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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

1.0024.13.254818-1/001

Número do Númeração 2548181-

Des.(a) Raimundo Messias Júnior Relator:

Des.(a) Raimundo Messias Júnior Relator do Acordão:

15/03/2016 Data do Julgamento:

28/03/2016 Data da Publicação:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - MANDADO DE SEGURANÇA - AGRAVO RETIDO - IMPOSSIBILIDADE DE CONCESSÃO DE LIMINAR CONTRA A FAZENDA PÚBLICA(LEIS Nº 8.437/92 E 9.494/97 E AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE Nº 04/STF) - TESE AFASTADA - CONCURSO PÚBLICO - ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DE MINAS GERAIS - EDITAL Nº 02/13 - PÓS-GRAVIDEZ - REMARCAÇÃO DO TESTE FÍSICO - POSSIBILIDADE - OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA - PRECEDENTES DO STF E STJ - DIREITO LÍQUIDO E CERTO À NOVA DATA PARA REALIZAÇÃO DE TESTE FÍSICO - SENTENÇA MANTIDA PELA CONCESSÃO DA SEGURANÇA - RECURSO NÃO PROVIDO. 1. O comando previsto na Lei nº 9.494/97 e no art. 1°, § 3º, da Lei n° 8.437/92 não tem o alcance de vedar toda e qualquer medida antecipatória, em qualquer circunstância, sob pena de frustração do próprio direito, no caso, a liminar deferida visa a remarcação de exame físico, consequentemente, traduzindo na continuidade da agravada no certame, o que não esgota o objeto da demanda, sendo passível de reversibilidade. 2.

Agravo Retido não provido. 3. A definição de outra data para que a impetrante, em período de pós-gravidez, realize a prova de teste físico, não traduz tratamento arbitrário; ao revés, deriva da interpretação sistemática do princípio da razoabilidade, mercê diante dos elementos coligidos. 4. Não permitir que a impetrante realize o exame físico em momento posterior, revela situação injusta, visto que resultaria em ofensa aos princípios constitucionais que albergam a maternidade e a família, consoante arts. 6º e 226 da Constituição Federal. 5. Descabe alegar que a realização do exame físico em momento posterior resultará em prejuízo aos demais concorrentes, uma vez que a impetrante se sujeitará a todos os critérios previstos na lei do certame. 6. Precedentes do STF e do STJ. 7. Sentença confirmada. 8.

Recurso não

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provido.

V.V.: APELAÇÃO CIVEL/REEXAME NECESSÁRIO - MANDADO DE SEGURANÇA - CONCURSO PÚBLICO - PERITA CRIMINAL - EXAMES FÍSICOS - PERÍODO PUERPERAL - REMARCAÇÃO DO TESTE FÍSICO - IMPOSSIBILIDADE - SENTENÇA REFORMADA. - Prevendo o edital, expressamente, a impossibilidade de remarcação dos exames físicos, não há como autorizar a candidata grávida a fazer o teste em outra ocasião, de modo que deve ser denegado o mandado de segurança impetrado com este objetivo(Des. Hilda Teixeira da Costa).

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0024.13.254818-1/001 - COMARCA DE BELO H O R I Z O N T E - A P E L A N T E ( S ) : E S T A D O D E M I N A S G E R A I S - APELADO(A)(S): DALILA MARIA DUTRA LIMA - AUTORI. COATORA:

DIRETOR GERAL ACADEPOL ACADEMIA POLÍCIA CIVIL MINAS GERAIS A C Ó R D Ã O

Vistos etc., acorda, em Turma, a 2ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, em NEGAR PROVIMENTO AO AGRAVO RETIDO E À APELAÇÃO, VENCIDA A VOGAL.

DES. RAIMUNDO MESSIAS JÚNIOR RELATOR.

O SR. DES. RAIMUNDO MESSIAS JÚNIOR (RELATOR)

V O T O

Trata-se de Apelação Cível interposta pelo ESTADO DE MINAS GERAIS

contra a sentença proferida pelo MM. Juiz de Direito da 6ª Vara da Fazenda

Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, que nos autos do

mandado de segurança impetrado por DALILA MARIA

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DUTRA LIMA contra ato supostamente ilegal praticado pelo DIRETOR GERAL DA ACADEMIA DE POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE MINAS GERAIS, concedeu a segurança, para determinar a remarcação de data para avaliação física da impetrante, para depois do dia 20/12/2013(fls. 130/133).

Requer o impetrado, preliminarmente, a apreciação do Agravo Retido interposto às fls. 112/118. No mérito, aduz que a sentença não encontra respaldo constitucional, ao revés, viola o princípio da isonomia; que a impetrante não poderia ter obtido tratamento diferenciado de modo a realizar o exame físico em outra época; que tal decisão contraria o princípio da legalidade, na medida em que contradiz as regras do edital; que cabe ao Poder Judiciário tão-somente dizer sobre a legalidade ou não do ato, sob pena de violação do princípio da separação de poderes; que, no momento de sua inscrição no concurso, sabia das regras editalícias; logo, não possui direito líquido e certo; que quando se inscreveu já tinha conhecimento de que estava grávida e que tal estado não lhe conferiria tratamento diferenciado em relação às demais candidatas; e que não pode a conveniência da apelada sobrepor à da Administração Pública. Por fim, ressalta a necessidade de prequestionamento(fls. 134/138).

Contrarrazões(fls. 140/142).

A Procuradoria-Geral de Justiça opinou pela reforma da sentença(fls.

149/154).

É o relatório.

Conheço do recurso, uma vez presentes os requisitos de admissibilidade.

AGRAVO RETIDO

O MM. Juiz deferiu a liminar, para determinar a remarcação da data para

avaliação física da impetrante, para depois do dia 20/12/2013(fls. 96/98).

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Em razão disso, o impetrado interpôs Agravo Retido às fls. 112/118, aduzindo, em síntese, pela impossibilidade de concessão de liminar contra a Fazenda Pública(Leis nº 8.437/92 e 9.494/97 e Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 04/STF), visto que esgotará o objeto da ação; e que ausentes estão os requisitos para o deferimento da liminar.

Contraminuta(fls. 119/123).

Conheço do agravo retido, uma vez presentes os requisitos de admissibilidade.

No que se refere à tese de impossibilidade de concessão de tutela de urgência que esgote o objeto da ação, entendo que não assiste razão o agravante.

A previsão contida no art. 1º, § 3º, da Lei nº 8.437/92, refere-se às liminares satisfativas irreversíveis, ou seja, aquelas que inviabilizam o restabelecimento do "status quo ante".

No caso concreto, a liminar deferida visa a remarcação de exame físico, consequentemente, traduzindo na continuidade da agravada no certame, o que não esgota o objeto da demanda, sendo passível de reversibilidade.

Depois, registre-se que o comando previsto na Lei nº 9.494/97 e o art. 1°,

§ 3º, da Lei n° 8.437/92, não tem o alcance de vedar toda e qualquer medida antecipatória, em qualquer circunstância, sob pena de frustração do próprio direito.

Nenhuma dessas proibições é absoluta, e como restringem direitos, devem ser interpretadas de forma restritiva aos casos ali especificados.

Quanto à alegação de que não estão presentes os requisitos para o

deferimento da liminar, entendo que tal questionamento se

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confunde com o mérito do mandado de segurança, portanto, será apreciado no momento oportuno.

Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO AO AGRAVO RETIDO.

APELAÇÃO

Cinge-se a controvérsia a aferir se a impetrante possui direito líquido e certo de realizar o teste físico em outra data, em razão do seu estado de pós- gravidez(resguardo).

Segundo o art. 1º da Lei nº 12.016/2009, conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.

A impetrante pretende que seja remarcada a data para a realização dos testes físicos, em razão do seu estado de pós-gravidez(resguardo).

Dos elementos de convicção, pode-se aferir a relevância dos argumentos articulados pela impetrante, visto que sua pretensão está amparada pelo princípio constitucional da igualdade que autoriza o tratamento diferenciado àquele que se encontra em situação desigual.

E, na espécie, a definição de outra data para que a impetrante realize os

testes físicos, não traduz tratamento arbitrário, ao revés, deriva da

interpretação do princípio da razoabilidade, diante da prova acostada, qual

seja, relatório médico(fl. 93) que revela de forma inconteste que a impetrante,

na data agendada para a prova de condicionamento físico, encontrava-se

impossibilitada de "realizar atividade física neste momento: rotura pontos e

deiscência de cicatriz.".

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Nesse passo, não permitir que a impetrante realize o exame físico em momento posterior(20/12/2013), revela situação injusta, ou no mínimo desconfortável, visto que resultaria em ofensa aos princípios constitucionais que albergam a maternidade e a família, consoante arts. 6º e 226 da Constituição Federal, não se servindo de contra argumentação a tese de que está se ferindo as disposições presentes no edital nº 02/13(fls. 28/43).

Além disso, cumpre registrar que a realização do exame físico em momento posterior não resultará em prejuízo aos demais concorrentes, haja vista que a impetrante se sujeitará a todos os critérios previstos na lei do certame.

Ora, deve haver razoabilidade quando do momento da remarcação da prova de condicionamento físico, devendo ser sopesados os interesses da Administração Pública e as garantias asseguradas à impetrante, que se encontrava em período de recuperação pós-parto.

Outrossim, ressalte-se que a questão restou pacificada pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, concluindo pela possibilidade de remarcação do exame físico, no caso de gravidez, sem que isso implique em violação do princípio da isonomia.

Confira-se:

A G R A V O R E G I M E N T A L N O R E C U R S O E X T R A O R D I N Á R I O . ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CANDIDATA SUBMETIDA A T E S T E D E A P T I D Ã O F Í S I C A O N Z E D I A S A P Ó S O P A R T O . POSSIBILIDADE DE REMARCAÇÃO DO EXAME. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.(STF - RE 598759 AgR/AL - ALAGOAS - Rel.ª Ministra CÁRMEN LÚCIA - PRIMEIRA TURMA - j. 27/10/2009 - grifei);

ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. CONCURSO PÚBLICO.

POLICIAL

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MILITAR ESTADUAL. TESTE DE APTIDÃO FÍSICA (TAF). REMARCAÇÃO POR FORÇA MAIOR. GRAVIDEZ. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA. PRECEDENTES DO STF E DO STJ. 1.

Cuida-se de recurso ordinário interposto contra acórdão que, por maioria, denegou a segurança em pleito para remarcação de teste de aptidão física em razão da comprovada gravidez da candidata. 2. A fase denominada teste de aptidão e avaliação física foi iniciada após dois anos do transcurso das inscrições, configurando razoável identificar a situação da candidata como imprevista e de força maior; o edital de convocação dos candidatos não previu essa possibilidade, apenas indicando que gestantes deveriam comparecer às provas munidas de atestado médico para realizar os testes, em igualdade com as demais candidatas, após a firma de termo de responsabilidade pessoal por eventual dano físico. 3. O Tribunal de origem considerou que a violação versava sobre o não comparecimento, quando resta claro que a impetração deu-se contra a norma do edital concretizada pelo afastamento da candidata gestante do certame. 4. O Supremo Tribunal Federal pacificou o tema no sentido de que é possível a remarcação dos testes de aptidão física sem que isto implique qualquer violação do princípio constitucional da isonomia. Precedentes: AgRg no AI 825.545/PE, Relator Min. Ricardo Lewandowski, Primeira Turma, publicado no DJe 084 em 6.5.2011 e no Ementário vol. 2516-03, p. 623; AgRg no RE 598.759/AL, Relatora Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, publicado no DJe 223 em 27.11.2009 e no Ementário vol. 2384-06, p. 1145; AgRg no AI 630.487/DF, Relatora Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, publicado no DJe 030 em 13.2.2009, no Ementário vol. 2348-06, p. 1168 e no LEXSTF v. 31, n. 362, 2009, p. 114-119; e AgRg no RE 376.607/DF, Relator Min. Eros Grau, Segunda Turma, publicado no DJ em 5.5.2006, p. 35 e no Ementário vol.

2231-03, p. 589. 5. A jurisprudência da Sexta Turma do STJ tem acompanhado o entendimento do STF, no sentido da possibilidade de remarcação dos testes de aptidão física sem que isto induza violação do edital ou do princípio da isonomia. Precedentes: RMS 28.400/BA, Rel. Min.

Sebastião Reis Júnior, DJe 27.2.2013; e RMS 31.505/CE, Rel. Ministra Maria

Thereza de Assis Moura, DJe 27.8.2012. Recurso ordinário provido.(STJ -

RMS 37328/AP - Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS - SEGUNDA TURMA -

j.

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21/03/2013 - grifei);

RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. POLÍCIA MILITAR. EXAME MÉDICO. CANDIDATA GESTANTE.

R E M A R C A Ç Ã O . P O S S I B I L I D A D E . P R I N C Í P I O D A I S O N O M I A . PRECEDENTE STF. 1. Apesar de o entendimento desta Corte Superior - no sentido de garantir um tratamento diferenciado às gestantes - não alcançar os concursos cujos editais expressamente disponham sobre sua eliminação pela não participação em alguma fase, a gravidez não pode ser motivo para fundamentar nenhum ato administrativo contrário ao interesse da gestante, muito menos para impor-lhe qualquer prejuízo, tendo em conta a proteção conferida pela Carta Constitucional à maternidade (art. 6º, CF). 2. A solução da presente controvérsia deve se dar à luz da compreensão adotada pelo Pretório Excelso em casos análogos ao presente, envolvendo candidata gestante, em que se admite a possibilidade de remarcação de data para avaliação, excepcionalmente para atender o princípio da isonomia, em face da peculiaridade (diferença) em que se encontra o candidato impossibilitado de realizar o exame, justamente por não se encontrar em igualdade de condições com os demais concorrentes. 3. A jurisprudência do STF firmou-se no sentido de que não implica em ofensa ao princípio da isonomia a possibilidade de remarcação da data de teste físico, tendo em vista motivo de força maior (AgRg no AI n. 825.545/PE). 4. Recurso em mandado de segurança provido.(STJ - RMS 28400/BA - Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR - SEXTA TURMA - j. 19/02/2013 - grifei).

No mesmo norte, a jurisprudência deste TJMG:

AÇÃO ORIGINÁRIA DE MANDADO DE SEGURANÇA. SECRETÁRIA DE

ESTADO DE PLANEJAMENTO E GESTÃO DE MINAS GERAIS. PARTE

PASSIVA LEGÍTIMA. CONCURSO PÚBLICO. AGENTE DE SEGURANÇA

PENITENCIÁRIO. TESTE DE CONDICIONAMENTO FÍSICO. CANDIDADA

GESTANTE. REMARCAÇÃO DO EXAME. FORÇA MAIOR. PRINCÍPIO DA

ISONOMIA. ENTENDIMENTO DO EGRÉGIO SUPREMO TRIBUNAL

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

FEDERAL. DIREITO LÍQUIDO E CERTO LESADO. SEGURANÇA CONCEDIDA. 1. A Secretária de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais é parte passiva legítima para o mandado de segurança por ser uma das autoridades que expediu o edital de concurso público. 2. Segundo o entendimento consolidado no egrégio Supremo Tribunal Federal, a gravidez de candidata em concurso público é força maior para submissão a teste de condicionamento físico. Assim, a negativa de remarcação do teste lesa o princípio da isonomia. 3. Comprovada a gravidez da impetrante na data designada para o teste, deve ser feita a remarcação. 4. Segurança concedida, rejeitada uma preliminar.(TJMG - Mandado de Segurança nº 1.0000.13.023552-6/000 - Relator Des. Caetano Levi Lopes - 2ª CÂMARA CÍVEL - j. 25/03/2014 - grifei);

MANDADO DE SEGURANÇA - CONCURSO PÚBLICO - AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIA - APROVAÇÃO NA PRIMEIRA FASE - CONVOCAÇÃO PARA TESTE DE CONDICIONAMENTO FÍSICO - REMARCAÇÃO POR MOTIVO DE GRAVIDEZ - POSSIBILIDADE - CONCESSÃO DA ORDEM. A remarcação da data para a realização de prova de aptidão física em razão de gravidez, não traduz ofensa ao princípio da isonomia ou violação do edital, já que a compreensão foi manifestada em precedentes do Supremo Tribunal Federal, de modo que a negativa da Administração no prosseguimento da candidata nas fases seguintes do certame não se mostraria escorreita. Segurança concedida.(TJMG - Mandado de Segurança nº 1.0000.13.024391-8/000 - Relator Des. Judimar Biber - 3ª CÂMARA CÍVEL - j. 06/02/2014 - grifei);

AGRAVO INSTRUMENTO - MANDADO DE SEGURANÇA - LIMINAR -

CONCURSO PÚBLICO - TESTE FÍSICO - CANDIDATA GESTANTE -

ADIAMENTO DO PRAZO - POSSIBILIDADE - O princípio constitucional da

igualdade permite o tratamento diferenciado a pessoas que se encontram em

situações desiguais. (TJMG - Agravo de Instrumento nº 1.0024.08.195010-

7/001 - Relator Des. Carreira Machado - 2ª CÂMARA CÍVEL - j. 20/01/2009 -

grifei).

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A título de remate, para fins de prequestionamento, requisito de admissibilidade dos recursos dirigidos aos Tribunais Superiores, é necessário apenas que a matéria tenha sido apreciada e decidida pela Corte Local, não havendo qualquer exigência de que o acórdão tenha feito referência expressa a este ou aquele dispositivo legal, exegese decorrente de errônea compreensão do que seja prequestionamento, no direito sumular.

Vejamos:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - INEXISTÊNCIA - R E D I S C U S S Ã O D E M A T É R I A - V I A I M P R Ó P R I A - P R E Q U E S T I O N A M E N T O - I M P O S S I B I L I D A D E - E M B A R G O S REJEITADOS. Os embargos de declaração têm o objetivo de introduzir o estritamente necessário para eliminar a obscuridade, contradição ou suprir a omissão existente no julgado, cuja ausência não permite rediscussão de matéria.

Ainda que para efeito de prequestionamento, a oposição dos embargos pressupõe a existência de um dos vícios insculpidos no artigo 535, I e II, do Código de Processo Civil(TJMG - Embargos de Declaração-CV Nº 1.0024.10.197.788-2/002 - Rel. Des. Afrânio Vilela - j. 08/10/2013 - grifei).

Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO À APELAÇÃO.

Custas recursais pelo apelante, observada a isenção legal.

É como voto.

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

DES. CAETANO LEVI LOPES (REVISOR) - De acordo com o(a) Relator(a).

DESA. HILDA TEIXEIRA DA COSTA

Rogo vênia ao em. Des. Relator para divergir de seu judicioso voto pelo que passo a dispor.

A questão posta em debate cinge-se em verificar a possibilidade de deferimento do pleito, que consiste em permitir a remarcação de data para avaliação física da impetrante que se encontra em período puerperal.

Nos termos do inciso LXIX, do art. 5º, da Constituição da República de 1988:

"LXIX - conceder-se-á Mandado de Segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público."

Consoante a jurisprudência, "direito líquido e certo é o que resulta de fato certo, e fato certo é aquele capaz de ser comprovado de plano, por documento inequívoco." No mesmo sentido, a seguinte decisão: "O direito líquido e certo nada tem, em si, com direito subjetivo. Diz respeito única e exclusivamente à prova documental. Por mais complicadas que sejam as questões jurídicas, a solução do conflito de interesses pode ser alcançada através de mandado de segurança. Os fatos - esses, sim - é que não podem ser controversos e duvidosos". (In Apontamentos sobre o MANDADO de SEGURANÇA individual e coletivo, Clayton Maranhão, GÊNESIS - Revista de Direito Processual Civil, Curitiba: julho/setembro de 2001, p. 468).

Sobre a ação mandamental, elucida Hely Lopes Meirelles:

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

"O mandado de segurança é ação civil de rito sumário especial, sujeito a normas procedimentais próprias, pelo que só supletivamente lhe são aplicáveis disposições gerais do Código de Processo Civil. Destina-se a coibir atos ilegais de autoridade, que lesem direito subjetivo, líquido e certo do impetrante... Direito líquido e certo é o que se apresenta manifesto na sua existência, delimitado na sua extensão e apto a ser exercitado no momento da impetração". (Direito Administrativo Brasileiro, p.610).

Inicialmente, cumpre esclarecer que a formulação do Edital dos concursos é ato discricionário da Administração, cabendo ao Poder Judiciário examinar, apenas, a sua legalidade e legitimidade.

O art. 37, incisos I e II, da Constituição Federal, dispõe que:

"Art. 37. (...)

I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;

II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;"

Desta forma, tem-se que a Constituição Federal, em que pese impor a

necessidade de realização de concurso público para o ingresso nas carreiras

da Administração Pública, o faz sem afastar a

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

possibilidade de utilização de critérios de admissão relacionados à aptidão física e mental dos candidatos, de acordo com a natureza e a complexidade da função a ser desempenhada quando do exercício do cargo efetivo, e desde que tais requisitos estejam previstos em lei, conforme prescrito em seu artigo 39, §3º, que, nestes termos, prescreve:

"Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes.

(...)

§3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art.

7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão, quando a natureza do cargo o exigir."

Compulsando os autos, verifica-se pelos itens 9.16.1 e 9.23, do Edital nº02/2013, que os exames biofísicos constarão de testes físicos e que não serão aceitos, realização dos testes fora dos locais, datas e horários estabelecidos pelo edital, conforme se verifica pela transcrição abaixo:

Item 9.16.1 Os exames biofísicos constarão de testes físicos acompanhados de análise médica dos resultados, sendo eles: a) flexão de braço. b) agilidade e coordenação motora. C) corrida de 50 (cinqüenta) metros rasos.

d) teste de Cooper.

Item 9.23 Não será permitido ao candidato submeter-se aos Exames

Biomédicos e Biofísicos fora da data, do horário ou do local pré-

determinados.

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Este egrégio Tribunal de Justiça já se manifestou neste sentido:

E M E N T A : C O N S T I T U C I O N A L - M A N D A D O D E S E G U R A N Ç A - CONCURSO PÚBLICO - LEGITIMIDADE PASSIVA - AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIO - TESTE DE CAPACITAÇÃO FÍSICA - INCAPACIDADE MOMENTÂNEA - GRAVIDEZ - REMARCAÇÃO DA ETAPA DO CERTAME - IMPOSSIBILIDADE - VINCULAÇÃO AO EDITAL - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - ALTERAÇÃO DE POSICIONAMENTO EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL - INDEFERIMENTO DA ORDEM.

1. Lastreando-se o ato impugnado em determinação dos Secretários Estaduais de Planejamento e Gestão e de Defesa Social, detêm ambos os agentes políticos legitimidade para figurar no pólo passivo do presente mandamus, consoante dispõe o §3º, do art. 6º, da Lei 12.016/09. 2. Na esteira de novel posicionamento do eg. Supremo Tribunal Federal a remarcação dos testes de capacitação física, advinda de situações individuais não contempladas no edital do certame, está a configurar ofensa ao primado da isonomia (RE 630733, submetido ao procedimento do art.

543B, do Código de Processo Civil; DJ 15/05/2013). 3. Em não se apresentando os fatos noticiados nesta ação mandamental como excepcionais e se encontrando a situação de gravidez expressamente contemplada no edital do certame como causa não motivadora da remarcação do teste de capacitação física, deve ser indeferida a segurança almejada.

4. Ordem indeferida. (...) MS 1.0000.13.029082-8/000 Rel. Des. Corrêa Junior.

Assim, verifica-se que, no caso em análise, encontra-se expressamente contemplada no edital do concurso como causa não motivadora da remarcação do teste de capacitação física, devendo ser denegada a segurança requerida na inicial.

Dessa forma, não dá para se dizer que a autora tem direito líquido

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e certo ao que requer, não havendo como lhe ser reconhecido o direito pretendido.

Em face do exposto, reformo a r. sentença, em reexame necessário, e denego a segurança requerida. Por colorário, julgo prejudicado o recurso voluntário.

Sem custas e honorários na forma da lei.

SÚMULA: "NEGARAM PROVIMENTO AO AGRAVO RETIDO E À

APELAÇÃO, VENCIDA A VOGAL"

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