Estratégia – visão geral
Abordando mercados emergentes
• Os conceitos de estratégia e gestão foram, em sua maioria, desenvolvidos nos países desenvolvidos.
• Países emergentes, como os BRIC, são a locomotiva do mundo. Os olhos do mundo estão voltados para cá (lá).
• Perguntas:
– Os modelos lá de fora são 100% aplicáveis nos países emergentes?
– Quais aspectos devem ser observados?
Fonte: adaptado de Khanna, Palepu e Sinha, HBR, 2005.
O Contexto dos países
emergentes
Economias Emergentes
Definições
• O termo “Emerging Economies” foi proposto pelo Banco Mundial em 1981
Categoria Critério
Pobreza País de renda baixa ou mediana Padrões de vida abaixo da média Mercado de
capitais
Baixa capitalização de mercado em relação ao PIB Baixa liquidez e poucas empresas listadas
Potencial de crescimento
Liberalização econômica
Buscando atrair investimentos externos Crescimento econômico recente
Adaptado de Standard & Poor’s, International Finance Corporation, Trade Association for the Emerging Markets, Mark Mobius. Published in Khanna, Palepu, and Carlsson (2007)
• Outros termos: terceiro mundo, países em
desenvolvimento, BRICS
O jogo é o mesmo?
Libertadores 2013 Corinthians x Boca
Eurocopa 2012 Croácia x Espanha
Como técnico, você prepararia o time da mesma
maneira para os diferentes campeonatos?
Instituições
• Instituições são “as regras do jogo” que governam transações e relacionamentos (North, 1990)
Instituições formais: leis, contratos, regulação, constituição.
Instituições informais: normas sociais, códigos de conduta, comportamento legitimado e aceito
• As instituições nos países emergentes são, em grande medida, uma reação à mudanças de mercado recentes e consequências da
história, cultura e políticas nacionais
Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira-de-Mello (adaptado)
Vácuos Institucionais (Institutional Voids)
Krishna Palepu & Tarun Khanna
Os países emergentes diferem dos desenvolvidos e também entre si
EUA/EU Brasil Rússia Índia China
Democracia e corrupção +++ ++ + + -
Liberdade de imprensa e ONGs +++ ++ - +++ -
Abertura ++ +++ + + +
Proteção aos direitos de propriedade +++ + + ++ -
Capacidade de P&D local +++ + ++ + +
Base de fornecedores e logística +++ ++ + - +++
Receptividade a marcas globais +++ +++ - + +++
Mercado de trabalho – líderes +++ ++ + +++ -
Força dos sindicatos (maior, melhor) +++ +++ + + - Acesso a mercado de capitais (IPO) +++ +++ ++ +++ -
Acesso a capital de risco (VC) +++ + + + +
Padrões contábeis +++ +++ +++ +++ -
Financial distress (falências) +++ + ++ + +
Fonte: adaptado de Khanna, Palepu e Sinha, HBR, 2005.
Efeitos das instituições em países emergentes
Diversifica- ção e Grupos Econômicos
Capitalismo de estado Estratégias
Pollíticas
Efeitos das instituições em países emergentes
Diversifica- ção e Grupos Econômicos
Capitalismo de estado Estratégias
Pollíticas
Evolução conceitual sobre diversificação nos países emergentes
Fonte: Xavier, Kallás & Bandeira de Mello, 2014
“Após um extenso esforço de pesquisa, não foi possível observar nenhuma evidência empírica da relação entre estratégias de
diversificação e desempenho”
Goold & Luchs (2006)
Porém, em países emergentes, a diversificação traz valor
• Vácuos institucionais
– Incerteza
– Altos custos de transação
– Importância das relações interpessoais – Importância da reputação
• Evidências de grupos econômicos prosperando na Coréia do Sul, Índia (Khanna & Palepu, 2000) Indonésia (Dieleman &
Sachs, 2008) e China (Peng, 2002), entre outros.
Fonte: Xavier, Kallás & Bandeira de Mello, 2014
Grupos Econômicos (Business Groups – BG)
Uma constelação de firmas legalmente independentes entre si,
unidas por relações sociais ou econômicas
(Granoveter, 1995)Ações coordenadas
Limites de difícil identificação (Chile e Coreia do Sul são exceções )
Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira de Mello (adaptado)
Setores: Carnes, Limpeza, Couro, Plásticos, produtos de higiene, produção de latas, Químicos,
Biodíesel, Transporte e agricultura, entre outros
JBS
Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira de Mello.
Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira de Mello.
JBS
Governo Empresa
Os grupos econômicos bem-sucedidos
desenvolveram relacionamentos próximos aos governos locais
Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira de Mello (adaptado)
Efeitos das instituições em países emergentes
Diversifica- ção e Grupos Econômicos
Capitalismo de estado Estratégias
Pollíticas
Movimento de privatizações no Brasil
• Base de dados: 640 empresas no Brasil,
observadas de 1995 a 2003 (série Maiores e Melhores da Revista Exame)
• Programa de privatização brasileiro
“consórcio misto” (grupos locais e governo)
1990 2000
Privatizações (toda a década)
Alteração da estrutura societária das empresas brasileiras
1996
Participação estrangeira no faturamento da indústria do Brasil
saltou de 27% para 42% nesse período
Interpretação de que a economia brasileira sofre profunda
“desnacionalização”
Será???
Fonte: Sérgio Lazzarini – RAE-eletrônica, v. 6, n. 1, Art. 6, jan./jul. 2007.
Componente principal da rede de proprietários com base em ligações
diretas no ano 2003
Fonte: Sérgio Lazzarini – RAE-eletrônica, v. 6, n. 1, Art. 6, jan./jul. 2007.
Leviatã nos negócios: as variedades do capitalismo de estado
Fonte: Adaptado de Musacchio e Lazzarini, 2015, p. 18 Leviatã como
empreendedor (proprietário/gestor)
Leviatã como investidor majoritário
Leviatã como investidor minoritário
Empresas privadas
• Propriedade e controle total das empresas pelo estado, com autonomia e transparência limitadas
• Empresas parcialmente privatizadas com controle estatal majoritário, com mais autonomia e
transparência
• Empresas holding de propriedade estatal (SOHCS)
• Empresas parcialmente privatizadas com capital próprio residual e
minoritário estatal
• Participações minoritárias de SOHCS
• Empresas que recebem
empréstimos e capital próprio de bancos de desenvolvimento estatais
• Empresas com investimentos de fundos soberanos e de outros fundos controlados pelo estado (ex.
Fundos de pensão)
Capitalismo de estado pós 1990
Mecanismos de influência Evidências
Fornecimento de recursos subsidiados Empréstimos pelo BNDES
Participação acionária minoritária BNDES e/ou fundos de pensão
Articulação com governos estrangeiros ou organizações internacionais
Intermediação de conflitos entre multinacionais brasileiras e grupos de interesse dos países
hospedeiros (ex.. Odebrecth no Equador, BR Foods na Asia) (Folha, 2011)
Regulação favorável
Políticas de competitividade
Em alguns casos, o Estado promove ativamente a concentração setorial, com o objetivo de apoiar as empresas a ganhar escala para competir globalmente (The Economist, 2011)
Regulação técnica Governos são responsáveis por missões de licenciamento de processos e “sanitary trade”
Política industrial ou temática
Política de desenvolvimento produtiva Brasileira (PDP)
Mecanismos de influência governamental
Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira de Mello.
Efeitos no desempenho das empresas
• “Quando a economia passou a ter muita capacidade ociosa (crise de 2008), foi fácil adotar políticas anticíclicas. Mas, na
sequência, houve exagero do aparato estatal
• Estudamos os dados de empréstimos do BNDES feitos a 286 companhias de capital aberto. Os recursos não elevaram os
investimentos nem houve melhora de rentabilidade
• O efeito relevante foi a redução da
despesa financeira, decorrente do menor custo de crédito”
Entrevista de Aldo Musacchio para a Veja, 18/02/2015
Efeitos das instituições em países emergentes
Diversifica- ção e Grupos Econômicos
Capitalismo de estado Estratégias
Pollíticas
Integração entre estratégias
Gestão
Estratégia integrada
Ambiente mercado
Ambiente não mercado
Análise mercado (concorrência)
Análise não mercado
Processo de estratégia
mercado
Processo de estratégia não mercado
Coordenação da implementação
Fonte: Baron (1995).
Ações Políticas Corporativas (CPA)
• “Tentativas ou atividades para influenciar as políticas públicas (e outras decisões governamentais) em direções favoráveis às firmas” (Hillman et al., 2004; Lux et al., 2011)
• Distinto de corrupção (Bardhan, 1997; Heidenheimer, Johnston, & LeVine, 1970;
Mauro, 1995; Treisman, 2000)
• O uso de CPA é disperso geograficamente, envolve grandes investimentos e tem crescido (Lux et al. 2011).
• Suporte para relação entre CPA e melhor desempenho tem crescido em artigos recentes (Lux et al., 2011; Hadani & Schuler, 2013; Rajwani e Liedong, in press).
• Incentivo a utilização de CPA em economias em desenvolvimento [apropriação de rendas + business groups] (Rajwani e Liedong, in press).
Fonte: Prof. Carlos Caldeira
Estratégia Tática Características
Estratégias de informação
Lobby
Almeja atingir o decisor político através do
fornecimento de informação Financiamento de projetos de pesquisa
Depoimentos como especialistas em determinado assunto ou issue
Fornecimento de relatórios técnicos ou de opinião
Estratégias de incentivo financeiro
Contribuições para políticos ou partidos
Almeja atingir o decisor político através do
fornecimento de incentivos financeiros
Honorários por palestras
Pagamento de viagens e convenções
Contratação de pessoas com experiência política e/ou ter membros da firma concorrendo a cargos públicos
Estratégias de construção de base de suporte
Mobilização da base de empregados, fornecedores, etc.
Almeja atingir o decisor
político indiretamente, através do suporte da “opinião
pública” e base de eleitores Propaganda política
Relações públicas
Conferências de imprensa
Programas de educação “política”
Tipos de Estratégias Políticas (ou não mercadológicas)
Fonte: Prof. Carlos Caldeira
Evolução das contribuições de campanha eleitoral – eleições presidenciais
Brasil (R$) Delta %PIB E.U.A (US$) Delta %PIB
2000 3,082,340,937 - 0.03%
2002 678,372,927 - 0.05%
2004 4,147,304,003 35% 0.03%
2006 1,514,190,740 123% 0.06%
2008 5,285,680,883 27% 0.04%
2010 3,223,126,295 113% 0.09%
2012 6,285,557,223 19% 0.04%
Crescimento do CPA
Fonte: Prof. Carlos Caldeira (adaptado)
Empresas de Capital Estrangeiro Empresas de Capital Nacional
Empresa R$ (000) Setor Origem Empresa R$ (000) Setor (Principal) 1 Contax S.A. 11,495 Telecomu-
nicações
ESP 1 Andrade
Gutierrez
81,165 Grupo Diversificado (Construção e engenharia) 2 Banco
Santander
6,500 Financeiro ESP 2 Queiroz Galvão
56,238 Grupo Diversificado (Construção e engenharia) 3 Tractebel 3,880 Energia FRA 3 OAS 51,740 Grupo Diversificado
(Construção e engenharia) 4 Vaan Ord 2,500 Transporte
marítimo
NED 4 Camargo
Correa
36,310 Grupo Diversificado (Construção e engenharia) 5 Rio de Janeiro
Refrescos
2,349 Alimentos e bebidas
CHI 5 Petrópolis 35,460 Alimentos e bebidas
6 Bunge Fertilizantes
2,000 Agronegócio EUA/
NOR
6 Bradesco 33,970 Grupo Diversificado (Financeiro)
7 Guarani S/A 1,486 Agronegócio FRA 7 JBS 33,440 Grupo Diversificado (Alimentos e bebidas) 8 AcellorMittal 1,450 Siderurgia IND
8 Vale 30,470 Mineração
9 Spal 1,360 Alimentos e
bebidas
MEX 9 Odebrecht 27,850 Grupo Diversificado (Construção e engenharia) 10 Philip Morris 1,000 Tabaco EUA 10 BMG 24,008 Grupo Diversificado
(Financeiro)
Total 34,020 Total 410,651
Maiores doadores corporativos- contribuições de campanha – Eleição 2012
Instituições influenciam CPA
Fonte: Prof. Carlos Caldeira
Empresas sempre doam igual para os candidatos?
Teste número 1
Pleito R$
(Milhões) Candidato Candidato R$
(Milhões) Delta Prefeitura 2012 43 Haddad X Serra 64 21 Presidente 2010 135 Dilma X Serra 106 (29)
Prefeitura 2008 23 Marta X Kassab (R) 46 23 Presidente 2006 81 (R) Lula X Alckimin 79 (2)
Prefeitura 2004 19 (R) Marta X Serra 15 (4) Presidente 2002 32 Lula X Serra 56 24
Contribuições para candidatos em pleitos selecionados – R$ (milhões)
Candidatos pró-empresas costumam amealhar mais
contribuições,
independentemente de país
Candidatos a reeleição costumam amealhar mais
contribuições,
independentemente de país
Nota: R= Candidato a reeleição; Negrito = vencedor
Fonte: Prof. Carlos Caldeira
Fonte: www.asclaras.org.br
Empresas sempre doam igual para os candidatos?
Teste número 2
Fonte: www.asclaras.org.br
Empresas sempre doam igual? Teste número 3
Levantamento sobre as doações nas eleições gerais
1. As empresas que mais contribuem para financiar campanhas eleitorais são as que dependem de regulamentação governamental ou de contratos com o governo;
2. Os setores financeiro e da indústria pesada são os que mais doam para candidatos a presidente, porque é ele que decide sobre marco regulatório, concessão de subsídios e questões macroeconômicas, que são do interesse dos grandes grupos econômicos;
3. As empreiteiras são as que mais ajudam os candidatos a governador, porque eles realizam mais obras que o poder federal; e
4. Os bancos costumam doar mais dinheiro para as campanhas de senadores: é o Senado que supervisiona o Banco Central e autoriza
empréstimos para entidades do setor público.
Fonte: Ronaldo Guimarães Gueraldi no portal HSM (http://www.hsm.com.br/artigos/estrategia-e-o-setor-publico).
Impacto no desempenho
Conexões políticas por meio de doações às
campanhas eleitorais estão associadas com um maior desempenho das empresas doadoras (Claessens et al, 2008, Bandeira-de-Mello et al., 2012)
“o político pega o dinheiro e a empresa
ganha o favor”
Samuels, 2001
Fonte: www.marketvisual.com, acessado em maio de 2015