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Todorov, Tzvetan. Memória Do Mal, Tentação Do Bem

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Academic year: 2021

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TODOROV, Tzvetan.

TODOROV, Tzvetan. Memória do mal, tentação do bemMemória do mal, tentação do bem: indagações sobre o século: indagações sobre o século

XX. São aulo: !r", #$$#. XX. São aulo: !r", #$$#.

%Ser& a 'e'(ria, se')re e necessaria'ente, u'a coisa boa, e o es*ueci'ento, u'a %Ser& a 'e'(ria, se')re e necessaria'ente, u'a coisa boa, e o es*ueci'ento, u'a 'aldição absoluta+ O )assado )er'ite co')reender 'elor o )resente, ou, na 'aioria 'aldição absoluta+ O )assado )er'ite co')reender 'elor o )resente, ou, na 'aioria das vezes, serve )ara ocult&-lo+ Todas as )r&ticas do )assado são reco'end&veis+ das vezes, serve )ara ocult&-lo+ Todas as )r&ticas do )assado são reco'end&veis+ ortanto, as 'e'(rias do século serão, )or

ortanto, as 'e'(rias do século serão, )or sua vez, sub'etidas a e"a'e. /). 0#1sua vez, sub'etidas a e"a'e. /). 0#1 “submeter ao exame” as memórias da F

“submeter ao exame” as memórias da Folha sobre o olha sobre o golpe e o regime.golpe e o regime. Reg

Regi'i'es totaes totalitlit&ri&rios do sécuos do século XX lo XX revrevelaelara' a e"istra' a e"ist2nc2ncia de u' %)eriia de u' %)erigo go antanteses insus)eito: o de u' do'3nio

insus)eito: o de u' do'3nio co')leto sobre as 'e'(rias.co')leto sobre as 'e'(rias.

%4os )a3ses de'ocr&ticos, a )ossibilidade de acessar o )assado se' sub'eter-se a u' %4os )a3ses de'ocr&ticos, a )ossibilidade de acessar o )assado se' sub'eter-se a u' controle centralizado é u'a das liberdades 'ais inalien&veis, ao lado da liberdade de controle centralizado é u'a das liberdades 'ais inalien&veis, ao lado da liberdade de  )ensar e de e

 )ensar e de e")ressar-se.")ressar-se. /). 05$1 /). 05$1 %6e

%6es's'o o assassi', i', o o estestatuatuto to da da 'e'e'(r'(ria ia nas nas socsociediedadeades s dede'oc'ocr&tr&ticaicas s não não )a)arecrecee de7initiva'ente garantido. 8...9 a valorização da 'e'(ria e a

de7initiva'ente garantido. 8...9 a valorização da 'e'(ria e a si'ultnea acusaçãsi'ultnea acusação contrao contra o es*ueci'ento di7undira'-se nestes ;lti'os anos 7ora de seu conte"to original. /). o es*ueci'ento di7undira'-se nestes ;lti'os anos 7ora de seu conte"to original. /). 0501

0501

%... estar3a'os condenados < 7utilidade do instante e ao cri'e do es*ueci'ento. =o' %... estar3a'os condenados < 7utilidade do instante e ao cri'e do es*ueci'ento. =o' isso, de 'aneira 'enos brutal 'as, e' ;lti'a an&lise, 'ais e7icaz, )or*ue não suscitaria isso, de 'aneira 'enos brutal 'as, e' ;lti'a an&lise, 'ais e7icaz, )or*ue não suscitaria nossa resist2ncia, 7azendo de n(s, ao

nossa resist2ncia, 7azendo de n(s, ao contr&rio, agentes consentidores dessa 'arca )aracontr&rio, agentes consentidores dessa 'arca )ara o es*ueci'ento, os >stados de'ocr&ticos conduziria' suas )o)ulações ao 'es'o alvo o es*ueci'ento, os >stados de'ocr&ticos conduziria' suas )o)ulações ao 'es'o alvo dos regi'es totalit&rios, ou se?a, ao reinado da barb&rie. /). 0501

dos regi'es totalit&rios, ou se?a, ao reinado da barb&rie. /). 0501 %g

%genenereralalizizadados os dedessssa a 7o7or'r'a, a, o o elelogogio io inincocondndicicioionanal l da da 'e'e'('(ria ria e e a a didi7a7a'a'açãçãoo ritual3stica do es*ueci'ento se tornara' )or sua vez )roble'&ticas. 8...9 @ )reciso ritual3stica do es*ueci'ento se tornara' )or sua vez )roble'&ticas. 8...9 @ )reciso co'eçar )or reconecer as grandes caracter3sticas deste 7enA'eno co')le"o, a vida do co'eçar )or reconecer as grandes caracter3sticas deste 7enA'eno co')le"o, a vida do  )assado no )

 )assado no )resente. resente. /). 0501/). 0501 !conteci'ento

!conteci'entos )assados nos dei"a' dois ti)os s )assados nos dei"a' dois ti)os de rastros:de rastros: Raastros %6nésicos B na 'ente dos seres u'anos.

Raastros %6nésicos B na 'ente dos seres u'anos. Rastros %no 'undo B sob 7or'a

Rastros %no 'undo B sob 7or'a de 7atos 'ateriais, 'arcas vest3gios.de 7atos 'ateriais, 'arcas vest3gios.

Se *uiser'os %reviver este )assado no )resente, é )reciso realizar u' trabalo *ue Se *uiser'os %reviver este )assado no )resente, é )reciso realizar u' trabalo *ue  )assa )or u'

 )assa )or u'a série de eta)aa série de eta)as: /eta)as da le's: /eta)as da le'brança1brança1

1)

1) EstaEstabelbeleciecimentmento o dos dos fatfatos:os:  %@ a base sobre a *ual deve' re)ousar todas as  %@ a base sobre a *ual deve' re)ousar todas as

construções ulteriores. Se' esse )ri'eiro )asso, não se )ode se*uer 7alar de u' construções ulteriores. Se' esse )ri'eiro )asso, não se )ode se*uer 7alar de u' trabalo sobre o )assado. /). 05#1

trabalo sobre o )assado. /). 05#1 %!inda assi', não basta buscar

%!inda assi', não basta buscar esse )assado )ara *ue ele esse )assado )ara *ue ele se inscreva 'ecanica'ente nose inscreva 'ecanica'ente no  )resente. De

 )resente. De todo 'odo, todo 'odo, subsiste' a)enas alguns subsiste' a)enas alguns sinais, 'ateriais sinais, 'ateriais e )s3*uicos, e )s3*uicos, da*uiloda*uilo *ue acontece

*ue aconteceu: entre os 7atos e' si u: entre os 7atos e' si 'es'os e os sinais *ue 'es'os e os sinais *ue eles dei"a', deseneles dei"a', desenrola-serola-se u' )rocesso de seleção *ue esca)a < vontade dos indiv3duos. 8...9 de todos os sinais u' )rocesso de seleção *ue esca)a < vontade dos indiv3duos. 8...9 de todos os sinais dei"ados )elo )assado, escolere'os s( reter e s( consignar alguns, ?ulgando-os, )or  dei"ados )elo )assado, escolere'os s( reter e s( consignar alguns, ?ulgando-os, )or  u'

u'a a rarazãzão o ou ou )o)or r ououtrtra, a, didigngnos os de de seser r )e)er)r)etetuauadodos. s. >s>ssese tratrababalhlho o de de seseleleçãçãoo éé

necessaria'e

necessaria'ente secundado )or outro, nte secundado )or outro, de dis)osição e )ortanto ierar*uização dos 7atosde dis)osição e )ortanto ierar*uização dos 7atos assi' estabelecidos

(2)

%! recu)eração do )assado )ode interro')er-se nesse )ri'eiro est&gio. 8...9 o estabeleci'ento dos 7atos é, e' si 'es'o, u' 7i' digno de esti'a. /). 05C1

2) Construção do sentido: %! di7erença entre a )ri'eira e a segunda 7ase no trabalo

de a)ro)riação do )assado é a *ue e"iste entre constituir os ar*uivos e redigir a ist(ria  )ro)ria'ente dita. =o' e7eito, u'a vez estabelecidos os 7atos, é )reciso inter)ret&-los,

isto é, essencial'ente, relacion&-los uns aos outros, reconecer as causas e os e7eitos, 7or'ular se'elanças, gradações, o)osições. !*ui rea)arece', 'ais u'a vez os  )rocessos de seleção e co'binação. /). 0551

%Verdade e' novo sentido: %não 'ais u'a verdade de adequação, de corres)ond2ncia e"ata entre o discurso )resente e os 7atos do )assado 8...9, 'as u'a verdade de elucidação, *ue )er'ite a)reender o sentido de u' aconteci'ento. /). 0551

%O estabeleci'ento dos 7atos )ode ser de7initivo, ao )asso *ue a signi7icação deles é constru3da )elo su?eito do discurso e, )ortanto, suscet3vel de 'udar. 8...9 ! construção do sentido te' )or ob?etivo co')reender o )assado e *uerer co')reender B tanto o  )assado co'o o )resente B é )r()rio do o'e' /). 05E1

Observadas as duas )ri'eiras 7ases do trabalo de re'e'oração )ode'os concluir: %a 'e'(ria não se o)õe absoluta'ente ao es*ueci'ento. Os dois ter'os *ue 7or'a' contraste são a su)ressão /o es*ueci'ento1 e a conservação a 'e'(ria é, se')re e necessaria'ente, u'a interação dos dois. ! reconstituição integral do )assado é coisa i')oss3vel. 8...9 ! 'e'(ria é 7orçosa'ente u'a seleção: certos detales do aconteci'ento serão conservados, outros, a7astados, logo de in3cio ou aos )oucos, e  )ortanto es*uecidos. or isso é tão e*uivocado ca'are' de %'e'(ria a ca)acidade

*ue t2' os co')utadores de conservar a in7or'ação: 7alta a esta ;lti'a o)eração u' traço constitutivo da 'e'(ria, a saber, o es*ueci'ento. /). 05F1

%a 'e'(ria é o es*ueci'ento: es*ueci'ento )arcial e orientado, es*ueci'ento indis)ens&vel. /). 05F1

3) Aproeitamento: terceiro est&gio da vida do )assado no )resente,

%instru'entalização dele co' vistas a ob?etivos atuais. /). 05F1

%!)(s ter sido reconhecido e interpretado, o )assado ser& agora utilizado. @ assi' *ue  )rocede' as )essoas )rivadas, *ue )õe' o )assado a serviço de suas necessidades do  )resente, 'as ta'bé' os )ol3ticos, *ue rele'bra' os 7atos do )assado )ara alcançar 

ob?etivos )r()rios.

>' geral, os istoriadores )ro7issionais re)ugna' ad'itir *ue )artici)a' deste terceiro est&gio a )artir do 'o'ento e' *ue 7aze' reviver os aconteci'entos e' sua 'aterialidade e seu sentido, eles )re7ere' considerar ter'inada a )r()ria 'issão. =laro, tal recusa a *ual*uer uso é )oss3vel, 'as eu a considero e"ce)cional. /). 05F-0E$1 %dese?o de agir no )resente, de 'udar o 'undo, e não s( de conec2-lo.

%! utilização *ue se )ode 7azer do )assado 'otiva aberta'ente ações )ol3ticas, 'as ta'bé', de 'aneira 'enos 7lagrante, as *ue )ara'enta' co' os trun7os da ci2ncia. 8...9 ! ci2ncia, é claro, não se con7unde co' a )ol3tica ainda assi', a )r()ria ci2ncia u'ana te' 7inalidades )ol3ticas, e estas )ode' ser boas ou '&s. /). 0E$1

(3)

 4a )r&tica, os tr2s est&gios coe"iste' si'ultanea'ente. >' geral, não se co'eça )ela coleta desinteressada dos 7atos, 'as )or sua utilização. %@ )or ter e' vista u'a ação no  )resente *ue o indiv3duo busca, no )assado, e"e')lo suscet3veis de legiti'&-la /).

0E$-0E01

Di7erentes 7ases coe"iste'. %G& *ue a 'e'(ria é seleção, 7oi )reciso encontrar critérios  )ara escoler entre todas as in7or'ações recebidas e esses critérios, tena' ou não sido

conscientes, ta'bé' servirão, segundo toda verossi'ilança, )ara orientar a utilização *ue 7are'os do )assado. /). 0E01

 LIG! " #!$" F"$" % &$!'$()*#I+ ,$ !I+-$*!.

!E"!EM#$%A", %&"!'(&A'(E", C'MEM'(A'(E"*

Vest3gios do )assado se 'anté' no )resente a )artir de alguns discursos: o da teste'una, do istoriador e do co'e'orador.

!estemunha: %indiv3duo *ue convoca suas le'branças )ara dar u'a 7or'a, )ortanto

u' sentido, < sua vida, e constituir assi' u'a identidade. /). 0E01 vest3gio solit&rio

%istoriador: %re)resentante da disci)lina cu?o ob?eto é a reconstituição e an&lise do

 )assado e, de 'odo 'ais geral, toda )essoa *ue )rocure realizar este trabalo escolendo co'o )rinc3)io regulador e co'o orizonte ;lti'o não 'ais o interesse do su?eito, 'as a da verdade i')essoal. /). 0E01

%O contraste entre a teste'una /de sua )r()ria vida1 e o istoriador /do 'undo1, u' ani'ado )or seu interesse, o outro )ela )reocu)ação co' a verdade, )arece inco')leto. =ontudo, a teste'una )ode acar *ue suas le'branças 'erece' entrar )ara a es7era  );blica, )ois seria' ;teis < educação dos outros e não a)enas < sua )r()ria 7or'ação.  4esse 'o'ento, ele )roduz u' %de)oi'ento, *ue ve' concorrer co' o discurso

ist(rico, es)ecial'ente ?unto ao grande );blico. /). 0E#1

!s duas )osturas são co')le'entares, o %de)oi'ento enri*uece o discurso do istoriador.

Comemorador: %=o'o a teste'una, o co'e'orador é guiado sobretudo )elo

interesse 'as, co'o o istoriador, )roduz seu discurso no es)aço );blico e a)resenta-o co'o dotado de u'a verdade irre7ut&vel, distante da 7ragilidade do de)oi'ento  )essoal. /). 0E51

 4o caso dele, 7ala-se <s vezes de %'e'(ria coletiva, 'as essa deno'inação é e*uivocada, )ois a 'e'(ria, e' seu sentido de vest3gio, é se')re individual. %! 'e'(ria coletiva não é u'a 'e'(ria, 'as u' discurso *ue evolui no es)aço );blico. >sse discurso re7lete a i'age' *ue u'a sociedade ou u gru)o dentro da sociedade *uere' dar de si 'es'os. /). 0E5-0EE1

=o'e'oração te' seus locais )rivilegiados: a escola, os 'eios de co'unicação, os artigos da i')rensa.

(4)

 %Se' d;vida, a co'e'oração se ali'enta de ele'entos trazidos )elas teste'unas e  )elos istoriadores 'as não se sub'ete aos teste de verdade *ue são i')ostos a este e

<*ueles. /). 0EE1

%en*uanto teste'unas e istoriadores )ode' 7acil'ente co')letar-se uns aos outros, entre istoriador e co'e'orador & u'a di7erença tanto de ob?etivos *uanto de 'étodo, *ue di7icil'ente co')atibiliza as )osições deles. Tal o)osição 'erece ser sublinada tanto 'ais *uanto o co'e'orador gostaria de bene7iciar-se da i')essoalidade de seu discurso /de 7ato, ele não est& 7alando de si 'es'o1 )ara dar-le u'a a)arencia de ob?etividade, )ortanto, de verdade. 6as não é assi'. ! ist(ria co')lica nosso coneci'ento do )assado a co'e'oração a si')li7ica, ?& *ue seu ob?etivo 'ais 7re*Hente é o de nos 7ornecer 3dolos a venerar e ini'igos a abo'inar. ! )ri'eira é sacr3lega, a segunda sacralizante. /). 0EE1

Re'e'oração: tentativa de a)reender o )assado e' sua verdade. =o'e'oração: ada)tação do )assado <s necessidades do )resente.

%>'bora inevit&vel, a co'e'oração não é a 'elor 'aneira )oss3vel de 7azer o )assado viver no )resente: o homo deomcraticus  )recisa de outra coisa *ue não i'agens  )iedosas. Iuando, )or sua vez, ela se congela e' 7or'as i'ut&veis cu?a 'odi7icação, *ual*uer *ue se?a, )rovoca acusações de sacrilégio, )ode'os ter certeza de *ue a co'e'oração serve 'ais aos interesses )articulares dos )rotagonistas do *ue < elevação 'oral deles. /). 0EJ1

+#-AME$!' M'(A

%=olocar o )assado a serviço do )resente é u'a ação. ara ?ulg&-la, não basta le )edir  u'a verdade de ade*uação /co'o )ara o estabeleci'ento dos 7atos1 ou u'a verdade de elucidação /co'o )ara a construção do sentido1 é )reciso avali&-la e' ter'os de be' e de 'al, )ortanto, e' critérios )ol3ticos e 'orais. ois é claro *ue ne' todas as utilizações do )assado são boas, e *ue o 'es'o aconteci'ento )ode ocasionar lições 'uito diversas. /). 0EJ-0EK1

-(A$E" (EA!'"

.Os 7atos *ue constitue' o )assado não v2' a n(s e' estado bruto a)resenta'-se sob

a 7or'a de relatos. /).0JE1

Relato ist(rico não é 'oral'ente neutro concerne a dois )rotagonistas: o agente e o  )aciente.

%O )assado é 7eito de eventos ';lti)los, de signi7icação indeter'inada são os atores do  )resente *ue decide' dotar esses eventos de u' valor indubit&vel. /). 0JL1

=ulto < 'e'(ria. Mnaugura-se na >uro)a u' 'useu )or dia %São tantos os aconteci'entos not&veis co'e'orados a cada ano *ue a gente se  )ergunta, co' )reocu)ação, se resta' dias su7icientes )ara *ue neles se )roduza'

(5)

%>ssa )reocu)ação co')ulsiva co' o )assado não se e")lica )or si 'es'a, e e"ige ser  inter)retada. 4e' se')re o culto < 'e'(ria serve <s boas causas. /). 0LF1

! %'e'(ria não é boa ne' '&. %Os bene73cios *ue se es)era e"trair dela )ode' ser  neutralizados e até desvirtuados. De *ue 'aneira+ ri'eiro, )ela )r()ria 7or'a *ue nossas re'inisc2ncias assu'e', navegando constante'ente entre dois escolos co')le'entares: a sacralização ou isola'ento radical da le'brança, e a banalização, ou assi'ilação abusiva do )resente ao )assado. /). 0F01

%a unicidade de cada aconteci'ento é e' si 'es'a u'a evidencia e não )recisa ser  reivindicada. O *ue é es)ec37ico, e 'erece ser interrogado, é se' d;vida o sentido do aconteci'ento. /). 0F#1

Sacralizar o )assado. %entrinceira'ento, u' a7asta'ento, u'a )roibição do tocar. /). 0F#1

%6as não é )elo 7ato de os aconteci'entos )assados sere' ;nicos e de casa u' ter u' sentido es)ec37ico *ue não se )ode relacion&-los co' outros B 'uito )elo contr&rio. ! es)eci7icidade não se)ara u' aconteci'ento dos outros, e si' o liga a eles. Iuanto 'ais nu'erosas são essas relações, 'ais )articular /ou singular1 se torna o 7ato. /). 0F#1 Nanalizar o )assado - %os aconteci'entos )resentes )erde' toda a sua es)eci7icidade, ao sere' assi'ilados aos do )assado. /). 0FC1

A "E(/&0' ' &$!E(E""E*

%! 'e'(ria )oder ser tornada estéril )or sua 7or'a: )or*ue o )assado, sacralizado, não nos evoca nada alé' dele 'es'o )or*ue o 'es'o )assado, banalizado, nos 7az )ensar  e' tudo e e' *ual*uer coisa. 6as, alé' disso, ne' todas as 7unções *ue se 7az esse  )assado assu'ir são igual'ente reco'end&veis.

! evocação do )assado é necess&ria )ara a7ir'ar a )r()ria identidade, tanto a do indiv3duo *uanto a do gru)o. Se' d;vida, u' e outro ta'bé' se de7ine' )or sua vontade no )resente e seus )ro?etos de 7uturo 'as não )ode' dis)ensar-se dessa  )ri'eira evocação. % /). 0FE1

Folha

Mdentidade B 'ovediça e ';lti)la, não é ;nica e r3gida.

%6as os o'ens, assi' co'o os gru)os, vive' no 'eio de outros o'ens, de outros gru)os, e )or isso não basta a7ir'ar *ue cada u' te' o seu direito de e"istir tabé' é  )reciso ver co'o essa de7esa de si in7lui sobre a e"ist2ncia dos outros. Os atos *ue

re7orça' a identidade do indiv3duo ou a do gru)o )ode' ser-les ;teis, 'as, e' si 'es'os, não t2' valor 'oral s( o )ossue' a*ueles atos *ue traze' )roveito a outre'. ! )ol3tica da identidade não se con7unde co' a 'oral da alteridade. /). 0FE1

M'(AME$!E C'((E!'

6oralizador B %a*uele *ue se orgula de identi7icar )ublica'ente as 'ani7estações do  be' e do 'al. Ser 'oralizador não signi7ica e' absoluto ser 'oral. /). ##E1

(6)

6oralizador, *uer sub'eter-se ao critério do be', %nisso ele obté' o necess&rio reconeci'ento de sua e"ist2ncia e a con7ir'ação de seu valor. /). ##E1

%O *ue de7ine o 'oralizador não é o conte;do de suas convicções, 'as a estratégia de sua ação. >le vive de consci2ncia leve e 'anté'-se ani'ado )or a*uilo *ue se ca'a e' ingl2s sel/0righteousness. Se convoca a 'e'(ria, e e' )articular a 'e'(ria do 'al, é )ar 'elor dar lições aos seus conte')orneos. /). ##E1

%O 'oralizador conte')orneo convoca então a 'e'(ria e' dois casos: )ara louvar os  bons ou )ara estig'atizar os 'aus. /). ##J1

 Folha lou1ou e estigmatizou os mesmos atores.

Moraliador*

%@ essencial'ente nos 'eios de co'unicação *ue se e"erce o 'oral'ente correto, ainda *ue, <s vezes, ele )ossa cegar aos tribunais ou to'ar a 7or'a de u' livro. 6as não convé' subesti'ar o )oder dos 'eios de co'unicação. /). ##L 1

!riunfo do homem da mdia, %da*uele *ue sabe 'oldar a o)inião );blica no sentido

de suas convicções, graças a esse inco')ar&vel instru'ento de )oder, co' o *ual os escritores do )assado não )odia' sonar: os 'eios de co'unicação, televisão, r&dio, i')rensa. ara agir co' e7ic&cia, o 'oralizador deve )or sua vez 7azer-se %intelectual,  ?ornalista, dis)or de u'a tribuna *ue le )er'ita in7luenciar os leitores ou os ouvintes.

Referências

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