IV EREEC João Pessoa - PB 19 a 21 de setembro de 2017

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Texto

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19 a 21 de setembro de 2017

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE BALNEABILIDADE NAS

PRAIAS DOS MUNICÍPIOS DE JOÃO PESSOA E CABEDELO - PB

Lívia Maria de M. Martins (liviamariamm@gmail.com) Ricardo de A. R. Rosas (ricardoarrosas@gmail.com) Lucivânia Rangel de A. Medeiros (lucivaniarangel@gmail.com)

Resumo: A água é um recurso ambiental fi nito indispensável e essencial para a vida no planeta terra, e deve ser utilizada de forma

consciente para que se promova o bem-estar social e qualidade de vida para a sociedade. A classifi cação das águas das praias em relação à balneabilidade é de suma importância, pois o uso da água do mar com boa qualidade para contato primário se mostra como uma alternativa de atração turística e fonte de renda para a região. Em contrapartida, o uso da água do mar classifi cada como imprópria expõe ao homem a possibilidade de contrair doenças de transmissão e veiculação hídrica interferindo assim a saúde pública da sociedade. Diante disso, buscou-se avaliar a classifi cação em relação à balneabilidade, disponibilizado pelos relatórios emitidos pela SUDEMA, das praias localizadas nos municípios de João Pessoa e Cabedelo - PB respectivamente. Após a análise dos dados pode-se concluir que a praia de Cabo Branco está sujeita a recepção de algum tipo de esgoto.

Palavras-chave: Água. Balneabilidade. SUDEMA.

Abstract: Water is an essential fi nite environmental resources sential to life on planet earth. It should be used consciously to

promote social well-being and quality of life for society. The classifi cation of beach waters in relation to bathing is highly important, since the use of good quality sea water for primary contact is shown as an alternative for recreational use and source of income for the region. On the other hand, the use of seawater classifi ed as improper for the use, exposes to people the possibility of acquiring waterborne diseases, thereby interfering in the public health. The aim of this study was to evaluate the classifi cation in relation to bathing, made available by the reports issued by SUDEMA, on the beaches of Cabo Branco and Intermares located in the municipalities of João Pessoa and Cabedelo - PB, respectively. After analyzing the data, it can be concluded that the beach of Cabo Branco is subject to the reception of some type of sewage.

Keywords: Water. Bathingwater. SUDEMA.

INTRODUÇÃO

A á gua é um recurso ambiental caracterizado por movimentos ao longo do globo terrestre através de me-canismos constantes entre o oceano, mar e a terra os quais são sustentados pela energia solar e pela gravidade[1,2].

Embora o Brasil detenha uma quantidade de água considerável, quando comparado a outros países, a sociedade não utiliza esse recurso de forma correta e consciente. Desperdício, exploração, poluição, má distri-buição, desmatamento são algumas ações que degradam a qualidade e a quantidade da água.

A balneabilidade é um instrumento de verifi cação de uso e controle de qualidade destinada à recreação de contato primário, ou seja, para uso que exista relação de contato direto, com o propósito de apontar de for-ma for-mais precisa a qualidade das águas, tornado ufor-ma ferramenta de auxilio no planejamento das politicas pú-blicas quanto à disposição dos esgotos domésticos e industriais, e ligações clandestinas oriundos das águas pluviais nas águas do mar.

No Brasil, a Resolução 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) é a responsável por determinar a classifi cação e o enquadramento das águas, em que os critérios de balneabilidade estão esta-belecidos nos Artigo 18 dessa Resolução citada anteriormente.

A alta densidade das bactérias do tipo coliformes fecais ou totais, oriundas de esgotos provocam doenças e infecções ao ser humano. A principal doença causada por esse dejeto é a gastroenterite[1].

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Esse artigo teve como objetivo avaliar a balneabilidade, através dos relatórios emitidos pela SUDEMA - Superintendência de Administração do Meio Ambiente, da praia do Cabo Branco e Intermares nos municí-pios de João Pessoa e Cabedelo - PB, respectivamente e identificar os principais responsáveis pela contami-nação das mesmas, fornecendo subsídios para atuação das prefeituras e dos órgãos de fiscalização ambiental. 1. ÁGUA E O LITORAL BRASILEIRO

A água é representada no Planeta Terra com um volume de 1,36x1018 m³ distribuídos em termos globais em 97% em água do mar, 2,2% em geleiras e apenas 0,8% em água doce (subterrânea e superficial), equiva-lendo à substância mais disponível no planeta[3].

Esse recurso natural é essencial para o surgimento e manutenção na qualidade de vida da sociedade, e é fundamental para o desenvolvimento de atividades criadas pelo homem, apresentando assim valores sociais, econômicos e culturais[4].

Com o avanço do crescimento populacional mundial e a intervenção do ser humano no meio ambiente, a qualidade das águas superficiais e subterrâneas está sendo danificada devido a ações externas que poluem as bacias hidrográficas[5].

O litoral brasileiro é um universo ou uma zona caracterizado por uma diversidade de espécies e diferen-tes padrões de convivência que proporcionam a diversos usos múltiplos para a sociedade através de ocupação do solo e prática de várias atividades realizadas pelo homem[6].

O Brasil ocupa 47% da área da América do Sul e possui uma faixa costeira de aproximadamente, 8.500 km de extensão[5]. O litoral brasileiro proporciona a realização de atividades de lazer e turismo de baixo custo,

porém a falha da infraestrutura urbana e a baixa eficiência dos sistemas de esgotos sanitários são problemas que interferem diretamente na qualidade das águas[7].

Um fator que intensifica os usos das zonas costeiras são as atividades turísticas oriundas da estrutura urbana de um município litorâneo, de investimentos para valorização de residências a beira-mar e de ser uma área que induz a ocupação de novas áreas[6].

A orla marítima da cidade de João Pessoa, capital da Paraíba e da cidade portuária de Cabedelo estão passando atualmente por processo acelerado de ocupação urbana, numa estrutura que permite um acesso direto a praia, tornando-se cidades propicias para o turismo do Estado e para prática de atividades de lazer.

1.1 Balneabilidade

A balneabilidade é um instrumento de qualidade das águas destinadas à recreação de contato primário, ou seja, que ocorre contato direto com a água por meio de esportes como surf, nado, mergulho e de ingestão de forma acidental[8]. Os mesmos autores falam que a qualidade é determinada através de análises

microbiológi-cas das amostras que determinem a quantidade de coliformes fecais, Escherichia coli e Enterococos.

De acordo com a resolução 274/2000 do CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente, respon-sável por definir os critérios de balneabilidade nas águas brasileiras, diz que a recreação de contato primário ocorre quando existe relação direta do usuário com a água através de atividades como natação, esqui aquático e mergulho[9].

Atualmente, a Superintendência de Administração do Meio Ambiente - SUDEMA, órgão responsável pelo monitoramento das águas litorâneas na Paraíba, classifica as águas do mar através da quantidade de coli-formes fecais (CF) preconizados pela Resolução CONAMA 274/2000.

No 2º Art. da resolução 357/2005 do CONAMA, as águas são classificadas em três tipos, de acordo com o percentual de salinidade. Águas doces são as que apresentam salinidade igual ou inferior a 0,5‰, águas sa-lobras o percentual é superior a 0,5‰ e inferior a 30‰ e as águas salinas representadas por salinidade supe-rior a 30‰[10].

Essa mesma resolução obedece aos critérios da Resolução 274/2000 do CONAMA para classificação das águas em relação à balneabilidade, em que classifica em quatro categorias (Tabela 1) (excelente, muito boa, satisfatória, imprópria) baseadas na concentração de coliformes fecais, Escherichia coli e enterococos obtidos em amostras colhidas durante cinco semanas consecutivas. Dentro dessa divisão é considerado pelo órgão con-sultivo, que a categoria excelente, muito boa e satisfatória enquadra-se na categoria própria[9].

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Tabela 1. Classificação das condições de Balneabilidade no Brasil

Categoria Padrões para o corpo d’água

Própria

Excelente Quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas houver, no máximo, 250 coli-formes fecais; 200 Escherichia coli ou 25 enterococos por 100 mililitros; Muito Boa Quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas houver, no máximo, 500 coli-formes fecais, 400 Escherichia coli ou 100 enterococos por 100 mililitros; Satisfatória Quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas houver, no máximo, 1000 co-liformes fecais, 800 Escherichia coli ou 100 enterococos por 100 mililitros;

Fonte: Resolução 274 (2000).

As águas são classificadas como impróprias quando não atendem aos critérios citados anteriormente pa-ra as águas próprias, como também por fatores que contpa-raindiquem a utilização da mesma papa-ra recreação de contato primário, através de presença de resíduos que interfiram diretamente a saúde, poluição de esgotos per-ceptíveis pelo olfato ou visão, entre outros[9].

2. METODOLOGIA

A área em estudo desta pesquisa contempla duas praias localizadas na cidade de João Pessoa e Cabedelo - PB (Figura 1), as quais são grandes centros urbanos que recebem turistas, numa quantidade mais significati-va, durante a estação de alta temporada (verão).

Figura 1. Caracterização da área de estudo

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As praias foram escolhidas por apresentarem características propícias para o contato direto com a água do mar. A praia de Cabo Branco situada no litoral paraibano é caracterizada por receber vários turistas, devido à variedade de redes hoteleiras que constitui a orla e por apresentar o mar levemente agitado tornando-a favo-rável para o banho.A praia de Intermares, localizada no município portuário de Cabedelo, é caracterizada por apresentar um mar com fortes ondas tornando-se uma praia propícia para a prática de esportes como o surf e realização de campeonatos diversos.

Para desenvolvimento dessa pesquisa, foram analisados os relatórios emitidos pela SUDEMA durante os meses de abril e maio, em um período referente há cinco semanas consecutiva. Os dados foram avaliados e comparados a Resolução 274/2000.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados do Quadro1 representam a classificação das praias da SUDEMA para as cinco semanas consecutivas de monitoramento, referente aos dias 28 de março a 25 de abril, em relação à balneabilidade das praias das cidades de João Pessoa e Cabedelo.

Quadro 1. Classificação das praias em estudo de acordo com a SUDEMA

Período de análise Praias

Cabo Branco Intermares 1ª semana Satisfatória Excelente

2ª semana Satisfatória Excelente

3ª semana Satisfatória Excelente

4ª semana Muito boa Excelente

5ª semana Muito boa Excelente

Fonte: Elaboração própria (2017).

Com base nos resultados apresentados pela SUDEMA as praias em estudo mostraram-se bastante hete-rogeneas apesar de ambas serem classificadas na categoria própria a recreação de contato primário, a praia de Cabo Branco apresenta em escala uma concentração de bactérias do tipo coliforme fecal mais elevada do que a praia de Intermares. Essa heterogeneidade nos resultados obtidos pode ser um motivo de o CONAMA adotar 80% das amostras colhidas durante as últimas cinco semanas consecutivas para a classificação das águas em relação à balneabilidade[11].

Esse cenário encontrado pode ser explicado pelo motivo de que a praia de Cabo Branco pode estar su-jeita a uma maior recepção de algum tipo de esgoto (doméstico, industrial, pluvial) na forma bruta, ou seja, es-goto sem tratamento que está sendo lançado diretamente no mar devido ao fluxo de pessoas e animais em sua orla marítima, a presença de bares variados e de hotéis que podem estar sendo depositado diretamente no mar.

A classificação disponibilizada pela SUDEMA não é suficiente para afirmar qual o tipo de esgoto que mais interfere na qualidade da água do mar. Para isso, é necessário realizar pesquisas que sejam direcionadas em saber como é rede de distribuição de esgotos na área em estudo e se há presença de ligações clandestinas. CONCLUSÕES

A partir do acompanhamento de Balneabilidade das praias de Cabo Branco e Intermares pode-se con-cluir que:

y A praia de Cabo Branco apresenta uma concentração de bactérias mais elevada do que a de Intermares; y O Estado e a Prefeitura devem intensificar o sistema de limpeza das praias;

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y Realizar manutenção nos sistemas de esgotos existentes;

y Eliminar possíveis ligações clandestinas para que seja evitado o lançamento de efluentes na forma bruta no mar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] S. A. Soares. Gestão de Recursos Hídricos. Intersaberes, edição 1 (2015).

[2] I. C. S. Dias. Estudo da viabilidade técnica, econômica e social do aproveitamento de água de chuva em residências na cidade de João Pessoa (2007).

[3] M. V. Sperling. Introdução à Qualidade das águas e ao Tratamento de Esgotos. UFMG, edição 4 (2005). [4] M. C. R. Vivacqua. Qualidade da água do Escoamento Superficial Urbano – Revisão Visando o Uso Lo-cal (2005).

[5] J. S. Campos, H. F. Cunha. Análise comparative de parâmetros de balneabilidade em Fazendinha: Biota Amazônio, volume 5 (2015).

[6] A. C. R. Moraes. Contribuições para a gestão da zona costeira do Brasil: elementos para uma geografia do litoral brasileiro. Annablume (2007).

[7] ANA - Agência Nacional das Águas. A Evolução da Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil / The Evolu-tion of Water Resources Management in Brazil (2002).

[8] C. H. Berg, M. J. Guercio. Indicadores de balneabilidade: a situação brasileira e as recomendações da World Health Organization. International Journal of Knowledge Engineering and Management. (2013). [9] Ministério do Meio Ambiente: Resolução CONAMA Nº 274. Informação obtida em http://www.mma.gov. br/port/conama/res/res86/res2086.html, em: 21/01/2017.

[10] Ministério do Meio Ambiente: Resolução CONAMA Nº 357. Informação obtida em http://www.mma. gov.br/port/conama/res/res05/res35705.pdfhttp://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res2086.html, em: 22/01/2017.

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