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12. Da discussão e dos seminários, surgiu um consenso sobre as ideias seguintes

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Academic year: 2021

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Conclusões «Inovação  e  sustentabilidade  ambiental.  A  inovação  e  a  tecnologia  como 

motor  do  desenvolvimento  sustentável  e  da  coesão  social.  Uma  perspectiva  dos  governos locais». 

   

1.  O  Fórum  irá  estudar,  a  partir  da  perspectiva  dos  governos  locais,  uma  visão  de  conjunto  sobre  as  diferentes  dimensões  da  relação  entre  a  tecnologia  e  a  inovação  como motor do desenvolvimento sustentável.i 

 

2. Foi adoptada a noção de inovação social (IS). De maneira geral, esta será definida  como  a  capacidade colectiva  de  dar  resposta  a  situações  consideradas  insatisfatórias  em diferentes âmbitos da vida social. Em termos práticos, a IS é definida na acção e na  mudança  duradoura.  A  IS  não  tem  nenhuma  forma  especial  e  manifesta‐se  tanto  de  forma  imaterial  como  tangível.  No  primeiro  caso  traduz‐se  em  práticas,  serviços,  modos  de  executar,  modos  de  organização  da  acção  social,  legislações,  normas  e  regras  de  conduta;  no  segundo  caso  é  materializada  em  tecnologias  de  produção,  dispositivos, produtos. Em todos os casos, a IS aparece como uma solução inovadora  ou fora da norma estabelecida num determinado contexto. 

 

3.  A  IS  inscreve‐se  num  processo  de  mudança  e  melhoramento  do  desenvolvimento  dos indivíduos, do seu ambiente territorial e do âmbito de trabalho. Nos três planos, a  IS, para o ser, deve produzir melhores resultados do que as práticas tradicionais, além  de produzir mudanças duradouras e sustentáveis. 

 

4.  Em  nenhuma  circunstância  a  IS  pode  ser  concebida  como  um  acontecimento  acidental. A sua natureza envolve, necessariamente, acções que se empreendem com  finalidades predeterminadas. A IS implica, portanto, a existência de protagonistas que  actuam  em  função  de  objectivos  definidos.  Para  o  desenvolvimento  da  IS  é  determinante a existência de uma liderança e de uma organização predisposta para a  mudança.  Requer  a  existência  de  lideranças  cooperativas,  capazes  de  reconhecer  o  valor acrescentado do trabalho colectivo, abertas à novidade e à participação. À escala  local  ou  territorial,  uma  liderança  desta  natureza  caminha  lado  a  lado  com  uma  institucionalidade  democrática  e  representativa,  comprometida  com  a  promoção  activa dos diversos factores que favorecem e sustentam os impulsos inovadores.    

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5. A IS pode e deve ser incentivada pelas instituições públicas. No caso dos governos  locais  ou  territoriais,  o  trabalho  fundamental  é  o  de  trabalhar  como  «pontes  de  ligação» entre os agentes susceptíveis de gerar e produzir  inovação. Em democracia,  os governos locais são promotores quase naturais da IS, uma vez que, por um lado, o  «novo»  e  a  «mudança»  expressam  convicções  e  objectivos  programáticos  de  quem  governa  e,  por  outro  lado,  devido  aos  proveitos  que  isso  lhes  pode  proporcionar  na  concorrência  política  (maior  apoio  público,  maiores  possibilidades  de  triunfos  eleitorais e de exercício do poder).  

   

6.  É  sabido  que  o  crescimento  económico  origina  principalmente  a  inovação  e  o  conhecimento.ii  Embora  não  existam  avaliações  precisas  a  este  respeito,  a  inovação  desempenha  um  papel  igualmente  decisivo  no  progresso  social.  Além  disso,  a  IS  é  fundamental  para  o  crescimento  económico.  Historicamente,  a  difusão  de  novas  tecnologias (electricidade, automóveis, Internet, para referir três figuras emblemáticas  na matéria) tem dependido tanto da IS como da inovação técnica propriamente dita,  ou da empresarial. No mundo do século XXI a interrelação entre a IS e o crescimento  económico  parece  ter‐se  estreitado:  algumas  das  barreiras  que  actualmente  restringem  muito  seriamente  o  crescimento,  como  as  alterações  climáticas  ou  (num  número  significativo  de  países)  o  envelhecimento  da  população,  apenas  podem  ser  ultrapassadas  incentivando  e  gerando  IS  (que,  convém  sublinhar,  inclui,  por  ser  uma  noção mais vasta, a inovação tecnológica e a sua difusão económico‐social).  

 

7.  Através  da  política  pública,  os  governos  locais,  cada  um  nas  suas  circunstâncias  particulares, podem contribuir de várias maneiras para configurar ambientes propícios  à inovação: promovendo e fortalecendo o aparecimento de novas lideranças sociais e  económicas  na  comunidade;  canalizando  apoios  focalizados  para  projectos  de  Investigação  e  Desenvolvimento  em  áreas  específicas  identificadas  como  prioritárias;  implementando  novos  métodos  de  intervenção;  fomentando  transformações  sistémicas em áreas estratégicas que requerem abordagens multidisciplinares, como a  das  alterações  climáticas  e  suas  implicações  para  o  desenvolvimento  e  o  bem‐estar;  relacionando  as  PME  com  grandes  instituições  de  Investigação  e  Desenvolvimento,  como as universidades; incentivando legislação e normas pertinentes para a inovação.   

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8.  Na  base  local  ou  territorial  dos  países  são  várias  as  áreas  nas  quais  se  geram  «solicitações  de  inovação».  Entre  outras,  podem  ser  mencionadas,  como  exemplo,  a  empresarial;  a  tecnológica,  entendida  num  sentido  lato;  a  da  política  pública;  a  dos  serviços  públicos  urbanos;  a  do  desenvolvimento  comunitário  nas  suas  diversas  expressões; a da redução das desigualdades materiais e simbólicas. É em torno desta  «procura de inovação» que os governos regionais podem concentrar um conjunto de  acções relevantes em áreas específicas da política pública, todos interligados entre si  na medida em que, juntamente, configuram dimensões em que a acção dos governos  locais converge na prossecução dos objectivos de coesão social e sustentabilidade do  desenvolvimento:    i)   Sustentabilidade ambiental  ii)  Coesão social  iii)  Serviços públicos  iv)  Governo e fortalecimento da institucionalidade democrática  v)  Competitividade e desenvolvimento económico.      

9.  Em  torno  destas  cinco  dimensões  da  esfera  pública  local,  a  IS  e  a  evolução  tecnológica são factores chave para encontrar novas maneiras de fazer as coisas com o  objectivo  específico  de  responder  às  necessidades  sociais,  melhorando  as  condições  gerais  de  bem‐estar.  As  instituições  públicas  e,  particularmente,  as  administrações  locais têm a obrigação de investir na inovação, facilitar a sua utilização e promover o  acesso  às  novas  tecnologias  nos  seus  territórios  e,  no  desenvolvimento  de  políticas  públicas  de  qualidade,  serem  agentes  activos  na  gestão  do  conhecimento,  da  promoção económica, assim como nas estratégias de concertação com a cidadania.   

10.  Uma parte fundamental deste papel estratégico dos governos territoriais está na  possibilidade  de,  devido  à  sua  situação  como  primeira  instância  de  interlocução  e  interacção  do  poder  público  com  os  cidadãos  e  a  sociedade,  contribuírem  para  moderar  a  concepção  —  muito  generalizada  nalguns  meios  e  sectores  —  segundo  a  qual as tecnologias, por si só, são a chave para encontrar soluções em quase todos os  campos. Elas terão — e já têm, de facto— um papel central nessa direcção, mas a sua  utilização  necessita  de  uma  orientação  que  atenue  e  reduza  os  seus  riscos  e  efeitos  secundários.  Neste  terreno,  os  governos  locais  deverão  levar  a  cabo  estratégias  de 

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democrático  através  da  participação  dos  cidadãos,  sobre  a  distribuição  de  custos  e  vantagens  para  a  sociedade  das  alterações  estruturais  associadas  à  renovação  do  processo de desenvolvimento.  

 

11.  Um  último  factor  refere‐se  à  necessidade  de  coordenação  intersectorial  e  multinível  que,  de  uma  perspectiva  territorial,  exige  a  adopção  de  políticas  públicas  activas de promoção da inovação e da tecnologia. Considerar este factor é ainda mais  necessário uma vez que as políticas de inovação, pela sua própria natureza, rejeitam a  implementação  de  estratégias  regionais  indiferenciadas  e,  pelo  contrário,  exigem  estratégias  diferentes,  que  se  definem  de  acordo  com  cada  tipo  de  região  ou  localidade.  Ao  contrário  dos  diferentes  casos  regionais  ou  locais  arquetípicos  (no  interior  dos  quais  já  pode  haver  fortes  diferenças  de  grau),  a  concepção  da  política  pública  de  inovação  deve  ser  diferente.  Esta  realidade  acrescenta  complexidade  à  necessidade  de  coordenação  multinível  e  intra  e  intersectorial  das  políticas  públicas,  além de aumentar a sua exigência. 

 

12. Da discussão e dos seminários, surgiu um consenso sobre as ideias seguintes   

• A  cooperação  descentralizada e  a projecção exterior  dos territórios  têm  uma  importância  estratégica  fundamental  neste  processo.  A  partir  das  administrações locais podem ser facilitados espaços de intercâmbio de políticas  inovadoras,  especialmente  baseadas  na  utilização  das  novas  tecnologias;  de  capacitação,  de  gestão  do  conhecimento  e  do  talento  como  instrumentos  de  reforço institucional, em prol da captação de oportunidades e do aumento da  competitividade. 

 

• As administrações públicas devem orientar o desenvolvimento económico para  sectores sustentáveis, favorecer a construção de parcerias público‐privadas ad‐ hoc  como  motor  de  inovação  social  ambiental  e  aproveitar  o  potencial  de  desenvolvimento associado à economia do conhecimento e à economia verde. 

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• As cidades representam um desafio e ao mesmo tempo uma oportunidade nas  políticas  relativas  às  alterações  climáticas.  Estas  transformaram‐se  num  objectivo  central  para  os  governos  locais,  sendo  potencialmente  capazes  de  transformar o modo de viver a cidade e de criar um maior sentido de pertença  por parte dos cidadãos. 

 

• As inovações tecnológicas e sociais proporcionam uma oportunidade para dar  um  maior  papel  aos  governos  locais,  para  redistribuir  a  prestação  ou  a  regulação dos serviços públicos entre os diferentes níveis de administração, no  quadro  do  aprofundamento  dos  processos  de  descentralização  e  do  princípio  de subsidiariedade.  

 

• Nesta conjuntura, a perspectiva territorial deve estar mais que nunca presente  e num plano relevante, tendo em conta a enorme tarefa de inovação político‐ institucional  que  os  poderes  públicos  enfrentam  em  todas  as  escalas  e,  em  particular, os governos locais.  

 

13.  De  acordo  com  os  argumentos  discutidos  neste  Fórum,  o  fomento  activo  de  processos  de  IS  por  parte  das  administrações  públicas  territoriais  não  só  abre  a  possibilidade de desenvolver perspectivas originais, com forte carácter idiossincrático,  como  dá  maior  incentivo  e  melhor  participação  dos  cidadãos  e  dos  grupos  organizados,  na  procura  de  soluções  para  os  grandes  problemas  sociais.  Pela  sua  natureza,  os  governos  territoriais  democráticos  são  chamados  a  estimular  a  IS,  adaptando  dinamicamente  as  suas  políticas  e  meios  de  intervenção.  Para  ser  sustentável, esta tarefa também requer o concurso activo de outros protagonistas e de  outras  instituições:  os  departamentos  especializados  dos  governos  centrais,  as  empresas,  os  meios  técnicos,  científicos  e  educativos,  as  organizações  da  sociedade  civil.  

 

14. Para as administrações territoriais, a IS é um meio para atingir fins superiores de  governação; assim sendo, é também uma ferramenta de fomento de coesão social. A  aspiração  de  viver  em  sociedades  que  garantam  aos  seus  cidadãos  níveis  básicos  de  segurança  social  e  económica  tende  a  ser  constantemente  fracturada  pela  acção  corrosiva de dinâmicas de exclusão que fazem disparar a desigualdade material e  

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simbólica dos indivíduos, atentando contra o seu sentido de pertença à comunidade.  Nos últimos anos cresceu a tomada de consciência sobre a necessidade de combater  estas  dinâmicas  através  de  enfoques  sistémicos  de  políticas  públicas  que  tentam  propiciar  o  aparecimento  de  sinergias  positivas  entre  o  crescimento  económico  e  a  equidade social, num contexto de modernização produtiva. Tanto na Europa como na  América Latina, alguns governos territoriais apostam em experiências inovadoras para  enfrentar os problemas estruturais que travam a integração social dos indivíduos. Para  além  das  suas  diferenças  contextuais,  estas  experiências  têm  em  comum  o  facto  de  fomentarem  a  participação  dos  cidadãos  e  a  inserção  laboral  dos  excluídos,  num  quadro  fortemente  comprometido  com  o  objectivo  de  fortalecer  a  democracia  participativa. 

 

i

Para a elaboração desta sinopse foram omitidas as referências bibliográficas e documentais. 

ii

Calcula-se que estes factores explicam entre 50% e 80% do crescimento das economias modernas. Do mesmo modo, considera-se que as diferenças de conhecimento e capacidade tecnológica explicam mais de 60% das diferenças de receitas e de taxas de crescimento entre os países.

Referências

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