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MUDAS E PLANTIO
Alexandre Hoffmann José Luiz Petri Gabriel Berenhauser Leite João Bernardi
INTRODUÇÃO
A reprodução da macieira na natureza pode ocorrer de duas formas: por meio de sementes (via gâmica ou sexuada) ou de brotações a partir de gemas adventícias das raízes (via agâmica ou assexuada). A propagação por sementes é mais utilizada para a criação de novas cultivares por meio de hibridações controladas ou não. Têm sido apontadas algumas utiliza-ções da propagação de porta-enxertos por sementes, mas essa prática não é adotada comercialmente no Brasil, por conta das vantagens que o uso de porta-enxertos clonais proporciona.
Comercialmente, a produção de mudas da macieira dá-se pela propagação vegetativa, em virtude da preservação das características desejáveis da cultivar, do período improdutivo inferior e da maior uniformidade de plantas e de frutas, em relação à propagação sexuada. Há predo-minância da mergulhia de cepa na propa-gação do porta-enxerto e da enxertia de garfagem para a copa.
PROPAGAÇÃO DO
PORTA-ENXERTO
O porta-enxerto é multiplicado vegetativamente por mergulhia ou por estaquia. A mergulhia é um método simples e proporciona alta percentagem de enraizamento e formação de mudas. É o processo mais utilizado pelos viveiristas. Consiste em destacar-se o porta-enxerto da planta-mãe somente após o seu enraizamento (Fig. 1). A mergulhia pode ser efetuada diretamente no solo ou fora
dele, porém apenas o primeiro caso é utilizado na produção comercial de mudas. Para a produção de porta-enxertos de macieira, dois métodos de mergulhia são utilizados: a mergulhia de cepa e a mergulhia contínua chinesa.
Foto: João Tedesco
Fig. 1. Coleta de porta-enxertos enraizados
por mergulhia de cepa.
Na mergulhia de cepa (Fig. 2), é plantado um porta-enxerto enraizado (planta-matriz) com altura de 40 a 50 cm no viveiro. Durante o período de repouso vegetativo e logo após o plantio, faz-se o corte da parte aérea 2 a 3 cm acima do nível do solo. As plantas matrizes são esta-belecidas no viveiro a uma distância de 15 a 20 cm entre plantas na linha, e, entre linhas, o necessário para que haja condições de realizar os tratos culturais e fitossa-nitários. Na primavera, efetua-se a primeira amontoa quando os brotos atingem 20 a 25 cm e a última, aos 45 cm, de forma que o camalhão fique com 25 a 30 cm de altura, para que os brotos formem um bom sistema radicular. Após o segundo ano, obtêm-se de três a cinco porta-enxertos em condições de enxertia por planta-mãe, podendo ficar cada matriz em produção por 10 a 12 anos.
A mergulhia contínua também pode ser utilizada para a produção de porta-enxertos. Convencionalmente, faz-se o plantio do porta-enxerto enraizado com 50 a 60 cm de altura, durante o inverno, dando-se uma inclinação de aproximadamente 30º em relação ao solo. Na primavera, após o início da brotação, inclina-se o porta-enxerto até o solo por tutoramento. Quando as brotações atingem 10 a 15 cm de altura, faz-se uma amontoa na base dos brotos, para forçar o enraizamento. Essa prática é repetida por duas a três vezes durante o desenvolvimento do porta-enxerto, até o camalhão atingir 25 a 30 cm de altura. Após o enraizamento, as brotações enraizadas são separadas, obtendo-se os porta-enxertos. Esobtendo-se método também pode ser usado para a multiplicação rápida de porta-enxertos, combinando-se a mergulhia contínua com a enxertia de borbulhia (Fig. 3). Nessa variação do método convencional, é efetuada a enxertia em um seedling (planta propagada por sementes) com o porta-enxerto que se deseja propagar. O seedling enxertado é então transplantado na posição horizontal. A brotação de cada gema (borbulha) enxertada enraiza e posteriormente cada porta-enxerto poderá originar novos porta-enxertos enraizados por mergulhia contínua chinesa.
A propagação do porta-enxerto por estaquia baseia-se na possibilidade de regeneração de raízes a partir de um frag-mento separado da planta original. No caso da macieira, podem ser utilizadas três formas de estaquia: por estacas de raiz, por estacas lenhosas (dormentes) ou por estacas semilenhosas (durante o crescimento vegetativo). Em geral, a esta-quia tem pouca aplicação comercial, pois o uso de estacas na propagação de porta-enxertos de macieira é limitado pelo baixo porcentual de enraizamento, embora o uso de fitorreguladores, câmaras de nebuliza-ção e outras técnicas ajudem a obter me-lhores resultados. Porém, há casos como o do porta-enxerto ‘Marubakaido’, que, pela grande capacidade de enraizamento,
permi-Fig. 2. Propagação de porta-enxertos por
mergulhia de cepa.
Fonte: Fachinello et al. (1995).
Fig. 3. Propagação de porta-enxerto por mergulhia contínua
chinesa. A) Seedling (planta-mãe) de macieira contendo as borbulhas do porta-enxerto a multiplicar; B) Seedling plantado na horizontal em sulco, com as borbulhas voltadas para cima; C) Seedling com as borbulhas já brotadas e enraizadas por meio de amontoa, com detalhe do corte para a retirada do porta-enxerto enraizado; D) porta-enxertos enraizados com 50 cm de comprimento, plantados na horizontal, para obtenção de novos porta-enxertos enraizados; E) novos porta-enxertos enraizados por meio de amontoa e oriundos dos porta-enxertos obtidos por borbulhia.
te o uso comercial de estacas lenhosas e semilenhosas com enraizamento superior a 90%.
PROPAGAÇÃO DA CULTIVAR-COPA
Há várias formas de enxertia para formação de mudas de macieira, porém so-mente duas são utilizadas comercialmen-te: a enxertia de garfagem e a enxertia de borbulhia.
Na enxertia de garfagem, utiliza-se em geral o método denominado “dupla fenda” ou “inglês complicado” (Fig. 4). Esse método proporciona altos porcentuais de pegamento, em geral superiores a 95% e por isso, é o mais empregado pelos viveiristas. Essa modalidade de enxertia é realizada durante o período de repouso vegetativo, retirando-se os garfos de plantas matrizes e enxertando-os durante o inverno ou, no máximo, no início da primavera. Os garfos podem ser arma-zenados por até 2 a 3 meses, em câmara fria (temperatura entre 2 a 6ºC e umidade relativa do ar >80%). O armazenamento também pode ser feito enterrando-se as bases dos ramos em terra ou areia úmida, em local fresco e protegido do sol. A enxertia pode ser realizada no campo ou em mesa; essa última favorece o rendi-mento. Os garfos são cortados com uma a três gemas úteis e após a enxertia, corta-se o
garfo logo acima de uma gema. Quando os diâmetros do enxerto e do porta-enxerto são semelhantes utiliza-se esse método de enxer-tia. Quando há grande diferença entre os diâmetros, pode ser utilizada a garfagem de fenda simples. Nesse caso, o tipo de garfo é semelhante ao da garfagem de dupla fenda. A enxertia de borbulhia é realizada quando a planta encontra-se em crescimento vegetativo e com as células do câmbio em divisão ativa, de modo que a casca se separa facilmente do lenho. Essas condições ocorrem no verão e princípio do outono. O enxerto é feito a 15 cm do nível do solo, para evitar que o ponto de enxertia, quando a muda for plantada no pomar, fique em contato com o solo e ocorra o franqueamento (enraizamento da cultivar-copa). Quando são utilizados porta-enxertos muito suscetíveis à podridão do colo, aconselha-se que a enxertia seja efetuada 30 cm acima do nível do solo. Os dois métodos de borbulhia utilizados na cultura da macieira são a borbulhia em “T” normal e a em “T” invertido.
Quando necessário, pode ser utilizado o sistema de interenxertia, que consiste em intercalar entre o enxerto e o porta-enxerto, um garfo de outro porta-enxerto (filtro ou interenxerto), para controlar o vigor da cultivar-copa. Um exemplo clássico desse caso é o uso de interenxerto ‘M-9’ entre o porta-enxerto ‘Marubakaido’ e a cultivar-copa Fuji (Fig. 5).
Fig. 4. Enxertia de garfagem do tipo “dupla
fenda” ou “inglês complicado”.
Fotos: G. R. Nachtigall
Fig. 5. Interenxertia em macieira.
USO DA
MICROPROPAGAÇÃO
A micropropagação, ou propagação vegetativa por meio da cultura de tecidos consiste no uso de técnicas assépticas, executadas in vitro, sob condições controladas de temperatura e luminosidade. Embora implique alto custo para o estabelecimento do laboratório, bem como acarrete algumas dificuldades para o estabelecimento das mudas produzidas em ambiente controlado – o que exige um período intermediário de aclimatização –, a micropropagação é um instrumento de grande utilidade na limpeza de viroses e outras doenças que são transmitidas como conseqüência da propagação vegetativa, bem como quando o objetivo é produzir um grande número de mudas, em curto período de tempo, em espaço reduzido e em qualquer época do ano.
A micropropagação pode ser empregada na multiplicação de porta-enxertos ou na produção direta de mudas da cultivar-copa (sem uso de porta-enxerto). Entretanto, por conta do custo e das dificuldades de estabelecimento e crescimento das mudas no campo, esta técnica tem se mostrado eficiente apenas nas etapas iniciais da produção de matrizes isentas de viroses, após a cultura de meristemas e/ou a termoterapia e também na multiplicação rápida de materiais promissores resultantes do melhoramento genético (Fig. 6).
QUALIDADE E
MANEJO DAS MUDAS
Mudas de boa qualidade, morfológica, fisiológica e fitossanitária são essenciais para a implantação de um pomar com elevada produtividade e com frutificação precoce e regular, bem como com boa longevidade.
O padrão mínimo de qualidade de mudas de macieira está estabelecido pela
Portaria nº 170 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicada em 28 de maio de 1984. A comercialização de mudas com características inferiores ao pa-drão é proibida por lei. A aquisição das mudas de viveiristas idôneos e devidamente registrados proporciona maior segurança para o produtor. Com base nessa portaria e em outros aspectos relacionados à qualidade da muda, devem ser observados os seguintes fatores:
• Fitossanidade: deve haver garantia de
que as mudas estejam livres das principais doenças da parte aérea (vírus e outros patógenos) e do sistema radicular (doenças e pragas de solo, como Phytophthora cactorum (podridão-do-colo), Rosellinia necatrix (podridão-da-raiz), Agrobacterium tumefasciens (galha-da-coroa), Eriosoma lanigerum (pulgão-lanígero), nematóides, etc.
• Identidade varietal: o lote de mudas
deverá estar claramente identificado quanto ao porta-enxerto e à cultivar-copa utilizados, de acordo com o padrão de etiqueta previsto na legislação.
• Qualidade da enxertia: no ponto de
enxertia, deve haver soldadura perfeita, uniforme, lisa e sem necrose, e com
Fig.6.Enraizamento (A) e multiplicação (B)
de plantas de macieira por meio de cultura de tecidos.
Fotos: A. Hoffmann
A
diferença entre os diâmetros do enxerto e do porta-enxerto inferior a 0,5 cm, medi-dos 5 cm acima e abaixo do ponto de enxertia, respectivamente (Fig. 7).
Fotos: G. R. Nachtigall
Fig. 7. Muda de macieira mostrando a
qualidade de enxertia.
• Qualidade nutricional: a muda não
deve apresentar nenhum desequilíbrio nutricional.
• Vigor: a muda deve apresentar
diâ-metro mínimo de 12 mm, medidos 5 cm acima do ponto de enxertia e altura mínima de 1,5 m.
• Idade da muda: o porta-enxerto deve
ter menos de 24 meses e a copa, menos de 12 meses. No caso de mudas pré-formadas, a copa pode ter até 24 meses.
• Sistema radicular: o sistema radicular,
além de sadio, deve ter boa distribuição de raízes ao longo da haste do porta-enxerto, numa extensão entre 10 e 15 cm a partir da base da haste. Após o preparo, as raízes da muda pronta para plantio devem ter, no mínimo, 15 cm de comprimento;
• Aspecto geral: a muda ao ser plantada,
deve apresentar condições de plena hidra-tação, verticalidade e integridade (Fig. 8).
Fotos: João Tedesco
Fig. 8. Aspecto geral do viveiro de macieira.
• Comercialização: quando
comercializa-da como mucomercializa-da de raiz nua, as raízes devem ser protegidas com camadas de barro mole ou outro material não fermentável e úmido. O fardo, de plástico perfurado, saco de ania-gem ou material equivalente, deverá conter no máximo 50 mudas, envolvidas com camada vegetal, e fortemente atadas (Fig. 9). O manejo das mudas deve ser o mais rápido possível, evitando-se a sua desidra-tação. Embora o arranquio das mudas ocorra no inverno, durante a dormência (Fig. 10), devem ser tomados cuidados para que os danos às mudas sejam os menores possíveis.
rendimento médio de uma equipe de plan-tio (seis pessoas, um trator para a planta-deira e um trator para transporte das mu-das) é de 13 a 15.000 mudas/dia. Além disso, o sistema mecanizado apresenta maior facilidade para marcação das linhas de plantio, em relação ao sistema manual.
Foto: L. P. Couto
Fig. 11. Plantio mecanizado de mudas de macieira.
Foto: João Tedesco
Fig. 9. Enfardamento de mudas de macieira.
Foto: L. P. Couto
Fig.10. Arranquio de mudas de macieira no
período de inverno, durante a dormência.
PLANTIO
O plantio é feito no período de inverno, quando as gemas estão dormentes, e, portanto, com mudas previamente enxertadas, de raiz nua. As mudas são colocadas em covas de tamanho suficiente para acomodar as raízes, a aproximadamente 15 cm de profundidade, permanecendo o ponto de enxertia pelo menos 10 a 15 cm acima da superfície do solo. O solo junto às raízes deve ser pressionado (compactado), e recomenda-se irrigação abundante no momento e nos dias que se seguem ao plantio. O plantio das mudas pode ser realizado manualmente ou com o uso de máquinas desenvolvidas para tal finalidade (Fig. 11). Embora o plantio mecanizado implique maior custo inicial para a aquisição do equipamento, mas esse investimento é compensado pelo alto rendimento que proporciona em plantios extensos. No plantio manual, o rendimento médio esperado é de 200 a 250 mudas/dia, enquanto, no plantio mecanizado, o
Densidade de plantio
No Brasil, a macieira vem sendo culti-vada, nos últimos anos, em sistemas de densidade média a alta de plantas. Isso porque, em geral, a densidade é superior a 800 plantas/ha, contrastando com densida-des de plantas em torno de 400 plantas/ha, usadas no início do cultivo, em algumas regiões. O adensamento de pomares de macieira segue uma tendência já observada em outras espécies frutíferas, visando à redução do período improdutivo, ao aumento da eficiência do uso da terra e à qualidade e à produtividade dos pomares. A densidade de plantio, em conjunto com a formação da copa, determinam a capacidade de produção, fator de grande importância para a produtividade do pomar.
Após selecionar-se a combinação cultivar x porta-enxerto, o produtor necessita escolher o sistema de plantio e
condução das plantas, o que não corres-ponde a um procedimento isolado, mas à integração de fatores. Somente com o co-nhecimento desses fatores é que será pos-sível definir um sistema de condução e poda adequado.
É importante, antes de decidir por um sistema de condução, um conhecimento profundo do porta-enxerto e da densidade de plantio, para, em seguida, definir a forma de conduzir a planta, dando uma distribuição apropriada aos ramos, e, por conseguinte, otimizando a produtividade e obtendo frutos de alta qualidade. Deve-se considerar que a forma ideal de condução da macieira é a que consegue uma adequada interceptação e distribuição de luz solar por todas as partes no interior da copa, independentemente da densidade de plantio. Do mesmo modo, não deve ser esquecido que o sistema de condução e poda deve buscar um equilíbrio entre o crescimento vegetativo e a frutificação, buscando reduzir a formação de madeira, que não é produtiva.
Considerando-se a grande variabilidade disponível de porta-enxertos, em termos de vigor, a densidade de plantio poderá ser ampla, oscilando desde 400 até 5000 ou mais de plantas por hectare. O fator que mais
influencia a densidade de plantio é o porta-enxerto. Como regra geral, pode-se dizer que há uma relação inversa entre o vigor do porta-enxerto e a densidade de plantio, ou seja, aumenta-se o número de plantas por área (ha) à medida que se reduz o vigor do porta-enxerto. Na Tabela 1, são apresentadas as principais densidades de plantio, considerando-se o vigor do porta-enxerto e da cultivar.
A altura máxima das plantas é influenciada pela distância entre as filas, sendo determinada pela distância entre as filas menos um metro.
Deve-se salientar que, quanto maior a densidade de plantio, maior a precocidade na entrada em produção e a produtividade por unidade de área, o que pode ser observado na Tabela 2.
Observa-se uma grande variação no número de plantas por unidade de área, o que permite classificar os plantios em faixas de baixa e alta densidade (Fig. 12), apresentando vantagens e desvantagens (Tabela 3). A baixa densidade refere-se a plantios com 800 ou menos plantas por hectare e a alta densidade, a plantios com mais de 1200 plantas/ha, sendo o intervalo de 800 a 1200 plantas/ha, considerado de média densidade.
Tabela 1. Densidade de plantio de acordo com o porta-enxerto e a cultivar.
Porta-enxerto Anões M.9, M.26 Semi-anões M.7, MM.106 Semi-vigorosos MM.111 Vigorosos Maruba
a = Fuji ou similares; b = Gala e similares
Fonte: Petri, J. L. (não publicado).
Cultivar vigorosaa 3,75 x 1,00 3,75 x 1,25 4,00 x 1,50 4,00 x 1,50 5,00 x 1,50 5,00 x 2,00 5,00 x 2,50 6,00 x 3,00 5,50 x 3,00 6,00 x 3,50 Distância entre filas e plantas (m) 2.667 2.133 1.667 1.667 1.333 1.000 800 556 606 476 Número de plantas/ha Cultivar standardb 3,75 x 0.80 3.75 x 1,00 4,00 x 1,25 4,00 x 1,00 4,50 x 2,00 5,00 x 2,00 5,00 x 2,50 5,50 x 2,50 5,50 x 3,00 6,00 x 3,00 Distância entre filas e plantas (m) 3.333 2.667 2.000 2.500 1.111 1.000 800 727 606 556 Número de plantas/ha
Tabela 2. Efeito de diferentes densidades de plantio sobre a produção por hectare anual e acumulada da macieira, da cv. Gala. Caçador, SC, 1996.
Espaçamento Plantas/ha 3.5 x 1.25 (2288) 4.0 x 1.25 (2000) 4.0 x 1,50 (1666) 4.0 x 2.00 (1250) 4.5 x 1.25 (1777) 4.5 x 1.50 (1481) 4.5 x 2.00 (1111) 5.0 x 2.00 (1000) 5.0 x 2.50 (800) 6.0 x 2.50 (666) 6.0 x 3.00 (555)
Fonte: Petri, J. L. (não publicado).
Produção (t/ha) 78,1 50,9 61,0 50,1 41,2 46,5 52,4 40,7 31,3 17,3 17,7 89/90 59,9 59,6 59,4 43,0 80,2 68,4 52,1 62,0 33,6 33,7 23,8 90/91 110,9 93,4 91,8 71,5 95,8 89,0 74,6 76,4 60,1 48,8 47,1 91/92 73,9 73,4 87,4 46,2 69,3 66,2 57,4 53,3 48,2 41,3 44,9 92/93 27,5 24,0 21,8 15,5 17,8 17,7 21,9 26,1 19,2 19,2 17,5 93/94 60,5 49,7 55,3 39,6 34,0 44,1 37,3 33,5 26,5 20,2 25,7 94/95 74,4 78,3 61,9 40,4 55,5 64,0 55,4 54,6 44,9 39,6 36,6 95/96 Produção acumulada (t/ha) 485,2 435,3 438,6 306,3 393,7 395,9 351,1 346,6 263,8 220,1 213,3
Tabela 3. Principais vantagens dos sistemas de baixa e alta densidade de plantas.
Vantagens
Menor custo de implantação
Menor necessidade de tecnologia para poda e condução
Maior longevidade das plantas
Menor custo de manejo das plantas (mão-de-obra, insumos), por conta da menor altura das plantas Retorno mais rápido do investimento
Melhor aproveitamento de insumos
Início de produção comercial mais precoce Maior penetração de luz na copa, melhorando a qualidade da fruta e a formação de gemas floríferas
Fonte: Ebert e Raasch (1988) (Adaptado)
Desvantagens Baixa densidade
Alta densidade
Maior custo de manejo das plantas (mão de obra, insumos), em virtude da maior altura das plantas
Plena capacidade de produção, é atingida tardiamente, retardando o retorno do investimento
Produção comercial menos precoce
Maior ocorrência de sombreamento de ramos e frutos
Maior custo de implantação
Necessidade de maior especialização de mão de obra para a poda e a condução
Fig.12. Pomares em baixa (esquerda) e alta (direita) densidade de plantas.
Os sistemas de plantio em alta densi-dade, quando utilizam porta-enxertos anões, necessitam de um sistema de suporte, o que aumenta o custo de implantação, embora a produção seja mais precoce.
Em sistemas de alta densidade, o uso de mudas pré-formadas, a poda e a condução desempenham função importante para o sucesso do pomar, pois deseja-se o máximo de ramos de frutificação e o mínimo de madeira de sustentação, o máximo aproveita-mento de espaços e produções maiores e mais precoces. Porém, o sucesso do uso de alta densidade somente ocorre com combinações enxerto/porta-enxerto anãs ou semi-anãs, que requerem a sustentação das plantas por tutoramento. Observou-se que, com a cv. Fuji sobre o porta-enxerto MM-106, a produção somente aumentou com a densi-dade de até 1833 plantas/ha. Já utilizando-se a cv. Royal Gala sobre o porta-enxerto M-9, pode-se atingir densidades de até 5.714 plantas/ha, condição em que o início da produção comercial se dá já na 2a folha (primeiro ano pós-plantio) e a plena pro-dução, na 4a folha (terceiro ano pós-plantio). A mesma cultivar, sobre o porta-enxerto M-7, em densidade de 1.000 plan-tas/ha, teve a plena produção somente na 9a folha (oitavo ano pós-plantio).
Sistemas de plantio
Entende-se por sistema de plantio a distribuição das plantas no pomar, podendo-se distribuir as plantas em forma de quadrado, retângulo, losango ou triângu-lo (Fig. 13), bem como em filas simples, duplas ou triplas (Figura 14).
Fig. 13. Sistema de plantio em quadrado (centro), retângulo (direito) e triângulo (esquerda).
Fonte: Fachinello et al. (1996).
Fig. 14. Sistema de plantio em filas simples
(à esquerda), duplas (ao centro) ou triplas (à direita).
O plantio das mudas em retângulo é o mais freqüentemente observado, pois permite a redução da distância entre plantas na linha, uma vez que a redução na distância entre linhas é limitada pelo espaço necessário ao trânsito de máquinas. Além disso, essa distribuição facilita o uso de áreas com declive.
O uso de filas simples, duplas ou triplas está diretamente relacionado ao porte das plantas. Plantas de porte mediano a grande requerem o uso de filas simples, podendo-se adotar sistemas em filas duplas ou triplas com plantas com copas pequenas. Porém, no Brasil, é mais freqüente o uso de filas simples, que apresentam as seguintes vantagens: a) melhor penetração de luz no dossel de todas as plantas; b) maior facilidade para realização dos tratos culturais; c) menor gasto com herbicidas ou mão de obra para controle de invasoras; d) menores custos de implantação do pomar.