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MERCADO DE TÍTULOS DE DÍVIDA: ANÁLISE E PERSPECTIVAS

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Academic year: 2021

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MERCADO DE TÍTULOS

DE DÍVIDA: ANÁLISE E

PERSPECTIVAS

Luiz Fernando de Paula

Equipe: Fernando Ferrari Filho, Rogério Sobreira, João Adelino de Faria, Paulo Saraiva e Aline Gomes

Seminário Perspectivas da Indústria Financeira

Brasileira e o Papel dos Bancos Públicos IE-UNICAMP, 16/04/2010

(2)

Objetivos

• Efetuar uma análise interpretativa da evolução do MTD (mercado de títulos de dívida) privada no Brasil,

considerando seus aspectos estruturais que estimulam e restringem o crescimento deste mercado;

• Discutir perspectivas e sugestões para o desenvolvimento do MTD privada no Brasil.

(3)

Questões

Que fatores impedem ou estimulam o

florescimento deste mercado no Brasil?

O que levou ao crescimento recente do

mercado de títulos privados de dívida no

Brasil?

Em que medida o desenvolvimento do

mercado de títulos públicos é pré-condição

para o desenvolvimento do mercado de títulos

privados? Em que medida o crescimento do

mercado de títulos públicos beneficia ou

(4)

Quadro referencial de análise

Teoria da preferência pela liquidez: demanda dos

ativos financeiros não monetários é influenciada

fundamentalmente pelo estado de expectativas

dos agentes, sob condições de incerteza, que

define as condições de retorno (ajustado ao

risco) e de liquidez destes ativos.

Contexto macroeconômico: crescimento

econômico, maior ou menor volatilidade macro,

política monetária -> risco de default, risco de

taxa de juros

Relação entre dívida pública e dívida privada:

(5)

Características do Brasil

Instabilidade macroeconômica:

a) Baixo crescimento (2,6% em média 1981/2008) e comportamento a la “stop and go”

b) Elevada taxa de juros real (acima de 6% a.a.)

c) Elevada volatilidade na taxa de juros e na taxa de câmbio (risco de tx juros e risco cambial)

-> Aumenta risco de inadimplência e risco de mercado

Política conservadora do BC: expectativas altistas qto a tx

de juros eleva prêmio de risco exigido para títulos de maturidade mais longa.

Relação entre dívida pública e dívida privada: existência

de títulos indexados a Selic inibe e deforma emissão de títulos de dívida privada.

-> Molda relação de risco-retorno dos investidores

(6)

Volatilidade do câmbio e da taxa DI

0% 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7% 8% ja n -0 0 ma i-0 0 se t-0 0 ja n -0 1 ma i-0 1 se t-0 1 ja n -0 2 ma i-0 2 se t-0 2 ja n -0 3 ma i-0 3 se t-0 3 ja n -0 4 ma i-0 4 se t-0 4 ja n -0 5 ma i-0 5 se t-0 5 ja n -0 6 ma i-0 6 se t-0 6 ja n -0 7 ma i-0 7 se t-0 7 ja n -0 8 ma i-0 8 se t-0 8 DI Câmbio

(7)

Relação dívida pública e privada: países

desenvolvidos

Países Desenvolvidos 0,0 5.000,0 10.000,0 15.000,0 20.000,0 25.000,0 30.000,0 35.000,0 40.000,0 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008

(8)

Relação dívida pública e privada: países

em desenvolvimento

Países em Desenvolvimento 0,0 500,0 1.000,0 1.500,0 2.000,0 2.500,0 3.000,0 3.500,0 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008

(9)

MTD na América Latina

MTD cresceu mas ainda é pequeno em termos

internacionais: relação títulos de dívida/PIB

passou de 17% em 1990 para 35% em 2004;

Ásia: 23% para 43%.

Predominam emissões de títulos público (25%

do PIB).

Títulos são essencialmente de curto prazo (60%),

enquanto que na Asia 80% são de M/LP.

Operações em mercados secundários são pouco

(10)

Relação dívida pública e privada: títulos públicos e

títulos corporativos no Brasil

175 438 329 652 858 888 954 823 972 987 1.189 1.293 1.343 1.275 45 51 63 63 57 63 75 72 61 58 111 195 244 285 -200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 TPF TDP

(11)

Prazo e duração média da DPF

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 jan/ 97 jul/9 7 jan/ 98 jul/9 8 jan/ 99 jul/9 9 jan/ 00 jul/0 0 jan/ 01 jul/0 1 jan/ 02 jul/0 2 jan/ 03 jul/0 3 jan/ 04 jul/0 4 jan/ 05 jul/0 5 jan/ 06 jul/0 6 jan/ 07 jul/0 7 jan/ 08 jul/0 8 m ê s

(12)

Competição dos títulos públicos

indexados...

• LFTs: risco default nulo, livre de risco de mercado

(duration zero), oferece remuneração elevada -> lógica do overnight

• Para emissão de títulos corporativos prefixados de

maturidade mais longa seria necessário pagar um prêmio de risco extremamente elevado para compensar a sua baixa liquidez, seu maior risco de mercado (face a baixa duration dos títulos públicos) e maior risco de default.

• Alternativas: (i) emissão de títulos de dívida privada prefixados com alta remuneração e prazo curto (notas promissórias); (ii) emissão de debêntures de

remuneração média e prazo médio, mas com

características semelhantes as LFT (remuneração

vinculada a taxa DI), mas ainda assim com um prêmio de risco maior do que essas.

(13)

Taxa de juros para empresas

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 ja n -0 0 ma i-0 0 se t-0 0 ja n -0 1 ma i-0 1 se t-0 1 ja n -0 2 ma i-0 2 se t-0 2 ja n -0 3 ma i-0 3 se t-0 3 ja n -0 4 ma i-0 4 se t-0 4 ja n -0 5 ma i-0 5 se t-0 5 ja n -0 6 ma i-0 6 se t-0 6 ja n -0 7 ma i-0 7 se t-0 7 ja n -0 8 ma i-0 8 se t-0 8 R e n ta b il id a d e (% )

(14)

Fundos de investimento

Operações Tit.publ. CDB e Debêntures Ações Outros Total Compromis.** federais RDB dez/00 - 76,14 4,52 2,89 11,11 5,35 100,00 dez/01 - 75,16 7,65 4,41 9,52 3,26 100,00 dez/02 - 73,43 5,93 4,76 10,88 5,00 100,00 dez/03 - 75,86 6,77 3,82 10,33 3,22 100,00 dez/04 13,23 58,99 8,44 2,80 11,17 5,36 100,00 dez/05 9,43 60,53 10,66 3,93 11,16 4,30 100,00 dez/06 11,35 54,80 10,18 4,62 15,25 3,81 100,00 dez/07 13,60 47,04 8,96 4,17 21,71 4,53 100,00 dez/08 19,10 41,46 13,70 4,44 14,45 6,86 100,00 Fonte: Anbid.

Dados do Ranking Global de Administração de Recursos de Terceiros. Nota: (*) Lastro em títulos públicos e privados.

(15)

Prazo médio de emissão debêntures

(meses)

3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 8,0 Com Leasing 6,3 4,5 5,4 4,8 5,2 5,5 4,0 6,3 4,5 6,7 7,4 7,3 7,2 7,0 Sem Leasing 7,6 4,5 5,6 5,0 5,3 5,8 3,9 3,9 4,6 5,4 5,4 5,7 6,0 6,3 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008

(16)

Volume emissão de debêntures

(R$ bilhões de dez/2008)

0 10 20 30 40 50 60 70 80 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 20 0 4 2 0 0 5 2006 2007 2008

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Mercado secundário (% relativo)

20,2 38,7 12,3 3,6 7 6,5 10,4 13,2 10,4 4,4 4,6 2,4 2,2 4,5 79,8 61,3 87,7 96,4 93 93,5 89,6 86,6 89,4 95,1 95,4 97,6 97,8 95,5 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 SND Ações

(18)

Porque mercado secundário é pouco

denso?

Baixa padronização das debêntures

Existência de relativamente poucos emissores

Distribuição dos papéis concentrada em poucos

investidores de grande porte (fundos de

investimento e fundos de pensão)

Moura (2006): pouca variabilidade de preço das

LFTs desestimula negociação no mercados

secundário, ao contrário das LTNs que tem preço

variável de acordo com mudanças nas taxas de

juros

(19)

Maiores emissores de debêntures

41,3 53,0 58,7 61,1 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 4 m a io re s 8 m a io re s 1 5 m a io re s 2 0 m a io re s (%)

(20)

Conclusão parcial

MTD é pró-cíclico; contexto macroeconômico em

geral não tem favorecido seu desenvolvimento.

Existência de títulos indexados a Selic contamina

emissão primária de títulos de dívida privada com

a lógica de overnight, inibindo desenvolvimento

do MTD.

Mercado secundário pouco denso é fator inibidor,

pois MTD tem pouca liquidez.

Títulos corporativos (debêntures, FDIC) são

remunerados a taxa DI e com prazos médios

relativamente curtos (5-6 anos): fragilidade

financeira das empresas!

(21)

Perspectivas

• Estabilidade macroeconômica e crescimento econômico sustentado tem papel crucial para desenvolvimento do MTD privada.

• Mudanças regulatórias:

- Medidas para “popularizar” oferta de títulos privados

corporativos nos bancos varejistas (fundos específicos lastreados nesses papéis).

- Tributação + agressiva para estimular aplicação de

recursos mais a longo prazo (ex: alíquota de 30% para até 180 dias ao invés de 22,5%).

• Melhoria no perfil da dívida pública, com diminuição de títulos indexados a Selic e crescimento de títulos

prefixados.

(22)

Bancos públicos federais

• BNDESPAR (Programa de Distribuição Pública de

Debêntures): emissão de debêntures simplicadas, com figura do formador de mercado e definição de lote para pulverização no varejo (total de 1,6% em 2007).

• Criação de um fundo específico para atuar como “market

maker” no MTD privada, para dar maior liquidez ao mercado secundário de títulos, com participação de bancos públicos e bancos privados.

Referências

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