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Aula 01 PRESCRIÇÃO PENAL: INTRODUÇÃO.

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Academic year: 2021

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Curso/Disciplina: Prescrição Penal

Aula: Prescrição Penal - 01

Professor : Marcelo Uzêda

Monitor : Virgilio Frederich

Aula 01

PRESCRIÇÃO PENAL: INTRODUÇÃO. Inicialmente será feita a revisão do tema de prescrição penal abordando a parte teórica nas primeiras aulas e, após, serão resolvidas questões de concursos públicos. 1. Revisão de punibilidade penal. Entende a doutrina majoritariamente que punibilidade é a consequência natural da prática do crime e enseja a possibilidade de punir, que pertence ao Estado1, uma vez que a atual organização em sociedade fez com que monopólio da violência fosse entregue ao Estado.

O Estado através do devido processo penal, sob a égide dos direitos e garantias individuais, desenvolve a atividade persecutória que culmina na possibilidade de punição do infrator. Existe o entendimento doutrinário minoritário que coloca a punibilidade como o quarto elemento do crime (concepção quadripartite): fato típico antijurídico culpável e punível2. Porém, no Brasil, predominam as teorias bipartite e tripartite e ambas entendem ser a punibilidade uma consequência do crime, logo no direito brasileiro a punibilidade é vista como consequência natural da prática do crime. 1 O Estado detém o ius puniendi, o direito de punir. 2 O professor alemão Claus Roxin, adotando o ponto de vista do funcionalismo moderado, defende que a pena ao crime tem caráter preventivo, sendo em razão disso, a aplicação da pena dispensável em alguns casos. Discute-se, assim, a necessidade ou não da aplicação da pena. É um conceito que, embora com pouco espaço no direito brasileiro, faz sentido modernamente e sendo acatado, gera um esvaziamento do direito penal.

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A punibilidade divide-se em dois momentos: a pretensão punitiva e a pretensão executória. Em um primeiro momento o Estado busca a satisfação da sua pretensão punitiva e, para isso, busca um título, uma sentença condenatória. Há de ressaltar que a sentença absolutória imprópria não tem cunho punitivo (não se confunde com a pena), mas impõe uma sanção que decorre da periculosidade do agente3 e, também, decorre da necessidade de tratamento ou de cura. Ressalta-se que a medida de segurança se sujeita à prescrição.

Com o trânsito em julgado da sentença condenatória, a pretensão punitiva se transforma em pretensão executória. Executa-se o título condenatório com a execução da pena e, no caso da sentença absolutória imprópria, executa-se a medida de segurança.

PRETENSÃO PUNITIVA PRETENSÃO EXECUTÓRIA

Obter um provimento jurisdicional reconhecendo a procedência da pretensão e condenando o réu ao cumprimento da sanção penal

Executar o título jurisdicional obtido, transitado em julgado, impondo a sanção penal

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O Supremo Tribunal Federal (STF) desde fevereiro de 2016, acompanhado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), tem autorizado a execução da pena com a confirmação da condenação em segunda instância. A questão envolvendo esse entendimento jurisprudencial não muda o conceito da punibilidade, uma vez que a pretensão executória nasce com o trânsito em julgado, assim, admite-se a execução provisória quando: 1) decretada a prisão preventiva, que enseja a expedição da guia de recolhimento provisório e se executa a pena mesmo sem o trânsito em julgado4;

2) há condenação em primeiro grau e confirmação de condenação em segundo grau, prevalecendo sobre o princípio da presunção de inocência a garantia da autoridade da decisão condenatória.

Observe que o conceito não mudou, apenas o entendimento da Egrégia Corte. A novidade é que com a confirmação da condenação na segunda instância não há necessidade do Tribunal decretar a prisão preventiva. Entende-se que se procede à execução da pena, dada a confirmação em segunda instância, desde de que os recursos especial para o STJ e o extraordinário para o STF não tenham efeito suspensivo e discutam apenas questões de direito. Leva-se em consideração que o princípio da presunção de inocência vai sendo mitigado com a condenação em primeira e segunda instâncias, prevalecendo a necessidade social, para garantir a autoridade da decisão condenatória.

Houve o entendimento da desnecessidade do Tribunal justificar a prisão preventiva. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 435 entendeu que não há como, na leitura do artigo 2836 do Código de Processo Penal, excluir outras formas de prisão não elencadas no citado artigo. 4 Esse entendimento já havia sido firmado nas Súmulas 716 e 717. Computa-se o tempo de prisão especial e o preso tem direito a todos os benefícios da execução penal. Enquanto o recurso está sendo discutido, há o cumprimento da execução da pena tendo direito à remissão por estudo, por trabalho e progresso de regime. Súmula 716 STF: “Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.” Súmula 717 STF: “Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em sentença não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão especial.“ 5 Mais informações disponíveis em: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=326754 ADC 43: http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=43&classe=ADC&origem=AP&recurso=0& tipoJulgamento=M 6 Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941, disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del3689.htm CPP: “Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da

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Ressalte-se, ainda, que medida de segurança e penas restritivas de direito somente são executadas após o trânsito em julgado. 2. Extinção da punibilidade.

Embora a punibilidade seja consequência do crime, o próprio Estado limita o seu ius puniendi, prevendo causas extintivas de punibilidade.

Após a prática do delito podem surgir situações que impedem a aplicação ou a execução da respectiva sanção. A punibilidade do fato cessa em razão de certas contingências ou por motivos de conveniência e oportunidade política. A anistia, o indulto, a graça (indulto individual), abolitio criminis ou contingências como a morte ou, nos crimes de ação penal privada, tem-se a decadência, a renúncia, a perempção, o perdão, situações em que a persecução está nas mãos do particular. Existe, também, o perdão judicial, como, por exemplo, aquele dado em um homicídio culposo ou em uma colaboração premiada. O fato típico ilícito culpável quando ocorre faz surgir concretamente o direito de punibilidade. Para que haja extinção da punibilidade, deve ter havido a punibilidade concreta. Salientar isso é importante para que não se confunda as causas extintivas de punibilidade com as escusas absolutórias (artigo 181 do Código Penal ou artigo 348, parágrafo 2º do Código Penal7), nem com as condições objetivas de punibilidade.

Escusas absolutórias são uma causa pessoal de exclusão da pena (afasta a própria punibilidade). O Estado renuncia ao poder de punir nesses casos e geralmente é vinculada a laços familiares.

Há também as condições objetivas de punibilidade. O crime tem sua punibilidade condicionada à ocorrência de um evento. Condição é um evento futuro e incerto. A pena do crime fica vinculada à ocorrência do evento e como exemplo, pode-se falar do artigo 1228 do Código Penal, que é induzimento ao suicídio. Se não houver morte nem lesão grave no induzimento ao suicídio, não se pune o agente. investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). § 1o As medidas cautelares previstas neste Título não se aplicam à infração a que não for isolada, cumulativa ou alternativamente cominada pena privativa de liberdade. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

§ 2o A prisão poderá ser efetuada em qualquer dia e a qualquer hora, respeitadas as restrições relativas à inviolabilidade do domicílio.“

7 Código Penal “Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em

prejuízo: (Vide Lei nº 10.741, de 2003) I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural.“ “Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão: Pena - detenção, de um a seis meses, e multa. § 2º - Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena.“ 8 Código Penal, Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

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Para a doutrina a condição objetiva de punibilidade não é elemento do tipo penal, mas condiciona a aplicação da pena e a pretensão punitiva fica obstada até que ocorra a condição. Há situações especiais, como por exemplo nos crimes tributários, conforme artigo 839 da Lei 9.430 de 1996. Quando o sujeito adere ao parcelamento (artigos 168 e 337-A da Lei 9.430/1996). A pretensão punitiva do Estado fica suspensa enquanto o sujeito está no programa de parcelamento, desde que antes do recebimento da denúncia. Artigo 83 é norma geral em relação ao tema.

3. Extinção da punibilidade.

Prescrição é a perda de uma pretensão pelo decurso do prazo estabelecido para seu exercício. No direito penal é a perda do direito de punir do Estado, punitiva ou executória10, pelo decurso de tempo, em razão do seu não exercício, dentro do prazo fixado pela lei.

O prazo prescricional está vinculado à gravidade do fato e é medido com a pena cominada em abstrato, conforme artigo 10911 do Código Penal.

Há crimes que são imprescritíveis como o racismo e ação organizada de grupos armados contra o Estado de Democrático de Direito.

Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave“.

9 Norma geral em relação ao tema. Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996, artigo 83 “§ 2o É suspensa a

pretensão punitiva do Estado referente aos crimes previstos no caput, durante o período em que a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no parcelamento, desde que o pedido de parcelamento tenha sido formalizado antes do recebimento da denúncia criminal. “ 10 Antigamente falava-se da prescrição da ação para a pretensão punitiva e prescrição da pena para a pretensão executória. 11 Código Penal, “Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o

do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se: (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010). I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze; II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze; III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito; IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro; V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois; VI - em dois anos, se o máximo da pena é inferior a um ano. VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010). Prescrição das penas restritivas de direito

Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de direito os mesmos prazos previstos para as privativas de liberdade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)“.

Referências

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