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Resumo. REDVET - Revista electrónica de Veterinaria - ISSN

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Sujidades encontradas em méis de abelhas Apis mellifera L. em função do nível de utilização das boas práticas apícolas

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1 REDVET - Revista electrónica de Veterinaria - ISSN 1695-7504

Sujidades encontradas em méis de abelhas Apis mellifera L.

em função do nível de utilização das boas práticas apícolas -

Soiling found in honey bee Apis mellifera L. according of level of

the utilization of good beekeeping practices

Flávia Silva Souza1: Mestra em zootecnia pela Universidade Federal do

Piauí Campus Professora Cinobelina Elvas, Bom Jesus, e-mail:

flavinha1620@hotmail.com | Richard Átia de Sousa2: Mestre em

Ciência Animal pela Universidade Federal do Piauí Campus Ministro Petrônio Portella, Teresina, e-mail: richard@ufpi.edu.br | Sinevaldo

Gonçalves de Moura3: Professor Adjunto III do Departamento de

Zootecnia da Universidade Federal do Piauí, Campus Professora Cinobelina Elvas, Bom Jesus, e-mail: sinevaldo.moura@yahoo.com.br |

Darcet Costa Souza4: Professor do Departamento de Zootecnia da

Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portella, Teresina, e-mail: darcet@terra.com.br | Karina Rodrigues dos

Santos5: Professora do curso de Medicina e Biomedicina da Universidade

Federal do Piauí, Campus Ministro Reis Velloso, Parnaíba, e-mail:

krsantos2004@yahoo.com.br | Paulo Henrique Amaral Araújo de

Sousa6*: Doutorando em Zootecnia pela Universidade Estadual do Oeste

do Paraná, Campus Marechal Cândido Rondon, Paraná, e-mail:

paullo_ap1@hotmail.com

Resumo

O mel é um produto alimentício, que durante sua forma de obtenção e manipulação pode vim a comprometer suas qualidades. Por tanto o objetivo deste trabalho foi analisar sujidades e matérias estranhas em méis de abelhas (Apis mellifera L.) em função do nível de utilização das Boas Práticas Apícolas (BPA) nas condições semiárida do Piauí. Coletaram-se 60 amostras de mel, produzidos na safra de 2009. O Delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com três tratamentos (níveis de BPA) e 20 repetições: apicultores que utilizam um melhor nível as BPA, com unidades de extração de produtos apícolas (UEPA) dentro dos padrões exigidos pela legislação vigente (Tratamento 1); Apicultores que não utilizam as BPA corretamente, com UEPA fora dos padrões exigidos pela legislação vigente (Tratamento 2) e Apicultores que não utilizam corretamente as BPA, não possuindo UEPA (Tratamento 3). As amostras foram analisadas microscopicamente para pesquisa de sujidades e matérias estranhas. O nível de utilização de BPA no semiárido Piauiense está diretamente relacionado à existência de infraestrutura produtiva, principalmente à existência de UEPAs. Foi constatado

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2 que as análises microscópicas do mel revelaram 50% das amostras analisadas apresentaram-se ácaro Tyreophagus spp em função de boas práticas.

Palavras-chaves: |Apicultura| |Mel| |Microscopia| Qualidade| |BPA|

Abstract

Honey is a food product whose qualities may be comprised during its obtainment and manipulation. Therefore, the objective of this work was to analyze soil and foreign matter in bee honeys (Apis mellifera L.) as a function of the level of use of Good Beekeeping Practices (BPA) in the semi-arid conditions of Piauí, Brazil. A total of 60 honey samples were collected in the 2009 harvest. The experimental design was completely randomized and included three treatments (BPA levels) and 20 replicates: beekeepers using a better level of BPA with extraction units of bee products (UEPA) within the standards required by current legislation (Treatment 1); Beekeepers who do not use BPA correctly with UEPA outside the standards required by current legislation (Treatment 2); and Beekeepers who do not use GAP correctly and do not have UEPA (Treatment 3). The samples were analyzed microscopically to investigate soils and foreign matter. The level of BPA utilization in the semi-arid Piauiense region is directly related to the existence of productive infrastructure, mainly to the existence of UEPAs. Microscopic analysis of the honey showed that 50% of the analyzed sample showed mite Tyreophagus spp as a function of good practices.

Keywords: |Beekeeping| |Honey| |Quality| |BPA|

Introdução

A apicultura brasileira forma uma cadeia produtiva com mais de 300 mil apicultores e cerca de cem unidades de processamento de mel, que juntos empregam, temporária ou permanentemente, quase 500 mil pessoas (QUEIROGA et al 2015). O Brasil ainda se revela um grande produtor em potencial, devido à flora diversificada, extensão territorial e variabilidade climática (ALMEIDA-FILHO et al., 2011).

A produção de mel existe praticamente em todo o território brasileiro. Porém, é na região Sul que se tem a maior produção (49,61%), sendo o estado do Rio Grande do Sul o maior produtor nacional, detendo 20,18% da produção. A região Nordeste é a segunda maior produtora nacional, com 22,90% da totalidade, destacando-se os estados do Rio Grande do Norte, Ceará e o Piauí (IBGE, 2015).

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3 A instrução normativa IN11/2000 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BRASIL, 2000) e Codex Alimentarius Commission (2001) estabelecem os parâmetros indicadores da qualidade físico-química do mel de Abelhas Apis mellifera L. (Tabela 01), com relação aos critérios macroscópicos e microscópicos, apontam que o mel não deve conter substâncias estranhas, de qualquer natureza como: insetos, larvas, grãos de areia, protozoários e helmintos.

Tabela 01. Parâmetros de qualidade adotados pelo Codex Alimentarius

Commission (2001) e pela legislação brasileira (BRASIL, 2000) para méis florais produzidos por Apis mellifera L.

Indicador Parâmetro Codex

(2001)

Brasil (2000)

Umidade em % (máximo) 20 20

Açúcares redutores em % (mínimo) 60 65 De maturidade

Sacarose Aparente em % (máximo) 5 5 Sólidos insolúveis em água em % (máximo) 0,1 0,1 De pureza

Conteúdo mineral (Cinzas) em % (máximo) 0,6 0,6 Acidez em mEq.kg-1 (máximo) 50 50 Atividade de Diastase em U.D*. (mínimo) 8 8 De deterioração

Hidroximetilfurfural em mg kg-1 (máximo) 40 (80**)

60

*U.D.- Unidades de diastase na escala de Goeth; **países tropicais.

No entanto, fontes secundárias após colheita podem vim a contaminar o mel. Através dos manipuladores, contaminação cruzada, equipamentos e instalações que não são controladas por meio de Boas Práticas Apícolas (BPA) (SNOWDON & CLIVER, 1996). Para tanto, é necessário que sejam estabelecidos, descritos e registrados os procedimentos realizados desde a produção até o consumo, assim, recomendam-se que sejam aplicadas as BPA desde os apiários até os entrepostos para que haja uma garantia do mel produzido e processado (SILVA et al., 2008).

As BPA consistem de todas as ferramentas que o apicultor utiliza para a diminuição dos riscos com contaminação e a manutenção da qualidade do mel produzido. O enfoque das BPA é assegurar a inocuidade dos alimentos, sendo que não tenha agentes de natureza biológica, química ou física que possa causar danos à saúde do consumidor (SENAI, 2009a).

A manipulação do mel pelo apicultor também pode alterar suas características, sendo um dos pré-requisitos importantes para a garantia da aplicação das BPA pelo apicultor é a existência da Unidade de Extração de Produtos Apícolas (UEPA) que deve possuir certificação sanitária e permitir a rastreabilidade do produto pelos procedimentos adotados na produção, coleta e extração, permitindo identificar a origem do mel que chega ao entreposto (SENAI 2009a).

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4 Desta forma, a inexistência de UEPA consiste no principal problema apontado em estudos pelo país (PASIN & TERESO, 2007; BASTOS, 2008). Assim, o perigo da contaminação do mel com grãos de areia, restos vegetais e madeira estão relacionados com o manejo das colmeias no campo ao envase na UEPA e pode ser controlado com o uso das BPA (SENAI, 2009a; SENAI, 2009b) (Tabela 2).

Tabela 02. Análise de perigos, riscos e medidas profiláticas desde o manejo

das colmeias no campo ao envase e rotulagem na Unidade de Extração de Produtos Apícolas, levando-se em consideração as etapas que possam implicar em risco de contaminação com sujidades e matérias estranhas

ETAPAS DO PROCESSO PERIGOS RISC OS MEDIDAS PROFILÁTICAS Manejo de colmeias Sujidades-grãos de areia e restos vegetais maiores que 1\25”

Baixo Evitar o contato direto dos favos com o solo.

Coleta dos favos Sujidades (grãos de

areia) Baixo

Evitar contato direto dos favos com o solo.

Transporte dos favos Sujidades Baixo

BPA: procedimentos ou higienização do veículo antes de carregá-los com as melgueiras.

Recepção das melgueiras com os

favos

Sujidades (grãos de areia maiores que 1\25”)

Baixo

BPA: manter o ambiente de recepção higienizado adequadamente e depositar as melgueiras sobre bandejas de proteção e estrados. Desorperculação dos favos Sujidades – grãos de areia e farpas de madeira que maiores 1\25” Baixo BPA: higienização adequada de equipamentos e utensílios e treinamentos dos manipuladores. BPA: treinamento de pessoal Centrifugação Sujidades – grãos de areia e madeira maiores que 1\25” Baixo BPA: higienização adequada de equipamentos e treinamento dos manipuladores para higienização adequada dos equipamentos. Filtração do mel Sujidades – grãos de areia e madeira maiores que 1\25” Baixo BPA: higienização adequada dos equipamentos e treinamento dos manipuladores para higienização adequada

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5 dos equipamentos.

Decantação

Sujidades (grãos de areia maiores que 1\25”) Baixo BPA: higienização adequada dos equipamentos e utensílios e treinamento dos manipuladores. Ajustar o tempo de decantação para as características do mel. Envase\Rotulagem Sujidades (grãos de areia maiores que 1\25”) Baixo BPA: higienização adequada dos equipamentos e embalagens e treinamento dos manipuladores. Fonte: SENAI (2009b)

É importante ressaltar que no processamento do mel a etapa de filtragem, com malha acima do recomendado (1\25”), tem sido utilizada como forma de se reduzir a quantidade de sujidades macroscópicas na tentativa de mascarar possíveis falhas nas BPA (SENAI, 2009b).

De acordo com Associação de Químicos Analíticos Oficiais (A.O.A.C), material estranho ao produto é qualquer condição ou práticas inadequadas de produção, estocagem ou distribuição, incluindo sujidades (leves, pesadas, separadas por peneira), material decomposto (tecidos podres devido a causas parasitarias ou não parasitárias) e miscelâneas (areia, terra, vidro, ferrugem), ou outras substâncias estranhas. Excluem-se dessa definição as contagens bacterianas (ZIOBRO, 2000).

Alguns desses materiais estranhos originam-se de matérias-primas que sofrem ataques de pragas ainda no campo e assim são carregados para o produto final, enquanto outros podem ser provenientes de manuseio, processo tecnológico ou armazenamento e distribuição inadequados. O processo de controle das infestações deve começar com a matéria-prima antes de chegar à planta de processamento e continuar por meio de cada etapa da produção até o produto final a ser consumido (BARBIERI, 2001).

Sujidades são quaisquer materiais indesejáveis no produto, advindos de contaminação por animal, tais como: roedores, insetos ou pássaros, ou qualquer outro material indesejado proveniente de condições sanitárias impróprias de manuseio. Sujidades pesadas são separadas do produto por sedimentação, baseando-se na diferença de densidade entre a sujidade, as partículas do alimento e os líquidos usados na imersão do alimento. Exemplos de tais sujidades são excrementos de insetos e roedores, areia e terra. Sujidades leves são partículas que são lipofílicas e são separadas do produto por flutuação em uma mistura liquida de óleo-água. Exemplos de tais sujidades são fragmentos de insetos inteiros, pelos de roedores, entre outros.

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6 Sujidades separadas por peneiras – são partículas de sujidades de tamanho específico separadas quantitativamente do produto pelo uso de peneiras de malhas selecionadas (ZIOBRO, 2000).

Assim, as práticas de microscopia em alimentos servem para a identificação histológica, isolamento e detecção de matérias estranhas, são fundamentais para o controle da qualidade dos alimentos (BARBIERI, 2001). O teste de microscopia foi utilizado para pesquisa de sujidades e matérias estranhas, a intensa comercialização de mel colonial faz com que aumente as possibilidades de manipulação inadequada (SOUSA & CARNEIRO, 2008).

Portanto, é crescente a preocupação com a manutenção da qualidade do mel produzido no Brasil, bem como com a pesquisa de sujidades, que embora não seja usual, é uma ferramenta que poderá ser adicionada ao controle de qualidade e contribuir para apontar manipulação inadequada em todo o processo produtivo, desde o manejo das colmeias no campo ao envase e rotulagem no entreposto.

Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo analisar a presença de sujidades e matérias estranhas em méis de abelhas (Apis

mellifera L.) em função do nível uso das BPA no semiárido piauiense.

Materiais e Métodos

As coletas partiram-se de uma população inicial de 1800 apicultores inseridos no Semiárido Piauiense e distribuídos em nove municípios das Microrregiões de Simplício Mendes (07°51′14″S, 41°54′36″W) e São Raimundo Nonato (9°0′54″S, 42°41′56″W), situados no centro sul do Estado. Foram avaliadas amostras de mel, coletadas no período entre janeiro de 2009 a março de 2010 pertencentes a 60 associações, utilizando como pré-requisito a existência de Unidades de Extração de Produtos Apícolas (UEPA) com diferentes níveis de boas práticas apícola (BPA).

O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado com três tratamentos (níveis de utilização de BPA) e 20 repetições (apicultores). Foram considerados como tratamentos, três níveis diferentes de utilização de BPA, podendo distingui-los da seguinte forma: Apicultores que utilizam em um melhor nível (de estrutura e higienização) as BPA, possuindo UEPA dentro dos padrões exigidos pela legislação vigente (Tratamento 1); Apicultores que não utilizam as BPA corretamente, possuindo UEPA fora dos padrões exigidos pela legislação vigente (Tratamento 2) e Apicultores que não utilizam corretamente as BPA, não possuindo UEPA (Tratament 3).

Foram coletadas 60 amostras de mel (20 por tratamento), provenientes da safra de 2009, assepticamente, em frascos de 300 mL, diretamente de baldes (20 L), tambores (200 L) e decantadores (de 340 a 500 L), nas UEPA,

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7 depósitos de matéria-prima de entrepostos e residências de apicultores, com no máximo 10 dias de extração.

As amostras foram analisadas microscopicamente para pesquisa de sujidades e matérias estranhas pela metodologia I proposta por pesquisadores da Secretaria de Saúde de Santa Catarina (1985), onde as amostras foram diluídas em água, em seguida filtrando em papel de filtro qualitativo utilizando funil de Büchner e bomba a vácuo. O que ficou retido no papel filtro foi utilizado para preparo de lâminas com gelatina comum. As lâminas foram feitas em triplicatas de cada amostra com a fixação das lamínulas utilizando de parafina. A verificação do que ficou retido foi feita através de microscópio e para a identificação dos elementos encontrados no mel foram registrados através de um sistema computadorizado de análise de imagens (Quim Lite 3.1), do laboratório de Patologia (CCA/UFPI).

A determinação da pesquisa de sujidade e matérias estranhas foi realizada no Laboratório de Análise Físico-Química de Alimentos do Campus Universitário Professora Cinobelina Elvas (CPCE), da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e para o cálculo das frequências, foi utilizado o programa S.P.S.S. (Statistical Package for the Social Sciences) versão 9.0.

Procedeu-se o levantamento de dados primários com questionário contendo 97 questões, sendo 63 diretamente relacionadas ao apicultor/manipulador e o restante referente à UEPA. O mesmo foi aplicado no período entre janeiro de 2009 a março de 2010 e seguiu o preconizado pelo manual de boas práticas apícolas de campo (SENAI, 2009a) e pelo manual de segurança e qualidade para a apicultura (SENAI, 2009b).

O questionário, com questões abertas e fechadas, foi dividido em cinco blocos: A- Materiais Utilizados; B- Localização e Instalação de Apiários; C- Manejo de Colmeias, D- Coleta e transporte dos favos com mel; E- Unidade de Extração de Produtos Apícolas. Para o cálculo das frequências, utilizou-se o programa S.P.S.S. (Statistical Package for the Social Sciences) versão 9.0.

Resultados e Discussão

Observou-se neste estudo que, o Tratamento 1 é o único que possui a UEPA e a realização das BPA no melhor nível. O Tratamento 2, em relação ao Tratamento 3, apresenta melhores condições sanitárias de extração de mel por possuir local específico para este fim, porém com ausência de certificação e falhas graves na aplicação das BPA. Já no Tratamento 3 verificou-se a pior situação, com apicultores utilizando desde locais improvisados em sua residência, coleta embaixo de árvores, lonas ou a céu aberto, caracterizando o pior nível de utilização de BPA (Tabela 03), contrariando Barreto et al. (2006) que afirmam que o ambiente para a manipulação dos produtos apícolas deve ser apropriado e com a infraestrutura adequada.

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8 Tabela 03. Itens importantes para a qualidade e produção de mel de abelhas

Apis mellifera L. em função do nível de utilização das Boas Práticas Apícolas, utilizados para estratificação dos tratamentos.

Tratamento

T1 T2 T3

Itens de BPA

N(%) N(%) N(%)

Possui UEPA? (sim) 20(100,0) 20(100,0) 0(0,0)

A UEPA possui certificado de inspeção? (sim) 20(100,0) 0(0,0) 0(0,0) Os equipamentos são de aço inox 304?(sim) 20(100,0) 14(70,0) 5(25,0) A UEPA possui sistema de tratamento d’água? (sim) 20(100,0) 15(75) 10(50,0) A água é tratada? (sim) 20(100,0) 9(45) 10(50,0) O transporte utilizado durante a coleta dos favos é

aberto? (sim) 20(100,0) 20(100,0) 15(75,0)

Durante o transporte utiliza proteção adequada para as melgueiras (lona limpa e devidamente

higienizada)? (sim)

20(100,0) 6(30,0) 8(40,0)

O veículo é higienizado antes dos trabalhos? (sim) 20(100,0) 12(60,0) 0(0,0) A mão-de-obra da coleta é a mesma da extração?

(sim) 10(50,0) 10(50,0) 10(50,0)

Antes de iniciar a extração do mel, os manipuladores fazem higienização prévia atendendo o maior número de itens das BPA? (sim)

20(100) 8(40,0) 0(0,0)

Fonte: Pesquisa direta (questionário de BPA) T1: Apicultores que utilizam em um melhor nível as BPA, possuindo UEPA dentro dos padrões exigidos pela legislação vigente, T2: Apicultores que não utilizam as BPA corretamente, possuindo UEPA fora dos padrões exigidos pela legislação vigente, T3: Apicultores que não utilizam corretamente as BPA, não possuindo UEPA. N - Número de observações.

O tratamento 1 apresentou as melhores condições para extração do mel, pois além de apresentar Unidade de Extração de Produtos Apícolas, utiliza-se de equipamentos (aço inox 304) e embalagens devidamente higienizadas em locais adequados de acordo com a legislação. Os apicultores do tratamento 2 não fizeram uso correto das BPAs, enquanto alguns utilizavam UEPA fora dos padrões, outros improvisavam locais para a extração do mel e utilizavam equipamentos e embalagens inadequados, desde material de ferro, zinco a bombonas de plástico reaproveitadas, principalmente nos processos que mais se tem contato com o mel, por exemplo, na filtração e decantação.

No entanto, o tratamento 3 apresentou o pior nível de utilização das Boas Práticas Apícolas, isso devido aos apicultores não possuírem UEPA e fazerem uso de locais improvisados, equipamentos e embalagens fora dos padrões exigidos pela legislação.

Sabendo que a presença de água tratada, com hipoclorito de sódio consiste em um dos pontos importantes para a garantia de alimento seguro, pois a utilização de água contaminada pode veicular microrganismos patogênicos, parasitas e vírus, durante a limpeza dos ambientes,

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9 equipamentos, utensílios, veículos de transporte e higiene dos trabalhadores (SENAI, 2009b), a pesquisa apontou que a fonte de água para 55% dos apicultores do Tratamento 1 é proveniente do sistema de abastecimento municipal e 45% de poço; já para o Tratamento 2, 75% de cisterna e 25% de outra fonte (açude, barragem e caldeirão); enquanto para o Tratamento 3, dos que possuem água tratada, 50% usam água proveniente de sistema de abastecimento municipal, 25% de cisterna e 25% de outra fonte.

Quando inferidos sobre que material utilizam para a queima no fumigador, apenas o tratamento 2 apresentou respostas que contradizem o recomendado nas BPA, 10% dos apicultores afirmaram usar cupinzeiro e 10% de outros materiais (palha de feijão, palha de arroz, por exemplo), onde o material para queima no fumigador deve ser de origem vegetal e livre de contaminantes, devendo proporcionar fumaça fria, densa e sem cheiro forte. Sugere-se o uso de serragem, raspa de madeira, gravetos, cascas de árvores, desde que sejam isentos de contaminantes (SENAI, 2009a).

O maior cuidado durante o transporte foi observado para o melhor grupo de utilização de BPA. O transporte utilizado em todos os grupos durante a coleta do mel, preferencialmente, foi o aberto. Contudo, apenas para os apicultores pertencentes ao tratamento 1, observou-se a proteção das melgueiras durante o transporte, com lona específica para este fim e previamente higienizada em 100% dos casos.

A mão-de-obra utilizada na extração do mel foi a mesma da coleta em 50% dos apicultores para todos os grupos. No entanto, quanto melhor o nível de BPA, maior o número de itens atendidos referentes à higienização preconizada, tais como: tomar banho; cortar unhas; fazer a barba; usar touca, máscara, avental, botas; evitar hábitos errados durante a extração (não fumar, não comer); não utilizar perfumes, brincos, esmalte nas unhas; lavar as mãos sempre que necessário (SENAI, 2009a).

Desta forma, observou-se no estudo, os extremos entre a utilização correta e a não utilização das BPA, não havendo em alguns casos a infraestrutura mínima para a coleta e extração dos favos, retratando uma realidade que pode ser encontrada em muitos locais do país.

Assim, sugere-se, portanto como forma de assegurar à qualidade do mel de abelha comercializado a adoção dos princípios das Boas Práticas Apícolas nas unidades produtoras (BARBOSA et al., 2014).

A legislação brasileira (BRASIL, 2000) não se reporta aos aspectos microscópicos, pois estabelece apenas limites para os parâmetros físico-químico e em relação a presença de sujidades e matérias estranhas sugere apenas o que não deve estar presente no mel. Contudo, nas amostras pesquisadas foram encontradas: um tipo de ácaro em 50% das amostras, um fragmento de abelhas e pelo humano em uma das amostras. Os Tratamentos 1 e 2 apresentaram as maiores incidências de ácaros em 60% das amostras

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10 (Tabela 4), o que não implica em relação direta com falha nas BPAs. Estes resultados corroboram com os relatos em estudos anteriores de presença de ácaros que não foram identificados (SOUZA & CARNEIRO, 2008).

Tabela 04. Tipo de sujidades encontradas nas amostras de mel de abelhas

Apis mellifera L. em função do nível de utilização das Boas Práticas Apícolas no semiárido do Piauí. Tratamentos Ocorrências T1 T2 T3 Total N(%) N(%) N(%) N(%) Ácaros 12(60) 12(60) 06(30) 30(50) Fragmentos de insetos* 1(05) 0 0 0

T1: Apicultores que utilizam em um melhor nível as BPA, possuindo UEPA dentro dos padrões exigidos pela legislação vigente, T2: Apicultores que não utilizam as BPA corretamente, possuindo UEPA fora dos padrões exigidos pela legislação vigente, T3: apicultores que não utilizam corretamente as BPA, não possuindo UEPA. N - Número de observações.

O ácaro encontrado em todas as amostras foi confirmado como o

Tyreophagus spp. (Figura1 A, B e C) que são frequentemente encontrados

associados a insetos e é classificado como de vida livre (SERRA-FREIRE & MELLO, 2006). O pior nível de BPA (Tratamento 3) apresentou a menor frequência (30%) de ácaros, o que não representa na prática que este grupo é mais eficiente, pois se quer colhem o mel em UEPAs. (Tabela 4)

Figura 1. Ocorrência de Ácaro encontrado nas amostras de mel; A) Ácaro

Tyreophagus spp exemplar de macho, B) fêmea do ácaro Tyreophagus spp. e na mesma figura encontra-se um pelo humano, C) ocorrência dos ácaros em única amostra.

Esta possibilidade de contaminação foi confirmada por Souza & Carneiro (2008) em pesquisa de sujidades e matérias estranhas em mel de abelhas (Apis mellifera L.) do Piauí, onde 65,4% das amostras estudadas apresentaram sujidades e matérias estranhas, tais como: insetos, larvas, ácaros, pelos humanos e de roedores, traças, dentre outras, que de acordo com Mallmann (2010) uma variação de inadequação entre 29% a 71% nas

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11 amostras já é considerada significativamente alta. Cardoso Filho et al. (2013) encontrou fragmentos de insetos em 100% das amostras pesquisadas, contudo, não foram encontraram nenhum tipo de sujidades nas amostras pesquisadas por (BARBOSA et al. 2014; ALMEIDA FILHO et al. 2011).

A afirmação de que estes ácaros possivelmente são de vida livre e estão presentes facilmente no meio externo é reforçada quando se observa a maior quantidade de ácaros encontrados em uma única a amostra do Tratamento 2 com 12 ácaros (Figura 1C), no qual o apicultor afirmou usar cupinzeiro para a combustão no fumigador, bem como em outas duas amostras, ambas apresentaram 6 ácaros, utilizando outros materiais no fumigador (palha de feijão, palha de arroz, por exemplo), contradizendo o recomendado nas BPA (SENAI, 2009a).

Conclusão

No Semiárido Piauiense, o nível de utilização de Boas Práticas Apícolas (BPA) está relacionado diretamente à existência de infraestrutura produtiva, principalmente, à existência de Unidade de Extração de Produtos Apícolas.

A análise microscópica do mel revela que 50% das amostras analisadas apresentaram a presença do ácaro Tyreophagus spp independe do uso das BPA, uma vez que o mesmo é de vida livre e que no estado encontrado não implica em risco à saúde do consumidor.

Referências Bibliográficas

 ALMEIDA FILHO J. P.; MACHADO A.V.; ALVES F. M. S.; QUEIROGA K. H.; CÂNDIDO, A. F. M. (2011). Estudo físico-químico e de qualidade do mel de abelha comercializado no Município de Pombal-PB. Revista Verde de

Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, v. 6, n. 3, p. 83-90, 2011.

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