Superior Tribunal de Justiça
EDcl na AÇÃO PENAL Nº 940 - DF (2019/0372230-2)
EMBARGANTE : ADAILTON MATURINO DOS SANTOS ADVOGADOS : MIGUEL PEREIRA NETO - SP105701
MARCIO LOPES DE FREITAS FILHO - DF029181 VICTOR DAHER - DF032754
ADVOGADOS : GABRIELA GUIMARAES PEIXOTO - DF030789
LUÍS HENRIQUE ALVES SOBREIRA MACHADO - DF028512 RENATO FERREIRA MOURA FRANCO - DF035464
ROSANE ROSOLEN DE AZEVEDO RIBEIRO - SP129630 CAROLINE MARIA VIEIRA LACERDA - DF042238
ADVOGADOS : BARBARA BARBOSA DE FIGUEIREDO - DF047765
LARISSA CAMPOS DE ABREU - DF050991 THAIS DINIZ COELHO DE SOUZA - DF040974 JOSE EDUARDO MARTINS CARDOZO - SP067219 ALEXIS ELIANE - SP389822
JULIANA NANCY MARCIANO - SP360723 RENATA NAMURA SOBRAL - SP406994
SOSTENES CARNEIRO MARCHEZINE - DF044267 CLARA MOURA MASIERO - SP414831
PEDRO DE ALCANTARA BERNARDES NETO - DF031019 FELIPE AUGUSTO DAMACENO DE OLIVEIRA - DF059848 MAYRA JARDIM MARTINS CARDOZO - DF059414
VICTOR CASTRO VELLOSO - DF052091 LUCAS TAKAMATSU GALLI - DF061880
EMBARGANTE : MARIVALDA ALMEIDA MOUTINHO ADVOGADOS : GASPARE SARACENO - BA003371
GEVALDO DA SILVA PINHO JUNIOR - BA015641
EMBARGANTE : GECIANE SOUZA MATURINO DOS SANTOS ADVOGADOS : VICTOR KORST FAGUNDES - DF025843
MARCIO LOPES DE FREITAS FILHO - DF029181 ALEXANDRE LUIZ AMORIM FALASCHI - DF033253
LUÍS HENRIQUE ALVES SOBREIRA MACHADO - DF028512 RENATO FERREIRA MOURA FRANCO - DF035464
CAROLINE MARIA VIEIRA LACERDA - DF042238
ADVOGADOS : BARBARA BARBOSA DE FIGUEIREDO - DF047765
LARISSA CAMPOS DE ABREU - DF050991 THAIS DINIZ COELHO DE SOUZA - DF040974 JOSE EDUARDO MARTINS CARDOZO - SP067219
FELIPE AUGUSTO DAMACENO DE OLIVEIRA - DF059848 MAYRA JARDIM MARTINS CARDOZO - DF059414
LUCAS TAKAMATSU GALLI - DF061880
ADRIEL BRENDOWN TORRES MATURINO - DF062131
EMBARGANTE : JOSE OLEGARIO MONCAO CALDAS
ADVOGADOS : JOÃO DANIEL JACOBINA BRANDÃO DE CARVALHO - BA022113
Superior Tribunal de Justiça
DANILO MENDES SADY - BA041693
EMBARGANTE : GESIVALDO NASCIMENTO BRITTO
ADVOGADOS : ADRIANO FIGUEIREDO DE SOUZA GOMES - BA032385
JESSICA DA SILVA ALVES - BA053941
EMBARGANTE : MARIA DO SOCORRO BARRETO SANTIAGO ADVOGADOS : BRUNO ESPINEIRA LEMOS - BA012770
SANZO KACIANO BIONDI CARVALHO - BA014640
JOÃO DANIEL JACOBINA BRANDÃO DE CARVALHO -
BA022113
MAURÍCIO MATTOS FILHO - BA017568 VICTOR MINERVINO QUINTIERE - DF043144 MARCO ANTONIO ADRY RAMOS - BA048896 BRUNO GUSTAVO FREITAS ADRY - BA054148
EMBARGADO : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
INTERES. : ANTÔNIO ROQUE DO NASCIMENTO NEVES
ADVOGADOS : LUIZ AUGUSTO REIS DE AZEVEDO COUTINHO - BA014129
RAFAEL OLIVEIRA SANTOS - BA050620
INTERES. : JOILSON GONCALVES DIAS
ADVOGADOS : ALOISIO FREIRE SANTOS - BA039758
JOSÉ MAURICIO VASCONCELOS COQUEIRO - BA010439
INTERES. : JOSE VALTER DIAS
ADVOGADOS : MILTON JORDÃO DE FREITAS PINHEIRO GOMES - BA017939
FABIANO VASCONCELOS SILVA DIAS - BA022716 ALOISIO FREIRE SANTOS - BA039758
INTERES. : JULIO CESAR CAVALCANTI FERREIRA
ADVOGADOS : GUSTAVO TEIXEIRA GONET BRANCO - DF042990
CAROLINE SCANDELARI RAUPP - DF046106 FÁBIO BASÍLIO LIMA DE CARVALHO - BA022757 HADERLANN CHAVES CARDOSO - DF050456 IVAN CANDIDO DA SILVA DE FRANCO - SP331838 PAULA STOCO DE OLIVEIRA - SP384608
INTERES. : KARLA JANAYNA LEAL VIEIRA
ADVOGADOS : SÉRGIO ALEXANDRE MENESES HABIB - BA004368
THALES ALEXANDRE PINHEIRO HABIB - BA049784 JOSÉ HENRIQUE SOUZA LINO - BA061740
TATIANA DE MOURA OLIVEIRA RIBEIRO - BA063805
INTERES. : MÁRCIO DUARTE MIRANDA
ADVOGADOS : MÁRIO FRANCISCO TEIXEIRA ALVES OLIVEIRA - BA023325
CARLOS AYALLA TEIXEIRA RIBEIRO - BA022152 ADENILSON MALHEIROS SANTOS SILVA - BA034111 JOÃO MARCOS BRAGA DE MELO - DF050360
DAVID CAVALCANTE TEIXEIRA DALTRO - BA052812 MILENA PINHEIRO ARAUJO - BA044737
ANISSA WEBER ALMEIDA - BA052398 FLORIVALDO LUIZ GIUSTO - BA043872
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OTTO VINICIUS OLIVEIRA LOPES - BA054951
INTERES. : MARCIO REINALDO MIRANDA BRAGA ADVOGADOS : FERNANDO SANTANA ROCHA - BA003124
VITOR DE SA SANTANA - BA035706
INTERES. : MARIA DA GRACA OSORIO PIMENTEL LEAL
ADVOGADOS : SÉRGIO ALEXANDRE MENESES HABIB - BA004368
THALES ALEXANDRE PINHEIRO HABIB - BA049784 JOSÉ HENRIQUE SOUZA LINO - BA061740
INTERES. : SERGIO HUMBERTO DE QUADROS SAMPAIO ADVOGADOS : ANDRÉ LUIZ HESPANHOL TAVARES - DF039645
ENOS EDUARDO LINS DE PAULA - RJ222599
RELATÓRIO
O EXMO. SR. MINISTRO OG FERNANDES (Relator): ADAILTON
MATURINO DOS SANTOS opôs embargos de declaração às e-STJ fls. 11.231-11.269, alegando vícios no acórdão que recebeu parcialmente a denúncia (e-STJ fls. 10.889-11.106).
Alega a parte embargante, em síntese, a existência de omissões,
premissa equivocada, obscuridade, contrariedade e erro material no acórdão
embargado, nos seguintes termos:
A - OMISSÃO – AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DESTA CORTE ACERCA DA NECESSIDADE, COM MÁXIMA URGÊNCIA, DE REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA IMPOSTA AO EMBARGANTE, SEGREGADO CAUTELARMENTE HÁ 180 (CENTO E OITENTA DIAS) Ante o exposto, considerando-se a omissão dessa digníssima Corte Especial no que atina a matéria de extrema importância, requer-se o seu saneamento, analisando-se, com máxima urgência, o pleito de revogação da prisão preventiva formulada nestes autos – não apenas na resposta preliminar, mas em diversas ocasiões, inclusive nos autos da PET nº. 13353/DF (2020/0084612-1) – ou, subsidiariamente, de substituição por medidas cautelares diversas ou por prisão domiciliar, como medida de justiça e sobretudo por razões humanitárias, considerando as comorbidades que comprovadamente assolam o Embargante, o seu quadro concreto grave de saúde, e o elevadíssimo risco de morte, tudo isso com fundamento nos artigos 318 e 319, ambos do Código de Processo Penal e no artigo 4º, inciso I, “a”, da Resolução nº. 62 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, principalmente, nos princípios fundamentais da humanidade e da dignidade da pessoa humana.
(...).
B - PREMISSA EQUIVOCADA E CONTRARIEDADE – DENÚNCIA INÉPTA – EXPRESSA AUSÊNCIA DE AFERIÇÃO DE FATOS ESSENCIAIS À OPERAÇÃO FAROESTE – ACUSAÇÃO TEMERÁRIA –
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INVIABILIZAÇÃO DO PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA – IMPERIOSA É A REJEIÇÃO DA INICIAL ACUSATÓRIA (...).
Em primeiro lugar, não se sustenta juridicamente o argumento de que seria precoce a capitulação jurídica dos atos imputados aos denunciados. Por mais que seja possível a aplicação dos institutos da emendatio ou da mutatio libelli, a classificação do crime é requisito obrigatório para a denúncia, sem o qual, inepta será, por violação ao artigo 41, do Código de Processo Penal.
(...).
A exordial acusatória aponta as condutas supostamente praticadas pelo Embargante sem a indicação de fatos, tempo, circunstâncias e lugar. Na realidade, limita-se a apresentar um compilado de incontáveis adjetivações para referir-se aa Embargante, sem – repete-se – apontar-lhe fatos.
Assim, há evidente contradição entre o objeto da denúncia e a sua capitulação, o que leva, necessariamente, ao reconhecimento de sua inépcia.
(...).
C - OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E ERRO MATERIAL – DENÚNCIA INEPTA E SEM JUSTA CAUSA – AUSÊNCIA DA DESCRIÇÃO DE TODOS OS ELEMENTOS DO TIPO DO DELITO DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA – REJEIÇÃO DA DENÚNCIA
(...).
Ocorre que a denúncia não merecia ter sido recebida, eis que, além de não se sustentar pela ausência de correlação entre descrição fática e imputação, também não descreveu a imputada organização criminosa a qual o Embargante faria parte.
(...).
D - OMISSÃO E OBSCURIDADE – DENÚNCIA INEPTA E SEM JUSTA CAUSA PARA A AÇÃO PENAL – LAVAGEM DE DINHEIRO – AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DAS ELEMENTARES DO TIPO
De igual modo, o venerando acórdão também é omisso e torna-se obscuro no ponto relativo à inépcia da denúncia e à falta de justa causa para a ação penal. Isso porque as mesmas razões que macularam o recebimento da denúncia pela imputação por organização criminosa se estendem à denúncia por lavagem de dinheiro. É que este crime também depende, para sua constituição, de outros delitos, os chamados crimes antecedentes.
(...).
(i) Impossibilidade de lavagem. Origem lícita dos bens. Elemento objetivo do tipo.
(...).
Sendo que, segundo narra a exordial, a lavagem teria ocorrido em relação a valores provenientes de acordo firmado no Ação n.º 0000157-61.1990.8.05.0081. Portanto, se proveniente de acordo judicial, os valores são lícitos e transparentes.
(...).
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ocultação. Atipicidade da conduta.No que se refere a este tópico, o venerando acórdão limitou-se a afirmar, às fls. 169, que “não procede a tese defensiva de que, como as pessoas jurídicas estavam em nomes dos próprios denunciados ou de familiares próximos, não poderia estar configurado o delito de lavagem de dinheiro”. (...).
(iii) Da indevida conotação de fraude atribuída à JJF Holding
Com relação aos esclarecimentos relativos às suspeitas ministeriais em torno à sociedade empresarial JJF Holding, seja em relação ao seu fluxo financeiro, seja à sua composição percentual, este tópico também não foi devidamente apreciado, sendo a presente para reiterá-lo, a fim de sanar-se a omissão, afastando-se quaisquer suspeitas de ilegalidade. (...).
E - OBSCURIDADE E OMISSÃO – AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA – CARÊNCIA DE SUPORTE PROBATÓRIO – DENÚNCIA BASEADA EM PRESUNÇÕES – REJEIÇÃO
O venerando acórdão embargado omitiu-se a respeito da ausência de justa causa para prosseguimento de uma ação penal.
(...).
A bem da verdade, a análise desta situação reforça a posição da defesa, quando diz, argumenta e prova, que a investigação, agora ação penal, em curso está essencialmente invertida, transformando, sim, as verdadeiras vítimas em vilões, e criminalizando a atuação regular de magistrados, que decidiram, a partir do seu livre convencimento, em estrito cotejo às instruções probatórias constantes dos autos, princípios básicos norteadores da magistratura.
(...).
F - OMISSÃO – AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO ACERCA DOS DIREITOS PATRIMONIAIS E POSSESSÓRIOS DO SENHOR JOSÉ VALTER DIAS Como se não bastasse a ausência de apreciação completa das teses defensivas, o venerando acórdão, às fls. 155, meciona que “a defesa tenta deslocar o debate para a averiguação do verdadeiro proprietário das terras São José”. Por outro lado, contraditoriamente, venerando acórdão menciona a “inexplicável forma” pela qual referido senhor teria se tornado um grande latifundiário no oeste baiano.
Por fim, pede que sejam recebidos e acolhidos osembargos de declaração para sanar os vícios apontados.
Intimado, o MPF manifestou-se às e-STJ fls. 11.464-11.505, pugnando pelo não acolhimento dos aclaratórios.
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EDcl na AÇÃO PENAL Nº 940 - DF (2019/0372230-2)
RELATOR : MINISTRO OG FERNANDES
EMBARGANTE : ADAILTON MATURINO DOS SANTOS ADVOGADOS : MIGUEL PEREIRA NETO - SP105701
MARCIO LOPES DE FREITAS FILHO - DF029181 VICTOR DAHER - DF032754
ADVOGADOS : GABRIELA GUIMARAES PEIXOTO - DF030789
LUÍS HENRIQUE ALVES SOBREIRA MACHADO - DF028512 RENATO FERREIRA MOURA FRANCO - DF035464
ROSANE ROSOLEN DE AZEVEDO RIBEIRO - SP129630 CAROLINE MARIA VIEIRA LACERDA - DF042238
ADVOGADOS : BARBARA BARBOSA DE FIGUEIREDO - DF047765 LARISSA CAMPOS DE ABREU - DF050991
THAIS DINIZ COELHO DE SOUZA - DF040974 JOSE EDUARDO MARTINS CARDOZO - SP067219 ALEXIS ELIANE - SP389822
JULIANA NANCY MARCIANO - SP360723 RENATA NAMURA SOBRAL - SP406994
SOSTENES CARNEIRO MARCHEZINE - DF044267 CLARA MOURA MASIERO - SP414831
PEDRO DE ALCANTARA BERNARDES NETO - DF031019 FELIPE AUGUSTO DAMACENO DE OLIVEIRA - DF059848 MAYRA JARDIM MARTINS CARDOZO - DF059414
VICTOR CASTRO VELLOSO - DF052091 LUCAS TAKAMATSU GALLI - DF061880 EMBARGANTE : MARIVALDA ALMEIDA MOUTINHO
ADVOGADOS : GASPARE SARACENO - BA003371
GEVALDO DA SILVA PINHO JUNIOR - BA015641 EMBARGANTE : GECIANE SOUZA MATURINO DOS SANTOS ADVOGADOS : VICTOR KORST FAGUNDES - DF025843
MARCIO LOPES DE FREITAS FILHO - DF029181 ALEXANDRE LUIZ AMORIM FALASCHI - DF033253
LUÍS HENRIQUE ALVES SOBREIRA MACHADO - DF028512 RENATO FERREIRA MOURA FRANCO - DF035464
CAROLINE MARIA VIEIRA LACERDA - DF042238 ADVOGADOS : BARBARA BARBOSA DE FIGUEIREDO - DF047765 LARISSA CAMPOS DE ABREU - DF050991
THAIS DINIZ COELHO DE SOUZA - DF040974 JOSE EDUARDO MARTINS CARDOZO - SP067219
FELIPE AUGUSTO DAMACENO DE OLIVEIRA - DF059848 MAYRA JARDIM MARTINS CARDOZO - DF059414
LUCAS TAKAMATSU GALLI - DF061880
ADRIEL BRENDOWN TORRES MATURINO - DF062131 EMBARGANTE : JOSE OLEGARIO MONCAO CALDAS
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ADVOGADOS : JOÃO DANIEL JACOBINA BRANDÃO DE CARVALHO - BA022113
EDIL MUNIZ MACEDO JUNIOR - BA032751 DANILO MENDES SADY - BA041693 EMBARGANTE : GESIVALDO NASCIMENTO BRITTO
ADVOGADOS : ADRIANO FIGUEIREDO DE SOUZA GOMES - BA032385 JESSICA DA SILVA ALVES - BA053941
EMBARGANTE : MARIA DO SOCORRO BARRETO SANTIAGO ADVOGADOS : BRUNO ESPINEIRA LEMOS - BA012770
SANZO KACIANO BIONDI CARVALHO - BA014640
JOÃO DANIEL JACOBINA BRANDÃO DE CARVALHO - BA022113
MAURÍCIO MATTOS FILHO - BA017568 VICTOR MINERVINO QUINTIERE - DF043144 MARCO ANTONIO ADRY RAMOS - BA048896 BRUNO GUSTAVO FREITAS ADRY - BA054148 EMBARGADO : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
INTERES. : ANTÔNIO ROQUE DO NASCIMENTO NEVES
ADVOGADOS : LUIZ AUGUSTO REIS DE AZEVEDO COUTINHO - BA014129 RAFAEL OLIVEIRA SANTOS - BA050620
INTERES. : JOILSON GONCALVES DIAS
ADVOGADOS : ALOISIO FREIRE SANTOS - BA039758
JOSÉ MAURICIO VASCONCELOS COQUEIRO - BA010439 INTERES. : JOSE VALTER DIAS
ADVOGADOS : MILTON JORDÃO DE FREITAS PINHEIRO GOMES - BA017939
FABIANO VASCONCELOS SILVA DIAS - BA022716 ALOISIO FREIRE SANTOS - BA039758
INTERES. : JULIO CESAR CAVALCANTI FERREIRA
ADVOGADOS : GUSTAVO TEIXEIRA GONET BRANCO - DF042990 CAROLINE SCANDELARI RAUPP - DF046106 FÁBIO BASÍLIO LIMA DE CARVALHO - BA022757 HADERLANN CHAVES CARDOSO - DF050456 IVAN CANDIDO DA SILVA DE FRANCO - SP331838 PAULA STOCO DE OLIVEIRA - SP384608
INTERES. : KARLA JANAYNA LEAL VIEIRA
ADVOGADOS : SÉRGIO ALEXANDRE MENESES HABIB - BA004368 THALES ALEXANDRE PINHEIRO HABIB - BA049784 JOSÉ HENRIQUE SOUZA LINO - BA061740
TATIANA DE MOURA OLIVEIRA RIBEIRO - BA063805 INTERES. : MÁRCIO DUARTE MIRANDA
ADVOGADOS : MÁRIO FRANCISCO TEIXEIRA ALVES OLIVEIRA - BA023325 CARLOS AYALLA TEIXEIRA RIBEIRO - BA022152
ADENILSON MALHEIROS SANTOS SILVA - BA034111 JOÃO MARCOS BRAGA DE MELO - DF050360
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MILENA PINHEIRO ARAUJO - BA044737 ANISSA WEBER ALMEIDA - BA052398 FLORIVALDO LUIZ GIUSTO - BA043872
OTTO VINICIUS OLIVEIRA LOPES - BA054951 INTERES. : MARCIO REINALDO MIRANDA BRAGA
ADVOGADOS : FERNANDO SANTANA ROCHA - BA003124 VITOR DE SA SANTANA - BA035706
INTERES. : MARIA DA GRACA OSORIO PIMENTEL LEAL
ADVOGADOS : SÉRGIO ALEXANDRE MENESES HABIB - BA004368 THALES ALEXANDRE PINHEIRO HABIB - BA049784 JOSÉ HENRIQUE SOUZA LINO - BA061740
INTERES. : SERGIO HUMBERTO DE QUADROS SAMPAIO ADVOGADOS : ANDRÉ LUIZ HESPANHOL TAVARES - DF039645 ENOS EDUARDO LINS DE PAULA - RJ222599
EMENTA
PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA ACÓRDÃO DE RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS NO ARESTO EMBARGADO. MERA IRRESIGNAÇÃO COM O TEOR DO ACÓRDÃO. DESCABIMENTO. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
1. A parte embargante aponta a existência de omissões, premissa equivocada, obscuridade, contrariedade e erro material no acórdão embargado.
2. A denúncia narra as condutas supostamente criminosas da denunciada de forma adequada e suficiente, razão pela qual a Corte Especial decidiu, de forma unânime, que "a denúncia contém os requisitos exigidos pelo
art. 41 do Código de Processo Penal, pois descreve os elementos necessários para a configuração de crimes em teses praticados pela denunciada. A discussão acerca da capitulação jurídica dos atos imputados é precoce, por se tratar de matéria de mérito e deverá ser abordada em momento oportuno. (...). A descrição das condutas com suas circunstâncias pode ser extraída da relação de provas da materialidade e dos indícios de autoria indicados na denúncia, motivo pelo qual esse elemento essencial da inicial acusatória pode ser verificado em conjunto com a análise sobre a existência de justa causa. (...). Quanto à existência de justa causa, a defesa tenta deslocar o debate para a averiguação do verdadeiro proprietário das terras da Fazenda São José. No entanto, como já mencionado na introdução, o objeto da denúncia não é esse e, na realidade, essa questão de fundo não deverá ser resolvida nos presentes autos. Isso porque não interessa discutir aqui se as decisões seriam materialmente corretas, ou quem de fato teria domínio legítimo sobre as terras, uma vez que os delitos investigados não exigem que os atos praticados sejam materialmente ilegais, mas apenas que suas práticas tenham sido orientadas por interesses
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escusos em um processo de venda sistemática de decisões judiciais com vistas a permitir a obtenção de lucros expressivos e o sucesso da empreitada.".
3. Não merece acolhida a alegação de omissão quanto ao pedido de revogação da prisão preventiva, uma vez que o processo foi submetido à Corte Especial para fins de análise do recebimento ou não da denúncia. A apreciação dos pleitos de revogação da prisões será feita pela Corte Especial no dia 17 de junho de 2020, data em que estão pautados todos os agravos regimentais em que os denunciados nesse feito pedem a reavaliação dessa matéria.
4. Ocorre que o próprio A M D S peticionou na Pet nº 13.353-DF, às e-STJ fls. 531-534, requerendo desistência do agravo regimental relativo ao pleito humanitário de revogação da prisão ou conversão por medidas alternativas ou por prisão domiciliar, por força da pandemia do Covid, ante a superveniente perda do interesse de agir. Tal pleito foi homologado e transitou em julgado, consoante certidão de e-STJ fl. 551, não cabendo rediscussão da matéria nesse feito.
5. No que tange ao argumento de que "a classificação do crime é
requisito obrigatório para a denúncia, sem o qual, inepta será, por violação ao artigo 41, do Código de Processo Penal", deve ser rejeitado,
pois os fatos imputados ao denunciado foram devidamente capitulados como crimes na denúncia e no acórdão que a recebeu.
6. Digno de nota que foi oferecida nova denúncia pelo MPF (autuada em 08/06/2020 como Apn nº 965-DF), desta feita denunciando M D G O, K J L, A M D S, G S M D S e D D D, como incursos, dentre outros, nos tipos penais dos art. 317, § 1º, do Código Penal, e do art. 1º, § 4º, da Lei 9.613/98.
7. Também não merece guarida a alegação de que "a denúncia não
merecia ter sido recebida, eis que, além de não se sustentar pela ausência de correlação entre descrição fática e imputação, também não descreveu a imputada organização criminosa a qual o Embargante faria parte". Ora, a denúncia e o acórdão descreveram fartamente a
organização criminosa da qual o parte embargante faria parte, bem como aos aspectos específicos com relação ao crime de lavagem de dinheiro. 8. Igualmente, não se deve aceitar a argumentação da parte embargante de que a denúncia estaria baseada em presunções, e de que houve omissão quanto à apreciação acerca dos direitos patrimoniais e possessórios de JOSÉ VALTER DIAS. Todos esses aspectos foram detalhadamente tratados no voto de recebimento da denúncia que foi referendado pela Corte Especial.
9. Na sessão em que analisa o recebimento da denúncia cabe à Corte Especial avaliar se está demonstrada a existência de indícios mínimos de autoria e se há prova da materialidade dos crimes imputados. No que tange à parte embargante, o Órgão Colegiado decidiu pelo recebimento da denúncia com relação à suposta prática dos crimes de pertencimento a organização criminosa e lavagem de ativos, e o fez com o aprofundamento
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adequado à fase em que o processo se encontra sem adentrar, repita-se, nos aspectos meritórios, os quais serão examinados no momento oportuno.
10. Não houve, assim, qualquer omissão ou obscuridade no acórdão de recebimento da denúncia.
11. Importante lembrar que o teor do art. 489, §1º, inc. IV do CPC/2015, ao dispor que "Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial,
seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador", não significa que o julgador tenha que
enfrentar todos os argumentos trazidos pelas partes, mas sim, os argumentos levantados que sejam capazes de, em tese, negar a conclusão adotada pelo julgador.
12. A pretensão da parte embargante ao apontar vícios inexistentes no acórdão é, tão somente, manifestar dissenso e pedir o rejulgamento de questão já decidida, o que não é cabível em embargos de declaração. A jurisprudência desta Corte Superior é pacífica no sentido de que a discordância com o julgamento não se configura motivo para a interposição de embargos declaratórios. Precedentes do STJ.
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VOTO
O EXMO. SR. MINISTRO OG FERNANDES (Relator): Como relatado, a
parte embargante aponta a existência de omissões, premissa equivocada,
obscuridade, contrariedade e erro material no acórdão embargado, nos seguintes
termos:
A - OMISSÃO – AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DESTA CORTE ACERCA DA NECESSIDADE, COM MÁXIMA URGÊNCIA, DE REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA IMPOSTA AO EMBARGANTE, SEGREGADO CAUTELARMENTE HÁ 180 (CENTO E OITENTA DIAS) Ante o exposto, considerando-se a omissão dessa digníssima Corte Especial no que atina a matéria de extrema importância, requer-se o seu saneamento, analisando-se, com máxima urgência, o pleito de revogação da prisão preventiva formulada nestes autos – não apenas na resposta preliminar, mas em diversas ocasiões, inclusive nos autos da PET nº. 13353/DF (2020/0084612-1) – ou, subsidiariamente, de substituição por medidas cautelares diversas ou por prisão domiciliar, como medida de justiça e sobretudo por razões humanitárias, considerando as comorbidades que comprovadamente assolam o Embargante, o seu quadro concreto grave de saúde, e o elevadíssimo risco de morte, tudo isso com fundamento nos artigos 318 e 319, ambos do Código de Processo Penal e no artigo 4º, inciso I, “a”, da Resolução nº. 62 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, principalmente, nos princípios fundamentais da humanidade e da dignidade da pessoa humana.
(...).
B - PREMISSA EQUIVOCADA E CONTRARIEDADE – DENÚNCIA INÉPTA – EXPRESSA AUSÊNCIA DE AFERIÇÃO DE FATOS ESSENCIAIS À OPERAÇÃO FAROESTE – ACUSAÇÃO TEMERÁRIA – INVIABILIZAÇÃO DO PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA – IMPERIOSA É A REJEIÇÃO DA INICIAL ACUSATÓRIA (...).
Em primeiro lugar, não se sustenta juridicamente o argumento de que seria precoce a capitulação jurídica dos atos imputados aos denunciados. Por mais que seja possível a aplicação dos institutos da emendatio ou da mutatio libelli, a classificação do crime é requisito obrigatório para a denúncia, sem o qual, inepta será, por violação ao artigo 41, do Código de Processo Penal.
(...).
A exordial acusatória aponta as condutas supostamente praticadas pelo Embargante sem a indicação de fatos, tempo, circunstâncias e lugar. Na realidade, limita-se a apresentar um compilado de incontáveis adjetivações para referir-se aa Embargante, sem – repete-se – apontar-lhe fatos.
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Assim, há evidente contradição entre o objeto da denúncia e a sua capitulação, o que leva, necessariamente, ao reconhecimento de sua inépcia.
(...).
C - OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E ERRO MATERIAL – DENÚNCIA INEPTA E SEM JUSTA CAUSA – AUSÊNCIA DA DESCRIÇÃO DE TODOS OS ELEMENTOS DO TIPO DO DELITO DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA – REJEIÇÃO DA DENÚNCIA
(...).
Ocorre que a denúncia não merecia ter sido recebida, eis que, além de não se sustentar pela ausência de correlação entre descrição fática e imputação, também não descreveu a imputada organização criminosa a qual o Embargante faria parte.
(...).
D - OMISSÃO E OBSCURIDADE – DENÚNCIA INEPTA E SEM JUSTA CAUSA PARA A AÇÃO PENAL – LAVAGEM DE DINHEIRO – AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DAS ELEMENTARES DO TIPO
De igual modo, o venerando acórdão também é omisso e torna-se obscuro no ponto relativo à inépcia da denúncia e à falta de justa causa para a ação penal. Isso porque as mesmas razões que macularam o recebimento da denúncia pela imputação por organização criminosa se estendem à denúncia por lavagem de dinheiro. É que este crime também depende, para sua constituição, de outros delitos, os chamados crimes antecedentes.
(...).
(i) Impossibilidade de lavagem. Origem lícita dos bens. Elemento objetivo do tipo.
(...).
Sendo que, segundo narra a exordial, a lavagem teria ocorrido em relação a valores provenientes de acordo firmado no Ação n.º 0000157-61.1990.8.05.0081. Portanto, se proveniente de acordo judicial, os valores são lícitos e transparentes.
(...).
(ii) Impossibilidade de lavagem de dinheiro com familiares. Ausência de ocultação. Atipicidade da conduta.
No que se refere a este tópico, o venerando acórdão limitou-se a afirmar, às fls. 169, que “não procede a tese defensiva de que, como as pessoas jurídicas estavam em nomes dos próprios denunciados ou de familiares próximos, não poderia estar configurado o delito de lavagem de dinheiro”. (...).
(iii) Da indevida conotação de fraude atribuída à JJF Holding
Com relação aos esclarecimentos relativos às suspeitas ministeriais em torno à sociedade empresarial JJF Holding, seja em relação ao seu fluxo financeiro, seja à sua composição percentual, este tópico também não foi devidamente apreciado, sendo a presente para reiterá-lo, a fim de sanar-se a omissão, afastando-se quaisquer suspeitas de ilegalidade. (...).
E - OBSCURIDADE E OMISSÃO – AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA – CARÊNCIA DE SUPORTE PROBATÓRIO – DENÚNCIA BASEADA EM
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PRESUNÇÕES – REJEIÇÃOO venerando acórdão embargado omitiu-se a respeito da ausência de justa causa para prosseguimento de uma ação penal.
(...).
A bem da verdade, a análise desta situação reforça a posição da defesa, quando diz, argumenta e prova, que a investigação, agora ação penal, em curso está essencialmente invertida, transformando, sim, as verdadeiras vítimas em vilões, e criminalizando a atuação regular de magistrados, que decidiram, a partir do seu livre convencimento, em estrito cotejo às instruções probatórias constantes dos autos, princípios básicos norteadores da magistratura.
(...).
F - OMISSÃO – AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO ACERCA DOS DIREITOS PATRIMONIAIS E POSSESSÓRIOS DO SENHOR JOSÉ VALTER DIAS Como se não bastasse a ausência de apreciação completa das teses defensivas, o venerando acórdão, às fls. 155, meciona que “a defesa tenta deslocar o debate para a averiguação do verdadeiro proprietário das terras São José”. Por outro lado, contraditoriamente, venerando acórdão menciona a “inexplicável forma” pela qual referido senhor teria se tornado um grande latifundiário no oeste baiano.
Ouvido, o MPF manifestou-se nos seguintes termos:
Os embargantes ADAILTON MATURINO e GECIANE MATURINO tentam, mais uma vez, revolver, dessa feita, em sede de aclaratórios contra o acórdão do recebimento da denúncia, a (des)necessidade da manutenção das prisões cautelares deles, situação que, data maxima venia, ficou afastada naquela assentada.
Nesse contexto, não se pode perder de vista que a Corte Especial deliberou no sentido de que as prisões seriam enfrentadas em sede de
agravo regimental, o que já foi feito inclusive em relação à embargante
MARIA DO SOCORRO, no dia 20/05/2020, razão pela qual inexiste qualquer tipo de equívoco a ser suprido, nesse momento.
Em outro vértice, venia concessa, nenhuma das 13 (treze)
omissões ou contradições meritórias, apontadas pelos embargantes
ADAILTON MATURINO e GECIANE MATURINO devem ser acolhidas, uma vez que os embargos não se prestam a rediscutir matéria minudentemente tratada pela decisão de recebimento da denúncia.
Nesta direção, todas as teses recursais aqui postas pelos embargantes ADAILTON MATURINO e GECIANE MATURINO, foram enfrentadas pelo e. Relator, de maneira sóbria, como deve ser, no momento do juízo de prelibação.
(...).
No caso sob exame, não obstante as múltiplas teses defensivas buscando o descredenciamento da peça acusatória, data maxima venia, ela preencheu os requisitos do art. 41 do CPP e não restaram
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395 do mesmo diploma legal, como reconheceu, com absoluta cautela, a
Corte Especial, quando do seu recebimento.
Patenteada, portanto, estava a justa causa para o recebimento da presente acusação, lastreada nos diversos elementos probatórios encartados nos autos do INQ nº 1258/DF, do PBAC nº 10/DF, da PET nº 12.659/DF, da QuebSig nº 25 e da QuebSig nº 26 (fls. 10.125/43.855), não tendo a decisão embargada incidido em nenhum tipo de incongruência. (...).
De toda maneira, nova frente acusatória está sendo fechada nos próximos dias, com todo o detalhamento do iter criminoso da prolação de decisão negociada ao pagamento da vantagem indevida, passando pelo mecanismo dissimulado e incorporação no patrimônio do julgador corrompido, a satisfazer os interesses da organização criminosa em questão.
(...).
Dessa forma, pode-se reafirmar que não deve ser feito qualquer tipo de ajuste ou adequação na decisão do recebimento da denúncia, visto que ela se apresentava apta formal e materialmente, narrando fatos definidos como infrações penais e evidenciando indícios mínimos que apoiam a imputação no plano da experiência jurídica. (grifos no original)
Assiste razão ao MPF.
De fato, a denúncia narra as condutas supostamente criminosas da denunciada de forma adequada e suficiente, razão pela qual a Corte Especial decidiu, de forma unânime, que:
Formulada nesses termos, a denúncia contém os requisitos exigidos pelo art. 41 do Código de Processo Penal, pois descreve os elementos necessários para a configuração de crimes em teses praticados pelo denunciado. A discussão acerca da capitulação jurídica dos atos imputados é precoce, por se tratar de matéria de mérito e deverá ser abordada em momento oportuno.
De todo modo, qualquer equívoco na definição jurídica das condutas imputadas não teria o condão de tornar a denúncia inepta, em vista da possibilidade, se for o caso, de aplicação dos institutos da emendatio ou da mutatio libelli, conforme precedentes já citados.
A descrição das condutas com suas circunstâncias pode ser extraída da relação de provas da materialidade e dos indícios de autoria indicados na denúncia, motivo pelo qual esse elemento essencial da inicial acusatória pode ser verificado em conjunto com a análise sobre a existência de justa causa.
Consoante já se disse no item 3.1 desta decisão, a denúncia se mostra inepta quanto à imputação da causa de aumento do inciso IV do § 4º do art. 2º da Lei nº 12.850/2013, mas a inépcia da peça acusatória inicial é tão somente neste ponto.
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a averiguação do verdadeiro proprietário das terras da Fazenda São José. No entanto, como já mencionado na introdução, o objeto da denúncia não é esse e, na realidade, essa questão de fundo não deverá ser resolvida nos presentes autos.
Isso porque não interessa discutir aqui se as decisões seriam materialmente corretas, ou quem de fato teria domínio legítimo sobre as terras, uma vez que os delitos investigados não exigem que os atos praticados sejam materialmente ilegais, mas apenas que suas práticas tenham sido orientadas por interesses escusos em um processo de venda sistemática de decisões judiciais com vistas a permitir a obtenção de lucros expressivos e o sucesso da empreitada.
Não merece acolhida a alegação de omissão quanto ao pedido de revogação da prisão preventiva, uma vez que o processo foi submetido à Corte Especial para fins de análise do recebimento ou não da denúncia. A apreciação dos pleitos de revogação da prisões será feita pela Corte Especial no dia 17 de junho de 2020, data em que estão pautados todos os agravos regimentais em que os denunciados nesse feito pedem a reavaliação dessa matéria.
O embargante suscita que "o pleito de revogação da prisão preventiva
formulada nestes autos – não apenas na resposta preliminar, mas em diversas ocasiões, inclusive nos autos da PET nº. 13353/DF (2020/0084612-1) – ou, subsidiariamente, de substituição por medidas cautelares diversas ou por prisão domiciliar, como medida de justiça e sobretudo por razões humanitárias, considerando as comorbidades que compo pleito de revogação da prisão preventiva
formulada nestes autos – não apenas na resposta preliminar, mas em diversas ocasiões, inclusive nos autos da PET nº. 13353/DF (2020/0084612-1) – ou, subsidiariamente, de substituição por medidas cautelares diversas ou por prisão domiciliar, como medida de justiça e sobretudo por razões humanitárias, considerando as comorbidades que comprovadamente assolam o Embargante, o seu quadro concreto grave de saúde, e o elevadíssimo risco de morte, tudo isso com fundamento nos artigos 318 e 319, ambos do Código de Processo Penal e no artigo 4º, inciso I, “a”, da Resolução nº. 62 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, principalmente, nos princípios fundamentais da humanidade e da dignidade da pessoa humana.
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Pet nº 13.353-DF, às e-STJ fls. 531-534 , requerendo "desistência e pede,
respeitosamente, arquivamento dos pedidos formulados nestes autos, especialmente a reconsideração e o agravo regimental relativo ao pleito humanitário de revogação da prisão ou conversão por medidas alternativas ou por prisão domiciliar, por força da pandemia do Covid, ante a superveniente perda do interesse de agir.".
Na ocasião, proferi a seguinte decisão:
Passo a decidir.
Pois bem, o art. 34, IX, do RISTJ estabelece: Art. 34. São atribuições do relator:
IX - apreciar e homologar pedidos de desistência, de autocomposição das partes e de habilitação em razão de falecimento de qualquer das partes, ainda que o feito se ache em pauta ou em mesa para julgamento;
Inexiste óbice para a homologação da desistência do requerimento e do recurso que têm como objeto a ""revogação da prisão ou conversão por medidas alternativas ou por prisão domiciliar, por força da pandemia do Covid".
Ante o exposto, com base no art. 34, IX, do RISTJ, HOMOLOGO a desistência do requerimento contido na Pet nº 13.353-DF, bem como do agravo regimental interposto às e-STJ fls. 277-304.
Outrossim, determino a retirada do referido agravo regimental da pauta de julgamentos da Corte Especial do dia 17/06/2020.
Tal decisão na Pet nº 13.353-DF, a propósito, já transitou em julgado, consoante certidão de e-STJ fl. 551, não cabendo rediscussão da matéria nesse feito.
No que tange ao argumento de que "a classificação do crime é requisito
obrigatório para a denúncia, sem o qual, inepta será, por violação ao artigo 41, do Código de Processo Penal", deve ser rejeitado, pois os fatos imputados ao
denunciado foram devidamente capitulados como crimes na denúncia e no acórdão que a recebeu.
Também não merece guarida a alegação de que "a denúncia não
merecia ter sido recebida, eis que, além de não se sustentar pela ausência de correlação entre descrição fática e imputação, também não descreveu a imputada organização criminosa a qual a Embargante faria parte".
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criminosa da qual a parte embargante faria parte, bem como aos aspectos específicos com relação ao crime de lavagem de dinheiro.
Igualmente, não se deve aceitar a argumentação da parte embargante de que a denúncia estaria baseada em presunções, e de que houve omissão quanto à apreciação acerca dos direitos patrimoniais e possessórios de JOSÉ VALTER DIAS.
Todos esses aspectos foram detalhadamente tratados no voto de recebimento da denúncia que foi referendado pela Corte Especial, do qual destacamos alguns trechos:
Foram identificados 54 (cinquenta e quatro) contatos de voz com a desembargadora entre 3/7/2013 e 10/4/2014 (fl. 17 do PBAC em apenso). MARIA DA GRAÇA OSÓRIO foi ouvida sobre tal fato na Justiça Federal (fls. 17-18 do PBAC em apenso), e atribuiu essas ligações a contatos com a mãe do denunciado, em virtude de orações que esta faria para a denunciada, e também por ter tido problemas de saúde.
No entanto, essa versão não é verossímil, tendo em vista o contexto em que os telefonemas foram efetuados, em datas estratégicas e correspondentes a momentos sensíveis das ações judiciais promovidas pelo grupo. Além disso, trata-se de álibi de difícil ou impossível confirmação, uma vez que a suposta destinatária das ligações, mãe do denunciado ADAILTON MATURINO, já faleceu.
Além de sua atuação junto à desembargadora MARIA DA GRAÇA OSÓRIO, o denunciado ADAILTON MATURINO também possui proximidade e capacidade de influência sobre GESIVALDO BRITTO, que também é denunciado de atuar em benefício do esquema.
(...).
No Relatório Circunstanciado de Cumprimento de Medidas Cautelares foi identificado que o número do celular de Anilton José Maturino dos Santos (Niltinho), irmão de Adailton José Maturino dos Santos, encontrava-se salvo no celular do desembargador GESIVALDO BRITTO.
Conforme relatado pelo Ministério Público, Gesivaldo Britto era proprietário de um Jeep Renegade, o qual atualmente pertence à AGM Holding, ligada a Geciane Maturino e seus filhos, o que mais uma vez evidencia a proximidade entre eles.
(...).
O que se percebe, portanto, é a utilização, pela organização criminosa, da JJF Holding para remunerar ADAILTON MATURINO de maneira dissimulada, contando com a atuação de GECIANE MATURINO para receberem valores extraordinários, incompatíveis com as funções ostensivas de mediador e advogada, mas que apenas se justificam como contrapartida da atuação de intermediação na compra de decisões judiciais favoráveis.
Regiamente remunerado por meio desse mecanismo, ADAILTON MATURINO apresentava padrão de vida elevado e um patrimônio vasto
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que tentava justificar e/ou ocultar de maneira dissimulada, conforme elementos informativos já colhidos.
O diálogo telefônico interceptado entre JOÃO CARLOS NOVAES, um dos advogados do investigado JOSÉ VALTER DIAS, e um homem não identificado, fornece uma ideia da enormidade de gastos de ADAILTON com festas e luxos, falando-se em: a) R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) investidos em um show para ser visto de lancha, em que ele contratou a cantora Claudia Leite; b) show no Wet'n Wild com os cantores Bruno e Marrone, com quem fez um vídeo, com direito à distribuição de pulseirinhas com a inscrição "CAMAROTE DO CÔNSUL"; c) gastos em R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) no cartão de crédito de JOÃO CARLOS NOVAES em um mês; d) compra de casas, lancha, avião etc. (fls. 108-112 do PBAC).
O que se percebe, portanto, é a utilização, pela organização criminosa, da JJF Holding para remunerar ADAILTON MATURINO de maneira dissimulada, contando com a atuação de GECIANE MATURINO para receberem valores extraordinários, incompatíveis com as funções ostensivas de mediador e advogada, mas que apenas se justificam como contrapartida da atuação de intermediação na compra de decisões judiciais favoráveis.
Regiamente remunerado por meio desse mecanismo, ADAILTON MATURINO apresentava padrão de vida elevado e um patrimônio vasto que tentava justificar e/ou ocultar de maneira dissimulada, conforme elementos informativos já colhidos.
O diálogo telefônico interceptado entre JOÃO CARLOS NOVAES, um dos advogados do investigado JOSÉ VALTER DIAS, e um homem não identificado, fornece uma ideia da enormidade de gastos de ADAILTON com festas e luxos, falando-se em: a) R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) investidos em um show para ser visto de lancha, em que ele contratou a cantora Claudia Leite; b) show no Wet'n Wild com os cantores Bruno e Marrone, com quem fez um vídeo, com direito à distribuição de pulseirinhas com a inscrição "CAMAROTE DO CÔNSUL"; c) gastos em R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) no cartão de crédito de JOÃO CARLOS NOVAES em um mês; d) compra de casas, lancha, avião etc. (fls. 108-112 do PBAC).
(...).
Na busca e apreensão realizada na residência do denunciado ADAILTON MATURINO e de sua esposa, foram encontrados oito veículos de luxo, nenhum deles registrados em nome dos investigados. Alguns estavam registrados em nome da JJF Holding e da AGM Holding (placas EAZ 7383, JFP 6661 e ETB 8870), outro em nome de ADRIEL BRENDOWN TORRES MATURINO (placa PAQ 1846), uma Range Rover registrada no nome de JORGE ANTONIO DA SILVA SANTOS (placa NZY 9099) e um Jeep Renegade registrado no nome de KAIO FILLIPE MACEDO ANDRADE.
(...).
Acrescente-se que a AGM Holding, em cujo quadro societário constam a denunciada e seus filhos ADRIEL BRENDOWN E ADRIELLE BRENDHA, tem como objeto social a negociação com imóveis próprios, na verdade
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uma sala comercial de 25m² no valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Nada obstante, logrou obter lucros suficientes à aquisição de uma aeronave, Modelo1125 WEST.ASTRA, Prefixo PTMBZ; uma lancha de comprimento 13.500, adquirida por R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), e dois veículos luxuosos - I/M.BENZ ML 63 AMG, Placa Policial - ETB 8870, e I/PORSCHE CAYENNE V6, Placa Policial - JFP 6661.
Como se vê, tudo indica que os filhos de ADAILTON e GECIANE MATURINO, ADRIEL BRENDOWN TORRES MATURINO e ADRIELLE BRENDHA MACEDO MATURINO, também investigados, podem estar funcionando como laranjas, à frente da AGM HOLDING LTDA. e de várias outras empresas de que são sócios e/ou administradores, como a RADAR TECNOLOGIA E GESTÃO DE PESSOAL LTDA. (e-STJ, fl. 4.202).
(...).
Na busca e apreensão realizada no quarto de hotel do denunciado ADAILTON MATURINO e de sua esposa, também foram encontrados inúmeros cartões de crédito/débito (fotos e-STJ, fls. 3.870-3.872) e talonários de cheques de diversas contas, alguns plenamente preenchidos, outros assinados, mas com os demais campos em branco, além de outros sem nenhum campo preenchido.
Em um dos talonários, bem como em um dos cartões, vê-se como titular a pessoa de VINCENZO D S D SARAUSA. Trata-se de VINCENZO DAVIDE SINISCALCHI DI SARAUSA, que se apresenta como “Sua Majestade Don Vincenzo Davide I (Siniscalchi di Saraùsa)”, autoproclamado herdeiro e legítimo sucessor do imperador Constantino e, portanto, titular da soberania sobre todo o Império Romano, designação que decidiu modificar para “Principado de Santo Estêvão”, em homenagem ao primeiro padroeiro do Sacro Império Romano-Germânico. Segundo o próprio, seu patrimônio, enquanto soberano do “Principado de Santo Estêvão” (leia-se, do Império Romano), seria de US$300.000.000.000.000,00 (trezentos trilhões de dólares americanos), que serviriam de lastro para a emissão de duas moedas, uma tradicional (a lira de Santo Estêvão) e uma criptomoeda, chamada de ATM, algo que revela mais uma possível ramificação internacional da organização criminosa e que seria digno de investigação independente e mais aprofundada.
Ainda na temática das ligações internacionais do denunciado ADAILTON MATURINO apesar de a defesa alegar que ele nunca teria se identificado como Cônsul da Guiné-Bissau, muito menos tentado obter imunidade diplomática, os elementos colhidos demonstram o contrário.
O denunciado ADAILTON MATURINO se apresentava em público indevidamente como cônsul da Guiné-Bissau (consulte-se: https://www.bnews.com.br/noticias/principal/mundo/199031,consulado-da -republica-de-guine-bissau-implanta-sede-em-salvador.html), promoveu show em que os seus convidados recebiam pulseiras com o texto “Camarote do Cônsul”, utilizava a aeronave acima indicada, em nome da AGM HOLDING e utilizada pelo denunciado, que possui em sua fuselagem gravadas as bandeiras do Brasil e da Guiné-Bissau.
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utilizada por prepostos do denunciado para a manutenção da aeronave tinha identificação em que se lia “EMBAIXADA DA GUINÉ-BISSAÚ – DIVISÃO DE OPERAÇÕES AÉREAS”, posteriormente retirada sob suas ordens (fls 5-8 do Relatório Circunstanciado de Cumprimento de Medidas Cautelares).
Descabe a antecipação de discussão de aspectos puramente meritórios - como os trazidos pela parte embargante - no momento em que se analisa o recebimento da denúncia. Aliás, foi o que ficou expresso no voto referendado pela Corte Especial:
Não se pretende aqui, por óbvio, antecipar o mérito, mas o fato é que sobejam elementos de informação que indicam que o denunciado protagonizava esquema ordenado e permanente de compra de decisões judiciais e posterior obtenção de vantagens delas decorrentes, relacionadas com o caso da região do Coaceral.
Além disso, há diversos elementos indicativos da operacionalização de um sistema de lavagem dos recursos ilicitamente obtidos com a realização de acordos viabilizados pela compra das decisões judiciais, fatores que impõem o recebimento parcial da inicial acusatória em desfavor do denunciado ADAILTON MATURINO DOS SANTOS pela suposta prática dos crimes de integrar organização criminosa (art. 2°, §§ 3° e 4°, II, III e V, da Lei n.° 12.850/2013) e lavagem de dinheiro (art. 1°, § 4°, da Lei n.° 9.613/1998), rejeitando-se a denúncia em relação à causa de aumento prevista no art. 2°, § 4°, IV, da Lei n.° 12.850/2013.
Na sessão em que analisa o recebimento da denúncia cabe à Corte Especial avaliar se está demonstrada a existência de indícios mínimos de autoria e se há prova da materialidade dos crimes imputados. No que tange à parte embargante, o Órgão Colegiado decidiu pelo recebimento da denúncia com relação à suposta prática dos crimes de pertencimento a organização criminosa e lavagem de ativos, e o fez com o aprofundamento adequado à fase em que o processo se encontra sem adentrar, repita-se, nos aspectos meritórios, os quais serão examinados no momento oportuno.
Não houve, assim, qualquer das omissões ou obscuridades apontadas pela parte embargante no acórdão de recebimento da denúncia.
Importante lembrar que o teor do art. 489, §1º, inc. IV do CPC/2015, ao dispor que "Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela
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deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador", não significa que o julgador tenha que enfrentar todos os argumentos
trazidos pelas partes, mas sim, os argumentos levantados que sejam capazes de, em tese, negar a conclusão adotada pelo julgador.
Registre-se que, conforme o art. 1.022 do CPC, os embargos de declaração são oponíveis para sanar obscuridade, contradição; omissão ou para corrigir erro material. A pretensão da parte embargante ao apontar vícios inexistentes é, tão somente, manifestar dissenso e pedir o rejulgamento de questão já decidida, o que não é cabível em embargos de declaração.
A jurisprudência desta Corte Superior é pacífica no sentido de que a discordância com o julgamento não se configura motivo para a oposição de embargos declaratórios:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 3/STJ. PROCESSUAL CIVIL. REPETIÇÃO DE FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE OMISSÕES. EFEITOS INFRINGENTES. INVIABILIDADE. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
1. A atribuição de efeitos infringentes, em sede de embargos de declaração, somente é admitida em casos excepcionais, os quais exigem, necessariamente, a ocorrência de qualquer dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015.
2. Embargos de declaração rejeitados.
(EDcl no AgInt nos EAREsp 324.542/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/3/2017, DJe 21/3/2017)
PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS NO AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO EMBARGADO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃOS PARADIGMAS. JUÍZO DE MÉRITO. INADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. NEGADO SEGUIMENTO AOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/73. VÍCIOS INEXISTENTES. INCONFORMISMO. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
I. Embargos de Declaração opostos em 28/03/2016, a acórdão prolatado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, publicado em 15/03/2016, na vigência do CPC/73.
II. O voto condutor do acórdão embargado apreciou fundamentadamente, de modo coerente e completo, todas as questões necessárias à solução
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da controvérsia, negando provimento ao Agravo Regimental, em face da impossibilidade de conhecimento de Embargos de Divergência em que os acórdãos confrontados foram proferidos em juízo de cognição distintos. III. Inexistindo, no acórdão embargado, omissão, contradição, obscuridade ou erro material - seja à luz do art. 535 do CPC/73 ou do art. 1.022 do CPC vigente -, não merecem ser acolhidos os Embargos de Declaração, que, em verdade, revelam o inconformismo da parte embargante com as conclusões do decisum.
IV. Embargos de Declaração rejeitados.
(EDcl no AgRg nos EAREsp 667.287/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/5/2016, DJe 2/6/2016)
Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto.