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CENTRO UNIVERSITÁRIO SOCIESC DE BLUMENAU

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Academic year: 2022

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JAQUELINE SALDANHA

OS BENEFÍCIOS E IMPACTOS DA GESTÃO AMBIENTAL EM EMPRESAS DE BLUMENAU

BLUMENAU 2021

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OS BENEFÍCIOS E IMPACTOS DA GESTÃO AMBIENTAL EM EMPRESAS DE BLUMENAU

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro Universitário SOCIESC de Blumenau – SOCIESC como requisito parcial à obtenção do grau de bacharel em Direito.

Profª. Orientadora: Msc. Mayara Pellenz

BLUMENAU 2021

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OS BENEFÍCIOS E IMPACTOS DA GESTÃO AMBIENTAL EM EMPRESAS DE BLUMENAU

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de bacharel em ciências humanas e aprovado em sua forma final pelo curso de Direito, do Centro Universitário Sociesc de Blumenau.

Blumenau, 02 de dezembro de 2021.

___________________________________________________

Profª. Orientadora Msc. Mayara Pellenz

___________________________________________________

Silvia Helena Arizio, Me

___________________________________________________

Edivane Brum, Me

BLUMENAU 2021

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Agradeço, primeiramente, a Deus por me permitir chegar até aqui com saúde, principalmente no cenário em que vivemos atualmente, e conseguir concretizar esse trabalho.

Agradeço à minha mãe, pois é o meu maior incentivo.

Agradeço a cada um que de alguma forma me ajudou, influenciou ou motivou a chegar até aqui, seja por uma simples frase de motivação ou por ajudar no dia a dia.

Agradeço aos meus amigos que fiz durante faculdade, que foram suporte essencial para a jornada diária de estudos.

Agradeço aos professores, que foram fontes de inspiração e conhecimento ao longo de cinco anos, e em especial à minha orientadora Mayara Pellenz, pela sua atenção ao longo desse trabalho.

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“A terra possui recursos suficientes para atender as necessidades de todos, mas não a avidez de alguns.” (Mahatma Gandhi)

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A sociedade atual vive um conflito entre o desenvolvimento economico e a preservação do meio ambiente em que está inserida, produção e consumo aumentaram drasticamente nos últimos anos. Isso enseja a necessidade da cooperação entre sociedade, empresas e Estado, cabendo às empresas uma grande parcela nessa jornada, devido seu papel de extrema importânecia perante o desenvolvimento sustentável. O objetivo do presente é analisar como as empresas de Blumenau vem se adequando para contribuirem para o desenvolvimento sustentável e como que essas práticas adotadas, pode beneficiar as próprias empresas, a sociedade e o Estado. A responsabilidade ambiental das empresas enseja na gestão ambiental empresarial, que parte de uma iniciativa pró-ativa da empresa, onde vai além da legislação e se previne de mudanças de podem ocorrer. Além dessa obrigação de estar em dia com a legislação, a gestão ambiental propicia atender os interesses e necessidades dos stakeholders e agregar valor ao seu produto e/ou serviço, e firma uma imagem positiva perante a sociedade. Foi realizada uma pesquisa de campo, onde comprovou-se a preferencia da sociedade por empresas que contrinuam para o desenvolvimento sustentável, pois se preocupam com o local em que vivem. Com a Prefeitura de Blumenau foram coletados dados onde demonstram que quando as empresas estão regulares com e possuem uma gestão ambiental, há uma redução do dispêndio de verbas públicas, podendo ser investida em outras atividades necessárias. É inegável que a gestão ambiental gera benefícios, mas ainda é algo que precisa de uma disseminação mais ampla, seja do Estado ou das empresas.

PALAVRAS-CHAVE: Ambiente. Desenvolvimento sustentável. Direito Ambiental.

Economia Verde. Empresas. Gestão ambiental. Sustentabilidade.

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Today's society is experiencing a conflict between economic development and the preservation of the environment in which it is inserted, production and consumption have increased dramatically in recent years. This gives rise to the need for cooperation between society, companies and the State, with companies playing a large part in this journey, due to their extremely important role in sustainable development. The objective of the present is to analyze how Blumenau companies have been adapting to contribute to sustainable development and how these adopted practices can benefit the companies themselves, society and the State. The environmental responsibility of companies leads to corporate environmental management, which starts from a proactive initiative of the company, where it goes beyond the legislation and prevents changes that may occur. In addition to this obligation to be up to date with the legislation, environmental management provides for meeting the interests and needs of stakeholders and adding value to your product and/or service, and establishes a positive image in society. A field research was carried out, which proved society's preference for companies that contribute to sustainable development, as they care about the place where they live. With Blumenau City Hall, data were collected showing that when companies are regular with and have environmental management, there is a reduction in the expenditure of public funds, which can be invested in other necessary activities. It is undeniable that environmental management generates benefits, but it is still something that needs wider dissemination, whether by the State or companies.

PALAVRAS-CHAVE: Companies. Environment. Environmental Law. Environmental management. Green Economy. Sustainability. Sustainable development.

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Figura 1 – O tríplice resultado ... 25

Figura 2 – Elementos essenciais para o desenvolvimento sustentável ... 27

Figura 3 – Ciclo de vida útil de um produto considerando os impactos ambientais em cada etapa... 29

Figura 4 – Medidas de bem-estar ... 30

Figura 5 – Tipologias de consumo em relação ao meio ambiente ... 31

Figura 6 – Etapas do planejamento ambiental ... 33

Figura 7 – Indicadores para a sustentabilidade empresarial ... 34

Figura 8 – Equilíbrio dinâmico da sustentabilidade ... 36

Figura 9 – Modelo de sustentabilidade empresarial ... 36

Figura 10 – Responsabilidade social: temas centrais e exemplos de questões ... 38

Figura 11 – Motivação para proteção ambiental na empresa ... 41

Figura 12 – Diferenças entre a economia tradicional e a nova economia ... 43

Figura 13 – Benefícios econômicos e estratégicos organizacionais da gestão ambiental empresarial ... 44

Figura 14 – As etapas do planejamento e do gerenciamento ambientais ... 46

Figura 15 – Logo certificação FSC ... 49

Figura 16 – Logo certificação LEED ... 50

Figura 17 – Logo certificação PROCEL ... 51

Figura 18 – Família de normas NBR ISO 14000 ... 52

Figura 19 – Avaliação do SGA ... 53

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INTRODUÇÃO ... 5

1 CONCEITO E NOÇÕES GERAIS DO DIREITO AMBIENTAL E SEUS PRINCÍPIOS ... 7

1.1 PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL ... 9

1.1.1Princípio do Desenvolvimento Sustentável ... 10

1.1.2Princípio do Poluidor-Pagador ... 12

1.1.3Princípio da Prevenção ... 15

1.1.4Princípio da Precaução ... 16

1.1.5Princípio da Participação ... 17

1.1.6Princípio da Informação ... 18

1.1.7Princípio da Cooperação entre os Povos ... 19

2 ASPECTOS DESTACADO SOBRE SUSTENTABILIDADE ... 21

2.1 CONCEITO E PRINCIPIOLOGIA ... 22

2.2 SOBRE O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ... 26

2.3 A RESPONABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS E SUA CONEXÃO COM A SUSTENTABILIDADE ... 35

3 GESTÃO AMBIENTAL EMPRESARIAL ... 40

3.1 GESTÃO AMBIENTAL INTERNA ... 45

3.2 CERTIFICAÇÕES ... 48

3.2.1Certificação Florestal ... 49

3.2.2Certificação LEED ... 50

3.2.3Certificação INMETRO/PROCEL ... 51

3.2.4Certificação ISO 14001 ... 52

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ... 55

4.1 SEMMAS (PREFEITURA DE BLUMENAU) ... 55

4.2 EMPRESAS QUE POSSUEM GESTÃO AMBIENTAL ... 56

4.3 SOCIEDADE ... 59

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 65

REFERÊNCIAS ... 67

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INTRODUÇÃO

A ágil forma de acesso às informações fez o ser humano se desenvolver em diversos aspectos. Um deles é a preocupação com o meio ambiente, que tem vindo cada vez mais à tona em diversos assuntos.

O atual modo de vida, a produção e consumo acelerados, e a preocupação com a limitação de recursos naturais, são fatores que impactaram as mudanças de hábitos em grande parte de população e também a cobrança sobre o posicionamento de marcas e do setor empresarial.

Não apenas a necessidade de se manterem competitivas, mas também a cobrança da sociedade, ensejam que as empresas passem a assumir um compromisso com o meio ambiente.

Essa competitividade empresarial em que a sociedade está inserida, de certa forma gera dificuldades em uma implantação de gestão ambiental, que gere um valor agregado ao produto/serviço, já que essa competividade está atrelada a entregar qualidade e sustentabilidade com preço atrativo.

A Organização das Nações Unidas em sua cartilha de metas para 2030 (2017) indica que é necessário criar políticas sólidas que incentivem as empresas públicas e privadas a reduzirem ao máximo o uso de substâncias químicas contaminantes e compostos orgânicos persistentes, bem como incentivar as empresas, em especial as grandes empresas e as empresas transnacionais, a adotarem práticas sustentáveis.

Destarte, é nítido que a sociedade está em processo de evolução em questões ambientais, mesmo gritando por socorro, ainda é um processo em amadurecimento.

Deste modo, o presente trabalho engloba em si pesquisas realizadas com empresas, pessoas da sociedade e poder público, a fim de identificar como o modo de uma empresa exercer e ter preocupações com meio ambiente inserido pode influenciar no consumo de seus clientes, bem como estar precavida ao que o mercado e âmbito jurídico podem exigir.

Para tanto, o presente busca também estudar o contexto e evolução do direito ambiental e seus princípios, sustentabilidade, bem como como surgiu a necessidade da gestão ambiental empresarial, como se apresenta nos dias atuais e ressaltar como esta pode melhorar a relação empresa-meio ambiente. Assim a estruturação deste trabalho se dá em: introdução, desenvolvimento, apresentação de dados da pesquisa

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e considerações finais.

Ao final, busca-se responder: como que a gestão ambiental pode proporcionar um retorno lucrativo para empresas, uma melhor utilização dos recursos públicos e qualidade à sociedade em que estas empresas estão inseridas?

O objetivo geral desta pesquisa é demonstrar quais são os benefícios e impactos gerados através da adesão da gestão ambiental em empresas de Blumenau.

Para atingir o objetivo geral foram abordados em cada capítulo os seguintes objetivos específicos: apontar o princípio do Direito Ambiental e seus princípios;

destacar aspectos sobre a sustentabilidade; demonstrar quais os benefícios podem ser adquiridos pela sociedade em geral com a gestão ambiental; apresentar dados coletados de entrevistas com o tema sustentabilidade e gestão ambiental.

O método que será adotado para esta pesquisa será o indutivo1. As técnicas serão: Categoria2, Conceito Operacional3, Pesquisa Bibliográfica4 e Documental5.

1 “[...] base lógica da dinâmica da Pesquisa Científica que consiste em pesquisar e identificar as partes

de um fenômeno e colecioná-las de modo a ter uma percepção ou conclusão geral” (PASOLD, Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática. 12. ed. São Paulo: Conceito Editorial, 2011, p. 205).

2 Nas palavras de Pasold (PASOLD, Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática.

12. ed. São Paulo: Conceito Editorial, 2011, p. 25): “[...] palavra ou expressão estratégica à elaboração e/ou expressão de uma idéia”. Grifos originais da obra em estudo.

3 Reitera-se conforme Pasold (PASOLD, Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática. 12. ed. São Paulo: Conceito Editorial, 2011, p. 37): “[...] uma definição para uma palavra ou expressão, com o desejo de que tal definição seja aceita para os efeitos das idéias que expomos [...]”. Grifos originais da obra.

4 “[...] Técnica de investigação em livros, repertórios jurisprudenciais e coletâneas legais” (PASOLD,

Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática. 12. ed. São Paulo: Conceito Editorial, 2011, p. 207).

5 “[...] Técnica de investigação em livros, repertórios jurisprudenciais e coletâneas legais” (PASOLD,

Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática. 12. ed. São Paulo: Conceito Editorial, 2011, p. 207).

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1 CONCEITO E NOÇÕES GERAIS DO DIREITO AMBIENTAL E SEUS PRINCÍPIOS

A sociedade vive em um ambiente que decorre de seus próprios atos, e estes geram impacto ambiental. Diante desses atos praticados surgiu o Direito Ambiental, a fim de proporcionar direitos e segurança para a sociedade.

Para Carvalho (2001, p. 126):

Direito Ambiental é o conjunto de princípios, normas e regras destinados à proteção preventiva do meio ambiente, à defesa do equilíbrio ecológico, à conservação do patrimônio cultural e à viabilização do desenvolvimento harmônico e socialmente justo, compreendendo medidas administrativas e judiciais, com a reparação material e financeira dos danos causados ao meio ambiente e aos ecossistemas, de um modo geral.

A necessidade de proteção ao meio ambiente em que está inserida a sociedade não é algo recente, mas ganhou notoriedade quando amparado na Constituição Federal (CF) de 1988 em seu artigo 225:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo- se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

O artigo citado demonstra que a sociedade tem o direito de desfrutar de um meio ambiente de qualidade, mas também tem a obrigação de mantê-lo preservado para gerações futuras. Segundo Mazzaroto e Berté (2013, p. 15):

É o meio ambiente que nos proporciona vida. É importante compreender que o meio ambiente não é um simples objeto de pesquisa ou um armazém de matérias-primas.[...] ele tem um significado muito maior e nós, seres humanos, somos apenas uma parte desse contexto.

Sendo um fator essencial para a existência da vida, vem a necessidade de proteção para tal direito. Silveira e Berté ilustram em sua obra de 2017, um caso em que a deterioração do meio ambiente resultou no desaparecimento da civilização local. O caso ocorreu na Ilha de Páscoa, onde vivia a civilização Rapa Nui, o local sofreu intensa exploração do meio ambiente devido o desenvolvimento, isso gerou a migração da civilização devido à escassez de recursos naturais.

Na visão de Silveira e Berté (2017, p. 37):

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A sociedade dá significados ao meio ambiente e aos recursos naturais em função de sua condição histórica, porém não reconhecer o elo que tem com a natureza torna rarefeitos os significados que podem ser atribuídos por meio dessa relação. Quanto mais consciente de sua relação com o meio ambiente, mais consciente de si mesma e de sua cultura estará a sociedade.

Diante de tudo isto, existe a necessidade de desenvolver uma relação sadia de sociedade, Estado e empresas com o meio ambiente. Daí surge o Direito Ambiental, que é um ramo jurídico que permite regulamentar esse equilíbrio.

O Direito Ambiental se efetivou na Constituição Federal de 1988, no artigo 225, já mencionado, e ele abrange não só o meio ambiente, mas também assegura proteção aos animais, ao patrimônio cultural e atividades que norteiam as atividades humanas.

A CF trouxe em si a tutela dos valores ambientais, e se destaca ao tratar de um direito que vai além de ser um bem público ou privado, pois vai além do direito tradicional e se classificando como um direito difuso.

Direitos difusos são assim classificados por não poderem dimensionar o seu impacto, onde os tutelados são indeterminados. Pode-se usar como exemplo o direito ao ar puro, que é essencial à vida, mas não há como dimensionar sua abrangência, pois todo o mundo é afetado.

Para Fiorillo (2021, p. 69):

O art. 225 estabelece quatro concepções fundamentais no âmbito do direito ambiental: a) de que todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; b) de que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado diz respeito à existência de um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, criando em nosso ordenamento o bem ambiental; c) de que a Carta Magna determina tanto ao Poder Público como à coletividade o dever de defender o bem ambiental, assim como o dever de preservá-lo; d) de que a defesa e a preservação do bem ambiental estão vinculadas não só à presentes como também às futuras gerações.

Neste ponto, é de extrema valia o compromisso e a seriedade da prática dessa obrigação imposta a todos, já que todos compartilham do mesmo ambiente e as consequências afetam a todos.

É necessário destacar que o artigo 225 da CF usa a expressão “todos” em sua composição. A palavra todos não é direcionada apenas ao ser humano, mas também a tudo que possui vida. Assim, o ser humano tem limitações em sua exploração à animais e à natureza.

Sendo todos tutelados pela própria CF, ocorre o conflito de direitos e que geram

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entendimento contrários. Pode-se usar como exemplo a farra do boi, tema abordado pelo STF no RE 153.531-8, onde foi proibida sua prática por ser cruel com o animal.

Quando uma tradição cultural é apresentada com atos que ferem o direito imposto no artigo 225 da CF, vem à tona o questionamento de até onde pode ir a tradição cultural. A artigo 225 da CF é claro em sua disposição quando informa “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida[...]”, assim pode-se afirmar que tradições culturais geradoras de crueldade, tortura e ilegalidade não se apresentam como um item essencial para a qualidade de vida.

Assim, o Direito Ambiental aborda a tutela de toda e qualquer vida, resguardando o essencial ao ser humano.

O advento da CF resultou na recepção da Lei 6.938/81, que tem como objetivo o exposto no art. 2:

[...]tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana.

A Lei 6.938/81 é de extrema relevância, já que desenvolveu o funcionamento e diretrizes das políticas públicas perante ao meio ambiente.

Apesar da existência dessas diretrizes impostas em lei e do posicionamento do ordenamento jurídico, ainda há conflitos em entendimentos sobre este assunto. Para haver um equilíbrio entre esses entendimentos é que há a existência de princípios basilares.

1.1 PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL

Os princípios do Direito Ambiental, além de serem instrumentos que direcionam para um sistema sadio entre sociedade e meio ambiente, também tem intenção de orientação e promover a consolidação da tutela do meio ambiente.

Para Fiorillo (2021, p. 87):

Aludidos princípios constituem pedras basilares dos sistemas político- jurídicos dos Estados civilizados., sendo adotados no Brasil e internacionalmente como fruto da necessidade de uma ecologia equilibrada

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e indicativos do caminho adequado para a proteção ambiental, em conformidade com a realidade social e os valores culturais de cada Estado.

Os princípios do Direito Ambiental são orientadores e reguladores da execução de forma correta.

1.1.1 Princípio do Desenvolvimento Sustentável

Este princípio abrange a utilização de recursos ambientais de forma sustentável de uma maneira que atendam às necessidades da sociedade, assim como das futuras gerações.

O termo desenvolvimento sustentável originou-se no Relatório de Brundtland (Our Common Future de 1987), realizado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, onde foi definido que desenvolvimento sustentável é:

Aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades. Ele contém dois conceitos-chaves:

O conceito de “necessidades”, sobretudo as necessidades essenciais dos pobres do mundo, que devem receber a máxima prioridade;

A noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente, impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras.

O desenvolvimento sustentável permite sinergia entre os aspectos econômicos, elevada produção e intenso consumo com os recursos naturais, sem haver riscos, já que a sociedade depende destes recursos.

Segundo Pereira, Silva e Carbonari (2011, p. 68):

Até os anos 1980 o termo sustentável era mais utilizado por profissionais da área ambiental como referência a um ecossistema que permanece robusto e estável (resiliente), apesar de agressões decorrentes da exploração humana.

Por exemplo, pesca sustentável é aquela que não compromete a reprodução dos cardumes, isto é, não afeta a sua estrutura enquanto nicho ecológico.

O Relatório de Brundtland divulgou dados alarmantes e que engajaram a necessidade de mudança em relação ao meio ambiente, como conseguir equilibrar o crescimento e desenvolvimento sem resultar em sequelas ao meio ambiente. Este relatório se baseia em políticas públicas, ou seja, uma ação do Estado. Relata o texto do relatório Nosso Futuro Comum:

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O mundo deve desenhar, rapidamente, estratégias que permitam que as nações saiam de seu processo de crescimento e desenvolvimento atual, geralmente destrutivo, em direção ao desenvolvimento sustentável. Isso vai exigir uma orientação das políticas [públicas] em todos os países, tanto no que diz respeito ao próprio desenvolvimento e a seus impactos sobre o desenvolvimento de outras nações.

Tal estratégia desenhada para atingir o desenvolvimento sustentável é necessária a ação de governos, empresas e sociedade.

O Relatório de Brundtland foi o pontapé para levar este tema a discussões internacionais com mais frequência e também ganhar destaque e enfoque necessário para executar o plano estratégico.

Para atingir os objetivos propostos em anos anteriores, a ONU promoveu a Agenda 21, que foi divulgada no Rio 92.

Segundo Pereira, Silva e Carbonari (2011, p. 72) a Agenda 21:

[...] foi concebida como um plano de ação para ser adotado nos níveis internacional, nacional e local, envolvendo diversos tipos de atores sociais (governos, empresas, organismos internacionais e Organizações Não Governamentais) que podem cooperar para a solução dos problemas socioambientais.

Essa conferência incentivou e provocou um compromisso em todos para executar o desenvolvimento sustentável. Assim, os Estados deveriam implantar ações que pudessem apresentar resultados de um desenvolvimento sustentável efetivo.

O desenvolvimento sustentável para se efetivar precisa ser composto por ações do Estado, empresas e pessoas, pois ações pequenas como reciclagem, redução do desperdício e atitudes conscientes, desencadeiam resultados a longo prazo, pois assim, o conceito principal do desenvolvimento sustentável se concretizará.

Em uma nova conferência realizada em 1997 pela ONU, para avaliar resultados dos planos traçados em 1992, constatou-se que esses resultados foram pouco visíveis e que seria necessário um plano que pudesse se concretizar e pôr em prática o desenvolvimento sustentável.

Diante os resultados analisados, foi criada em 2015 a Agenda 2030 da ONU, onde 193 países se reuniram e estipularam 17 objetivos basilares para se atingir o real desenvolvimento sustentável, visto que cada objetivo precisa ser alcançado para que então o desenvolvimento sustentável possa ser considerado como alcançado, são eles dispostos no site da ONU:

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Objetivo 1: Erradicação da pobreza – Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares;

Objetivo 2: Fome zero e agricultura sustentável – Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável;

Objetivo 3: Saúde e bem-estar – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades;

Objetivo 4: Educação de qualidade – Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos;

Objetivo 5: Igualdade de gênero – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas;

Objetivo 6: Água potável e saneamento – Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos;

Objetivo 7: Energia limpa e acessível – Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos;

Objetivo 8: Trabalho decente e crescimento econômico – Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos;

Objetivo 9: Indústria, inovação e infraestrutura – Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação;

Objetivo 10: Redução das desigualdades – Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles;

Objetivo 11: Cidades e comunidades sustentáveis – Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis;

Objetivo 12: Consumo e produção responsáveis – Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis;

Objetivo 13: Ação contra a mudança global do clima – Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos;

Objetivo 14: Vida na água – Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável;

Objetivo 15: Vida terrestre – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade;

Objetivo 16: Paz, justiça e instituições eficazes – Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis;

Objetivo 17: Parcerias e meios de implementação – Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável;

Esses objetivos apenas serão alcançados com a consciência de todos, desde o micro até macro, com a cooperação entre os povos, para que assim possa ocorrer o real desenvolvimento sustentável com resultados permanentes.

1.1.2 Princípio do Poluidor-Pagador

Tal princípio pode ser considerado com reparador do dano ao meio ambiente ao máximo possível. É importante ressaltar que este princípio resigna a obrigação de

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preservar e reparar danos ao meio ambiente, mas isso não significa que é um direito danificá-lo.

Para Fiorillo (2021, p. 109):

É correto afirmar que o princípio do poluidor-pagador determina a incidência e aplicação de alguns aspectos do regime jurídico da responsabilidade civil aos danos ambientais: a) a responsabilidade denominada “civil” objetiva; b) prioridade da reparação específica de dano ambiental; e c) solidariedade para suportar os danos causados ao meio ambiente.

A Constituição Federal de 1988 prevê este princípio em seu artigo 225, parágrafo 3º e artigo 170: “§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.”

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

[...]

VI - defesa do meio ambiente;

Este tema já foi abordado pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.378-6-DF de 2008, com a seguinte decisão:

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 36 E SEUS §§ 1º, 2º E 3º DA LEI Nº 9.985, DE 18 DE JULHO DE 2000. CONSTITUCIONALIDADE

DA COMPENSAÇÃO DEVIDA PELA IMPLANTAÇÃO DE

EMPREENDIMENTOS DE SIGNIFICATIVO IMPACTO AMBIENTAL.

INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL DO § 1º DO ART. 36. 1. O compartilhamento-compensação ambiental de que trata o art. 36 da Lei nº 9.985/2000 não ofende o princípio da legalidade, dado haver sido a própria lei que previu o modo de financiamento dos gastos com as unidades de conservação da natureza. De igual forma, não há violação ao princípio da separação dos Poderes, por não se tratar de delegação do Poder Legislativo para o Executivo impor deveres aos administrados. 2. Compete ao órgão licenciador fixar o quantum da compensação, de acordo com a compostura do impacto ambiental a ser dimensionado no relatório - EIA/RIMA. 3. O art. 36 da Lei nº 9.985/2000 densifica o princípio usuário- pagador, este a significar um mecanismo de assunção partilhada da responsabilidade social pelos custos ambientais derivados da atividade econômica. 4. Inexistente desrespeito ao postulado da razoabilidade.

Compensação ambiental que se revela como instrumento adequado à defesa e preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações, não havendo outro meio eficaz para atingir essa finalidade constitucional. Medida amplamente compensada pelos benefícios que sempre resultam de um meio ambiente ecologicamente garantido em sua higidez. 5. Inconstitucionalidade da expressão "não pode ser inferior a meio por cento dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento", no § 1º do art. 36 da Lei nº 9.985/2000. O valor da

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compensação-compartilhamento é de ser fixado proporcionalmente ao impacto ambiental, após estudo em que se assegurem o contraditório e a ampla defesa. Prescindibilidade da fixação de percentual sobre os custos do empreendimento. 6. Ação parcialmente procedente.

(STF - ADI: 3378 DF, Relator: CARLOS BRITTO, Data de Julgamento:

09/04/2008, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-112 DIVULG 19-06- 2008 PUBLIC 20-06-2008 EMENT VOL-02324-02 PP-00242) (Grifo nosso)

Essa decisão, embasada no princípio do poluidor-pagador, visa que tal princípio não é composto apenas na necessidade de reparação do dano, mas que existe também a responsabilidade de amparar os custos para preservação e conservação do meio que sofrerá os impactos de tal dano ambiental.

Tal decisão também tomou proporções importantes sobre uma legítima interpretação desse dever imposto a todos, o que possibilitou em que tal princípio fosse firmado ante a Constituição Federal.

Assim, aquele que é responsável por atividades e ações que resultem ou que possam resultar em algum dano ao meio ambiente, deve ser aquele que custeia os gatos, sejam eles para reparação ou prevenção. O único responsável por ressarcir o dano causado é aquele que causou o dano, sem que essa obrigação caia para terceiros, seja o Estado ou a sociedade.

Para Machado (2004, p. 54):

O princípio do usuário-pagador não é uma punição, pois mesmo não existindo qualquer ilicitude no comportamento do pagador ele pode ser implementado.

Assim, para tornar obrigatório o pagamento pelo uso do recurso ou pela sua poluição não há necessidade de ser provado que o usuário e o poluidor estão cometendo faltas ou infrações. O órgão que pretenda receber o pagamento deve provar o efetivo uso do recuso ambiental ou a sua poluição. A existência de autorização administrativa para poluir, segundo as normas de emissão regularmente fixadas, não isenta o poluidor de pagar pela poluição por ele causada.

Diante isto, pode-se afirmar que o princípio do poluidor pagador tem o propósito de prevenção e reparação.

O princípio do poluidor-pagador, portanto, tem mais de um proposito, estes ensejam uma ação do Estado em políticas públicas, prevenção por parte do usuário e consciência da sociedade, pois uma ação que cause danos, não afeta apenas o usuário, mas todos que usufruem do meio ambiente.

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1.1.3 Princípio da Prevenção

Existem danos ambientais que podem ser irreparáveis ou irreversíveis, a fim de que não ocorra tal degradação, destaca-se o princípio da prevenção.

A Constituição Federal garantiu em seu texto a obrigação de todos para a prevenção do meio ambiente, estando disposto no artigo 225 caput.

Este princípio coloca em prática a prevenção de danos ou catástrofes que já são premeditados, que se sabe que pode ocorrer. Em um exemplo prático, a construção de um empreendimento e uma área que será desmatada, o causador deste dano precisa tomar medidas que supram esse dado ou que amenize ao máximo, e uma dessas medidas pode ser o plantio de árvores em áreas desmatadas.

Segundo Machado (2002, p. 67) o princípio da prevenção tem como fundamentos:

1º- identificar, inventariar espécies animais e vegetais de um determinado território, visando conservação e controle da poluição; 2º- identificar e inventariar ecossistemas, elaborando o mapa ecológico; 3º- realizar o planejamento ambiental e econômico integrados; 4º- ordenamento territorial ambiental para valorização das áreas com sua aptidão; 5º- realizar o estudo de impacto ambiental.

Diante estes fundamentos, o princípio da prevenção protege o meio ambiente contra perigos já identificados e conhecidos, diante todo este avanço da tecnologia e aceleração do consumo.

Ainda segundo Machado (2013, p. 123):

A aceitação do princípio da prevenção não para somente no posicionamento mental a favor de medidas ambientais acauteladoras. O princípio da prevenção deve levar à criação e à prática de política pública ambiental, através de planos obrigatórios.

Com o conhecimento do dano ou perigo que pode ser para a sociedade, fica fácil agir e não ter que sofrer uma necessidade de restauração.

Nesse sentido, o Direito Ambiental tem como objetivo fundamental a prevenção dos danos ao meio ambiente.

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1.1.4 Princípio da Precaução

Apesar deste princípio ser sinônimo do princípio anterior, eles têm distinção entre si, sendo aplicados de formas diferentes no âmbito jurídico.

Segundo Bonjardim e Aguiar (2010, p. 111):

O princípio da precaução designa ações de proteção contra o perigo abstrato ambiental, ou seja, em momento anterior à identificação da lesão, em atividade cujos efeitos danosos ainda não estão determinados pela ciência e tecnologia, mas há verossimilhança da produção de tais efeitos nocivos, ou seja, há a potencialidade de dano, cuja ocorrência não se pretende arriscar.

Seu conteúdo exige que as autoridades responsáveis façam a gestão ambiental da atividade, avaliando os riscos e deferindo sua atuação ou abstenção com o intuito de impedir a agressão ambiental.

A Declaração do Rio em 92 trouxe em seu texto este princípio como um dos basilares para atingir os objetivos de tal. O princípio 15 da declaração que contempla este princípio, enseja a presença da ação do Estado. Diz o texto (1992, p. 5):

De modo a proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deve ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com as duas capacidades.

Quando houver ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve ser utilizada como razão para postergar medidas eficazes e economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental.

Analisando o texto, pode-se identificar que o princípio da precaução atua antes dos demais princípios, pois ele garante que não haverá a existência de algo ou alguma ação, que danifique o meio ambiente, já que seus efeitos são desconhecidos e não podem ser mensurados para medir o impacto dano. É necessário haver a certeza científica para garantir catástrofes.

Diante dessa necessidade de haver uma segurança científica, é que cabe ao desenvolvedor de tal possível dano o ônus da prova, pois ele que precisa garantir que não haverá danos, ao meio ambiente e sociedade.

Machado em sua obra Direito Ambiental Brasileiro cita a visão do autor Marchisiso (2011, p. 69):

O princípio da precaução emergiu nos últimos anos como um instrumento de política ambiental baseado na inversão do ônus da prova: para não adotar medida preventiva ou corretiva é necessário

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demonstrar que certa atividade não danifica seriamente o ambiente e que essa atividade não causa dano irreversível.

Este princípio não deve ser visto como inibidor de desenvolvimento e avanços, mas sim como aliado à garantia de qualidade de vida, bem como a segurança desse direito.

1.1.5 Princípio da Participação

O meio ambiente saudável e equilibrado é um direito de todos, mas também é uma obrigação a preservação do mesmo. Essa obrigação de todos não é implícita, pois está disposta no artigo 225 caput da CF, sendo uma obrigação do poder público e sociedade em geral.

Este princípio encontra-se também amparado no princípio 10 da Declaração Rio 92, que diz (1992, p. 4):

A melhor maneira de tratar as questões ambientais é assegurar a participação, no nível apropriado, de todos os cidadãos interessados. No nível nacional, cada indivíduo terá acesso adequado às informações relativas ao meio ambiente de que disponham as autoridades públicas, inclusive informações acerca de materiais e atividades perigosas em suas comunidades, bem como a oportunidade de participar dos processos decisórios. Os Estados irão facilitar e estimular a conscientização e a participação popular, colocando as informações à disposição de todos. Será proporcionado o acesso efetivo a mecanismos judiciais e administrativos, inclusive no que se refere à compensação e reparação de danos. (Grifo nosso)

É evidente falar que a vida depende de um meio ambiente saudável equilibrado, pois sem a existência de recursos naturais, não haveria sequer a possibilidade de sobreviver e desenvolver-se. Assim, para a existência de todos, é necessária a participação de todos para cumprir-se tal princípio.

O inciso VI do artigo 225 da CF ressalta que o Estado deve: “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;”

São pequenos atos que podem resultar em uma recuperação do meio ambiente, não apenas no presente, mas geram impacto para gerações futuras. O objetivo é manter resultados que durem para sempre.

Para Fiorillo (2021, p. 135):

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Ao falarmos em participação, temos em vista a conduta de tomar em alguma coisa, agir em conjunto. Dadas a importância e a necessidade dessa ação conjunta, esse foi um dos objetivos abraçados pela nossa Carta Magna, no tocante à defesa do meio ambiente.

Diante isto, é necessária uma ação do Estado, para promover a efetivação deste princípio. Pode-se usar como exemplo a educação ambiental à nível nacional, para que assim seja cultivado desde cedo nas raízes este princípio.

Ainda segundo Fiorillo (2021, p. 137):

Educar ambientalmente significa: a) reduzir os custos ambientais, à medida que a população atuará como guardiã do meio ambiente; b) efetivar o princípio da prevenção; c) fixar a ideia de consciência ecológica, que buscará sempre a utilização de tecnologias limpas; d) incentivar a realização do princípio da solidariedade, no exato sentido perceberá que o meio ambiente é único, indivisível e de titulares indetermináveis, devendo ser justa e distributivamente acessível a todos; e) efetivar o princípio da participação, entre outras finalidades.

É a união de cidadãos e Estado com atos geradores de recuperação e precaução que garantirão a garantia ao meio ambiente de qualidade.

1.1.6 Princípio da Informação

Este princípio caminha lado a lado ao princípio da participação, pois se complementam.

No princípio 10 da Declaração Rio 92, já citado, expressa-se este princípio (1992, p. 4):

[...] No nível nacional, cada indivíduo terá acesso adequado às informações relativas ao meio ambiente de que disponham as autoridades públicas, inclusive informações acerca de materiais e atividades perigosas em suas comunidades, bem como a oportunidade de participar dos processos decisórios. Os Estados irão facilitar e estimular a conscientização e a participação popular, colocando as informações à disposição de todos. Será proporcionado o acesso efetivo a mecanismos judiciais e administrativos, inclusive no que se refere à compensação e reparação de danos. (Grifo nosso)

Assim o Estado precisa ser um garantidor de que toda e qualquer informação pertinente ao meio ambiente, já que todos são interessados. Com as informações necessárias os cidadãos sabem qual medida tomar, criando mais consciência sobre os atos praticados.

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Segundo Fiorillo (2021, p. 136):

Ressalta-se ainda que a informação ambiental é corolário do direito de ser informado, previsto nos arts. 220 e 221 da Constituição Federal. O citado art. 220 engloba não só o direito à informação, mas também o direito a ser informado (faceta do direito de antena), que se mostra como um direito difuso, sendo, por vezes, um limitador da liberdade de informar.

Ainda seguindo a lei, há a Lei 6.938/81 em seu parágrafo 9 e incisos VII e XV citam esse direito:

Art 9º - São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente:

[...]

VII - o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente;

[...]

XI - a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, obrigando-se o Poder Público a produzí-las, quando inexistentes;

O acesso à informação tirar a venda da ignorância dos cidadãos e permitem agirem antes que os danos sejam irreversíveis.

1.1.7 Princípio da Cooperação entre os Povos

Para haver um equilíbrio ambiental mundial, que forneça desenvolvimento equalitário a todos, é necessária a existência da cooperação entre os povos.

Este princípio é extremamente enfatizado na Declaração Rio 92, conforme abaixo (1992, p. 2):

5. Todos os Estados e todas as pessoas deverão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza como requisito indispensável do desenvolvimento sustentável, a fim de reduzir as divergências nos níveis de vida e responder melhor às necessidades da maioria dos povos do mundo.

6. Dever-se-á dar especial prioridade à situação e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento, em particular os países menos adiantados e os mais vulneráveis desde o ponto de vista ambiental. Nas medidas internacionais adotadas com respeito ao meio ambiente e ao desenvolvimento, também dever-se-iam ter em conta os interesses e as necessidades de todos os países.

7. Os Estados deverão cooperar com espírito de solidariedade mundial para conservar, proteger e restabelecer a saúde e a integridade do ecossistema da Terra. Considerando que têm contribuído em diferente medida à degradação do meio ambiente mundial, os Estados têm

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responsabilidades comuns mas diferenciadas. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca internacional do desenvolvimento sustentável, em vista das pressões que suas sociedades exercem no meio ambiente mundial e das tecnologias e dos recursos financeiros de que dispõem.

Para que haja pleno desenvolvimento mundial, juntamente com um meio ambiente sadio e de qualidade para todos, é necessário que haja cooperação, auxílio e empatia entre os Estados, pois nem todos possuem de recursos e estrutura para oferecer e desfrutar. Isso não significa apenas dispor de meios físicos e sólidos, mas também de conhecimento, direcionamento e informação, para que todos possam andar lado a lado, sem o prejuízo de qualquer Estado.

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2 ASPECTOS DESTACADO SOBRE SUSTENTABILIDADE

Dentre todos os aspectos destacados com relevância sobre o conceito de sustentabilidade, sua origem, o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social empresarial têm um grande e visível destaque. Tais aspetos despertam instigam esse destaque por englobarem fatores que interferem em todos e tudo, social, econômico e ambiental.

A sustentabilidade apesar de ter surgido a partir de uma temática ambiental. vai além de tal conceito, devendo ser vista como um meio de proporcionar soluções duradouras e seguras em todos fatores que esta engloba.

Nesse contexto, coube à sustentabilidade combinar três essenciais fatores para uma harmonia global.

O autor Dias (2019, p. 46), defende a o tripé da sustentabilidade, que para ele:

O Triple Bottom Line é também conhecido como os 3 Ps (People, Planet and Profit, ou, em português, Pessoal, Planeta e Lucro). No Brasil é conhecido como o tripé da sustentabilidade, é um conceito que tanto pode ser aplicado de maneira macro, para um país ou o próprio planeta, como micro, numa residência, nume empresa, numa escola ou pequena vila.

People – refere-se ao tratamento do capital humano de uma empresa ou sociedade.

Planet – refere-se ao capital natural de uma empresa ou sociedade.

Profit – trata-se do lucro. É o resultado econômico positivo de uma empresa. Quando se leva em conta o Triple Bottom Line, essa perna deve levar em conta os outros dois aspectos.

O Triple Bottom Line é direcionador para empresas, mas ele também pode ser aplicado ao ambiente mais micro possível. Essa possibilidade de aplicação do TBL se deve ao fato de envolver exatamente todos os aspectos necessários para sustentabilidade, social, econômico e ambiental.

Para Boff (2020, p. 153), além de ser composta por fatores sociais, econômicos e ambientais, a sustentabilidade:

[...] não deve ser entendida como um produto final, mas como um processo que vai criando relações forjadas de sustentabilidade. Isso nos obriga a equacionar os tempos da natureza (longos e com ritmo próprio) com os tempos de produção humana (rápidos, buscando eficácia imediata). Eis um desafio ingente, pois não estamos habituados a escutar o que a natureza nos diz, nem equilibrar nossos ritmos aos ciclos naturais.

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A sustentabilidade vai além de um conceito de preservação, pois se trata de uma evolução alinhada com tudo e todos.

2.1 CONCEITO E PRINCIPIOLOGIA

A palavra sustentabilidade parece ser um tema atual, devido ao peso da importância do destaque que recebeu nas últimas décadas, porém sua origem é distante.

A sustentabilidade não surgiu com o conceito que é a presentando nos dias atuais. Boff (2020), apresenta em seu livro que começo a partir da preocupação com a limitação dos recursos propiciados pela natureza, que colocou em debate qual seria a forma ideal para utilização adequada dos recursos naturais. Por volta de 1700 originou-se essa preocupação, devido a utilização da madeira em excesso, final era a matéria-prima para construção de casas e móveis, para cozinhas alimentos, aquecer durante os invernos intensos e intensamente utilizada para construção de barcos em uma época de desbravamentos dos oceanos.

Segundo Boff (2020, p. 34):

O uso foi tão intensivo, particularmente na Espanha e em Portugal, as potencias marítimas da época, que as florestas começaram a escassear.

Mas foi na Alemanha, em 1560, na Provincia da Saxônia, que irrompeu, pela primeira vez, a preocupação pelo uso racional das florestas, de forma que elas pudessem se regenerar e se manter permanentemente.

Neste contexto surgiu, a palavra alemã Nachhaltigkeit, que significa

“sustentabilidade”.

No entanto foi somente em 1713, de novo na Saxônia, como Capitão Hans Carl von Carlowitz, que a palavra “sustentabilidade” se transformou num conceito estratégico.

Daí pode-se afirmar que a sustentabilidade teve sua origem, limitada apenas à preocupação cm o excessivo uso da madeira e degradação de florestas.

Ainda na explicação de Boff (2020, p. 35):

Foi então que Carlowitz escreveu um verdadeiro tratado na língua cientifica da época, o latim, sobre a sustentabilidade (nachhaltig wirtschaften: organizar de forma sustentável) das florestas com o título de Silvicultura oeconomia. Propunha enfaticamente o uso sustentável da madeira. Seu lema era: “devemos tratar a madeira com cuidado”

(man muss mit dem Holz pfleglich umgehen), caso contrário, acabar- se-á o negócio e cessara o lucro. Mais diretamente: “corte somente

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aquele tanto de lenha que a floresta pode suportar e que permite a continuidade de seu crescimento.

Assim surgiu o primeiro conceito sustentabilidade, que nem sempre teve seu lema cumprido. Diante o agravo da exploração intensa, a sustentabilidade expandiu seu conceito básico de preservar madeira e florestas, tema intensificado nas últimas décadas.

Segundo Bosselmann (2015, p. 78): “O princípio da sustentabilidade em si é mais bem definido como o dever protegere restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra.”

Apesar de ter se originado há muito tempo, a sustentabilidade se firmou apenas nas últimas décadas, pois a industrialização havia sido o foco principal de toda sociedade. A partir dos impactos resultados dessa intensa industrialização, surgiu um novo conceito para sustentabilidade, que foi abordado em eventos que ressignificaram a sustentabilidade, sendo eles: Estocolmo a Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente (1972), Nosso Futuro Comum (1987) e Rio 92 (1992).

O primeiro evento promovido pela ONU em Estocolmo (1972), contou com a participação de 113 países, foi a primeira reunião que unia diversos Estados. Nesta conferência, a sustentabilidade começou a ser desenhada para o que é hoje, e já destacavam a importância desta em seu item 6 em sua declaração oficial:

Chegamos a um momento da história em que devemos orientar nossos atos em todo o mundo com particular atenção às consequências que podem ter para o meio ambiente. Por ignorância ou indiferença, podemos causar danos imensos e irreparáveis ao meio ambiente da terra do qual dependem nossa vida e nosso bem-estar. Ao contrário, com um conhecimento mais profundo e uma ação mais prudente, podemos conseguir para nós mesmos e para nossa posteridade, condições melhores de vida, em um meio ambiente mais de acordo com as necessidades e aspirações do homem. As perspectivas de elevar a qualidade do meio ambiente e de criar uma vida satisfatória são grandes. É preciso entusiasmo, mas, por outro lado, serenidade de ânimo, trabalho duro e sistemático. Para chegar à plenitude de sua liberdade dentro da natureza, e, em harmonia com ela, o homem deve aplicar seus conhecimentos para criar um meio ambiente melhor. A defesa e o melhoramento do meio ambiente humano para as gerações presentes e futuras se converteu na meta imperiosa da humanidade, que se deve perseguir, ao mesmo tempo em que se mantém as metas fundamentais já estabelecidas, da paz e do desenvolvimento econômico e social em todo o mundo, e em conformidade com elas.

Apesar de não ter apresentado resultados imediatos que possam ser considerados visíveis, foi o gatilho para um alerta inicial e pôde colher resultados nas

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décadas seguintes.

Sobre o evento de Estocolmo realizado em 1972, Pereira, Silva e Carbonari (2011, p. 66) explicam:

O conceito de sustentabilidade explora as relações entre desenvolvimento econômico, qualidade ambiental e equidade social.

Ele começou a ser delineado, quando a Organização da Nações Unidas (ONU) promoveu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo Suécia).

Sustentabilidade pode ser definida como a característica de um processo ou sistema que permite que ele exista por certo tempo ou por tempo indeterminado. Nas últimas décadas, o termo tornou-se um princípio segundo o qual o uso dos recursos naturais para a satisfação das necessidades presentes não deve comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras.

Em 1984 ocorreu a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que teve a participação de muitos especialistas. Esse evento resultou no relatório Nosso Futuro Comum, também conhecido como Relatório Brundtland.

O Relatório Brundtland trouxe um conceito de prosperidade para sustentabilidade, onde um olhar de atenção é lançado para as possíveis consequências dos atos presentes.

Além de apresentar pesquisas, o Relatório de Brundtland deu um novo conceito para sustentabilidade, também abrangendo o desenvolvimento sustentável, sendo ele, apresentando no Nosso Futuro Comum: “[...] aquele procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”.

Segundo Pereira, Silva e Carbonari (2011, p. 69):

Esse relatório apresentou um novo olhar sobre o desenvolvimento, definindo-o como o processo que “satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. A partir daí, o conceito de desenvolvimento sustentável começa a se tornar mais conhecido.

Ao definir que gerações futuras precisam ser consideradas nesse conceito, pode-se ver que o direito difuso, onde os titulares são indeterminados e indetermináveis, é um dever de todos para com todos. Essa definição se disseminou e se firmou entre todos os conceitos existentes para muitos autores, e indo além dos aspectos social, econômico e ambiental.

A figura abaixo demonstra quando há a idealização de sustentabilidade quando

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se alinha os aspectos sociais, econômicos e ambientais:

Figura 1 – O tríplice resultado

Fonte: PEREIRA, SILVA e CARBONARI (2011) p.78

Para Freitas (2019, p. 45), a sustentabilidade:

[...] trata-se do princípio constitucional que determina, com eficácia direta e imediata, a responsabilidade do Estado e da sociedade pela concretização solidaria do desenvolvimento material e imaterial, socialmente inclusivo, durável e equânime, ambientalmente limpo, inovador, ético e eficiente, no intuito de assegurar, preferencialmente de modo preventivo e precavido, no presente e no futuro, o direito ao bem-estar.

Seguindo a intensificação e disseminação da preocupação de um colapso ambiental, foi realizada a conferência Rio 92, que resultou no documento Agenda 21.

A Agenda 21 é um plano de ação que visa a reformulação no aspecto ambiental, econômico e social.

Para Pereira, Silva e Carbonari (2011, p. 72):

Ela foi concebida como um plano de ação para ser adotado nos níveis internacional, nacional e local, envolvendo diversos tipos de atores sociais (governos, empresas, organismos internacionais e Organizações Não Governamentais) que podem cooperar para a solução dos problemas socioambientais.

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A Agenda 21 é um compromisso firmado que tem como pilares a cooperação e participação. Tais pilares precisam de harmonia entre Estado, sociedade e empresas na execução do plano.

A sustentabilidade tem sido base de muitos discursos dentro do âmbito ambiental, com a intenção de abrir os olhos da sociedade e conseguir ver que está inserida em areia movediça e que aos poucos irá sumir, caso não tome posicionamentos e iniciativas que vão além de palavras.

2.2 SOBRE O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Não há como falar de sustentabilidade, sem mencionar o desenvolvimento sustentável, pois por mais que sustentabilidade pareça ser aversa ao desenvolvimento, ambos trabalham mutuamente. Assim como expressa o quarto princípio da Agenda 21 (1992, p. 2): “Para alcançar o desenvolvimento sustentável, a proteção ambiental deve constituir parte integrante do processo de desenvolvimento, e não pode ser considerada isoladamente deste.”

A primeira citação sobre desenvolvimento sustentável foi no Relatório Brundtland, com o conceito de satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as suas.

Segundo Bosselmann (2015, p. 2015):

[…] desenvolvimento sustentável é igual a “um desenvolvimento ecologicamente sustentável” e pode ser interpretado da seguinte forma: “Não há prosperidade econômica sem justiça social e justiça social sem prosperidade econômica, e dentro dos limites da sustentabilidade ecológica”. Essa norma pode ser formulada como a obrigação de promover em longo prazo a prosperidade econômica e a justiça social, dentro dos limites da sustentabilidade ecológica.

O desenvolvimento sustentável expandiu o conceito de sustentabilidade, indo além do aspecto ambiental e englobando aspectos econômico e social.

Segundo Barbieri (2020, p. 22):

A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (CNUMAH) realizada em Estocolmo em 1972, constitui um dos marcos mais importantes para o entendimento acerca do desenvolvimento sustentável, embora essa expressão ainda não fosse usada. Ele se dá no contexto da Segunda Década do Desenvolvimento da ONU, iniciada em 1971, e que teve, entre outros, os seguintes objetivos: alcançar uma taxa média anual de crescimento do produto bruto de 6% para o

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conjunto dos países em desenvolvimento, alcançar para esse conjunto uma taxa média de crescimento do produto per capita de 3,5%;

distribuir de modo mais equitativo esses resultados a fim de promover a justiça social, aumentar a eficiência produtiva, ampliar o nível geral do emprego, de saúde, de nutrição, educação e proteção ambiental.

Também foram estabelecidos os objetivos de melhorar o bem-estar das crianças, bem como o dos jovens e das mulheres para que estes possam participar ativamente do processo de desenvolvimento.

A figura seguinte demonstra de forma clara a composição do desenvolvimento sustentável em seus aspectos.

Figura 2 – Elementos essenciais para o desenvolvimento sustentável

Fonte: BARBIERI (2020) p.133

O desenvolvimento sustentável é uma forma de poder definir como será o futuro, pois ações atuais podem mudar o curso de possíveis degradações, destruições e escassez.

Para Boff (2016, p. 147):

O desenvolvimento sustentável resulta em um comportamento consciente e ético face aos bens e serviços limitados da Terra. De saída, impõe sem sentido de justa medida e de auto controle contra os impulsos produtivistas e consumistas, aos quais estamos acostumados em nossa cultura dominante. Caso contrário, afetamos o capital natural, que deve ser preservado, quando não, enriquecido.

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Diante essa afirmação, é nítido que deve ocorrer uma cooperação mútua e participação entre Estados e toda sociedade para que o desenvolvimento sustentável seja alcançado plenamente.

Nas últimas décadas com a obtenção de capacidade financeira da sociedade, o consumo se acelerou, o que acabou gerando um grande desperdício e também o grande espaçamento entre classes sociais.

Segundo Pereira, Silva e Carbonari (2011, p. 100):

É importante examinar não somente a quantidade de recursos que é consumida, mas também os padrões de consumo. A eficiência econômica por si só não resolve os problemas relacionados aos recursos naturais; é preciso rever padrões atuais de consumo, assinala o Instituto Akatu, entidade brasileira que tem o objetivo de difundir o consumo consciente.

O consumo não é um veneno para a sociedade, já que possuir capacidade de consumo está alinhado com o desenvolvimento sustentável, o problema é quando o consumo se extrapola, passando a ser consumismo e deixando marcas na sociedade.

Ainda para Pereira, Silva e Carbonari (2011, p. 101):

O consumo é um dos grandes instrumentos de bem-estar, mas é necessário aprender a produzir e consumir os bens e serviços de uma maneira diferente da atual, visto que o modelo hoje predominante de produção e consumo contribui para aprofundar aspectos da desigualdade social e do desiquilíbrio ambiental.

O consumo é resultado de uma cadeia de processos que envolve todos os steakholders, e cada um desses tem uma parcela no impacto que o consumo pode causar.

A figura 3 ilustra o processo percorrido por um produto até chegar na fase de descarte dos resíduos e restos.

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Figura 3 – Ciclo de vida útil de um produto considerando os impactos ambientais em cada etapa

FONTE: ALVES (2019) p. 33

O ciclo de vida de um produto gera impacto em todos, porém o impacto ainda é maior quando o consumo básico não chega a todos. Grande parte dos problemas que estão existentes na sociedade são oriundos do não acesso às necessidades básicas, ainda há pessoas que não tem acesso à água potável, energia elétrica e itens essenciais à sobrevivência, como comida, medicamento e produtos de higiene. Tudo isso, por não terem condições econômicas que permitam acesso a isso.

A figura abaixo apresenta quais são as medidas para se atingir o bem-estar de um indivíduo.

Referências

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