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Estratégias em Países Emergentes

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Academic year: 2022

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(1)

Estratégias em Países Emergentes

David Kallás

[email protected]

(2)

Estratégia – visão geral

(3)

Abordando mercados emergentes

• Os conceitos de estratégia e gestão foram, em sua maioria, desenvolvidos nos países desenvolvidos.

• Países emergentes, como os BRIC, são a locomotiva do mundo. Os olhos do mundo estão voltados para cá (lá).

• Perguntas:

– Os modelos lá de fora são 100% aplicáveis nos países emergentes?

– Quais aspectos devem ser observados?

Fonte: adaptado de Khanna, Palepu e Sinha, HBR, 2005.

(4)

O Contexto dos países

emergentes

(5)

Economias Emergentes

Definições

• O termo “Emerging Economies” foi proposto pelo Banco Mundial em 1981

Categoria Critério

Pobreza País de renda baixa ou mediana Padrões de vida abaixo da média Mercado de

capitais

Baixa capitalização de mercado em relação ao PIB Baixa liquidez e poucas empresas listadas

Potencial de crescimento

Liberalização econômica

Buscando atrair investimentos externos Crescimento econômico recente

Adaptado de Standard & Poor’s, International Finance Corporation, Trade Association for the Emerging Markets, Mark Mobius. Published in Khanna, Palepu, and Carlsson (2007)

• Outros termos: terceiro mundo, países em

desenvolvimento, BRICS

(6)

O jogo é o mesmo?

Libertadores 2013 Corinthians x Boca

Eurocopa 2012 Croácia x Espanha

Como técnico, você prepararia o time da mesma

maneira para os diferentes campeonatos?

(7)

Instituições

• Instituições são “as regras do jogo” que governam transações e relacionamentos (North, 1990)

 Instituições formais: leis, contratos, regulação, constituição.

 Instituições informais: normas sociais, códigos de conduta, comportamento legitimado e aceito

• As instituições nos países emergentes são, em grande medida, uma reação à mudanças de mercado recentes e consequências da

história, cultura e políticas nacionais

Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira-de-Mello (adaptado)

(8)

Vácuos Institucionais (Institutional Voids)

Krishna Palepu & Tarun Khanna

(9)

Os países emergentes diferem dos desenvolvidos e também entre si

EUA/EU Brasil Rússia Índia China

Democracia e corrupção +++ ++ + + -

Liberdade de imprensa e ONGs +++ ++ - +++ -

Abertura ++ +++ + + +

Proteção aos direitos de propriedade +++ + + ++ -

Capacidade de P&D local +++ + ++ + +

Base de fornecedores e logística +++ ++ + - +++

Receptividade a marcas globais +++ +++ - + +++

Mercado de trabalho – líderes +++ ++ + +++ -

Força dos sindicatos (maior, melhor) +++ +++ + + - Acesso a mercado de capitais (IPO) +++ +++ ++ +++ -

Acesso a capital de risco (VC) +++ + + + +

Padrões contábeis +++ +++ +++ +++ -

Financial distress (falências) +++ + ++ + +

Fonte: adaptado de Khanna, Palepu e Sinha, HBR, 2005.

(10)

Efeitos das instituições em países emergentes

Diversifica- ção e Grupos Econômicos

Capitalismo de estado Estratégias

Pollíticas

(11)

Efeitos das instituições em países emergentes

Diversifica- ção e Grupos Econômicos

Capitalismo de estado Estratégias

Pollíticas

(12)

Evolução conceitual sobre diversificação nos países emergentes

Fonte: Xavier, Kallás & Bandeira de Mello, 2014

“Após um extenso esforço de pesquisa, não foi possível observar nenhuma evidência empírica da relação entre estratégias de

diversificação e desempenho”

Goold & Luchs (2006)

(13)

Porém, em países emergentes, a diversificação traz valor

• Vácuos institucionais

– Incerteza

– Altos custos de transação

– Importância das relações interpessoais – Importância da reputação

• Evidências de grupos econômicos prosperando na Coréia do Sul, Índia (Khanna & Palepu, 2000) Indonésia (Dieleman &

Sachs, 2008) e China (Peng, 2002), entre outros.

Fonte: Xavier, Kallás & Bandeira de Mello, 2014

(14)

Grupos Econômicos (Business Groups – BG)

Uma constelação de firmas legalmente independentes entre si,

unidas por relações sociais ou econômicas

(Granoveter, 1995)

Ações coordenadas

Limites de difícil identificação (Chile e Coreia do Sul são exceções )

Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira de Mello (adaptado)

(15)

Setores: Carnes, Limpeza, Couro, Plásticos, produtos de higiene, produção de latas, Químicos,

Biodíesel, Transporte e agricultura, entre outros

JBS

Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira de Mello.

(16)

Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira de Mello.

JBS

(17)

Governo Empresa

Os grupos econômicos bem-sucedidos

desenvolveram relacionamentos próximos aos governos locais

Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira de Mello (adaptado)

(18)

Efeitos das instituições em países emergentes

Diversifica- ção e Grupos Econômicos

Capitalismo de estado Estratégias

Pollíticas

(19)

Movimento de privatizações no Brasil

• Base de dados: 640 empresas no Brasil,

observadas de 1995 a 2003 (série Maiores e Melhores da Revista Exame)

• Programa de privatização brasileiro 

“consórcio misto” (grupos locais e governo)

1990 2000

Privatizações (toda a década)

Alteração da estrutura societária das empresas brasileiras

1996

Participação estrangeira no faturamento da indústria do Brasil

saltou de 27% para 42% nesse período

Interpretação de que a economia brasileira sofre profunda

“desnacionalização”

Será???

Fonte: Sérgio Lazzarini – RAE-eletrônica, v. 6, n. 1, Art. 6, jan./jul. 2007.

(20)

Componente principal da rede de proprietários com base em ligações

diretas no ano 2003

Fonte: Sérgio Lazzarini – RAE-eletrônica, v. 6, n. 1, Art. 6, jan./jul. 2007.

(21)

Leviatã nos negócios: as variedades do capitalismo de estado

Fonte: Adaptado de Musacchio e Lazzarini, 2015, p. 18 Leviatã como

empreendedor (proprietário/gestor)

Leviatã como investidor majoritário

Leviatã como investidor minoritário

Empresas privadas

Propriedade e controle total das empresas pelo estado, com autonomia e transparência limitadas

Empresas parcialmente privatizadas com controle estatal majoritário, com mais autonomia e

transparência

Empresas holding de propriedade estatal (SOHCS)

Empresas parcialmente privatizadas com capital próprio residual e

minoritário estatal

Participações minoritárias de SOHCS

Empresas que recebem

empréstimos e capital próprio de bancos de desenvolvimento estatais

Empresas com investimentos de fundos soberanos e de outros fundos controlados pelo estado (ex.

Fundos de pensão)

Capitalismo de estado pós 1990

(22)

Mecanismos de influência Evidências

Fornecimento de recursos subsidiados Empréstimos pelo BNDES

Participação acionária minoritária BNDES e/ou fundos de pensão

Articulação com governos estrangeiros ou organizações internacionais

Intermediação de conflitos entre multinacionais brasileiras e grupos de interesse dos países

hospedeiros (ex.. Odebrecth no Equador, BR Foods na Asia) (Folha, 2011)

Regulação favorável

Políticas de competitividade

Em alguns casos, o Estado promove ativamente a concentração setorial, com o objetivo de apoiar as empresas a ganhar escala para competir globalmente (The Economist, 2011)

Regulação técnica Governos são responsáveis por missões de licenciamento de processos e “sanitary trade”

Política industrial ou temática

Política de desenvolvimento produtiva Brasileira (PDP)

Mecanismos de influência governamental

Fonte: Prof. Rodrigo Bandeira de Mello.

(23)

Efeitos no desempenho das empresas

• “Quando a economia passou a ter muita capacidade ociosa (crise de 2008), foi fácil adotar políticas anticíclicas. Mas, na

sequência, houve exagero do aparato estatal

• Estudamos os dados de empréstimos do BNDES feitos a 286 companhias de capital aberto. Os recursos não elevaram os

investimentos nem houve melhora de rentabilidade

• O efeito relevante foi a redução da

despesa financeira, decorrente do menor custo de crédito”

Entrevista de Aldo Musacchio para a Veja, 18/02/2015

(24)

Efeitos das instituições em países emergentes

Diversifica- ção e Grupos Econômicos

Capitalismo de estado Estratégias

Pollíticas

(25)

Integração entre estratégias

Gestão

Estratégia integrada

Ambiente mercado

Ambiente não mercado

Análise mercado (concorrência)

Análise não mercado

Processo de estratégia

mercado

Processo de estratégia não mercado

Coordenação da implementação

Fonte: Baron (1995).

(26)

Ações Políticas Corporativas (CPA)

• “Tentativas ou atividades para influenciar as políticas públicas (e outras decisões governamentais) em direções favoráveis às firmas” (Hillman et al., 2004; Lux et al., 2011)

• Distinto de corrupção (Bardhan, 1997; Heidenheimer, Johnston, & LeVine, 1970;

Mauro, 1995; Treisman, 2000)

• O uso de CPA é disperso geograficamente, envolve grandes investimentos e tem crescido (Lux et al. 2011).

• Suporte para relação entre CPA e melhor desempenho tem crescido em artigos recentes (Lux et al., 2011; Hadani & Schuler, 2013; Rajwani e Liedong, in press).

• Incentivo a utilização de CPA em economias em desenvolvimento [apropriação de rendas + business groups] (Rajwani e Liedong, in press).

Fonte: Prof. Carlos Caldeira

(27)

Estratégia Tática Características

Estratégias de informação

Lobby

Almeja atingir o decisor político através do

fornecimento de informação Financiamento de projetos de pesquisa

Depoimentos como especialistas em determinado assunto ou issue

Fornecimento de relatórios técnicos ou de opinião

Estratégias de incentivo financeiro

Contribuições para políticos ou partidos

Almeja atingir o decisor político através do

fornecimento de incentivos financeiros

Honorários por palestras

Pagamento de viagens e convenções

Contratação de pessoas com experiência política e/ou ter membros da firma concorrendo a cargos públicos

Estratégias de construção de base de suporte

Mobilização da base de empregados, fornecedores, etc.

Almeja atingir o decisor

político indiretamente, através do suporte da “opinião

pública” e base de eleitores Propaganda política

Relações públicas

Conferências de imprensa

Programas de educação política

Tipos de Estratégias Políticas (ou não mercadológicas)

Fonte: Prof. Carlos Caldeira

(28)

Evolução das contribuições de campanha eleitoral – eleições presidenciais

Brasil (R$) Delta %PIB E.U.A (US$) Delta %PIB

2000 3,082,340,937 - 0.03%

2002 678,372,927 - 0.05%

2004 4,147,304,003 35% 0.03%

2006 1,514,190,740 123% 0.06%

2008 5,285,680,883 27% 0.04%

2010 3,223,126,295 113% 0.09%

2012 6,285,557,223 19% 0.04%

Crescimento do CPA

Fonte: Prof. Carlos Caldeira (adaptado)

(29)

Empresas de Capital Estrangeiro Empresas de Capital Nacional

Empresa R$ (000) Setor Origem Empresa R$ (000) Setor (Principal) 1 Contax S.A. 11,495 Telecomu-

nicações

ESP 1 Andrade

Gutierrez

81,165 Grupo Diversificado (Construção e engenharia) 2 Banco

Santander

6,500 Financeiro ESP 2 Queiroz Galvão

56,238 Grupo Diversificado (Construção e engenharia) 3 Tractebel 3,880 Energia FRA 3 OAS 51,740 Grupo Diversificado

(Construção e engenharia) 4 Vaan Ord 2,500 Transporte

marítimo

NED 4 Camargo

Correa

36,310 Grupo Diversificado (Construção e engenharia) 5 Rio de Janeiro

Refrescos

2,349 Alimentos e bebidas

CHI 5 Petrópolis 35,460 Alimentos e bebidas

6 Bunge Fertilizantes

2,000 Agronegócio EUA/

NOR

6 Bradesco 33,970 Grupo Diversificado (Financeiro)

7 Guarani S/A 1,486 Agronegócio FRA 7 JBS 33,440 Grupo Diversificado (Alimentos e bebidas) 8 AcellorMittal 1,450 Siderurgia IND

8 Vale 30,470 Mineração

9 Spal 1,360 Alimentos e

bebidas

MEX 9 Odebrecht 27,850 Grupo Diversificado (Construção e engenharia) 10 Philip Morris 1,000 Tabaco EUA 10 BMG 24,008 Grupo Diversificado

(Financeiro)

Total 34,020 Total 410,651

Maiores doadores corporativos- contribuições de campanha – Eleição 2012

Instituições influenciam CPA

Fonte: Prof. Carlos Caldeira

(30)

Empresas sempre doam igual para os candidatos?

Teste número 1

Pleito R$

(Milhões) Candidato Candidato R$

(Milhões) Delta Prefeitura 2012 43 Haddad X Serra 64 21 Presidente 2010 135 Dilma X Serra 106 (29)

Prefeitura 2008 23 Marta X Kassab (R) 46 23 Presidente 2006 81 (R) Lula X Alckimin 79 (2)

Prefeitura 2004 19 (R) Marta X Serra 15 (4) Presidente 2002 32 Lula X Serra 56 24

Contribuições para candidatos em pleitos selecionados – R$ (milhões)

Candidatos pró-empresas costumam amealhar mais

contribuições,

independentemente de país

Candidatos a reeleição costumam amealhar mais

contribuições,

independentemente de país

Nota: R= Candidato a reeleição; Negrito = vencedor

Fonte: Prof. Carlos Caldeira

(31)

Fonte: www.asclaras.org.br

Empresas sempre doam igual para os candidatos?

Teste número 2

(32)

Fonte: www.asclaras.org.br

Empresas sempre doam igual? Teste número 3

(33)

Levantamento sobre as doações nas eleições gerais

1. As empresas que mais contribuem para financiar campanhas eleitorais são as que dependem de regulamentação governamental ou de contratos com o governo;

2. Os setores financeiro e da indústria pesada são os que mais doam para candidatos a presidente, porque é ele que decide sobre marco regulatório, concessão de subsídios e questões macroeconômicas, que são do interesse dos grandes grupos econômicos;

3. As empreiteiras são as que mais ajudam os candidatos a governador, porque eles realizam mais obras que o poder federal; e

4. Os bancos costumam doar mais dinheiro para as campanhas de senadores: é o Senado que supervisiona o Banco Central e autoriza

empréstimos para entidades do setor público.

Fonte: Ronaldo Guimarães Gueraldi no portal HSM (http://www.hsm.com.br/artigos/estrategia-e-o-setor-publico).

(34)

Impacto no desempenho

Conexões políticas por meio de doações às

campanhas eleitorais estão associadas com um maior desempenho das empresas doadoras (Claessens et al, 2008, Bandeira-de-Mello et al., 2012)

“o político pega o dinheiro e a empresa

ganha o favor”

Samuels, 2001

(35)

Fonte: www.marketvisual.com, acessado em maio de 2015

Que tal convidar essa pessoa para o conselho?

(36)

Considerações finais

(37)

Instituições importam

- O contexto institucional influencia os custos de transação (Williamson, 1979)

- Instituições determinam incentivos e restrições nos agentes econômicos e modelam desempenho econômico dos países (Acemoglu et al., 2005)

- Instituições afetam a eficiência das transações de mercado e ações das empresas, influenciando o desempenho das firmas (Chan et al., 2008)

- Reformas pró-mercado melhoram monitoramento externo e reduzem custos de agência, melhorando rentabilidade tanto para empresas domésticas como estrangeiras (Cuervo-Cazurra & Dau, 2009)

- Concentração setorial modera a relação entre instituições e desempenho de forma negativa (Kallás, 2014)

- Efeito das instituições informais é maior que o das

instituições formais (Kallás, 2014)

(38)
(39)
(40)
(41)

Implicações e recomendações

• Devemos proteger e fortalecer as instituições

– Devem ser mais fortes que partidos – Ulisses e as Sereias

– Instituições influenciam o conceito de ética

• A maior conquista do Brasil nos últimos anos foi a evolução das instituições em seus diversos níveis

– Instituições informais importam, e muito

– O momento é oportuno para uma transformação virtuosa

• Tecnologia é arma eficaz contra a corrupção

– Proibir doações de empresas para campanhas pode ajudar, mas não resolve o problema (é só uma das diversas faces)

• Há muito ainda para aprender sobre o tema

(42)

Grato Pela Atenção

David Kallás

[email protected]

Referências

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