A partir da década de 1870,
a habitação eclética reunia
referências a vários estilos – de europeus a exóticos –,
inspirando-se superficialmente em chalés e cottages.
Aparecem os corredores-alpendrados, onde ocorriam
os saraus e os namoros; fumava-se ou lia-se. As
mulheres finalmente passaram a sair de casa para desfrutar
da vida e lazer urbanos.
Fachadas ecléticas
CASTELNOU
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Avenida Paulista (São Paulo SP)
Palacete da Marquesa de Itu Residência Maria Augusta
Borges Figueiredo Lacerda Soares Palacete
Residência João Dente
Residência Horácio Espíndola
Residência Alexandre Siciliano Mansões
Museu Paulista - Antigo Palácio do Ipiranga (1884/88, São Paulo SP)
Proclamação da República
(15/11/1889)
Bandeira dos Estados Unidos do Brasil (1889)
Com a República (1889),
o ECLETISMO passou a simbolizar o progresso e
disseminou-se por todo o país, perdurando até as primeiras
décadas do século XX.
Misturando vários estilos,
inclusive o Art Nouveau, as moradias passaram a incluir
balcões de ferro, cúpulas e alegorias, além da luz elétrica e
futuramente a garagem. Francisco Bolonha
Palacete Bolonha
(1905, Belém PA)
O ecletismo também
aconteceu na decoração de interiores, que se apropriou da inspiração no passado,
especialmente europeu.
Com elementos tanto
neoclássicos como neobarrocos, o
MOBILIÁRIO nacional eclético recebeu apliques de
várias procedências, além de vernizes, lacas, marchetarias e talhas. Canapé Poltrona Mesa Palácio Piratini (1896/1913, Porto Alegre RS)
Modernismo no Brasil
A arquitetura moderna somente pôde se afirmar no
Brasil quando as condições sociopolíticas do país
começaram a se alterar, o que ocorreu somente em
meados da décadas de 1920, mas principalmente após
a industrialização que se desenhos nos anos seguintes.
Com a Revolução de 1930 e o término da Primeira
República (República Velha), o país abriu-se para a
modernização de suas antigas estruturas e, assim, a
arquitetura doméstica pôde sofrer alterações profundas
A participação de estrangeiros
foi fundamental para a introdução dos preceitos funcionalistas, com destaque
para o ucraniano Gregori Warchavchik (1896-1972).
O mesmo ocorreu em relação
ao mobiliário moderno, cujas modificações também se deram
graças a artistas imigrantes, como o suíço Jonh Graz (1891-1980) e o lituano Lasar Segall (1891-1957). Gregori Warchavchik (1896-1972)
Casa modernista (1927/28, Rua Santa Cruz – Vila Mariana, São Paulo SP)
Cadeiras de Lasar Segalll (1891-1957) Poltronas de John Graz (1891- 1980)
1 Hall 2 Sala de estar 3 Sala de jantar 4 Cozinha 5 Banheiro 6 Dormitórios 7 Garagem 8 Lavanderia 9 Dep. Serviços Casa modernista (1930, Rua Itápolis – Consolação, São Paulo SP)
Gregori Warchavchik (1896-1972)
Em 1939, Lúcio Costa
(1902-98) publicou um texto onde propôs a quebra dos padrões
europeus de mobiliário para criar móveis identificados com
a nossa cultura.
Isto originou uma TENDÊNCIA
NACIONALISTA, que se
difundiu no interiorismo entre os anos 1940 e 1950, cujo destaque foi o trabalho do arquiteto português Joaquim
Tenreiro (1906-92). Poltrona Leve (1942) Cadeira de Embalo (1947) Cadeira Tripé (1947) Joaquim Tenreiro (1906-92) Cadeira recurvada (1949)
O design moderno nacionalista
defendia a busca de um espírito essencialmente brasileiro, de inspiração
orgânica e emprego de materiais naturais e métodos de fabricação semiartesanais.
Entre os brasileiros que
contribuíram para o FIFTIES
nacional estavam Rino Levi (1901-65) e Oswaldo Arthur Bratke (1907-97). Poltrona Teatro Cultura Artística (1948) Rino Levi (1901-65) Mesa e poltronas (c.1950) Poltrona (1959)
Oswaldo Arthur Bratke (1907-97)
Residência Maria Luisa e Oscar Mariano
- Atual Fundação (1953, Morumbi – S. Paulo)
Pav. Superior
Outros expoentes do design nacionalista foram: Vilanova
Artigas (1915-85), José Zanine Caldas (1919-2001),
Geraldo de Barros (1923-98), Sérgio Rodrigues
(1927-2014) e Aida Boal (1929-). Poltrona Preguiça (1943) Vilanova Artigas (1915-85) Oswaldo Arthur Bratke (1907-97) Cadeira em chapa Compensada (1948) Poltrona João Carlos (1950) Aida Boal (1929-) Cadeira Ângela (1950) Poltrona Mônica (1950) Poltrona Z (1950) Zanine Caldas (1919-2001)
Cadeira Lúcio Costa (1956) Poltrona Oscar Niemeyer (1957) Estante (1960) Banco Eleh (1965) Cadeira Rino Levi (1958) Poltrona Mole (1957) Poltrona Diz (2001) Poltrona Kilin (1956)
Foi a partir de 1950, quando a
arquitetura moderna brasileira ganhava reconhecimento, que o
mobiliário deixou de ser
produzido apenas artesanalmente para ser fabricado em série.
Nessa época, apareceram
empresas que, preocupadas com a qualidade do que era
produzido, abriram espaço para os designers, até então limitados
à reduzida produção artesanal.
Poltrona Brasiliana (1965) Poltrona Verônica (2008)
Poltrona Paulistana L’Atelier (1960)
Jorge Zalszupin (1922-)
Poltrona
Dinamarquesa (1959)
O design moderno
nacionalista encontrava assim seu apogeu, quando o
DESENVOLVIMENTISMO predominava no país e crescia a luta por uma arte autenticamente brasileira e contestadora, enfatizando o artesanato em madeira, o primitivismo artístico e a naturalidade matérica. Poltrona Unilabor (1950) Geraldo de Barros (1923-98) Estante GB e Cadeiras Unilabor (1950)
Particularmente fértil foi o período entre o segundo
pós-guerra e aproximadamente 1965, com uma multiplicação de iniciativas destinadas a produzir em série móveis
modernos, funcionais e belos, com a criação de várias firmas, entre as quais:
Studio de Arte Palma Forma
Unilabor Móveis Z
Oca Probjeto
Branco & Preto Hobjeto
L’Atelier Giroflex
Escriba
Fundada em 1948 por
Sebastião Pontes, Zanine Caldas e Paulo Mello, em São
José dos Campos SP, a MÓVEIS ARTÍSTICOS Z produziu mobiliário utilizando
a técnica de recorte de compensado de madeira.
Com a entrada de Hellmuth
Schicker, nos anos 1950, diversificou-se a produção com o uso de outras matérias-primas e processos industriais.
José Zanine Caldas (1919-2001)
Criada em 1952 por Miguel
Forte (1915-2002) ,
Jacob Ruchti (1917-64) e um grupo de arquitetos formados pelo Mackenzie,
além do chinês Chen Y. Hwa, a BRANCO & PRETO
produziu móveis em madeira e estofado,
introduzindo no país a ideia de arte intervindo
diretamente no cotidiano.
Miguel Forte (1915-2002) e Jacob Ruchti (1917-64),
Também trabalharam para a loja e fábrica de móveis
BRANCO & PRETO os arquitetos Plínio Croce (1921-84), Roberto Aflalo (1926-92) e Carlos Milan (1927-64).
Mesa de ripas (1952) Mesa aranha (1952)
Poltrona M1 (1952) Poltronas Branco & Preto (1952)
Mesmo sem deixar de
acompanhar as inovações do
design dos principais centros europeus, nos anos 1950, muitos profissionais
dedicaram-se à pesquisa de formas ligadas às tradições culturais
ou à exploração de nossos materiais.
E acabaram criando novas
soluções, de acordo com a realidade econômica,
contribuindo para a criação de um design realmente nacional.
Bardi’s Bowl (1951/52) Poltrona Tripé (1948) Cadeira Frei Egídio (1987) Cadeira e Mesa Girafa (1987) Lina Bo Bardi (1914-92)
1 2 3 4 5 6 7
7
1 Hall 5 Banheiro 2 Sala 6 Serviços 3 Dormitórios 7 Jardim 4 Cozinha Lina Bo Bardi (1914-92) Casa da arquiteta (1949, Morumbi São Paulo SP)Bibliografia
LEMOS, C. A. C. História da casa brasileira. São Paulo:
Contexto, 1996.
MENDES, C.; VERÍSSIMO, C.; BITTAR, W. Arquitetura no Brasil: De Cabral a Dom João VI. Rio de Janeiro:
Imperial Novo Milênio, 2011.
REIS FILHO, N. G. Quadro da arquitetura no Brasil. 8.
ed. São Paulo: Perspectiva, 1997.
SANTOS, M. C. L. Móvel moderno no Brasil. São Paulo:
EdUSP/Studio Nobel, 1995.
VERÍSSIMO, F. S.; BITTAR, W. S. M. 500 anos da casa no Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.