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PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO CRIMINAL E SUA FUNCIONALIDADE

O Ministério Público detém inúmeras autonomias, uma em especial no quesito de oferecimento da denúncia, sem necessariamente, ter uma prévia investigação feita pela autoridade policial. Caso, o representante do Parquet ache necessário, convencionou-se com o tempo a possibilidade da feitura de uma investigação presidida por este, o qual deverá concluí-la seja arquivando ou oferecendo a denúncia, baseando-se na resolução nº181, de 7 de agosto de 2017 do Conselho Nacional do Ministério Público e a resolução nº77/2004 do Conselho Superior do Ministério Público Federal. O procedimento investigatório criminal vem como uma investigação, sem interferência policial, que atribuiu ao MP um caráter investigatório; sua função é a partir da identificação da conduta típica, seja por denúncia anônima ou qualquer outro meio ao órgão (representações, requerimentos, petições e peças de informações), o mesmo poderá verificar os fatos fazendo essa análise minuciosa. Acerca disso, o Supremo Tribunal Federal vem com clareza ditar que essa direta investigação pelo MP é demarcada pela subsidiariedade e excepcionalidade. Conforme visto, o que o ministro Celso de Mello comenta:

“sempre sob a égide do princípio da subsidiariedade, destinadas a permitir, aos membros do “Parquet”, em situações específicas (quando se registrem, por exemplo, excessos cometidos pelos próprios agentes e organismos policiais, como tortura, abuso de poder, violência arbitrária ou corrupção), ou, então, nos casos em que se verifique uma intencional omissão da Polícia na apuração de determinados delitos ou se configure o deliberado intuito da própria corporação policial de frustrar, em razão da qualidade da vítima ou da condição do suspeito, a adequada apuração de determinadas infrações penais).”

O PIC é até uma ferramenta fiscalizatória em consonância com os dizeres do ilustre ministro, no tocante aos “excessos cometidos pelos próprios agentes e organismos policiais”, pois não teria uma lógica embutida se a instituição envolvida se autoinvestigar. Essa prática de atuar como fiscal da lei, devido a condutas irregulares das autoridades policiais é um tanto quanto justificável e de certa forma mais que necessária.

Alguns doutrinadores apontam possíveis limites para esta investigação, são eles: excepcionalidade e subsidiariedade da apuração do MP; a prevalência da requisição da instauração de inquérito sobre a deflagração de investigação ministerial; a condução da investigação sob sua direção e até sua conclusão pelo membro do Parquet; a impossibilidade de bis in idem; a observância de princípios e regras que norteiam o inquérito policial; e respeito ao marco legal da investigação criminal no Brasil, principalmente. (NICOLITTI, André; HOFFMANN, Henrique. 2018).

A função e o resultado do procedimento investigatório criminal se assemelha e muito com o próprio inquérito policial, o resultado nem sempre é o melhor a se ter, por conta do Ministério Público não deter todo o aparato que a polícia técnico- científica tem. Todavia, se o membro do Ministério Público se propor a realizar uma boa investigação com diligências condizentes ao caso concreto e a devida produção de provas para se consubstanciar a materialidade delitiva e uma possível autoria, pode-se extrair da mesma resultados positivos.

O Supremo Tribunal Federal em um julgamento histórico, o do recurso extraordinário nº593.727, referendou que a ação investigativa do MP é lícita e pode ocorrer em determinadas situações, contempla-se essa regularidade no seguinte trecho:

“O Ministério Público dispõe de competência para promover, por autoridade

própria, e por prazo razoável, investigações de natureza penal, desde que

respeitados os direitos e garantias que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado, observadas, sempre, por seus agentes, as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas profissionais de que se acham investidos, em nosso País, os Advogados (Lei 8.906/94, artigo 7º, notadamente os incisos I, II, III, XI, XIII, XIV e XIX), sem prejuízo da possibilidade – sempre presente no Estado democrático de Direito – do permanente controle jurisdicional dos atos, necessariamente documentados (Súmula Vinculante 14), praticados pelos membros dessa instituição.” (grifo nosso)

Tal julgamento de repercussão geral iniciou-se no ano de 2008 e só foi se findar 10 anos depois, isso demonstra a grande complexidade do assunto de concessão do condão investigativo ao Ministério Público. De acordo com a ministra Rosa Weber no julgamento da medida cautelar na ação cível originária 2.833, São Paulo, a qual teve por autor o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei Maior concedeu ao Ministério Público a titularidade de ação penal e consequentemente a persecução penal, de forma implícita conferiu em conjunto os meios para desempenhar essa última, o que inclui a coleta de elementos informativos para a configuração da justa causa para a ação penal. Visto o posicionamento de certa forma favorável e não tanto subsidiário da Corte.

Sobre tal posicionamento alguns doutrinadores têm pensamentos severamente distintos classificando como “puxadinho hermenêutico” o que fora feito pelo STF, mas também uma legitimação de um mero capricho institucional do Ministério Público, o qual contraria até mesmo, normas constitucionais (ZANOTTI, Bruno; SANTOS, Cleopas. 2016). Em consonância, com o entendimento da Associação dos Magistrados Brasileiros, que se coloca contra a resolução nº181/2017 que discorre sobre a feitura de todo o procedimento investigatório criminal, conforme visto em notícia publicada no site do Supremo Tribunal Federal no dia 13 de outubro de 2017, os magistrados entendem que essa resolução pretende legislar, o que é considerado uma inovação em matéria penal e processual penal, e não deve acontecer.

2.4 PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO CRIMINAL E INQUÉRITO POLICIAL: