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Simulação Monte Carlo

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Academic year: 2022

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Simulação Monte Carlo

Tópicos de Inferência Estatística

José Passos

ISEG-ULisboa

10 de Outubro de 2019

(2)

A simulação Monte Carlo remonta aos anos 40 do século XX, associada aos trabalhos de pesquisa em torno do

desenvolvimento da primeira bomba atómica.

O objectivo é resolver problemas complexos utilizando a força bruta computacional.

O método de Monte Carlo assenta em técnicas de amostragem e probabilisticas.

Tem a virtude de poder simular um fluxo "infindável"de variáveis aleatórias, para uma distribuição conhecida, possibilitando-nos de uma forma simples, a utilização dos resultados frequencistas e assintóticos (Lei dos grandes números e TLC).

Esta simulação baseia-se na distribuição U(0,1), que

constitui a representação probabilística básica de aleatoriedade num computador.

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No R os valores U(0,1)são gerados a partir da instrução runif().

Em rigor, os valores supostamente aleatórios, gerados num computador, são efectivamente pseudo aleatórios pois são gerados com recurso a um algoritmo, de forma deterministica.

De modo simplificado fala-se simplesmente em números aleatórios ou gerador de aleatórios.

Uma sequência de números pseudo aleatórios deverá ter as mesmas propriedades estatísticas de uma sequência i.i.d.. Este é o critério que se utiliza para avaliar a qualidade de um gerador de (pseudo) aleatórios.

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Em geral pretendem-se valores aleatórios provenientes de outras distribuições, para além da uniforme, U(0,1).

Existe uma técnica (transformação inversa) que nos permite transformar qualquer v.a. numa uniforme e vice versa.

Definição

SejaX uma v.a. contínua com f.d.p. f e f.d. F. A v.a.

U =F(X) tem distribuiçãoU(0,1)

Exemplo: seXE(1)entãoF(x) = 1−e−x. Resolvendo u= 1−e−x em ordem a x obtém-sex=−log(1−u).

Portanto, se UU(0,1)entãoX =−log(U)∼E(1). Na prática gera-se computacionalmente ue resolve-se a equação anterior em ordem a xpara obter valores com a distribuição desejada.

(5)

Para gerar v.a.s discretas usa-se também a técnica de transformação inversa.

Para gerar XPθ, onde Pθ tem suporte inteiro, calculam-se as probabilidades,

p0=Pθ(X ≤0) p1=Pθ(X ≤1) p2=Pθ(X ≤2) ...

De seguida gera-se UU(0,1)e faz-se X =k se pk−1 < U < pk

(6)

Existem distribuições onde a técnica da transformação inversa não funciona. Neste caso existem métodos alternativos designados métodos indirectos (método de aceitação-rejeição).

O R tem a vantagem de gerar directamente a generalidade das distribuições com que trabalhamos, não sendo necessário a aplicação dos métodos referidos.

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Tabela:Geradores de aleatórios no R Distribuição Comando R

N(µ, σ2) rnorm(n,mu,sigma) B(α, β) rbeta(n,alpha,beta) Bi(N, p) rbinom(n,N,p)

P o(θ) rpoi(n,theta) χ2(ν) rchisq(n,nu)

t2(ν) rt(n,nu)

... ...

(8)

Teorema: Lei Forte dos Grandes Números

SejaX1, X2, . . . , Xn uma amostra casual proveniente de uma populaçãoX com média µ finita. Então quandon→ ∞,

X= 1 n

n

X

i=1

Xiq.c.µ

Aplicação frequente:

aproximarE(X)a partir de x, para uma amostra observada.¯

(9)

Integração de Monte Carlo:

pretende-se calcular o integral:

E[h(X)] = Z

χ

h(x)f(x)dx

a utilização do método de Monte Carlo para calcular E[h(X)]

consiste em gerar uma amostra de dimensãon (comn grande) a partir de f, propondo como aproximação,

¯hn= 1 n

n

X

i=1

h(xi)

pela lei forte dos grandes números ¯hn converge quase certamente paraE[h(X)]

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adicionalmente, se E[h2(X)] existe finito tem-se pelo TLC,

¯hnE[h(X)]

vndN(0,1)

onde vn é uma estimativa devar(¯hn),

vn= 1 n

n

X

i=1

hh(xi)−¯hn

i2

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Outras utilizações: o método de Monte Carlo pode ser utilizado para aproximar a distribuição por amostragem de uma estatística T(X):

vamos supor a população XFθ, com Fθ conhecida;

vamos fixar a dimensão da amostra em n;

vamos gerar g= 1,2, . . . , G amostras da populaçãoFθ cada uma com dimensão n:

amostra 1: x11, x12, . . . , x1n amostra 2: x21, x22, . . . , x2n

...

amostra G: xG1, xG2, . . . , xGn

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para cada amostra g, calcula-se o valor da estatística, tg: t1=T(x11, x12, . . . , x1n)

t2=T(x21, x22, . . . , x2n) ...

tG=T(xG1, xG2, . . . , xGn)

no final tem-se uma amostra de dimensãoG, proveniente da distribuição por amostragem da estatística T(X1, . . . , Xn), que pode ser utilizada para estudar as suas propriedades, calcular o histograma, probabilidades, momentos, etc.

Referências

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