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CIÊNCIAS NATURAIS BIOLOGIA E ECOLOGIA 5º ANO

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Academic year: 2021

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Objetivo Pedagógico e Metas de Ensino de uma Escola Waldorf - Tobias Richter

CIÊNCIAS NATURAIS – BIOLOGIA E ECOLOGIA 5º ANO

ASPECTOS PRINCIPAIS E METAS PEDAGÓGICAS GERAIS - 4º ao 8º ano

AS CIÊNCIAS NATURAIS NÃO SÃO MINISTRADAS, INICIALMENTE, COMO MATÉRIA ESPECÍFICA, mas são integradas, desde o 1° ano, às narrativas e às noções de ciências práticas. A criança vem a conhecer as relações de todos os reinos da natureza com o homem de uma maneira global e expressamente não-científica. "Não-científico" significa aqui: não se pretende chegar às leis da natureza nem preparar ou introduzir esquemas de classificação. De outro lado, também não significa "fantástico", "vago", "casual" ou "sem orientação", mas sim: por em evidência, com fantasia exata, a essência de um fenômeno natural. Assim, p. ex., um carvalho, na descrição do professor, pode se tornar, para a criança, mais "carvalhesco" que o carvalho no parque municipal, e uma vaca pode revelar todas as suas características mais amplamente numa conversa com um cavalo no pasto do que isso seria possível numa visita a um estábulo durante as férias...

Do mesmo modo, as fábulas, sobre animais e plantas, e as lendas contadas no 2° ano (p.ex. São Francisco, São Beato ou São Brandão) têm uma relação bem clara com a realidade da natureza.

No 3° ano, é a história da criação do mundo do Antigo Testamento que trata, sob forma de imagens, da origem da terra, das plantas, dos animais e do homem. Além disso, acrescenta-se, na época de agricultura, a essa complexidade e totalidade uma descrição mais individualizada e concreta das plantas e animais. É importante que, por parte do professor e das crianças, a vivência.das plantas e dos animais, tais como "realmente são", seja sempre impregnada por um sentimento de gratidão e de veneração em relação à criação do mundo. Esse aspecto não deve ser incutido pelo professor aos alunos de uma maneira

"sentimental"; precisa resultar de uma atitude anímica que leva a imagem da terra como palco das relações recíprocas e da responsabilidade do homem diante dos reinos da natureza a sério.

É justamente em nossa época — em que vivenciamos cada vez mais a Primavera silenciosa de Rachel Carson — que um ensino de ciências naturais ou de ecologia destinado a despertar o respeito à dignidade da criação adquire uma nova dimensão existencial. Era o desejo íntimo de Rudolf Steiner que esse ensino revelasse e fizesse viver as relações mútuas.

"Assim como o mundo vegetal deve ser apresentado, durante o ensino, em sua relação com a terra — para que o mundo vegetal se pareça, num certo sentido, com algo que emana como seu resultado do organismo vivo da terra —, assim, todo o reino animal, precisa ser visto como unidade que decorre do homem. E assim se integra a criança de forma viva na natureza, no mundo. Ela compreende que o tapete vegetal da terra faz parte do organismo terra. Mas aprende também, de outro lado, a compreender que todas as espécies animais espalhadas na terra constituem, de certa forma, um caminho em direção ao homem." (R. Steiner, GA 307, p.167)

O conhecimento do meio ambiente exigido, com razão, pela escola, não é um assunto isolado, mas deveria estar integrado, pelo próprio método de ensino, nas ciências naturais e em todas as outras matérias, de

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maneira tal que se proceda sempre do todo para as partes (Cf. W. Schad / A. Suchantke in: F. Bohnsack / E.-M. Kranich, 1990).

Se o ensino das ciências naturais tem também a tarefa de aproximar a criança da terra, de entender a terra em seus reinos — o que significa, mais uma vez, alcançar a "maturidade terrena" -, então este ensino

poderia ter início no 4° ano, quando a criança tem maior facilidade de estabelecer relações e conexões. Estas podem ser encontradas na Zoologia combinada com a Antropologia, e a organização física do homem em cabeça-tronco-membros poderia constituir o ponto de partida e a base da divisão. (R. Steiner, GA 294, 7a palestra)

"No reino animal, mormente em suas formas mais evoluídas, é mais fácil buscar conhecimentos fisionômicos do que nas formações imóveis e silenciosas do mundo vegetal. Com efeito, uma vida anímica viva e ativa manifesta-se na forma, na atitude, nos movimentos e no comportamento de um animal. O fenômeno visível não é a imagem imóvel de um único impulso anímico, como ocorre nas plantas, ele é cheio de vida interior, de cobiças e instintos, de paixões, de prazer e desagrado, de vários graus de vigília e de outras forças anímicas." (E.-M. Kranich, Stuttgart 1993, p. 189)

A Botânica (5° ano) se dirige através da vivência anímica a um pensar que ainda decorre inteiramente num ambiente de imagens concretas. Quando "compreende" as plantas, a criança deveria, sobretudo, ter um sentimento de alegria ao se lhe abrirem os olhos para a percepção de pequenos detalhes e inter-relações mais amplas.

Enquanto o ensino da antropologia e da zoologia pode se basear na organização ternária cabeça-tronco-membros do homem, a botânica deveria mostrar uma relação temporal e evolutiva, mas principalmente anímica com o homem.

"Será necessário, depois de falar da relação animal-homem, ver claramente a relação da planta com o ser humano ... Enquanto se deve comparar o mundo animal mais com a corporalidade do homem, o mundo das plantas precisa ser comparado mais com a alma do homem ... Devido ao relacionamento da parte anímica do homem com as plantas, é preciso por uma ordem na própria vida das plantas." (R. Steiner, GA 295, 9a, 10a e 11a discussão seminarista)" Uma exposição detalhada desse enfoque encontra-se no livro já citado de E.-M. Kranich 1993.

A isso se acrescenta a observação da vida vegetal no decorrer do ano e sua relação com a terra e o sol, além de uma visão panorâmica do mundo todo. Muitas coisas são descobertas durante excursões e passei-os na redondeza. As plantas passam a ser vivenciadas de uma maneira diferente: surgem relações que geram amizade e afinidade.

Enquanto que a botânica fortalece, nas crianças, sobretudo as forças anímicas em relação aos fenômenos do reino vegetal, na observação e na descrição dos minerais se apela e se estimula um lado mais lógico e causal do pensar.

"Deixamos os minerais para o fim porque o relacionamento com eles exige quase só a força do intelecto, e esta não apela a algo que liga o homem ao mundo exterior." (R. Steiner, GA 294, 14a palestra). - "Para compreender os minerais basta informar-se sobre causas e efeitos. Os fenômenos físicos podem ser compreendidos dessa maneira." (R. Steiner, GA 307, 12a palestra)

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Dessa maneira se avança da zoologia e botânica até o âmbito "morto" da Mineralogia. Enquanto que no início a imagem física, e em seguida a imagem psíquica do homem, constituía o pano de fundo das ciências naturais, esse aspecto reaparece na mineralogia na trimembração do granito ou dos três principais grupos de minerais (rochas sedimentares, plutônicas e eruptivas). Por isso, nos quatro anos seguintes (até o 10° ano) este se torna o tema predominante das ciências naturais.

É justamente na época da puberdade que convém despertar uma relação correta com o próprio corpo. Decorre daí a responsabilidade do homem em relação tanto a si mesmo (ensino de nutrição e higiene no 7° ano) quanto em relação aos outros — e convém observar bem a diferença entre os sexos - e ao mundo, já que suas leis se refletem na estrutura do esqueleto, da mecânica dos músculos e dos ossos, na função do olho e da laringe (Antropologia no 8° ano).

Com a maturidade terrena, as perguntas sobre a essência do ser humano, sobre seu destino e sua definição passam a ter um novo toque existencial. Questões como: "Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou?" vivem nas almas dos jovens e os impelem para frente, mesmo se as reflexões e discussões a respeito delas são apenas veladas. Definições rígidas, do tipo:

o homem é um produto do seu ambiente, ele é escravo dos seus genes,

ele é um egoísta dirigido por instintos e cobiças, ele é o que come,

ele é um macaco nu etc.

não são podem ser justificadas tanto do ponto objetivo, prático, quanto do ponto de vista metodológico. Em relação ao ponto de vista prático: o ser humano se caracteriza justamente pelo fato de sempre vir a ser e nunca ser algo definitivamente. Em relação ao ponto de vista metodológico: a criança, e mais tarde o jovem, tem o direito de vivenciar como a compreensão do ser humano obedece a critérios que mudam

constantemente. Essa é uma das mais importantes metas pedagógicas das ciências naturais, isto é, da antropologia. Não deveríamos falar de uma "imagem do homem", pois isso sugeria um conhecimento pronto. Rudolf Steiner nunca fala de uma imagem antroposófica do ser humano.

"Sempre deverão ter consciência de que precisam dar à criança algo que permanece nela por toda a sua vida. Não podem incutir-lhe conceitos mortos, que não possam ficar, a respeito de detalhes da vida; deverão dar-lhe conceitos vivos, a respeito dos detalhes da vida e do mundo, que possam crescer organicamente com ela. Mas tudo deverá ter uma relação com o ser humano. No final, na mente da criança, tudo terá de confluir no conceito do ser humano. Esta idéia de ser humano poderá permanecer. Tudo o que dão à criança quando lhe contam uma fábula e a aplicam ao homem, quando, na aula de ciências naturais, estabelecem analogias entre o polvo, o rato e o homem, quando, ao tratar do telégrafo Morse, causam uma sensação de milagre pelo que passa através da fiação abaixo da terra — tudo isso são coisas que ligamo mundo inteiro com seus detalhes ao ser humano. Isso é algo que pode permanecer. O conceito de ser humano, entretanto, precisa ser elaborado passo a passo, pois não se pode ensinar à criança um conceito pronto do ser humano." (R. Steiner, GA 293, 9' palestra)

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5° ANO

CRITÉRIOS E PRINCÍPIOS GERAIS DE ENSINO:

De um lado, no 5° ano é preciso continuar com o estudo das espécies animais em relação ao ser humano que começou no 4° ano, acrescentando algumas espécies menos conhecidas. De outro lado, enfatiza-se

especialmente a botânica.

É importante falar sobre as condições de crescimento das plantas (qualidade do solo, umidade, luz e calor), para, em seguida, conhecer o habitat das plantas. A atenção anímica dispensada ao nascimento e morte no mundo vegetal é bem diferente daquela relativa ao mundo animal; é muitas vezes mais reservada. Mas, é justamente essa atenção anímica que importa.

Hoje, mais do que nunca, uma relação viva com a terra e com o mundo vegetal é uma condição de vida e até de sobrevivência.

Uma das metas pedagógicas é, portanto, transmitir à criança a ligação entre a terra e a planta. Outra é chegar a um "sistema" de observação da planta que não seja estranho para a criança, mas sim familiar. Assim como se percebe a ligação entre planta e terra, a criança, enquanto cidadã da terra, também deve se sentir como parte dessa relação. Rudolf Steiner recomendou então comparar os vários níveis do reino vegetal com as fases da evolução da criança: dos fungos às plantas tas com flores. Todavia é importante evitar analogias exteriores — isso levaria, eventualmente, a um ensino descritivo bastante banal — e

mostrar as características das diferentes espécies vegetais de maneira "artística", integrando as crianças com suas primeiras vivências anímicas e suas formas de consciência neste processo expositivo e vivo.

POSSÍVEIS CONTEÚDOS DE ENSINO:

A Zoologia prossegue. Ponto de partida poderia ser a trindade águia - leão - bovino. • Águia: um animal marcado pelos olhos e pelos órgãos de respiração.

• Leão: um animal dominado pela organização da respiração e circulação.

• Touro: toda a sua anatomia é dominada pelo desenvolvimento excessivo dos órgãos de digestão. Partindo dessa trindade, pode-se chegar à multiplicidade dos grupos de animais.

Da águia:

• aos pássaros (forte integração no mundo ambiente: o decorrer do ano e do dia, construção de ninhos, canto)

• às aves de rapina (estrema agilidade no espaço aéreo) • às aves aquáticas e aves terrestres

Do leão:

• ao urso (desenvolvimento primordial dos membros) • a outros felinos

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Do bovino:

• a animais das montanhas (camurça, cabra montesa)

• a animais com sensibilidade aguçada em relação ao ambiente (veado, corço, antílopes)

• à girafa, com sua relação com a altura e amplidão do espaço (formação dominante do pescoço e das pernas)

• a animais em que predomina o peso de sua organização (hipopótamo, rinoceronte)

• a animais extremamente sensíveis no contato em relação a alimentos e outras substâncias (porcos)

Na Botânica convém enfocar primeiro:

• Uma visão viva da raiz, caule, folha e flor, p. ex. ranúnculo ou dente-de-leão (compostas). • A diferença entre flor e árvore, e a relação entre pasto e floresta.

• A árvore como "excrescência" da terra na qual cresce apenas uma espécie em grande número. • Observação e divisão do reino vegetal:

• fungos • algas • liquens • musgos • samambaias • cavalinhas • coníferas • gimnospermas e angiospermas

Referências

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