artigo compõe o dossiê da revista Retratos da Escola, se trata de um artigo de revisão, cujo “resultados apontam que os limites materiais ao trabalho docente expõem a fragilidade dos sistemas de ensino que tentam responder com eficiência uma situação emergencial”. (DUARTE e HYPOLITO, 2020, p. 736).

Sobre as condições de trabalho em meio a pandemia, em relação às TICs, 84%

dos respondentes afirmaram desenvolver suas atividades escolares de modo remoto e dentre as principais estão a elaboração de atividades para serem enviadas aos estudantes 21,7%; reuniões com gestores da escola 18,3%; leitura/correção de trabalhos enviadas pelos estudantes 15,5%; reuniões com os colegas 13,9%; gravação de videoaulas 9,9%;

preparação e correção de provas/avaliações 7,5%; uso do livro didático 7,2%; realização de aulas remotas ao vivo (síncronas) 5,9%.

Quando questionados sobre a disponibilidade de recursos para o trabalho remoto em casa, 83% dos respondentes afirmaram possuir materiais ou equipamentos que os atendem, todavia 43% dos professores compartilham esses equipamentos com outros membros da família. Outro problema enfrentado pelos professores diz respeito a qualidade da conexão da internet, “apenas 0,3% ou 51 docentes do total de respondentes que afirmaram estar em atividades remotas não possuem acesso à rede em sua casa”.

(ANDRADE e HYPOLITO, 2020, p. 746).

Ao serem perguntados sobre o ensino remoto e sua experiência com essa modalidade de ensino para 35,5% do corpo docente se apresenta como novidade. Além disso,

[...] questões que envolvem o uso e o acesso às TIC, a experiência e a formação em um modelo de oferta educativa pouco abrangente e o suporte limitado dos sistemas de ensino, deve-se ressaltar os esforços empreendidos por docentes em seu próprio processo de trabalho para a necessidades especiais, 64% indicam que, para atender a este público, há um esforço para a produção de materiais adaptadas às distintas necessidades”. (ANDRADE e HYPOLITO, 2020, p. 748).

Por fim, os autores abordaram a jornada de trabalho e a intensificação das atividades didáticas a distância, 82,4% dos professores responderam que sua preparação para as aulas aumentou em comparação ao regime presencial.

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2.3 Trabalho docente, feminização e pandemia, de SÂMARA CARLA LOPES GUERRA DE ARAUJO, professora na educação básica pública e no ensino superior privado, na cidade de Belo Horizonte, pesquisadora do GESTRADO e SILVIA CRISTINA YANNOULAS, professora da Universidade de Brasília e líder do Grupo de Pesquisa Trabalho, Educação e Discriminação (TEDis);

O artigo compõe o dossiê e se trata de um artigo de revisão bibliográfica, cujo objetivo foi “discutir o trabalho docente na educação básica e a feminização na pandemia”

(ARAÚJO e YANNOULAS, 2020, p. 756). O artigo está dividido em três partes, na primeira as autoras buscaram fazer uma reflexão teórica sobre a pandemia e o impacto da mesma na vida das mulheres, em seguida apresentaram os dados por gênero e por último as discussões dos resultados.

As autoras buscaram avaliar as condições de trabalho das professoras. Em relação as Tecnologias de Informação e Comunicação (TDIC), a pesquisa mostra que as professoras responderam ter mais dificuldades do que os homens para lidar com as tecnologias.

Embora a pesquisa tenha mostrado que a maioria dos professores não tenham recebido qualquer tipo de formação, as professoras foram as que mais participaram da formação docente para o uso de tecnologias digitais (seja oferecida por instituições, secretarias de educação em que trabalhavam, outras instituições em que não trabalhavam, e online). Quando o assunto é recursos tecnológicos tanto homens quanto mulheres compartilhavam os equipamentos com outros membros da família.

Em relação a horas trabalhadas, 83,3% das mulheres afirmaram ter percepção que aumentou em comparação a 79,6% dos homens. Sobre o sentimento das mulheres, as mesmas demonstraram ter medo e insegurança por elas não saberem quando e como será o retorno à normalidade 80,2% e, angústia em relação ao futuro; os homens mencionaram que se sentiram mais apreensivos em relação à perda de direitos e garantias 25,5%, mas com maior tranquilidade por eles saberem que logo a normalidade seria retomada. E com relação ao suporte emocional e psicológico, a maioria dos respondentes 63,4% das mulheres afirmaram que não vinha recebendo o suporte por parte das instituições, enquanto 32,1% dos homens estavam nessa situação.

2.4 Aulas remotas, escolas vazias e a carga de trabalho docente, de GUSTAVO BRUNO BICALHO GONÇALVES, professor da Universidade Federal do Sul da Bahia e JANE MARY DE MEDEIROS GUIMARÃES, professora da Universidade Federal do Sul da Bahia;

O artigo busca analisar “os sentimentos referidos por eles e as estratégias de proteção colocadas em ação pelas redes de ensino” (GONÇALVES e GUIMARÃES, 2020, p. 774). Em relação a metodologia, o artigo analisou “duas questões do questionário que abordaram, respectivamente, os sentimentos dos professores e o suporte emocional e psicológico oferecido pela instituição ao qual estão vinculados” (GONÇALVES e GUIMARÃES, 2020, p. 774-775).

(29)

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Os autores trazem dados sobre o trabalho docente. Perguntados sobre o sentimento em relação ao seu trabalho, os professores responderam da seguinte maneira.

Tabela abaixo:

Tabela 1 – sentimentos dos professores em relação a pandemia:

Fonte: GONÇALVES e GUIMARÃES (Revista Retratos da Escola, 2020)

Para 13,7% dos professores que alegaram tranquilidade com o ensino remoto, já tiveram experiências anteriores na modalidade de ensino.

Os autores abordaram sobre aulas remotas e seus sentimentos a maioria dos professores, com relação ao suporte oferecido pelas instituições muitos não tiveram ou desconheciam o apoio ao todo 63,6% dos docentes estavam nessa situação. Professores que realizaram atividades de casa eram 81,5% (12.767) dos quais 38% afirmaram que as instituições estavam presente no suporte emocional e psicológico (4.853). Para 34,1% dos respondentes, os professores que se encontravam com as atividades suspensas são os que obtinham menos apoio.

2.5 Docência na educação infantil durante a pandemia: percepções de professoras e professores, de LÍVIA MARIA FRAGA VIEIRA, professora da Universidade Federal de Minas Gerais e BRUNO TOVAR FALCIANO, membro do Grupo de Educação Infantil e Políticas Públicas (EIPP);

Os autores apresentaram as respostas dos professores a pesquisa Trabalho Docente em Tempos de Pandemia, cujo objetivo foi “apresentar e comentar os resultados de um desses esforços, a pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos Sobre Política Educacional e Trabalho Docente (GESTRADO) [...]” (VIEIRA e FALCIANO, 2020, p.

790). Como resultado os autores trazem que “na educação infantil os/as docentes

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30

apresentaram mais fragilidade que outras etapas da educação básica em relação a diferentes aspectos do trabalho remoto. (VIEIRA e FALCIANO, idem, p. 788).

Os mesmos começam contextualizando sobre a etapa de ensino infantil e o aumento no número de vagas nas últimas décadas. Todavia mesmo com os avanços no número de matriculados se vê um desafio em relação a proporção no número de professores formados.

[...] enquanto quase todos os docentes do ensino médio possuem graduação e, nos anos finais do ensino fundamental, pelos menos nove a cada 10 possuem esta formação, na educação infantil apenas três a cada quatro docentes possuem formação de nível superior (VIEIRA e FALCIANO, 2020, p. 791-792).

O número de docentes jovens e a um predomínio de mulheres de ensino infantil, é maior comparado a outras etapas. Segundo VIEIRA e FALCIANO (2020), enquanto que na educação infantil 17% dos docentes possuem até 29 anos de idade e apenas 16%

possuem mais de 50 anos, nas demais etapas essas proporções são da ordem de 11% e 23%, respectivamente. O número de escolas privadas é maior nessa etapa do ensino, se comparando as outras etapas.

Posteriormente os autores passaram a discutir os resultados apresentados no levantamento realizado pelo Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib), em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), para identificar as orientações das secretarias municipais no contexto de pandemia da covid-19.

Esse levantamento foi realizado no período de 27 de abril a 01 de junho de 2020, portanto, na primeira etapa do isolamento social, e contempla 1904 respostas válidas, cada uma de uma secretaria municipal de educação (SME) ou órgão equivalente.

(VIEIRA e FALCIANO, 2020, p. 794).

O levantamento realizado consolidou informações de 26 e 27 unidades da Federação. Segundo os autores, com base no levantamento do Mieib, a maioria das Secretarias Municipais de Educação, deu orientações para as instituições de ensino suspenderem suas atividades. O percentual de matrículas no ensino infantil.

Tabela 2 – Número de matrículas no ensino infantil.

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Fonte: Tabulação própria a partir das Sinopses da Educação Básica do Inep

Os autores trazem na tabela acima os dados do ensino infantil e do seu crescimento ao longo de duas décadas, matrículas com o crescimento de 351%; o número de escolas construídas aumentou 284% e o número de docentes também cresceu chegando a 547% entre 1999-2019. Todavia as orientações não foram enviadas para todas as instituições que atendem a educação infantil.

Das escolas que tiveram suas aulas presenciais suspensas em 2/3 foi mantido o calendário escolar, e inúmeras foram as dificuldades elencadas pelos professores: 58,1%

alegaram ter dificuldades com acesso aos meios digitais; 68,9% afirmaram não ter formação para uso de tecnologias e mídias diversas, 29,1% afirmaram ter dificuldades em compatibilizar trabalho doméstico com o remoto; 58,4% afirmaram ter dificuldades em organizar os materiais que atendam à Educação Especial e 3,3% afirmaram outros motivos.

Para o cumprimento de carga horária os professores tiveram que realizar outros procedimentos: 35,8% afirmaram trabalhar com as crianças em plataformas digitais, 82,5% trabalham no envio de tarefas para famílias realizarem com as crianças, 30,8%

responderam que estavam sendo formado em serviço, proposto pela secretaria, 50,1%

responderam que estavam recebendo formação online, 64,9% estavam no atendimento e orientação às famílias, 18,9% responderam que sua jornada diminuiu, 36,8%

responderam que tinha que está presentes nas escolas ou na secretaria, e 6,5% afirmaram outros.

Por fim em relação as questões trabalhistas nos municípios da amostra 45,6%

tiveram seus salários reduzidos, 1,9% tiveram seus contratos suspensos, 34,4% tiveram férias antecipadas, 21,4% foram demitidos e 34,4% tiveram banco de horas compensadas.

Em seguida os autores passaram a avaliar os resultados do estudo do grupo GESTRADO/UFMG realizado via Google Forms nos dias 08 a 20 de junho de 2020.

Os respondentes que atuam na EI somaram 3.253 professoras/es, 21% da amostra total da pesquisa, de 15.654 respondentes. As mulheres preponderaram sobre os homens, sendo 95% dos respondentes. A presença feminina na EI é majoritária no Brasil [...]

(VIEIRA e FALCIANO, 2020, p. 799).

Os municípios são os principais contratantes se tratando de ensino infantil, pois constitucionalmente é a instância responsável pela etapa de ensino. 91% dos professores alegaram não ter experiência com o ensino remoto, mesmo diante dessas dificuldades

Referências

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