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A eficácia do inquérito policial na perspectiva de sua dispensabilidade

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SOCIEDADE – MACAÉ

DEPARTAMENTO DE DIREITO DE MACAÉ

COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO DE MACAÉ

MARIANA BITTENCOURT FERREIRA

A EFICÁCIA DO INQUÉRITO POLICIAL NA PERSPECTIVA DE SUA

DISPENSABILIDADE

Macaé 2019

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MARIANA BITTENCOURT FERREIRA

A EFICÁCIA DO INQUÉRITO POLICIAL NA PERSPECTIVA DE SUA

DISPENSABILIDADE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do título de Bacharel em Direito pela Universidade Federal Fluminense.

Orientador:

Prof. Pós-Dr.David Augusto Fernandes

Macaé 2019

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MARIANA BITTENCOURT FERREIRA

A EFICÁCIA DO INQUÉRITO POLICIAL NA PERSPECTIVA DE SUA

DISPENSABILIDADE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do título de Bacharel em Direito pela Universidade Federal Fluminense.

Banca Examinadora:

... Professor Pós-Doutor David Augusto Fernandes – SIAPE: 3061905

... Professor Doutor Camilo Plaisant Carneiro – SIAPE: 1949734

... Professor Mestre Francisco de Assis Aguiar Alves – SIAPE: 2957703

...

Nota:...

Macaé 2019

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DEDICATÓRIA

Aos meus pais, que antes mesmo de acreditar que eu chegaria aqui, eles acreditaram e sempre me impulsionaram quando pensei em desistir. Fica aqui minha tamanha gratidão e amor por vocês!

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradecer a Deus por mais um sonho realizado, me formar em Direito na Universidade Federal Fluminense. Eu confesso que chegar até aqui não foi fácil, com a graça de Deus, tive saúde e capacidade para concluir essa graduação. Algumas pessoas foram de suma importância para a minha vitória e não poderia deixar de agradecê-las.

Celina Maria, conhecida coloquialmente como minha mãe e melhor amiga, obrigada por ser minha fortaleza e me sustentar mesmo de longe nos meus dias difíceis em Macaé, obrigada por sempre me amar tanto e ser tão carinhosa, um dos motivos para eu ter tanta força de vontade para terminar essa faculdade é o seu sorriso. Carlos Alberto, o pai mais fofo desse mundo, você esteve comigo em todos os momentos da faculdade, da matrícula até os dias de avaliação, que eu ia estudando em voz alta no carro até a faculdade, desesperada. Obrigada por me apoiar tanto, sempre acreditar no meu potencial e nunca me deixar sozinha.

Ivo, o irmão mais implicante e fã, obrigada por ser meu exemplo de força de vontade e determinação; obrigada por dizer que ia dar certo quando eu tinha estudado pouco e achava que não ia passar na disciplina. Obrigada por me aguentar.

Amigos queridos, tanto aqueles que conheci através da UFF como aqueles que fiz no decorrer dos anos em Macaé, grata por todos os momentos de alegria e tristeza que vivenciaram comigo; guardarei vocês em meu coração.

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RESUMO

Este trabalho apresenta questões acerca do inquérito policial, indo da sua origem até sua eficácia prática nos dias atuais, além de abordar as controvérsias mais realçadas envoltas deste procedimento de cunho inquisitivo. Tomando por exemplos, fazer a análise da eficácia e dispensabilidade do inquérito perante o oferecimento da denúncia e o caráter questionável investigativo que o Ministério Público detém, criando o procedimento investigatório criminal, o qual é usado, porém na prática refeito através de inquéritos policiais que são presididos pela Polícia Judiciária. Ademais, conta-se com a coleta de dados através de entrevistas padronizadas com Autoridades Policiais da Delegacia de Polícia Federal de Macaé/RJ e com Procuradores lotados na comarca do mesmo local. Sendo observada e comprovada a eficácia do inquérito policial em âmbito federal, mesmo com apontamentos de melhora para instituto por parte dos entrevistados, além da análise comparativa com o procedimento investigatório criminal, identificando em sua maioria uma semelhança entre os procedimentos.

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ABSTRACT

This paper presents the questions about the police inquiry, going from its practical effectiveness in the present day, besides addressing the most highlighted controversies involved in this inquisitive procedure. Taking for example, make na analysis of the effectiveness and dispensability of the investigation in the face of the offer of the complaint and the questionable investigative character that the Public Prosecutor holds, creating the criminal investigative procedure, wich is used, but in practice redone through policeinvestigations that are chaired by the Judiciary Police. In addition, data collection through standardized interviews with Police Authorities of the Federal Police Station of Macaé/RJ and with Prosecutors based in the same area. Being observed and proven the effectiveness of the police investigation at the federal level, even with notes of improvement for institute by the interviewees, besides the comparative analysis with the criminal investigative procedure, identifying mostly a similarity between the procedures.

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LISTA DE ILUSTRAÇÃO

Figura 1 Gráfico da eficiência do inquérito, f.40

Figura 2 Gráfico sobre estudo acerca do inquérito e seus resultados, f.41 Figura 3 Gráfico sobre o condão investigativo, f.42

Figura 4 Gráfico acerca da dispensabilidade do inquérito policial, f.43 Figura 5 Gráfico sobre a eficácia do PIC, f.43

Figura 6 Gráfico sobre a instauração de inquérito através de PIC, f.44 Figura 7 Gráfico sobre a necessidade de existência do PIC, f.45 Figura 8 Gráfico sobre a produção de provas no inquérito policial, f.46 Figura 9 Gráfico sobre a fiscalização do PIC, f.47

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LISTA DE TABELAS

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 13 1.INQUÉRITO POLICIAL: ORIGEM E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS .... 15

1.1 ORIGEM DO TERMO INQUÉRITO POLICIAL ... 17 1.2 CARACTERIZAÇÃO DOUTRINÁRIA DO PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO ... 22 1.3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ENVOLTOS ... 24 1.4 EFETIVIDADE DO INSTITUTO ... 26

2.POLÍCIA JUDICIÁRIA E SUAS FUNÇÕES E ATIVIDADE ATÍPICA

INVESTIGATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO ... 29

2.1 PREVISÃO LEGAL E CONCEITO ... 29

2.1.1 A autonomia do Ministério Público no oferecimento da denúncia 33

2.2 CONTROVÉRSIAS ACERCA DA ATIVIDADE INVESTIGATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO ... 34 2.3 PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO CRIMINAL E SUA FUNCIONALIDADE ... 36 2.4 PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO CRIMINAL E INQUÉRITO POLICIAL: COMPARAÇÃO PRÁTICA COM O ESCOPO DE SABER QUAL É O MAIS EFICAZ E NECESSÁRIO A SE FAZER ... 37

3.ENTREVISTAS QUANTITATIVAS PADRONIZADAS COM DELEGADOS,

ESCRIVÃES DE POLÍCIA FEDERAL E PROCURADORES DA REPÚBLICA DA REGIÃO DOS LAGOS/RJ ... 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS...41

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...56 APÊNDICE A ...55

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INTRODUÇÃO

Primeiramente, cumpre ressaltar que o presente trabalho de conclusão de curso fora elaborado para obtenção do título de Bacharel em Direito pela Universidade Federal Fluminense. O mesmo abordará a eficácia do inquérito policial na perspectiva de sua dispensabilidade, será abordado da origem do termo até seu uso no direito processual penal brasileiro e todas as controvérsias que envolvem essa peça administrativa. Nota-se que a metodologia usada será a coleta de dados através de entrevistas padronizadas quantitativas e qualitativas com os membros da Polícia Judiciária de âmbito federal e também com aqueles que fazem parte do Ministério Público Federal da comarca de Macaé/RJ. Além de documentos oficiais de auditorias divulgados pela Polícia Federal anualmente.

O inquérito policial possui inúmeras características apontadas pela doutrina majoritária, uma em especial, é o seu caráter inquisitivo que faz lembrar remotamente dos tempos do Tribunal do Santo Ofício ou Santa Inquisição, uma vez que nesse período a pessoa que cometia algum delito de acordo com a legislação da época colonial não detinha o direito de ampla defesa ou contraditório; o que atribuiu ao inquérito policial um caráter negativo visto por juristas garantidores. Entretanto, sabe-se que o direito precisa adequar-se as mudanças da sociedade e assim notamos, atualmente, uma preocupação com a garantia dos direitos fundamentais; tendo um cuidado redobrado ao tornar um indivíduo investigado, e colher provas para então dar início a ação penal. Uma prova dessa preocupação é que a investigação não pode se alastrar pela eternidade, o inquérito tem um prazo de término, em plano federal 15 dias, com o investigado preso, e 30 dias, com o envolvido solto podendo, obviamente, ter tais períodos prorrogados por igual período desde que o juiz criminal autorize. É bom se atentar quanto ao tipo penal, caso esteja-se diante de um crime presente na Lei 11.343, aquela que pauta o tráfico de drogas o término da peça informativa de investigação é distinto; se o indivíduo suspeito estiver preso é de 30 dias e se estiver solto, 90 dias para a devida conclusão da investigação pela autoridade policial, também podem ser prorrogados; resguardando assim a dignidade da pessoa humana.

Essa peça informativa é o cerne do sistema acusatório adotado pela jurisdição criminal nacional, é importante salientar que esse termo “inquérito policial”

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apareceu na legislação brasileira com a edição da Lei nº2.033, de 20 de Setembro de 1871, regulamentada pelo Decreto-Lei 4.824, de 28 de Novembro de 1871, todavia, já existia o procedimento feito pelos inspetores de quarteirões ou também chamados de quadrilheiros, aqueles que auxiliavam os juízes de paz na época colonial brasileira, sem o uso da nomenclatura atual no Código de Processo de 1832, com as funções parecidas, todavia sem tamanha ligação com a Polícia Judiciária. Ao se ter a escolha do inquérito policial para fazer parte do complexo jurisdicional, o mesmo veio repleto de características valorosas, que devem ser interpretadas sistematicamente para se compreender o uso desse instituto. Por ser um documento oficial, como qualquer outro documento no direito brasileiro embasado no Civil Law, avista-se uma inevitabilidade de formalismo envolto de burocracias singulares.

De início, por ser formal, precisa ser escrito no léxico da língua portuguesa, onde qualquer diligência feita constará nos autos através de um documento intitulado como informação, sem contar que algumas delas, obrigatoriamente precedem de uma autorização emanada pelo juiz da vara criminal; o sigilo se faz presente nessa peça com o fim de se obter o melhor resultado da investigação através do resguardo dos dados coletados acerca do fato, atente-se o patrono pode fazer vista daquilo que já fora documentado no inquérito policial; o caractere da dispensabilidade, o qual é o mais debatido e questionado, ao se entender que o inquérito policial é dispensável para a propositura da ação penal, uma perda, por que um documento com ganho de provas na questão da comprovação da materialidade e na autoria tem que ser dispensável, contando ainda com o aparato da polícia técnico-científica aquela que produz laudos periciais para que se tenham resultados próximos da verdade real dos fatos, essas benesses carecem de reconhecença. Destarte, o inquérito policial deveria ser indispensável e até mesmo um pressuposto para o início da ação penal.

De acordo com a carta magna é de atribuição da Polícia Judiciária dar início a este procedimento, dar continuidade nas diligências necessárias e por fim tem-se a feitura do relatório conclusivo, com o escopo de descobrir a autoria delitiva e ver se a materialidade foi configurada no caso concreto, além de apresentar ao juiz, à luz do livre convencimento do mesmo, as diversas provas coletadas ao decorrer das investigações que podem auxiliar no juízo de valor tanto do representante do

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Parquet ao oferecer ou não a denúncia, como ao juiz no momento de proferir a sentença sendo absolvendo ou condenando. Ou seja, observa-se a tamanha importância que tem esse instrumento de investigação para a desenvoltura da persecução penal. Dificilmente, consegue-se identificar outra forma de investigação que coleta tantas provas e seja equivalente ao inquérito no que tange à eficiência, tomando por certo refletir quanto à questão de sua dispensabilidade.

O Ministério Público é uma instituição que em certas ocasiões dispensa o inquérito policial e até desenvolve uma investigação sua sem a devida fiscalização por um órgão externo, o chamado procedimento investigatório criminal, o qual se assemelha em muito ao inquérito policial, mas não se inicia na Polícia Judiciária, traz consigo diversas controvérsias e desdobramentos, uma vez que não existe uma lei que autorize o órgão fiscal da lei a realizar tal postura, esse detém conforme a constituição de 1988 preceitua a titularidade da ação penal. Ademais, no direito visto na prática é comum que o PIC elaborado pelo Ministério Público seja remetido as delegacias de polícia para que seja instaurado inquérito com a apuração dos mesmos fatos, um trabalho redobrado, de certa forma desnecessário e dando prejuízo ao erário público. Hoje, no direito positivado, o que existe para regimentar o PIC são instruções normativas com a sua origem nos conselhos superiores do próprio Ministério Público, são elas: resolução nº181, de 7 de agosto de 2017 do Conselho Nacional do Ministério Público e a resolução nº77/2004 do Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Verifica-se o órgão incumbido de fiscalizar o real cumprimento da lei, tendo uma conduta atípica de legislar, e concedendo a si mesmo poderes para cumular a atividade de investigar com a de culpar e deixando somente a de julgar a encargo do juiz togado. No sistema acusatório é preceito basilar a separação de quem irá investigar, quem irá culpar e por fim, quem irá julgar; em consonância com a questão da separação dos poderes de legislar, julgar e administrar presente no sistema de freios e contrapesos que se faz presente na república federativa do Brasil.Essa atitude do Ministério Público como um todo vem agregada de preocupação no que consiste no quesito de o mesmo se entender como uma mega estrutura e ter a liberdade de fazer tudo o que almeja sem a devida limitação e até mesmo fiscalização externa. A criação do procedimento investigatório criminal fora vista como uma usurpação da Polícia Judiciária, e feita para enaltecer e privilegiar essa

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instituição que deveria representar os interesses públicos e não querer ser a maior detentora de poderes no Judiciário brasileiro. Certamente ao se comparar o Parquet com a Polícia Judiciária, o primeiro não detém estruturalmente falando condições para investigar e produzir provas técnicas e específicas sobre o caso concreto; o que é evidente a perda que se tem para o devido andamento da persecução penal.

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INQUÉRITO POLICIAL: ORIGEM E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

1.1 ORIGEM DO TERMO INQUÉRITO POLICIAL

Com o advento do Estado Democrático de Direito 1 e a tipificação de certas condutas reprovadas pela sociedade, intituladas como típicas e assim classificadas crimes, viu-se a necessidade de se fazer a investigação criminal para apurar da melhor maneira possível quem era o autor e se realmente a conduta ocorrida confere com a tipificada no código penal vigente. Segundo Eduardo Luiz Santos Cabette em seu artigo científico “O papel do Inquérito Policial no Sistema Acusatório: o modelo brasileiro” (2019, p. 4) ao redor do mundo existem três modelos de investigação criminal mais utilizados, são eles: Juizados de instrução, modelos acusatórios e modelos usados nos países de Common Law. O sistema penal brasileiro adotou o sistema acusatório que tem por peça precípua o inquérito policial, todavia em contrapartida coloca o seu caráter dispensável para o funcionamento desse sistema, conforme visto no código de processo penal: “Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos necessários ao oferecimento da denúncia.”

O termo inquérito policial tem sua origem expressa na edição da Lei nº2.033, de 20 de Novembro de 1871, regulamentada pelo Decreto-Lei nº4.824, de 28 de novembro de 1871, tendo sua definição no artigo 42 como o procedimento que reúne todas as diligências necessárias para o descobrimento dos fatos criminosos, de suas circunstâncias e de seus autores e cúmplices, devendo ser escrito (NUCCI, 2016, p.95). É importante esclarecer que antes do surgimento desta nomenclatura em si já existia na prática tudo o que é feito no inquérito para apurar práticas criminosas, ações que se tornaram especializadas com a concretização do princípio da separação da polícia e da judicatura2; sendo primordial entender que no código de processo de 1832 certos dispositivos já eram encontrados acerca do

1 Definido na constituição de 1988 é aquele que assegura a todos os cidadãos os direitos

fundamentais em primeiro lugar, conta também com a tripartição dos poderes entre o Executivo, Legislativo e Judiciário.

2 Entendido como o princípio que distinguiu o que a Polícia efetivamente faz, principalmente no que

tange a proteção da sociedade da vis inquietativa que a perturba, e o que o Judiciário tem que fazer no sentido de garantir essa segurança aos detentores do poder soberano da democracia, o povo.

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procedimento informativo, mesmo sem o nomen juris (NUCCI, 2016, p.95). Esse procedimento era desempenhado, nesses tempos remotos, pelos inspetores de quarteirões, os quais auxiliavam os juízes de paz, figuras que compunham a segurança pública (GENOVEZ,2014). Para entender melhor as funções desse cargo, segundo Gilberto Freyre:

"(...) O cargo de inspetor, ou melhor, de oficial de quarteirão, foi instituído, em 1827, pela mesma lei que regulamentou as funções dos juízes de paz e, posteriormente, foi abolido pela lei de 6 de junho de 1831 - quando foram criados os postos de delegados. Estes, apesar da denominação, desempenhariam o mesmo papel de assistentes da polícia judicante. Mudava-se a denominação, mas as funções permaneciam praticamente as mesmas. Contudo, com a adoção do Código do Processo Criminal, em 1832, deu-se o inverso: o posto de delegado foi abolido e o cargo de inspetor de quarteirão foi introduzido, com qualificações e deveres redefinidos, no sistema de policiamento das vilas e cidades brasileiras. Os inspetores de quarteirão eram selecionados pelos juízes de paz entre a população dos distritos e, então, propostos à Câmara Municipal - que se encarregava da aprovação de seus nomes. Sendo considerados como 'uma autoridade na porta das casas', eles deveriam ser escolhidos entre os cidadãos maiores de 21 anos, que soubessem ler e escrever e que gozassem de boa reputação em seus quarteirões - não devendo, ainda, estarem qualificados para o serviço ativo da Guarda Nacional. Recebiam

uma parcela considerável de poder para coibir a prática de atos delituosos - zelando pelas propriedades e pelo sossego de todos aqueles que moravam em seu quarteirão. Para isso, como determinava o

Código de Processo Criminal (art. 12º, § 2º), eles tinham autoridade para efetuar prisões em flagrante, para admoestar e, até mesmo, caso não conseguissem resultado prático com as admoestações, para obrigar a assinar 'termos de bem viver” a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, viviam pelas ruas ofendendo os bons costumes e perturbando o sossego público, tais como: vadios, mendigos, bêbados, desordeiros e prostitutas. Diariamente, tinham a obrigação de enviar para os juízes de paz uma parte circunstanciada dos acontecimentos ocorridos em suas respectivas áreas de jurisdição. Em suma, os inspetores eram a primeira instância do policiamento em cada aglomerado urbano, fosse este uma vila ou uma cidade (...)'".(grifo nosso)

Segundo o doutrinador, Márcio Alberto Gomes Silva (2018, p.34), em consonância com a análise de outros doutrinadores como Aury Lopes Jr. e Ricardo Jacobson Gloeckner, o inquérito policial não é conceituado no código de processo penal de maneira precisa, o que se verifica é sua definição na interpretação sistemática de dois artigos do referido código. Fazendo-se necessário o vislumbre dos mesmos para se extrair o conceito deste procedimento.

Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº 9.043, de 9.5.1995)

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Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a

autoridade policial deverá:

I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)

II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias;

IV - ouvir o ofendido;

V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;

VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações; VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias;

VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes;

IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.

X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016).

O que se observa é uma definição através de todas as ações que uma autoridade policial deve tomar ao estar diante da prática de uma conduta típica seja ela noticiada ou flagrancial.

A persecução penal brasileira é feita através do Sistema Acusatório tendo como procedimento investigatório o inquérito policial, é nele que se tem a colheita de provas feita pela autoridade policial através das diligências sejam veladas ou não. Mister entender a Polícia Judiciária suas funções e até mesmo os que fazem parte dela, conforme preleciona a Constituição Federal de 1988:

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal;

II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis;

V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, estruturado em carreira, destina-se a:

I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;

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II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;

III - exercer as funções de polícia marítima, aérea e de fronteiras; IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.

§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, estruturado em

carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.

§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, estruturado em

carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.

§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.

§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil.

§ 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças

auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.

§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos

responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades.

§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à

proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.

Através do dispositivo legal consegue-se verificar que o presidente do inquérito policial é o delegado seja de Polícia Civil ou Federal, ou seja ele é autorizado por lei a exercer funções judiciais, outra legislação que ratifica seria o Pacto de São José da Costa Rica, também conhecido como Convenção Americana sobre Direitos Humanos, em seu Artigo 7º, item 5 (SILVA, 2018, p.23). O Ministério Público como fiscal da lei fica encarregado de após analisar os fatos apurados no inquérito policial oferecer a denúncia ou não, e mesmo sem o inquérito, é possível o oferecimento da denúncia e o início de uma ação penal pública incondicionada ou condicionada à representação, podendo ser visto no dispositivo da Carta Magna:

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:

I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;

II - zelar pelo efetivo respeito dos poderes públicos e dos serviços de

relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição,

promovendo as medidas necessárias a sua garantia;

III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;

IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição;

V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;

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VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;

VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da

lei complementar mencionada no artigo anterior;

VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;

IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.

§ 1º A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas

neste artigo não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na lei.

§ 2º As funções do Ministério Público só podem ser exercidas por

integrantes da carreira, que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do chefe da instituição.

§ 3º O ingresso na carreira do Ministério Público far-se-á mediante

concurso público de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua realização, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação.

§ 4º Aplica-se ao Ministério Público, no que couber, o disposto no art. 93.

§ 5º A distribuição de processos no Ministério Público será imediata.

(grifos deste trabalho)

Nota-se ainda neste dispositivo legal, no inciso quarto, que é o Ministério Público, o responsável pela fiscalização da atividade policial no que concerne a investigação de possíveis práticas de condutas típicas. É importante esclarecer como funciona o trâmite desse procedimento, o inquérito, geralmente fica perpassando da autoridade policial ao membro do MP, esta primeira presidindo a investigação através da feitura de diligências e reduzindo a termo as declarações dos possíveis envoltos ao caso e a segunda fiscalizando a atuação e solicitando, caso acha necessário, outras diligências. Para se diferenciar do sistema inquisitivo usado na Idade Média, o sistema acusatório não tem na mesma pessoa que julga a que investiga, mesmo não tendo o contraditório nessa fase preliminar, o juiz fica analisando se estão sendo cumpridas estritamente as normas ao se instaurar o inquérito e deferindo ou não as solicitações da autoridade policial e do membro do Parquet, um exemplo seria a intercepção das comunicações telefônicas e até mesmo o arquivamento que somente é solicitado pelo Ministério Público.

Mister abordar as possíveis formas de instaurar o inquérito policial, são elas: De ofício, quando o delegado ao tomar ciência da prática de um crime faz-se a instauração através de uma portaria por iniciativa própria no exercício de suas funções; requerimento do ofendido, quando através de uma peça formal, o indivíduo noticia um crime e solicita a investigação, a qual pode ser indeferida motivadamente

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pela autoridade policial; requisição do Ministério Público ou juiz, aquela que é nomeada como notícia de fato e por ser uma requisição do órgão fiscalizador da lei ou do principal personagem da jurisdição, o juiz, geralmente é acatada e se tem a instauração. Desta última, o delegado pode não concordar com a requisição e fundamentar sua decisão, claro baseada na lei, entretanto é comum na prática forense se fazer a instauração, são poucos os casos em que se tem a devolução feita via ofício ao promotor ou procurador.

1.2 CARACTERIZAÇÃO DOUTRINÁRIA DO PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO

A doutrina majoritária traz diversos adjetivos, mais tecnicamente, características do procedimento inquérito policial; as quais permitem que se compreenda este procedimento além de entender o seu escopo no sistema acusatório. Ou seja, o inquérito policial é administrativo, sigiloso, escrito,

inquisitivo, dispensável, elaborado pela polícia judiciária [...] (GOMES SILVA, 2018, grifo nosso). Ademais é tomado por ser temporário, sendo vedado por nossa legislação vigente a investigação ad aeternum3, tendo por aplicabilidade também por analogia e entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o princípio da duração razoável do processo4 (AGUIAR, 2016).

O que é compreendido por ser um procedimento administrativo, ao fazer uma breve comparação com o processo, evidencia-se que o inquérito está fora do âmbito judicial, o órgão estatal que fica responsável por ele está vinculado à Administração, o Poder Executivo, são tarefas de natureza administrativa; por isso que se entende que é uma fase pré-processual.

É sigiloso com o intuito de proteger e facilitar a investigação criminal e assim conseguir-se a verdade real 5, o artigo 20 do código de processo penal dispõe que “ A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.” Assegura esse sigilo para o presidente do

3 Uma expressão do latim que significa aquilo que não terá fim, que terá uma duração eterna.

4 Com a emenda constitucional nº45, de 8 de dezembro de 2004, incluiu-se no Artigo 5º da

constituição federal de 1988, o inciso LXXVIII, o qual ficou com a seguinte redação: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação” É de onde surge o princípio da duração razoável do processo, entendendo que para a economia e a celeridade, o processo não deva demorar um tempo exacerbado.

5 É aquela que advém do princípio da verdade real, o qual informa que no processo penal deve haver

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mesmo, deve-se contrapor criticamente esse sigilo com o direito à informação, principalmente, do advogado do investigado, o qual tem direito à vista dos autos para fazer a defesa do seu cliente conforme o estatuto da ordem dos advogados do Brasil; o ideal seria a proporcionalidade entre o sigilo, para que a sociedade fosse a beneficiada numa visão macro, e a proteção dos direitos fundamentais do investigado durante o curso das investigações.

No direito brasileiro, devido à adoção da Civil Law6, tudo que precisa ser devidamente documentado para que em algum momento futuro de litígio possam ser usadas como provas, não é que não se possa usar da verbalidade, mas essa tem-se uma maior dificuldade em se provar perante juízo. Sendo assim, o inquérito policial dentro das formalidades precisa ser escrito e o artigo 9º do código de processo penal corrobora com isso, “Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.”

O caráter inquisitivo ou também chamado de investigativo desta peça administrativa traz uma visão pejorativa para este, todavia essa característica vem desde sua originalidade e se faz de certa forma imprescindível. A questão é que não existe o contraditório, partes e nem defesa, pois não se tem uma ação penal ainda; não se tem uma audiência bilateral na qual o investigado se defende, evidencia-se que é permitido conforme o artigo 14 do código de processo penal que o investigado ou seu patrono junte documentos para auxiliar na comprovação de sua inocência. Urge deixar claro que mesmo com a supressão do contraditório por não estar na esfera judicial o delegado não pode ser arbitrário devendo seguir todos os mandamentos constitucionais, além de ter esmero na produção de provas para que não viole nenhum dos direitos individuais dos envolvidos, conforme afirma Márcio Alberto Gomes da Silva (2018, p.42).

É dispensável, e muito se discute sobre isso, a desobrigação da existência de ter um inquérito prévio para a propositura da ação penal; na legislação penal vigente, diversos dispositivos versam sobre a dispensabilidade desta peça, são eles: artigos 12,27, 39, § 5º e 46, § 1º, todos do código de processo penal. O membro do

6 O sistema jurídico em que sua principal característica é a utilização de normas escritas como

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Ministério Público se tiver peças de informação suficientes para dar início à ação penal, ele detém tamanha autonomia, o que se discute é que seria o inquérito a melhor peça para instruir a ação penal por conta do condão investigativo do seu presidente e maior probabilidade de produção de provas cabais. Contudo, não é o que se verifica, atualmente, o sistema jurídico admite com normalidade se eximir desta peça.

É a Polícia Judiciária, que fica na incumbência de feitura do inquérito policial seja civil ou federal, com o fim de perquirir a ocorrência de condutas típicas por parte dos cidadãos, componentes da sociedade. Na referência do próprio nome, percebe-se que esta polícia trabalha auxiliando a justiça como um todo, pois após essa investigação, os fatos são submetidos ao julgamento do Poder Judiciário. O ilustre doutrinador, Guilherme de Souza Nucci aponta que:

O nome polícia judiciária tem sentido na medida em que não se cuida de uma atividade policial ostensiva (típica da Polícia Militar para a garantia da segurança nas ruas), mas investigatória, cuja função se volta a colher provas

para o órgão acusatório e, na essência, para que o Judiciário avalie no futuro (2016, p.96).

Não se pode olvidar que a polícia militar fica envolta da questão de prevenção do acontecimento dos crimes e não se tem propriamente dito, o inquérito. 1.3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ENVOLTOS

As principais fontes do direito são as próprias leis, mais especificamente a Carta Magna, os costumes e os princípios que se firmaram com o decorrer do tempo no sistema jurídico, podendo estar ou não constitucionalizados. Mister abordar os princípios envoltos do direito penal e, principalmente, aqueles que estão presentes no instituto do inquérito policial. Por a lei ser a fonte mais considerável, começaremos com o princípio constitucional da legalidade aquele que traz a máxima de que não existe crime se não estiver previsto em lei, ou seja, para que alguma ação praticada pelo ser humano seja considerada uma conduta típica deve existir uma lei prévia versando e repreendendo, além de ter uma reprimenda moral por parte da população; o inquérito só pode ser instaurado seja por portaria ou auto de prisão em flagrante quando tiver uma incidência penal em foco, caso contrário, são

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se tem fundamento legal para tal instauração. O dispositivo legal correspondente desse princípio é o Artigo 5º, inciso II, da constituição federal de 1988.

O princípio da constitucional da proporcionalidade não positivado7 é aquele que faz a proporção entre os direitos e garantias individuais e os anseios da sociedade, para que nenhum desses seja mitigado em qualquer relação entre os aspectos públicos e privados. Voltando a esfera penal, esse princípio amolda o direito penal para que o mesmo seja proporcional, um exemplo seria na pena ser proporcional ao crime cometido, e até mesmo na postura da autoridade policial no decorrer de uma diligência como oitiva dos envolvidos, ou até no cumprimento de mandado de busca e apreensão; para que nenhum tipo de atitude autoridade e arbitrária aconteça e fira algum direito ou garantia fundamental.

Os crimes são punidos através de penas, sejam elas, restritiva de direitos e privativa de liberdade, além das multas; quem deve cumprir as mesmas é a própria pessoa que cometeu aquela determinada ação moralmente a juridicamente repreendida; a partir dessa máxima que temos o princípio da responsabilidade pessoal que está expressamente previsto na constituição federal de 1988 no Artigo 5º, inciso XLV:

Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;

Esse princípio também é denominado pela doutrina como princípio da personalidade ou da intranscedência da pena, entendendo que somente aquele condenado poderá cumprir com as devidas formalidades legais à sanção imposta pelo poder punitivo estatal.

Segundo Rogério Greco, havendo o falecimento do condenado ainda no período do cumprimento da pena, não poderá ser estendida a ninguém, observando o caráter personalíssimo da mesma. Entretanto, caso seja um caso de reparação de dano, não se obsta a herança do mesmo que fora transferida aos seus sucessores responder pelo pagamento das dívidas do falecido (2015, p.119).

7 É aquele que não está expressamente na legislação vigente, se convencionou com o tempo a

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O princípio do contraditório, o qual está relacionada com a ampla defesa, não está diretamente ligado e presente no inquérito policial porque no inquérito não se tem a abertura do investigado se defender propriamente dito, o que existe é a possibilidade de juntar aos autos do mesmo provas que corroboram com suas declarações reduzidas a termo e que num momento posterior auxiliaram para sua inocência, mas isso somente se virar uma ação penal. Observar-se-á uma relativização desses princípios na investigação preliminar. A não incidência desses princípios não significa a permissão da arbitrariedade nessa fase preliminar, até porque o princípio da dignidade da pessoa humana que é uma máxima trazida pela Carta Magna de 1988 inibe um possível autoritarismo estatal. Segundo Pedro Lenza, conceitua-se esse último princípio como:

Regra matriz dos direitos fundamentais, tema aprofundado no capítulo 14 deste estudo e que pode ser bem definido como o núcleo essencial do constitucionalismo moderno. Assim, diante de colisões, a dignidade servirá para orientar as necessárias soluções de conflitos (2015, p.1507).

É importante adicionar que este princípio é constitucional positivado e encontra-se previsto no Artigo 1º, inciso III da constituição de 1988. Com esse princípio, as autoridades policiais que presidem o inquérito policial devem sempre respeitar e resguardar as garantias e direitos individuais daquele que momentaneamente está sob investigação. Assim, reforçando as ideias basilares do Estado Democrático de Direito, temos como exemplo o direito de permanecer em silêncio, que o investigado pode exercer direito esse que tem um liame com o princípio da ampla defesa.

1.4 EFETIVIDADE DO INSTITUTO

Não se pode olvidar que o inquérito policial tem papel fundamental na persecução penal, é dele que se extrai elementos informativos comprobatórios para a instrução da opnio delicti 8do Ministério Público, o qual é titular da ação penal pública. Existe uma discussão no meio forense quanto à efetividade desse procedimento investigatório temporário por conta de levar em consideração sua tamanha burocracia e formalidade, o que traz à tona uma certa morosidade na

8 Trata-se de uma expressão em latim que versa sobre o formação de opinião através de certos

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apuração dos fatos considerados típicos e na sua comprovação de materialidade e autoria delitiva.

A atividade policial em sua natureza tem-se uma aptidão investigativa permitindo assim uma melhor colheita de informações sobre o fato delituoso, com o escopo de densificar uma futura ação penal e o próprio processo (SILVA, 2015). Tendo em vista os métodos investigativos mais desenvolvidos pelo corpo estrutural das polícias envolvendo a questão de perícias técnicas e até confrontação datiloscópica, atente-se a maior possibilidade de resultados positivos para a investigação.

Falar-se-á acerca dos resultados positivos dos inquéritos policiais no âmbito federal, ou seja, circunscritos à Polícia Federal, aquela que preza pelos bens e interesses da União. Consegue-se fazer uma análise através do Relatório de Gestão do Exercício da Polícia Federal do ano de 2017, o qual versa sobre os resultados e ações adotadas pela mesma no decorrer do ano. Sobre a eficiência do inquérito policial, basta vislumbrar a tabela de fls.5 apresentada no relatório, a qual descrimina a porcentagem de cada unidade da PF seja Superintendência ou Descentralizada da quantidade de inquéritos relatados com indicação de autoria somados aos relatados sem indicação de autoria por conduta atípica:

Tabela 1

Dados referente ao exercício da Polícia Federal em 2017 sobre os inquéritos (grifos nossos)

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Com essa tabela se constata que nenhuma das unidades tem um percentual abaixo de 60%, todas estão acima disso, o que demonstra uma eficiência por parte da Polícia Federal como um todo no tocante aos inquéritos, além de conferir a mesma o real comprometimento com os procedimentos então instaurados e a busca incansável pelos resultados práticos em prol da União e consequentemente em favor da população em sua totalidade. Ademais, o relatório apresenta o seguinte dado:

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O índice de resolutividade dos inquéritos relatados no período de 01/01/2017 até 31/12/2017 é de 72,74% (grifo nosso), sendo 44,10% para

inquéritos relatados em que houve elucidação da autoria e 28,64% para inquéritos relatados em que foi constatada uma das três situações seguintes: (1) não ocorrência de crime, (2) atipicidade da conduta, (3) falta de atribuição da PF para investigar o fato.

Para coadunar com o belo desempenho da Polícia Federal na presidência de seus inquéritos policiais e os positivos resultados dos mesmos, os quais resultam em milhões de reais devolvidos aos cofres públicos dos crimes de corrupção, indivíduos influentes economicamente e politicamente presos e o crescimento da credibilidade da instituição; tem-se a Revista da Associação dos Delegados de Polícia Federal - ADPF, ano 3, edição 4 referente ao mês de Outubro/Novembro/Dezembro; aonde se tem uma matéria que versa que 94% dos inquéritos da Polícia Judiciária Federal são resolvidos nas folhas 45 e 46 da mesma. Acerca disso deve-se salientar que com isso tem-se provada a marcante eficiência do modelo brasileiro de investigação. Segundo a matéria, o Conselho Nacional de Justiça – CNJ divulgou que 94,67% é a taxa de resolução dos inquéritos relacionados à corrupção, um número deveras relevante. Com o passar dos anos a Polícia Federal só vem crescendo quanto à resolução dos seus inquéritos podendo averiguar através do relatório de exercício anual, dados esses, que também constam na matéria da Revista da ADPF, a taxa de resolução de inquéritos foi de 74,7% em 2015, 72,3% em 2016 e 72,8% em 2017. O relatório de 2018 ainda está sendo validado pelo controle interno da PF, mas estima-se que tenha alcançado 74%. Isso significa dizer que em 74 de cada 100 inquéritos, a PF indica a autoria ou conclui não ter ocorrido a prática de crime, considerado um índice de respeito pelo presidente da Associação dos Delegados de Polícia Federal, Edvandir Felix de Paiva.

Entende-se por uma análise silogista que se a Polícia Federal vem, com o decorrer do tempo, ganhando brilhantismo, fora devido aos resultados benéficos de seus inquéritos demonstrando a importância e poderíamos dizer indispensabilidade do mesmo no cenário atual.

POLÍCIA JUDICIÁRIA E SUAS FUNÇÕES E ATIVIDADE ATÍPICA

INVESTIGATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO

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É através do pilar do sistema Civil Law, a constituição, que temos a previsão da Polícia Judiciária e todas as suas atribuições, tomando por referencial o Artigo 144 da Lei Maior, aonde se preceitua como função essencial a instauração de inquéritos policiais atribuídos à Polícia Civil e Federal, afastando o caráter ostensivo das mesmas. A Polícia Judiciária também detém certas funções além do inquérito, podendo ser classificadas como administrativas, que são a emissão de passaporte, autorizações de circulação de produtos químicos, concessão de porte ou posse de arma e emissão de certidão negativa criminal.

O Ministério Público é um ator de grande relevância no âmbito da investigação, por conta da fiscalização que exerce sob a investigação policial e num momento posterior, o de oferecimento da denúncia. Versar-se-á sobre o guardião da legislação positivada brasileira, o qual tem previsão no Artigo 129 da constituição de 1988, entendido como um rol exemplificativo, pois o mesmo pode exercer outras funções desde que compatíveis com sua finalidade (LENZA, 2015, p.1004).

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:

I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei

(grifo nosso);

II - zelar pelo efetivo respeito dos poderes públicos e dos serviços de

relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição,

promovendo as medidas necessárias a sua garantia;

III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;

IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição;

V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;

VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;

VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da

lei complementar mencionada no artigo anterior (grifo nosso);

VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;

IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.

§ 1º A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na lei.

§ 2º As funções do Ministério Público só podem ser exercidas por

integrantes da carreira, que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do chefe da instituição.

§ 3º O ingresso na carreira do Ministério Público far-se-á mediante

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dos Advogados do Brasil em sua realização, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação.

§ 4º Aplica-se ao Ministério Público, no que couber, o disposto no art. 93.

§ 5º A distribuição de processos no Ministério Público será imediata.

Acerca do Ministério Público cumpre-se saber que se tem o ligado à esfera federal envolto da União e o da esfera estadual. Esse primeiro, geralmente, está relacionado com as disposições do Artigo 109 da constituição, além disso, é dividido por matéria, entendendo ter aqui uma “justiça especializada”, tendo o Ministério Público Federal, o do Trabalho, o Militar, o do Distrito Federal e dos Territórios e o Eleitoral com suas particularidades. Salienta-se que no âmbito federal têm-se os procurados e no estadual, os promotores de justiça, membros esses que se preocupam em zelar pela legislação vigente brasileira e por trabalharem em prol da sociedade tem diversas garantias. Antes de falar sobre as garantias dos membros é importante abarcar as garantias do próprio Ministério Público, são elas: autonomia funcional, autonomia administrativa e autonomia financeira. A primeira trata-se de que esse órgão não deve se submeter nem ao Executivo, nem ao Legislativo e nem ao Judiciário; entendendo dever obediência somente à constituição vigente conforme visto na disposição legal:

Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. § 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa, podendo, observado o disposto no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por concurso público de provas ou de provas e títulos, a política remuneratória e os planos de carreira; a lei disporá sobre sua organização e funcionamento. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Nesse mesmo dispositivo consegue-se ver outra autonomia desta instituição, a administrativa, a qual abarca a questão do autogerenciamento que o Ministério Público detém que o próprio realiza a sua administração no tocante aos cargos e até sua política de remuneração. Ainda se tem a autonomia financeira, aonde existe a capacidade de elaboração da proposta orçamentária do órgão conforme a própria lei dita, no parágrafo terceiro do Artigo 127 da constituição, “O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias”.

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Os membros desta importantíssima instituição, para o andamento do cumprimento das leis, têm características marcantes que devem ser apontadas e abordadas, também poderíamos classificar como direitos preservados aos mesmos, de acordo com Pedro Lenza, são eles: Vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios (2015, p.1.000). Sobre o primeiro, entende-se que a perda do cargo só poderá acontecer após a sentença transitada em julgado conforme preleciona o Artigo 128, parágrafo 5º, inciso I, alínea “a”, “vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado”. A inamovibilidade diz respeito ao empecilho do membro ser removido ou promovido unilateralmente, caso não se tenha uma prévia solicitação ou sua anuência, existindo uma exceção que é a questão do interesse público prevalecendo sobre o privado que será de competência do Conselho Superior do Ministério Público 9decidir. Os membros do Parquet não terão a possibilidade de ter os seus subsídios diminuídos conforme visto na legislação vigente, “irredutibilidade de subsídio, fixado na forma do art. 39, § 4º, e ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 150, II, 153, III, 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)”. Nota-se o quão vantajoso e honroso é estar dentro daquele responsável por guardar e fiscalizar as leis e seus devidos cumprimentos.

Sobre a ótica da temática Penal é sabido que o Ministério Público é um personagem grandioso na ação penal, por ser em alguns casos o autor dela, após a análise do inquérito policial ou não, analisa-se se terá a ação penal em desfavor de algum cidadão; os dispositivos legais correspondentes são:

Art. 24 do Código de Processo Penal. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

Art. 100 do Código Penal. A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público (grifo nosso), dependendo, quando a lei o exige, de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).

9 Cúpula responsável por dispor acerca da organização, das atribuições e do Estatuto do Ministério

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Por ser o dominus litus da ação penal, o Ministério Público acompanha os trâmites e diligências do inquérito policial, de certo que em alguns momentos, solicita até feitura de alguma ação policial para se produzir uma prova determinante ao caso concreto, conforme previsto no código de processo penal.

Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial:

I - fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos;

II - realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público (grifo nosso);

III - cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias; IV - representar acerca da prisão preventiva.

Nota-se a tamanha presença e influência do Ministério Público na fase preliminar do inquérito policial, geralmente, o inquérito policial tramita entre esse primeiro e a polícia, de vez em quando vai ao juízo para que se tenha deferimento de algumas quebras de sigilo bancário ou até interceptação telefônica. É importante salientar que além de ter todo esse dinamismo com a peça administrativa investigativa, o Parquet atua como custos legis 10e observa criteriosamente se as autoridades policiais estão seguindo e cumprindo rigorosamente a lei. Com tamanha influência e relação com o inquérito policial, com o passar do tempo o MP passou a realizar investigações acercas das denúncias que chegavam ao órgão, sem buscar as autoridades policiais, e através de peças informativas já oferecem a denúncia se baseando na máxima da dispensabilidade do inquérito; o que cria controvérsias no mundo jurídico e deve ser abordada a questão do condão investigativo desempenhado pelos fiscais da lei, sobre essa atividade atípica têm-se as seguintes disposições legais: a resolução nº181, de 7 de agosto de 2017 do Conselho Nacional do Ministério Público e a resolução nº77/2004 do Conselho Superior do Ministério Público Federal, entretanto, nada fora compilado ao código de processo penal ou código penal acerca disso. Essa investigação presidida pelo membro do Ministério Público, segundo Erick da Rocha Speigel Sallum, guarda diversas semelhanças com o inquérito policial o que denota que não se teve uma inovação com a implantação do mesmo (2018, p.3)

2.1.1 A autonomia do Ministério Público no oferecimento da denúncia

10 Expressão que significa guardião da lei, fiscal da correta aplicação da lei e o verdadeiro defensor

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O autor da ação penal pública incondicionada, a mais comum, é o Ministério Público sendo o responsável por avaliar se deve ou não oferecer a denúncia ou solicitar ao juízo o arquivamento do inquérito policial, caso tenha, tendo por correspondente legal o artigo 39 do código de processo penal:

Art. 39. O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial. § 1º A representação feita oralmente ou por escrito, sem assinatura devidamente autenticada do ofendido, de seu representante legal ou procurador, será reduzida a termo, perante o juiz ou autoridade policial, presente o órgão do Ministério Público, quando a este houver sido dirigida. § 2º A representação conterá todas as informações que possam servir à apuração do fato e da autoria.

§ 3º Oferecida ou reduzida a termo a representação, a autoridade policial procederá a inquérito, ou, não sendo competente, remetê-lo-á à autoridade que o for.

§ 4º A representação, quando feita ao juiz ou perante este reduzida a termo, será remetida à autoridade policial para que esta proceda a inquérito.

§ 5° O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze dias. (grifo nosso)

Consegue-se verificar certa falta de importância atrelada ao inquérito policial feito pela autoridade policial mesmo entendendo o mesmo ser imparcial, e podendo trazer em seu bojo elementos acusativos ou defensivos acerca do suposto autor da infração (CABETTE, 2019, p.9) quando se compara com a independência do Ministério Público e a otimização da persecução penal, argumentada pelos defensores desta dispensabilidade da tão minuciosa fase pré-processual que muitas vezes poupa a mobilização do Judiciário, que através de sua apuração identifica condutas atípicas ou falta de provas para embasar uma acusação consistente (CABETTE,2019, p.14). De acordo com Guilherme Nucci, ocorre a dispensa da peça administrativa investigativa, quando são representadas pela realização de outros tipos de investigação oficial como sindicâncias, processos administrativos, inquéritos militares, inquéritos parlamentares e incidentes processuais (2016, p.112); o que não exime a eficácia do instituto caso seja feito.

2.2 CONTROVÉRSIAS ACERCA DA ATIVIDADE INVESTIGATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO

A legislação que fora tida como marco da redemocratização do Brasil, a Carta Magna de 1988, trouxe em seu seio um vasto poder conferido ao Ministério Público,

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o que fora alvo de crítica por diversos doutrinadores que intitularam esse órgão como uma superestrutura e até pontua-se a negativa quanto à separação dos poderes, que teve sua origem no ilustre, Montesquieu11 (SALLUM, 2018, p.4). Com isso, o Parquet passou a valer por si só, oferecendo a denúncia até mesmo sem a fase preliminar, ou se tendo podendo solicitar o arquivamento, e até mesmo realizando a conduta atípica de investigar, o que coaduna em um mesmo órgão a questão de acusar e investigar; o que de acordo com Eduardo Luiz Santos Cabette, levaria a um desequilíbrio desastroso da futura relação processual (2019, p.20).

Acerca disso, cumpre-se ressaltar que a legislação penal brasileira sabiamente criara distintos órgãos para desempenhar as funções de investigar e acusar, com o intuito maior de evitar a concentração de poderes nas mãos dos membros do Ministério Público, que em alguns países pode investigar além de acusar; e da Polícia Judiciária, que em algumas nações pode acusar além de investigar, conforme dita Henrique Hoffmann e André Nicolitt (2018, p.1).

O surgimento do Procedimento Investigatório Criminal consubstanciou a máxima de que o Ministério Público brasileiro vem se transformando em uma superestrutura com poderes quase ilimitados; de acordo com os doutrinadores nesta investigação não se tem a preservação de dois princípios incidentes na persecução penal, são eles: Princípio do delegado natural 12e o princípio de paridade de armas; ou seja, ao se tirar a investigação das mãos do delegado, o mesmo deixa de ser o presidente do inquérito policial, e o cidadão deixa de ter garantido o seu direito fundamental de ser investigado pelo próprio, além de ser essa figura que consegue possibilitar a paridade de armas, um equilíbrio na fase preliminar, sem a intervenção daquele órgão que acusará num futuro; caso a investigação já fosse feita pelo MP não teria essa situação equilibrada.

A problemática maior se circunscreve na remessa do PIC à Polícia Judiciária, para que esta última, o refaça em formato de inquérito, apurando novamente todos os fatos e gastando dinheiro público novamente, o que é nítido o prejuízo ao erário público. Segundo Guilherme Nucci, por a Polícia Judiciária não ser subalterna do

11 Doutrinador importantíssimo para a ciência política que no livro Do Espírito das Leis (em francês:

De l’esprit dês lois) elabora conceitos básicos de governo e versa sobre o exercício da autoridade política.

12 Princípio que é consagrado pela Lei nº12.830/2013 e elenca diversas funções sobre o encargo do

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MP, não sendo obrigada a instaurar os inquéritos; além de afirmar que as polícias não são depósitos de procedimentos investigatórios criminais malsucedidos; é o membro do MP que deve concluir tal investigação (2016, p.115). Acerca dessas ideias, Nucci afirma que “Se o Ministério Público tanto quis investigar sozinho, que o faça bem feito agora. Mas não tem sentido falhar e “determinar” que outra instituição, com a qual não possui vinculo de subordinação, prossiga de onde parou.” É, a partir disso, que se repara em um retrabalho no sistema jurídico vigente, o que não pode ocorrer ainda mais que já consideramos moroso, imagina fazendo de maneira dúplice uma investigação criminal.

2.3 PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO CRIMINAL E SUA FUNCIONALIDADE

O Ministério Público detém inúmeras autonomias, uma em especial no quesito de oferecimento da denúncia, sem necessariamente, ter uma prévia investigação feita pela autoridade policial. Caso, o representante do Parquet ache necessário, convencionou-se com o tempo a possibilidade da feitura de uma investigação presidida por este, o qual deverá concluí-la seja arquivando ou oferecendo a denúncia, baseando-se na resolução nº181, de 7 de agosto de 2017 do Conselho Nacional do Ministério Público e a resolução nº77/2004 do Conselho Superior do Ministério Público Federal. O procedimento investigatório criminal vem como uma investigação, sem interferência policial, que atribuiu ao MP um caráter investigatório; sua função é a partir da identificação da conduta típica, seja por denúncia anônima ou qualquer outro meio ao órgão (representações, requerimentos, petições e peças de informações), o mesmo poderá verificar os fatos fazendo essa análise minuciosa. Acerca disso, o Supremo Tribunal Federal vem com clareza ditar que essa direta investigação pelo MP é demarcada pela subsidiariedade e excepcionalidade. Conforme visto, o que o ministro Celso de Mello comenta:

“sempre sob a égide do princípio da subsidiariedade, destinadas a permitir, aos membros do “Parquet”, em situações específicas (quando se registrem, por exemplo, excessos cometidos pelos próprios agentes e organismos policiais, como tortura, abuso de poder, violência arbitrária ou corrupção), ou, então, nos casos em que se verifique uma intencional omissão da Polícia na apuração de determinados delitos ou se configure o deliberado intuito da própria corporação policial de frustrar, em razão da qualidade da vítima ou da condição do suspeito, a adequada apuração de determinadas infrações penais).”

Referências

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