Março 2015
Estudo de Impacte
Ambiental
Síntese
Pedreira “Vale Madeiros”
Alcanede – Santarém – Santarém
Licenciamento
Equipa Técnica
Técnico
EMPRESA / Formação
Intervenção
Júlia Mira
MMC
Engenharia Geológica
Pós-Graduação em Geologia Estrutural Pós-Graduação de Actualização em Sistemas de Informação Geográfica Aplicados às Ciências da Terra
Coordenação do EIA
Recursos Hídricos
Geologia e Geomorfologia
Síntese Técnica do Plano de Pedreira Sistema de Informação Geográfico Rita Fael MMC Arquitectura Paisagista Apoio à Coordenação Paisagem Solos Pedro Silva MMC
Gestão de Recursos Humanos
Apoio à Coordenação
Controlo de Qualidade
Resumo Não Técnico
Marta Matos GESTRITIUM
Geógrafa
Clima e Meteorologia Ordenamento do
Território
Técnico
EMPRESA / Formação
Intervenção
João Paulo Fonseca
João Paulo Fonseca – Biologia e Ambiente, Lda
Licenciado em Biologia – Especialista em Zoologia Doutorado em Biologia – Botânica
Ecologia Fauna - Flora
Pedro Santos
PEDAMB
Engenharia do Ambiente
Perito de Qualidade de ar interior do RSECE
Qualidade do Ar Ruído Adelaide Pinto CRIVARQUE Arqueologia Pós-Graduação em Geo-Arqueologia Mestrado em Geo-Arqueologia Património Arqueológico, Arquitectónico e Etnográfico Orlando António MMC
Espeleólogo (Nível III)
Técnico SSF (Spéléo sécurité de France)
Prospecção de Cavidades e apoio de Campo
Índice Geral
A.
Enquadramento ... 1
1. Introdução ... 1
1.1. Apresentação e Objectivos do Trabalho ... 1
1.2. Identificação do Projecto e Entidade Proponente ... 2
1.3. Identificação da Entidade Licenciadora ou Competente para Autorização .. 2
1.4. Autoridade de AIA ... 3
1.5. Identificação dos Responsáveis pelo EIA e Indicação do seu Período de Elaboração 3 1.6. Enquadramento legal do Projecto tendo em conta a necessidade de processo de AIA ... 3
1.7. Antecedentes do EIA ... 4
2. Enquadramento da área de Implantação... 4
2.1. Localização ... 4
2.2. Caracterização Geral da área de Intervenção ... 5
2.3. Enquadramento com os Instrumentos de Gestão Territorial em Vigor ... 9
3. Metodologia e Descrição Geral da Estrutura do EIA ... 13
3.1. Metodologia ... 13
3.2. Definição do âmbito do EIA ... 16
4. Objectivos e Justificação do Projecto ... 18
4.1. Objectivos, Necessidade e Justificação do Projecto ... 18
4.2. Antecedentes do Projecto ... 19 4.3. Alternativas ao Projecto ... 20
B. Descrição do Projecto ... 23
1. Introdução ... 23 2. Localização ... 24 3. Plano de Lavra ... 26 3.1. Cálculo de Reservas... 26 3.2. Método de Exploração ... 283.3. Resíduos, Emissões e Efluentes Industriais ... 35
3.5. Sistemas de Abastecimento e Escoamento ... 38
4. Programação Temporal e Faseamento do Plano de Pedreira ... 40
5. Estudo de Viabilidade Económica ... 42
6. Plano de Segurança e Saúde ... 43
7. Projecto de Instalação de Resíduos mineiros /Plano de Aterro ... 43
7.1. Concepção e Justificação ... 43
7.2. Caracterização dos Materiais de Aterro ... 44
7.3. Planeamento das Actividades de Recolha ... 44
7.4. Aterro Definitivo ... 45
7.5. Faseamento do Aterro ... 46
7.6. Encerramento do Aterro ... 46
8. Plano Ambiental e de Recuperação Paisagística ... 49
8.1. Objectivos da Intervenção ... 49
8.2. Proposta ... 49
9. Plano de Monitorização e Acompanhamento... 56
10. Gestão Ambiental do Projecto ... 56
11. Considerações Finais ... 57
C. Caracterização da Situação de Referência ... 59
1. Análise da Situação de Referência ... 59
1.1. Clima e Meteorologia ... 60
1.2. Geologia e Geomorfologia ... 72
1.3.Recursos Hídricos ... 89
1.4. Ecologia (Flora, Fauna e Habitats) ... 105
1.5. Solos ... 127
1.6. Qualidade do Ar ... 134
1.7. Ruído ... 139
1.8. Paisagem ... 145
1.9. Ordenamento do Território ... 161
1.10. Património Arqueológico, Arquitectónico e Etnográfico ... 174
1.11. Sócio-Economia ... 195
D. Avaliação de Impactes Ambientais ... 219
1. Metodologia e Critérios de Avaliação ... 219
2. Previsão e Avaliação de Impactes ... 221
2.1. Clima e Meteorologia ... 221
2.2. Geologia e Geomorfologia ... 222
2.3. Recursos Hídricos ... 225
2.4. Ecologia (Flora, Fauna e Habitats) ... 230
2.5. Solos ... 233
2.6. Qualidade do Ar ... 237
2.7. Ruído ... 242
2.8. Paisagem ... 246
2.9. Ordenamento do Território ... 250
2.10. Património Arqueológico e Arquitectónico ... 251
2.11. Sócio-Economia ... 255
3. Impactes Cumulativos ... 258
3.1. Clima e microclima ... 259
3.2. Ecologia (Flora, Fauna e Habitats) ... 259
3.3. Solos ... 259 3.4. Qualidade do Ar ... 260 3.5. Ruído ... 260 3.6. Paisagem ... 260 3.7. Sócio-Economia ... 261
E. Medidas de Minimização ... 263
1. Considerações Gerais ... 2632. Medidas de Carácter Geral ... 263
2.1. Fase de Exploração... 263 2.2. Fase de Desactivação ... 265 3. Geologia e Geomorfologia ... 265 4. Recursos Hídricos ... 266 4.1. Superficiais ... 266 4.2. Subterrâneos ... 266
4.3. Qualidade da Água ... 266
5. Ecologia (Flora, Fauna e Habitats) ... 267
6. Solos ... 268
7. Qualidade do Ar ... 270
8. Ruído ... 270
9. Paisagem ... 271
9.1. Fase de Exploração e Recuperação ... 271
9.2. Fase de Desactivação ... 272
9.3. Fase de Pós-Desactivação ... 272
10. Ordenamento do Território... 272
11. Património Arqueológico e Arquitectónico ... 273
12. Sócio-Economia ... 274
F. Medidas Compensatórias ... 277
G. Plano de Monitorização ... 279
1. Introdução ... 279
2. Plano de Monitorização de Flora ... 279
3. Qualidade do Ar ... 280
4. Ambiente Sonoro ... 281
5. Paisagem ... 282
6. Património Arqueológico e Arquitectónico ... 282
H. Lacunas de Conhecimento ... 283
I.
Conclusões ... 285
J. Referências Bibliográficas ... 289
Documentos: Antecedentes - Pareceres de mais recentes;
Relatório 1: Avaliação de Ruído Ambiental de Fontes Permanentes;
Relatório 2: Análise de Fracção PM10 de Poeiras em Suspensão em Ar Ambiente; Relatório 3: Arqueologia
Anexos do Descritor: Elenco Florístico, Anexo Fauna
Índice de Quadros
Quadro 1 – Enquadramento do Projecto. ... 9
Quadro 2 - Principais aspectos considerados no planeamento da lavra. ... 26
Quadro 3 - Áreas das diversas zonas que constituem a área total a licenciar. ... 27
Quadro 4 - Parâmetros do cálculo de reservas. ... 27
Quadro 5 - Volumes movimentados na pedreira de acordo com o faseamento da lavra. ... 31
Quadro 6 - Operações principais do método de desmonte. ... 33
Quadro 7 - Resíduos mineiros gerados pela actividade da pedreira. ... 36
Quadro 8 - Resíduos não mineiros gerados pela actividade da pedreira. ... 36
Quadro 9 - Funcionários da pedreira "Vale Madeiros"... 37
Quadro 10 - Cronograma das actividades da pedreira. ... 41
Quadro 11 – Parâmetros e resultados das simulações da viabilidade económica da pedreira ... 42
Quadro 12 - Variáveis climáticas analisadas ... 61
Quadro 13 - Valores médios anuais de precipitação nas estações meteorológicas de Alcobaça (1971-2000) e Santarém (1961-1990) e postos udométricos de Arrimal (1980-1996) e Turquel (1980-2005) ... 65
Quadro 14 - Número de dias com nevoeiro e geada, nas estações de Alcobaça/E.Fruticultura (1971-2000) e Rio Maior (1961-1990) ... 69
Quadro 15 - Coordenadas das Cavidades identificadas, Datum 73 ... 82
Quadro 16 - Características das cavidades existentes no interior da área de projecto ... 83
Quadro 17 – Sistema de Classificação para fins múltiplos (Fonte: SNIRH) ... 94
Quadro 18 – Classificação da qualidade da água superficial. ... 95
Quadro 19 – Síntese estatística e da informação base da monitorização piezométrica efectuada em furos da rede SNIRH ... 100
Quadro 20 - Classes de vulnerabilidade segundo um critério litológico. ... 104
Quadro 21 - Tipos de vegetação existentes na área de estudo, áreas por cada um e correspondência com os habitats classificados no anexo I da Directiva Habitats ... 109
Quadro 22 - Valorização relativa dos diferentes tipos de coberto vegetal. As espécies que
int6egram o anexo II da Directiva Habitats são apresentadas a negrito. ... 115
Quadro 23 – Inventário e características da herpetofauna da área de estudo. ... 120
Quadro 24 - Avifauna escassa ou com estatuto de ameaça em Portugal (efectivo populacional < 10.000 aves de acordo com Rufino, 1989) ... 122
Quadro 25 - Valores limite, limiares superiores e inferiores da avaliação para PM10 constantes no Decreto-Lei n.º 102/2010, de 23 de Setembro ... 135
Quadro 26 – Resultados obtidos para PM10 no ponto de medição P1 e comparação com valor-limite para 24H. ... 137
Quadro 27 - . – Resultados obtidos para PM10 no ponto de medição P2 e comparação com valor-limite para 24H. ... 137
Quadro 28 – Dados de PM10 registados nas estações mais próximas (fonte: Qualar, APA) ... 138
Quadro 29 - excedências do parâmetro PM10, das estações de qualidade do ar mais próximas ... 139
Quadro 30 - Valores limite de exposição em função da zona ... 140
Quadro 31 – Períodos de referência e de funcionamento das fontes sonoras ... 141
Quadro 32 - Caracterização do local e dos períodos de medição - P1 ... 142
Quadro 33 - Valores de ruído ambiente e residual registado ... 143
Quadro 34 - Análise de conformidade legal ... 144
Quadro 35 - Caracterização dos vestígios identificados na zona central ... 185
Quadro 36 – Características espelho-arqueológicas das cavidades identificadas ... 192
Quadro 37 - Principais indicadores utilizados para caracterização do descritor socioeconomia ... 196
Quadro 38 - Indicadores relativos às empresas no território do PNSAC e Concelho de Santarém, entre 2002-2011 ... 203
Quadro 39 – Pessoal ao serviço nas empresas das indústrias extractivas, nas NUT I – Continente, NUT II – Alentejo e NUT III – Lezíria do Tejo, entre 2004-2011 ... 207
Quadro 40 - Volume de negócios nas empresas das indústrias extractivas, nas NUT I – Continente, NUT II – Alentejo e NUT III – Lezíria do Tejo, entre 2003-2011 ... 208
Quadro 41 – Variação (relativa e absoluta) e representatividade (%) do número de empresas da indústria extractiva, no território do PNSAC, entre 2007-2011 . 211 Quadro 42 – Variação (relativa e absoluta) e representatividade (%)do pessoal ao serviço da indústria extractiva) no território do PNSAC, entre 2007-2011 ... 212
Quadro 43 – Variação relativa (%) da produção (ton) e valor (milhares de euros), no território do PNAC, entre 2003-2007 ... 213
Quadro 44 - Síntese da avaliação dos impactes na fauna e na flora ... 232
Quadro 45 - Matriz de Impactes da Exploração ... 235
Quadro 46 - Dados de base para obter as emissões de fonte segundo a AP-42 (EPA) .. 238
Quadro 47 - Dados de base para introdução no modelo ... 239
Quadros 48 - Concentrações médias futuras no P1 e P2 ... 240
Quadro 49 - Componentes do software de previsão usado no estudo ... 243
Quadro 50 – Análise do impacte das fontes particulares sobre o ruído ambiente no receptor R1 ... 245
Quadro 51 – Níveis de ruído previstos para a fase de implementação do projecto no ponto P1 na situação futura. ... 245
Quadro 52 - Matriz de Impactes da Paisagem ... 249
Quadro 53 – Síntese da Avaliação de Impactes ... 254
Índice de Figuras
Figura 1 – Localização da pedreira em imagem Google Earth com indicação do acesso. A Verde acesso comum a pesados e ligeiros e a azul trajecto preferencial para
ligeiros. ... 5
Figura 2 - a)vista dos caminhos Públicos que seguem para o moinho e para Valverde; b) caminho que segue para o moinho e que define parte do limite Nascente; c) vista do topo aplanado para o moinho, ao longe vê-se o núcleo extractivo de Cabeça Veada. ... 6
Figura 3 - d) Vista do limite Sul para o Moinho; e) Vista do Limite N-NW para o Moinho; f) Local que foi objecto de trabalhos de exploração e posterior recuperação . 7 Figura 4 – g) Vista da frente oxidada existente no limite Nor-Noroeste da área de exploração; ... 8
Figura 5 – Enquadramento do Projecto. ... 10
Figura 6 – Extracto da carta de ordenamento do PDM de Santarém ... 10
Figura 7 – Extracto da carta de condicionantes REN do PDM de Santarém ... 11
Figura 8 – Extracto da carta de condicionantes - outras condicionantes do PDM de Santarém ... 11
Figura 9 – Extracto da Planta de Síntese do PO do PNSAC ... 12
Figura 10 - Planta de Localização da pedreira “Vale Madeiros, extracto da carta militar n.º 328. ... 25
Figura 11 - Esquema geral do ciclo de produção da pedreira. ... 28
Figura 12 - Ilustração do ciclo de produção da pedreira. ... 29
Figura 13 - Esquema exemplificativo, em perfil, da sequência da lavra e da recuperação. ... 31
Figura 14 - Ilustração das operações que compõem o método de desmonte da rocha (Adaptado do catálogo geral da marca Pellegrini). ... 33
Figura 15 - Perfil esquemático das bacias de decantação ... 38
Figura 16 - Perfil esquemático do cordão de terras que bordeja a área de exploração e da vala exterior de escoamento das águas pluviais exteriores ... 39
Figura 17 – Exemplo de utilização de blocos não comerciais na estabilização de aterro, no caso uma via de acesso no interior de uma pedreira. ... 47
Figura 18 - Perfil esquemático do método construtivo do aterro. ... 48
Figura 19 - Perfil esquemático das camadas de aterro. ... 51
Figura 20 - Lapiás existente na Área da Pedreira. ... 52
Figura 22 – Localização das estações climatológicas e udométricas utilizados para análise climática ... 60 Figura 23 - Temperatura média mensal, média máxima e mínima, máxima e mínima diária, na estação de Alcobaça/E.Fruticultura (1971-2000) ... 62 Figura 24 - Temperatura média mensal, média máxima e mínima, máxima e mínima diária, na estação de Rio Maior (1961-1990)... 63 Figura 25 – Número de dias com temperatura máxima >= a 25 ºC e temperatura mínima <= 0 ºC, nas estações de Alcobaça/E.Fruticultura (1971-2000) e Rio Maior (1961-1990) ... 64 Figura 26 - Distribuição mensal da precipitação nas estações meteorológicas de Alcobaça (1971-2000) e Rio Maior (1961-1990) e postos udométricos de Arrimal (1980-1996) e Turquel (1980-2005) ... 65 Figura 27 - Número de dias com precipitação >= 0,1 mm, >=1 mm e >=10 mm, para a estação de Alcobaça (1971-2000)... 66 Figura 28 - Número de dias com precipitação >= 0,1 mm, >=1 mm e >=10 mm, para a estação de Rio Maior (1961-1990) ... 67 Figura 29 - Diagrama ombrotérmico de Gaussen para as estações de Alcobaça
(1971-2000) e Rio Maior (1961-1990) ... 67 Figura 30 - – Humidade relativa (%), às 9 horas, nas estações de Alcobaça/E.Fruticultura (1971-2000) e Santarém (1961-1990) ... 68 Figura 31 – Distribuição anual da frequência (%) e velocidade do vento (km/h), nas estações de Alcobaça/E.Fruticultura (1971-2000) e Rio Maior (1961-1990) ... 70 Figura 32 - Evaporação (mm) nas estações de Alcobaça/E.Fruticultura (1971-2000) e Rio Maior (1961-1990) ... 71 Figura 33 - Balanço Hídrico (retenção máxima 100 mm), nas estações de Alcobaça/E.Fruticultura (1971-2000) e Rio Maior (1961-1990) ... 72 Figura 34 – Cartografia geológica simplificada do MCE adaptado de Carvalho, J. M. F. & Henriques, P. 2007 ... 74 Figura 35 - Carta Litoestratigráfica Temática – Área Pé da Pedreira (MCE). Fonte (Carvalho. 1997). ... 77 Figura 36 - Área de Lapiás e cavidades identificadas ... 82 Figura 37 – Intensidade sísmica máxima observada, e zonamento sísmico de Portugal Continental ... 86 Figura 38 – Extracto da Carta Neotectónica. O ponto verde indica a localização aproximada da área de estudo ... 87 Figura 39 – Linhas de Água mais próximas da Pedreira (Fonte: Intersig). ... 90
Figura 40 - Extractos da Carta Militar 1 . 25 000, folha 328, série M888, edição de 1968 e edição de 2004 ... 92 Figura 41 - Bacia Endorreica das ribeiras de Valverde- Cabeça Veada e localização da pedreira “Vale Madeiros”(Fonte Carta 1:25000). ... 93 Figura 42 – Áreas de possível poluição difusa e pontual ... 96 Figura 43 – Massa de água PTO20 “Maciço Calcário Estremenho”. ... 97 Figura 44 – Aquífero PTO20 – Maciço Calcário Estremenho e Zonas de protecção da nascente dos Olhos de Água do Alviela. Ponto vermelho identifica a área de projecto. ... 98 Figura 45 – Níveis piezométricos e amplitudes piezométricas em furos da rede SNIRH, expressão gráfica dos resultados constantes no Quadro 18 (Fonte dos dados SNIRH) ... 100 Figura 46 - Evolução do nível piezométrico nos furos 317/225 e 327/72, (fonte dos dados SNIRH) ... 101 Figura 47 – Inventário das captações Públicas e Privadas existentes entre os Olhos de Água do Alviela e a área da pedreira “Vale Madeiros”, com identificação dos perímetros de protecção das captações Públicas. ... 102 Figura 48 – Classificação da qualidade da água subterrânea (Fonte: SNIRH)... 103 Figura 49 - Localização da área do projecto, face às áreas sensíveis. ... 106 Figura 50 - Carta de vegetação, habitats e espécies do anexo II da Directiva Habitats na área da pedreira. ... 109 Figura 51 - Fotografia aérea da área de estudo. Área de lajes calcárias incluída no projecto (elipse vermelha), podendo verificar-se que esta área encontra-se em mosaico com áreas em que a rocha calcária não assuma à superfície. . 111 Figura 52 - Factores de perturbação na área do projecto: localização do projecto (polígono laranja) face às pedreiras em laboração (áreas a branco) e junto às povoações de Valverde (elipse vermelha) e de Cabeça Veada. ... 118 Figura 53 - Área de estudo, inserida no PNSAC e com os buffer de 5km e 0,5km dos abrigos importantes e outros, respectivamente. ... 126 Figura 54. - Extracto da Carta de Solos, folha n.º328, à escala 1:25 000, com localização da área em estudo. ... 128 Figura 55 - Fotografia da camada de solo existente na área em estudo. ... 129 Figura 56 - Extracto da Carta de Capacidade de Uso do Solo, folha n.º328, à escala 1:25 000, com a localização da área em estudo. ... 130 Figura 57 - Fotografia aérea da área da Pedreira “Portela das Salgueiras”, com identificação da ocupação do solo. ... 131 Figura 58 - Fotografia ilustrativa da vegetação existente no interior da área em estudo.
Figura 59 - Fotografia ilustrativa da zona intervencionada localizada no interior da área
em estudo. ... 133
Figura 60 - Fotografia ilustrativa do afloramento rochoso existente na área em estudo. ... 133
Figura 61 – Localização do ponto de medição de PM10 a NO e zonas envolventes num raio > 1000 metros ... 136
Figura 62 - Localização do ponto de medição ... 141
Figura 63 - Planta de Declives. ... 147
Figura 64 - Planta de Orientação de Encostas. ... 148
Figura 65 - Planta de Visibilidade. ... 149
Figura 66 - Vista panorâmica do ponto mais a sudeste do limite da área em estudo.... 149
Figura 67. - Vista sobre a área em estudo a partir da estrada que liga Valverde a Casais Monizes, na encosta que lhe é oposta, a noroeste. ... 150
Figura 68 - Vista sobre a área em estudo, a partir do marco geodésico Morena, a cerca de 15km de distância para Sul/Sudeste. ... 151
Figura 69. - Vista sobre a área em estudo, a partir da povoação de Azambujeira, a cerca de 22km de distância para Sul/Sudeste. ... 151
Figura 70 - Unidade de Paisagem da área em Estudo. ... 152
Figura 71 - Localização da área em estudo na carta das subunidades da Paisagem que constituem a Unidade “Serras de Aire e Candeeiros” (FONTE: Pereira, 2009). ... 154
Figura 72 - Fotografia aérea da envolvente à área em estudo. ... 156
Figura 73 - Fotografia aérea com o zonamento das diversas actividades da indústria extractiva do Núcleo de Pedreiras de Pé da Pedreira. ... 157
Figura 74 - Fotografias ilustrativas da vegetação existente na área em estudo. ... 158
Figura 75 – Extracto da carta de síntese do Plano de Ordenamento do PNSAC ... 163
Figura 76 - Extracto do Modelo Territorial do PROT OVT – Enquadramento da área de estudo ... 167
Figura 77 – Extracto da carta de ordenamento do PDM de Santarém – Enquadramento da área de estudo ... 170
Figura 78 – Extracto da carta de reserva ecológica nacional do PDM de Santarém – Enquadramento da área de estudo ... 171
Figura 79 - Extracto da carta de outras servidões e restrições pública do PDM de Santarém – Enquadramento da área de estudo ... 174
Figura 80 - Conjunto de fotografias a caracterizar o descrito ... 183
Figura 82 – Localização administrativa da área de estudo ... 197 Figura 83 – Taxa de variação da população residente (2001-2011), nas diferentes unidades administrativas (NUT II, NUT III, Território do PNSAC, concelho e freguesia da área de estudo) ... 198 Figura 84 – Índice de envelhecimento em 2011 e 2011, nas diferentes unidades administrativas (NUT II, NUT III, Território do PNSAC, concelho e freguesia da área de estudo) ... 199 Figura 85 – Índice de renovação da população activa, em 2001 e 2010, nas diferentes unidades administrativas (NUT II, NUT III, Território do PNSAC, concelho de Santarém) ... 200 Figura 86 - Evolução da taxa de desemprego nas NUT I – Continente e NUT II – Alentejo, entre 1998-2013 ... 201 Figura 87 - Evolução da taxa de emprego nas NUT I – – Continente e NUT II – Alentejo, entre 1998-2013 ... 201 Figura 88 - Evolução do número de inscritos no IEFP, no território do PNSAC e no concelho de Santarém, entre 2004-2011 ... 202 Figura 89 – Distribuição anual do volume de negócios das empresas, nas NUT II - Alentejo, NUT III – Lezíria do Tejo, Território PNSAC e concelho de Santarém, entre 2002 e 2011 ... 203 Figura 90 – Balança comercial internacional (exportações e importações) nas NUT II e NUT III da área de estudo, entre 2003-2010 ... 204 Figura 91 – Balança comercial internacional (exportações e importações) no território do PNSAC e no concelho de Santarém, entre 2003-2010 ... 205 Figura 92 – Evolução do número de empresas da indústria extractiva, nas NUT I – Continente, NUT II – Alentejo e NUT III – Lezíria do Tejo, entre 2004 e 2011 ... 207 Figura 93 – Evolução da produção do subsector das rochas ornamentais, entre 1999 e 2012, em Portugal ... 209 Figura 94 – Evolução do volume de negócios do subsector das rochas ornamentais, entre 1999 e 2012, em Portugal ... 209 Figura 95 – Evolução da balança comercial internacional (exportações e importações) no sector das substâncias minerais e subsector das rochas ornamentais, em Portugal, entre 2004-2012 ... 210 Figura 96 - Evolução da produção (toneladas) do subsector da indústria extractiva, no território do PNSAC, entre 2003-2007 ... 213 Figura 97 – Evolução do volume de negócios (milhares de euros) do subsector da indústria extractiva, no território do PNSAC, entre 2003-2007 ... 214 Figura 98 – Mapa de acesso à pedreira e acessos utilizados para escoamento da matéria-prima ... 215
Figura 99 – Modelação 3D da corta da Pedreira ”Vale Madeiros”. Vista para Norte e vista para Sul ... 224 Figura 100 - Penacho da dispersão anual de partículas PM10 produzida pelo modelo . 239 Figura 101 - Linhas isófonas geradas pela fonte em classes de 5dB(A) ... 244 Figura 102 - Área degradadas pela actividade extractiva e actividades associadas ... 258
A. Enquadramento
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho consiste no Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Pedreira de Calcário Ornamental, denominada “Vale Madeiros”, sita no Cabeço da Giesteira, freguesia de Alcanede, concelho de Santarém, a ser explorada pela “RELVICREME -Sociedade Exploradora de Pedreiras, Lda.” que adiante designaremos por RELVICREME.
Esta localização está inserida no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) que por sua vez integra o Sítio Rede Natura 2000 PTCOON 0015 “Serras de Aire e Candeeiros”. Devido a este facto e, de acordo com o Decreto – Lei n.º 151-B/2013, de 31 de Outubro, com as alterações introduzida pelo Decreto – Lei n.º47/2014, de 24 de Março, a pedreira de “Vale Madeiros” é um projecto que está sujeito a AIA de acordo com o preceituado na subalínea II) alínea b) do n.º 3 do artigo 1.º e enquadra-se no disposto na alínea b) do n.º2 do Anexo II, por se tratar de uma nova pedreira a licenciar no interior de uma Área Sensível. Assim, tem que se sujeitar o projecto ao procedimento de Avaliação de Impactes Ambientais.
O projecto a sujeitar a procedimento de AIA encontra-se em fase de Projecto de
Execução e designa-se por Plano de Pedreira (PP).
O PP é o documento técnico exigido pelo Decreto-Lei n.º 270/2001, de 6 de Outubro, alterado e republicado pelo Decreto-Lei n.º 340/2007, de 12 de Outubro, para a obtenção da licença da pedreira de “Vale Madeiros”.
Destaca-se que a elaboração do Plano de Pedreira e do EIA decorreu em simultâneo, pelo que os dados, resultados e recomendações de ambos os documentos foram sucessivamente integrados e conciliados. Assim, o objectivo da elaboração destes dois documentos é identificar antecipadamente os principais impactes ambientais positivos e negativos associados à pedreira “Vale Madeiros” e prover a RELVICREME de informação que lhe permita efectuar uma adequada Gestão Ambiental de todo o processo, de forma a garantir o maior equilíbrio possível entre a área de inserção da pedreira e o meio biofísico, cultural e social que o irá enquadrar.
1.1. Apresentação e Objectivos do Trabalho
O presente Estudo de Impacte Ambiental (EIA) tem como objectivos:
A obtenção do licenciamento da pedreira de acordo com a legislação nacional vigente e no seguimento do parecer emitido pelo Parque Natural das Serra de Aire e Candeeiros em 4 de Agosto de 2011 (anexo I);
A optimização do recurso explorável implementando as melhores tecnologias disponíveis e as boas práticas ambientais;
Apresentação da informação integrada dos impactes positivos e negativos da pedreira sobre o meio ambiente;
Apresentação de medidas que evitem, minimizem ou compensem os impactes negativos da pedreira sobre o meio ambiente.
A selecção da localização do presente Projecto, bem como de qualquer unidade de aproveitamento de recursos geológicos, está dependente da localização da matéria-prima dado que qualquer pedreira se encontra condicionada pela disponibilidade espacial e pela qualidade do recurso natural.
Em resumo, o aproveitamento de recursos geológicos só pode desenvolver-se onde exista recurso. Devido ao mau conhecimento do território, raras vezes é promovida uma verdadeira definição de áreas destinadas à indústria extractiva devidamente enquadradas nos instrumentos de gestão do território.
É de referir que a implementação desta unidade extractiva irá promover a melhoria das condições socioeconómicas da região, dado que gera 5 postos de trabalho directos. Vai permitir, neste concelho deficitário, a manutenção e criação de postos de trabalho indirectos associados à aquisição de bens e serviços decorrentes da dinâmica desta indústria.
Assim, a localização proposta é aquela mais viável para a RELVICREME, estando esta disposta a assegurar a adaptação de todas as medidas de protecção ambiental necessárias para a coexistência da actividade extractiva com a população envolvente e a preservação do património natural.
1.2. Identificação
do
Projecto
e
Entidade
Proponente
O proponente do Projecto da pedreira “Vale Madeiros” é a empresa “RELVICREME-
Sociedade Exploradora de Pedreiras, Lda.”, com sede em Pé da Pedreira, 2025-999 Alcanede,
Apartado 15, Freguesia de Alcanede, Concelho de Santarém e Distrito de Santarém. O contacto telefónico e de correio electrónico são, respectivamente, 243 409 150 e [email protected].
A actividade principal da RELVICREME incide única e exclusivamente na extracção de rocha ornamental (calcário de origem sedimentar) possuindo duas pedreiras, uma licenciada e outra em vias de licenciamento, ambas situadas no núcleo de Pé da Pedreira, Alcanede Santarém.
1.3. Identificação da Entidade Licenciadora ou
Competente para Autorização
A Direcção Regional do Ministério da Economia de Lisboa e Vale do Tejo é a entidade licenciadora do presente Projecto sujeito a procedimento de AIA, de acordo com o disposto na subalínea i), da alínea b), do n.º 2 do artigo 11º do Decreto-Lei n.º 270/2001, de acordo com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 340/2007, de 12 de Outubro.
1.4. Autoridade de AIA
De acordo com o definido na alínea b) do n.º 1 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 151-B/2013, de 31 de Outubro, alterado pelo Decreto-Lei n.º47/2014, de 24 de Março, a autoridade de AIA é a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Lisboa e Vale
do Tejo (CCDR-LVT).
1.5. Identificação dos Responsáveis pelo EIA e
Indicação do seu Período de Elaboração
Os trabalhos técnicos de suporte a este Projecto foram elaborados e coordenados pela empresa “Maria Mira Consultores, Unipessoal Lda.” adiante designada simplesmente por MMC, com sede na Rua Cidade de Rio Maior n.º 1, 2040-052 Azambujeira. O contacto telefónico e de correio electrónico são, respectivamente, 243 499 292 e [email protected].
A MMC reuniu uma equipa pluridisciplinar para a elaboração do presente Estudo de Impacte Ambiental, conforme consta na ficha técnica que integra o presente EIA.
O desenvolvimento do trabalho de campo e de todos os trabalhos sectoriais associados a elaboração do presente trabalho tiveram a duração de aproximadamente 14 meses, entre Outubro de 2013 e Dezembro de 2014.
1.6. Enquadramento legal do Projecto tendo em
conta a necessidade de processo de AIA
O EIA e o PP da pedreira “Vale Madeiros” pretendem dar cumprimento à legislação nacional vigente referente à Avaliação do Impacte Ambiental (AIA), designadamente o disposto no Decreto-Lei n.º 151-B/2013, de 31 de Outubro, com as alterações posteriores introduzidas pelo disposto no Decreto-Lei n.º 47/2014, de 24 de Março, e pela Portaria n.º 330/2001, de 2 de Abril, assim como ao disposto no Decreto-Lei n.º 340/2007, de 12 de Outubro, que altera o Decreto-Lei n.º 270/2001, de 6 de Outubro, que aprova o regime jurídico da pesquisa e exploração de massas minerais (pedreiras) e procede à sua republicação.
O projecto pedreira “Vale Madeiros”, por se localizar numa região que está abrangida por uma área protegida, no caso o Parque Natural das Serra de Aire e Candeeiros que integra o Sitio PTCON0015 – “Serras de Aire e Candeeiros” da Lista Nacional de Sítios da Rede Natura e, apesar de ter uma área 6,9 ha, o somatório da sua área com as pedreiras licenciadas existentes num raio de 1 km, é superior a 15 ha, enquadra-se no disposto na alínea a) do n.º 2 do Anexo II do Decreto-Lei n.º 151-B/2013, de 31 de Outubro. Pelo que está obrigado a procedimento de AIA previamente à obtenção de licença.
De acordo com o disposto no n.º 3, do artigo 10º-A, do Decreto-Lei n.º 270/2001, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 340/2007, de 12 de Outubro, a pedreira “Vale Madeiros” é classificada como de classe 2 por ultrapassar os limites definidos nas alíneas a) e b), do n.º 4 do mesmo artigo.
1.7. Antecedentes do EIA
De acordo com a legislação em matéria de AIA supramencionada, o promotor pode solicitar formalmente ao Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia (MAOTE), a definição do âmbito do EIA.
Tendo em conta a natureza do Projecto e da área em que o mesmo se desenvolve, não existem dúvidas sobre a tipologia e importância específica dos impactes potenciais gerados pelo Projecto, pelo que o promotor optou por não solicitar a definição de âmbito do EIA.
Contudo, houve a preocupação de fundamentar adequadamente a definição do âmbito do EIA no presente Estudo, nomeadamente os descritores analisados e respectivos graus de aprofundamento.
2. ENQUADRAMENTO DA ÁREA DE IMPLANTAÇÃO
2.1. Localização
A pedreira “Vale Madeiros”, localiza-se no flanco NNW no Cabeço da Giesteira, entre Vale Madeiros e o topo do Cabeço da Giesteira, na freguesia de Alcanede, concelho e distrito de Santarém, Figura 1 Situa-se aproximadamente a 1km a Este da povoação Valverde e a 1,9 Km a Noroeste da povoação de Pé da Pedreira.
Esta pedreira tem acesso através de dois trajectos, Figura 1. O principal é efectuado por estrada de terra batida que entronca no caminho alcatroado do núcleo de pedreiras do Pé da Pedreira, que por sua vez entronca na estrada camarária 1314, junto à povoação Pé da Pedreira, ligando à estrada nacional N362 para poente. O trajecto secundário é efectuado por caminho de terra batida que entronca na estrada N362 na povoação de Valverde. A estrada N362 liga Alcanede a Porto de Mós.
Figura 1 – Localização da pedreira em imagem Google Earth com indicação do acesso. A Verde
acesso comum a pesados e ligeiros e a azul trajecto preferencial para ligeiros.
2.2. Caracterização Geral da área de Intervenção
O cabeço da Giesteira orograficamente destaca-se da sua envolvente por se tratar de relevo mais elevado. É uma colina assimétrica com declives mais acentuados para noroeste e declives suaves para sudeste. No seu topo aplanado apresenta campos de lapiás bem desenvolvidos. O Ponto mais elevado deste relevo está assinalado pelo marco geodésico de 3ª ordem que assinala a cota 428 m, Figura 22.
A pedreira “Vale Madeiros” está limitada a oeste pelo Moinho da Giesteira e pela pedreira recentemente licenciada designada por “Moca Medeiros” da empresa Celestino Ribeiro & Filhos. A nascente é limitada pela pedreira n.º 3350, “Moka-Creme” da empresa Ruipedra e terrenos baldios com classificação APPI segundo o PO do PNSAC. Desenvolve-se do topo aplanado a sul para o flanco noroeste do Cabeço da Giesteira sendo o seu limite a N-NW e o vale de Madeiros, evitando terrenos com classificação APPI do PO do PNSAC, Figura 9.
a)
b)
c)
Figura 2 - a)vista dos caminhos Públicos que seguem para o moinho e para Valverde; b) caminho
que segue para o moinho e que define parte do limite Nascente; c) vista do topo aplanado para o moinho, ao longe vê-se o núcleo extractivo de Cabeça Veada.
d)
e)
f)
Figura 3 - d) Vista do limite Sul para o Moinho; e) Vista do Limite N-NW para o Moinho; f) Local que
g)
h)
Figura 4 – g) Vista da frente oxidada existente no limite Nor-Noroeste da área de exploração;
h) exemplar de mó inacabada no local, um de vários exemplares existentes.
Fisiograficamente, a área de intervenção do projecto é constituída por uma morfologia de pendores pouco acentuados nas cotas mais altas passando a medianamente acentuados junto ao vale.
O vale Madeiros é característico da morfologia cársica. Trata-se do que vulgarmente se designa por “Vale Seco”, com terrenos agrícolas abandonados não existindo nenhum curso de água neste vale.
A área do projecto evidencia grandes manchas de afloramentos rochosos e espaços ocupados, predominantemente, por espécies arbustivas e alguns exemplares arbóreos.
Verifica-se que a existência e de duas pequenas áreas intervencionada no passado, bem como locais que num passado próximo (mais de 70 anos) terão sido pontos de produção de mós para moinhos.
2.3. Enquadramento com os Instrumentos de
Gestão Territorial em Vigor
Conforme exposto de forma mais extensa no Capitulo Situação de Referência, a área de implantação da pedreira “Vale Madeiros” não está em conflito com os instrumentos de gestão do território (IGT’s) eficazes para a região em apreço.
Os IGT’s que, de facto, condicionam a utilização do território são o Plano Especial de Ordenamento do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros e o Plano Director Municipal do concelho de Santarém. As classes de espaços, nas quais se enquadra a área de estudo, não inviabilizam a implementação do Projecto. Condicionam a sua aprovação à demonstração da compatibilização desta intenção.
Conforme se pode observar no Quadro 1, no qual se faz um resumo do enquadramento da área da pedreira, e nas figuras seguintes, verifica-se que:
Quadro 1 – Enquadramento do Projecto.
LOCALIZAÇÃO Vale Madeiros, Cabeço da Giesteira, freguesia de Alcanede,
concelho e distrito de Santarém.
ÁREA DE IMPLANTAÇÃO Área de 6,9 ha, em terreno baldio arrendado à empresa.
JUSTIFICAÇÃO DO PROJECTO Ocorrência de importantes reservas de calcário ornamental
USO ACTUAL DO SOLO
Área afectada pela exploração de calcário ornamental, coberto arbustivo predominante com algumas manchas arbóreas e caminhos rurais.
PLANOS E FIGURAS DE ORDENAMENTO
Resolução do Conselho de Ministros n.º 57/2010, de 12 de Agosto, que aprova o novo Plano de Ordenamento do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros
(Resolução do Conselho de Ministros n.º 111/95, de 24 Outubro. Até ao momento do presente estudo este instrumento sofreu mais tendo registado 13 alterações (última através da Portaria n.º 144/2014, de 15 de Julho), uma correcção material (Declaração n.º 144/2013, 25 de Junho) e quatro rectificações (última através da Declaração de rectificação n.º 797/2013, de 30 de Julho) e uma suspensão parcial por iniciativa do município (Aviso n.º 10921/2014, de 30 de Setembro);
De acordo com o novo Plano de Ordenamento do PNSAC a área de pedreira localiza-se em “Área de Protecção Complementar Tipo II”
De acordo com o PDM de Santarém, na sua carta de Ordenamento, a área de implantação está inserida em espaços classificados como “Agro-florestais enquadrados em REN”.
Em termos de Carta de Condicionantes a área insere-se em Reserva Ecológica Nacional (REN), Áreas submetidas a regime florestal (Perímetro Florestal da Serra dos Candeeiros) e Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.
Tal como já foi referido no capítulo 1.6, e está enquadrado de forma mais extensa no capítulo C, no descritor Ordenamento do Território, o Projecto, por estar situado no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros que, por sua vez, está inserido no Sitio PTCON0015 “Serras de Aire e Candeeiros”, localiza-se num local considerado como Área Sensível, de acordo com o preceituado na alínea a) do artigo 2º, Decreto-Lei n.º 151-B/2013, de 31 de Outubro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 47/2014, de 24 de Março.
Há a referir que na vizinhança imediata da pedreira “Vale Madeiros” não existem Monumentos Nacionais ou Imóveis de Interesse Público.
Figura 5 – Enquadramento do Projecto.
Figura 7 – Extracto da carta de condicionantes REN do PDM de Santarém
Figura 9 – Extracto da Planta de Síntese do PO do PNSAC
Em anexo ao presente EIA seguem as plantas de localização/ implantação do projecto nas plantas de ordenamento, condicionantes (RAN e REN) e outras condicionantes, emitidas pela CM de Santarém.
3. METODOLOGIA E DESCRIÇÃO GERAL DA
ESTRUTURA DO EIA
3.1. Metodologia
3.1.1.
Metodologia Geral
De acordo com a regulamentação do procedimento de AIA, a metodologia adoptada para a realização do EIA, na abordagem de cada uma das vertentes do ambiente em análise, baseou-se nos seguintes aspectos:
• Obtenção dos elementos relativos ao estado actual da qualidade do ambiente da área de estudo, necessários à definição da situação actual:
Análise da bibliografia temática disponível e síntese dos aspectos mais relevantes com interesse para a avaliação dos impactes sobre o ambiente biofísico e socioeconómico;
Análise da cartografia topográfica da área de estudo e de imagem aérea; Análise dos Planos de Ordenamento e condicionantes e diplomas legais
associados;
Reconhecimentos e trabalhos de campo realizados na área de intervenção pelos especialistas envolvidos no EIA, com expressão mais significativa para os domínios da geologia e geomorfologia, recursos hídricos, ecologia, da paisagem, da qualidade do ar, do ambiente sonoro, da ocupação do solo e do património;
• Reuniões de trabalho com os diferentes elementos da equipa técnica;
• Identificação e caracterização dos potenciais impactes ambientais determinados pela exploração, recuperação paisagística e desactivação do Projecto;
• Avaliação dos impactes resultantes da implementação do Projecto, utilizando uma metodologia assente em critérios que permitem a respectiva graduação em pouco significativos, significativos ou muito significativos, positivos ou negativos;
• Proposta de medidas de minimização dos impactes negativos determinados pelo Projecto;
• Identificação de outras medidas que permitam o enquadramento ambiental do Projecto;
• Identificação das medidas de monitorização e gestão ambiental; • Identificação das lacunas de conhecimento;
3.1.2.
Definição da Área de Estudo e Escalas de Trabalho
A área de estudo foi definida com base nas características do Projecto e da sua envolvente. Assim, seleccionou-se como área para avaliação dos impactes ambientais directos do Projecto, a área directa de implantação e uma zona envolvente à mesma de 50 m.No entanto, sempre que considerado relevante para os objectivos do presente EIA, foi alargada a área de estudo de cada descritor, de acordo com o critério definido pelos especialistas das diversas áreas temáticas integrantes do EIA. Este é o caso da sócio-economia, onde a área de estudo foi alargada a toda a freguesia onde se desenvolve o Projecto. É, igualmente, o caso de descritores como a qualidade do ar, ambiente sonoro ou a paisagem.
Por esta razão, não foi considerada apenas a zona directamente afectada pelo Projecto – área de implantação – mas também a envolvente na qual se fazem sentir os efeitos da respectiva exploração, recuperação e desactivação.
As bases cartográficas de trabalho adoptadas correspondem às escalas 1/50 000 (Carta Geológica de Portugal) e 1/25 000 (Carta Militar), e a escalas de pormenor (ortofotomapas e Desenhos de Projecto), apresentando-se os resultados a diferentes escalas, de acordo com os objectivos do trabalho.
Deste modo, as escalas de enquadramento regional de determinados aspectos e características, bem como as da área de estudo, resultaram, tal como as escalas de trabalho, da forma como a informação espacial se encontra disponível, tendo variado entre a escala 1/250 000 para enquadramento do Projecto, a escala 1/25 000 para apresentação da área de estudo e para apresentação de alguma cartografia temática e escalas de maior pormenor para a apresentação do Projecto.
A noção de tempo foi tratada na base dos horizontes temporais marcados pela evolução dos trabalhos de pedreira. Tal como exposto no Plano de Pedreira, as acções exploração, recuperação paisagística e desactivação, estão intimamente interligadas até à conclusão do projecto. Existe a obrigação de proceder a um acompanhamento da área do projecto, que compreende as acções de manutenção das áreas recuperadas durante os dois anos seguintes à desactivação e consequente encerramento da pedreira.
O período de vida útil para o Projecto é de 64 anos, até à sua desactivação, mais 2 de manutenção do Plano Ambiental e de Recuperação Paisagística. Num total de 66 anos de horizonte para a avaliação contida no presente EIA.
3.1.3.
Estrutura do EIA
O presente EIA é composto por duas partes, nomeadamente: Resumo Não Técnico
(RNT), Relatório Síntese (RS). O primeiro, que será apresentado separadamente, conforme o
previsto no n.º 12 do Anexo V do Decreto-Lei n.º 151-B/2013, de 31 de Outubro, tem por objectivo resumir em linguagem simples e acessível a todos os interessados, o trabalho desenvolvido no Estudo de Impacte Ambiental (EIA). Quanto ao Relatório Síntese (RS), este resume toda a informação relevante constando como Anexo a este relatório os diferentes Relatórios Técnicos e outros elementos obtidos que serviram de suporte ao presente EIA, tal como definido no nº 1 do Art.º 13 e no Anexo V do Decreto-Lei n.º 151-B/2013, de 31 de
Outubro. No entanto como ainda não foi publicada portaria a regulamentar a estrutura do EIA aplicou-se o disposto na Portaria 330/2001, de 2 de Abril.
Assim, a estrutura geral do EIA será:
1. Resumo Não Técnico
Este volume, tal como referido, destina-se a uma divulgação alargada das informações que constam no Relatório Síntese, pelo que contém os dados essenciais do EIA numa linguagem mais simplificada e acessível ao público em geral.
2. Relatório Síntese
Este relatório é constituído por 11 capítulos, incluindo bibliografia, cujos conteúdos genéricos se resumem de seguida.
Capitulo A - Enquadramento: Identifica os principais aspectos do Projecto, no que
se refere às responsabilidades de execução do mesmo, identificação da entidade licenciadora, dos responsáveis pela elaboração do Estudo de Impacte Ambiental e antecedentes da pedreira “Vale Madeiros”, assim como a Metodologia e Descrição Geral da Estrutura do EIA e os Objectivos e Justificação do Projecto.
Capitulo B – Descrição do Projecto: Descreve a localização e a concepção geral do
Projecto.
Capitulo C – Caracterização da Situação de Referência: Apresenta a situação
ambiental da área em estudo antes da implementação do Projecto, analisando as componentes ambientais mais susceptíveis de serem perturbadas pela exploração, recuperação e desactivação do mesmo.
Capitulo D – Avaliação de Impactes Ambientais: Identifica e avalia os principais
impactes negativos e positivos, decorrentes das fases de exploração, recuperação e desactivação do Projecto, assim como os seus impactes cumulativos.
Capitulo E – Medidas de Minimização: Apresenta um conjunto de medidas que
permitem atenuar os impactes negativos que surgem no decorrer do Projecto e, por outro lado, valorizar os impactes positivos gerados pelo mesmo.
Capitulo F – Medidas Compensatórias: Procede-se à descriminação das medidas
compensatórias propostas e que passam pela implementação de acção(ões) de carácter específico e aplicável à região em que o projecto se insere.
Capitulo G – Monitorização e Medidas de Gestão Ambiental: Constitui um plano
de monitorização para o Projecto em análise, nomeadamente para as componentes onde o acompanhamento é essencial para a adequada gestão ambiental do Projecto e/ou para clarificar a eficácia de algumas das medidas minimizadoras propostas.
Capitulo H - Lacunas de Conhecimento: Expõe as principais lacunas de informação
Capitulo I - Conclusões: Resume as principais conclusões do Estudo efectuado.
Capitulo J – Referência Bibliográficas
Anexos: Nos quais constam os elementos remetidos no texto do Relatório Síntese
para anexo tais como:
Documentos: Antecedentes - Pareceres de mais recentes;
Relatório 1: Avaliação de Ruído Ambiental de Fontes Permanentes; Relatório 2: Análise de Fracção PM10 de Poeiras em Suspensão em Ar
Ambiente;
Relatório 3: Arqueologia; Elenco Florístico Faunístico; Peças Desenhadas
3.2. Definição do âmbito do EIA
3.2.1. Considerações Gerais
Um importante requisito para o correcto desenvolvimento da análise a assegurar num EIA é a definição do seu âmbito, isto é, dos domínios de análise a abranger e, acima de tudo, do seu grau de aprofundamento, em função do tipo de impactes induzidos pelo Projecto, da especificidade e da sensibilidade do ambiente que o vai acolher.
Seguidamente procede-se à descrição dos critérios que fundamentaram a selecção dos descritores considerados relevantes.
3.2.2. Domínio e Profundidade de Análise
O objectivo do EIA da pedreira “Vale Madeiros” é a aferição, a caracterização e a avaliação dos impactes ambientais resultantes da execução do Projecto, nas suas diferentes fases, no sentido de concretizar medidas minimizadoras/compensatórias dos impactes negativos significativos detectados, de forma a obter o seu adequado enquadramento ambiental.
A definição do grau de profundidade da análise dos diferentes descritores depende das características específicas do Projecto, da sensibilidade da área onde se vai localizar e, acima de tudo, da sua área de influência.
Assim, e tendo em atenção as características, quer do Projecto, quer da área de implantação, os descritores seleccionados para o presente estudo, que se consideraram como relevantes foram os seguintes:
Ecologia, uma vez que a área de implantação do Projecto, está inserida num Parque
Natural e num Sitio a integrar na Rede Natura 2000, este descritor, nas vertentes da Flora e da Fauna, assume uma importância relevante na caracterização da área; Património Arqueológico, Arquitectónico e Etnográfico, já que será necessário
garantir a preservação e promover o enquadramento dos valores patrimoniais potencialmente presentes na área em estudo, ainda que nesta área não exista registo de nenhum elemento classificado ou em vias de classificação.
Ordenamento do Território, na medida em que, segundo o PDM de Santarém a área
de intervenção integra-se em “Espaços Agro-florestais”, integrados na Reserva Ecológica Nacional (REN) e segundo o Plano de Ordenamento do PNSAC vigente a área do Projecto se encontra em "Áreas de Protecção Complementar Tipo II”.
Refira-se que a relevância dada a estes três descritores é uma consequência directa dos pareceres emitidos pelo PNSAC e constantes no anexo I. Os seguintes apresentam a mesma relevância que os anteriores pelas características do Projecto.
Qualidade do Ar, descritor em que tipicamente ocorrem impactes significativos
associados às actividades de desmonte, extracção e transporte do material;
Ambiente Sonoro, dado ser um descritor, à semelhança do anterior, onde os projectos
de pedreiras induzem, tradicionalmente, a ocorrência de impactes;
Paisagem, ainda que esta pedreira se localize a uma distância bastante razoável de
áreas urbanas ou habitacionais, este é um descritor onde se perspectivam impactes significativos pela ruptura na paisagem envolvente que uma exploração de inertes implica;
Sócio-economia, considerando não só a importância da produção de calcário
ornamental para a economia nacional e local, mas também os incómodos normalmente associados à laboração das pedreiras.
A avaliação dos restantes descritores desenvolve-se numa perspectiva de enquadramento, destacando-se, ainda assim, que estes actuam como elementos estruturantes para uma visão integrada das consequências resultantes da implementação do Projecto. Assim, serão estudados os seguintes descritores ambientais:
Geologia e Geomorfologia, uma vez que o objecto do Projecto é a exploração de uma
massa mineral, o que terá consequências sobre toda a área escavada para extracção de rocha ornamental, especialmente pelas alterações na fisiografia que este tipo de indústria implica;
Solos e Uso do Solo, aspecto com pouca relevância já que a área da pedreira não irá
abranger solos de elevada capacidade produtiva ainda que, na fase de exploração, vá implicar transitoriamente alterações ao uso actual do solo, o que deverá ser progressiva e simultaneamente colmatado com a e recuperação paisagística e ambiental;
Recursos Hídricos, desagregados em águas superficiais e águas subterrâneas, sendo
necessário acautelar que não existem impactes negativos significativos sobre a vertente quantitativa tendo em presença as características hidrogeológicas do Maciço Calcário Estremenho;
Qualidade das Águas, não se perspectivam cenários de degradação na envolvente
hidrogeológicas do Maciço Calcário Estremenho e a implementação do Plano de Pedreira.
Clima, apenas como referência já que o Projecto não deverá ter impactes significativos
sobre este descritor, ainda que este seja essencial para a análise e previsão de impactes sobre alguns descritores com especial destaque para a Qualidade do Ar e o Ambiente Sonoro.
4. OBJECTIVOS E JUSTIFICAÇÃO DO PROJECTO
4.1. Objectivos, Necessidade e Justificação do
Projecto
O Projecto da Pedreira "Vale Madeiros" tem como objectivo o licenciamento de uma área de pedreira de calcário ornamental, cumprindo as indicações constantes no parecer sobre a sua localização, emitido pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, a 4 de Agosto de 2011 (em Anexo).
A utilização de rocha ornamental na arquitectura e construção civil é, sem dúvida, uma actividade que acompanha a humanidade desde tempos ancestrais e que marca a nossa cultura, sendo exemplo, num vasto universo, o Mosteiro da Batalha e a nossa Calçada Portuguesa.
A existência desta pedreira, como toda a actividade mineira, tem como condicionante a geologia, só se justificando a sua presença onde ocorre o recurso mineral pretendido. O Maciço Calcário Estremenho, é uma área por excelência para a extracção da rocha calcária, devido às características do seu subsolo. Salienta-se, no entanto que raramente se encontra suporte para esta actividade nos instrumentos de gestão territorial, quer por um insuficiente reconhecimento do território nacional ao nível dos recursos geológicos, quer pela concorrência com o uso dos solos e suas potencialidades.
Em Portugal continental, a extracção de rocha ornamental, espalha-se um pouco por todo o país dependendo da localização dos seus jazigos. No caso específico dos calcários sedimentares, o Maciço Calcário Estremenho e Lisboa e Vale do Tejo, de onde se destacam os concelhos de Santarém a Alcobaça.
O sector da Rochas Ornamentais apresenta um grande peso na estrutura produtiva nacional, sendo de destacar que, das rochas ornamentais extraídas é o subsector dos "Mármores e Rochas Carbonatadas" (onde se incluem os calcários ornamentais) que tem maior expressão.
As características dos calcários portugueses, nomeadamente o tamanho dos blocos disponíveis e a sua grande homogeneidade de textura e cor, têm permitido a oferta de boas qualidades a preços favoráveis, pelo que estas rochas têm vindo a ser muito reclamadas pelos mercados internacionais. A RELVICREME incide a sua actividade na exploração e comercialização de calcário ornamental, abastecendo a indústria de construção civil a nível nacional e mesmo internacional, sendo de destacar que, para o tipo de pedra que se pretende
explorar nesta pedreira (moca creme de grão médio a fino), o principal mercado se centra na China.
Tendo em vista a necessidade de assegurar reservas para continuidade da empresa, a RELVICREME, investiu na contratualização dos terrenos onde se pretende implantar a Pedreira "Vale Madeiros", onde existe a matéria-prima alvo da sua actividade. Assim, o projecto da Pedreira "Vale Madeiros" surge para a RELVICREME, como uma consequência natural da estratégia de continuidade e crescimento da empresa.
Em suma, e tendo por base a legislação em vigor, o licenciamento desta pedreira justifica-se pelas seguintes razões:
• existem reservas limitadas nas actuais pedreiras pertencentes à RELVICREME, o que pode trazer problemas de estabilidade financeira à empresa a médio prazo;
• a crescente escassez de reservas de calcários ornamentais em condições exploráveis, devido à dependência de terceiros ou às inúmeras condicionantes de ordenamento; • nesta zona ocorrem reservas significativas de um tipo muito específico de calcário ornamental, o moca creme de grão médio a fino, com grande apetência para uso na construção civil;
• o calcário ornamental é um produto de exportação, com elevado interesse comercial a nível nacional e internacional, pelo que a sua exploração racional e enquadrada nos requisitos legais existentes, poderá contribuir, de alguma forma, para o benefício da economia do País.
4.2. Antecedentes do Projecto
A pedreira de Vale Madeiros é uma intenção muito antiga da empresa RELVICREME. Desde 1991 que a empresa desenvolveu várias acções e solicitou pareceres, com diferentes configurações, no sentido de obter licença de exploração neste local.
Obteve sempre pareceres negativos e foi objecto de acções de fiscalização sempre que tentou iniciar a exploração na região. Destas acções de fiscalização efectuadas pelas equipas de campo do PNSAC resultaram ordens de paragem e reposição da situação inicial. Estas acções foram sempre acatadas pela empresa que procedeu aos trabalhos de reposição do relevo original.
Com a alteração do Plano de Ordenamento do PNSAC em 2010 surgiu uma nova oportunidade para a RELVICREME obter a licença da pedreira tão desejada. Para tal procedeu, em 15 de Julho de 2011, ao pedido formal de parecer de localização para uma área mais abrangente para a qual mereceu o parecer favorável do PNSAC/ICNB, a 4 de Agosto 2011, para espaços classificados como APCII (Áreas de Protecção Complementar Tipo II), condicionado sempre à recuperação de área degrada de igual dimensão (n.º8, art.º 32, da RCM n.º 57/2010, de 12 de Agosto). O referido parecer do PNSAC consta em anexo.
No seguimento deste parecer e no sentido de avaliar a massa mineral existente a RELVICREME optou por solicitar a atribuição de uma licença de prospecção e pesquisa à DRE-LVT, o que efectuou em 5 de Julho de 2013.
Após um pedido de complemento de informação a DRE-LVT enviou ofício a 14 de Janeiro de 2014 a comunicar o conteúdo do parecer emitido pelo ICNF-PNSAC no âmbito da consulta efectuada pela entidade licenciadora de acordo com o preceituado no n.º3 do Art.º 21º do Dec.-Lei n.º 270/2001, de 6 de Outubro, alterado e republicado pelo Dec.-Lei n.º 340/2007 de 12 de Outubro. Este parecer do ICNF-PNSAC é favorável condicionando a emissão da referida licença de prospecção e pesquisa, entre outras questões, à apresentação de “(…) novo contrato de pesquisa e exploração com o Conselho Directivo do Baldio de Valverde, Pé de Pedreira, Barreirinhas e Murteira actualmente em funções;”.
Condicionante esta contestada pela RELVICREME fundamentada na data do contrato que celebrou e que segue em anexo e no contencioso que corre nos tribunais entre as duas direcções do referido Conselho de Baldios que se afirmam como legitimas gestoras dos Baldios. Refira-se também que foi, em última instância, definido que a direcção de baldio presidida por Virgílio Vitório manter-se-ia, tão só, com as competências da gestão corrente dos Baldios, o que implica que na actualidade não há ninguém autorizado a proceder à assinatura de contractos de pesquisa e exploração.
Sobre esta questão do contrato, considera a RELVICREME, que assinou o contracto de boa-fé e na figura de escritura pública com uma entidade que se afirmava como Gestora do Conselho de Baldios de Valverde, Pé de Pedreira, Barreirinhas e Murteira que, até ver, não foi contestado oficialmente por tribunal ou por entidades com competência para tal. Pelo que que se considera esta escritura como válida.
Em resumo, e tendo em atenção o impasse criado, a DRE-LVT não emitiu até à data a Licença de Prospecção e Pesquisa, tendo a RELVICREME optado por avançar com o Licenciamento do qual resulta a elaboração do presente PP e do respectivo Estudo de Impacte Ambiental para obtenção da devida Licença de Exploração.
Refira-se também que a definição actual do Limite da área de Pedreira é ligeiramente distinto dos pareceres anteriormente solicitados e obtidos, respeitando sempre o princípio de não se sobrepor a áreas licenciadas/atribuídas a outras empresas exploradoras e de abranger tão só terrenos classificados como APCII de acordo com o Plano de Ordenamento do PNSAC.
Os factos afirmados sobre a existência de intenção de exploração de pedreira nesta região por parte da RELVICREME desde 1991 poderão ser confirmados pelo PNSAC, tendo em atenção o histórico existente nos seus arquivos.
4.3. Alternativas ao Projecto
Na óptica industrial, uma pedreira pode ser vista como uma unidade de extracção de matéria mineral, que implica a instalação no terreno de um conjunto de equipamentos e maquinaria, e de recursos humanos. Por definição, neste tipo de projectos, é a localização da matéria-prima que define a localização das unidades de extracção, ao contrário de outros projectos industriais onde a localização poderá depender mais de factores tais como as acessibilidades e a disponibilidade de mão-de-obra.
A localização das pedreiras encontra-se assim, à partida, condicionada pela disponibilidade espacial e pela qualidade dos recursos. A esta restrição, natural, à sua
exploração acrescem as restrições decorrentes dos compromissos e das opções de ordenamento estabelecidas para o território nacional.
Neste contexto, e em termos objectivos, a localização proposta é aquela que se afigura como viável, por este tipo muito específico de rocha ornamental existir comprovadamente no local, estando o promotor do projecto disposto a assegurar a adopção de todas as medidas de protecção ambiental que venham a ser consideradas necessárias para compatibilizar a actividade extractiva com a salvaguarda da qualidade de vida das populações e a preservação do património natural.
B. Descrição do Projecto
1. INTRODUÇÃO
Neste capítulo pretende-se apresentar, de forma resumida, os principais elementos do projecto da pedreira "Vale Madeiros", que estão mais detalhados no Plano de Pedreira, que acompanha este Estudo de Impacte Ambiental.
Na elaboração do Plano de Pedreira (adiante também designado Projecto), estipularam-se as condições técnicas de exploração, de recuperação paisagística e de manutenção da qualidade ambiental, tendo por base o estabelecido no Decreto-Lei n.º 270/2001, de 6 de Outubro, alterado e republicado pelo Decreto-Lei n.º 340/2007, de 12 de Outubro, que estabelece o regime de jurídico relativo à extracção de massas minerais. Para além do referido, para a elaboração deste Plano consideraram-se, ainda:
as condições de aproveitamento da massa mineral consignadas no Decreto-Lei n.º90/90, de 16 de Março, que determina o regime geral de revelação e aproveitamento dos recursos geológicos;
o disposto no Decreto-Lei n.º162/90, de 22 de Maio, que estabelece o regulamento geral de higiene e segurança no trabalho nas minas e pedreiras;
o Decreto-Lei n.º 10/2010, de 4 de Fevereiro, relativo à construção, exploração e encerramento de instalações de resíduos resultantes da actividade extractiva.
O Plano de Pedreira (PP) constitui, assim, um vasto documento técnico, que descreve todas as actividades associadas à existência da pedreira, incluindo:
o Plano de Lavra (PL), que descreve o método de exploração propriamente dito, os sistemas de extracção e transporte, os sistemas de abastecimento e escoamento e as instalações auxiliares e que garantirá uma gestão racional da pedreira, com claras vantagens para o aproveitamento do recurso mineral e para a qualidade do ambiente na sua envolvente;
o Plano de Segurança e Saúde (PSS), que tem o objectivo de auxiliar a gestão da segurança, higiene e saúde no trabalho da pedreira, apresentando uma análise de riscos com indicação das principais medidas de segurança a implementar para a sua minimização, bem como os planos de prevenção adoptados ao nível da sinalização e circulação, da protecção colectiva, da protecção individual, dos meios de emergência e de primeiros socorros. Por se tratar de um documento em constante actualização e que se enquadra no plano de Segurança e Saúde que a RELVICREME tem para todas as suas unidades extractivas e industriais, optou-se por apresentar este plano como um Anexo autónomo do PP ;
Projecto de Instalação de Resíduos (PIR) ou de Plano de Aterro que procura definir a
metodologia de gestão dos resíduos resultantes da exploração do calcário, bem como o modo como será aterrada a corta, com vista a minimizar os impactes ambientais negativos e a devolver à área condições para que a Câmara Municipal de Santarém e o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros possam decidir qual o tipo de uso a dar ao espaço, após a desactivação da pedreira;