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Clipping SCA. Data de Criação: 06/04/2020. Criado por: Biblioteca

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Data de Criação: 06/04/2020

Criado por: Biblioteca

Clipping SCA

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal ou manifestação de integrante da SiqueiraCastro.

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Sumário das

Matérias:

BNDES e aéreas divergem sobre apoio de capital Valor ––06 de abril...01 Para impedir travamento da máquina, governo do Rio elabora plano de R$ 21 bi

Valor ––06 de abril...04 Gastar, mas sem que BC financie o Tesouro Valor ––06 de abril...08 Retração vai acentuar déficit da Previdência Valor ––06 de abril...10 Tesouro testa projeto de securitização de dívidas Valor ––06 de abril...12 Covid-19 e petróleo barato podem atrasar abertura do gás

Valor ––06 de abril...14 Pedidos de reequilíbrio param na Anac

Valor ––06 de abril...17 Em meio à crise, AES Tietê avança em energia renovável Valor ––06 de abril...19 Usiminas e Gerdau também cortam produção para se ajustarem à crise

Valor ––06 de abril...21 Câmara avalia adiar lei de proteção de dados, após decisão do Senado

Valor ––06 de abril...23 Movimento falimentar

Valor ––06 de abril...25 Exigências e mudanças que vieram para ficar Valor ––06 de abril...28 Empresa em recuperação quer crédito na crise

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Valor ––06 de abril...30 Estratégia de guerra da Fazenda barra liminares para adiar tributos

Valor ––06 de abril...33

Medidas previstas pelo governo não devem acabar com a judicialização

Valor ––06 de abril...36 Pelo Carf, para a sociedade

Valor ––06 de abril...39 Sobra de energia equivale a 12 GW, a potência de Itaipu Valor ––06 de abril...42 Debate sobre devolução de concessões preocupa Valor ––06 de abril...44

Crédito a empresas para pagamento de salários começa a ser liberado na segunda (6)

Folha ––06 de abril...46 CPTM pode obrigar funcionários em grupo de risco a trabalhar, decide TST

Folha ––06 de abril...47 Estados já negociam empréstimo internacional para fortalecer o caixa e ampliar gastos com saúde Globo ––06 de abril...51 MP 936: entenda quando o corte de salário pode ser feito por negociação individual

Globo ––06 de abril...54 Regulamentada às pressas por causa do coronavírus, consulta médica a distância explode no Brasil

OESP ––06 de abril...59 ‘Pandemia não pode virar uma farra fiscal’ OESP ––06 de abril...63

Valores percebidos como incentivo à aposentadoria estão sujeitos à incidência do IR

Conjur ––06 de abril...66 Consolidação de propriedade é suspensa por ameaçar recuperação judicial

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Conjur ––06 de abril...68 Restaurante pagará 30% do aluguel durante pandemia Migalhas ––06 de abril...69 OAB e ABRAT pedem ao Congresso que auxílio do BNDES alcance pequenos escritórios de advocacia

Migalhas ––06 de abril...70 A incidência ou não de ICMS nas taxas de entrega de apps Jota ––06 de abril...71 PEC dos Fundos Públicos: impactos tributários e no cenário de crise da Covid-19

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Valor Econômico

Caderno: Primeira Página,

segunda-feira 06 de abril de 2020.

BNDES e aéreas divergem

sobre apoio de capital

Aporte de capital do banco nas três grandes companhias aéreas do país - Gol, Latam e Azul -

enfrenta dificuldades para

avançar por divergência sobre o preço das debêntures

Por Francisco Góes — Do Rio

O aporte de capital do BNDES nas três grandes companhias aéreas do país - Gol, Latam e Azul - enfrenta

dificuldades para avançar.

O Valor apurou que o apoio do banco deve ser de R$ 3 bilhões por empresa. Até agora, porém, esbarra na falta de consenso para definir o preço das debêntures conversíveis que serão emitidas pelas empresas aéreas e subscritas pelo BNDES. O banco quer usar como referência, nos contratos, a cotação atual das ações dessas companhias em bolsa, cujo valor de mercado “derreteu” com a pandemia do

novo coronavírus. As empresas

entendem que seria mais justo considerar o preço pré-coronavírus. O pano de fundo da discussão é que, após a crise, o BNDES poderia se tornar grande acionista das empresas, com 47% da Gol e 39% da Azul se for adotada a cotação atual. O presidente

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da Câmara, Rodrigo Maia, já

manifestou preocupação com o tema: “Do jeito que o BNDES quer emprestar, vai virar dono de todas as companhias aéreas”.

Aéreas e BNDES divergem sobre debêntures

Companhias aéreas e BNDES divergem sobre precificação de debêntures em pacote de ajuda ao setor

Por Francisco Góes — Do Rio

O aporte de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nas três grandes companhias aéreas do país - Gol, Latam e Azul - enfrenta dificuldades para avançar. O Valor apurou que o apoio do banco deve ser de cerca de R$ 3 bilhões por empresa. Mas até agora o crédito esbarra na falta de consenso para definir o preço das debêntures conversíveis que serão emitidas pelas empresas aéreas e subscritas pelo BNDES. O banco estaria disposto a usar como referência, nos contratos, o preço atual das ações dessas companhias em bolsa, cujo valor de mercado “derreteu” com a pandemia do novo coronavírus. As empresas entendem, porém, que seria mais justo que fosse considerado um preço pré-coronavírus.

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O pano de fundo dessa discussão é que, uma vez passada a atual crise, o BNDES poderia tornar-se acionista relevante das empresas aéreas. A depender do modelo de conversão adotado para as debêntures, a operação pode resultar em forte diluição para os atuais acionistas dessas companhias. Na semana passada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, manifestou preocupação sobre o tema em encontro com investidores: “Do jeito que o BNDES quer emprestar, ele vai virar dono de todas as companhias aéreas”, disse Maia. O banco nega que tenha objetivo de tomar o controle das empresas.

Se o preço adotado para a conversão das debêntures fosse a cotação das empresas em bolsa na última sexta-feira somada ao aporte de R$ 3 bilhões em cada companhia, o BNDES teria, nesse cenário, 47,1% do valor de mercado da Gol, 39,2% da Azul e 29,1% da Latam. As contas, elaboradas pelo Valor Data, consideram como premissas o valor de mercado atual de cada empresa e a hipótese de o aporte do BNDES vir a se constituir em acréscimo de valor de mercado em cada uma das companhias aéreas.

Se, no entanto, o cálculo para conversão das debêntures utilizar um valor médio das empresas nos últimos 12 meses, por exemplo, a participação do BNDES no valor de mercado das empresas, depois do aporte dos mesmos R$ 3 bilhões em cada uma delas, seria menor: 21,5% no caso da Gol, 16,5% no caso da Azul e 11,7% na Latam.

Procurado para falar sobre o tema, o BNDES não se pronunciou, assim como a Gol e a Latam. A Azul afirmou em nota: “Ainda não temos uma proposta formal do BNDES, mas estamos em

02 conversas frequentes tanto com o banco como outros órgãos do governo para resolver o problema que a queda na demanda causa em todas as empresas

do setor. Acreditamos que

conseguiremos chegar numa equação que funcionará para todos e protegerá dezenas de milhares de empregos e um serviço essencial para o nosso país.” O aporte do BNDES nas empresas aéreas via debêntures conversíveis foi anunciado pelo presidente do banco, Gustavo Montezano, no dia 29 de março. Na ocasião, Montezano disse que a meta é aportar o capital no caixa das empresas em abril. Pequenas companhias regionais de aviação ainda estariam esperando um acerto do banco com as grandes empresas do setor para também buscar uma negociação. As grandes companhias vêm negociando com o BNDES de forma individual. Fonte próxima das negociações disse que as debêntures podem considerar diferentes modelos de preços para a conversão: “Pode ser o preço atual em bolsa, a média de um período [90 ou 120 dias] ou o preço no dia da

subscrição”, afirmou. Economista

ligado ao mercado financeiro

acrescentou: “O preço de conversão tem que guardar relação com algum valor por ação da empresa: pode ser valor de mercado, a cotação na bolsa; o valor econômico, o valuation por fluxo de caixa descontado; ou mesmo um valor contábil. Estas são as três regras básicas definidas na lei das S.A.s. Hoje o valor de mercado, medido pela cotação das ações, está distorcido pela crise”, afirmou.

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Esse economista não vê muito espaço, no entanto, para o banco fazer nessas operações “algo muito distante” do preço atual das ações em bolsa. Haveria paliativos a serem considerados: “Pode ter alguma compensação com juros mais altos na debênture. Uma coisa compensaria a outra”, afirmou. Na visão dele, o investidor teria o direito de pedir uma remuneração mais elevada por estar colocando dinheiro em momento de crise. “A remuneração do investidor é uma composição de fatores: juros recebidos, numero de ações recebidas, risco assumido”, afirmou. O aporte do BNDES nas empresas aéreas poderia ter custo de TLP mais 1,5% ao ano. Para fontes da indústria de aviação, é correto que o banco participe dos resultados das empresas, mas não que apoio leve, eventualmente, a uma mudança de propriedade dessas companhias.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/04/0 6/aereas-e-bndes-divergem-sobre-debentures.ghtml

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Valor Econômico

Caderno: Brasil, segunda-feira 06de

abril de 2020.

Para impedir travamento da

máquina, governo do Rio

elabora plano de R$ 21 bi

Do total, R$ 10 bilhões são transferências diretas a fundo perdido que o Estado do Rio de Janeiro pleiteia junto à União Por Rodrigo Carro — Do Rio

Luiz Claudio Carvalho: edital da Cedae só sai se mercado for favorável — Foto: Roberto Moreyra/Agência O Globo

Para evitar o travamento da máquina

estadual, o governo fluminense

preparou um plano com 29 medidas, cujo impacto financeiro esperado é de R$ 21 bilhões. Quase metade desse total - R$ 10 bilhões - são transferências diretas a fundo perdido que o Estado do Rio de Janeiro pleiteia junto à União.

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Seriam recursos sem vinculação para pagamento de despesas de custeio. Os R$ 11 bilhões que compõem o restante do impacto estimado para o pacote viriam de outras 28 medidas. Como parte desse conjunto de iniciativas, o Estado negocia com investidores estrangeiros - um fundo de pensão americano e outro britânico - para tentar evitar o acionamento de uma cláusula presente contratual da operação que permitiu ao Rio contrair empréstimos lastreados em royalties e participações especiais entre 2014 e 2018.

Pela cláusula, os investidores têm a prerrogativa de pedir antecipação do pagamento sempre que a cotação do petróleo cair abaixo de US$ 40 o barril. Na prática, isso significa que ainda em maio o governo fluminense teria de desembolsar R$ 2,5 bilhões. O valor seria debitado dos royalties (cerca de R$ 400 milhões) e das participações especiais (R$ 2,3 bilhões) que o Estado teria a receber no próximo dia 8 de maio.

A projeção da Fazenda estadual antes da derrocada nas cotações do petróleo - causada por uma guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita - era de uma arrecadação de R$ 14 bilhões em royalties e participações especiais oriundos da produção de petróleo e gás. Com a queda no valor da commodity, a perda de receita é calculada em R$ 4 bilhões.

O governo do Rio conversou não só com os fundos de pensão, mas também com o BNP Paribas e o Banco do Brasil, envolvidos na operação, e também com a agência de classificação de risco Fitch

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Ratings, responsável pela nota de crédito do Estado.

A Fazenda fluminense também negocia com o BNP Paribas alternativas ao pagamento do empréstimo contraído em 2017 com o banco francês. Em dezembro deste ano, o governo do Rio teria de desembolsar cerca de R$ 4 bilhões para quitar o financiamento. O planejamento original era fazer o pagamento com recursos do leilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). Agora, o Estado tenta chegar a um acordo com o BNP Paribas para adiantar parte do pagamento e postergar o restante. Os valores dessas parcelas ainda estão em discussão. Prevista para ocorrer entre outubro e novembro de 2020, a licitação das concessões de serviços de distribuição de água e captação e tratamento de esgoto da Cedae pode ser postergada caso a crise econômica provocada pela covid-19 se prolongue. “Só vamos lançar o edital se as condições de mercado forem favoráveis. Se o mundo estiver numa crise como a que está hoje, convenhamos que ninguém vai comprar uma concessão de R$ 11 bilhões”, admite o secretário estadual de Fazenda do Rio, Luiz Claudio Rodrigues de Carvalho. A publicação do edital da licitação está programada para o próximo mês de agosto.

Apesar do recuo expressivo acumulado pelo mercado acionário brasileiro em 2020, Carvalho afirma que o Estado continua a trabalhar na estruturação da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da nova Cedae, companhia que ficaria responsável apenas pela captação e tratamento da água a ser vendida futuramente às

concessionárias. “Estamos em

negociação com o banco que será o

05 [financial] adviser [assessor financeiro]. Temos a contratação da B3 [Bolsa de Valores de São Paulo] para fazer o leilão”, detalha o secretário de Fazenda. Entre as 29 medidas delineadas pelo governo fluminense há também a postergação do pagamento antecipado da primeira metade do 13º salário dos servidores. Desde o início do ano, o pagamento vinha sendo feito no mês de aniversário do funcionário (ativo ou inativo). A suspensão deverá acarretar uma economia mensal de R$ 150 milhões. Segundo Carvalho, outras 26

medidas estão em fase de

detalhamento, o que deve resultar num pacote mais completo com 55 medidas. Até o último dia 20, a arrecadação tributária do Estado do Rio no mês de março era superior em cerca de R$ 300 milhões à registrada no mesmo período de março de 2019. Essa receita, no entanto, perdeu fôlego e fechou o mês passado R$ 100 milhões abaixo de março de 2019, de acordo com números preliminares, o que já pode ser reflexo da inadimplência dos contribuintes

devido ao desaquecimento da economia. https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/04/06/ para-impedir-travamento-da-maquina-governo-do-rio-elabora-plano-de-r-21-bi.ghtml Retorne ao índice

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Valor Econômico

Caderno: Brasil, segunda-feira 06de

abril de 2020.

Auditores fiscais propõem

medidas de impacto tributário

Impacto no aumento da

arrecadação variaria de R$ 234 bilhões a R$ 267 bilhões em 12 meses

Por Edna Simão — De Brasília

Estudo feito por seis entidades representativas dos auditores-fiscais da Receita Federal, dos Fiscos dos Estados e do Distrito Federal e dos municípios

sugere dez propostas tributárias

emergenciais para o enfrentamento da crise provocada pelo coronavírus. O impacto no aumento da arrecadação variaria de R$ 234 bilhões a R$ 267 bilhões em 12 meses. Dentre medidas, algumas elevam impostos para setores econômicos como as instituições financeiras. As sugestões serão enviadas

ao Congresso Nacional, equipe

econômica e entidades empresariais. O presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional), Kleber Cabral, explicou que o estudo buscou a elevação da tributação de setores que não estão sendo atingidos pela crise para direcionar a desoneração para os segmentos que precisam. Questionado sobre se esse é o momento para propor algum tipo de alta de imposto, Cabral

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disse que o Estado precisa de dinheiro e deve ter habilidade para verificar os setores que possam ajudar na saída da crise.

Além do Sindifisco, também assinam o estudo a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip); a Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite); a Federação Nacional dos Auditores e Fiscais de Tributos Municipais (Fenafim); a Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco); e a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco). Segundo estudo, das dez propostas sete estão relacionadas a aumento da tributação, mesmo que temporário, para setores como o financeiro. Outras três tratam de desoneração de tributos. Para alavancar as receitas, sem impacto na retomada da economia, as entidades sugerem a criação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) de forma

permanente acompanhada a

empréstimo compulsório sobre a mesma base de 2020. A medida viabilizaria acréscimo da arrecadação de algo entre R$ 30 bilhões a 40 bilhões ao ano. Outra medida é a cobrança temporária de uma alíquota de 20% de

Contribuição Social sobre Lucro

Líquido sobre todas as receitas financeiras de todos e quaisquer fundos, inclusive do Tesouro Direto (ao menos R$ 60 bilhões anuais).

As entidades pedem que, no caso das instituições financeiras, seja feito um acréscimo temporário de 15% na Contribuição Social sobre o Lucro

Líquido (CSLL) e de 4% na

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Seguridade Social (Cofins), que juntas elevam a arrecadação em R$ 38 bilhões no ano.

O estudo também propõe tributar o ganho cambial extraordinário, com alíquota de 10%, incidente sobre os contratos de câmbio fechados acima de R$ 4,45. Além disso, sugere a criação de empréstimo compulsório de empresas com faturamento anual superior a R$ 78 milhões (limite do regime de lucro presumido) como na cobrança de uma alíquota de 15% sobre o lucro líquido auferido em 2019, e distribuído em 2020.

Outra proposta é a criação de empréstimo compulsório sobre o lucro e dividendos remetidos ao exterior em 2020 com alíquota de 25%. As duas

medidas poderiam alavancar a

arrecadação deste ano em R$ 38 bilhões. O empréstimo compulsório funciona como uma antecipação de pagamento de tributos que é devolvido por meio de abatimento de pagamentos futuros. Neste caso, a proposta é que a devolução dos recursos para as empresas seria a partir de 2024, com correção pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Outra ideia é alterar a alíquota máxima do Imposto Sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) para 30% (R$ 9 bilhões). Hoje, a alíquota máxima é de 8%

Do lado da desoneração, a proposta é isenção total de tributos, até o mês de abril de 2021, para micro e pequenas empresas do Simples Nacional, com faturamento anual de até R$ 1,2 milhão, nos meses em que o seu faturamento apresentar decréscimo de ao menos 20% em relação a igual período do ano anterior. O impacto seria de R$ 20 bilhões e seria exigida a

07 contrapartida de manutenção dos empregos. O estudo propõe ainda redução ou eliminação da arrecadação compulsória para o Sistema S, incidente sobre a folha de salários. O custo é de R$ 17,67 bilhões.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/04/06/a uditores-fiscais-propoem-medidas-de-impacto-tributario.ghtml

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Valor Econômico

Caderno: Opinião, segunda-feira 06de

abril de 2020.

Gastar, mas sem que BC

financie o Tesouro

Autoridade monetária não é independente e corre risco de captura política no futuro

Por Eduardo Zilberman

Mundo afora tem havido enorme esforço fiscal em resposta aos desafios da covid-19. Boa parte desse esforço envolve gastos com saúde para o enfrentamento da crise, transferências e crédito subsidiado para que famílias e firmas façam a travessia. A indagação

natural, após anos debatendo

austeridade fiscal depois da crise de 2008-9, é como esse déficit fiscal será

financiado. Tendo em vista a

precariedade das contas públicas em muitos países, alguns economistas proeminentes no cenário internacional têm proposto que o Banco Central banque a conta. No Brasil, onde o terreno é fértil para proliferação deste

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tipo de debate, tal solução pode ter efeitos desastrosos.

O Banco Central compraria títulos emitidos pelo Tesouro, creditando o montante equivalente na conta do Tesouro no BC para que o governo arque com os gastos e transferências fiscais, porém consideraria a dívida subjacente aos títulos do governo como liquidada (ou, analogamente, manteria esses títulos indefinidamente em seu balanço, transferindo os juros recebidos para o Tesouro). Esta anulação da dívida e a compra direta do Tesouro são o que fazem essa operação ser diferente do afrouxamento quantitativo usual. O esforço fiscal durante a crise é fundamental. Mas é importante que seja financiado por aumento da dívida pública, com suas

implicações: sacrifícios a

enfrentar no futuro, seja por elevação de carga tributária ou corte de gastos (ainda que temporários). Não há mágica possível

No debate internacional, essa política ficou conhecida como “helicopter money” (dinheiro de helicóptero), em alusão a um experimento hipotético concebido por Milton Friedman, que nunca chegou a endossá-lo. A maioria da profissão não endossa. Mas em

contextos de demanda agregada

reprimida, dívida pública alta, deflação e taxa de juros próxima de zero, vozes relevantes, como a de Ben Bernanke, já aventaram essa possibilidade.

Em parte dos países desenvolvidos, onde as taxas de juros de curto e longo prazo estão próximas de zero, moeda (definida aqui como papel-moeda em

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circulação, reservas bancárias e depósitos à vista) e títulos do governo são substitutos próximos. Dada a solidez das suas instituições, na crise, há uma enorme demanda por seus ativos, inclusive moeda. Embora o risco durante a crise seja deflacionário, mesmo nesses países financiar o esforço fiscal com criação de moeda pode gerar alguma inflação depois que a crise da covid-19 passar.

Mas sob a hipótese de que o Banco Central seguiria independente e se comprometeria a restabelecer a política monetária usual depois da crise, seus proponentes acreditam que aceitar momentaneamente ou combater uma eventual inflação posterior seria menos custoso do que implementar um pacote de austeridade fiscal.

Essa ideia é particularmente atraente para países da zona do euro que passaram por uma crise de dívida soberana recentemente, e seguem com

as contas fiscais pressionadas.

Coincidentemente, dois desses países, Espanha e Itália, estão sendo bastante afetados pela covid-19. É bom lembrar que, na zona do euro, cada país é responsável por sua política fiscal, inclusive emissão de títulos. Mas seria o

Banco Central, supranacional, o

responsável (supondo que o arranjo institucional venha a permitir) pela criação de moeda para financiar o déficit fiscal.

Neste caso, a criação de moeda redistribuiria o ônus fiscal do combate à crise da covid-19, beneficiando países onde, por conta da situação fiscal precária, o custo de se endividar já é bastante alto. Ao mesmo tempo, a

credibilidade institucional e o

compromisso com inflação baixa de países centrais na zona do euro, como a

09 Alemanha, substanciaria a hipótese de reversão à política monetária usual depois da crise.

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/gastar-mas-sem-que-bc-financie-o-tesouro.ghtml

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Valor Econômico

Caderno: Especial, segunda-feira

06de abril de 2020.

Retração vai acentuar déficit

da Previdência

Arrecadação sofre impacto da redução do emprego e também da suspensão de parte dos contratos de trabalho

Por Edna Simão — De Brasília

Luís Eduardo Afonso: muitos brasileiros, no caso da suspensão de contrato, não farão a contribuição facultativa pois estarão com a renda comprometida — Foto: Luis Ushirobira/Valor

A receitas previdenciárias devem despencar ao longo do ano com a suspensão temporária de contratos de trabalho e redução de jornada e salário, bem como a expectativa de aumento da

10

taxa de desemprego no país devido aos efeitos na economia da pandemia do coronavírus. No acumulado em 12 meses até fevereiro, o déficit da previdência dos trabalhadores da iniciativa privada foi de R$ 222,1 bilhões.

Na semana passada, o governo editou a Medida Provisória 936, que criou o programa emergencial de emprego e renda. De acordo com a MP, a contribuição para a Previdência será corresponde à renda que o trabalhador receber do empregador após acordo para diminuição de jornada e de salário pelo período de três meses.

No caso de suspensão temporária de contrato, o trabalhador, se quiser contar o tempo que ficar parado para solicitar a aposentadoria, terá que fazer uma contribuição facultativa. Esse tipo

de contribuição abocanha um

percentual maior da renda do

trabalhador. Nessa modalidade, a taxa de contribuição varia entre 11% a 20% do salário, maior do que a cobrada de quem tem carteira assinada (de 7,5% a 14%). A alíquota do trabalhador facultativo pode cair para 5% para as pessoas da baixa renda.

Na avaliação do especialista em Previdência Luís Eduardo Afonso, professor associado da Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA/USP), as receitas previdenciárias terão queda, porque muitos brasileiros, no caso da suspensão de contrato, não farão a contribuição facultativa pois estarão com a renda comprometida. No caso da redução de jornada, o cálculo a contribuição ao INSS também será menor. Para piorar o quadro, diante da dificuldade econômica, o número de

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desempregados deve crescer, e parte dos informais e autônomos pode contribuir menos ou deixar de pagar para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), devido à forte perda de renda.

O economista acredita que o plano emergencial do governo terá que ser prorrogado, porém, devem-se atentar para que o impacto, como já disse o

secretário do Tesouro Nacional,

Mansueto Almeida, se restrinja a 2020, ou seja, que despesa temporária não se transforme em permanente.

O governo entende a dificuldade do trabalhador para pagar a contribuição previdenciária, principalmente no caso da suspensão temporária de contrato. No entanto, para abrir mão de pagamento durante à crise, teria que enviar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Na avaliação dos técnicos da área econômica, o importante no momento é garantir a renda para o trabalhador e a sobrevivência das empresas, a fim de evitar demissão em massa. A partir de hoje, as empresas podem começar a registrar na página web empregador do Ministério da Economia os acordos firmados para que a compensação salarial do trabalhador. Após o registro do acordo no sistema, o benefício será pago em até 30 dias pelo governo. Segundo técnico da área econômica, o governo está trabalhando para fazer os pagamentos o quanto antes.

O governo está sendo criticado pela demora em editar as medidas para socorrer os trabalhadores. Mas, na avaliação da equipe econômica, tudo tem sido feito da forma mais rápida possível de forma a garantir segurança

11 jurídica e dos recursos públicos necessários. Segundo técnico da área econômica, o governo vai monitorar o impacto das medidas quando forem de fato implementadas, e, se for o caso, está preparado para anunciar novas ações para conter os efeitos da pandemia na economia.

A avaliação dos técnicos é que o programa é muito amplo e mais focado nos trabalhadores que ganham até dois salários mínimos, o que corresponde a

65% dos assalariados do país.

“Acreditamos que as medidas vão permitir não só a preservação do emprego e das empresas, como garantir a retomada da economia”, contou,

acrescentando que o custo da

contratação é alto e poderia atrasar a recuperação econômica, quando ela ocorrer.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/04/06/r etracao-vai-acentuar-deficit-da-previdencia.ghtml

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Valor Econômico

Caderno: Especial, segunda-feira

06de abril de 2020.

Tesouro testa projeto de

securitização de dívidas

Estados e municípios estão

autorizados a realizar operação que envolva reestruturação de débitos antigos

Por Fabio Graner — De Brasília

O Tesouro Nacional iniciou na semana passada projeto piloto que permite a Estados e municípios contrair dívidas junto a bancos, nas quais os bancos poderão securitizar (vender para terceiros) os créditos a receber. Esse tipo de operação era proibida pelo Comitê de Garantias do Tesouro. Agora poderá ser feita se estiver vinculada a reestruturação de parte das antigas dívidas dos entes com bancos e organismos garantidas pela União. O programa é limitado a R$ 20 bilhões, que dá 7,8% do estoque de R$ 255,9 bilhões (fechamento de 2019) de dívida de Estados e municípios com garantia da União.

A expectativa no Tesouro é que a possibilidade de securitização irá baratear o custo de financiamento dos entes. Isso porque, de acordo com explicações da área técnica do órgão, sem essa possibilidade, as instituições financeiras têm que manter esse crédito na sua carteira por todo o período do

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contrato, que em geral têm prazos longos.

Com isso, mesmo tendo garantia do Tesouro, os bancos e organismos têm custos para carregar esses créditos em sua carteira até o vencimento, como

provisionamento. E acabam

incorporando isso aos preços no momento em que definem as taxas para concessão dos financiamentos aos governos subnacionais.

A expectativa é que, com a medida, uma parte de dívidas concedidas entre 2010 e 2014 seja reestruturada em melhores condições. Nesse período, em que as taxas de juros eram bem superiores às

atuais, houve forte volume de

autorizações da União para os entes federativos se financiarem.

Posteriormente, os volumes autorizados se mostraram acima da capacidade de os Estados e municípios honrarem os compromissos. Com isso, disparou o montante gasto pelo Tesouro para compensar os calotes de Estados e municípios. Entre 2016 e 2019, foram pagos R$ 19,5 bilhões pela União em honras de garantias de operações com inadimplência.

Além de estar associada a

reestruturações de dívidas antigas, a autorização para securitização nas operações com os entes federativos tem que obedecer outras regras. Os financiamentos terão prazo máximo de 20 anos. Também deverá haver alguma indexação ao CDI (que é equivalente à taxa Selic), sem prejuízo de um spread para o banco concedente.

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O custo das operações terá que ser menor do que das operações antigas e também deverá ficar abaixo da tabela de custo máximo por prazos que o Tesouro divulga mensalmente. Essa tabela agora tem duas planilhas, uma com e outra sem securitização. Na tabela de março, um empréstimo com duração de dez anos com securitização não pode ter custo superior a 130,57% do CDI.

Com essa autorização parcial para operações de securitização o Tesouro espera uma melhora no perfil de dívida dos Estados e municípios, reduzindo possibilidade de inadimplência. Esse movimento, contudo, pode ser no curto prazo prejudicado pela crise do coronavírus, que tende a deixar os bancos mais retraídos.

A proibição de um uso generalizado da securitização nos créditos aos entes federativos ocorria porque não se

acreditava que o nível de

desenvolvimento do mercado geraria benefícios para reduzir os custos dos

governos regionais. Além disso,

buscava-se evitar que os títulos derivados da operação original, que contam com garantia da União, concorressem com os papéis do Tesouro em mercado. https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/04/06/t esouro-testa-projeto-de-securitizacao-de-dividas.ghtml Retorne ao índice 13

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Valor Econômico

Caderno: Empresas, segunda-feira

06de abril de 2020.

Covid-19 e petróleo barato

podem atrasar abertura do gás

Crise econômica traz incertezas para a oferta e a demanda pelo insumo neste momento

Por André Ramalho — Do Rio

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Mendonça da Abegás: crise mostra riscos para que migra do mercado cativo — Foto: Divulgação

O efeito combinado da crise econômica desencadeada pela disseminação do novo coronavírus e a queda dos preços do petróleo no mercado internacional tornou mais remota a chance de a abertura do mercado brasileiro de gás natural avançar neste ano, por meio da

chamada pública que permitirá

concorrentes da Petrobras contratarem capacidade no gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). A expectativa é que as incertezas que pairam tanto do lado dos ofertantes quanto dos consumidores retardem a velocidade da abertura. Como parte do compromisso com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Petrobras cedeu um terço da capacidade do Gasbol - um volume de 10 milhões de metros cúbicos diários (m3 /dia) - para terceiros. A chamada pública para contratação dessa capacidade, aberta pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) no meio da crise econômica, foi suspensa e não há prazo para ser retomada neste momento.

Segundo o gerente de gás da Associação dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Adrianno Lorenzon, a missão de conseguir fechar um contrato de importação de gás boliviano ainda neste ano, em meio à transição do governo do país vizinho, já seria difícil. Com a crise econômica atual, a situação piorou. Fica

desafiador para indústrias e

distribuidoras definirem, no momento,

o quanto vão consumir e,

consequentemente, que capacidade pretendem contratar nos gasoduto. “[Um insucesso na chamada neste ano]

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Pode postergar por mais um ano a abertura do mercado”, afirmou o presidente da entidade.

É esse cenário que leva o diretor-executivo da Gas Energy, Rivaldo Moreira Neto, a avaliar que a abertura do mercado passou a conviver com um “novo elemento de incerteza”, tanto na demanda quanto na oferta. “O cenário de preços baixos do petróleo pode acabar afetando projetos de mais longo

prazo das petroleiras, e

consequentemente, a curva do

crescimento da oferta de gás. Isso não ajuda o movimento de abertura. O mercado se abre quando há alguém da demanda fechando contrato com alguém da oferta. E hoje há incertezas quanto à atividade econômica que impactam diretamente a expectativa de consumo”, afirma. A cotação do Brent, referência mundial, caiu cerca de 66% no primeiro trimestre. Só em março, o barril apresentou queda de quase 50%. Um exemplo dessa incerteza sobre oferta e consumo é que os leilões de

energia, que poderiam contratar

termelétricas a gás importantes para garantir o crescimento da demanda, nos próximos anos, estão suspensos por ora. “O que vai dizer se o coronavírus vai impactar em definitivo a abertura é o tempo de fato que essa crise vai permanecer”, completou o diretor da Gas Energy.

Para o diretor de estratégia e mercado da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Marcelo Mendonça, é difícil imaginar que consumidores livres vão se aventurar a fechar contratos neste momento. Ele destaca que a crise atual

evidencia, para as indústrias

interessadas em migrar para novo

15 modelo, os riscos envolvidos para quem sai do ambiente cativo.

“Há um risco inerente que os consumidores livres vão assumir, que são as cláusulas de ‘take-or-pay’ [volume mínimo de gás pelo qual a

empresa paga independente de

consumir] e ‘ship-or-pay’ [pagamento mínimo pela disponibilidade dos gasodutos]. Quando a empresa sai de dentro do guarda-chuva do portfólio da distribuidora, ela assume sozinha a exposição a essas cláusulas. E na situação das incertezas que vivemos, quem vai assumir esse risco?”, questiona o presidente da Abegás. O Valor apurou que, em meio à atual crise econômica, as distribuidoras de gás recorreram às cláusulas de força maior para pedir a revisão das penalidades dos seus contratos de fornecimento com a Petrobras.

Lorenzon garante que, embora a crise traga elementos de incerteza, o interesse das indústrias pela abertura está mantido. “Nesse momento deve estar todo mundo olhando para o mercado livre de gás como opção para a

redução de custos”, afirma o

representante dos grandes

consumidores.

Segundo ele, a indústria espera que a abertura do mercado brasileiro se dê, nos próximos dois anos, por meio de três frentes: a partir da importação de gás da Bolívia; da compra de gás de sócias da Petrobras no pré-sal, que por determinação do Cade não poderão mais vender seus volumes para a estatal; e por meio da importação de gás natural liquefeito (GNL).

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A partir do próximo ano, a expectativa é que comecem a operar os primeiros terminais de regaseificação privados do país: o da Bahia, que será arrendado pela Petrobras, e o da Golar instalado no Sergipe. Para quem quiser apostar na importação, o cenário de preços é positivo.

A consultoria especializada Rystad Energy estima que, embora a demanda mundial de gás não esteja sendo afetada pela pandemia na mesma medida que o petróleo, os preços do GNL atingirão médias mais baixas do que as esperadas em todos os mercados. Os preços já estavam em baixa antes mesmo do choque do petróleo. A expectativa, agora, é que serão necessários anos até que o efeito do coronavírus se dissipe totalmente.

A Rystad reduziu em 2,8% as projeções de preços no Henry Hub (referência nos EUA, principal supridor de GNL do Brasil) para 2021 - para US$ 2,43 o milhão de BTU (unidade térmica britânica). A consultoria prevê que a relação entre oferta e demanda ficará mais apertada entre 2024 e 2025, mas que em seguida haverá um aumento dos preços entre 2026 e 2027.

Para que o Brasil incorpore esses benefícios, Lorenzon cobra sinais mais claros sobre a abertura das unidades de processamento e dos gasodutos. Ele lembra que a ANP não informou, até o momento, o cronograma das chamadas

públicas para contratação das

capacidades dos gasodutos do Sudeste e Nordeste. Moreira, da Gas Energy,

afirma que existem negociações

avançadas no mercado livre, mas que os contratos não foram fechados porque ainda pairam algumas indefinições. Ele cita não só a falta de previsão sobre o acesso aos gasodutos, mas também a

16 falta de regulamentação da figura do

supridor de última instância -

responsável por garantir a oferta aos consumidores que por algum motivo não conseguirem ser supridos por um dos agentes do mercado livre.

“Faltam elementos de base para que tanto a indústria quanto o supridor tomem uma posição firme”, diz o consultor, que acredita que o mercado livre começará a se consolidar entre 2021 e 2022. “O coronavírus pode

reduzir a velocidade, mas os

fundamentos da abertura permanecem”, afirma. https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/04/0 6/covid-19-e-petroleo-barato-podem-atrasar-abertura-do-gas.ghtml Retorne ao índice

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Valor Econômico

Caderno: Empresas, segunda-feira

06de abril de 2020.

Pedidos de reequilíbrio param

na Anac

Apenas 10% dos 81 pleitos apresentados desde 2014 foram aceitos pela agência reguladora Por Taís Hirata — De São Paulo

Apenas 10% dos pedidos de reequilíbrio

econômico-financeiro feitos por

concessões de aeroportos foram

acatados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Desde 2014, foram 81 pleitos e té agora, 73 deles foram analisados, e 8 foram aceitos. O índice reflete uma situação que, segundo analistas, se aplica também ao setor de rodovias: o reequilíbrio de concessões é um processo difícil, lento e com baixa aceitação pelas agências reguladoras. Para advogados ouvidos pela reportagem, há problemas nas duas pontas: as agências muitas vezes são resistentes e postergam por muito

tempo a decisão; mas as

concessionárias também têm um histórico de pedidos cuja legitimidade é questionável.

Existe a expectativa de maior flexibilidade no caso da crise da covid-19, em comparação à última crise econômica

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O debate em torno dos reequilíbrios de concessões deverá ganhar força com a crise provocada pela pandemia do

coronavírus, que derrubou a

movimentação de passageiros

principalmente nos aeroportos, mas também em rodovias e trens urbanos. Há um consenso entre especialistas de que muitas concessionárias afetadas terão direito a recomposição, já que os contratos preveem que o risco é do poder concedente, e não do ente privado, em situações de “força maior”, que não sejam cobertos por nenhum plano de seguro - como parece ser o caso atual. Principalmente em relação aos aeroportos, a expectativa é que dificilmente serão negados pedidos de socorro.

Ainda assim, há temor quanto ao prazo em que isso ocorrerá. O que torna mais grave é a atual situação financeira frágil de diversas concessionárias.

A lentidão na análise é muitas vezes um problema ainda maior do que a decisão em si, avalia Letícia Queiroz de Andrade, do Queiroz Maluf Advogados. “Há diversos casos em que o direito ao

reequilíbrio é reconhecido, mas,

quando chega a hora de medir o impacto, a discussão trava. Ou mesmo para definir a forma de reajuste, se por meio de aumento da tarifa, extensão do prazo do contrato, redução das obrigações. São processos difíceis”, afirma.

Em algumas situações, a agência reguladora reconhece o desequilíbrio, mas busca neutralizá-lo com as inadimplências da concessionária,

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relata André Freire, sócio do Mattos Filho.

“Houve casos em que o poder público começou a aplicar multas e cobrar inadimplementos para abater o valor. É sempre difícil, não me lembro de um processo de reequilíbrio que tenha sido rápido e fácil”, diz.

Do lado da agência reguladora existe também uma preocupação em evitar abrir precedentes, já que, ao aprovar um caso específico, o órgão dá margem para que outros grupos peçam o mesmo, avalia Fabio Falkenburger, sócio especialista em aviação do Machado Meyer.

Os problemas, porém, não partem apenas das agências reguladoras. Para ao menos dois especialistas, que pediram anonimato, parte dos pedidos dos últimos anos vão além do que está previsto no contrato. Há uma certa tentativa de “testar” os limites dos órgãos, diz um deles.

Apesar do histórico conflituoso, existe também uma expectativa de maior flexibilidade no caso da crise da covid-19, em comparação à última crise econômica, em que a responsabilidade sobre a queda de demanda não estava tão clara, afirmam os advogados.

“Os últimos meses mostram um esforço do poder público de trazer maior

segurança jurídica e contratual.

Acredito que haverá um tratamento racional”, diz Claudia Bonelli, do TozziniFreire.

A Anac afirmou, em nota, que “vem

mantendo conversas com as

concessionárias” sobre a crise atual. O órgão destaca medidas de apoio já tomadas, como o adiamento do

18 pagamento das outorgas, além da autorização, por dois meses, para que a operação seja flexibilizada. A agência diz ainda que “a análise considera sempre a comprovação por parte da concessionária e não apenas a alegação de prejuízo futuro” e destaca que os processos são transparentes e abertos ao contraditório.

No caso de rodovias, em que o histórico é ainda mais conflituoso do que em aeroportos, segundo advogados, o impacto do coronavírus na queda de demanda deverá ser menos dramático, porém relevante. Ainda é cedo para

dimensionar o efeito, mas as

concessionárias já estão em contato com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para relatar os impactos.

A ANTT afirmou, em nota, que o “decreto de calamidade pública é uma

situação excepcional, porém os

impactos deverão ser avaliados caso a caso”. O órgão diz que a análise dos

pleitos de reequilíbrio “é

exclusivamente técnica”.

A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) afirma que mantém

um “diálogo diário” com as

concessionárias, o que deverá levar aos

“melhores resultados regulatórios

possíveis” ao fim da crise.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/04/0 6/pedidos-de-reequilibrio-param-na-anac.ghtml

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Valor Econômico

Caderno: Empresas, segunda-feira

06de abril de 2020.

Em meio à crise, AES Tietê

avança em energia renovável

Geradora firma encomenda de R$

900 milhões com Siemens

Gamesa para fornecimento de turbinas eólicas do complexo Tucano no interior da Bahia

Por Letícia Fucuchima — De São Paulo

Em meio à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, e às voltas com as negociações com a Eneva para uma eventual combinação de negócios, a AES Tietê vai mantém o ritmo dos negócios. No momento, está concentrada em desenvolver seus projetos renováveis, principalmente o complexo eólico Tucano, na Bahia. A geradora acabou de fechar um contrato de cerca de R$ 900 milhões com a Siemens Gamesa para o fornecimento de turbinas eólicas e continua com outras preparações para a construção do empreendimento, prevista para começar em 2021.

Segundo o diretor de Novos Negócios, Bernardo Sacic, apesar do atual cenário de incertezas, a companhia não vê ainda uma postura de “retração” de potenciais clientes interessados em contratar a geradora para projetos no mercado livre. O executivo observa que as

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conversas envolvem a compra de energia por prazos longos, de 15 a 20 anos, com início do suprimento também daqui a alguns anos.

“Não percebemos impacto desse

problema do curto prazo [crise] para a contratação de energia do longo prazo”, relata. “Até hoje, todos os processos que já estavam abertos continuam em discussão, até novas solicitações de preços têm chegado”.

As preocupações do setor elétrico com as implicações da crise atual cresceram na última semana, quando algumas distribuidoras emitiram notificações de

“força maior” a geradoras e

comercializadoras, indicando que

poderiam ter problemas para cumprir com suas obrigações contratuais. O movimento aumentou a pressão por medidas de ajuda ao setor, sobretudo às

distribuidoras, mais diretamente

expostas à crise. As empresas cobram ação rápida do governo, para evitar que os problemas se alastrem para outros elos da cadeia, como a geração e transmissão, e se tornem sistêmicos. Por ora, os desdobramentos da

pandemia não tiveram grandes

impactos para a AES Tietê, uma vez que o monitoramento das usinas já era feito remotamente pelo centro de operações

de Bauru (SP). Toda a área

administrativa está em home office e, no operacional, a equipe foi reduzida ao mínimo necessário e trabalha em sistema de rodízio.

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A situação também não interrompeu o desenvolvimento do complexo eólico Tucano. Na semana passada, a AES Tietê fechou contrato com a Siemens Gamesa para fornecimento de turbinas eólicas ao projeto. A encomenda tem valor aproximado de R$ 900 milhões e envolve 52 turbinas, cada uma com potência de até 6,2 megawatts (MW), somando capacidade de 322 MW. As turbinas serão as maiores já instaladas no país em potência e tamanho.

Com investimentos estimados em R$ 1,3 bilhão, o complexo Tucano terá cerca de 580 MW de capacidade instalada e começará a ser erguido no interior da Bahia em 2021. A geradora está atualmente em processo de contratação de fornecedores para as atividades de instalações elétricas, incluindo subestação e linhas de transmissão, e de construção civil, como fundações dos aerogeradores e vias internas.

Em paralelo, a companhia também negocia novos projetos “greenfield” e estuda a viabilidade de parques híbridos, que podem incluir módulos solares, sistemas eólicos e baterias. “Continuamos com muita vontade de crescer no Brasil por meio de projetos renováveis no mercado livre”, conclui Sacic. https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/04/0 6/em-meio-a-crise-aes-tiete-avanca-em-energia-renovavel.ghtml Retorne ao índice 20

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Valor Econômico

Caderno: Empresas, segunda-feira

06de abril de 2020.

Usiminas e Gerdau também

cortam produção para se

ajustarem à crise

Decisão das duas fabricantes de aço se deve à previsão de queda de até 50% na demanda deste mês por causa dos impactos da covid-19 nas atividades de seus clientes Por Ivo Ribeiro e Ana Paula Machado — De São Paulo

A semana encerrou com outros dois grandes fabricantes de aço do Brasil,

Usiminas e Gerdau, anunciando

medidas de cortes na produção de aço devido à forte retração na economia causada pela covid-19. A expectativa do setor é que o consumo aparente de aço pelo mercado brasileiro terá uma redução de 50% em abril, devendo terminar o ano com 20% de baixa. O

primeiro passo foi dado pela

ArcelorMittal alguns dias atrás.

Ao fim da sexta-feira, a Gerdau informou, em comunicado, que começa a fazer paralisações nas diferentes aciarias elétricas e laminações de aços longos no Brasil durante abril. Também neste mês, a empresa vai parar o alto-forno 2 da usina de Ouro Branco (MG), apto a fazer 1,5 milhão de toneladas de aço por ano. O alto-forno 1, com capacidade de 3 milhões de toneladas,

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segue operando. “ Essas iniciativas se devem à redução da demanda, principalmente nos setores da indústria e da construção civil”, destacou na nota. Já na América do Norte, de onde obtém 40% da receita, diz que as usinas seguem operando normalmente, com níveis de produção a serem ajustados gradualmente ao longo do mês de abril conforme ocorrer redução de demanda na construção e indústria.

Outro segmento importante na Gerdau, o de aços especiais (usados em veículos), tanto no Brasil quanto nos EUA vão ocorrer paradas programadas nas aciarias elétricas e laminações, durante abril. A medida se deve ao nível de estoque existente e aos pedidos de seus clientes. A Gerdau destacou que o setor automotivo dos dois países decretou férias coletivas neste mês, com forte impacto na demanda por esse tipo de aço.

“Na América do Sul, nossas operações no Peru e na Argentina seguem totalmente suspensas, devido a decisões tomadas pelos respectivos Governos Federais, que declararam estado de

emergência nacional”, informa.

Inclusive as entregas a clientes estão suspensas”

Segundo a empresa, em todas as unidades, “quando necessário”, a opção é por férias coletivas e clientes

continuam atendidos conforme

necessidades específicas dentro das condições definidas pelas autoridades sanitárias. A empresa observa que o setor é “atividade essencial” por ser o aço insumo estratégico na construção de hospitais, máquinas, equipamentos e componentes para saúde e segurança.

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A Usiminas fez seu anúncio ao fim da quinta-feira, levando a uma forte baixa das ações da empresa no dia seguinte. Mais pessimista com a retomada, conforme analistas, a empresa decidiu abafar dois dos três altos-fornos na usina de Ipatinga (MG) e paralisar a unidade de Cubatão (SP), que só faz laminação de placas.

A avaliação é que a Usiminas não vê recuperação do mercado no curto prazo. Um dos grandes clientes, o setor automotivo do país - cerca de 35% das suas vendas - parou de fabricar veículos.

“Mostra uma situação bem mais grave na carteira de pedidos. Reduzir em 40% a sua produção é porque está se programando para uma queda de 50% nas vendas no segundo trimestre. Abafar um alto-forno é uma das últimas medidas a serem tomadas. Demora muito para retomar a operação”, diz fonte do setor. “Se está assim para a Usiminas, está também para a CSN [concorrente]”, acrescenta.

Em relatório, os analistas Caio Ribeiro e Gabriel Galvão, do Credit Suisse, avaliam que a decisão aponta para uma

situação complicada no item

faturamento nos próximos meses. “Este evento é claramente negativo, em nossa opinião, do ponto de vista de ganhos, pois não apenas indica que as condições de demanda serão significativamente mais fracas à frente, mas que os custos provavelmente também aumentarão”, afirmam.

Eles estimam que a queda no lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) na siderúrgica pode chegar a R$ 100 milhões neste trimestre, considerando uma parada dos altos-fornos por três meses. No

22 entanto, a Usiminas poderá ter um reforço no caixa com corte de R$ 400 milhões nos investimentos do ano e o recebimento de R$ 390 milhões do fundo de pensão da empresa e outros R$ 300 milhões da Eletrobras, por

empréstimos compulsórios. “A

Usiminas está em uma posição muito melhor hoje para suportar quedas consideráveis no Ebitda, devido à sua baixa alavancagem, de 1,6 vez. No geral, uma crise de liquidez é muito improvável, diferente do que se em 2015 e 2016.”

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/04/0 6/usiminas-e-gerdau-tambem-cortam-producao-para-se-ajustarem-a-crise.ghtml

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Valor Econômico

Caderno: Empresas, segunda-feira

06de abril de 2020.

Câmara avalia adiar lei de

proteção de dados, após

decisão do Senado

Senadores postergaram o prazo para adaptação das empresas de agosto deste ano para janeiro de 2021, devido à pandemia

Por Raphael Di Cunto, Vandson Lima e Renan Truffi — De Brasília

A Câmara dos Deputados deve votar nos próximos dias projeto para adiar a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que

regulamenta o tratamento das

informações pessoais mantidas pelas empresas. O texto foi aprovado pelo Senado na semana passada e agora precisa do aval dos deputados para seguir à sanção presidencial.

Os senadores adiaram o prazo para adaptação das empresas de agosto deste ano para 1º de janeiro de 2021 argumentando que é preciso dar mais tempo por causa das medidas de combate ao coronavírus e restrições à atividade econômica. A proposta também proíbe que decisões liminares levem ao despejo de imóveis nesse período.

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Para a relatora da proposta, senadora Simone Tebet (MDB-MS), a pandemia

deixou “inúmeras empresas

impossibilitadas de, nesse momento, adotar as medidas necessárias para cumprir as obrigações constantes da lei, pois muitos desses deveres envolvem a

necessidade de contratar outras

empresas responsáveis pela gestão de dados pessoais”.

Na sexta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a Casa deve aprovar o projeto. “Teve muito apoio o que o Senado aprovou, não só esse ponto [da LGPD] como outros. Se teve tanto apoio, a tendência é sempre olhar com bons olhos e o relator da Câmara pode construir acordo para manter o mesmo texto que o Senado aprovou”, disse. Ainda não está definido quem será o relator e nem a data precisa de votação, o que será negociado com os partidos.

Já o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que foi o relator da LGPD há dois

anos, afirmou que considerou

“equivocado” o adiamento e trabalhará contra a votação do texto. “Há quem de modo oportunista utiliza a crise do coronavírus para impedir a aplicação da lei, que é uma garantia para a proteção dos dados sobre a vida das pessoas”, disse.

Para Silva, essa prorrogação é diferente de outras medidas aprovadas pela Câmara para ajudar as empresas, como adiar o pagamento da contribuição patronal pelas empresas que não demitirem. “O coronavírus começou há poucos meses, enquanto a lei está aprovada há dois anos. Se adiar, quem não cumpriu a lei será premiado e quem

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se antecipou e cumpriu será prejudicado”, afirmou.

Segundo ele, grande parte das empresas, principalmente as que mantém negócios com os Estados Unidos e União Europeia, já estão adaptadas. Quem quer impedir a aplicação “é o governo Bolsonaro”, que até hoje não instalou o órgão de fiscalização. “O governo Bolsonaro obstrui a aplicação da lei, até porque já está claro que maneja esses dados politicamente”, disse.

O deputado Mario Heringer (PDT-MG), autor de projeto para adiar as sanções previstas na lei por dois anos, disse que o coronavírus tornou ainda mais necessário ampliar o prazo para as empresas. “Defendo manter a entrada em vigor da lei, mas adiar a aplicação das sanções pecuniárias [multas]. Nesse tempo, as empresas seriam notificadas e educadas em como proceder, para depois não reclamarem que não foram orientadas”, disse. https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/04/0 6/camara-avalia-adiar-lei-de-protecao-de-dados-apos-decisao-do-senado.ghtml Retorne ao índice 24

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Caderno: Empresas, segunda-feira

06de abril de 2020.

Movimento falimentar

Processos de Falência Extintos Requerido: Indústria de Plásticos Bariri Ltda. - CNPJ: 71.527.618/0001-52 - Endereço: Av. Sérgio Forcin, 243, Centro - Requerente: Continentalbanco Np Fundo de Investimento em Direitos

Creditórios Não Padronizados -

Vara/Comarca: 1a Vara de Bariri/SP - Observação: Petição inicial indeferida.

Requerido: Solution Automação

Industrial Ltda. Epp - CNPJ:

67.317.404/0001-84 - Requerente:

Inove Soluções Contábeis Ltda. ME - Vara/Comarca: 1a Vara de Marília/SP - Observação: Petição inicial indeferida. Recuperação Judicial Deferida Empresa: André Luiz Baldissera Eireli - CNPJ: 15.184.335/0001-84 - Endereço: Av. Nasser Marao, 2437, Parque Industrial I - Administrador Judicial: F.

Rezende Consultoria em Gestão

Empresarial Ltda., Representada Pelo Dr. Frederico Antonio Oliveira Rezende

- Vara/Comarca: 1a Vara de

Votuporanga/SP

Empresa: André Luiz Baldissera ME - CNPJ: 34.937.694/0001-00 –

25

Endereço: Rodovia Euclides da Cunha, S/nº, Km 608, Zona Rural, Santana da

Ponte Pensa/sp - Administrador

Judicial: F. Rezende Consultoria em

Gestão Empresarial Ltda.,

Representada Pelo Dr. Frederico

Antonio Oliveira Rezende -

Vara/Comarca: 1a Vara de

Votuporanga/SP

Empresa: Ângelo Baldissera ME - CNPJ: 34.860.167/0001-44 - Endereço: Rodovia Euclides da Cunha, S/nº, Km 608, Zona Rural, Santana da Ponte Pensa/sp - Administrador Judicial: F.

Rezende Consultoria em Gestão

Empresarial Ltda., Representada Pelo Dr. Frederico Antonio Oliveira Rezende

- Vara/Comarca: 1a Vara de

Votuporanga/SP

Empresa: Aparecida Morceli Baldissera ME - CNPJ: 34.859.783/0001-85 - Endereço: Rodovia Euclides da Cunha, S/nº, Km 608, Zona Rural, Santana da

Ponte Pensa/sp - Administrador

Judicial: F. Rezende Consultoria em

Gestão Empresarial Ltda.,

Representada Pelo Dr. Frederico

Antonio Oliveira Rezende -

Vara/Comarca: 1a Vara de

Votuporanga/SP

Empresa: Baldissera Participações e Empreendimentos Ltda. - CNPJ: 12.207.624/0001-63 - Endereço: Av. Nasser Marao, 2519, Sala 01, Parque Industrial I - Administrador Judicial: F.

Rezende Consultoria em Gestão

Empresarial Ltda., Representada Pelo Dr. Frederico Antonio Oliveira Rezende

- Vara/Comarca: 1a Vara de

(30)

Empresa: Br Comércio de Cereais Ltda.

- CNPJ: 23.937.313/0001-76 -

Endereço: Rua Rio de Janeiro, 2863, Quadra 10, Lote 06, Sala 02, Bairro Cidade Primavera Iv - Administrador Judicial: Aj1 Administração Judicial Ltda., Representada Pelo Dr. Tiago Oliveira Amado - Vara/Comarca: 2a Vara de Primavera do Leste/MT

Empresa: Br Comércio de Produtos

Agrícolas Ltda. - CNPJ:

10.530.266/0001-08 - Endereço: Rua Rio de Janeiro, 2863, Quadra 10, Lote 06, Bairro Cidade Primavera Iv -

Administrador Judicial: Aj1

Administração Judicial Ltda.,

Representada Pelo Dr. Tiago Oliveira Amado - Vara/Comarca: 2a Vara de Primavera do Leste/MT

Empresa: Br Participações e

Investimentos Ltda. - CNPJ:

28.392.121/0001-45 - Endereço: Rua Rio de Janeiro, 2863, Quadra 10, Lote 06, Sala 03, Bairro Cidade Primavera Iv

- Administrador Judicial: Aj1

Administração Judicial Ltda.,

Representada Pelo Dr. Tiago Oliveira Amado - Vara/Comarca: 2a Vara de Primavera do Leste/MT

Empresa: Indústria de Móveis Cosmo Eireli - CNPJ: 46.596.664/0001-66 - Endereço: Av. Nassen Marao, 2519, Parque Industrial I - Administrador Judicial: F. Rezende Consultoria em

Gestão Empresarial Ltda.,

Representada Pelo Dr. Frederico

Antonio Oliveira Rezende -

Vara/Comarca: 1a Vara de

Votuporanga/SP

26 Empresa: New Cosmo Indústria de

Móveis Eireli - CNPJ:

31.686.680/0001-72 - Endereço: Av.

Orlando Guerra, 2436, Parque

Industrial I - Administrador Judicial: F.

Rezende Consultoria em Gestão

Empresarial Ltda., Representada Pelo Dr. Frederico Antonio Oliveira Rezende

- Vara/Comarca: 1a Vara de

Votuporanga/SP

Empresa: Thaís Renata Baldissera ME - CNPJ: 34.859.706/0001-25 - Endereço: Rodovia Euclides da Cunha, S/nº, Km 608, Zona Rural, Santana da Ponte Pensa/sp - Administrador Judicial: F.

Rezende Consultoria em Gestão

Empresarial Ltda., Representada Pelo Dr. Frederico Antonio Oliveira Rezende

- Vara/Comarca: 1a Vara de

Votuporanga/SP

Empresa: Vanessa Baldissera ME -

CNPJ: 10.322.085/0001-88 -

Endereço: Rua Pernambuco, 3470, Térreo, Bairro Patrimônio Novo - Administrador Judicial: F. Rezende Consultoria em Gestão Empresarial Ltda., Representada Pelo Dr. Frederico

Antonio Oliveira Rezende -

Vara/Comarca: 1a Vara de

Votuporanga/SP

Recuperações Judiciais

Concedidas

Empresa: Comercial Eleko Eireli - CNPJ: 01.286.821/0001-07 - Endereço: Rua Heliópolis, 241, Sobreloja, Bairro Vial Hamburguesa - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações

Judiciais de São Paulo/SP -

Observação: Face à homologação do plano aprovado pela assembleia geral de credores.

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Empresa: Indústria de Parafusos Eleko Ltda. - CNPJ: 61.074.894/0001-59 - Endereço: Rua Heliópolis, 241, Bairro Vila Hamburguesa - Vara/Comarca: 2a Vara de Falências e Recuperações

Judiciais de São Paulo/SP -

Observação: Face à homologação do plano aprovado pela assembleia geral de credores.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/04/0 6/9c248b52-movimento-falimentar.ghtml

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Valor Econômico

Caderno: Agronegócios,

segunda-feira 06de abril de 2020.

Exigências e mudanças que

vieram para ficar

Para Roberto Rodrigues,

preocupação com sanidade e custo crescerá e novos hábitos de consumo prevalecerão

Por Fernando Lopes — De São Paulo

“Muita gente está entendendo que a vida pode ser mais simples e mais barata”, afirma o ex-ministro Roberto Rodrigues — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Um mundo muito mais preocupado com as condições sanitárias e a rastreabilidade dos alimentos, com novos hábitos de consumo, foco em redução de custos e protecionista do ponto de vista comercial. Para Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e um dos cardeais do setor no Brasil, é mais ou menos esse cenário que aguardará produtores rurais e

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agroindústrias do país quando a pandemia do novo coronavírus se dissipar, o que ainda é cado para prever.

Segundo Rodrigues, que atualmente coordena o Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), é conselheiro de empresas como a BRF e faz palestras em eventos por todo o país, o Brasil tem todas as condições de vencer os desafios que virão e ampliar sua participação no comércio global - as exportações nacionais do agronegócio já são da ordem de US$ 100 bilhões por ano -, mas é preciso, desde já, estudar profundamente as mudanças em curso e preparar respostas rápidas.

“Vejo que a questão sanitária será muito mais demandada, uma vez que a mensagem passada pela pandemia é de fragilidade nessa frente. Mas não é só o novo coronavírus. Temos os problemas causados pela peste suína africana na Ásia e em outras regiões e mesmo a gripe aviária, que continua dando

trabalho mesmo em países

desenvolvidos como a Alemanha”, disse Rodrigues em entrevista ao Valor por telefone - o ex-ministro, que completará 78 anos em agosto, está confinado em sua fazenda no interior paulista para se resguardar da covid-19.

De carona com a preocupação sanitária, acredita Rodrigues, virá uma atenção mais efetiva dos consumidores com a rastreabilidade dos alimentos, que até a pandemia, embora crescente, ainda era restrita. “Essa questão terá que ser encarada realmente com seriedade. As pessoas têm que saber de onde vem o produto que estão consumindo”, afirmou.

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