UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA HIDRÁULICA E AMBIENTAL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL
RIAMBURGO GOMES DE CARVALHO NETO
ESTUDO DOS MECANISMOS ENVOLVIDOS NA SEPARAÇÃO E RUPTURA
SIMULTÂNEAS DE BIOMASSA ALGAL PELO USO DA TECNOLOGIA DE
ELETROFLOTAÇÃO POR CORRENTE ALTERNADA
RIAMBURGO GOMES DE CARVALHO NETO
ESTUDO DOS MECANISMOS ENVOLVIDOS NA SEPARAÇÃO E RUPTURA
SIMULTÂNEAS DE BIOMASSA ALGAL PELO USO DA TECNOLOGIA DE
ELETROFLOTAÇÃO POR CORRENTE ALTERNADA
Dissertação de Mestrado submetida à Coordenação do
Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil, da
Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial
para a obtenção do título de Mestre em Engenharia Civil.
Área de Concentração: Saneamento Ambiental
Orientador: Prof. Dr. André Bezerra dos Santos
Co-orientadora: Dra. Mayara Carantino Costa
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Federal do Ceará
Biblioteca de Pós-Graduação em Engenharia - BPGE
C326e Carvalho Neto, Riamburgo Gomes de.
Estudo dos mecanismos envolvidos na separação e ruptura simutâneas de biomassa algal pelo uso da tecnologia de eletroflotação por corrente alternada / Riamburgo Gomes de Carvalho Neto. – 2013.
113 f.: il. color., enc. ; 30 cm.
Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia, Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil,
Fortaleza, 2013.
Área de Concentração: Saneamento Ambiental Orientação: Prof. Dr. André Bezerra dos Santos. Coorientação: Profa. Dra. Mayara Carantino Costa.
1. Saneamento. 2. Biodiesel - Produção. 3. Microalga. I. Título.
RIAMBURGO GOMES DE CARVALHO NETO
ESTUDO DOS MECANISMOS ENVOLVIDOS NA SEPARAÇÃO E RUPTURA
SIMULTÂNEAS DE BIOMASSA ALGAL PELO USO DA TECNOLOGIA DE
ELETROFLOTAÇÃO POR CORRENTE ALTERNADA
Dissertação de Mestrado submetida à Coordenação do Curso de Pós-Graduação em Engenharia
Civil, da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial para a obtenção do título de
Mestre em Engenharia Civil.
COMISSÃO EXAMINADORA
Aprovada em:
________________________________________________
Prof. Dr. André Bezerra dos Santos (Orientador)
Universidade Federal do Ceará
________________________________________________
Dra. Mayara Carantino Costa (Co-orientadora)
Universidade Federal do Ceará
________________________________________________
Dr. Eliezer Fares Abdala Neto
Universidade Federal do Ceará
________________________________________________
Dr. Silvano Porto Pereira
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus, o grande senhor e centro da minha vida, aquele ao
qual todos os dias em minhas orações recorro para que eu possa sempre dignificar o seu santo
nome em meus estudos e trabalhos. Muito Obrigado Deus, tu és maravilhoso e tua misericórdia
infinita me trouxe a paz necessária para a concretização deste trabalho. Obrigado pela minha
Igreja Católica Apostólica Romana.
Agradeço aos meus pais, Ester e Magalhães, pelo suporte, apoio, base, alicerce e
principalmente pelo exemplo que sempre me deram de humildade, sabedoria, amor e carinho.
Sem vocês eu jamais seria o homem que sou hoje. Os amo profundamente.
A minha irmã, Maria Thereza, por todos os momentos em que perguntou se eu não
ia finalizar este trabalho. Saiba que foi estimulante todas as vezes. Obrigado maninha, te amo!
Você é a irmã perfeita e tenho muito orgulho de você.
Agradeço imensamente a minha segunda família, composta por meus tios, Hilva e
Rafael, e meus primos, Hivna e Walter. Minha dívida para com vocês será eterna e meu amor
incondicional. Vocês são dádivas de Deus na vida de qualquer um que tenham a oportunidade
de conhecê-los. Sortudo sou eu, que fui acolhido nessa família e ganhei novo pai, nova mãe e
irmãos, que considero de sangue. Espero poder retribuir tudo em dobro um dia. Amo vocês!
Obrigado aos meus avós paternos, Zelita (
in memorian) e Walter, e os maternos,
Tereza e Riamburgo (
in memorian), grandes exemplos para que toda a minha família seja
sempre muito feliz.
A minha namorada e companheira de partilhas, testemunhos, sorrisos, tristezas,
alegrias, dificuldades, Jéssica Bezerra. Sou uma pessoa muito melhor ao seu lado. Você me
ajudou a crescer e amadurecer enquanto homem, profissional e principalmente como cristão.
Obrigado também aos seus pais, Aparecida e Jaime, e ao seu irmão, Ivison, pela acolhida
sempre muito alegre em sua casa.
Obrigado a toda a minha família pelo apoio incondicional. Obrigado Paula, Marcos,
Matheus, Lucas, Tais, Hilda, Ivan, Nonó e Cadu.
Aos meus amigos da rua da Glória Anderson, Lia, Marcelo, André, Débora, Tia
Deusa, Tio Zé Carlos, Henri, Zé, Davi e Sinara, pelos quais agradeço a todos os outros. Valeu
galera!
Sarinha, Vitor, Diels, Bell, Barata, Bianca, Jerry, Karol, Mariana, Fernando, Andréia, Marcela,
Sassá, Thinayna, Benício, Kaka, Germana, Det, Aline... e muitos outros que foram
importantíssimos no meu crescimento espiritual nesses últimos anos.
Ao Marcos Felipe, meu padrinho de crisma, pessoa que me espelho como autêntico
cristão e católico, a Priscila, minha eterna coordenadora e pessoa de quem me orgulho bastante
e ao PR por ser essa pessoa sincera, amiga e cheia de alegria no coração. Enfim, agradeço ao
Lazer Espiritual por ter proporcionado a mim ser mais próximo de vocês. Isto mudou minha
vida.
A todo o Núcleo Dirigente do EJC pelo apoio sempre que necessitei. Que Deus nos
ilumine daqui até o fim da nossa missão.
Aos meus amigos da Engenharia Química Jimmy, Priscila, Federico, Daniel,
Danielle, João Carlos, Ivens, Vitor, Felipe, Davi, Pedro Felipe, Ramon, João Igor, Larissa e
Alessandra pelo exemplo de pessoas e de profissionais engenheiros que são.
A todos os amigos do Mestrado e do LABOSAN, em especial ao meu amigo Gilmar
Nascimento pelo suporte sempre que precisei, este trabalho também é seu Mestre. Obrigado Dr.
Alexandre, Daniel, Anna Patrycia, Antônio, Tais, Marina, Fernando Pedro, Paulo Igor, Ismael,
Larissa e José Pedro.
Muito obrigado também ao Dr. Eliezer Fares Abdala, por permitir explorar sua
patente, pelos grandes ensinamentos e o apoio técnico imprescindível para a concretização deste
trabalho.
Agradecimento especial a minha Co-orientadora Dra. Mayara Carantino que
sempre foi muito paciente, doce e sincera. Aprendi muito com você. Obrigado!
Ao professor Dr. André Bezerra dos Santos, meu Orientador, pelo profissional e
pela pessoa que é. Obrigado pelo apoio quando precisei, pela paciência, pelo aprendizado, pela
amizade e sinceridade. Muito Obrigado! Serei sempre grato.
Aos meus colegas da Divisão de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho
da UFC pelo suporte. Agradeço ao Dr. Marcelo, Dra. Helane, Dra. Marília, Amélia, Dra.
Helyett e Teana.
Por fim, agradeço a todos os professores do Departamento de Engenharia
Hidráulica e Ambiental, especialmente a professora Dra. Renata Mendes, minha chefe, por me
ajudar a me dedicar mais a este trabalho e por ser essa pessoa cativante, doce, alegre e
extremamente competente.
“Minha canção será para exaltar teu santo nome e
RESUMO
Dentre as diversas etapas para a transformação de microalgas em biodiesel, os processos de
separação e a ruptura celular dessa biomassa são particularmente importantes, uma vez que as
tecnologias disponíveis para este fim apresentam elevados custos, comprometendo a
viabilidade do aproveitamento energético. Este trabalho teve como objetivo geral estudar os
mecanismos envolvidos na separação e ruptura simultâneas de biomassa algal pelo uso da
tecnologia de eletroflotação por corrente alternada (EFCA), com objetivo principal de extrair o
conteúdo lipídico da biomassa algal, assim como verificar o potencial da tecnologia na remoção
de nutrientes de efluentes de lagoas de estabilização. Foram realizados ensaios de
coagulação/floculação em
jar testcom coagulantes sintéticos (FeCl
3e Al
2(SO
4)
3) e orgânicos
ferro durante o processo, cujos valores ficaram na ordem de 2,5 mg/L depois de 70 minutos de
batelada. Já para a remoção de amônia, possivelmente o mecanismo foi de oxidação indireta da
amônia através do excesso de ácido hipocloroso como a forma predominante de conversão da
mesma em nitrogênio gasoso, o qual ajuda no processo de separação. A utilização de microalgas
diretamente de lagoas de estabilização mostrou-se uma potencial alternativa aos processos de
obtenção de biomassa tradicionalmente utilizados (fotobiorreator e lagoas do tipo raceway),
sendo que a tecnologia proposta se mostrou atrativa para todos processos que demandem
separação algal.
Palavras-chave: eletroflotação, lagoas de estabilização, lipídios, microalgas, nutrientes,
ABSTRACT
Among the various steps for microalgae transformation in biodiesel, the harvesting and cell
disruption processes are particularly important, since technologies available for this purpose
have usually high costs, undermining the energy recovery viability. This work studied the
mechanisms involved in the simultaneous harvesting and cell disruption of microalgae using
electroflotation by alternating current (EFCA), as well as to investigate the system capacity on
nutrients removal from waste stabilization ponds effluents. Coagulation/flocculation tests were
performed using synthetic (FeCl
3e Al
2(SO
4)
3) and organic (Tanfloc SG e SL) coagulants to
microalgae production (photobioreactor and raceway ponds), and showed to be attractive to all
processes that demand microalgae harvesting.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1- Evolução anual do biodiesel em relação à produção, a demanda compulsória e a
capacidade nominal autorizada pela ANP no Brasil. ... 24
Figura 2 - (a) Ácido graxo saturado (C18:0 ou ácido esteárico). (b) Ácido graxo insaturado
(C18:1 ou ácido oleico) ... 26
Figura 3
–
Sistemas de produção de microalgas em larga escala. a) lagoas abertas tipo pista de
corrida (
raceway ponds); b) fotobiorreatores tubulares fechados ... 29
Figura 4
–
Sequência das etapas para transformação das microalgas em biocombustíveis ... 31
Figura 5 - Fluxograma das etapas de processamento necessárias à produção de biodiesel a partir
da biomassa microalgal ... 32
Figura 6- Diagrama esquemático dos mecanismos de extração de lipídios por solventes
orgânicos ... 44
Figura 7- Imagem de satélite da Estação de Tratamento de Esgoto da CAGECE, Aquiraz, Ceará
... 49
Figura 8 - Imagem de satélite da ETE Tupã-Mirim, Fortaleza, Ceará ... 50
Figura 9
–
Vertedor de saída da segunda lagoa de maturação da ETE Tupã-Mirim, Fortaleza,
Ceará ... 50
Figura 10
–
Aparelho de
Jar-Testutilizado nos ensaios de avaliação de coagulantes orgânicos
naturais e sintéticos na separação de biomassa algal ... 51
Figura 11 - Reator de eletroflotação por corrente alternada (EFCA) R1 ... 54
Figura 12
–
Reator de eletroflotação por corrente alternada (EFCA) R2 ... 55
Figura 13
–
Vista superior do reator de EFCA R2 e dos três conjuntos de eletrodos posicionados
no fundo do reator ... 56
Figura 14
–
Material algal flotado formado no reator de EFCA R2... 56
Figura 15
–
Reator hermeticamente fechado para captação do gás produzido no processo ... 59
Figura 16
–
Cromatógrafo Gasoso (450 CG, Varian) utilizado na presente pesquisa... 60
Figura 17
–
Liofilizador utilizado na etapa de secagem da biomassa ... 61
Figura 18
–
Efeito da dosagem de coagulantes orgânicos naturais na separação de microalgas
em ensaios de jarro ... 64
Figura 19 - Efeito da dosagem de coagulantes sintéticos na separação de microalgas em ensaios
de jarro ... 65
Figura 20
–
Diagrama de Pareto para os experimentos utilizando Tanfloc SG ... 70
Figura 22
–
Superfície de Resposta para os experimentos utilizando Tanfloc SG ... 71
Figura 23
–
Superfície de Resposta para os experimentos utilizando Tanfloc SL ... 71
Figura 24
–
Diagrama de Pareto para os experimentos utilizando Al
2(SO
4)
3... 73
Figura 25
–
Diagrama de Pareto para os experimentos utilizando FeCl
3... 73
Figura 26
–
Superfície de Resposta para os experimentos utilizando Al
2(SO
4)
3... 74
Figura 27 - Superfície de Resposta para os experimentos utilizando FeCl3 ... 74
Figura 28 - Ensaios de EFCA no reator R1: a) Efluente de lagoas de estabilização; b) Efluente
após a eletroflotação por corrente alternada e coleta do material flotado; c) Material Flotado
(Vista Frontal); d) Material Flotado (Vista Superior); ... 76
Figura 29
–
Efeito do tempo de batelada de EFCA sem o uso de coagulantes e com a aplicação
de 100 mg.L
-1dos quatro agentes de coagulação testados ... 77
Figura 30
–
Efeito do tempo de batelada de EFCA na remoção de turbidez com a aplicação de
50 e 100 mg.L
-1de Tanfloc SL e Tanfloc SG ... 78
Figura 31
–
Efeito do tempo de batelada do reator EFCA e da concentração do coagulante
Tanfloc SL na remoção de turbidez ... 81
Figura 32
–
Efeito do tempo de batelada do reator EFCA e da concentração do coagulante
Tanfloc SG na remoção de turbidez ... 81
Figura 33
–
Efeito do tempo de operação no sistema de EFCA R2 na eficiência de remoção de
clorofila-a e turbidez ... 82
Figura 34
–
Efeito do tempo de operação no sistema de EFCA R2 na eficiência de remoção de
turbidez na presença e ausência de coagulante Tanfloc SG ... 83
Figura 35 - Efeito do tempo de operação no sistema de EFCA R2 na eficiência de remoção de
clorofila-a na presença e ausência de coagulante Tanfloc SG... 84
Figura 36
–
Hidrogênio produzido no processo de EFCA utilizando efluente de lagoas de
estabilização... 85
Figura 37 - Hidrogênio produzido no processo de EFCA utilizando água potável ... 86
Figura 38
–
Perfil do potencial de oxi-redução do efluente durante a EFCA ... 88
Figura 39
–
Efeito de diferentes faixas de frequências de operação na remoção de clorofila-a e
turbidez em batelada de 20 minutos no R1 sem o auxílio de coagulantes ... 90
Figura 40
–
Efeito de diferentes faixas de frequências de operação no rendimento lipídico da
biomassa algal ... 92
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Informações dos reatores de EFCA testados ... 57
Tabela 2
–
Análise de custos com os coagulantes ... 67
Tabela 3
–
Planejamento Fatorial 2
2para otimização das condições de coagulação/floculação
em testes de jarro utilizando coagulantes orgânicos ... 69
Tabela 4
–
Valores otimizados de pH e dosagem de coagulante... 70
Tabela 5
–
Planejamento Fatorial 2
2para otimização das condições de coagulação/floculação
em testes de jarro utilizando coagulantes sintéticos ... 72
Tabela 6
–
Valores Otimizados de pH e dosagem de coagulante ... 72
Tabela 7
–
Percentual de H
2do gás produzido no reator ... 86
LISTA DE QUADROS
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ... 18
2
OBJETIVOS ... 21
2.1 Objetivo Geral ... 21
2.2 Objetivos Específicos ... 21
3
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 22
3.1 Biocombustíveis ... 22
3.1.1 Biodiesel ... 23
3.2 Microalgas ... 25
3.2.1 Microalgas em Lagoas de Estabilização ... 29
3.3 Produção de biocombustíveis de microalgas ... 30
3.3.1 Recuperação da biomassa algal ... 33
3.3.1.1 Filtração ... 34
3.3.1.2 Centrifugação ... 35
3.3.1.3 Decantação quimicamente assistida ... 36
3.3.1.4 Flotação ... 38
3.3.1.5 Eletrocoagulação-flotação ... 38
3.3.2 Desidratação da Biomassa Algal ... 40
3.3.3 Rompimento Celular ... 41
3.3.4 Extração de Lipídios ... 43
3.4 Remoção de Nutrientes ... 45
4 MATERIAL E MÉTODOS ... 48
4.1 A pesquisa ... 48
4.2 Efluentes de lagoas de estabilização utilizados ... 48
4.3 Efeito da adição de coagulantes orgânicos naturais e sintéticos na separação de
biomassa algal ... 51
4.4 Desenvolvimento dos reatores de eletroflotação por corrente alternada (EFCA) ... 53
4.5 Efeito da adição de coagulantes orgânicos naturais e sintéticos na separação de
biomassa algal em sistema de Eletroflotação por corrente alternada (EFCA) ... 57
4.6 Elucidação dos mecanismos envolvidos na separação e ruptura celular das
microalgas na EFCA ... 58
4.6.1 Formação de espécies oxidantes ... 58
4.6.2 Produção de hidrogênio ... 58
4.6.3 Avaliação de diferentes frequências de vibração ... 60
4.7 Extração de Lipídios ... 61
4.7.2 Extração do conteúdo lipídico das amostras após a EFCA ... 62
4.8 Avaliação do processo de EFCA na remoção de nutrientes ... 62
4.8.1 Efeitos de diferentes tempos de batelada na remoção de nutrientes de efluentes de lagoas de estabilização ... 62
4.8.2 Elucidação dos mecanismos envolvidos na remoção de nutrientes pela EFCA ... 62
4.8.3 Análises ... 63
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 64
5.1 Efeito da adição de coagulantes orgânicos naturais e sintéticos na separação de
biomassa algal ... 64
5.2 Efeito da adição de coagulantes orgânicos naturais e sintéticos na separação de
biomassa algal em sistema de Eletroflotação por corrente alternada (EFCA) ... 76
5.3 Elucidação dos mecanismos envolvidos na separação e ruptura celular das
microalgas na EFCA ... 84
5.3.1 Produção de Hidrogênio ... 85
5.3.2 Formação de espécies oxidantes ... 87
5.3.3 Avaliação de diferentes frequências de vibração na separação da biomassa algal e extração de lipídios ... 89
5.4 Avaliação do processo de EFCA na remoção de nutrientes ... 97
5.4.1 Efeito de diferentes tempos de batelada na remoção de nutrientes de efluente de lagoas de estabilização ... 97
5.4.2 Elucidação dos mecanismos envolvidos na remoção de nutrientes ... 101
5.4.3 Consumo energético para remoção da amônia ... 105
6 CONCLUSÕES ... 106
1
INTRODUÇÃO
A contínua exploração de reservatórios de petróleo tem levado os mesmos a uma
depleção intensa, que vem se intensificando ao longo dos últimos anos, devido a dependente
matriz energética mundial a esta fonte. Tal consumo crescente tem levado à diminuição da
oferta e a elevação dos custos do petróleo bruto, tornando a produção de combustíveis a partir
de fontes alternativas alvo de grande parte da comunidade científica ao redor do mundo
(RAWAT
et al., 2011; SMITH
et al., 2010). Além disso, as mudanças climáticas vêm se
tornando cada vez mais acentuadas, em grande parte devido ao uso continuado de combustíveis
fósseis, que liberam gases prejudiciais ao meio ambiente, como o CO
2(RAWAT
et al., 2013).
Dentre as alternativas estudadas, os biocombustíveis (incluindo bioetanol,
biometanol, bio-hidrogênio e biodiesel) são provavelmente as fontes estrategicamente mais
importantes, destacando-se como recurso energético ecologicamente correto (NIGAM;
SINGH, 2011; YUSUF; KAMARUDIN; YAAKUB, 2011).
O biodiesel, que vem se destacando de forma mais acentuada juntamente com o
bioetanol no cenário das fontes alternativas de energia, possui características semelhantes ao
óleo diesel comum. Contudo, o biodiesel diminui a emissão de fuligens, não gera óxidos de
enxofre e nitrogênio, a emissão de CO
2é compensada pela absorção durante o cultivo da
matéria-prima e ainda possui vantagens socioeconômicas, pois estimula os pequenos e médios
produtores rurais de países em desenvolvimento a investirem nas culturas de produção do
biodiesel (PARENTE, 2003). A sua produção, porém, tem como matéria-prima sementes de
oleaginosas, como a soja por exemplo, que necessitam de grandes quantidades de terras aráveis,
o que pode afetar a segurança alimentar (SINGH; NIGAM; MURPHY, 2011). Nesse cenário,
as microalgas aparecem como fontes promissoras de biodiesel, apresentando produtividade e
teor lipídico muito superiores às oleaginosas tradicionalmente utilizadas (CHISTI, 2007).
ser tratado e as condições ambientais da região de implantação do sistema. No Brasil, uma das
tecnologias mais empregadas no tratamento de efluentes são as lagoas de estabilização, que se
adequam muito bem ao clima tropical, além de serem um processo de baixa complexidade e
baixos custos de operação (VON SPERLING, 2005a).
As lagoas de estabilização realizam a depuração das águas residuárias através de
um processo natural de oxidação da matéria orgânica. Este processo resume-se a um ciclo
simbiótico entre bactérias e microalgas. As bactérias oxidam a matéria orgânica através da
respiração aeróbia, liberando assim o gás carbônico utilizado pelas microalgas como fonte de
carbono, e estas por sua vez, liberam o oxigênio necessário às bactérias, fechando assim o ciclo
natural de tratamento realizado nas lagoas de estabilização.
Contudo, a alta concentração de algas presentes nos efluentes de lagoas de
estabilização pode ocasionar diversos prejuízos aos corpos receptores relacionados ao consumo
de oxigênio, cor e turbidez, além da elevada toxicidade de algumas espécies de algas, já que as
mesmas não possuem dispositivos efetivos de separação da biomassa algal (MOTA, 1995).
Além disso, segundo Von Sperling (2005a), as lagoas de estabilização convencionais,
excetuando as lagoas de alta taxa, também não possuem uma boa eficiência na remoção de
nutrientes, o que acaba potencializando também processos de eutrofização dos corpos
receptores.
A separação das microalgas é dificultada por vários motivos, entre os quais o
tamanho reduzido das mesmas, a baixa capacidade de sedimentação, a dificuldade de
flocularem, a baixa concentração usual das mesmas, etc. Alguns métodos têm sido aplicados
para separação de microalgas, como filtração, decantação e flotação quimicamente assistidas,
centrifugação, eletrocoagulação, entre outras (RAWAT
et al., 2013).
Os sistemas de flotação podem ser por ar-dissolvido, eletroflotação (ou flotação
eletrolítica) e por dispersão de ar. A principal vantagem da flotação em relação à sedimentação
é que partículas algais pequenas ou leves que sedimentam lentamente podem ser separadas em
menor tempo (MOLINA GRIMA
et al., 2003).
Os processos pós-separação da biomassa, que incluem a secagem, a ruptura celular
e a extração dos lipídios, representam o maior gargalo econômico e de processos para
viabilização do aproveitamento energético da biomassa algal. Por este motivo, algumas
pesquisas vêm sendo realizadas na tentativa de desenvolver metodologias adequadas e
economicamente viáveis (BRENNAN; OWENDE, 2010; LEE
et al.,2010; MATA;
MARTINS; CAETANO, 2010; MCMILLAN
et al.,2013; MOLINA GRIMA
et al., 2003;
PEREIRA NETO
et al.,2013; PRABAKARAN; RAVINDRAN, 2011; SHOW; LEE;
CHANG
,2012).
2
OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
Estudar os mecanismos envolvidos na separação e ruptura simultâneas de biomassa algal pelo
uso da tecnologia de eletroflotação por corrente alternada (EFCA), com objetivo principal de
extrair o conteúdo lipídico da biomassa algal, assim como verificar o potencial da tecnologia
na remoção de nutrientes de efluentes de lagoas de estabilização.
2.2 Objetivos Específicos
Avaliar a EFCA para separação de microalgas presentes em efluentes de lagoas de estabilização
com e sem aplicação de coagulantes;
Elucidar os mecanismos envolvidos na separação e ruptura celular das microalgas na EFCA por
meio da formação de espécies oxidantes, hidrogênio e da avaliação de diferentes frequências
de vibração;
Otimizar o processo de EFCA;
Obter os conteúdos lipídios das biomassas obtidas com o reator de EFCA por meio da
metodologia de Bligh e Dyer;
3
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.1 Biocombustíveis
A preocupação do homem com o meio ambiente, especialmente em relação às
emissões gasosas do setor de transportes, a escassez do petróleo e o consequente aumento do
preço dos combustíveis convencionais levaram, ao longo das últimas décadas, os pesquisadores
ao redor do mundo a se voltarem para a descoberta e desenvolvimento de fontes alternativas de
energia, capazes de suprir as deficiências da matriz energética atual (GREENWELL
et al.,
2010).
Dentre as muitas alternativas sugeridas para a produção de energia sustentável, os
biocombustíveis, o hidrogênio, o gás natural e o gás de síntese são, provavelmente, as fontes
mais estrategicamente importantes em termos de sustentabilidade, sendo os dois primeiros
considerados os mais ecologicamente corretos, pois, além da capacidade de renovação, são
biodegradáveis e geram gases de qualidade mais aceitável (NIGAM; SINGH, 2011; YUSUF;
KAMARUDIN; YAAKUB, 2011).
Cada tecnologia tem suas vantagens e desvantagens e, dependendo da área de
aplicação, diferentes opções serão mais adequadas. Um passo importante rumo ao consumo
sustentável de energia é a utilização de tecnologias que reduzam as emissões gasosas do setor
de transportes, por exemplo, com a substituição gradual de combustíveis fósseis por
biocombustíveis (MATA; MARTINS; CAETANO, 2010).
Os biocombustíveis ou agrocombustíveis podem ser definidos como combustíveis
que contêm um teor de energia proveniente de uma fonte biológica. Nesse sentido, os
biocombustíveis são produzidos a partir de diversas fontes de biomassa, tais como materiais
vegetais, certos tipos de óleos vegetais reciclados ou resíduos dos mesmos, podendo ser
utilizados em motores de combustão interna, como complementos da gasolina ou do óleo diesel
ou, até mesmo, como substitutos destes combustíveis na sua totalidade (CASEIRO, 2011).
No Brasil, cerca de 18% dos combustíveis consumidos são renováveis. No mundo,
86% da energia vêm de fontes energéticas não-renováveis. Como pioneiro mundial no uso de
biocombustíveis, o Brasil tem, portanto, uma posição almejada por muitos países que buscam
fontes renováveis de energia como alternativas estratégicas ao petróleo (ANP, 2012a).
tecnologias que utilizam normalmente o açúcar ou amido das plantas (por exemplo: cana de
açúcar, açúcar de beterraba e mandioca) como matéria-prima para a produção de bioetanol e as
culturas de oleaginosas (por exemplo: colza, soja, girassol, óleo de palma e de mamona), para
produzir o biodiesel são conhecidos como biocombustíveis de primeira geração. Por outro lado,
biocombustíveis produzidos usando tecnologias que convertem biomassa lignocelulósica (por
exemplo: resíduos agrícolas e florestais) são chamados de segunda geração, assim como os
biocombustíveis produzidos a partir de matérias-primas avançadas (por exemplo:
pinhão-manso e microalgas) (RUTZ; JANSSEN, 2007).
A previsão é de que a produção e o consumo de biocombustíveis líquidos
continuarão aumentando nos próximos anos, porém os problemas oriundos do seu uso acabam
limitando seu potencial de crescimento enquanto fonte renovável de energia. A utilização dos
biocombustíveis de primeira geração acaba por concorrer com a produção de alimentos,
principalmente no que diz respeito ao uso de terras aráveis, além disso, as economias
emergentes possuem deficiências no gerenciamento de técnicas agrícolas, o cultivo da
matéria-prima necessita de altos requisitos de água e fertilizantes e ainda existe necessidade de
conservação da biodiversidade local (IEA, 2007).
3.1.1 Biodiesel
O biodiesel juntamente com o bioetanol são os biocombustíveis líquidos que mais
se destacam no mercado mundial atualmente. A possibilidade de substituição, parcial ou total,
do diesel convencional pelo biodiesel promoveu o desenvolvimento de tecnologias que
viabilizassem a sua produção em escala industrial (GREENWELL
et al., 2010).
Segundo Parente (2003), o uso do biodiesel como combustível possui uma série de
vantagens em relação aos combustíveis convencionais. Além de biodegradável e produzido de
materiais renováveis, o biodiesel diminui a emissão de fuligens, a sua queima não gera óxidos
de enxofre e nitrogênio, a emissão de CO
2é compensada pela absorção durante o cultivo da
matéria-prima e ainda possui vantagens socioeconômicas, pois estimula os pequenos e médios
produtores rurais de países em desenvolvimento a investirem nas culturas de produção do
biodiesel. Ademais, aumenta a vida útil dos motores a combustão, devido ao baixo teor de
enxofre e de sua boa capacidade de lubrificação (SILVA; FREITAS, 2008).
crescimento na produção e consumo do biodiesel tenha aumentado muito nos últimos anos
(TIMILSINA; SHRESTHA, 2011).
O Brasil está entre os maiores produtores e consumidores de biodiesel do mundo.
Atualmente, existem 65 produtoras de biodiesel autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo
(ANP) em operação no país, correspondendo a uma capacidade total de 20.567,76 m
3/dia. Na
Figura 1, pode-se observar o crescimento anual da produção do biodiesel, sua demanda
compulsória e capacidade nominal autorizada pela ANP no Brasil (ANP, 2012b).
Figura 1- Evolução anual do biodiesel em relação à produção, a demanda compulsória e a capacidade nominal autorizada pela ANP no Brasil.
Fonte: ANP (2012b)
Dentre as diversas matérias-primas empregadas no país para produção do biodiesel
destacam-se o óleo de soja, que corresponde a 70,63% da produção brasileira, gordura bovina
(20,88%), óleo de algodão (4,61%) e outros materiais graxos, como óleo de fritura usado,
gordura de porco, gordura de frango e óleo de canola, que juntos correspondem aos 2,48%
restantes da produção (ANP, 2012b).
Diferente dos processos largamente utilizados na produção de biodiesel, as
microalgas podem ser apontadas como excelente matéria-prima para este biocombustível, pois
apresentam elevado teor lipídico, acelerada taxa de crescimento e dispensam a utilização de
grandes extensões de terras agricultáveis, além de representarem uma potencial medida de
mitigação do CO
2atmosférico (BRENNAN; OWENDE, 2010; CHISTI, 2007).
3.2 Microalgas
As microalgas estão presentes em todos os ecossistemas existentes, e não apenas
aquático, representando uma grande variedade de espécies vivendo em uma ampla gama de
condições ambientais. Estima-se que mais de 50.000 espécies devem existir, mas apenas um
número limitado, de cerca de 30.000, foram estudadas e analisadas (RICHMOND, 2004). Estes
micro-organismos podem ser utilizados para uma ampla diversidade de aplicações, tais como
produtos farmacêuticos, alimentares, cosméticos, ração animal, como fonte de energia etc.
(MATA; MARTINS; CAETANO, 2010).
Estudos recentes indicam que o biodiesel pode ser obtido a partir de microalgas,
devido à facilidade de seu cultivo, quantidade intracelular de lipídios, viabilidade de
manipulação genética das vias metabólicas, duplicação da biomassa em um curto período de
tempo e possibilidade de controle destas condições (CHISTI, 2007).
A biomassa microalgal possui três componentes bioquímicos principais:
carboidratos, proteínas e lipídios (óleos naturais). Este último pode ser definido como qualquer
molécula biológica que é solúvel em um solvente orgânico. A maioria deles contêm ácidos
graxos e podem ser geralmente classificados em duas categorias, com base na polaridade da
molécula: apolares, que compreendem acilgliceróis e ácidos graxos livres, e polares, que podem
ser mais categorizados em fosfolipídios e glicolipídios. As microalgas utilizam lipídios apolares
principalmente para armazenamento de energia, ao passo que os polares formam membranas
celulares (HALIM; DANQUAH; WEBLEY, 2012).
saturados (Fig. 2a) e monoinsaturados (Fig. 2b), formas predominantes nas células microalgais,
os mais indicados para a produção do biodiesel (MATA; MARTINS; CAETANO, 2010).
Figura 2 - (a) Ácido graxo saturado (C18:0 ou ácido esteárico). (b) Ácido graxo insaturado (C18:1 ou ácido oleico)
Fonte: Disponível em:
<http://wikiciencias.casadasciencias.org/images/thumb/c/ca/AG_saturados_e_insaturados.png/400px-AG_saturados_e_insaturados.png> Acesso em: 18 abr. 2013 as 12:00h.
Nota: Nesta figura percebe-se que, enquanto os ácidos graxos saturados possuem uma conformação linear, os insaturados apresentam uma torção na cadeia devido à insaturação presente.
Os rendimentos de lipídios e as taxas de crescimento variam significativamente
entre espécies diferentes de microalgas, podendo o teor lipídico variar entre 2 e 77% (CHISTI,
2007; DEMIRBAS; FATIH DEMIRBAS, 2011; HALIM; DANQUAH; WEBLEY, 2012;
MATA; MARTINS; CAETANO, 2010). No quadro 1, pode-se encontrar o percentual lipídico
em peso de massa seca de algumas espécies de microalgas.
mais usada atualmente no Brasil para produção de biodiesel, que possui produtividade de 0,562
toneladas por hectare por ano, a diferença é ainda maior.
Quadro 1 - Teor lipídico de algumas espécies de microalgas
Espécie de Microalga
Classe
Teor Lipídico (% peso/peso seco)
Botryococcus braunii Chlorophyceae
25
–
75
Chlorella sp. Chlorophyceae
28
–
32
Crypthecodinium cohnii Peridinea
20
Cylindrotheca sp. Bacillariophyceae
16
–
37
Dunaliella primolecta Chlorophyceae
23
Isochrysis sp. Prymnesiophyceae
25
–
33
Monallanthus salina Xanthophyceae
>20
Nannochloris sp. Chlorophyceae
20
–
35
Nannochloropsis sp. Eustigmatophyceae
31
–
68
Neochloris oleoabundans Chlorophyceae35
–
54
Nitzschia sp. Bacillariophyceae
45
–
47
Phaeodactylum tricornutum Bacillariophyceae
20
–
30
Schizochytrium sp. Thraustochytriaceae50
–
77
Tetraselmis sueica Chlorophyceae 15
–
23Fonte: Adaptado de Chisti (2007);
Portanto, a demanda de área para produção de biodiesel de microalgas é bem
inferior à requerida por outras culturas oleaginosas, como a soja e o girassol. Além disso, as
microalgas comumente dobram sua biomassa dentro de 24 horas e seu uso para produção de
biodiesel não compromete a segurança alimentar, como ocorre com as principais
matérias-primas utilizadas. Ademais, as microalgas não necessitam de água para irrigação, podendo ser
cultivadas em pequenas áreas, em regiões inadequadas a cultura agrícola e, inclusive, em
sistemas de tratamento de esgotos (AHMAD
et al., 2011).
OWENDE, 2010). No Quadro 2 encontra-se a comparação das características de diferentes
tipos de sistemas de cultivo de microalgas.
Quadro 2– Comparativo entre fotobiorreatores e sistemas abertos para a produção de microalgas
Item de comparação
Fotobiorreatores
Sistemas abertos
Controle de contaminação
Fácil
Difícil
Risco de contaminação
Reduzido
Alto
Esterilidade
Alcançável
Nenhum
Controle do processo
Fácil
Difícil
Controle de espécies
Fácil
Difícil
Agitação
Uniforme
Baixa
Regime de operação
Batelada ou semi-contínuo
Batelada ou semi-contínuo
Razão Área/Volume
Alto (20-200 m
-1)
Baixo (5-10 m
-1)
Concentração celular
Alto
Baixo
Investimento
Alto
Baixo
Custo de operação
Alto
Baixo
Eficiência de utilização
luminosa
Alta
Baixa
Controle de temperatura
Alcançável
Difícil
Produtividade
3-5 vezes mais produtivo
Baixo
Evaporação do meio de cultura
Baixa
Alta
Fonte: SCOPARO (2010)
Atualmente, a produção fotoautotrófica é a única que é técnica e economicamente
viável em grande escala de produção de biomassa de algas. Dois sistemas foram desenvolvidos
para este tipo de produção: lagoas abertas, em especial as lagoas tipo pista de corrida (
raceway ponds) ou lagoas de alta taxa (Figura 3a), e os fotobiorreatores fechados (Figura 3b). A
viabilidade técnica e econômica de cada sistema é influenciada pelas propriedades intrínsecas
das espécies de algas utilizadas, bem como as condições climáticas e os custos de terra e água
(BOROWITZKA, 1999).
tratamento de efluentes líquidos aumenta significantemente os benefícios ambientais do
processo; (2) redução de custo com nitrogênio e fósforo, por serem nutrientes comumente
encontrados em efluentes líquidos; e (3) redução do uso de água (MATA; MARTINS;
CAETANO, 2010; QIAN
et al., 2008).
Figura 3– Sistemas de produção de microalgas em larga escala. a) lagoas abertas tipo pista de corrida (raceway ponds); b) fotobiorreatores tubulares fechados
Fonte: RAWAT et al. (2013)
Tem sido argumentado ainda que a produção de biocombustíveis em conjunto com
o tratamento de águas residuárias é a área com a mais plausível aplicação comercial em curto
prazo, já que fornece uma via para a remoção de contaminantes de efluentes, enquanto
promovem o acúmulo de biomassa para a produção de biocombustíveis (BRENNAN;
OWENDE, 2010).
3.2.1 Microalgas em Lagoas de Estabilização
O tratamento de esgotos é uma das grandes problemáticas atuais da sociedade, em
especial a brasileira, pois segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento
(SNIS), em 2010, apenas 37,9% dos esgotos gerados foram tratados (SNIS, 2010).
As lagoas de estabilização são tanques de larga dimensão, que realizam a depuração
das águas residuárias através de um processo natural de estabilização da matéria orgânica. Este
processo resume-se a um ciclo de relação simbiótica entre bactérias e microalgas. As bactérias
são responsáveis por oxidar a matéria orgânica através da respiração aeróbia, liberando por
consequência o gás carbônico utilizado pelas microalgas como fonte de carbono, e estas por sua
vez, através da fotossíntese, liberam o oxigênio necessário às bactérias para oxidação da matéria
orgânica, fechando assim o ciclo natural de tratamento realizado nas lagoas de estabilização.
Os principais tipos de lagoas de estabilização são: facultativas primária ou
secundária, de maturação, de polimento, de alta taxa, aerada facultativa ou aerada de mistura
completa. As condições de projeto, de operação e manutenção, assim como as condições
ambientais, irão determinar as espécies de microalgas e sua concentração nas diferentes lagoas
de estabilização.
Existem problemas relacionados à alta concentração de microalgas nos efluentes de
lagoas de estabilização e diversos prejuízos aos corpos receptores podem ocorrer. As
microalgas causam danos como sabor, odor, toxidez, turbidez, cor, matéria orgânica e redução
de oxigênio dissolvido (OD) dos corpos receptores. Além disso, as lagoas de estabilização
convencionais, excetuando as lagoas de alta taxa, também não possuem uma boa eficiência na
remoção de nutrientes, o que acaba potencializando também processos de eutrofização dos
corpos receptores (VON SPERLING, 2005a).
As lagoas de estabilização são, portanto, potenciais sistemas produtores de
biomassa algal, e esta por sua vez se separada e reutilizada, para produção de biocombustíveis
como o biodiesel, por exemplo, podem agregar valor ao processo e ao mesmo tempo mitigar os
efeitos do despejo das mesmas nos corpos receptores.
3.3 Produção de biocombustíveis de microalgas
A sequência do processo de transformação de microalgas em biocombustíveis é
mostrada na Figura 4.
centrifugação, filtração, eletrocoagulação, eletroflotação, entre outros (MOLINA GRIMA
et al., 2003).
Figura 4 – Sequência das etapas para transformação das microalgas em biocombustíveis
Fonte: Adaptado de Suali e Sarbatly (2012)
A biomassa recuperada pode seguir duas rotas de processos: conversão da biomassa
ou extração do conteúdo intracelular das microalgas. Se selecionada a primeira rota, a biomassa
passará por um pré-tratamento termoquímico, que pode ser de gaseificação, hidrogenação,
pirólise ou liquefação, e seus produtos, dependendo do tratamento, podem ser gás de síntese,
bio-óleo e hidrogênio. Na segunda rota, ocorre um pré-tratamento de rompimento celular, que
pode ser físico ou químico, e a posterior extração do conteúdo intracelular, que é sucedido,
então, por um tratamento bioquímico, que pode ser a transesterificação, que gerará o biodiesel,
ou a fermentação, que gerará o etanol (SUALI; SARBATLY, 2012). Na figura 5 é mostrado o
diagrama esquemático específico da produção de biodiesel proveniente de biomassa algal.
Figura 5 - Fluxograma das etapas de processamento necessárias à produção de biodiesel a partir da biomassa microalgal
Para microalgas de baixo conteúdo lipídico ainda é possível a produção de metano
a partir da fração orgânica da biomassa microalgal através de digestão anaeróbia.
A presente seção, em suas subseções, trará explanações sobre as etapas de separação
ou recuperação da biomassa algal, dando ênfase nos processos de eletroflotação e
decantação/flotação quimicamente assistidas; pré-tratamento para rompimento da parede
celular microalgal e métodos de extração do conteúdo intracelular, em especial o método de
Bligh e Dyer.
3.3.1 Recuperação da biomassa algal
A separação ou recuperação da biomassa de microalgas é uma problemática
desafiante na área de tecnologia de produção de biodiesel, principalmente devido ao tamanho
microscópico das suas células (2 - 200 µm). Além disso, os custos do processo de recuperação
são relativamente grandes, podendo chegar a contribuir potencialmente para 20-30% do total
dos custos de produção (BRENNAN; OWENDE, 2010; MATA; MARTINS; CAETANO,
2010; MOLINA GRIMA
et al., 2003).
As técnicas atualmente estudadas na separação da biomassa algal incluem métodos
químicos, mecânicos, elétricos e biológicos (DANQUAH
et al., 2009). As principais
metodologias são a centrifugação, sedimentação, filtração, decantação quimicamente assistida,
flotação e técnicas de eletroforese (CHEN
et al., 2011). No quadro 3 são apontados os prós e
os contras das principais metodologias de recuperação de biomassa algal atualmente aplicadas.
Quadro 3- Resumo dos prós e contras de técnicas que são aplicadas para a separação de biomassa microalgal (continua)
Técnica
Vantagens
Desvantagens
Filtração
Baixo custo, reúso
da água
Processo lento, incrustações e entupimento da
membrana, dano celular.
Centrifugação
Rápido, eficiente
Demanda energética alta.
Sedimentação
Baixo custo,
potencial para
reciclo da água
Processo lento, a separação depende da
densidade celular.
Decantação
quimicamente
assistida
Baixo custo, baixo
dano celular
Quadro 3-Resumo dos prós e contras de técnicas que são aplicadas para a separação de biomassa microalgal (conclusão)
Flotação por ar
dissolvido (FAD)
Baixo custo, fácil
aplicação em larga
escala
Necessidade de coagulantes, extração do
produto pode ser afetada negativamente.
Bio-floculação
Alta eficiência,
sem danos
celulares
Não reutilização da água, demanda energética
alta.
Floculação
eletrolítica
Alta eficiência
Demanda energética elevada, aumento da
temperatura pode danificar o sistema,
incrustação de cátodos.
Fonte: Adaptado de Rawat et al. (2013)
3.3.1.1 Filtração
Um processo de filtração convencional é mais apropriado para separação de
microalgas relativamente grandes (> 70 µm), não devendo ser usado para recuperar biomassa
algal de espécies que se aproximam de dimensões bacterianas (< 30 µm) (MOHN, 1980
apudBRENNAN; OWENDE, 2010). Para o bom desempenho da filtração, ocorre uma diminuição
da pressão no meio para forçar o fluido através do filtro, podendo ser conduzida por gravidade,
pressão aplicada, vácuo ou força centrífuga. Existem dois tipos principais de filtração: os filtros
de superfície, onde a biomassa fica depositada sobre o meio filtrante e os filtros de
profundidade, onde a biomassa fica depositada no interior do meio filtrante. Um dos principais
problemas associados à filtração é que as películas filtrantes são bastante finas e as microalgas
podem se ligar fortemente, sendo necessárias algumas lavagens para recuperar a biomassa, o
que resulta numa diminuição do número de células no concentrado (UDUMAN
et al., 2010).
espécies maiores, tais como
Coelastrum proboscideume
Spirulina platensis. Culturas como
Scenedesmus,
Dunaliellae
Chlorellasão mais difíceis de recuperar devido seu tamanho
reduzido (5 - 20 µm) (MATA; MARTINS; CAETANO, 2010).
Tecnologia de baixo custo, a filtração através do uso de membranas não é adequada
para processamento em larga escala devido à frequente colmatação e entupimento da membrana
e a lentidão do processo. Em comparação com a centrifugação, uma técnica bem desenvolvida,
as membranas de filtração apresentam custos operacionais mais reduzidos, que fazem a
tecnologia cada vez mais atraente. Para esta técnica ser eficaz para a recuperação de biomassa
de microalgas, é fundamental melhorar a durabilidade da membrana, o desempenho, o aumento
da escala de operação e em geral melhorar as condições do sistema (RAWAT
et al., 2013).
Segundo Mulbry
et al.(2008), a filtração não é muito aplicável à separação da
biomassa destinada ao reaproveitamento do conteúdo lipídico, uma vez que é mais adequada
para microalgas filamentosas, que apresentam baixo teor graxo.
3.3.1.2 Centrifugação
O uso de centrifugação como método de recuperação de biomassa algal é
tipicamente eficaz, embora sua aplicação em larga escala seja problemática devido ao maior
consumo de energia, o que consequentemente aumenta os custos de produção (BRENNAN;
OWENDE, 2010; MOLINA GRIMA
et al., 2003). O princípio deste método é que quando uma
força centrífuga é aplicada a uma solução ocorre a separação das fases da biomassa de
microalgas da solução aquosa.
A principal vantagem desta técnica é que a separação das células é conseguida mais
rapidamente, devido ao aumento do campo gravitacional no qual a suspensão é submetida
(RAWAT
et al., 2013). Segundo Heasman
et al. (2000), que analisaram a centrifugação de nove
cepas de microalgas quanto à recuperação e à viabilidade celular, de 13000g foi obtida uma
eficiência superior a 95%, que foi reduzida a 60% quando em 6000g e a 40% em 1300g.
3.3.1.3 Decantação quimicamente assistida
Devido ao pequeno tamanho das microalgas, a coagulação/floculação química vem
sendo estudada como uma forma de aumentar o tamanho das partículas e facilitar a remoção da
biomassa do meio (CHRISTENSON; SIMS, 2011).
Muito embora apresente elevada eficiência de remoção da biomassa, algumas
características podem ser apontadas como desvantagens do processo: grandes concentrações de
floculantes, necessárias para promoção da separação; alta produção de lodo; o processo
apresenta elevada sensibilidade ao pH; os coagulantes podem não apresentar a mesma eficiência
para todos os grupos de microalgas e a contaminação da biomassa obtida pela adição de
alumínio ou ferro pode comprometer o seu reaproveitamento (BORGES
et al., 2011; CHEN
et al., 2011; RAWAT
et al., 2013).
A separação de microalgas em escala comercial normalmente envolve o uso de
coagulantes para reduzir o tempo necessário para separação das células de algas do meio
(SUALI; SARBATLY, 2012). Os coagulantes são materiais que possuem a habilidade de
promover agregação de moléculas, geralmente através de fenômenos eletrostáticos, uma vez
que possuem cátions de elevada carga enquanto as células microalgais tendem a ser carregadas
negativamente.
O emprego de coagulantes é uma técnica bem desenvolvida para diversas
aplicações, inclusive para tratamento de água, de efluentes e da separação de biomassa algal.
As células de microalgas apresentam sobras de cargas negativas que dificultam a agregação de
suas células em suspensão. Estas cargas podem ser neutralizadas ou reduzidas pela adição de
coagulantes tais como cátions polivalentes e polímeros catiônicos. Além disso, os coagulantes
devem ser selecionados de modo a que o processamento a jusante não seja afetado
negativamente pela sua utilização. Sais de metais polivalentes são coagulantes eficazes. Os sais
normalmente utilizados incluem cloreto férrico (FeCl
3), sulfato de alumínio (Al
2(SO
4)
3) e
sulfato férrico (Fe
2(SO
4)
3). A eficiência dos eletrólitos para induzir a coagulação é medida pela
concentração crítica de coagulação, ou a concentração necessária para provocar a coagulação
rápida. A eficiência da coagulação de íons metálicos aumenta com o aumento da carga iônica
(MOLINA GRIMA
et al., 2003).
orgânicos podem ser obtidos naturalmente ou por via sintética e baseiam-se em polímeros
naturais tais como amido e tanino, enquanto coagulantes sintéticos orgânicos baseiam-se em
vários monômeros (SUALI; SARBATLY, 2012).
Para minimizar os custos com coagulantes e aumentar a eficiência dos processos de
coagulação/floculação, ensaios em escala laboratorial, chamados testes de jarro ou
jar test, são
recomendados. Estes ensaios simulam os processos de coagulação/floculação em menor escala
e possibilitam a obtenção de valores de dosagem, pH e tempo de detenção ótimos para aplicação
em escala real.
Coagulantes com pesos moleculares mais elevados são geralmente mais eficazes,
pois podem adsorver várias partículas de uma só vez, formando uma matriz tridimensional.
Quando isso ocorre, as células agregadas se tornam mais fáceis de serem recuperadas. Devido
a isso, os coagulantes mais eficazes são os polímeros, naturais ou sintéticos (SHIH
et al., 2001).
Segundo Godos
et al.(2010), que compararam dois coagulantes convencionais (FeCl
3e
Fe
2(SO
4)
3) com cinco floculantes poliméricos quanto à capacidade de remoção de biomassa
formada por microalgas e bactérias do efluente de suinocultura, foram verificadas elevadas
eficiências de remoção conseguidas pelos coagulantes convencionais em dosagens entre 150
–
250 mg.L
-1, porém os polímeros obtiveram resultados semelhantes em dosagens bastante
inferiores (25-50 mg.L
-1).
Os coagulantes/floculantes naturais, como a quitosana, os taninos vegetais, moringa
oleifera e outros, têm demonstrado vantagens em relação aos coagulantes químicos,
especificamente em relação à biodegradabilidade, baixa toxicidade e baixo índice de produção
de lodos residuais (AHMAD
et al., 2011; CHEN
et al., 2011; GODOS
et al., 2010; MOLINA
GRIMA
et al., 2003; UDUMAN
et al., 2011).
A quitosana foi estudada por Divakaran e Pillai (2002) como agente coagulante de
microalgas e a eficiência do processo foi medida através dos valores de turbidez e clorofila-a
do efluente. Os autores obtiveram cerca de 90% de eficiência de remoção de turbidez em seus
experimentos; entretanto, verificaram que o coagulante utilizado tem seu efeito dependente do
pH do meio, uma vez que em meios alcalinos, as remoções foram drasticamente reduzidas.
3.3.1.4 Flotação
A flotação é um processo de separação por gravidade, no qual bolhas de gás são
aderidas a partículas sólidas e, em seguida, arrastam-nas para a superfície do líquido (CHEN
et al., 2011). Chen
et al.(1998) observaram que a flotação é mais benéfica e eficaz do que a
sedimentação no que diz respeito à remoção de microalgas. O processo pode ser dividido em
três tipos: flotação por ar dissolvido (FAD), flotação por ar disperso e flotação eletrolítica
(CHEN
et al., 2011).
Dentre estas técnicas a flotação por ar dissolvido é a mais utilizada atualmente e
envolve a geração de bolhas finas produzidas por uma descompressão do fluido pressurizado
(GREENWELL
et al., 2010). Estas bolhas aderem aos flocos, tornando-os muito dinâmicos.
Este dinamismo faz com que atinjam a superfície do líquido rapidamente, resultando numa
espuma de células concentrada que é então removida. As principais vantagens deste método
são o custo de processo e a fácil aplicação em larga escala (plantas comerciais lidam com mais
de 10000 m
3.dia
-1). A principal desvantagem desta metodologia é devida a usual necessidade
do uso de agentes de coagulação/floculação no processo, o que pode interferir na utilização da
biomassa algal no processo a jusante (RAWAT
et al., 2013).
A flotação por ar disperso envolve a formação de bolhas por um agitador mecânico
de alta velocidade e um sistema de injeção de ar. O gás introduzido na parte inferior é misturado
com o líquido e passado através de um dispersor, que promove a criação de bolhas que variam
de 700-1500 mm de diâmetro (CHEN
et al.,2011).
3.3.1.5 Eletrocoagulação-flotação
Além disso, segundo Mollah
et al.(2004), a oxidação anódica, a redução catódica
e a migração eletroforética de íons podem também promover a remoção de poluentes.
Comparada a coagulação/floculação convencional, os coagulantes produzidos
in situna
eletrocoagulação-flotação podem oferecer muitas vantagens, tais como produção por oxidação
eletrolítica de coagulantes de elevada eficiência, fazendo assim a dosagem necessária ser menor
que de agentes de coagulação convencionais, o ajuste do pH se torna desnecessário uma vez
que a eletrocoagulação-flotação funciona bem em uma faixa ampla de pH e a alcalinidade não
é consumida durante o processo (GAO
et al., 2010).
Vários arranjos de equações são propostos para o processo de
eletrocoagulação-flotação, a depender do material do eletrodo. No quadro 4 são mostrados os mecanismos mais
frequentes.
Quadro 4– Reações que ocorrem no processo de eletrocoagulação-flotação
Material do eletrodo Eletrodo/Solução
Reação
Alumínio
Ânodo
Al → Al
3+
+3e
−2H
2O → O
2+ 4H
++4e
−Alumínio
Cátodo
2H
2O + 2e
−→ H
2+2OH
−Alumínio
Solução
Al
3++3H
2
O ↔ Al(OH)
3+3H
+Ferro
Ânodo
Fe → Fe
2+
+2e
−2H
2O → O
2+4H
++4e
−Ferro
Cátodo
2H
2O + 2e
−→ H
2+2OH
−Ferro
Solução
Fe
2++2OH
−↔ Fe(OH)
2Fonte: GAO et al. (2010)
Os ensaios de eletro-floculação têm sido reportados como de elevada eficiência na
remoção de microalgas do meio. Azarian
et al. (2007) investigaram o efeito da eletrocoagulação
em fluxo contínuo na remoção de microalgas de águas residuárias, usando eletrodos de
alumínio. Os resultados obtidos pelos autores mostraram ainda a melhora na eficiência de
remoção de clorofila-a em menores tempos, conforme foi incrementada a potência elétrica do
sistema.
Alfafara
et al. (2002) investigaram a eficiência de remoção de microalgas em um
lago eutrofizado por eletroflotação e verificaram que este método sozinho não promoveu a
completa remoção de microalgas (atingindo eficiência máxima de 40-50%), embora eles
tenham reportado a influência do menor aprisionamento das microbolhas de gases, ocorridas
quando as células estavam dispersas no meio, em comparação à formação de flocos.
O processo eletrolítico empregado neste trabalho foi baseado na geração de campo
eletromagnético uniformemente variado, compreendendo à parte do espectro eletromagnético
entre as regiões do infravermelho e micro-ondas (variando de 0 a 6000 cm
-1). Segundo
Lampman (2009), a radiação nessa faixa de energia corresponde à que engloba frequências
vibracionais de estiramento e dobramento na maioria das moléculas mais covalentes e que
possuem momento dipolo, como é o caso da molécula da água que possui modos normais de
vibração do tipo: modo de esticamento simétrico, esticamento assimétrico e o de dobramento,
com frequências da ordem de: 1,27 x 10
12KHz, 9,79 x 10
12KHz e 6,12 x 10
12KHz. Desta
forma, buscou-se neste estudo alcançar o princípio da superposição, no qual quando duas ou
mais ondas ocupam determinado espaço ao mesmo tempo, os deslocamentos causados por cada
uma delas se adicionam em cada ponto. Assim, quando a crista de uma onda se superpõe à crista
de outra, seus efeitos individuais se somam e produzem uma onda resultante com amplitude
maior. Portanto, foi promovida a elevação desta amplitude até o rompimento da ligação
covalente da molécula da água, desta forma diferenciando-se da eletrólise convencional.
O uso de eletrodos em um processo de eletroflotação por corrente alternada nunca
foi mencionado na literatura, o que demonstra a inovação e os desafios desta pesquisa. Neste
trabalho esta tecnologia será chamada, portanto, de eletroflotação não-convencional ou
eletroflotação por corrente alternada (EFCA).
3.3.2 Desidratação da Biomassa Algal
Segundo Molina Grima
et al.(2003), a recuperação do conteúdo algal geralmente
resulta em uma biomassa de concentração de 50 a 200 vezes mais alta que a inicial. A biomassa
colhida (5-15% de sólidos secos) tem que ser processada rapidamente, ou pode entrar em estado
de putrefação dentro de algumas horas. O processo de secagem depende fortemente do produto
desejado.
microalgas incluindo a secagem por pulverização (
spray drying), secagem em tambor (
drum drying), liofilização e secagem ao sol (BRENNAN; OWENDE, 2010; SINGH, NIGAM;
MURPHY, 2011).
A secagem ao sol é o método mais barato de desidratação, mas suas principais
desvantagens incluem longos períodos de secagem, a exigência de grandes superfícies, bem
como o risco de perda de material. A secagem por pulverização é geralmente utilizada para a
extração de produtos de alto valor, mas é relativamente dispendiosa e pode causar uma
deterioração significativa de alguns pigmentos de algas. Liofilização é igualmente dispendiosa,
especialmente para operações em grande escala, mas facilita a extração de óleos (BRENNAN;
OWENDE, 2010; MOLINA GRIMA
et al., 2003).
Balasubramanian, Yen Doan e Obbard (2013) testaram três diferentes metodologias
de secagem: liofilização (16 h), forno de secagem (a 60ºC, por 3 h) e secagem ao sol (30-34ºC
durante 8 h) e verificaram os efeitos destas metodologias e do método de extração no
rendimento lipídico, utilizando uma mistura de hexano: metanol (3:2, v/v), porém eles não
observaram diferenças significativas.
De uma forma geral, o processo de secagem de microalgas requer bastante energia
e tem sido relatado como o gargalo econômico na reutilização da biomassa, podendo ser
responsável por até 75% do custo total da produção dos biocompostos (SHOW; LEE; CHANG,
2013; SINGH; NIGAM; MURPHY, 2011).
3.3.3 Rompimento Celular