ANÁLISE MICROBIOLÓGICA DO SÊMEN E PREPÚCIO DE CATETOS (Pecari tajacu LINNAEUS, 1758) CRIADOS EM CATIVEIRO NO BIOMA CAATINGA MICROBIOLOGICAL ANALYSIS OF SEMEN AND FORESKIN FROM COLLARED
PECCARIES (Pecari tajacu LINNAEUS, 1758) BRED UNDER CAPTIVITY IN CAATINGA BIOME
Caio Sérgio SANTOS1; Thomas Jefferson Alves dos SANTOS2; Keila Moreira MAIA1;
Nilza Dutra ALVES3; Francisco Marlon Carneiro FEIJÓ3 e Alexandre Rodrigues
SILVA3
1 Estudante de pós-graduação em Ciência Animal, Universidade Federal Rural do Semi-Árido, [email protected]
2 Médico veterinário autônomo
3 Professor(a) do curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Resumo:
O estudo da flora bacteriana do sêmen de catetos é relevante do ponto de vista da tecnologia de sêmen e da sanidade, pois a presença de micro-organismos no ejaculado pode interferir na qualidade espermática e constituir um risco para a disseminação de doenças via inseminação artificial. O objetivo do estudo foi caracterizar a composição bacteriana do sêmen de catetos criados em cativeiro no bioma caatinga. Foram utilizados 5 animais mantidos no Centro de Multiplicação de Animais Silvestres (CEMAS) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). As coletas ocorreram de setembro a outubro de 2016, sendo os animais submetidos a protocolos anestésico e de eletroejaculação. O sêmen foi coletado em frascos esterilizados, sendo precedida a coleta das amostras da mucosa prepucial utilizando-se de suabes esterilizados. As amostras foram acondicionadas em caixa isotérmica e encaminhadas para análises no Laboratório de Microbiologia Veterinária da UFERSA. Cada amostra de sêmen foi submetida a uma diluição seriada até 105 para quantificação bacteriana. Posteriormente, alíquotas de cada diluição, bem como os suabes do prepúcio, foram semeados em ágar sangue de carneiro desfibrinado a 5% e ágar MacConkey, em duplicata. Após incubação (37°C/24h), as colônias foram isoladas e identificadas. Os dados foram analisados mediante estatística descritiva. Os resultados demonstraram que o gênero de bactéria mais frequente no sêmen in natura foi o Corynebacterium spp. (74%), seguida de Staphylococcus spp. (17%) e Arcanobacterium spp. (9%), com médias
de contagens de 6,3 x 104, 4,3 x 104 e 8 x 103, respectivamente. E no prepúcio,
foram isolados Corynebacterium spp. (88%), seguido de Staphylococcus spp. (6%) e Bacillus sp. (6%). Os dados obtidos podem contribuir para a implementação de estudos futuros sobre a interferência e o controle dos micro-organismos nas biotécnicas de reprodução de catetos criados em cativeiro, como conservação dos gametas e inseminação artificial.
Palavras-chave: bactérias, Pecari tajacu, sêmen, prepúcio Keywords: bactéria, Pecari tajacu, sêmen, foreskin
Introdução:
O cateto (Pecari tajacu) é considerado uma espécie vulnerável a extinção nos biomas brasileiros Caatinga e Mata Atlântica (ICMBIO, 2015). No intuito de reverter essa situação, vários criatórios vem sendo implantados com a autorização do IBAMA, fazendo-se necessária a aplicação de programa de reprodução em cativeiro (SANTOS et al., 2004), sendo a utilização da tecnologia do sêmen na reprodução desses animais imprescindível.
Nesse contexto, os micro-organismos são considerados contaminantes seminais importantes, uma vez que podem causar prejuízos econômicos (PRIETO-MARTÍNEZ et al., 2014), devido tanto à redução da qualidade seminal quanto ao aumento da disseminação de patógenos via dose inseminante. As bactérias podem vir a contaminar o sêmen durante a coleta e o processamento (ZAMPIERE et al., 2013) ou proveniente de bacteremia e infecções locais no trato genital e urinário (FERNANDES, 2012).
Diante da escassez de dados referentes à quantificação e caracterização das bactérias do sêmen de catetos, o presente trabalho teve como objetivo de caracterizar a composição bacteriana do sêmen de catetos criados em cativeiro no bioma caatinga.
Metodologia e Métodos:
- Local e contenção dos animais
Foram utilizados neste experimento cinco catetos machos sexualmente maduros provenientes do Centro de Multiplicação de Animais Silvestres (CEMAS) da UFERSA. Realizou-se contenção física com puçá e, posteriormente, os animais
foram submetidos a um protocolo anestésico utilizando-se de propofol (5mg/kg) (SOUZA et al., 2009).
- Coleta de sêmen e dos suabes prepuciais
Após a anestesia, foram colhidas amostras da superfície da mucosa prepucial com auxílio de suabes esterilizados e, em seguida, era iniciado o protocolo de eletroejaculação de acordo com Castelo et al. (2010) para a coleta de sêmen em tubos plásticos esterilizados. As amostras foram analisadas no laboratório de Microbiologia Veterinária da UFERSA.
- Análise microbiológica do sêmen e prepúcio
Foram retiradas alíquotas de 100 µl de cada amostra e submetidas a diluição seriada até 10-5. Em seguida, alíquotas de 100 µl de cada diluição foram semeadas, com auxílio de uma alça de Drigalski, em ágar sangue de carneiro desfibrinado a 5% e ágar MacConkey, em duplicata, e incubadas em estufa bacteriológica a 37°C/24-48h. Após esse período, as colônias bacterianas foram contadas em cada placa e o numero expresso em Unidade Formadora de Colônia – UFC/ml multiplicado pelo inverso de cada diluição. Os suabes, por sua vez, foram semeados diretamente nos mesmos meios de cultura anteriormente citados e as placas incubadas nas mesmas condições citadas. As colônias com aspectos diferentes foram isoladas em caldo Brain Heart Infusion (BHI) e identificadas a partir de suas características macroscópicas, morfotintorais e perfil bioquímico (MACFADDIN, 2000).
Resultados e Discussão:
Foram isoladas 17 colônias bacterianas nas amostras de prepúcio e 23 colônias bacterianas nas amostras do sêmen, sendo o gênero bacteriano mais frequente o Corynebacterium spp. (80%, 32/40), seguido de Staphylococcus spp. (12,5%, 5/40), Arcanobacterium spp. (5%, 2/40) e Bacillus sp. (2,5%, 1/40), sendo o penútimo isolado somente no sêmen in natura e o último na mucosa prepucial. Quanto a quantificação bacteriana nas amostras de sêmen, verificou-se em média 6,3x104, 4,3x104 e 8x103 UFC/ml de Corynebacterium sp., Staphylococcus sp. e Arcanobacterium sp., respectivamente.
Estes resultados diferem daqueles encontrados por Bartha (2009), que identificou cinco gêneros diferentes de bactérias no sêmen de catetos criados em cativeiro, destacando-se entres eles com maior freqüência o Streptococcus sp.
(35,6%), Staphylococcus sp. (32%), Micrococcus sp. (28,4) e em menor, Corynebacterium sp. (2,2%) Enterococcus sp. (1,8%).
A inserção desses micro-organismos no sêmen durante o procedimento de coleta é inevitável (ALTHOUSE e LU, 2005), sendo normalmente colonizado por uma variedade de micro-organismos que podem afetar a qualidade seminal (MAES et al., 2008).
Conclusão:
Os principais micro-organismos identificados tanto no sêmen quanto no prepúcio de catetos foram do gênero Corynebacterium spp., seguido de Staphaylococcus spp., podendo presumir-se que as bactérias que alcançam o sêmen possam ter relação com as da mucosa do prepúcio.
Referências:
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