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Informativo n 23 ano III Junho/2009

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RIBUTÁRIA

informativo tributário www.ssplaw.com.br

“faz o que gosta e acredita no que faz”

Informativo n° 23 – ano III – Junho/2009

É com satisfação que apresentamos a vigésima terceira edição do NOTA

TRIBUTÁRIA, o informativo pelo qual pretendemos levar aos clientes e interessados as mais atualizadas notícias sobre questões tributárias.

Boa leitura.

Jurisprudência

STF / Conceito de Faturamento: “soma das receitas oriundas das atividades empresariais”

Muito embora não tenha sido julgado pelo Plenário do STF (Relatoria do Ministro Peluso) os Embargos de Declaração nos autos do processo movido pela AXA Seguros (Emb. Decl. no Ag. Reg. / RE nº 400.479), foi proferida outra decisão pela Ministra Carmem Lúcia (integrante da 1ª Turma da Corte), que entendeu que “o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços mas a soma das receitas oriundas do exercício das

atividades empresariais”. Em que pese tal decisão ter sido proferida em caso em que se discute a incidência da COFINS sobre locação de bens imóveis, o fato é que a PGFN tem citado, em defesa de seu direito em processos movidos por instituições financeiras, o conceito de faturamento encampado pela Ministra Carmem Lúcia.

STJ / Prazo para requerer a restituição de tributos

Como é de conhecimento, no passado, a Corte Especial do STJ declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4º da LC 118/05, afastando os pretendidos efeitos retroativos, no que concerne ao prazo para restituição de tributos (cinco anos contados do pagamento, previsto no artigo 3º da LC) (AI nos EREsp nº 644736/PE, julgado em 06/06/2007).

Nesse julgamento, a única questão em debate era se a norma do art. 3º, que prevê o prazo de cinco anos contados do pagamento do tributo, é meramente interpretativa (o que permitiria sua

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2 incidência retroativa) ou se inovou o ordenamento jurídico, o que tornaria obrigatória sua observância apenas após a sua vigência. Prevaleceu este último entendimento.

Apesar de afastada a aplicação retroativa do art. 3º, alguns ministros da Corte passaram a julgar os casos aplicando uma orientação híbrida: “o prazo para a ação de repetição de indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova” (REsp nº 1.081.411).

Tal posição, em nosso entender, não reflete, fielmente, o que foi julgado pela Corte Especial, pois, como dito, aquele julgamento apenas afastou a possibilidade de aplicação retroativa do art. 3º, mantendo o entendimento pretérito do STJ para os fatos ocorridos antes da vigência da LC 118/05 (ou seja, dez anos para requerer a restituição do que foi pago indevidamente).

Essa nossa interpretação do julgamento da Corte Especial restou confirmado, recentemente, pela 2ª Turma do STJ. Ao julgar o REsp nº 1.081.451, a Min. Eliana Calmon afirmou que uma vez declarada a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º da Lei Complementar 118/2005, que determinava a aplicação retroativa do artigo 3º da mencionada lei, permanece fixo o entendimento consolidado pelo STJ no sentido de que o termo inicial do

prazo prescricional, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é a data em que ocorrida essa de maneira expressa ou tácita. Tal regra, portanto, deve ser aplicada a todos os recolhimentos efetuados no período anterior à vigência da LC 118/2005. A questão, certamente, ainda será objeto de debate no âmbito do STJ. Contudo, a partir desse julgado, são animadoras as perspectivas de um resultado favorável ao contribuinte, garantindo, em termos práticos, o direito de pleitear a restituição dos recolhimentos indevidos ocorridos antes de 09/08/2005.

STJ / Execução Fiscal / Prazo Prescricional / Possibilidade de Aplicação da LC nº 118/05 em execuções ajuizadas antes da sua vigência

O STJ, por meio de sua Primeira Seção- (RESP nº 999.901-RS), proferiu entendimento no sentido de que, ainda que a execução fiscal tenha sido ajuizada em data anterior à vigência da LC nº 118/05, aplica-se a redação dada pela LC nº 118/05 ao inciso I, do § único do artigo 174, segundo a qual o despacho que ordenar a citação interrompe a prescrição. Todavia, se a data que ordenar a citação for anterior à entrada em vigor da LC nº 118/05, então aplica-se a regra antiga. Noutros termos, o STJ não mais considera relevante, para efeitos de aplicação da regra interruptiva da prescrição dada pela LC nº 118/05 o momento do ajuizamento da execução fiscal e, sim, o momento em que for

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3 proferido o despacho que ordena a citação.

O escritório SOUZA, SCHNEIDER E

PUGLIESE ADVOGADOS está à disposi-ção para esclarecer qualquer dúvida a respeito do tema, podendo os interessados disponibilizar o inteiro teor do acórdão aos clientes interessados.

Legislação e Normativos

Tribunal de Justiça / Provimento nº 6/09 / Realização de penhora online de bens imóveis

Em 1°/06 p.p., com previsão no artigo 659, § 6° do Código de Processo Civil (com redação dada pela Lei n° 11.382/2006) e no Provimento n° 6/2009, o Tribunal de Justiça Paulista implantou sistema eletrônico que permite aos juízes estaduais realizar a penhora online de bens imóveis de devedores, quer em ações de execução ajuizadas por entes Públicos para cobrança de tributos (execuções fiscais), quer em ações de execução promovidas entre particulares (execuções de contratos, promissórias etc).

Com o sistema eletrônico em questão será possível aos magistrados solicitar aos Cartórios de Registro de Imóveis a pesquisa acerca da existência de bens imóveis em nome do devedor, bem como permitirá a realização da penhora desses bens, cuja averbação será

requerida pelo Juízo Executivo ao Cartório de Registro de forma online. Nos termos do artigo 8° do Provimento mencionado, os Oficiais de Registro de Imóveis verificarão, obrigatoriamente, na abertura e no encerramento do expediente, bem como, pelo menos, a cada intervalo máximo de 02 (duas) horas, se existe comunicação de penhora, para averbação, ou pedido de pesquisa e certidão, respondendo com a maior celeridade possível.

Portanto, a existência de bens imóveis em nome de devedores implicará a realização da penhora online, permitindo-se grande celeridade em feitos executivos fiscais que tramitam perante a Justiça Estadual, nos quais podem ser exigidos créditos tributários municipais, estaduais e até federais (haja vista a que a Justiça Estadual é competente para julgar feitos fiscais em cidades que não existe a Justiça Federal). O escritório SOUZA, SCHNEIDER E

PUGLIESE ADVOGADOS está à disposi-ção dos clientes para esclarecer quais-quer dúvidas relativas ao tema.

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Projeto de alteração na Lei Rouanet (Lei 8.313/91)

Aos 6 de maio de 2009, terminou a consulta pública ao projeto de lei que visa a alterar a Lei n° 8.313 de 23 de dezembro de 1991 (“Lei Rouanet”), proposta pelo governo federal para modernizar os instrumentos de fomento

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4 à cultura no Brasil. Essa será a quarta mudança realizada na legislação do fomento à cultura desde a criação do Ministério da Cultura (“MinC”), bem como a mais discutida.

O projeto de lei, com as mais de 2 mil alterações propostas pela sociedade, foi objeto de análise pelo Grupo de Trabalho formado pelo MinC no começo de junho. Referido Grupo redigirá nova versão do projeto a ser enviado ao Congresso Nacional, ainda este mês. O principal objetivo do projeto de lei é diversificar as formas de acesso aos recursos públicos por parte dos artistas, apresentando novos modelos de fomento à cultura. Dentre as principais mudanças propostas pelo projeto de lei, destacamos:

i. Fundo Nacional de Cultura (“FNC”), embora já existente, passará a ser mais atrativo aos produtores culturais, na medida em que estará autorizado a fazer empréstimos, associar-se a projetos culturais e fazer repasse de fundos municipais e estaduais; ii. Criação do Vale-Cultura, no valor de R$ 50,00 a ser entregue aos trabalhadores. O intuito é, além de facilitar o consumo de bens culturais aos trabalhadores, injetar pelo menos R$ 7 bilhões na economia da cultura (o que é seis vezes mais que o montante atualmente arrecadado pela Lei Rouanet vigente);

iii. Fortalecimento do Fundo e criação de novos fundos setoriais (Fundo Setorial do Livro e

Leitura, o Fundo Setorial das Artes, o Fundo Setorial da Diversidade, Cidadania e Acesso, o Fundo Setorial da Memória e Patrimônio, e o Fundo Global de Equalização);

iv. Os recursos do FNC passarão a ser geridos por um conselho com representantes do governo e da sociedade civil organizada; v. Redução da participação da

renúncia fiscal;

vi. Aumento das faixas de renúncia para 30%, 60%, 70%, 80%, 90% e 100% (em substituição às duas únicas faixas existentes hoje, de 30% e 100%);

Cabe frisar que as alterações acima relacionadas são parte do projeto sujeito à análise popular e em vias de, alterado pelo Grupo de Trabalho do MinC, seguir para o Congresso Nacional.

O escritório SOUZA, SCHNEIDER E

PUGLIESE ADVOGADOS está à disposi-ção dos clientes para esclarecer quais-quer dúvidas relativas ao tema

Decreto nº 6.864/09 – Acordo de comércio preferencial entre o MERCOSUL e a Índia

Em 1º de junho de 2009 foi publicado o Decreto nº 6.864/09, que promulgou o Acordo de Comércio Preferencial entre os países do MERCOSUL e a Índia, celebrado em 2004.

Referido Acordo representa um primeiro passo rumo à criação de uma área de

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5 livre comércio entre MERCOSUL e Índia. Nos termos desse Acordo, implementa-se a concessão de preferências tarifárias fixas, bem como estabelece-se disciplinas de comércio entre as partes.

Ainda pendem de finalização os Anexos do Acordo em comento, nos quais estarão dispostos os produtos para os quais haverá tais preferências tarifárias e outras condições acordadas quanto à sua importação. Embora ainda sem haver definição sobre os produtos abrangidos, já se sabe que as preferências tarifárias serão aplicáveis a todos os direitos aduaneiros, isto é, a quaisquer direitos e taxas cobrados em conexão com a importação de um bem, exceto impostos e taxas internas e medidas antidumping e compensatórias.

O escritório SOUZA, SCHNEIDER E

PUGLIESE ADVOGADOS está à disposi-ção dos clientes para esclarecer quais-quer dúvidas relativas ao tema.

Equipe responsável pela elaboração do

Nota Tributária:

Igor Nascimento de Souza

([email protected])

Henrique Philip Schneider

([email protected])

Eduardo Pugliese Pincelli

([email protected])

Pedro Miguel Ferreira Custódio

([email protected])

Cassio Sztokfisz

([email protected])

Fernanda Donnabella Camano de Souza

([email protected])

Angelo Tsukalas

([email protected])

Monique Haddad Knöchelmann

([email protected])

Bruno Baruel Rocha

([email protected])

Ana Victória de Paula e Silva

([email protected])

Rafael Barreto

([email protected])

Beliza Dias de Farias

([email protected])

Rua Bela Cintra, 904 – 9º andar – 91 – Consolação – São Paulo (SP). Tel. (55 11) 3201-7550.

Referências

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