e de Mercados
19 de maio de 2014
Departamento de Estudos
Nos EUA, os dados divulgados durante a última semana parecem ter continuado a corroborar a tese da Fed de que o abrandamento económico em dezembro e janeiro se deveu, sobretudo, às condições meteorológicas adversas, pelo que a desaceleração da economia no 1ºT2014 terá sido pontual, daí que a autoridade monetária, na reunião do próximo mês (18-jun), deva prosseguir com a redução do ritmo de compras mensais de dívida pública e privada ligada ao imobiliário, para terminar este processo no final do ano, à medida que as expetativas de aceleração da economia e do emprego se forem materializando e no quadro de crescimentos dos preços mais em linha com o objetivo. Apesar da inesperada queda mensal da produção industrial, a melhoria dos indicadores qualitativos para o setor sugere uma ligeira aceleração da produção industrial para o 2ºT2014. Por sua vez, as vendas a retalho subiram menos do que o esperado, mas recaindo sobre dados revistos em alta, pelo que apresentam uma significativa aceleração no 2ºT2014, depois de no 1ºT2014 terem sido prejudicadas pelo mau tempo. Daí que o consumo deva, pelo menos, manter o ritmo de crescimento do 1ºT2014 (+3.0%), mas desta feita apoiado pelo aumento do consumo de bens, já que o consumo de serviços deverá abrandar, nomeadamente com a componente de energia a cair (como ficou patente na forte queda da produção de utiliites em abril), que no 1ºT2014 estivera empolada por um consumo anormalmente elevado, resultante das condições meteorológicas adversas. No imobiliário, os fogos iniciados subiram em abril para um máximo desde nov-13, quando se situou no nível mais elevado desde fev-08, com as quedas de dez-13 e jan-14 a deverem-se em grande medida a condições meteorológicas adversas. As licenças de construção atingiram o nível mais elevado desde jun-08. Já em maio, apesar da queda, a confiança dos construtores está em níveis compatíveis com um nº de fogos iniciados 14% superior ao observado em abril. Assim, estima-se um regresso ao crescimento do investimento em construção residencial no 2ºT2014 e mantemos o nosso cenário de que o PIB deve crescer a um ritmo anualizado superior a 3% no trimestre. Na vertente dos preços, a política monetária ainda altamente expansionista continua a ser facilitada pela ausência de pressões inflacionistas, com a inflação importada a contribuir ademais para uma redução dos preços face a igual período de 2013. Note-se, no entanto, que os riscos de estarmos perante um período de inflação bem abaixo do desejável têm vindo a diminuir, acompanhando a própria redução do excesso de capacidade instalada na economia. A este propósito, o crescimento homólogo do índice de preços no produtor ultrapassou os 2% (ficou em +2.1%), o objetivo da Fed para o crescimento do deflator do consumo privado, sendo que a variação homóloga do índice de preços no consumidor (IPC) acelerou em abril de 1.5% para 2.0%, um máximo desde jul-13. Note-se, no entanto, que as componentes core de ambos aceleraram menos e ficaram abaixo dos 2%.
Na Zona Euro, a semana ficou marcada pela estimativa preliminar do PIB do 1ºT2014 da região – como um todo e para as principais economias do euro –, que veio apontar para um acréscimo em cadeia de somente 0.2%, abaixo do esperado pelo mercado (consenso: +0.4%) e que representa uma manutenção do ritmo de crescimento do trimestre anterior. Tratou-se do 4º acréscimo consecutivo após a saída da economia da situação de recessão técnica (tradicionalmente definida como 2 trimestres consecutivos de queda em cadeia do PIB) em que se encontrava desde o 4ºT2011 –, mas com o PIB a permanecer ainda 2.5% abaixo do nível atingido antes da entrada em recessão, no 1ºT2008. Apesar de ainda não serem conhecidos em detalhe, os principais indicadores mensais sugerem que, na ótica da despesa, a atividade económica tenha sido suportada pelo consumo privado e pelo investimento em capital fixo, mas penalizado pelas exportações líquidas. Em termos geográficos, depois de no trimestre anterior terem-se observado crescimentos em cadeia nas 4 principais economias, algo que já não ocorria desde o 1ºT2011, no 1ºT2014 o comportamento voltou a ser distinto, com a Alemanha e Espanha (+0.4%) a observarem crescimentos, mas com a França a estabilizar e Itália a registar inclusive uma ligeira queda (-0.1%). O destaque pela positiva vai para a Alemanha, onde o PIB expandiu uns intensos 0.8% (+0.4% no 4ºT2013), ligeiramente acima do esperado pelo mercado (consenso:
+0.7%), com o nível de atividade económica a fazer um novo máximo histórico, encontrando-se já 3.0% acima do anterior máximo pré-recessão, atingido no 1ºT2008, permanecendo (destacadamente) a liderar a recuperação da região.
Em termos de perspetivas, para o 2ºT2014, embora ainda com muito pouca informação disponível, o nosso indicador
compósito para o PIB aponta para um crescimento em cadeia entre 0.3% e 0.4%, com a região a dever continuar a ser
essencialmente impulsionada pela Alemanha, embora no 2ºT2014 esta economia deva acabar por evidenciar um
crescimento mais em linha com o das restantes 3 maiores economias da região (entre +0.3% e +0.4%), refletindo uma
natural desaceleração face ao forte acréscimo observado no 1ºT2014 (+0.8%). Depois de a economia ter registado uma
queda anual de 0.4% em 2013, este pior arranque de ano por parte da economia da Zona Euro levou-nos a rever em
baixa o crescimento para o total do ano, perspetivando-se agora um acréscimo de 1.1% para 2014, ligeiramente inferior aos recentemente previstos pela OCDE (6-mai: +1.2%), pela Comissão Europeia (5-mai: +1.2%), pelo FMI (8-abr:
+1.2%) e pelo BCE (6-mar: +1.2%).
Em Portugal, a semana ficou indubitavelmente marcada pela divulgação da estimativa preliminar do INE para o PIB no 1ºT2014, que apontou para uma queda em cadeia de 0.7% (+1.2% em termos homólogos), um resultado que contraria a mediana das projeções das instituições contactadas pela Bloomberg (+0.1%), bem como as nossas perspetivas menos otimistas, que apontavam, ao contrário do consenso, para a ausência de crescimento. Com efeito, ao contrário do que foi noticiado pela agência Lusa, em resultado de uma incorreta leitura do nosso Research, a nossa previsão era de uma estagnação do PIB em cadeia (0.0%) e não de um crescimento de 0.6%. Refira-se que a nossa previsão de 0.0% foi utilizada no referido survey da Bloomberg. Essa previsão tinha sido o resultado de um compromisso entre o resultado de diversos tipos de modelos, sendo que os que utilizam dados provenientes da oferta (produção industrial, produção na construção, vendas a retalho e volume de negócios nos serviços) sinalizavam uma contração. O nosso erro de previsão terá estado associado sobretudo ao facto de o contributo das exportações líquidas dever ter sido negativo, quando anteriormente se apontava para um ligeiro contributo positivo. A contribuir para este resultado terá estado também o pior comportamento da Zona Euro, que não duplicou o ritmo de crescimento como era antecipado, mas mantendo antes o mesmo crescimento modesto do trimestre anterior, bem como o facto de a refinaria de Sines da Galp, uma das grandes responsáveis pelo crescimento das exportações, ter estado encerrada para manutenção durante cerca de metade do trimestre. Relativamente à procura interna, deverá ter-se confirmado os comportamentos que temos vindo a avançar, com o esperado crescimento no consumo privado a ser insuficiente para compensar as quedas no consumo público e no investimento. Anteriormente já se apontava para que a economia viesse a regressar aos crescimentos consistentes sobretudo a partir do 2ºT2014 – prevíamos, como referido, a ausência de crescimento no 1ºT2014 –, à medida que o impacto das novas medidas de austeridade se dilua e com a procura externa, nomeadamente a proveniente da Zona Euro (e em especial Espanha) a dever acelerar ao longo do ano (apesar do esforço de diversificação, as exportações ainda estão muito direcionadas para os nossos parceiros europeus). Este regresso ao crescimento deverá ser carimbado com um crescimento bem superior ao anteriormente admitido, esperando-se que a economia consiga mais do que reverter a queda do 1ºT2014, apontando-se para um crescimento mesmo em torno de 1.0% (no 2ºT2013 observou-se também uma forte subida, de 1.1%). Para o total de 2014, mantemos a nossa previsão de um crescimento anual do PIB de 1.2% (-1.4% em 2013) – um valor em linha com o recentemente previsto pelo Governo, no âmbito do Documento de Estratégia Orçamental para 2014-2018, apresentado em 30-abr –, embora com esta previsão a encontrar-se agora rodeada de riscos descendentes (quando anteriormente eram ascendentes), resultado deste mau arranque de ano da economia.
No Reino Unido, continuaram a vir dados positivos para o mercado laboral: a taxa de desemprego em março desceu de 6.9% para 6.8%, um mínimo desde fev-09 e o nº de desempregados registados nos centros de emprego (uma medida mais restrita) diminuiu em abril para novos mínimos desde nov-08. Assim, acabou por ser sem surpresa que o Banco de Inglaterra, no seu Relatório de Inflação de maio, reviu em baixa as suas perspetivas para a taxa de desemprego, tendo mantido sensivelmente inalteradas as perspetivas para a inflação e para o crescimento do PIB. Em todo o caso, o banco sinalizou a manutenção de taxas durante os próximos meses, atendendo à existência de capacidade por utilizar na economia. Continuamos a prever o início do ciclo de subidas de taxas para o 1ºT2015, com a bank rate a dever terminar 2015 em 1.50%.
No
Japão, a estimativa final de março da produção industrial apontou para um crescimento de 0.7%, superior aodivulgado na estimativa preliminar, crescendo 3.0% no 1ºT2014. Por sua vez, a atividade no setor terciário privado subiu
2.4% em março, atingindo o nível mais elevado desde fev-08, tendo avançado 1.7% no 1ºT2014; os diversos
indicadores do lado da oferta sugerem uma subida de 1.5% do PIB no 1ºT2014, em linha com o valor divulgado na 1ª
estimativa do PIB. Efetivamente, a estimativa preliminar do PIB do 1ºT2014 veio apontar para um crescimento em
cadeia de 1.5%, superando as nossas expetativas e as do mercado (consenso: +1.0%), com esta surpresa positiva a
resultar, sobretudo, de um maior crescimento do consumo, mas também do investimento privado em capital fixo e de
um menor contributo negativo das exportações líquidas. O Japão observou 3 recessões técnicas entre 2008 e 2012,
tendo o PIB atingido finalmente novos máximos históricos, ficando 1.1% acima do anterior máximo do ciclo registado no
1ºT2008. Anteriormente esperávamos que o BoJ introduzisse novos estímulos monetários em julho, mas levando em
consideração: i) o forte crescimento do PIB; ii) o facto de a variação homóloga do deflator do PIB ter deixado de ser
negativa; apenas no início do outono será mais evidente o gap entre as previsões da inflação por parte do BoJ e a
realidade. Refira-se que em abril os consumidores se mantiveram bastante apreensivos com a referida subida do IVA,
com a confiança a cair para um novo mínimo desde ago-11. Também no mesmo mês o indicador de situação corrente do
inquérito aos trabalhadores japoneses que lidam com o público (Economy Watchers) passou de um máximo histórico
deste indicador criado em 2000, para um mínimo desde nov-12. O aspeto positivo é que o respetivo índice de
expetativas recuperou de mínimos desde mar-11 (quando tinha sido fortemente penalizado pelo sismo) para máximos
desde dezembro, sugerindo, assim, uma certa resiliência da economia.
Nos
Mercados Financeiros, a semana revelou novamente uma evolução mista do sentimento global de mercado,refletindo dados económicos igualmente mistos e a ausência de grandes desenvolvimentos ao nível da crise entre a
Ucrânia e a Rússia, mas observou-se um aumento da pressão sobre os periféricos, nomeadamente em resultado de
supressas negativas ao nível dos dados do PIB, facto que contribuiu para aumentar a probabilidade de o BCE lançar
novos estímulos monetários em junho, com naturais impactos ao nível cambial e no mercado monetário. Analisando os
movimentos nos mercados financeiros, observou-se novamente um comportamento misto do sentimento de mercado,
que se refletiu em movimentos igualmente mistos, mas esta semana tendencialmente descendentes, nas classes de
ativos de risco, onde a grande exceção foi a classe de commodities. Este comportamento foi visível designadamente nas
ações, onde se registaram movimentos mistos, inclusivamente nos índices americanos, onde o índice S&P 500 ficou
inalterado, o Dow Jones corrigiu de máximos históricos, enquanto o índice Nasdaq registou uma subida. Também na
Europa não foi visível uma tendência, com uma subida no Reino Unido, mas uma descida nas ações das principais
empresas da Zona Euro (Eurostoxx 50), penalizadas sobretudo pelos índices da periferia. O português PSI-20 desceu uns
intensos 5.6%, afastando-se dos máximos desde mai-11 observados 5 semanas antes e ficando em mínimos desde
meados de fevereiro. Na Ásia, as ações indianas atingiram novos máximos históricos, com as chinesas a regressarem
também às subidas, mas com as japonesas a caírem. Em resultado do aumento da aversão ao risco na Europa,
nomeadamente decorrente das supressas negativas ao nível dos dados do PIB, os spreads da dívida periférica fizeram
uma pausa no movimento descendente, destacando-se a subida na dívida grega, com a pressão sobre a dívida privada a
revelar também ligeiras subidas, acompanhando as descidas na maioria das ações na Zona Euro e o aumento da pressão
sobre os periféricos. No mercado cambial, a taxa de câmbio efetiva nominal do euro caiu pela 2ª semana consecutiva,
prejudicada pelo facto de responsáveis do BCE terem admitido o lançamento de novos estímulos monetários em junho,
um cenário que acabou também por ganhar força com os dados do PIB do 1ºT2014 para a região mais fracos que o
aguardado pelo mercado. As yields da dívida de referência evidenciaram uma tendência de descida, com maior
intensidade nos prazos mais longos, quer na Alemanha, quer nos EUA, em resultado de uma menor apetência por dívida
dos países periféricos na Zona Euro, com a dívida de referência a constituir novamente um refúgio para os investidores,
ao passo que, no MMI, as Libor do dólar mantiveram-se em mínimos históricos, com as taxas a 12 meses a fazerem
mesmo novos mínimos, tendo as Euribor descido pela 3ª semana consecutiva (nos 3 meses, pela 2ª vez em 3 semanas)
e refletindo, novamente, uma diminuição das expectativas em relação às taxas de juro. Por último, as commodities
apresentaram comportamentos ascendentes na generalidade das classes – com exceção das agrícolas –, com os índices
compósitos CRB Index e GSCI S&P a subirem, depois de 3 semanas de quedas que os tinham levado a aliviar de níveis
máximos desde set-12 e set-13, respetivamente, sendo na semana em análise suportados sobretudo pelas energéticas.
Indicadores Anunciados na Semana Passada
Fonte: Thomson Reuters.; Legenda: nsa - não ajustado de sazonalidade; sa - ajustado de sazonalidade; wda - ajustado de dias úteis; saar - taxa anualizada ajustada de sazonalidade; WoW - variação semanal; MoM - variação mensal; QoQ - variação trimestral; YoY - variação homóloga; mm3m - média móvel 3 meses.
País Data Ev ento Período Consenso Actual Anterior Rev isão
Portugal 13-MaiIPC (MoM) Apr 0.30% 0.20% 1.40% --
IPC (YoY) Apr -0.10% -0.10% -0.40% --
IPC H (MoM) Apr 0.30% 0.30% 1.40% --
IPC H (YoY) Apr -0.10% -0.10% -0.40% --
Portugal OEC D Leading Ind. Mar -- 103 102.9 102.6
15-MaiC ustos do Trabalho (YoY) 1Q -- 1.50% -0.40% 0.50%
PIB (QoQ) 1Q P 0.10% -0.70% 0.60% 0.50%
PIB (YoY) 1Q P 2.00% 1.20% 1.70% 1.50%
16-MaiC rédito ao Setor Privado Não Financeiro (YoY) Mar -- -1.5% -1.8% --
Desemprego Registado nsa Apr - - 668.023 689.825 - -
Desemprego Registado nsa (MoM) Apr - - -3.2% -1.6% - -
Desemprego Registado nsa (YoY) Apr - - -8.3% -6.1% - -
Indicador C oincidente de Atividade Económica - BdP (YoY) Apr -- 0.6% 1.2% 0.7%
Indicador C oincidente do C onsumo Privado - BdP (YoY) Apr -- 1.1% 1.6% 1.0%
Turismo - Dormidas nsa (YoY) Mar -- -0.8% 6.5% --
Espanha 13-MaiSpain OEC D Leading Ind. Mar -- 102.8 102.7 102.5
Vendas de C asas (YoY) Mar -- 22.80% -27.60% --
14-MaiIPC (YoY) Apr F 0.40% 0.40% 0.40% --
IPC C ore (YoY) Apr 0.30% 0.30% 0.00% --
IPC H (YoY) Apr F 0.30% 0.30% 0.30% --
Alemanha 13-MaiZEW (expectativa) May 40 33.1 43.2 --
ZEW (Situação Atual) May 60.5 62.1 59.5 --
14-MaiIPC (YoY) Apr F 1.30% 1.30% 1.30% --
IPC H (YoY) Apr F 1.10% 1.10% 1.10% --
15-MaiPIB nsa (YoY) 1Q P 2.50% 2.50% 1.30% --
PIB sa wda (QoQ) 1Q P 0.70% 0.80% 0.40% --
PIB sa wda (YoY) 1Q P 2.20% 2.30% 1.40% --
F rança 12-MaiIndicador Sentimento Industrial - Banco de França Apr 99 98 99 --
14-MaiIPC (YoY) Apr 0.90% 0.70% 0.60% --
IPC H (YoY) Apr 0.90% 0.80% 0.70% --
15-MaiPIB (QoQ) 1Q P 0.10% 0.00% 0.30% 0.20%
PIB (YoY) 1Q P 0.90% 0.80% 0.80% --
16-MaiVariação do Emprego Privado por conta de outrem não-agrícola (QoQ) 1Q P -0.10% -0.10% 0.10% --
Itália 13-MaiIPC H (YoY) Apr F 0.60% 0.50% 0.60% --
14-MaiDívida Pública Mar -- 2119.9B 2107.2B --
15-MaiPIB sa wda (QoQ) 1Q P 0.20% -0.10% 0.10% --
PIB sa wda (YoY) 1Q P -0.10% -0.50% -0.90% --
Zona Euro 13-MaiLeading Indicators OC DE Mar -- 101.2 101.1
ZEW (expectativa) May -- 55.2 61.2 --
14-MaiProdução Industrial exc C onstrução sa (MoM) Mar -0.30% -0.30% 0.20% --
Produção Industrial exc C onstrução wda (YoY) Mar 0.90% -0.10% 1.70% --
15-MaiIPC (YoY) Apr F 0.70% 0.70% 0.70% --
IPC C ore (YoY) Apr F 1.00% 1.00% 1.00% --
PIB sa (QoQ) 1Q A 0.40% 0.20% 0.20% --
PIB sa (YoY) 1Q A 1.10% 0.90% 0.50% --
16-MaiBalança C omercial Mar 16.0B 17.1B 13.6B 14.2B
Balança C omercial sa Mar -- 15.2B 15.0B --
Registos Automóveis na UE-27(YoY) Apr -- 4.60% 10.60% --
Registos Automóveis Novos de Passageiros (YoY) Apr -- 2.8% 5.5% --
R. Unido 13-MaiReino Unido OEC D Leading Ind Mar -- 101 101.1
14-MaiBanco de Inglaterra - Relatório de Inflação - -
Remunerações Médias Semanais 3M/YoY Mar 2.10% 1.70% 1.70% --
Taxa Desemprego sa (mm3m) Mar 6.80% 6.80% 6.90% --
Tx. Desemprego Registado (Benef. Subs. Desemp.) Apr 3.30% 3.30% 3.40% --
Variação Desemprego Registado (Benef. Subsídio Desemp.) Apr -30.0K -25.1K -30.4K -30.6K
Variação do Emprego (3M/3M) Mar 248K 283K 239K --
EUA 12-MaiSaldo Orçamental (Mensal) Apr $114.0B $106.9B $112.9B --
13-MaiEUA OEC D Leading Ind. Mar -- 100.4 100.5 100.4
Índice Preços Importações (MoM) Apr 0.30% -0.40% 0.60% 0.40%
Índice Preços Importações (YoY) Apr 0.30% -0.30% -0.60% --
NFIB Small Business Optimism Apr 94.5 95.2 93.4 --
Stocks Empresariais (MoM) Mar 0.40% 0.40% 0.40% 0.50%
Vendas a Retalho - nominais sa (MoM) Apr 0.40% 0.10% 1.10% 1.50%
Vendas a Retalho excl. Automóveis - nominais sa (MoM) Apr 0.60% 0.00% 0.70% 1.00%
Vendas a Retalho excl. Automóveis e Gasolina sa (MoM) Apr 0.50% -0.10% 1.00% 1.40%
Vendas Ret .excl. Auto., Gas. e Mat. C onstr. (MoM) Apr 0.50% -0.10% 0.80% 1.30%
14-MaiIPP (MoM) Apr 0.20% 0.60% 0.50% --
IPP (YoY) Apr 1.70% 2.10% 1.40% --
IPP exc alimentação e energia (MoM) Apr 0.20% 0.50% 0.60% --
IPP exc alimentação e energia (YoY) Apr 1.40% 1.90% 1.40% --
15-MaiC onfiança do C onsumidor (Bloomberg; anterior ABC ) May 11 -- 34.9 37.1 --
IPC (MoM) Apr 0.30% 0.30% 0.20% --
IPC (YoY) Apr 2.00% 2.00% 1.50% --
IPC C ore (MoM) Apr 0.10% 0.20% 0.20% --
IPC C ore (YoY) Apr 1.70% 1.80% 1.70% --
NAHB - Índice C onfiança na C onstrução de Habitações May 49 45 47 46
NY Fed - Empire Manufacturing May 6 19.01 1.29 --
Pedidos Subsídio de Desemprego - Acumulado May 3 2690K 2667K 2685K 2676K
Pedidos Subsídio de Desemprego - Novos May 10 320K 297K 319K 321K
Philadelphia Fed. May 14 15.4 16.6 --
Prod. Ind. Transformadora (MoM) Apr 0.30% -0.40% 0.50% 0.70%
Produção Industrial sa (MoM) Apr 0.00% -0.60% 0.70% 0.90%
Taxa de Execução de Hipotecas (MBA) 1Q -- 2.65% 2.86% --
Taxa de Incumprimento C rédito Hipotecário (MBA) 1Q -- 6.11% 6.39% --
Utilização C apacidade Instalada Apr 79.10% 78.60% 79.20% 79.30%
16-MaiC onfiança do C onsumidor (Univ. Michigan) May P 84.5 81.8 84.1 --
Fogos Iniciados (MoM) Apr 3.60% 13.20% 2.80% 2.00%
Fogos Iniciados saar Apr 980K 1072K 946K 947K
Licenças de C onstrução (MoM) Apr 1.30% 8.00% -2.40% -1.10%
Licenças de C onstrução saar Apr 1010K 1080K 990K 1000K
Japão 12-MaiFalências (YoY) Apr -- 1.66% -12.37% --
Inquérito Eco Watchers: Expetativas Apr 40 50.3 34.7 --
Inquérito Eco Watchers: Situação Atual Apr 45 41.6 57.9 --
13-MaiJapão OEC D Leading Ind. Mar -- 101 101.2 101.1
M3 (YoY) Apr 2.80% 2.80% 2.90% --
14-MaiÍndice de Preços nas Empresas - Bens Domésticos (MoM) Apr 2.80% 2.80% 0.00% --
Índice de Preços nas Empresas - Bens Domésticos (YoY) Apr 4.00% 4.10% 1.70% --
15-MaiC onfiança do C onsumidor sa Apr 36.7 37 37.5 --
Deflator PIB (YoY) 1Q P -0.10% 0.00% -0.30% -0.40%
Índice Setor Terciário (MoM) Mar 2.20% 2.40% -1.00% -0.90%
PIB (QoQ) 1Q P 1.00% 1.50% 0.20% 0.10%
PIB Anualizado (QoQ) 1Q P 4.20% 5.90% 0.70% 0.30%
PIB Nominal (QoQ) 1Q P 1.00% 1.20% 0.30% 0.20%
16-MaiProdução Industrial nsa (YoY) Mar F -- 7.40% 7.00% --
Produção Industrial sa (MoM) Mar F -- 0.70% 0.30% --
Utilização C apacidade Instalada Mar -- 0.40% -2.60% --
Brasil 15-MaiVendas a Retalho - reais (MoM) Mar 0.00% -0.50% 0.20% 0.00%
Vendas a Retalho (YoY) Mar -0.30% -1.10% 8.50% 8.70%
Vendas a Retalho Alargadas (YoY) Mar -4.50% -5.70% 8.40% 8.20%
16-MaiÍndice de Atividade Económica nsa (YoY) Mar 0.13% -0.09% 4.04% --
Índice de Atividade Económica sa (MoM) Mar -0.10% -0.11% 0.24% 0.02%
China 12-MaiEmpréstimos Agregados Apr 1475.0B 1550.0B 2070.0B 2070.9B
M2 (YoY) Apr 12.20% 13.20% 12.10% --
Novos Empréstimos em moeda nacional Apr 800.0B 774.7B 1050.0B --
13-MaiC hina OEC D Leading Ind. Mar -- 100.2 100.3 100.2
Investimento em Ativos Fixos Urbanos (YTD YoY) Apr 17.70% 17.30% 17.60% --
Produção Industrial (YoY) Apr 8.90% 8.70% 8.80% --
Produção Industrial (YTD YoY) Apr 8.70% 8.70% 8.70% --
Vendas a Retalho - nominais (YoY) Apr 12.20% 11.90% 12.20% --
Vendas a Retalho - nominais (YTD YoY) Apr 12.00% 12.00% 12.00% --
Rússia 12-MaiBalança C omercial (USD) Mar 18.5B 19.7B 12.4B --
Exportações (USD) Mar 44.8B 46.9B 36.5B --
Importações (USD) Mar 26.9B 27.1B 24.1B --
13-MaiRússia OEC D Leading Ind. Mar -- 99.2 99.4
Vendas de Veículos Novos Ligeiros Apr -2% -8% 0% --
15-MaiBudget Level (Year to date) Apr -- 67.1B 110.1B --
PIB (YoY) 1Q A 0.70% 0.90% 2.00% --
Índia 12-MaiIPC (YoY) Apr 8.50% 8.59% 8.31% --
Produção Industrial (YoY) Mar -1.50% -0.50% -1.90% -1.80%
13-MaiÍndia OEC D Leading Ind. Mar -- 97.7 97.6 97.7
15-MaiÍndice Preços Grossistas (YoY) Apr 5.70% 5.20% 5.70% --
OCDE 13-MaiOC DE - OEC D Leading Ind. Mar -- 100.6 100.7 100.6
EUA – Recuperação do ímpeto de crescimento em curso…
Os dados divulgados durante a última semana parecem ter continuado a corroborar a tese da Fed de que o abrandamento económico em dezembro e janeiro se deveu, sobretudo, às condições meteorológicas adversas, pelo que a desaceleração da economia no 1ºT2014 terá sido pontual, daí que a autoridade monetária, na reunião do próximo mês (18-jun), deva prosseguir com a redução do ritmo de compras mensais de dívida pública e privada ligada ao imobiliário, para terminar este processo no final do ano, à medida que as expetativas de aceleração da economia e do emprego se forem materializando e no quadro de crescimentos dos preços mais em linha com o objetivo.
Na realidade, mesmo no
1ºT2014, tinham sido visíveisleituras dos indicadores compósitos e de confiança relativamente robustas e sugerindo mesmo uma aceleração do crescimento, mas tendo a economia acabado por crescer uns meros 0.1% anualizados (devido justamente ao mau tempo).
Relativamente ao
mercado de trabalho, depois doemprego no setor privado em abril ter acelerado, a descida na última semana dos
novos pedidos de subsídio de desemprego para novos mínimos desde mai-07 sinalizauma criação do emprego em maio entre 200 e 220 mil (setor privado), pelo que no 2ºT2014 a criação de empregos deverá ultrapassar os 600 mil pela 1ª vez em 4 trimestres e poderá atingir os 700 mil.
Entre os indicadores compósitos, o
indicador avançado da OCDE (CLI) desceu em março numericamente pelo 6ºmês consecutivo, mas encontrando-se apenas 0.2 pontos abaixo dos máximos desde mai-08 observados em set-13, sinalizando um crescimento acima da média de longo- prazo pelo 16º mês consecutivo.
-10 -8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8
1994:
Q2 1996:
Q2 1998:
Q2 2000:
Q2 2002:
Q2 2004:
Q2 2006:
Q2 2008:
Q2 2010:
Q2 2012:
Q2 2014:
Q2
PIB - QoQ Anualiz. (esc. esq.)
Montepio US Indicator Quarterly Average (esc.dir.) EUA - PIB (QoQ) Anualized vs Montepio US Indicator
Previsão - 2Q14 YoY:2.6/QoQ Anz:3.5 Un: %
A
confiança nas pequenas empresassubiu bem mais do que o esperado em abril, atingindo o nível mais elevado desde out-07, mas sugerindo uma subida anualizada do PIB de apenas 1.7% no 2ºT2014, aquém do nosso cenário de o PIB crescer mais de 3%, como de resto tem vindo a
suceder ao longo do atual período de expansão iniciado no 3ºT2009, já que as empresas foram forçadas a cortar nas suas margens para conseguirem vender mais, num contexto em que o emprego, ao contrário da atividade económica no seu geral, ainda não recuperou das perdas da Grande Recessão (ainda que devido apenas ao setor público, tendo o setor privado atingido finalmente máximos históricos em março). Já as maiores empresas têm conseguido aproveitar, por um lado, os mercados de exportação (apesar dos fracos crescimentos de 2012 e 2013, a economia mundial cresceu a um ritmo superior ao da economia americana, suportada pelas economias emergentes), por outro lado, as suas operações no exterior têm contribuído para que os seus resultados tenham crescido acima do crescimento da economia dos EUA.
Ao nível da
confiança dos consumidores, os primeirosdados para maio revelam leituras mistas (subida do indicador da RBC; mas quedas dos indicadores da IBD, da
Bloomberg e do mais mediáticoda
Universidade de Michigan), mas esperando-se que na totalidade do2ºT2014 se observe uma nova melhoria da confiança, recuperando finalmente da queda do 4ºT2013, acompanhando a esperada aceleração da economia e do emprego. Efetivamente, no 1ºT2014, o nosso
indicador compósito para a confiança dos consumidoresobtido através da média ponderada dos 5 principais indicadores de confiança dos consumidores – sinalizava um crescimento anualizado de 2.5% do consumo, mas este acabou por crescer 3.0%. Para o 2ºT2014, o indicador sinaliza um crescimento de 2.7%, mas prevendo-se que o consumo cresça novamente na ordem dos 3%, apontando- se para um crescimento entre 2.6% e 3.4%, com o centro do intervalo de previsão a situar-se acima da média dos crescimentos trimestrais de 2013 (+2.3%) e em linha com a mediana dos crescimentos dos últimos 40 anos (+3.0%).
Refira-se que em abril as vendas a retalho subiram 0.1%
(consenso: +0.4%; anterior: +1.5%, revisto de +1.1%), mas apresentando uma significativa aceleração no 2ºT2014, depois de no 1ºT2014 terem sido prejudicadas pelo mau tempo. Daí que, como referido, o consumo deva, pelo menos, manter o ritmo de crescimento do 1ºT2014 (+3.0%), mas desta feita apoiado pelo aumento do consumo de bens, já que o consumo de serviços deverá abrandar, nomeadamente com a componente de energia a cair (como ficou patente na forte queda da produção de utiliites em abril), já que no 1ºT2014 estivera empolada por um consumo anormalmente elevado, resultante das condições meteorológicas adversas.
A referida forte descida na produção de utilities (-5.3%) juntou-se à queda da
produção na indústria transformadora, mais do que anulando o crescimento na indústria extrativa e conduzindo a uma inesperadadescida de 0.6% da produção industrial em abril. Note- se, no entanto, que apesar da queda mensal, o crescimento anualizado nos últimos três meses da produção na indústria transformadora passou de 5.5%
para 7.6%, o que associado à melhoria dos indicadores
qualitativos para o setor sugere que, depois de no 1ºT2014
ter-se observado um abrandamento (sobretudo devido ao
mau tempo), se observe uma ligeira aceleração da produção industrial no 2ºT2014. Refira-se que, já em maio, a atividade das fábricas na região de
Filadélfiasurpreendeu o mercado pela positiva, desacelerando menos do que o esperado, mantendo-se praticamente a crescer ao maior ritmo desde set-13. Por outro lado, na região de Nova Iorque acelerou mais do que o esperado, sinalizando o maior crescimento desde jun-10 e com as perspetivas para os próximos 6 meses a atingir máximos desde fev-12.
No imobiliário, os fogos iniciados subiram em abril pelo 3º mês consecutivo, para um máximo desde nov-13, quando se situaram no nível mais elevado desde fev-08, com as quedas de dez-13 e jan-14 a deverem-se, em grande medida, a condições meteorológicas adversas. As
licenças de construção atingiram o nível mais elevadodesde jun-08 e ficando acima dos fogos. A confiança dos
construtores em maio desceu para mínimos desde mai-13, mas a associação de construtores (NAHB) veio referir que o sentimento dos construtores está a alinhar-se com uma realidade do mercado de uma contínua, mas modesta, recuperação. No entanto, os construtores expressaram algum otimismo de que as vendas acelerem nos próximos meses, à medida que “os consumidores se sintam mais seguros relativamente à sua situação financeira". Note-se que, apesar da queda, a confiança está em níveis compatíveis com um nº de fogos iniciados 14% superior ao observado em abril, sinalizando também subidas nas vendas de casas novas bem superiores (65% acima).
Assim, estima-se um regresso ao crescimento do
investimento em construção residencial no 2ºT2014.A propósito do imobiliário refiram-se os últimos dados sobre o incumprimento no setor, com a
taxa de incumprimento hipotecário a descer no 1ºT2014 paramínimos desde o 4ºT2007, enquanto a taxa de execução
de hipotecasdesceu para mínimos desde o 1ºT2008, tendo nos últimos trimestres deixado de ser o principal constrangimento para a recuperação do imobiliário.
Na vertente dos
preços, a política monetária aindaaltamente expansionista continua a ser facilitada pela ausência de pressões inflacionistas, com a inflação importada a contribuir ademais para uma redução dos preços face a igual período de 2013, com o
índice de preços de importações a apresentar em abril umadescida mensal de 0.4% e uma queda homóloga de 0.3%, claramente aquém da tendência histórica, facto que continua a permitir à Fed manter elevados estímulos monetários. Note-se, no entanto, que os riscos de estarmos perante um período de inflação bem abaixo do desejável têm vindo a diminuir, acompanhando a própria redução do excesso de capacidade instalada na economia.
A este propósito, o índice de preços no produtor (IPP) subiu 0.6% em abril, mais do que o esperado (consenso:
+0.2%) e em aceleração face aos 0.5% do mês anterior, crescendo 2.1% face a 2013 (+1.4% no mês anterior), mas com o IPP core a revelar uma menor aceleração do crescimento homólogo, de 1.4% para 1.9%, neste caso ficando abaixo do objetivo da Fed de 2.0% para o crescimento do deflator do consumo privado. Por sua vez,
a variação homóloga do
índice de preços no consumidor (IPC) acelerou em abril de 1.5% para 2.0%,um máximo desde jul-13, afastando-se dos 1.0% de out- 13 (mínimo desde out-09) e ficando colado ao referido target de 2%, embora com o crescimento homólogo do
IPC core a apenas acelerar de 1.7% para 1.8%.Ao nível da política orçamental, em abril observou-se um excedente da execução orçamental inferior ao do ano anterior, o qual foi o mais elevado para um mês de abril desde o ano 2008, sendo este o 2º mais elevado desde então. Continuam, assim, a ser visíveis progressos na
consolidaçãodas contas públicas, ademais que nos 7 primeiros meses do atual ano fiscal regista-se, em termos acumulados, um défice inferior em 37.2% ao que se verificava no período homólogo do ano anterior (-31.0%
até março), com a despesa a cair 2.4% (-3.5% até ao mês anterior) e a receita a aumentar 8.2% (+10.4% até ao mês anterior). É assim visível um comportamento de fundo de clara melhoria nas finanças públicas com o CBO e o FMI a preverem que este ano se vai observar o menor défice em 7 anos. O corte nos gastos do Governo federal, conhecido como sequestro, e o aumento das receitas, ajudou os EUA a receber elogios do FMI em abril, na medida em que a maior economia do mundo conseguiu reduzir o défice no último ano fiscal para menos de metade do que foi em 2009. Trata-se de uma mudança de tom desde a última apreciação do FMI em out-13, quando havia um risco de entrada em incumprimento por parte dos EUA devido ao impasse no Congresso. O FMI considera que o acordo subsequente para o orçamento do atual ano fiscal
"reduziu substancialmente as incertezas de curto prazo".
Mas também não deixou de alertar que ainda falta encontrar “um plano abrangente a médio prazo que coloque a dívida e as finanças públicas numa trajetória sustentável”, porquanto, na ausência de um plano, projeta que a dívida pública atinja 106.7% do PIB em 2019 (o último ano do horizonte de previsão), acima dos 104.5%
de 2013.
0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0
66 68 70 72 74 76 78 80 82
2004:042005:042006:042007:042008:042009:042010:042011:042012:042013:042014:04 IPC Core - Variação Homóloga (esc. esq.)
EUA - Utilização da Capacidade Instalada (esc. dir.) EUA - Inflação (Core) e Utilização da Capacidade Instalada
Un: % Un: %
Aconteceu na semana passada… nos EUA Emprego
O número de novos pedidos de subsídio de desemprego desceu mais do que o esperado na semana terminada em 10 de maio, de 321 mil para 297 mil (consenso: 320 mil), caindo para um nível mínimo desde mai-07 (meio ano antes do início da última recessão). Note-se que os pedidos de subsídio de desemprego são bastante voláteis, pelo que importa olhar para a média móvel de 4 semanas (mm4s), que já mesmo no final de 2012 apresentava leituras consistentes com os fundamentos económicos e que desceu após 3 subidas semanais consecutiva, aproximando-se dos 312 mil registados 4 semanas antes, que são um mínimo desde out-07. Ao descer de 325 mil para 323 indivíduos, a variável encurtou ligeiramente a distância face à barreira psicológica dos 300 mil, sinalizando uma criação de postos de trabalho no setor privado entre 200 e 220 mil em maio, valores inferiores aos 273 mil criados em abril (o total do emprego não-agrícola subiu igualmente 288 mil naquele mês). Importa contudo ter em mente que os novos pedidos de subsídio de desemprego refletem sobretudo os despedimentos, sendo que ao nível das contratações os dados têm-se revelado mais fracos. O último dado quantitativo disponível revelou que no trimestre terminado em março as ofertas de emprego subiram para muito perto do máximo desde mar-08 registado em nov-13. Já em maio, ao nível dos indicadores qualitativos da indústria transformadora, os indicadores regionais de emprego, em média, estão a subir, sinalizando uma aceleração do emprego do setor neste mês.
A fraca criação de empregos em janeiro (+144 mil), acabou por ser determinante para que se observasse um abrandamento no 1ºT2014 (+569 mil), ficando, assim, aquém dos 600 mil. Em todo o caso, pelo 6º trimestre consecutivo, a criação de empregos situou-se acima da média durante os dois anteriores períodos de expansão (+503 mil), esperando-se que no 2ºT2014 esse valor seja batido. Note- se que caso em maio e junho a criação de empregos fosse idêntica à de abril – uma hipótese que nos parece neste momento demasiado otimista –, no trimestre seriam criados 864 mil empregos, ao maior ritmo desde o 1ºT2006. Em todo o caso, um valor na ordem dos 700 mil parece agora atingível, ademais que os novos pedidos de subsídio de desemprego sinalizam uma criação de empregos superior a 200 mil.
Apesar de, como referido anteriormente, a criação de postos de trabalho nos últimos trimestres ser consistente com crescimentos razoáveis do PIB, trata-se de crescimentos do emprego moderados (ainda que as perspetivas sejam de que no atual trimestre esse ritmo já seja relativamente robusto) comparativamente a outros períodos de expansão e, sobretudo, comparativamente à velocidade da perda de empregos registada durante a Grande Recessão. Este facto acaba assim por continuar a corroborar a manutenção de estímulos por parte da Fed, não obstante a autoridade ter vindo em 30-abr, pela 4ª reunião consecutiva, anunciar que irá continuar a reduzir ligeiramente o ritmo de compras mensais de dívida pública e de dívida privada, em resultado dos sinais de aceleração da atividade económica e da redução do desemprego. Os comunicados da Fed têm considerado que o abrandamento da economia e do emprego no início do ano se deve ao mau tempo – sendo que este relatório do emprego corrobora essa tese –, pelo que a Fed deverá prosseguir com a redução das compras mensais de dívida na reunião de junho, devendo terminar o processo no final de 2014, à medida que ao longo do ano vários dos objetivos forem sendo alcançados. Durante a conferência de imprensa da penúltima reunião, a Presidente da Fed referiu que a primeira subida de taxa poderá ocorrer cerca de 6 meses depois do programa de compra de dívida estar concluído, ou seja, a primeira subida poderá vir a ocorrer entre abril e junho de 2015 (no pressuposto que a Fed deixa de comprar divida a partir de outubro ou dezembro deste ano). Estas declarações de Yellen assustaram os mercados (que esperavam uma subida um pouco mais tarde), mas acabam por ser consistentes com o facto da maioria dos responsáveis da Fed esperarem agora que a taxas dos fed funds feche 2015 em 1.00%, o que pressupõe 3 subidas de taxas de 0.25%.
Em todo o caso, entretanto, Yellen salientou que não existe nenhum calendário para a retirada de estímulos e para a subida de taxas, estão condicionais à evolução da economia.
24 28 32 36 40 44 48 52 56 60
64 280
320 360 400 440 480 520 560 600 640 680
2004 :05
2005 :05
2006 :05
2007 :05
2008 :05
2009 :05
2010 :05
2011 :05
2012 :05
2013 :05
2014 :05
Índice Regionais de Emprego - média 7 (esc. esq.)
Novos Pedidos Subsídio Desemprego - Média 4 Semanas (esc. dir.) EUA - Índice Regionais de Emprego vs Pedidos Semanais
Un: Índice Un: Milhares (escala invertida)
-1,200 -1,000 -800 -600 -400 -200 0 200 400 600
800 280
320 360 400 440 480 520 560 600 640 680
2004:
05 2005:
05 2006:
05 2007:
05 2008:
05 2009:
05 2010:
05 2011:
05 2012:
05 2013:
05 2014:
05
Variação do Emprego Não-Agrícola
Pedidos Subs. Desemprego - MM 4 Semanas - esc dir. e invertida EUA - Variação do Emprego Não-Agrícola vs Pedidos Semanais
Un: 10^3 Empregos Un: 10^3 Empregos
Confiança dos Consumidores
A estimativa preliminar de maio do indicador de confiança dos consumidores da Universidade de Michigan apontou para uma inesperada descida, de 84.1 para 81.8 pontos (consenso: 84.5 pontos), corrigindo de um máximo desde jul-13, quando se situou no nível mais elevado desde jul-07 (antes da economia ter entrado na anterior recessão). Em outubro, com 73.2 pontos, o indicador tinha descido para um mínimo desde dez-12. Se olharmos para os seus habituais determinantes, vemos que a confiança dos consumidores encontra-se aquém dos fundamentais económicos, não obstante o “valor fundamental” do indicador de confiança ter observado também uma descida, refletindo sobretudo a desaceleração dos indicadores relativos aos preços das ações e aos preços das casas. Os indicadores relativos ao emprego revelaram um comportamento positivo, já que, por um lado, a taxa de desemprego desceu, no bimestre mar/abr, e, por outro, assistiu-se a uma maior criação do emprego. Também a condicionar a confiança esteve a aceleração da inflação mensal em abril, resultante do crescimento dos preços da gasolina, cujo índice é um dos mais sensíveis para os consumidores e que mais impacto tem – ainda que enviesadamente – nas suas expetativas de inflação. Em todo o caso, as expectativas de inflação para o horizonte de 12 meses mantiveram-se em 3.2%, em máximos desde set-13, mantendo a distância face aos 2.9% registados em nov-13, que são um mínimo desde out-10. No entanto, as expectativas para o horizonte de 5 anos desceram de 2.9% para 2.8%, ficando 0.1 p.p. acima do registo de dez-13, quando caíram para mínimos desde mar-09 (se bem que partilhado com vários meses).
Esta descida do indicador de Michigan resultou de comportamentos descendentes nas duas componentes, com a relativa às expectativas a cair pela 2ª vez em 3 meses, corrigindo de máximos desde jul-13, afastando-se, assim, do registo de jun-13, quando atingiu máximos desde out-12, que é a leitura mais elevada desde jul-07. Por seu lado, a componente que mede a situação corrente caiu após duas subidas consecutivas, aliviando de um máximo desde jul-07, encontrando-se desde nov-11 acima do limiar que historicamente é consistente com acréscimos no consumo privado.
Indicador compósito
O índice da Universidade de Michigan foi o 4º indicador a ser conhecido para o mês de maio, com as indicações a serem mistas (queda do indicador da IBD, da Bloomberg e da Universidade de Michiga; subida do índice da RBC), mas, em média, negativas, ainda que se perspetive que na totalidade do 2ºT2014 se observe uma nova melhoria da confiança dos consumidores, recuperando finalmente da queda do 4ºT2013, acompanhando a esperada aceleração da economia e do emprego.
O indicador da IBD/TIPP desceu em maio, anulando grande parte da subida de abril e corrigindo de um máximo desde jun-13, continuando a ser o indicador de confiança dos consumidores que revela um maior pessimismo.
O indicador da RBC subiu pela 4ª vez em 6 meses, aproximando-se da leitura de março, que juntamente com o de junho, consiste no valor mais elevado desde dez-07, ou seja, uns meses antes de ser conhecida a falência da Lehman Brothers.
O indicador da Bloomberg O indicador de confiança dos consumidores divulgado pela Bloomberg desceu no 2º registo semanal de maio, de 37.1 para 34.9, a 2ª descida consecutiva após 3 subidas, corrigindo de um máximo desde os 38.3 pontos registados na última semana de jul-13, quando se situou no valor mais elevado desde jan-08, no início da anterior recessão.
Em termos médios mensais, observa-se também um decréscimo, grosso modo anulando a subida do mês anterior, fazendo uma pausa no movimento de recuperação dos mínimos desde out-12 registados em out-13 e que culminaram em abril no nível mais elevado desde dez-07. Verificam-se descidas nas suas 3 componentes, com apenas a relativa ao estado da economia a anular a subida do mês anterior. A relativa à predisposição para consumir está a descer após 3 subidas consecutivas, aliviando de um máximo desde out-07. O índice relativo ao estado da economia está a aliviar de um máximo desde jul-13 (mês em que atingiu o nível mais elevado desde jan-08) e aproximando-se ligeiramente dos mínimos desde set-12 registados em out-13. O indicador referente às finanças pessoais está a corrigir de um máximo desde mar-08, tendo, em 2013, sido condicionado pelos aumentos de impostos que entraram em vigor em jan-13 (em resultado do acordo entre Democratas e Republicanos) e, a partir de meados desse ano, penalizado pela subida das taxas de juro de longo prazo de referência para as hipotecas.
Recorde-se que em abril o nosso indicador compósito para a confiança dos consumidores americanos – obtido através da média ponderada dos 5 principais indicadores de confiança dos consumidores – registou a 2ª subida consecutiva e a 5ª em 6 meses, atingindo máximos desde jun-13, que, por sua vez, é o valor mais elevado desde o início do outono de 2007.
Cenário para o consumo
No 1ºT2014, o nosso indicador compósito para a confiança dos consumidores sinalizava um crescimento anualizado de 2.5% do consumo, mas este acabou por crescer 3.0%.
Para o 2ºT2014, o indicador sinaliza um crescimento de 2.7%, mas prevendo-se que o consumo cresça novamente na ordem dos 3%, apontando-se para um crescimento entre 2.6% e 3.4%, com o centro do intervalo de previsão a situar-se acima da média dos crescimentos trimestrais de 2013 (+2.3%) e em linha com a mediana dos crescimentos dos últimos 40 anos (+3.0%). O consumo de serviços – que não está incluído nas vendas a retalho – deverá desacelerar, já que no 1ºT2014 esteve suportado pelo aumento do consumo de energia para aquecimento, mas o consumo de bens deverá acelerar, depois de no 1ºT2014 ter sido prejudicado pelas condições meteorológicas adversas.
-8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10
75 80 85 90 95 100 105 110 115 120
1994:Q2 1996:Q2
1998:Q2 2000:Q2
2002:Q2 2004:Q2
2006:Q2 2008:Q2
2010:Q2 2012:Q2
2014:Q2 Consumption - QoQ Anualiz. (esc. esq.) Consumer Confidence - Quarterly Average (esc. dir.) EUA - Consumo Anualisado (QoQ) vs Conf. Consumidor Composite
Previsão - 2Q14 YoY:2.7/QoQ Anz:2.7
Un: % Un: Indice
50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100
-4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6
2004:
05 2005:
05 2006:
05 2007:
05 2008:
05 2009:
05 2010:
05 2011:
05 2012:
05 2013:
05 2014:
05
Confiança do Consumidor Uni. Michigan - (esc. esq.) Consumo Privado (YoY) (esc. dir.)
EUA - Confiança e Consumo Privado
Un: Índice Un: %
Ind. Confiança Abr-14 Mai-14 Abr-14 Mai-14
Michigan 84.1 81.8 4.1 -2.3
Situação 98.7 95.1 3.0 -3.6
Expectativas 74.7 73.2 4.7 -1.5
EUA - Ind. Confiança Consumidor da Univ. Michigan Valor Variação
20 30 40 50 60 70 80 90 100
35.0 37.5 40.0 42.5 45.0 47.5 50.0 52.5 55.0
2011:08 2011:11
2012:02 2012:05
2012:08 2012:11
2013:02 2013:05
2013:08 2013:11
2014:02 2014:05 Conf. Board (esc. esq.) Univ. Michigan (esc. esq.) IBD/TIPP (esc. esq.) Bloomberg (esc. dir.)
EUA - Confiança dos Consumidores
Un: Índice Un: Índice
Ind. Confiança Abr-14 Mai-14 Abr-14 Mai-14
Conference Board 82.3 - -1.6 -
Bloomberg 37.9 34.9 2.9 -3.0
IBD 48.0 45.8 2.9 -2.2
Michigan 84.1 81.8 4.1 -2.3
RBC 50.0 50.1 -1.8 0.1
Valor Variação
EUA - Indicadores de Confiança dos Consumidores