AS RELAÇÕES ENTRE
A VEGETAÇÃO E O MEIO FÍSICO
NO CERRADO PÉ-DE-GIGANTE
1 4 .
Ciclo do Carbono
H um berto R. da Rocha
Helbcr C. de Freitas
Rafael Rosolem
Rafael N. T annus
Robinson 1. N egró n -Ju árez
M arcos V. Ligo
Osvaldo M. R. Cabral
H um berto N. de M esquita Jr
C id o do C arbono
Interação da superfície
com a biosfera
0 ciclo do carbono é sua circulação fechada nos com partim entos da biosfera, atmosfera, hidrosfera e li tosfera. Na atm osfera há, principalm ente, dióxido de carbono (C02), que, mesmo em pequena proporção em relação ao carbono planetário (0,001%), é essencial à vida na Terra ao equilíbrio do clima. Denom ina-se de ciclo lento do carbono à circulação do carbono fixado nas rochas sedim entares e com bustíveis fósseis, que re tornam à atm osfera na escala de milênios, por meio de vulcanism o, erosão (fluvial) e extração. As trocas da biosfera e do oceano com a atm osfera form am o que se cham a de ciclo rápido do carbono. A concentração na atm osfera de alguns gases-estufa (que absorvem a radiação infra-verm elho termal), principalm ente o C02 e o m etano (CH4), aum entou de modo considerável, nas últim as décadas, como resultado do desbalanço entre as entradas e as saídas de carbono, devido à queim a de com bustíveis fósseis, ao desm atam ento e às queim a das de vegetação (Tabela 14.1), principais responsáveis pela observação do aquecim ento global nos últim os
100 anos (IPCC.2001).
São fortes os vínculos entre a atmosfera e a bios fera. 0 clima é um dos principais controladores do fun cionam ento e existência dos ecossistemas terrestres. A lguns dos elem entos climáticos, como a tem peratu ra e a precipitação, exercem notável controle na sua capacidade de absorver (ou de emitir) carbono da (ou para a) atm osfera. Os possíveis cenários previstos de alterações clim áticas para o próxim o século são mui to significativos para m odificar os hábitats de certas form as de vida e, conseqüentem ente, a própria biodi versidade. Ao mesmo tempo, as trocas de carbono da biosfera terrestre com a atm osfera mobilizam cerca de 15% do carbono atmosférico anualm ente, o que indica um a alta sensibilidade na modificação da concentração global. Na década de 1990, os ecossistemas terrestres foram responsáveis pelo sum idouro de aproxim ada m ente m etade da quantidade de carbono que aum enta a cada ano (Tabela 14.1). Esses argum entos introduzem um a linha de investigação científica conhecida como interação biosfera-atm osfera, que ocorre nas escalas local e regional, e produz efeitos em escala global.
Tabela 14.1. Fontes, sum idouros e ta x a de arm azenam ento de C02 (em PgC .ano'1 = GtC.ano-1). Os fluxos positivos indicam liberação para a atm osfera e os negativos, a rem oção de carbono da atm osfera. Fonte: adaptado de IPCC (2001) e Schimmel et al. (2001).
Fontes
Entradas (fontes) e saídas (sumidouros)
de carbono (para a) e (na) atmosfera.
Taxas de troca ou fluxos
Emissão po r com bustíveis fósseis/produção de cim ento fD esm atam ento, queim adas e m udanças no uso da terra Sum idouros Oceanos
Reflorestam ento, rebrota de florestas e im pactos de m anejo do solo no Hemisfério Norte
Reflorestam ento, rebrota de florestas e m anejo do solo no Hemisfério Sul
Líquido A um ento n a atm osfera
1,7 ± 0,8 -1,7 ± 0 ,5 -1,3 ± 0 ,9 -1,9 ± 1,3 3,2 ± 0,1 ■
CAPÍTULO !•! 191
Ciclo do C arbono j
Estimativa das trocas
Observações no Cerrado
ou fluxos de carbono nos
Pé-de-Gigante
ecossistemas terrestres
Coleta dos dados
Há duas formas principais de estim ar-se o fluxo de car bono entre a biosfera terrestre e a atm osfera. A prim ei ra baseia-se na biometria, por meio da medição dos estoques de carbono em intervalos espaçados de tem po (de meses a anos). Esse método avalia no cam po a quantidade de biom assa no ecossistema, m onitorando a variação da biom assa epigéia, a hipogéia, e o carbo no que existe no solo, em áreas de controle cham adas S de parcelas perm anentes (Adlard, 1990). G eralm ente são feitas algum as parcelas destrutivas, por onde se constroem as curvas de validação e extrapolação (com equações halométricas) particulares das espécies locais. Essas curvas serão aplicadas nas parcelas perm anentes para o m onitoram ento com o tempo. 0 segundo m é todo, cham ado microm eteorológico, estim a os fluxos e, portanto, a variação dos estoques, na form a de m o nitoram ento autom ático e em tem po quase real. Nesse m étodo, aborda-se a estim ativa dos fluxos de espécies quím icas - como o C02 e a água - , o calor ou ener gia térm ica, e outros gases (CH4 e com postos orgânicos voláteis) entre a superfície e a atm osfera. No caso do C 02, determ ina-se a quantidade de carbono assim ilada ou em itida por área unitária e por unidade de tem po. A técnica utilizada é denom inada de eddy correlation, ou correlação dos vórtices turbulentos, que, de form a simples, estima os fluxos médios a cada 30 m inutos, aproxim adam ente.
De forma simples, o método supõe que o ar logo acim a do dossel possa ser enriquecido de C02 origina do da emissão da superfície (respiração) ou, altern a ti vam ente, empobrecido, como resultado da assim ilação de C02 por fotossíntese. Em outras palavras, a con centração atm osférica de C02 acim a do dossel dim inui quando há fotossíntese e aum enta quando há respira ção, e o método contabiliza estes transportes de form a rápida. Uma discussão do método e sua utilização são reportados por Baldocchi (2003).
Os dados reportados foram obtidos em um a plataform a instrum ental autom ática no período de Io de novembro de 2000 a 15 de março de 2002, em sensores no solo e em outros fixados num a torre instrum ental de 21 m de altura (Figura 14.1). Os sensores de tem peratura e um idade do ar foram controlados por um datalogger CR10X (Campbell Systems), com aquisição a cada 15 segundos e gravação das médias de 10 minutos. Os flu xos atm osféricos de C02 foram estim ados com um sis tem a de eddy correlation, utilizando um anem óm etro sônico (Gill Solent R2A) e um analisador de H 20/C02 (freqüência de aquisição de 5 Hz) LiCor-6262 (Figura 14.1). Outros detalhes de posição da plataform a instru m ental e da im plantação de sensores são descritos no Capítulo 4.
F igura 14.1. Esquema da estrutura e com ponentes de um sistem a de eddy correlation para medição autom á tica dos fluxos de C02, água e calor na interface dos- sel-atm osfera.
Ciclo d o C arbono
A respiração edáfica foi medida utilizando-se um a câm ara de solo com analisador EGM-2 (PP-Sys- tems, UK) sobre 17 colares de PVC (diâmetro de 10 cm), instalados perm anentem ente próxim oS à torre e m onitorados com freqüência sem anal. Em cada colar am ostrou-se a tem peratura a 1 cm do solo ju n to com a m edida de respiração.
Respiração edáfica
As tax as de respiração edáfica médias em cada evento variaram entre, aproxim adam ente, 1,5 e 8,5 pm ol C02. m '2.s-1, com um padrão que acom panhou a sazonali- dade, conform e sugere a Figura 14.2. D urante a estação seca, as emissões são consideravelm ente m enores que n a estação chuvosa. Nota-se que, a partir do início de setem bro até o início de janeiro, há tendência crescente de aum ento, quando, então, a série se to rn a estacioná ria. Outras duas particularidades diferenciam a estação seca da chuvosa: a variabilidade intra-sazonal, mais reduzida, e a própria variação entre as m edidas durante um dia de coletas (representada pelo desvio-padrão), tam bém m aior na estação chuvosa. A m édia ao longo de todo o período foi de 4,8 ± 2,2 pm ol.m 2.s_1. Uma síntese com parando emissões similares em outros ecos sistem as tropicais é m ostrada na Tabela 14.2.
Verifica-se que, no Cerrado Pé-de-G igante, a respiração edáfica está acim a das m édias em pastagens bem m anejadas e abaixo das florestas tropicais úmidas. Esses dados são discutidos em Rocha et al. (2002).
F igura 14.2. Variação no tempo das medidas de respi ração edáfica no Cerrado Pé-de-G igante entre fevereiro de 2001 e abril de 2002. Os valores são médias diárias por evento de coleta (dia) (com o respectivo desvio-pa drão entre as m edidas espaciais nos colares) em pmol C0,.m"2.s ']. 12 11 - 1 0- 9
s r
' V)
O c ifü <Nu> o
£ y
*5. o
& *
Q. s—* 7 -6 5 4 3 -2 -1m
I
r r r i I I ' T I I 11 11 i 1 1 | I I I 1 1 1 1 1 i 1 1 1 1 1 i | f i i 1 1 1 1 | 1 1 1 1Fev Abr Jun Ago Out Dez Fev Abr
2001 2002
Tabela 14.2. Observações de respiração edáfica média utilizando-se câm ara de solo em vários ecossistemas no Brasil. Fontes: (1) Fan et al. (1990); (2) Trum bore et al. (1995); (3) Meir et al. (1996); (4) Davidson et al. (2000; (5) Rocha et al. (2002).
CAPÍTULO 14 193
Ciclo do C arbono |
O padrão de respiração m ostrou-se m uito associa do à variação da tem peratura e à um idade do solo. Na transição da estação seca para a chuvosa, o padrão de respiração sugere estar em fase com a elevação da tem p eratura e da umidade. Associado ao aum ento de tem peratura do solo, que variou sazonalm ente entre 15° e 25° C, observou-se um crescim ento, na m esm a fase, das tax as de respiração (Figura 14.3a), ocorrendo o mesmo com a um idade do solo (Figura 14.3b). A sensibilidade à um idade do solo, entretanto, parece tornar-se menos evidente a partir de janeiro. Essa noção de correlação
da respiração com uma variável física é m elhor visu alizada nas Figuras 14.4a-b: o padrão com a tem pera tura aparece na forma de um ajuste exponencial; com a um idade sugere apenas um a proporcionalidade di reta. 0 tipo de solo na Gleba Pé-de-G igante, bastante arenoso, aparenta ser tam bém um condicionante desse padrão. Nos solos arenosos a drenagem é muito rápida, e pouca vezes perm anecem saturados durante longo tempo. A lim itação da aeração e, em conseqüência, da respiração, não ocorreria durante as condições de alta umidade.
F ig u ra 14.3. Medidas de (a) respiração edáfica média (linha verm elha, em pm ol CO ^m ^.s'1) e tem peratura do solo a 1 cm (linha preta, em °C) no Cerrado P é-de-G igante entre fevereiro de 2001 e março de 2002; (b) idem, para a um idade volum étrica do solo a 20 cm (linha preta, em m3.m"3).
10-i
1111 | i M11 rr| 111111111111111111111111 ri 111
(a)
Fev Abr Jun Ago 2001
Out Dez Fev Mar 2002
(b)
Fev Abr Jun Ago Out Dez Fev Mar
2001 2002
F igura 14.4. Relação entre os valores médios de respiração edáfica média (em pmol C02.m"2.s_1) e (a) tem peratura do solo a 1 cm (em °C), (b) um idade volum étrica do solo a 20 cm (em m3.m~3), no Cerrado Pé-de-G igante entre fevereiro de 2001 e março de 2002.
o
8
«■
O■3.
<u n. w <ü w N E (N O yo
E
zLO
O C !fU <Nu> o
£ y
ã o
S “
Cl —^ I I T I I I I I I T'"l 7" I I 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 Temperatura do solo 1 cm (°C) 1 0 —I 9 -8 7 -6 -5 4 - 3 - 2- 1 -0
*•1 0.03 0.05 0.07 0.09 0.11 0.13 U m idade do solo 2 0 cm (n r * rrr3 )(a)
(b)
194 C APITULO 14 I Ciclo d o C arbono
Fluxo totol
de
C02 no ecossistema
As estações seca e chuvosa durante o ano de 2001 na Gleba Pé-de-G igante foram bem definidas quanto à distribuição de precipitação, tem peratura do ar e um i dade do solo (vide Capítulo 4). Esse padrão é fu n d a m ental para se entender a variabilidade dos fluxos de carbono no cerrado, tanto na escala do ciclo diurno, como sua variação em alguns períodos específicos do ano. Entre m eados da estação chuvosa até o seu final (Io de fevereiro a 10 de abril), observa-se no ciclo diur no um forte contraste da assim ilação durante o dia e da em issão durante a noite (Figura 14.5a). F uncionalm en te, esse padrão correlaciona-se com a oferta de energia solar, tem peratura e um idade do ar (Rocha et a l, 2002). Nesse segm ento de dados, observam -se os m áxim os de fixação total entre -10 e -3 0 pm ol C02.m~2.s '1. Por ou tro lado, os valores noturnos, ao redor de 5 e 7 pmol. C 02.m"2.s"1, exem plificam tipicam ente como as taxas positivas de emissão ocorrem à noite.
Na transição da estação chuvosa para a seca (abril-junho) (Figura 14.5b), a fixação diurna é redu zida (em valores absolutos) substancialm ente, ficando entre « -5 e -1 8 pm ol C 02.m '2.s~1, assim como os v a lores noturnos, abaixo de 5 pm ol C 02. n r 2.s"1. Essa v a riação sazonal vai de encontro ao início da perda das folhas p o r várias espécies da vegetação do cerrado, à redução da tem peratura do ar média diária, à redução das chuvas e, em conseqüência, ao deplecionam ento da um idade do solo. Com o avanço da estação seca (Figura 14.5c), observou-se que o ecossistema ainda fixa um a pequena quantidade de C02 durante o dia, o que seria a resposta de algum as árvores que continuam a fazer fotossíntese, ou seja, folhas verdes ativas em parte das espécies. Observou-se que a evapotranspiração, nessa ocasião, foi de ~ 1 m m .dia"1 (vide Capítulo 4), o que reforça o indício de abertura estom ática em parte das folhas do ecossistema. 0 que se observa no início da es tação chuvosa (Figura 14.5d) é um padrão que começa a recuperar aqueles do início do ano (Figura 14.5a).
0 balanço total diário é calculado como a som a dos valores de 30 m inutos para cada dia. Nesse p a drão, distingue-se com mais clareza a funcionalidade do ecossistem a como fonte (ou sum idouro) de carbono
para a (ou da) atm osfera na escala anual (Figura 14.6). No período diurno (de 6h às 18h no local), o ecossiste m a assim ila durante o dia de forma variável, entre zero (alta estação seca) até 60 kg C.ha"1.dia"1, ao longo de todo o ano. Por outro lado, durante a noite, a emissão varia entre 5 e 20 kg C .h a ^ .d ia '1 na escala anual. Nos balanços diários, que são a som a dos valores noturno e diurno, pode-se, finalm ente, ter um a perspectiva in tegral da sazonalidade dos fluxos. A metodologia de eddy correlation m ostra, em algum as ocasiões, tendên cias de superestim ar-se a assimilação total diária por subestim ar os fluxos noturnos, o que requer a aplicação de filtros (Rocha et a l, 2002). Os picos de assimilação diurna da ordem de 60 kg C .h a'1.d ia '1 (Figura 14.6) es tão provavelm ente superestim ados em até 20°/o. Rocha
et a l (2002) discutem essa correção e apontam para v a
lores mais realistas. Os valores predom inantes durante a estação chuvosa aparecem com m aior freqüência de ocorrência na faixa de 30 kg C.ha"1.d ia '1, que refletem, com m aior realidade, essa com ponente (Figura 14.6). 0 fluxo total, ou troca líquida do ecossistema, dim i nui, de form a progressiva, ao longo da estação seca até to rn ar-se sistem aticam ente positivo durante os meses de ju lh o a outubro. Nessa ocasião, as taxas de emissão tam bém são relativam ente variáveis, abaixo de 30 kg C.ha"1.d ia '1.
Conclusões
0 fluxo de carbono no ecossistema é conseqüência do tipo de vegetação e das propriedades fisiológicas em seu próprio mecanism o de fotossíntese (como se dife renciam , por exemplo, as plantas C3, C4 e MAC), além da condição em que se encontra o ecossistema (em su cessão secundária ou clímax, por exemplo), da v aria bilidade clim ática interanual (um ano mais quente ou mais frio do que a média, mais chuvoso ou mais seco - incluindo-se aqui a própria distribuição da chuva ao longo da estação), dos eventos extremos de geada e estiagem, entre outros.
Os dados aqui reportados sugerem alguns aspec tos de sazonalidade e funcionalidade do ecossistema, úteis para o entendim ento da funcionalidade ecológica
CAPÍTU1.0 14 195
Ciclo do C arbono
w-Esssfw&i&sissig
F igura 14.5. Medidas de fluxos de C02 (em pm ol C02.m‘2.s''), calculadas como médias de 30 m inutos no sítio expe rim ental do Cerrado Pé-de-G igante durante o ano de 2001, nos períodos de (a) 01/02 a 10/04, (b) 11/04 a 15/06, (c)
16/06 a 10/10 e (d) 11/10 a 03/12.
01 Fev-1 0 Abr 11 A br-15 Jun 16Jun~ 10 0 u t 11 0 u t-0 3 Dez
30 20 10 — I
0 •
r
•10 — •20 — •30 -40T T n r m 1 r
■fi I iti I |-i"i I m I 0 3 6 9 12 15 18 21 24 0 3 6 9 12 15 18 21 24Hora local Hora local
(a)
(b)
T m ttti I I I I I I I P " | r y i I I I I I I I I r rp r n
0 3 6 9 12 15 18 21 24 0 3 6 9 12 15 18 21 2<
Hora local Hora local
(c)
(d)
Figura 14.6. Medidas diárias de fluxos de C02 (em kg C .h a^.d ia'1), calculadas como a som a das médias de 30 m i nutos no sítio experim ental do Cerrado P é-de-G igante no período diurno e noturno (gráfico superior) e como totais diários (gráfico inferior) durante o ano de 2001.
o .2
c -
_
.5 ■«
"DO <->
o 303
20 - 10 -0
--10 1 -20 - -30 - -40 - -50 - -601
-70 - 80 -30 n 20 -10-0
--10=
-20 - -30 - -40 ~ -50 - -60 - -70 - -80 noturno diurnoi
Id J
n
I 1 I ' I 1 H . I -r T r f -r I 1 I
I 1 I 1 I 1 I
1 9 6 1 c a p í t u l o i 4
I Ciclo do Carbono
do cerrado no Brasil, particularm ente na Região Su deste, onde até então se desconheciam quantificações dessa natureza (Rocha et ah, 2002). Em outras regiões, como no Centro-Oeste, há medidas que indicam um p a drão sem elhante de fixação e emissão ao longo do ano (Miranda et a i, 1997, Vourlitis et a l, 2001).
Conhecer o ciclo do carbono no biom a do cer rado de forma quantitativa e em com binação com o clima é parte de um a com plexa estratégia de investi gação científica. Irá revelar como o cerrado, em suas diversas formas fisionômicas, com porta-se do ponto de vista evolutivo. Em outras palavras, como esse biom a poderia potencialm ente m igrar para outras regiões, em casos de m udanças clim áticas, ou ser substituído por outras formas de vegetação, o que significaria, em ú lti m a instância, a questão de sua adaptação e vulnerabili dade diante de tantas am eaças trazidas pelo hom em na forma de desm atam ento, além das próprias oscilações naturais do clima.
Referências Bibliográficos
ADLARD, P. G. 1990. Procedures for monitoring tree growth and site change. Tropical Forestry Papers, No. 23. Oxford Forestiy Institute, Department of Plant Sciences, Univer sity of Oxford.
BALDOCCHI, D. E. 2003. Assessing the eddy covariance te chnique for evaluating carbon dioxide exchange rates of ecosystem: past, present and future. Global Change Bio logy, 9: 479-492.
DAVIDSON, E. A.; VERCHOT. L. V.; CATTANIO, J. H.; ACKER MAN, I. L. & CARVALHO, J. E. M. 2000. Effects of soil water content on soil respiration in forests and cattle pas tures of eastern Amazonia. Biogeochemistry, 48: 53-69. FAN, S. M.; WOFSY, S .C.; BAKWIN, P. S. & JACOB, D. J.
1990. Atmosphere-biosphere exchange of C02 and 03 in the central amazon forest. Journal of Geophysical Rese arch, 95(D10): 16851-16864.
IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change) 2001: Synthesis report. Watson, R.T. and the core writing (Eds). IPCC, Geneva, Switzerland, pp 184.
MEIR, P.; GRACE, J.; MIRANDA, A. & LLOYD, J. 1996. Soil respiration in a rainforest in Amazonia and in Cerrado in Central Brazil. In: GASH, J.; NOBRE, C.; ROBERTS, J. & VICTORIA, R. (eds.) Amazonian Deforestation and Clima te. p. 319-329.
MIRANDA, A. C.; MIRANDA, H. S.; LLOYD, J.; GRACE, J.; FRANCEY, J. A.; MCINTYRE J. R.; MEIR, P.; RIGGAN, P.; LOCKWOOD, R. & BRASS, J. 1997. Fluxes of carbon, w a ter and energy over Brazilian cerrado: an analysis using eddy covariance and stable isotopes. Plant, Cell and En vironment, 20: 315-328.
ROCHA, H. R.; FREITAS, H. C.; TANNUS, R. N.; JUÁREZ, R. I.; ROSOLEM, R.; CABRAL, 0. M. R. & LIGO, M. V. 2002. Measurements of C02 exchange over a woodland sa vanna (cerrado Sensu stricto) in southeast Brasil. Biota Neotropica,V2(l)..
SCHIMEL, D. S.; HOUSE, J.; HIBBARD, K.; BOUSQUET, P.; CIAIS, P.; PEYLIN, P.; BRASWELL, B.; APPS, M.; BAKER, D.; BONDEAU, A.; CANADELL, J.; CHURKINA, G.; CRA MER, W.; DENNING, A.; FIELD, C.; FRIEDLINGSTEIN, P.; GOODALE, C.; HEIMANN, M.; HOUGHTON, R.; MELILLO, J.; MOORE, B.; MURDIYARSO, D.; NOBLE, I.; PACALA, S.; PRENTICE, I.; RAUPACH, M.; RAYNER, R.; SCHOLES, P.; STEFFEN W. & WIRTH, C. 2001. Recent patterns and me chanisms of carbon exchange by terrestrial ecosystems. Nature, 414: 169-172.
TRUMBORE, S. E.; DAVIDSON, E. A.; CAMARGO, P. B.; NEPS- TAD, D. C. & MARTINELLI, L. A. 1995. Below ground cycling of carbon in forests and pastures of eastern Ama zonia. Global Biogeochemical Cycles, 9: 515-528. VOURLITIS, G.; PRIANTE FILHO, N.; HAYASHI, M. M. S.; NO
GUEIRA, J. S.; CASEIRO, F. T. & CAMPELO Jr, J. H. 2001. Seasonal variations in the net ecosystem C02 exchange of a mature amazonian transitional tropical forest (Cerra- dão). Functional ecology, 15: 338-395.