UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE ESCOLA DE ENGENHARIA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA AGRÍCOLA E AMBIENTAL
ANDRESSA ROSAS DE MENEZES
PROPOSTA DE MELHORAMENTO DO MAPA DE SOLOS DO BRASIL PARA A CLASSE DOS ESPODOSSOLOS
NITERÓI, RJ 2016
ANDRESSA ROSAS DE MENEZES
PROPOSTA DE MELHORAMENTO DO MAPA DE SOLOS DO BRASIL PARA A CLASSE DOS ESPODOSSOLOS
Trabalho de conclusão de curso de graduação em Engenharia Agrícola e Ambiental da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial à obtenção do título de
Bacharel em Engenharia Agrícola e
Ambiental.
Orientador:
Prof. Dr. Marcos Alexandre Teixeira Coorientador:
Pesquisador Dr. Ademir Fontana
Niterói, RJ 2016
Ficha Catalográfica elaborada pela Biblioteca da Escola de Engenharia e Instituto de Computação da UFF
M543 Menezes, Andressa Rosas de
Proposta de melhoramento do mapa de solos do Brasil para a classe dos Espodossolos / Andressa Rosas de Menezes. – Niterói, RJ : [s.n.], 2016.
64 f.
Trabalho (Conclusão de Curso) – Departamento de Engenharia Agrícola, Universidade Federal Fluminense, 2016.
Orientadores: Marcos Alexandre Teixeira, Ademir Fontana.
1. Mapeamento de solo. 2. Espodossolo. 3. Sistema de informação geográfica. I. Título.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus que meu deu forças para chegar até aqui e aos meus pais, Rogério e Andréa, que me deram apoio em todos os momentos dessa longa caminhada.
Ao meu amado, Leonardo Scharth por ter estar ao meu lado, contribuindo com sua sabedoria e leveza, me amparando em todas as dificuldades.
À Universidade Federal Fluminense e à coordenação do curso de Engenharia Agrícola e Ambiental pelo suporte e respeito aos alunos.
Ao meu orientador Marcos Alexandre Teixeira que acreditou na ideia do trabalho e encarou esse desafio junto comigo.
À Embrapa Solos pela oportunidade de participar do projeto de Pesquisa e Inovação nomeado “Aprimoramento da Taxonomia de Solos Brasileiros”, que deu origem ao presente trabalho de conclusão de curso.
Ao coorientador deste trabalho e meu grande amigo, Ademir Fontana, pela paciência, ensinamentos e por todo incentivo aos meus estudos na área de ciência do solo.
À todas as pessoas que direta e indiretamente colaboraram para o sucesso deste trabalho.
Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida.
RESUMO
O Mapa de Solos do Brasil foi desenvolvido no intuito de oferecer uma visão geral da diversidade de solos do país. No entanto, devido a sua escala 1:5.000.000, existe a dificuldade de utilização desse mapa para estudos detalhados em função de sua generalização. Nesse sentido, este trabalho avaliou a distribuição da classe dos Espodossolos no mapa, representatividade e acurácia; propondo procedimentos para aprimoramento do mapa à luz da identificação dos ambientes de ocorrência dos Espodossolos. A partir de revisão bibliográfica, foram levantados 189 perfis de solo da classe dos Espodossolos, os quais compõem uma base de dados com o mapeamento em um sistema de informação geográfica, no qual foi comparado ao Mapa de Solos do Brasil e feita análise dos ambientes de ocorrência (mapas interativos de biomas, clima, vegetação, relevo e geologia). No que concerne à validação do Mapa de Solos do Brasil, é necessário o seu aprimoramento com relação às ocorrências de Espodossolos, especial nas suas áreas de maior ocorrência, como a restinga. Da análise de suas ocorrências, foi observado que esses solos ocorrem em condições de umidade elevada, climas tropical e subtropical, terrenos planos, na região costeira, na Amazônia e nos Tabuleiros Costeiros associados à vegetação de restinga, campinarana e muçununga, respectivamente. Também ocorrem sob terreno movimentado sob vegetação altomontana, em regiões de clima frio e úmido. Para o aprimoramento, sugere-se focar os trabalhos de mapeamento deste perfil nos padrões de distribuição identificados: Amazônia - vegetação de campinarana, relevo de transição entre depressões e planícies, altitudes abaixo de 100m e material advindo de sedimentos arenosos; Pantanal: sedimentos arenosos e argilosos, vegetação de savana e altitudes próximas de 100m; e Mata Atlântica: vegetação de restinga em diversos relevos, altitudes inferiores a 100m, a vegetação de muçununga associada a tabuleiros costeiros também com altitudes inferiores a 100m e vegetação altomontana sob terrenos movimentados em altitudes em torno de 1.000m.
Palavras-chave: Mapeamento de solos. Fatores de formação. Sistema de informação geográfica.
ABSTRACT
The Brazilian Soil Map was developed in order to provide an overview of the diversity of the country's soil, however, but there is a lot of space for improvement. Not However, due to their scale 1:5.000.000, there is a difficulty of Use Map Of this paragraph Detailed studies due to its generalization. In this sense, the aim of this study is to evaluate the indicated occurrence of the class of Spodosols, its accuracy and if does represent reality; building up suggestions to further improvement of the map, based on the identified Spodosols occurrences. From bibliographic search were identified 189 Spodosols occurrences, making it up a data base, used to feed a geographic information system, that was them compared to the Brazilian Soil Map and assessed against the environments where they were found (biomes, vegetation, weather, relief and geology). When referring to the Brazilian Soil Map accuracy in the case of Spodsols, it is necessary further improvements, especially in the areas of higher presence as the case of sandbank (in Portuguese: restingas). Distribution pattern of Spodosols profiles were observed as: elevated humidity, tropical and subtropical weather, flat terrain or soft wavy, on the coast, in the Amazon and coastal plains, associated with the vegetation of sandbank, campinarana and muçununga respectively. Also occur in busy ground under montane vegetation in cold and wet climates. To further improve the Map, is suggested to focus the mapping efforts in the distribution patterns identified: Amazon – capinarama vegetation, transition relief from low lands slope towards flat lands, altitude lower than 100m and origin from sandy sediments; Pantanal: sandy and muddy sediments, savana vegetation, and altitude around 100m; and Atlantic Forest – sandbank at different reliefs, altitude lower than 100m, muçununga vegetation when associated to coastal talus also at lower than 100m and altomontana vegetation on busy ground under montane vegetation in cold and wet climates in altitude around 1,000m.
SUMÁRIO
1 Introdução ... 14
2 Objetivos ... 16
3 Revisão Bibliográfica ... 17
3.1 Espodossolos ... 17
3.2 Mapa de Solos do Brasil ... 21
3.3 Sistemas de Informação Geográfica ... 22
4 Material e métodos ... 25
4.1 Levantamento de perfis de Espodossolos ... 25
4.2 Análise das Ocorrências Relatadas ... 26
5 Resultados e Discussões ... 27
5.1 Validação do Mapa de Solos do Brasil ... 27
5.2 Análise das Ocorrências Relatadas ... 30
5.2.1 Ocorrência dos Espodossolos no território brasileiro ... 30
5.2.2 Análise da distribuição dos Espodossolos nos principais biomas de ocorrência ... 34
5.3 Opções para Melhoramento ... 44
6 Conclusões ... 46
7 Bibliografia ... 48
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1. Perfil de Espodossolo: A – com horizontes Bh ou Bhs (não são diferenciados pela cor) e Ortstein. Fonte: Ademir Fontana. B – Perfil de Espodossolo com os horizontes Bh e Bs. (Azevedo et. al., 2015). C – Com a presença do horizonte Plácico (Azevedo et. al.,
2015). ...19
Figura 2. Distribuição dos Espodossolos de acordo com o Mapa de Solos do Brasil. ...20
Figura 3. Mapa comparativo entre a distribuição dos perfis de Espodossolos e as áreas previstas pelo Mapa de Solos do Brasil. ...29
Figura 4. Gráfico de distribuição dos perfis por estado brasileiro. ...30
Figura 5. Distribuição dos Espodossolos por biomas brasileiros...31
Figura 6. Ocorrência dos Espodossolos por clima. ...33
Figura 7. Distribuição dos perfis de Espodossolos pela vegetação da Amazônia. ...34
Figura 8. Distribuição dos perfis de Espodossolos pelo relevo da Amazônia. ...35
Figura 9. Distribuição de frequência de altitudes dos perfis da região Amazônica. ...36
Figura 10. Distribuição dos perfis de Espodossolos pelo relevo do Pantanal. ...38
Figura 11. Distribuição dos perfis de Espodossolos pela geologia do Pantanal. ...38
Figura 12. Distribuição dos perfis de Espodossolos pela vegetação do Pantanal. ...38
Figura 13. Distribuição de frequência dos perfis de Espodossolos do Pantanal por faixa de altitude. ...39
Figura 14. Distribuição dos perfis de Espodossolos por relevo da Mata Atlântica...40
Figura 15. Distribuição dos perfis de Espodossolos por vegetação da Mata Atlântica. ...41
Figura 16. Distribuição de frequência dos perfis de Espodossolos da Mata Atlântica por faixa de altitude. ...42
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Classificação dos Espodossolos em diferentes sistemas taxonômicos. ... 17
Tabela 2. Relação do número de perfis em áreas previstas no Mapa de Solos do Brasil e correspondência relativa por bioma. ... 28
Tabela 3. Distribuição dos Espodossolos de acordo com a geologia da Amazônia. 36 Tabela 4. Relação do número de perfis de Espodossolos da Amazônia com o material de origem a partir da descrição de campo. ... 37
Tabela 5. Percentual de perfis por relevo da Mata Atlântica. ... 39
Tabela 6. Percentual de perfis por vegetação da Mata Atlântica. ... 40
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS
CNPS – Centro Nacional de Pesquisa de Solos DBDG – Diretório Brasileiro de Dados Geoespaciais
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ESRI – Environmental Systems Research Institute
GNSS – Global Navigation Satellite System IAC – Instituto Agronômico de Campinas
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IG – Informações Geoespaciais
INDE – Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais SiBCS – Sistema Brasileiro de Classificação de Solos SIG – Sistema de Informação Geográfica
SNLCS – Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos
1 Introdução
Os mapas são importantes ferramentas para estudos e levantamentos de diversas áreas, pois facilitam a associação da ocorrência de um fenômeno à sua localização geográfica. Na área de ciência do solo, o mapeamento de solos se aplica em estudos voltados para ocorrência dos mesmos na paisagem em função da relação solo-paisagem, a qual expressa de forma conjunta os solos pelos fatores de formação (clima, relevo, vegetação, material de origem) em transecto ou catena, bem como, a partir dos pontos conhecidos e preestabelecidos, como a malha de pontos ou topossequências (posições na paisagem geográfica).
A elaboração de mapas é uma prática antiga, que tem evoluído para a inclusão de sistemas digitais, com uso dos Sistemas de Informação Geográficas (SIG), que também possibilitam a realização de análises espaciais e construção de bancos de dados espaciais. Destaca-se que, no universo agrícola, os recursos oferecidos pelos SIG são muito utilizados na agricultura de precisão para geração de mapas de produtividade e fertilidade, bem como permitem a análise temporal e espacial da lavoura, sendo ferramentas relevantes para tomada de decisão e gerenciamento da propriedade rural.
Nesse contexto, o Mapa de Solos do Brasil foi desenvolvido no intuito de oferecer uma visão geral da grande diversidade de solos do país, apresentando informações referentes à distribuição geográfica, natureza e diversidade, arranjamento espacial e extensão territorial. Esse mapa foi atualizado no ano de 2011 e prevê a ocorrência das 13 classes de solos definidas pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos do ano de 2006.
Apesar de este mapa ser um instrumento básico para subsidiar estudos, com informações atualizadas sobre os recursos dos solos brasileiros, como todo mapa, verifica-se a necessidade de aprimoramento e atualização permanentes. Com isso vem a dificuldade de utilização do Mapa de Solos do Brasil por profissionais de ciência do solo em função de sua grande generalização, tornando-o deficiente para alguns processos e tomadas de decisão.
Tomando como base que este mapa foi elaborado a partir de conhecimentos de solos e levantamentos pedológicos realizados nas décadas de 1940 e 1980, salienta-se que a criação de uma base de dados a partir de informações recentes de levantamentos e pesquisas realizadas pode contribuir para a melhoria quanto à representação das classes de solo e sua ocorrência no Brasil.
Dentre as 13 classes presentes no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, os Espodossolos, apesar de terem uma pequena área de ocorrência prevista em território brasileiro, correspondendo a aproximadamente 2%, esses solos têm um importante papel ambiental, em função da capacidade de acúmulo de carbono em profundidade e da biodiversidade vegetal associada aos seus ambientes de ocorrência.
Os Espodossolos são solos que ocorrem nas mais diversas áreas em território nacional. Esses solos se desenvolvem sobre materiais arenoquartzosos e condições de umidade elevada, em climas tropical e subtropical, em relevo plano, suave ondulado, áreas de surgente, abaciamentos e depressões, podendo, entretanto, ocorrer em relevo mais movimentado, em ambientes de clima frio, e de vegetação automontana. Esses solos também ocorrem nas regiões costeiras associados à vegetação de restinga, bem como na Amazônia e Tabuleiros Costeiros associados a vegetações de campinarana e muçununga, respectivamente.
A importância do conhecimento dos ambientes de ocorrência desses solos está relacionada à identificação dos fatores ambientais que podem levar ao processo de formação desse solo associáveis a uma determinada paisagem. Atrelado a isto, vem a contribuição ao mapeamento dessa classe de solos, considerando que, quanto maior o número de relatos e informações acerca da ocorrência desses solos, maiores são as possibilidades de identificação e delineamento das unidades de mapeamento.
Neste sentido, o objetivo geral deste trabalho é avaliar o Mapa de Solos do Brasil no que se refere à distribuição da classe dos Espodossolos, sua acurácia e representatividade, assim como propor metodologias ou procedimentos que promovam o aprimoramento do mapa para melhor representar a distribuição dos ambientes de ocorrência dos Espodossolos no território nacional.
2 Objetivos
O objetivo geral deste trabalho é avaliar o Mapa de Solos do Brasil no tocante à representação dos Espodossolos, e eventualmente propor melhorias para a representação dessa classe de solos, nesse que é um documento de referência no Brasil.
De forma a poder atingir o objetivo central, cumpre-se completar os seguintes objetivos específicos:
1. Avaliar a acurácia do Mapa de Solos do Brasil consoante o registro dos Espodossolos e validar as informações nele contidas referentes à ocorrência dessa classe;
2. Analisar a distribuição dos Espodossolos em função dos seus ambientes de ocorrência quanto aos fatores de formação material de origem (geologia), organismos (vegetação), clima, relevo (topografia e altitude) e identificar padrões de distribuição desses solos em território brasileiro que possam auxiliar na sua identificação e/ou mapeamento; e
3. Propor alternativas de planos de ação e/ou metodologias que possam ser aplicadas no melhoramento do Mapa de Solos do Brasil.
3 Revisão Bibliográfica
3.1 Espodossolos
Segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos – SiBCS (Santos et. al., 2013a) os Espodossolos são solos constituídos por material mineral, apresentando o horizonte B espódico imediatamente abaixo do E, A ou horizonte hístico dentro de 200cm a partir da superfície ou de 400cm, se a soma dos horizontes A e E ou dos horizontes hístico e E ultrapassar 200cm de profundidade. A Tabela 1 apresenta a denominação da classe dos Espodossolos para diferentes Sistemas Taxonômicos, dentre os quais os critérios e exigências podem variar na avaliação e comparação.
Tabela 1. Classificação dos Espodossolos em diferentes sistemas taxonômicos. Sistema
Taxonômico Classificação Referência
Sistema
Brasileiro de
Classificação de Solos (SiBCS)
Espodossolos
SANTOS, H. G.; JACOMINE, P. K. T.; ANJOS, L. H. C.; OLIVEIRA, V. A.; LUMBRERAS, J. F.; COELHO, M. R.; ALMEIDA, J. A.; CUNHA, T. J. F.; OLIVEIRA, J. B. Sistema brasileiro de classificação de solos. 3ª ed. revisada e ampliada. Brasília, DF: Embrapa, 2013, 353p.
World Reference Base for soil resources
(WRB)
Podzols
FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS. World reference base for soil resources 2014: International soil classification system for naming soils and creating legends for soil maps. Rome: FAO, 2015. 192p.
Soil Taxonomy Spodosols
SOIL SURVEY STAFF. Keys to Soil
Taxonomy. 20th edition. Washington: United States Department of Agriculture Natural Resources Conservation Service, 2014.
Os horizontes B espódico são horizontes diagnósticos dessa classe de solo, sendo, portanto, o requisito para classificação, como também identificação e distinção da classe no SiBCS (Santos et. al., 2013a). Segundo o SiBCS, em função dos compostos iluviais dominantes e do grau de cimentação, podem ser identificados os seguintes tipos de B espódicos:
Bs – acumulação de óxidos de ferro e alumínio, combinados com baixos conteúdos de matéria orgânica. É identificado pelas cores vivas geralmente nos matizes 5YR, 7,5YR e 10YR, com valor 4 ou 5 (no máximo 6) e croma variando de 4 a 8 (Santos et. al. 2015, Figura 1 - A);
Bhs – acumulação de óxidos de ferro e alumínio associados a uma expressiva quantidade de matéria orgânica. Os horizontes identificados como Bhs normalmente apresentam matiz de 2,5YR a 10YR e valor/croma 3/4, 3/6, 4/3 ou 4/4 (Figura 1 - B);
Bh – acumulação de matéria orgânica iluvial combinada com alumínio, com pouca ou nenhuma evidência de ferro. São de cores escuras, com valor menor que 4 e croma menor que 3 (Santos et. al. 2015, Figura 1 – A e B);
Ortstein – O horizonte B espódico pode aparecer na forma consolidada denominada ortstein (Bsm, Bhsm e Bhm), de espessura mínima de 2,5cm, apresentando-se contínuo ou praticamente contínuo, fortemente cimentado, geralmente por complexos organometálicos (Figura 1 - A);
Plácico – Este horizonte pode ocorrer associado ou com variação do B espódico (Figura 1 - C). É cimentado ou endurecido por ferro ou ferro e matéria orgânica, acompanhados ou não de outros agentes cimentantes. Desta forma, constitui um impedimento a passagem de água e crescimento radicular. Normalmente é fino em espessura e de coloração preta a vermelho-escura.
De acordo com Santos et. al. (2015) a caracterização da cor de um solo, ou dos seus horizontes, segue uma padronização mundial: “O Sistema Munsell de Cores”, que contempla o grau de intensidade de três componentes da cor: matiz (espectro dominante da cor), valor (tonalidade) e croma (saturação).
Como características associadas aos Espodossolos, esses apresentam a textura arenosa, fertilidade natural muito baixa e drenagem moderada a imperfeita, conferem um ambiente diferenciado e específico, com possibilidade de encharcamento, perda de nutrientes, contaminação do lençol freático devido à aplicação de fertilizantes e defensivos, e suscetibilidade à erosão hídrica e eólica (Embrapa, 2014; Coelho et. al., 2014). Além disso, são moderadamente a fortemente ácidos, normalmente com saturação de bases baixa, podendo ocorrer altos teores de alumínio extraível (Santos et. al., 2013a).
Figura 1. Perfil de Espodossolo: A – com horizontes Bh ou Bhs (não são diferenciados pela cor) e Ortstein. Fonte: Ademir Fontana. B – Perfil de Espodossolo com os horizontes Bh e Bs. (Azevedo et. al., 2015). C – Com a presença do horizonte Plácico (Azevedo et. al., 2015).
Esses solos podem ser utilizados para fertirrigação de frutíferas e culturas adaptadas, substrato para construção civil e pastoreio extensivo de gado, bem como podem ser preservados em áreas nas regiões litorâneas (Embrapa, 2014; IBGE, 2015). Vale ressaltar a importância ambiental dos Espodossolos em função da sua capacidade de estocar carbono em profundidade no horizonte B espódico. Esses solos sofrem pressão em ambientes de restinga pela especulação imobiliária e de maneira geral, da construção civil, que utiliza seu material substancialmente arenoso como agregados miúdos.
Os Espodossolos podem ocorrer em condições de umidade elevada, climas tropical e subtropical, terrenos planos ou suaves ondulados, na região costeira, na
Amazônia e nos Tabuleiros Costeiros associados à vegetação de restinga, campinarana e muçununga, respectivamente. Também ocorrem sob terreno movimentado sob vegetação altomontana, em regiões de clima frio e úmido (Santos et. al., 2013a).
De acordo com o Mapa de Solos do Brasil (Santos et al., 2011a) e o Manual Técnico de Pedologia (IBGE, 2015) esses solos encontram-se distribuídos ao longo da costa leste brasileira, sendo sua mais expressiva ocorrência na região Amazônica (Amazonas e Roraima) e no Pantanal Matogrossense (Figura 2). Estima-se que a área de ocorrência desses solos em território brasileiro seja em torno de 2% (Coelho et. al., 2014; Ker et. al., 2012 apud Santos et. al., 2015).
3.2 Mapa de Solos do Brasil
O Mapa de Solos do Brasil atualizado pelos pesquisadores da área de Pedologia da Embrapa Solos em 2011, prevê a ocorrência das 13 classes de solos distribuídas em todo território brasileiro, definidas pelo SiBCS no ano de 2006 (Embrapa, 2006). Sua versão original é do ano de 1981, elaborada pelo Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos (SNLCS), atualmente Embrapa Solos.
De acordo com Santos et. al., 2011b, o Mapa de Solos do Brasil na escala 1:5.000.000 tem um histórico de evolução iniciado na década de 1940 com os estudos de pedologia no país, a partir da execução de levantamentos de solos em nível exploratório e de reconhecimento.
À frente dessa iniciativa sempre esteve o Ministério da Agricultura, órgão responsável pela quase totalidade dos estudos de solos no Brasil através da antiga Comissão de Solos, da Divisão de Pedologia e Fertilidade do Solo, do SNLCS, da Embrapa, atualmente Centro Nacional de Pesquisa de Solos (CNPS) – Embrapa Solos, com missão, objetivos e metas voltados para o estudo do solo em sua ambiência.
Para sua elaboração, foram utilizados os levantamentos exploratórios de solos produzidos pelo Projeto RADAMBRASIL ao longo das décadas de 1970 e 1980 e conhecimentos adquiridos por instituições nacionais e estaduais, tais como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e complementados por outros estudos mais detalhados de solos produzidos principalmente pela Embrapa e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (Dias, 2015; Santos et. al., 2011b).
As principais mudanças na atualização do Mapa de Solos do Brasil são de natureza taxonômica, não havendo qualquer alteração quanto à generalização cartográfica observada nos mapas anteriores. Dessa maneira, no período entre 1999 e 2006, alterações conceituais e reestruturações ocorreram praticamente em todas as classes do SiBCS. As mudanças incluíram alterações em nível de Ordem, Subordem e Grande Grupo, bem como exclusões e inclusões de novos Subgrupos. Portanto, assim como os mapas anteriores, o atual Mapa de Solos do Brasil exibe
uma visão panorâmica da grande diversidade de solos do país (Santos et. al., 2011b).
Como colocado em Santos et. al. (2013b), o Mapa de Solos do Brasil apresenta informações referentes à distribuição geográfica, natureza e diversidade, arranjamento espacial e extensão territorial dos solos brasileiros. Assim, possibilita também uma avaliação genérica do potencial das terras para planejamento de uso agrícola, pecuária e preservação ambiental.
Esse mapa é um instrumento básico para subsidiar estudos, com informações atualizadas sobre os recursos dos solos brasileiros, representando uma ferramenta imprescindível para todos que têm no recurso solo o objeto de sua atuação, tais como especialistas em ciência do solo, instituições de ensino e pesquisa, empresas de planejamento agropecuário ou florestal, técnicos da extensão rural, pesquisadores de diversas áreas, organizações não-governamentais ligadas ao meio ambiente e desenvolvimento, órgãos públicos ligados à agricultura e ao meio ambiente e produtores (Dias, 2015).
Considerando a importância do Mapa de Solos do Brasil para planejamentos e estudos diversos, salienta-se a necessidade da criação de uma base de dados referentes a solos brasileiros no intuito de aprimorar o Mapa de Solos do Brasil a partir de informações recentes de levantamentos e pesquisas realizadas. Além disso, o SiBCS de 2006 passou por uma nova reestruturação no ano de 2013, o que influenciou na distribuição de classes no mapa, exigindo uma nova atualização das legendas. Vale ressaltar, também, que quanto maior o número de informações que venham a alimentar o mapa, maior será sua acurácia.
3.3 Sistemas de Informação Geográfica
O termo Sistema de Informação Geográfica (SIG) é aplicado para sistemas que realizam o tratamento computacional de dados geográficos e recuperam informações não apenas com base em suas características alfanuméricas, mas também através de sua localização espacial de modo que, a geometria e os atributos dos dados num SIG são georreferenciados, isto é, localizados na superfície terrestre e representados numa projeção cartográfica (Câmara & Queiroz, 2001).
Esses dados geográficos descrevem objetos do mundo real em termos de posicionamento, com relação a um sistema de coordenadas, seus atributos não aparentes, como por exemplo, a cor, pH, textura, estrutura etc, e das relações topológicas existentes. Portanto, um SIG pode ser utilizado em estudos relativos ao meio ambiente e recursos naturais, na pesquisa da previsão de determinados fenômenos ou no apoio ao planejamento, considerando a concepção de que os dados armazenados representam um modelo do mundo real (Burrough, 1986, apud Câmara, s.d.).
A tecnologia de SIG integra operações convencionais de bases de dados, como captura, armazenamento, manipulação, análise e apresentação de dados, com possibilidades de seleção e busca de informações e análise estatística, conjuntamente à possibilidade de visualização e análise geográfica oferecida pelos mapas. Permite também a realização de análises espaciais complexas através da rápida formação e alternação de cenários que propiciem a planejadores e administradores em geral, subsídios para a tomada de decisões (Pina & Santos, 2000).
De acordo com Câmara & Queiroz (2001) devido à ampla gama de aplicações do SIG, que inclui temas como agricultura, floresta, cartografia, cadastro urbano e redes de concessionárias de água, energia e telefonia, há, pelo menos, três grandes maneiras de utilizá-lo: como ferramenta para produção de mapas; como suporte para análise espacial de fenômenos; como um banco de dados geográficos, com funções de armazenamento e recuperação de informação espacial.
Existe hoje uma grande quantidade de softwares de SIG disponíveis no mercado. Dentre os de maior relevância / proeminência está o ArcGIS, criado e distribuído pela empresa americana ESRI (Environmental Systems Research
Institute). Há, ainda, outros sistemas SIG bastante utilizados, como o QGIS, software
gratuito e livre, desenvolvido pela Open Source Geospatial Foundation Project, bem similar ao ArcGIS.
A disponibilização, o compartilhamento e o acesso a dados e Informações Geoespaciais (IG), bem como aos serviços relacionados, são disponibilizados pela Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE) em seu site, através de uma rede
de servidores integrados à Internet, que reúne produtores, gestores e usuários de IG
on-line. Essa rede de servidores denomina-se Diretório Brasileiro de Dados
Geoespaciais (DBDG), que é o portal de acesso dos usuários aos recursos distribuídos do DBDG (INDE, 2015). Dentre as organizações produtoras de dados geoespaciais que integram o DBDG estão a Embrapa e o IBGE.
4 Material e métodos
4.1 Levantamento de perfis de Espodossolos
Inicialmente foi realizada uma pesquisa bibliográfica na literatura para levantamento de perfis de Espodossolos descritos em território brasileiro, cujas referências bibliográficas podem ser vistas no Apêndice 1 – Referências. Como fontes, foram utilizados os mais diversos materiais de meio científico como artigos, levantamentos pedológicos, boletins técnicos, teses e dissertações. Sendo que foi buscado, junto a cada uma das fontes identificadas, perfis dessa classe de solos e as informações referentes a esses (descrição geral e morfológica bem como valores de atributos físicos, químicos e mineralógicos).
Os dados coletados foram organizados e inseridos em uma planilha eletrônica, formando um acervo de dados. Esses dados serviram de base para a elaboração de um mapa de ocorrência, e quanto aos perfis descritos foram extraídas da planilha informações referentes às suas coordenadas e localização.
Não sendo possível realizar maiores inferências com relação à precisão de sua localização em termos de coordenadas, neste trabalho não foi abordado o erro referente ao posicionamento dos perfis e a preocupação com a localização exata dos mesmos. Contudo, vale mencionar que nos levantamentos pedológicos normalmente são utilizados equipamentos de GNSS (Global Navigation Satellite
System) de navegação, de modo que o erro referente às coordenadas obtidas em
campo gira em torno de 10 metros. Sabendo que a escala do Mapa de Solos do Brasil é 1:5.000.000, tem-se que o erro das coordenadas obtidas em campo atende a precisão desse mapa, cujo detalhamento mínimo é de 1km.
Por não haver um padrão na obtenção de coordenadas em levantamentos realizados em campo, sendo que foram identificadas coordenadas planas (UTM de diferentes fusos) e geográficas (latitude e longitude), foi necessário converter todas as coordenadas das descrições feitas em campo para coordenadas geográficas para ser possível a realização do mapeamento, tendo em vista a impossibilidade de trabalhar em coordenadas UTM para áreas que abrangem mais de um fuso
geográfico, que possui amplitude de 6 graus de longitude. Para a conversão foi utilizado o software ProGrid disponibilizado pelo IBGE em seu site (IBGE, s.d.).
Alguns perfis continham apenas a localização do município, sem as coordenadas obtidas em campo. Esses perfis estão indicados no Apêndice 1 e para o posicionamento desses no mapa, foram atribuídas as coordenadas da sede municipal a fim de apenas indicar a região de ocorrência e não sua localização exata.
4.2 Análise das Ocorrências Relatadas
Nessa etapa, de posse das coordenadas geográficas dos 189 perfis, esses pontos foram plotados em um arquivo shapefile por meio do sistema de informações geográficas adotado, ArcGIS (versão 10.3), assim compondo um mapa com todos os perfis de Espodossolos presentes no acervo de dados. O mapa gerado foi comparado aos mapas interativos de escala 1:5.000.000 referentes à bioma, geologia, relevo, clima e vegetação disponibilizados pelo IBGE em formato shapefile para análise dos ambientes de ocorrência desses solos. Para essas mesmas avaliações também foram consideradas as informações obtidas das descrições feitas em campo que estão presentes no acervo de dados. As altitudes foram obtidas por meio do Google Earth.
Com base nas comparações realizadas e nas informações da descrição feita em campo de cada perfil, foram buscadas indicações que pudessem ser associadas à ocorrência dos Espodossolos, e que pudessem servir como fatores a serem usados na indicação de ocorrência desse perfil.
A partir dos biomas brasileiros que tiveram maior de ocorrência desses solos devido à distribuição de perfis, foi realizada a análise dos fatores de formação (material de origem, clima, vegetação e relevo) no intuito de identificar o padrão de distribuição dos perfis nessas regiões.
5 Resultados e Discussões
5.1 Validação do Mapa de Solos do Brasil
Inicialmente foram levantados 229 na literatura classificados como Espodossolos. No entanto, foi realizada uma análise de consistência feita a partir dos atributos físicos, químicos e morfológicos do horizonte B espódico para verificação se o perfil realmente pertencia a essa classe. Os perfis que não apresentaram a caracterização condizente ao horizonte diagnóstico dessa classe foram descartados. As ocorrências forma compiladas em formato compatível com SIG (ex: ArcGIS)1.
Como resultado da pesquisa bibliográfica, foram identificados 189 perfis descritos, os quais, plotados e comparados com as áreas previstas pelo Mapa de Solos do Brasil. É possível perceber que a previsão de ocorrência desses solos na região costeira é baixa, ocupando uma fina faixa do litoral, ao passo que a maior parte dos pontos plotados, correspondendo a 170 deles, está localizada no litoral brasileiro, desde o Estado de São Paulo até a Paraíba (Figura 3).
O Mapa de Solos do Brasil prevê áreas na região noroeste do Estado do Amazonas, sul do Estado de Roraima e na região do Pantanal, e os pontos plotados confirmaram a existência desses solos em todas essas regiões, havendo 14 pontos na região noroeste do Estado do Amazonas e sul de Roraima e 8 pontos na região do Pantanal.
Entretanto, não está previsto no Mapa de Solos do Brasil os Espodossolos nas regiões sudoeste e leste do Estado do Amazonas, noroeste do Acre, norte de Rondônia, norte do Mato Grosso, centro de Goiás e Distrito Federal, norte do Pará, sudoeste de Minas Gerais e regiões centrais dos Estados da Bahia e São Paulo (Figura 3).
Com relação à correspondência das áreas de Espodossolos previstas no Mapa de Solos do Brasil e os 189 perfis descritos em campo, de maneira geral, tem-se que apenas 22,2% dos perfis estão localizados nas áreas previstas (Tabela 2). A
1
maior correspondência relativa por bioma foi para o Pantanal com 62,5%, em que 5 dos 9 perfis do acervo de dados estão localizados em áreas previstas para os Espodossolos no Mapa de Solos do Brasil. Ao passo que a correspondência relativa da Amazônia foi de 25,7% e Mata Atlântica de 20,1%, enquanto não houve nenhuma para cerrado e caatinga.
Tabela 2. Relação do número de perfis em áreas previstas no Mapa de Solos do Brasil e correspondência relativa por bioma.
Bioma Total de
Perfis
Perfis em áreas previstas no Mapa de Solos do Brasil Correspondência relativa Amazônia 35 9 25,7% Pantanal 8 5 62,5% Mata Atlântica 139 28 20,1% Cerrado 4 0 0,0% Caatinga 3 0 0,0% Total 189 42 22,2%
Nota-se que a área de ocorrência dessa classe de solos possivelmente é superior à área estimada de 18.2481,3 km² no Mapa de Solos do Brasil, devido à quantidade de áreas de ocorrência superior as áreas previstas, principalmente na região costeira do Brasil, como pode ser visto na Figura 3.
Neste sentido, em trabalho anterior, Menezes et. al. (2015) avaliaram o “Mapeamento dos Espodossolos e sua ocorrência no território brasileiro”, no Congresso Brasileiro de Ciência do Solo de 2015, um comparativo entre o Mapa de Solos do Brasil e o mapeamento de 189 perfis de Espodossolos descritos na literatura. Os autores também relataram os ambientes e as regiões de maior ocorrência de Espodossolos em território nacional e feita a análise de distribuição dos perfis de acordo com a altitude. Naquele trabalho foi evidenciada a carência de uma base de dados levantados em campo com as devidas localizações para aprimoramento do mapeamento de solos no Brasil, considerando a baixa indicação no Mapa de Solos do Brasil na área de maior ocorrência dos perfis mapeados, a
restinga. Isto pode ser um indicativo que a área de ocorrência desses solos supera a prevista na literatura.
Figura 3. Mapa comparativo entre a distribuição dos perfis de Espodossolos e as áreas previstas pelo Mapa de Solos do Brasil.
5.2 Análise das Ocorrências Relatadas
5.2.1 Ocorrência dos Espodossolos no território brasileiro
Analisando a distribuição dos perfis em território brasileiro (Figura 2), tem-se que os estados de maior ocorrência de perfis de Espodossolos foram São Paulo (46), Amazonas (25), Rio de Janeiro (22) e Bahia (20). Houve também perfis no Acre (2), Alagoas (11), Distrito Federal (1), Espírito Santo (14), Goiás (1), Mato Grosso (1), Mato Grosso do Sul (8), Minas Gerais (9), Pará (1), Pernambuco (12), Rondônia (1), Roraima (5) e Sergipe (4). Contudo, pergunta-se se a distribuição desses perfis por estados reflete o número de pesquisas desenvolvidas nessas regiões e não necessariamente a maior ocorrência desses solos. Uma representação gráfica desses dados é apresentada na Figura 4.
Figura 4. Gráfico de distribuição dos perfis por estado brasileiro.
Quanto aos biomas, foi observado que a maior parte dos perfis está na Mata Atlântica (139), com concentração relevante na Amazônia (35). Há também perfis no Cerrado (4), Caatinga (3) e Pantanal (8), (Figura 5).
A partir da descrição realizada em campo, tem-se que a maior parte dos perfis de Espodossolos estudada localiza-se em ambientes de restinga (86), muçununga (45) e campinarana (32). Também há Espodossolos estudados presentes em ambientes altomontano (15), pantanal (8) e floresta equatorial (3). Em função da maior ocorrência desses solos nos biomas da Mata Atlântica, Amazônia e
0 10 20 30 40 50
Pantanal será analisada, posteriormente, a distribuição dos Espodossolos nesses biomas, em função dos fatores de formação relevo, geologia e vegetação.
Figura 5. Distribuição dos Espodossolos por biomas brasileiros.
Vale mencionar que os perfis de Espodossolos descritos na região do cerrado compreendem regiões de ambiente altomontano, com altitudes em torno de 1.000m, justificando a ocorrência desses solos nessas áreas pontuais. Esses perfis pontuais estão localizados em: Sobradinho (DF), a 980m de altitude sob vegetação campo higrófilo de surgente; Cristalina (GO), a 1.131m de altitude sob vegetação de cerrado caducifólio; Capitólio (MG), a 1.240m de altitude sob os campos das altas superfícies da região e campos cerrados; e Piracicaba (SP), está a 500m em um
barranco à beira da estrada. O mesmo vale para os perfis da caatinga que se localizam em regiões de elevadas altitudes, no Morro do Chapéu (BA) e na Chapada da Diamantina (BA).
Há um perfil em Teotônio Vilela – AL (Araújo Filho, 2003), que está na caatinga com vegetação descrita como floresta subperenifólia, sendo que não está em altitude elevada. Para esse especificamente, acredita-se que ele seja efetivamente da mata atlântica por estar na transição entre esses dois biomas.
Os perfis de Espodossolos apresentam-se, em sua maioria, na faixa de altitude de 1 a 10m (68) e 11 a 50m (40). Os Espodossolos também aparecem nas faixas de 51 a 100m (28), 101 a 225m (38) e com menor frequência nas faixas de 490 a 840m (5) e acima de 1.000m de altitude (10). Isso demonstra que os Espodossolos ocorrem em ambientes de baixa altitude, associados à vegetação restinga, mucununga e campinarana e, em menor frequência, em ambientes específicos fora dessas formações e em campos rupestres de altitude.
A partir dos dados referentes a altitudes, obteve-se a altitude média de 140,4m, ao passo que a moda e a mediana foram de 28m. Há uma grande amplitude entre as altitudes dos perfis, variando de 1m a 1.673m. Essa dispersão também é refletida no elevado desvio padrão de 332,1 m para as altitudes.
Os perfis de Espodossolos estão, em grande parte, em regiões de clima segundo a classificação de Köppen em Aw (58), Af (41), Cfa, (39) e Am (36), há também perfis em regiões de clima Cwa (13) e Cwb (2) (Figura 6, Köppen & Geiger, 1928). As regiões com maior concentração de perfis, a faixa litorânea do país do litoral sul de São Paulo até a Paraíba e a Amazônia, são regiões de clima tropical ou subtropical.
A descrição de relevo local é referente à declividade do local onde está o perfil em estudo. As declividades são distribuídas em classes conforme o Manual de descrição e coleta de solo no campo (Santos et. al., 2015). Do acervo de dados com 189 perfis, apenas 148 tinham informações referentes ao relevo local. O relevo de maior predominância foi plano, correspondendo a 139 perfis. Porém, há descrições de ocorrência em terrenos de relevo suave ondulado (5), ondulado (2), montanhoso (1) e forte ondulado (1).
Os principais ambientes de ocorrência dos Espodossolos refletem a influência do material de origem como os sedimentos arenosos ou rochas quartzíticos, da vegetação com caráter ácido e clima úmido, como condição para a
ocorrência do processo de podzolização com a translocação (queluviação) de compostos organometálicos e formação do horizonte B espódico (Kämpf & Curi, 2012).
5.2.2 Análise da distribuição dos Espodossolos nos principais biomas de ocorrência
5.2.2.1 Amazônia
Com base nas informações referentes à distribuição da vegetação na região Amazônia apresentadas pelo mapa interativo de vegetação, observa-se que os perfis de Espodossolos concentram-se em áreas de campinarana e floresta ombrófila densa ou no entorno das mesmas, como na transição para outros tipos de vegetação ou até mesmo em áreas antropizadas (Figura 7).
De 35 perfis de Espodossolos na Amazônia, 11 estão em áreas antropizadas, 4 em campinarana, 4 em vegetação de campinarana/floresta ombrófila, 2 em floresta estacional/floresta ombrófila, 2 em floresta ombrófila aberta, 11 em floresta ombrófila densa e 1 em savana/floresta ombrófila.
Figura 7. Distribuição dos perfis de Espodossolos pela vegetação da Amazônia. No entanto, a partir da descrição de campo dos perfis, tem-se que 91,4% dos 35 perfis estão localizados sob vegetação de campinarana e, o restante, está sob floresta equatorial (3). Sendo então a descrição feita em campo, a partir da observação do local, mais relevante para a análise de ocorrência desses solos.
No que se refere a relevo, nota-se que a ocorrência desses solos na região Amazônica está associada principalmente às áreas transição de depressões para planícies, sendo que cerca de 71,4% dos perfis presentes na região da Amazônia estão localizados em depressões, sendo essas da Amazônia Meridional (2), Amazônia Setentrional (6), de Boa Vista (2), do Médio-Baixo Rio Amazonas (5), do Solimões (7), dos rios Javari/Contamana (2) e Negro/Branco (1), ao passo que o restante está localizado na borda de planícies fluviais ou fluviolacustres, como pode ser visto na Figura 8.
Figura 8. Distribuição dos perfis de Espodossolos pelo relevo da Amazônia.
As altitudes referentes aos perfis dos Espodossolos da região Amazônica variaram de 6 a 223m e a média foi de 88,2m, inferior a média nacional observada anteriormente de 141,4m. Por meio do SIG utilizado, obteve-se a frequência de distribuição de altitudes (Figura 9), que indica que a maior parte do número de perfis dessa região está em altitudes inferiores a 100m.
Verificou-se que na região Amazônica, os Espodossolos do acervo de dados ocorreram em áreas descritas pelo mapa interativo de geologia de associações de rochas de origem vulcânica e plutônica, e composição félsica até máfica (posicionadas no final ou após o tectonismo), rochas gnáissicas de origem magmática e/ou sedimentar de médio e médio a alto grau metamórfico e rochas
graníticas desenvolvidas durante o tectonismo, sedimentos arenosos do Pleistoceno, de sedimentos arenosos e argilosos, podendo incluir níveis carbonosos do Terciário, sedimentos argilosos, arenosos e cascalhos, sedimentos relativos a aluviões atuais e terraços mais antigos do Holoceno e em áreas de sequências sedimentares, principalmente psamíticas, podendo incluir piroclásticas (Tabela 3).
Figura 9. Distribuição de frequência de altitudes dos perfis da região Amazônica. Tabela 3. Distribuição dos Espodossolos de acordo com a geologia da Amazônia.
Geologia N. de
perfis
Água 2
Associações de rochas de origem vulcânica e plutônica e composição
félsica até máfica (posicionadas no final ou após o tectonismo) 4
Rochas gnáissicas de origem magmática e/ou sedimentar de médio grau metamórfico e rochas graníticas desenvolvidas durante o tectonismo
3
Rochas gnáissicas de origem magmática e/ou sedimentar de médio a
alto grau metamórfico 3
Sedimentos arenosos do Pleistoceno 8
Sedimentos arenosos e argilosos, podendo incluir níveis carbonosos
do Terciário 3
Sedimentos argilosos, arenosos e cascalhos 8
Sedimentos relativos a aluviões atuais e terraços mais antigos do
Holoceno 3
Sequências sedimentares, principalmente psamíticas, podendo incluir
Contudo, observa-se nas descrições de campo que a ocorrência desses solos em função do material de origem está principalmente associada aos sedimentos arenosos, sendo 85,7% dos perfis descritos com esse material de origem (Tabela 4).
Tabela 4. Relação do número de perfis de Espodossolos da Amazônia com o material de origem a partir da descrição de campo.
Material de origem (descrição de campo) N° de perfis
Sedimentos arenosos 30
Produtos de alteração do Granito 2
Material retrabalhado sobre rochas do Pré-Cambriano 2
Sem informações 1
Dessa forma, termos que a ocorrência dos Espodossolos na Amazônia está relacionada à ambientes de vegetação de campinarana, relevo de transição entre depressões e planícies, altitudes abaixo de 100m e material advindo de sedimentos arenosos.
5.2.2.2 Pantanal
De acordo com os mapas interativos, observa-se que todos os perfis estão sob o relevo do Pantanal Matogrossense (Figura 10) e sedimentos arenosos e argilosos, podendo incluir níveis carbonosos do Terciário (Figura 11). Os perfis estão em áreas identificadas como savana (6) ou em áreas de tensão ecológica entre savanas e savanas estépiticas (Figura 12). A descrição de campo confirma a ocorrência desses solos sob sedimentos e na vegetação identificada como savana.
A distribuição de perfis por faixas de altitudes indica que nesta região a altitude média de 106,6m é inferior à média brasileira. As altitudes nesta região variaram de 89 a 141m, no entanto a faixa de maior ocorrência foi entre 89 e 110m (Figura 13)
Figura 10. Distribuição dos perfis de Espodossolos pelo relevo do Pantanal.
Figura 11. Distribuição dos perfis de Espodossolos pela geologia do Pantanal.
Figura 13. Distribuição de frequência dos perfis de Espodossolos do Pantanal por faixa de altitude.
Observa-se uma grande homogeneidade dos ambientes de ocorrência dos Espodossolos no Pantanal Matogrossense. Esses ocorrem nesse bioma principalmente sobre sedimentos arenosos e argilosos, relevo do Pantanal Matogrossense, vegetação de savana e altitudes entre 89 e 110 m.
5.2.2.3. Mata Atlântica
A distribuição dos perfis de Espodossolos com relação ao relevo presente nesse bioma (Figura 14) deu-se principalmente em áreas de planícies marinhas, fluviomarinhas e/ou fluviolacustres (38,1% dos perfis), tabuleiros costeiros (29,5%) e escarpas e reversos da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar (22,3%), como pode ser observado na Tabela 5.
Tabela 5. Percentual de perfis por relevo da Mata Atlântica.
Relevo
N. Perfis
Percentual (%) Escarpas e reversos da Serra da Mantiqueira e da Serra
do Mar 31 22,3%
Morros do Rio de Contas/Cristas e Colinas Pré-Litorâneas 10 7,2%
Planícies Marinhas, Fluviomarinhas e/ou Fluviolacustres 53 38,1%
Tabuleiros Costeiros 41 29,5%
Figura 14. Distribuição dos perfis de Espodossolos por relevo da Mata Atlântica.
De acordo com o mapa interativo de vegetação, a maioria dos perfis descritos nessa região estão localizados em áreas antropizadas (cerca de 46%, conforme Figura 15 e Tabela 5), o que reflete a pressão da urbanização e da especulação imobiliária no ambiente de maior ocorrência relatada desses solos, a restinga. Ainda de acordo com este mapa interativo, as vegetações de maior ocorrência foram de floresta ombrófila densa (31,7%) e vegetação com influência marinha (21,6%).
Pela descrição de campo dos perfis, tem-se que esses ocorreram em áreas de restinga (86), muçununga (45) e vegetação altomontana (9). Observa-se que o número de perfis descritos em campo com vegetação de muçununga é próximo ao número de perfis em áreas de tabuleiros costeiros, o que vem a ser um forte indicativo que a associação desses dois fatores contribui na identificação para a ocorrência dos Espodossolos.
Tabela 6. Percentual de perfis por vegetação da Mata Atlântica.
Vegetação N. Perfis Percentual (%)
Área antropizada 64 46,0%
Floresta ombrófila densa 44 31,7%
Savana/Floresta ombrófila 1 0,7%
Vegetação com influência marinha 30 21,6%
Figura 15. Distribuição dos perfis de Espodossolos por vegetação da Mata Atlântica. A distribuição de frequência das altitudes dos perfis (Figura 16) indica que na região da Mata Atlântica esses solos ocorrem principalmente em altitudes inferiores a 100m (média de 125,4m), contudo os 9 perfis associados à vegetação altomontana ocorreram em altitudes entre 682 e 1.673m e em terrenos movimentados como nas escarpas e reversos da Serra da Mantiqueira e Morros do Rio de Contas/Cristas e Colinas Pré-Litorâneas. A diversidade de relevos e altitudes de ocorrência é refletida no grande intervalo de 1 a 1.673m e desvio padrão de 351,6m.
Figura 16. Distribuição de frequência dos perfis de Espodossolos da Mata Atlântica por faixa de altitude.
Segundo o material de origem, as geologias de maior participação nas áreas de ocorrência foram de rochas gnáissicas de origem magmática e/ou sedimentar de médio grau metamórfico e rochas graníticas desenvolvidas durante o tectonismo (35,3%), sedimentos arenosos e argilosos, podendo incluir níveis carbonosos do Terciário (28,1%) e sedimentos relativos a aluviões atuais e terraços mais antigos do Holoceno (25,9%, Figura 17).
Tabela 7. Percentual de perfis por geologia da Mata Atlântica.
Geologia N. Perfis Percentual
(%)
Rochas gnáissicas de origem magmática e/ou
sedimentar de médio grau metamórfico e rochas graníticas desenvolvidas durante o tectonismo
49 35,3%
Rochas magmáticas de composição félsica e máfica 1 0,7%
Sedimentos arenosos e argilo-carbonáticos de grau metamórfico fraco a médio
1 0,7%
Sedimentos arenosos e argilo-carbonáticos desde muito pouco até fraco grau metamórfico
2 1,4%
Sedimentos arenosos e argilosos, podendo incluir níveis carbonosos do Terciário
39 28,1%
Sedimentos argilosos, arenosos e cascalhos 6 4,3%
Sedimentos relativos a aluviões atuais e terraços mais antigos do Holoceno
36 25,9%
Sequências metamórficas de origem sedimentar de médio a baixo grau metamórfico
Figura 17. Distribuição dos perfis de Espodossolos na geologia da Mata Atlântica.
Dessa forma, tem-se que os Espodossolos na Mata Atlântica ocorrem associados à vegetação de restinga sob diversos relevos em altitudes inferiores a 100m, a vegetação de muçununga associada a tabuleiros costeiros também com altitudes inferiores a 100m e vegetação altomontana sob terrenos movimentados em altitudes 682 a 1.673m.
O material de origem nessa região foi predominantemente de rochas gnáissicas de origem magmática e/ou sedimentar de médio grau metamórfico e rochas graníticas desenvolvidas durante o tectonismo, sedimentos arenosos e argilosos, podendo incluir níveis carbonosos do Terciário e sedimentos relativos a aluviões atuais e terraços mais antigos do Holoceno.
5.3 Opções para Melhoramento
Como visto anteriormente, a versão do Mapa de Solos do Brasil lançada em 2011 consiste apenas de uma reedição de legenda com base no SiBCS de 2006. Não foi realizada qualquer alteração no delineamento ou nas unidades de mapeamento das versões anteriores do mapa, que é baseado em conhecimentos e levantamentos das décadas de 1940 a 1980. No entanto, houve uma atualização no SiBCS no ano de 2013 e, com isso, seria necessária uma reedição de legenda. Destaca-se que essa última versão do SiBCS passou por mudanças relevantes, que compreendem desde o nível de ordem até o nível de família, havendo redefinição, reestruturação, exclusão e inclusão de classes (Santos et. al. 2013a).
Segundo Ademir Fontana (informação verbal)2 os Espodossolos em levantamentos generalizados ocorrem principalmente em associação (2° e 3º componente em diante), inclusão e grupo indiferenciado. Dessa forma, sua representação não é observada uma vez que a apresentação dos mapas considera o 1º componente da Unidade de Mapeamento ou ‘’mancha de solo’’. Soma-se também o fato desses solos estarem em ambientes que levam predominância a classe dos Neossolos Quartzarênicos, logo, esses só aparecerão em áreas que, de fato, têm grande extensão, como é o caso das regiões da Amazônia e do Pantanal Matogrossense previstas para a ocorrência desses solos no Mapa de Solos do Brasil. Como os perfis avaliados não destacam a dimensão da área de ocorrência e, nem sempre estão associados a um mapa de solos quando levantados, não é possível dimensionar a sua ocupação em determinada área, como é o caso desses solos em ambientes de restinga e vegetação altomontana.
Contudo, como mapas são ferramentas essenciais para levantamentos e estudos diversos, a solução para identificar as áreas de potencial ocorrência de cada uma das classes de solos pode ser feita a partir da reunião dos fatores de formação dos solos em determinada área. Com isso, a proposta de melhoramento para o Mapa de Solos do Brasil seria a criação de um acervo de dados contemplando todas as classes de solo de acordo com o SiBCS, com levantamentos realizados desde 1940 até os dias atuais. Sugere-se, em função do conjunto de informações classe, localização e coordenadas, identificar o padrão de ocorrência de cada uma das
2
classes em território nacional por meio dos seus fatores de formação, como foi feito neste trabalho para classe dos Espodossolos, e, por fim, delinear as unidades de mapeamento. Ressalta-se que essa metodologia é baseada em informações já existentes e obtidas em campo, e não por uma estimativa/previsão de outra natureza.
Além disso, evidentemente, o número de informações adquiridas de 1980 até hoje cresceu muito, e se aproveitadas, poderiam diminuir a generalização desse mapa. Conta-se que antes do ano de 1980, ano anterior ao lançamento da primeira versão do Mapa de Solos do Brasil, tem-se 38 perfis descritos de Espodossolos presentes no acervo de dados, enquanto depois dessa data há 151 perfis. Isto é, hoje se tem mais que o triplo do número de perfis e informações do que se tinha no período de elaboração desse mapa.
6 Conclusões
Neste trabalho foi evidenciada a necessidade de aprimoramento do Mapa de Solos do Brasil com relação à representatividade das ocorrências de Espodossolos nele apresentadas e os 189 perfis descritos em campo, considerando a baixa indicação nesse mapa desse tipo de solo nas suas áreas de maior ocorrência dos perfis mapeados, a restinga.
A análise da distribuição dos perfis de Espodossolos em função dos fatores de formação permitiu a identificação de padrões de ocorrência para os biomas com maior concentração de perfis. Os padrões de distribuição identificados foram:
Amazônia: a ambientes de vegetação de campinarana, relevo de transição entre depressões e planícies, altitudes abaixo de 100m e material advindo de sedimentos arenosos;
Pantanal: sedimentos arenosos e argilosos, relevo do Pantanal
Matogrossense, vegetação de savana e altitudes próximas de 100m; e
Mata Atlântica: ocorrem associados à vegetação de restinga sob diversos relevos em altitudes inferiores a 100m, a vegetação de muçununga associada a tabuleiros costeiros também com altitudes inferiores a 100m e vegetação altomontana sob terrenos movimentados em altitudes em torno de 1.000m. O material de origem nessa região foi predominantemente de rochas gnáissicas de origem magmática e/ou sedimentar de médio grau metamórfico e rochas graníticas desenvolvidas durante o tectonismo, sedimentos arenosos e argilosos, podendo incluir níveis carbonosos do Terciário e sedimentos relativos a aluviões atuais e terraços mais antigos do Holoceno.
Com vistas ao aprimoramento do Mapa de Solos do Brasil, a metodologia proposta neste trabalho foca na criação de um acervo de dados contemplando todas as classes de solo de acordo com o SiBCS, com levantamentos realizados até os dias atuais. Em função do conjunto de informações: classe, localização e coordenadas; propõe-se identificar o padrão de ocorrência de cada uma das classes em território nacional por meio dos seus fatores de formação, como foi feito para classe dos Espodossolos neste trabalho, e por fim delinear as unidades de mapeamento.
Além do Mapa de Solos do Brasil atual refletir apenas uma reedição de legenda de versões anteriores, há principalmente a necessidade de atualização da mesma para o atual Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, bem como a criação de uma base de dados que venha a servir para aprimoramento do mesmo, tendo em vista que ele é baseado em conhecimentos e levantamentos das décadas de 1940 a 1980. Como constatado para os Espodossolos, o número de informações adquiridas de 1980 até hoje cresceu muito, e se aproveitadas, poderiam diminuir a generalização e aumentar a aplicabilidade desse mapa.
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