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Relatório de actividade profissional conducente ao grau de Mestre em Gestão

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Academic year: 2021

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ESCOLA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA, SOCIOLOGIA E GESTÃO

RELATÓRIO DE ACTIVIDADE PROFISSIONAL CONDUCENTE AO GRAU

DE MESTRE EM GESTÃO

Trabalho efetuado por: Jorge Afonso Gonçalves Louro sob a orientação de: Profª. Doutora Carmem Teresa Pereira Leal

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II

Resumo e palavras-chave

Resumo:

Formado em Gestão iniciou a actividade profissional na área de contabilidade e consultoria a empresas nas áreas da gestão, contabilidade e fiscalidade. Desenvolve, há cerca de 2 anos, as funções de controlador de qualidade da OTOC. Desenvolveu vários trabalhos de peritagem contabilística extrajudicial para entidades privadas. A peritagem contabilística e fiscal em Portugal: enquadramento teórico e a apresentação de um caso prático. O papel dos peritos na investigação, e no apoio à tomada de decisões, em casos de fraude e conflitos de interesses.

Palavras-chave: Peritagem, Contabilidade, Fiscalidade, TOC, ROC

Abstract:

With a degree in Management started his profissional career in accounting and management consulting. Since about 2 years ago up to now develops his activity as an OTOC quality controller. Has also been developing several works in accounting expertise for private entities.

Accounting and tax expertise in Portugal: theoretical framework and presentation of a case study. The role of accounting expertise in fraud investigation and decision support.

Keywords: Audits, Accounting expertise, Taxation, Accountancy, Accountant, Forensic Accounting,

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Abreviaturas

AIP Associação Industrial Portuense

ANJE Associação Nacional de Jovens Empresários

APOTEC Associação Portuguesa de Técnicos de Contabilidade CGA Caixa Geral de Aposentações

CIRC Código Imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas CIRS Código do Imposto sobre o rendimento das pessoas singulares CIVA Código do Imposto sobre o valor acrescentado

CPC Código do Processo Civil

CPPT Código do Procedimento e do Processo Tributário DR Demonstração de resultados

EIM Empresa Intermunicipal ERP Enterprise Resource Planning

IES Declaração anual de Informação Empresarial Simplificada IMT Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis IPSS Instituição Particular de Solidariedade Social

IRC Imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas IRS Imposto sobre o rendimento das pessoas singulares IVA Imposto sobre o valor acrescentado

LDA Limitada

LGT Lei Geral Tributária

MOD 22 Declaração de rendimentos modelo 22 NBC Normas Brasileiras de Contabilidade NCRF Normas contabilísticas e de relato financeiro OTOC Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas PME Pequena e Média Empresa

POVT Programa Operacional Valorização do Território ROC Revisor Oficial de Contas

RSU Resíduos Sólidos Urbanos

SIGE Sistemas Integrados de Gestão Empresarial SIPART Sistema de Informação das participações do estado SNC Sistema de Normalização Contabilística

TOC Técnico Oficial de Contas

UTAD Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

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IV

Índice

1 – Introdução 1

2 – Percurso profissional e curricular 3

Habilitações académicas 3 Experiência profissional: a) Período de 1997 a 1999 5 5 b) Período de 1999 a 2003 6 c) Período de 2003 a 2010 8 d) Período de 2010 a 2012 12

3 – Peritagem contabilística e fiscal 17

1 – Conceitos: peritagem contabilística e peritagem fiscal 17

2 – Peritagem e auditoria 20

3 – Peritagem contabilística 21

3.1 – Tipos: Judicial, Extrajudicial e Arbitral 22

3.2 – A peritagem no Código do Processo Civil 22

3.3 – O perito no Tribunal Arbitral 26

4 – Peritagem fiscal 26

4.1 – Os peritos na Lei Geral Tributária 27

5 – Metodologia e Normas (as normas brasileiras) 6 – Conclusão

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4 – Peritagem contabilística extrajudicial. Um caso prático 39

A. Introdução 40

B. Identificação do processo e das partes 41

D. Metodologias adotadas 42

E. Questões em apreciação 46

F. Resposta às questões em apreciação 46

G. Conclusões 57

H. Calendário, local e meios utilizados 58

I. Identificação da equipa de peritagem 59

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1 – Introdução

O percurso profissional do candidato centrou-se nas áreas contabilísticas e fiscais. Nesse sentido a consultoria a empresas e a execução de contabilidades foram as actividades basilares e primordiais no seu percurso profissional e as áreas em que, sobretudo, desenvolveu as suas competências.

Não obstante ter desenvolvido outras actividades, ao longo do tempo, certo é que, nos últimos anos, por força de oportunidades de trabalho ao nível da realização de peritagens para entidades privadas, e no âmbito da sua actividade de controlador de qualidade da OTOC, tem desenvolvido competências ao nível de peritagens e actividades que se caracterizam pela prestação de informações e esclarecimentos, investigação e trabalho de campo no âmbito das suas competências profissionais a diversos níveis: contabilísticos, fiscais, gestão, etc..

Ao entrar em contacto com esta temática foi possível perceber a falta de enquadramento legal e técnico para o desenvolvimento da mesma.

A atividade de perito, conforme se descreve melhor nos textos que se seguem, pode ser desenvolvida em diversos formatos e para várias entidades, sejam públicas ou privadas.

Apesar de não existir um enquadramento legal em Portugal para esta actividade, o candidato tem identificado boas oportunidades de trabalho e tem investido no desenvolvimento de competências e conhecimentos na área.

A recente crise financeira mundial e os mais que muitos escândalos e fraudes financeiras que enchem os jornais, tanto em Portugal como em todo o Mundo, quase diariamente, estão a promover e a enfatizar o papel e a necessidade de recorrer a peritos e especialistas em matérias contabilísticas e fiscais.

A boa aceitação dos trabalhos de peritagens por parte dos clientes que os requisitaram e a utilidade dos resultados dessas peritagens para as decisões dos órgãos de gestão das entidades e para o esclarecimento e clarificação das dúvidas que os originaram, são factores que motivam o candidato e abrem boas perspetivas para o desenvolvimento de competências e conhecimentos na área.

Assim sendo, o objectivo principal deste relatório é apresentar e desenvolver o tema da peritagem. Em Portugal, com exceção de uma ação de formação promovida pela OTOC, não se conhece qualquer tipo de formação ou processo de aprendizagem no âmbito das peritagens. A ténue fronteira entre a

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peritagem , a auditoria e a falta de um código de Ética e regras uniformes de conduta concorrem, em grande medida, para este cenário.

Este relatório está estruturado da seguinte forma:

a) Em primeiro lugar é apresentado o percurso profissional e curricular do candidato;

b) De seguida faz-se a apresentação do tema da peritagem com descrição detalhada do enquadramento técnico e legal desta atividade em Portugal, sobretudo ao nível judicial, e os vários formatos em que o respetivo serviço pode ser prestado;

c) Na conclusão do capítulo, referido na alínea anterior, faz-se um resumo do tema deixando, ao mesmo tempo, algumas pistas para o desenvolvimento desta actividade em Portugal e o seu enquadramento atual a nível internacional, com evidências para o seu crescimento e o seu caráter clarificador nas relações comerciais e empresariais cada vez mais complexas e arriscadas;

d) Por fim é apresentado, através da transcrição do respectivo relatório de peritagem, um caso prático de uma peritagem contabilística extrajudicial efectuada pelo candidato em 2012.

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2 – Percurso profissional e curricular

Habilitações académicas

O candidato licenciou-se em Gestão Agrária na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) com a classificação final de 13 valores. No âmbito da licenciatura adquiriu competência, entre outras, nas seguintes áreas:

- Introdução à economia - Técnicas de apoio à economia - Microeconomia - Macroeconomia - Contabilidade geral - Econometria - Contabilidade de custos - Informática de gestão - Auditoria - Marketing - Investigação Operacional - Fiscalidade da empresa - Gestão financeira

Posteriormente à obtenção desse grau académico a Universidade (UTAD) remodelou a licenciatura que passou a ser “Licenciatura em Gestão”, com alteração da sua estrutura curricular.

O candidato pediu equivalências a todas as disciplinas, que obteve, com exceção de três. Frequentou-as com aproveitamento obtendo, dessa forma, a licenciatura em Gestão no ano de 2001.

Tendo em vista o aprofundamento das competências na sua área profissional, inscreveu-se, em 2002, no ISG – Instituto Superior de Gestão, numa pós-graduação em fiscalidade – I.R.S., I.R.C. e I.V.A., que terminou em 2003 com a classificação final de 13 valores, assim descriminados:

a) Princípios do direito fiscal – 15 valores b) IRS – 14 valores

c) IRC – 14 valores d) IVA – 10 valores

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Nesta pós graduação, orientada pelo falecido fiscalista Dr. Saldanha Sanches, abordou diversas temáticas dos vários impostos tratados, a saber:

I) Ao nível do CIRC: Benefícios fiscais, Cobertura de Prejuízos, Amortizações, Dupla Tributação, Equivalência Patrimonial, Fusões e cisões, Gratificações da Gerência, Isenções, Liquidação IRC, Mais-Valias e Reinvestimento, Métodos Indiretos, Normas Anti Abuso, Paraísos Fiscais, Preços Transferência, Regime das Provisões, Regime Fiscal das Viaturas, Regime Simplificado, Transparência Fiscal e Variações Patrimoniais.

II) Ao nível do CIRS: Atos Isolados, Ajudas de Custo, Abatimentos e Deduções, Sujeitos Passivos, Determinação da Matéria Coletável.

III) Ao nível do CIVA: Fato Gerador, Exigibilidade, Isenções, Incidência Pessoal, Incidência Real, Liquidação e Pagamento, Localização Operações, Operações Tributáveis, Soberania Fiscal, Taxas de Imposto, Valor Tributável.

No ano letivo de 2006/2007 frequentou o primeiro ano da Licenciatura em Engenharia Informática (atualmente com a inscrição suspensa).

A utilização de sistemas informáticos de gestão chamados ERP’s é, hoje, generalizada. Os ERP’s cumprem um papel central no desempenho das organizações, tanto a nível de registo como de análise dos dados, sendo atualmente um instrumento permanente no funcionamento das organizações.

Nesse sentido, como utilizador de sistemas informáticos, tanto a nível profissional como pessoal e no sentido de desenvolver competências profissionais nesta área, candidatou-se a esta licenciatura que frequentou durante um ano (1º ano da licenciatura), tendo suspendido a matrícula no segundo ano, situação que se mantem até à data atual.

A licenciatura em Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão fornece uma sólida formação base em informática que habilita o licenciado para a entrada imediata na vida profissional.

Está registada na Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos, facto este que habilita os respetivos titulares ao exercício da profissão de Engenheiro Técnico. A licenciatura em Engenharia Informática segue as recomendações da Association for Computing Machinery a maior associação científica e educacional de Informática a nível mundial.

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No âmbito da licenciatura, e no primeiro ano de frequência, adquiriu competência, entre outras, nas seguintes áreas:

- Programação I - Sistemas Digitais - Programação II

- Microprocessadores e Arquiteturas

Apesar de frequentar o curso em regime diurno (não assistindo, por esse motivo, presencialmente às aulas) conseguiu aproveitamento em todas as disciplinas do primeiro e segundo semestres do 1º ano do curso de Engenharia Informática (ano lectivo 2006/2007), com as seguintes notas:

1º Semestre Nota Semestre 2 Nota

Física Aplicada 16 Probabilidades e Estatística 17

Matemática I 11 Apresentações e Textos Técnicos 18

Matemática Discreta 11 Programação II 12

Programação I 17 Matemática II 11

Sistemas Digitais 14 Microprocessadores e Arquitecturas 15

Experiência profissional a) Período de 1997 a 1999

Após ter obtido a licenciatura em Gestão Agrária procedeu à sua inscrição na Associação dos Técnicos Oficiais de Contas (hoje OTOC) e obteve assim o registo como Técnico Oficial de Contas nº 44556. Em 1997 o candidato iniciou o processo de entrada no mercado de trabalho tendo ingressado na empresa CETELEM, onde esteve durante 2 meses. A CETELEM é uma Sociedade Financeira de Crédito ao Consumo. Nesse período o candidato desenvolveu actividades de análise de créditos, avaliação de endividamento, concessão de crédito ao consumo e atendimento telefónico a clientes. Através da utilização de um software de gestão, próprio da empresa, respondia a solicitações telefónicas de crédito ao consumo e a pedidos de informação na mesma área.

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Apesar de apenas ter durado dois meses, considera esta experiência profissional profícua e contribuidora para o seu amadurecimento, sobretudo a nível das relações interpessoais, dado tratar-se da sua primeira experiência profissional e do primeiro contacto com o mercado de trabalho.

Pelo facto da retribuição financeira na CETELEM ser muito baixa e a convite de um colega da UTAD, o candidato partiu em 1998 para um novo projecto profissional: A Probarroso.

No período de 1998 a 1999 ingressou na Probarroso. Nesta associação de desenvolvimento local para a promoção e desenvolvimento do Barroso, sedeada em Montalegre - Trás-os-Montes e Alto Douro -, desenvolveu projectos de investimento, ministrou formação e participou em diversas iniciativas de desenvolvimento económico, turístico, cultural e agrícola da região.

Obteve experiências, tanto profissionais como pessoais, muito enriquecedoras e realizadoras. Como é natural numa associação desta natureza as funções desenvolvidas são muito variadas e enriquecedoras, sempre no âmbito de projetos promotores do desenvolvimento local duma região marcada por uma incomparável beleza mas, com igual magnitude, por grandes dificuldades e constrangimentos que a caraterizam.

Algumas atividades desenvolvidas:

a) Organização de eventos mobilizadores das populações e dinamizadores do tecido económico, social e cultural;

b) Formação ministrada a franjas específicas – e fragilizadas - da população, dotando-as de algumas ferramentas e competências para ingressar no mercado de trabalho;

c) Participação em planos de desenvolvimento local com protocolos transfronteiriços;

d) Elaboração de projetos de candidaturas a fundos comunitários e a apoios nacionais para a criação do próprio emprego.

Nesse período participou ainda numa ação de formação nas áreas de contabilidade geral, fiscalidade e contabilidade analítica, com a duração de 84 horas, ministrada pelo Grupo Vida Económica.

b) Período de 1999 a 2003

Entre 1999 e 2003, foi Responsável Financeiro da Empresa Botelhos, Lda. Neste concessionário das marcas Volkswagen, Audi e Skoda foi diretor financeiro/administrativo com funções nas áreas de gestão, de contabilidade e administrativa. Desenvolveu funções técnicas nas áreas financeira e de contabilidade sempre com uma ligação estreita ao reporte, de informação económica e financeira, aos

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órgãos de gestão da empresa, através da elaboração de mapas, gráficos, relatórios, apresentação de medidas de correção, sugestões para o desenvolvimento das diversas áreas de negócio e participação direta na gestão da empresa.

Foi nesta pequena empresa, e neste enquadramento, que começou por desenvolver as suas competências apresentando mapas e reportes, com análises financeiras, aos órgãos de gestão.

Com o decorrer do tempo, e com o alargamento da responsabilidade a diversas áreas, desenvolveu as seguintes actividades:

1. Execução da contabilidade geral da sociedade, nos termos da lei comercial e das normas contabilísticas aplicáveis;

2. Conceção e desenvolvimento de um sistema de contabilidade analítica para assegurar o conhecimento dos custos incorridos em cada um dos centros de custo e com as atividades prosseguidas pela empresa;

3. Cumprimento de todas as obrigações declarativas legais, de âmbito fiscal, à segurança social e para fins estatísticos;

4. Preparação da informação financeira;

5. Apoio ao TOC da empresa na elaboração dos instrumentos de prestação de contas, a elaborar anualmente com referência a 31 de Dezembro, constituídos por: a) Balanço; b) Demonstração dos resultados; c) Anexo ao balanço e à demonstração dos resultados; d) Demonstração dos fluxos de caixa;

6. Elaboração dos mapas previsionais anuais

7. Gestão de fornecedores: emissão de listagem para pagamentos; 8. Gestão do Pessoal, nomeadamente:

- Processamento dos salários, emissão de mapas de pagamentos aos funcionários e ao estado (retenções de IRS e encargos com a seg. social)

- Gestão contratual (gestão dos contratos, laborais e outros); - Inscrição e desvinculação na e da Seg. Social;

9. Classificação e registo da contabilidade financeira e analítica no software Primavera Software BSS;

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11. Apoio no acompanhamento das contas correntes dos clientes (elaboração de planos de pagamento, resposta a pedidos de informação, etc).

Apesar de não ser responsável, como TOC, pela contabilidade da Botelhos, Lda., já era, paralelamente, o TOC responsável pela contabilidade de uma pequena mercearia, de um Empresário em Nome Individual, sedeada no Cartaxo, atividade essa desenvolvida, sobretudo, em horário pós-laboral.

c) Período de 2003 a 2010

Ingressou nos quadros da Ambilital – Investimentos Ambientais no Alentejo, EIM., no período de 2003 a 2010.

Esta empresa é responsável pela gestão do sistema de recolha, tratamento e valorização de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU’s) nos Concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacem, Sines, Odemira, Ferreira do Alentejo e Aljustrel.

Após ter tomado conhecimento da existência de um lugar de Diretor Administrativo/Financeiro nesta Empresa Intermunicipal, e reconhecendo que este poderia ser um avanço considerável na sua carreira profissional, candidatou-se e, entre 5 candidatos, foi escolhido para assumir as funções de Director Administrativo/Financeiro em 2003.

Nesta empresa as atividades desenvolvidas, no âmbito da respetiva função, foram, sobretudo, as seguintes:

1. Execução da contabilidade geral da sociedade, nos termos da lei comercial e das normas contabilísticas aplicáveis às empresas do sector empresarial local;

2. Conceção e desenvolvimento de um sistema de contabilidade analítica para assegurar o conhecimento dos custos incorridos em cada um dos centros de custo e com as atividades prosseguidas pela empresa. Para conseguir responder às necessidades e exigências dos sócios da empresa desenvolveu e implementou um sistema de contabilidade analítica baseado no método ABC (activity based costing). Este sistema de informação, para o qual desenvolveu ainda um manual de procedimentos, permite apresentar mapas de exploração separados pela várias actividades da empresa e, dessa forma, responder com eficácia às exigências de informações dos interessados;

3. Conceção e desenvolvimento de sistemas de informação contabilística para assegurar o cumprimento de prestação de contas às autoridades com tutela sobre o setor empresarial local

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e às entidades que gerem sistemas de incentivo, no âmbito de candidaturas promovidas pela empresa, bem assim como o cumprimento de todas as regras no âmbito da organização da contabilidade e dos dossiers de projeto por estas impostas;

4. Cumprimento de todas as obrigações declarativas legais, não só no âmbito fiscal, de segurança social e estatísticas, como ainda as que são especificamente dirigidas às entidades sujeitas ao regime jurídico do setor empresarial local.

5. Acompanhamento do manual de procedimentos de controlo interno de forma a garantir a fiabilidade das contas e demais informação financeira, bem como a articulação, bem como prestação de informação, com o Tribunal de Contas e a Inspeção-Geral de Finanças.

6. Preparação da informação financeira atendendo ao especialmente previsto para as empresas sujeitas ao regime jurídico do setor empresarial local.

7. Elaboração dos Instrumentos de gestão previsional, apresentados até ao dia 15 do mês de Setembro ao Conselho de Administração da Empresa de forma a assegurar a sua apreciação e aprovação pelo órgão deliberativo durante o mês de Setembro.

8. Elaboração dos instrumentos de prestação de contas, a elaborar anualmente com referência a 31 de Dezembro, serão constituídos no mínimo por: a) Balanço; b) Demonstração dos resultados; c) Anexo ao balanço e à demonstração dos resultados; d) Demonstração dos fluxos de caixa; e) Relação das participações no capital de sociedades e dos financiamentos concedidos a médio e longo prazo; f) Relatório sobre a execução anual do plano plurianual de investimentos.

9. Candidaturas a sistemas de incentivos:

10. Apoio à construção dos elementos financeiros das candidaturas e no processo de acompanhamento da execução de candidaturas/pedidos de pagamento;

11. Elaboração e envio de vários documentos e relatórios não relacionados com as funções de TOC, nomeadamente:

- Envio ao SIPART das informações das participações da e na Ambilital; - Elaboração do relatório único;

12. Processamento dos salários, emissão de mapas de pagamentos aos funcionários e ao estado (retenções e seg. social/CGA) e gestão contratual (gestão dos contratos, laborais e outros), para além da inscrição e desvinculação na e da Seg. Social;

13. Faturação: emissão de faturas com base em listagens do programa de pesagens e pedidos de faturação emitidos pelos técnicos;

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14. Elaboração e apoio na elaboração de vária informação estatística.

No ano de 2005, a convite da “software house” com quem mantinha um relacionamento comercial no âmbito do ERP primavera software, tornou-se técnico autorizado da Primavera Software.

A sua ligação ao ERP Primavera aconteceu muito cedo na sua atividade profissional. Através de um protocolo que a ANJE (da qual era associado como profissional liberal) celebrou com a Primavera Software, adquiriu, com preço e condições de pagamento vantajosas, o referido software de Gestão com o qual começou por ser responsável, como TOC, pela contabilidade de uma pequena mercearia no Cartaxo.

Mais tarde, na empresa onde trabalhava na altura - Botelhos, Lda. -, liderou o processo de consulta para a aquisição de um software para a gestão oficinal para o setor automóvel com integração direta na contabilidade. Nessa altura o software primavera ficou bem posicionado, tendo sido adquirido juntamente com um software específico do sector automóvel com o qual integrava automaticamente toda a faturação emitida por este último.

A partir dessa altura iniciou um processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento de conhecimentos neste ERP. Nesse percurso, a convite do gerente da empresa de software (parceiro primavera) fez o curso para técnico autorizado Primavera Software o qual concluiu em 2005 sendo, desde essa altura, técnico autorizado deste software de gestão, através desse parceiro Primavera.

Em 2008, com um colega TOC e amigo, criou a empresa Jorge Louro, Ricardo Pena – Contabilidade

e Consultoria, Lda., sendo, desde essa altura, sócio Gerente e TOC dessa sociedade de

contabilidade que se dedica às atividades de Contabilidade e Consultoria.

Na sociedade, com 4 elementos (dois técnicos de contabilidade e 2 gerentes, ambos TOC’s) para além das funções de TOC desempenha funções de gestão elaborando mapas previsionais, mapas de tesouraria e demonstrações financeiras trimestrais.

Apesar da sua atividade principal ser a prestação de serviços de contabilidade e consultoria a empresas, a Jorge Louro, Ricardo Pena, Lda., ao longo da sua ainda curta existência, tem desenvolvido/promovido outros trabalhos como peritagens contabilísticas. É precisamente uma das peritagens, desenvolvidas pelo Gabinete que se apresenta, detalhadamente, no ponto 3.b) do presente relatório.

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Em 2009 candidatou-se à função de controlador de qualidade da OTOC. A ordem profissional dos Técnicos Oficiais de Contas, à semelhança de outras ordens profissionais como a ordem dos ROC ou a ordem dos médicos, decidiu implementar um sistema de controlo de qualidade. Nesse sentido abriu candidaturas para o lugar de controlador de qualidade. Era exigido que o candidato tivesse, pelo menos, 10 anos de experiência profissional e que se submetesse, em primeiro lugar, a um controlo de qualidade, neste caso efetuado pelos membros da comissão instaladora.

Após ter efetuado a candidatura, e se ter submetido a um controlo de qualidade, seguido de uma entrevista, foi nomeado Controlador de Qualidade da OTOC, atividade que desenvolve desde essa altura e que acumula com a atividade profissional principal.

Nessa atividade, que desempenha desde 2009, desenvolve, numa equipa com mais um elemento, o controlo de qualidade estabelecido pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas e que envolve trabalho de campo, visitando colegas técnicos oficiais de contas, entretanto sorteados nesse sentido, para aferir da regularidade do desempenho das respetivas funções.

O controlo de qualidade consiste:

a) Na avaliação global da atividade, designadamente no que se refere ao modo do exercício da atividade, previsto no artigo 7.º do Estatuto da OTOC, aos meios humanos e materiais e à obediência dos deveres legalmente estabelecidos (controlo transversal);

b) Na verificação do regular exercício das funções previstas no n.º 1, do artigo 6.º dos Estatutos, relativos a um cliente (ou entidade patronal), designadamente dos procedimentos efectuados, quer quanto à preparação e análise das demonstrações financeiras, assim como pelos prazos legais pelos quais é responsável (controlo do desempenho);

No desenvolvimento das ações de controlo deverá ser adotada a seguinte metodologia:

a) Após receber da Comissão do Controlo de Qualidade o processo de controlo, a equipa contatará os Técnicos Oficiais de Contas, nos termos do n.º 3 do artigo 14.º, a fim de acordar o calendário da sua intervenção;

b) Procederá ao controlo e, no decurso do mesmo, irá informando os Técnicos Oficiais de Contas sobre as verificações efetuadas e respetivas conclusões e obterá as informações complementares que considera necessárias;

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c) Concluído o processo de controlo, o mesmo deverá ser remetido à Comissão do Controlo de Qualidade para apreciação no prazo de 30 dias.

Os procedimentos a adotar obedecerão aos seguintes princípios:

a) Os procedimentos de verificação a adotar serão, fundamentalmente, os previstos no guia de controlo;

b) As conclusões serão objetivas, fundamentadas e corresponderão a intervenções homogéneas, não sendo permitido utilizar procedimentos não aprovados pela Comissão do Controlo de Qualidade; c) Os Técnicos Oficiais de Contas objeto do controlo deverão expressar por escrito, no guia do controlo, a sua opinião sobre as conclusões da equipa de controlo.

Até à presente data já realizou quase 100 controlos de qualidade a colegas TOC inscritos na Ordem.

d) Período de 2010 a 2012

Em Outubro de 2010, a convite dos sócios gerentes da Botelhos, Lda., regressa à empresa onde deu os primeiros passos na sua carreira profissional para, agora, desempenhar funções como diretor financeiro e TOC responsável pela contabilidade. Para além desta empresa assume, com as mesmas funções, a responsabilidade por mais 4 empresas, de menor dimensão, propriedade dos mesmos sócios/gerentes.

A Botelhos, Lda., com um volume de negócios em 2010 de 10 milhões de euros, desenvolve a sua atividade em torno de 3 áreas de negócio principais:

- Vendas de viaturas novas e usadas;

- Intermediação na negociação de crédito para aquisição de viaturas novas e usadas; - Reparação e manutenção automóvel;

Este sector de atividade apresenta uma complexidade muito interessante e desafiadora ao nível da gestão e contabilidade:

Por um lado existem vários sistemas informáticos interligados e de funcionamento integrado, nomeadamente:

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a) Sistema de gestão oficinal (marcação e gestão das obras, faturação de peças ao balcão e da oficina, relação com clientes – envio SMS, emails, etc.) que integra diariamente no sistema informático da contabilidade, nomeadamente no módulo de contabilidade;

b) Vários softwares de âmbito oficinal relacionados com a gestão de avarias, apoio à reparação, identificação de peças, elaboração de garantias de fábrica, etc., com, nalguns casos, ligações (internet) diretas ao fabricante;

c) Software para a gestão e elaboração/simulação de propostas, no âmbito da relação com as várias locadoras, com quem estão estabelecidos protocolos para financiamento aos clientes das viaturas vendidas.

Por outro lado, ao nível da contabilidade e da gestão, a pluralidade de áreas que a atividade abrange, tanto ao nível financeiro com da intermediação de créditos, como ao nível de vendas de viaturas, passando pela reparação automóvel, existem uma série de aspetos que permitem uma abrangência e interdisciplinaridade de matérias que contribuem para o desenvolvimento profissional do candidato. A empresa detém ainda uma certificação de qualidade da própria marca que representa, muito exigente ao nível dos processos, sendo, inclusivamente, mais exigente, em muitos aspetos, que a própria norma ISO 9001 de 2008, na qual é igualmente certificada.

Ao longo da sua carreira profissional, paralelamente às atividades descritas anteriormente, elaborou, a título individual como profissional liberal, diversas candidaturas de empresas a programas de incentivo e elaborou vários estudos de viabilidade económico-financeira, dos quais salienta:

a) Estudo de viabilidade para a constituição de uma empresa municipal, contratado pela Câmara Municipal de Grândola por ajuste direto em Dezembro de 2006;

b) Estudo de viabilidade económica e respetiva candidatura, no âmbito das suas funções como Diretor Financeiro da AMBILITAL, EIM, para a “Construção e exploração de uma unidade de tratamento mecânico e biológico por compostagem de resíduos”, no valor de 5 milhões de euros ao POVT, Eixo prioritário VIII - Proteção e Valorização do Ambiente (a qual foi aprovada com uma percentagem de apoio a fundo perdido de 70%);

c) Estudo financeiro previsional, que está a desenvolver actualmente, de apoio à elaboração e execução de um contrato de gestão delegada a que se refere o DL 194/2009 de 20-08-2012, contratado pela AMAGRA – Associação dos Municípios Alentejanos para a Gestão Regional do Ambiente, em Novembro de 2012, para a empresa de que é detentora em 51%: Ambilital, EIM.

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Para o desenvolvimento da atividade de TOC o candidato tem que cumprir as normas em vigor na OTOC, que regula a respetiva atividade, pelo que tem participado, regularmente, em formações no sentido de manter e aumentar as suas competências profissionais, para além de cumprir as obrigações deontológicas e estatutárias da sua Ordem profissional.

De acordo com o artº 6º alínea a) do Estatuto da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas:

“Artigo 6.º

Competência profissional

Para garantir a sua competência profissional e o exercício adequado das suas funções, os técnicos oficiais de contas devem, nomeadamente:

a) Por forma continuada e actualizada desenvolver e incrementar os seus conhecimentos e qualificações técnicas e as dos seus colaboradores;

b) Planear e supervisionar a execução de qualquer serviço por que sejam responsáveis, bem como avaliar a qualidade do trabalho realizado;

c) Utilizar os meios técnicos adequados ao desempenho cabal das suas funções;

d) Recorrer ou sugerir o recurso a assessoria técnica adequada, sempre que tal se revele necessário.”

O regulamento do controlo de qualidade da OTOC, complementa e prescreve:

“Artigo 4.º - Aferição do controlo de qualidade

1. O controlo transversal é aferido pela verificação dos seguintes elementos:

a) A relação entre o número de clientes e a sua dimensão, os honorários praticados, o número e a qualificação dos colaboradores

b) A complexidade do trabalho a realizar (funções previstas no n.º 1, do artigo 6.º dos Estatutos) e a formação e competência profissional do TOC

c) As instalações onde desenvolve a sua atividade face ao número de pessoas que nela trabalham d) Os meios materiais disponíveis, designadamente equipamentos e programas informáticos, biblioteca e arquivo

e) A obtenção de uma média anual de 35 créditos, nos últimos dois anos, em formação promovida pela OTOC ou por ela aprovada

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15 f) A atividade de formador, em ações de formação promovidas ou aprovadas para efeito de concessão de créditos pela CTOC, ou a docência no ensino superior nas áreas de contabilidade ou de fiscalidade, exercidas no ano ou no ano anterior, consideram-se condição suficiente para o cumprimento do referido na alínea e) deste número.

2. As alíneas de a) a d) do número anterior poderão não ser aplicadas em função da forma como o Técnico Oficial de Contas exerce a actividade.”

Desta forma o candidato tem uma frequência permanente em ações de formação ministradas pela OTOC (e também, com menos relevância, por outras entidades ligadas à atividade da contabilidade, como é o caso da APOTEC). A formação da OTOC é permanente e imprescindível na manutenção das competências essenciais ao desenvolvimento da atividade profissional de TOC. A formação na APOTEC, apesar de igualmente importante, é esporádica e pontual. Algumas das formações frequentadas foram subordinadas aos seguintes temas:

a) Código do trabalho e Segurança Social; b) Elaboração de demonstrações financeiras; c) Obrigações legais das empresas;

d) Participação nas XI jornadas de contabilidade e fiscalidade e) Orçamento de estado 2006;

f) Competitividade fiscal;

g) Informação empresarial simplificada; h) Normalização contabilística;

i) Balanced scoredcard;

j) SNC-PROJECTO - O Novo Normativo Contabilístico Nacional; k) Avaliação de empresas;

l) Contencioso tributário;

m) IRC - Alterações na sequência da adoção do SNC; n) SNC - Exemplos Práticos;

o) Infrações Tributárias;

p) Processo de execução fiscal;

q) A aplicação da NCRF nº.3 (aplicação pela 1ª.vez do SNC) - abertura das contas em 2010; r) Orçamento do Estado para 2011; Encerramento de contas de 2010;

s) Código Contributivo da Segurança Social;

t) Encerramento de contas: aspetos contabilísticos e fiscais; u) NCRF 17 - Ativos Biológicos - Aspetos Contabilísticos e Fiscais;

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v) NCRF 19 - Contratos de Construção; w) Alterações ao código do IVA

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3 - Peritagem contabilística e fiscal

1. Conceitos: peritagem contabilística e peritagem fiscal

Segundo o dicionário Universal da Texto Editora : Peritagem, s. f. exame realizado por peritos.

Perito (do Lat. Peritu), adj. experimentado; que tem perícia; hábil; versado; douto; sabedor; s.m. aquele que pelas suas aptidões ou conhecimentos especiais é nomeado judicialmente para proceder a um exame, vistoria ou avaliação.

Assim, a peritagem corresponde a um trabalho especializado levado a cabo por pessoa com conhecimentos sólidos sobre a matéria a analisar.

Note-se, desde já, que quando o dicionário fornece o conceito de perito refere-se directamente ao caso da sua intervenção judicial.

Com efeito, a intervenção de um perito é requerida para obter uma opinião tecnicamente válida sobre matéria da sua especialidade e, por isso, servirá para dirimir as dúvidas que se colocam em juízo. Designa-se peritagem contabilística quando os fatos sobre os quais se requer a opinião do perito exigem o conhecimento profundo de Contabilidade e matérias afins, ou, dito de outro modo, quando os fatos a analisar são de natureza patrimonial.

Obviamente que a peritagem contabilística só pode ser levada a cabo por profissional competente e experiente em contabilidade.

Em Portugal, os profissionais reconhecidamente competentes em matéria de contabilidade são os Técnicos Oficiais de Contas (TOC), conforme resulta expressamente do Estatuto da Ordem dos Técnicos Oficias de Contas, que no nº1 do artigo 6º atribui ao TOC as funções de “Planificar, organizar

e coordenar a execução da contabilidade das entidades que possuam, ou que devam possuir, contabilidade regularmente organizada segundo os planos de contas oficialmente aplicáveis ou o sistema de normalização contabilística …”

São também reconhecidos com particular competência em contabilidade os Revisores Oficiais de Contas (ROC).

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Todavia, não existe em Portugal uma regulamentação legal da peritagem contabilística que exija a sua realização por profissionais inscritos em qualquer organismo profissional que tutele os técnicos com reconhecida competência em matérias contabilísticas e afins, como são os TOC e ROC.

No entanto, a experiência mostra que a nomeação de peritos para a realização de peritagem judiciais faz-se normalmente entre profissionais inscritos naquelas organizações.

Por sua vez a peritagem fiscal é desenvolvida para emitir opinião que ajude a dirimir contencioso fiscal, pelo que se exige a intervenção de perito com conhecimentos profundos e experiência em fiscalidade. No entanto, dada a forte interligação entre contabilidade e fiscalidade, os peritos nomeados pelas empresas nos processos fiscais em que é requerida a sua intervenção, são também, em geral, escolhidos entre TOC e ROC.

O reconhecimento da competência em matéria fiscal daqueles profissionais está expressamente previsto nos respetivos Estatutos profissionais.

O recurso a estes profissionais, tanto em Portugal, mas sobretudo a nível internacional, em processos financeiros/fiscais é recorrente e está em grande crescimento.

Num estudo americano sobre a utilização de peritos contabilistas em processos judiciais foi identificado o recurso cada vez mais intenso a estes profissionais.

Essas investigações nos Estados Unidos, ao nível da participação de peritos contabilistas em processos judiciais, apresentam resultados muito positivos da participação destes profissionais nos respetivos casos. No “The Use of Forensic Accounting Experts in Tax Cases as Identify in Court Opinions”, de Muehlmann, Burnaby e Howe (2012), são apresentados alguns resultados. Na opinião dos juízes inquiridos a participação dos peritos teve repercussão directa na grande maioria dos resultados das suas decisões em tribunal.

Os juízes avaliam positivamente a participação de peritos com experiência e competências nas matérias nas quais são especialistas. Estes estudos indicam também uma oportunidade de trabalho, para estes profissionais, na peritagem judicial.

Seguem alguns quadros que, no âmbito do estudo de investigação referenciado, demonstram o crescimento e a importância dos peritos contabilistas e fiscais nos processos judiciais.

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19 Quadro 1 – Número de processos judiciais na área dos impostos por década e por tribunal

Década U.S. District

Courts U.S. Tax Court

Bankruptcy Courts State Tax Decisions Total (%) por década 1981-1990 1 1 - - 2 (5%) 1991-2000 12 2 1 2 7 (17,5%) 2001-2010 18 4 1 8 31 (77,5% Total, por tribunal 21 7 2 10 40 (100%)

Fonte: Muehlmann,Burnaby, e Howe, (2012).

Quadro 2 – Quem ganhou os processos em tribunal e quem tinha um perito contabilista.

Quem ganhou o processo Nº de processos

ganhos

Quem tinha perito: governo/contribuinte/outro (*)

O juiz considerou efectiva a participação do perito: governo/contribuinte/outro

Governo 25 (62,5%) 3/19/3 3/5/2

Contribuinte 9 (22,5%) 1/7/1 1/7/1

Governo parcialmente e/ou

contribuinte parcialmente 6 (15%) -/5/1 -/3/1

TOTAL 40 4/31/5 4/15/4

Fonte: Muehlmann Burnaby e Howe (2012).

(*) Dois casos em que ambos - Governo e contribuinte - apresentaram perito, apenas o perito cuja participação o juiz considerou efectiva foi considerado.

No Quadro 2 são apresentados os resultados de quem ganhou os processos, quem levou um perito contabilista para o processo e se o juiz registou e considerou efetiva e útil a participação do perito. Houve processos que foram decididos para o contribuinte e outros para o Estado, mas mesmo quando o contribuinte perdeu, e levou um perito, o juiz considerou que a participação do perito foi positiva e a decisão do tribunal foi menos gravosa para o contribuinte por força do testemunho do perito.

Verificou-se que 23 dos 40 testemunhos dos peritos contabilistas forem considerados positivos pelos juízes.

A maior parte das decisões foram favoráveis ao Estado, com 25 em 40 (62,5%) casos a seu favor. Seguido por 9 decisões a favor do contribuinte (22,5%) e as restantes 6 decisões (15%) com resultados partilhados entre o estado e o contribuinte. Das 9 decisões a favor do contribuinte este apresentou um perito contabilista em 7 desses 9 processos.

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20 2. Peritagem e auditoria

Uma matéria que gera, recorrentemente, algumas dúvidas, nomeadamente na definição da fronteira e diferença entre ambas, é a Peritagem vs. Auditoria

Quer no objeto, quer na finalidade, quer no método, existem diferenças entre a auditoria e peritagem. Enquanto a auditoria é regular, a Peritagem é “eventual” na vida das empresas e instituições. A auditoria, regra geral, visa um amplo universo enquanto a peritagem tem um objetivo limitado (na generalidade) e definido.

Por exemplo, o método da amostragem aplica-se, na quase totalidade dos casos, nos serviços de auditoria, enquanto a peritagem, podendo utilizar esse método nalgumas situações específicas, deverá esgotar todos os meios.

Ao auditor cabe julgar o estado das contas e do património, enquanto ao perito compete informar, limitando-se aos quesitos ou questões formuladas. O Perito não emite certificados, mas opina, argumentando.

O auditor, no desenvolvimento do seu trabalho, pode dispensar provas e testes quando já realizados pelo controle interno, por exemplo. O Perito, por outro lado, não pode e nem deve excluir do seu exame subjetivo, e objetivo, todos os fatos sobre os quais a sua opinião é solicitada.

De acordo com a Norma Internacional de Auditoria 200 – Os objetivos e princípios gerais que regem uma auditoria de demonstrações financeiras, “o objetivo de uma auditoria de demonstrações

financeiras é o de habilitar o auditor a expressar uma opinião se as demonstrações financeiras estão preparadas, em todos os aspetos materiais, de acordo com uma estrutura concetual de relato financeiro aplicável.”

A auditoria tem, assim, como objeto as contas e as demonstrações financeiras, enquanto a peritagem tem como objeto fatos especificamente descritos e sobre os quais se pretende opinião do perito para dirimir dúvidas sobre os mesmos.

Por exemplo, pode ser pedido ao perito a sua opinião sobre:

• montante de vendas anual;

• volume de vendas efetuadas a certos clientes;

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21 • os valores registados a débito ou a crédito de certa entidade;

• os valores de certos elementos patrimoniais (móveis, imóveis, quotas, ações);

• lucros ou prejuízos registados em determinados anos;

• perdas imputáveis a certos eventos;

• margem de comercialização de produtos;

• base para cálculo de juros, comissões, royalties.

A resolução dessas questões assume várias formas: esclarecer dúvidas; informar com precisão; confirmar com segurança; avaliar; arbitrar; descobrir erros ou irregularidades e projetar informações. Formalmente, diferencia-se a auditoria da peritagem. Tecnicamente, porém, não é fácil determinar onde acaba a revisão/auditoria e começa a peritagem.

Salientamos, nesta fase, que os TOC’s, por razões estatutárias, não podem desenvolver trabalhos de auditoria mas podem fazer peritagens.

Poder-se-á dizer, de forma simplista, que se fará, ou poderá fazer, uma peritagem sempre que, pela lei ou outra fonte de direito, não seja exigida a realização de uma auditoria.

3. Peritagem contabilística

3.1. Tipos: Judicial, Extrajudicial e Arbitral

A peritagem contabilística tem em vista emitir opinião sobre fatos de natureza patrimonial de forma a facilitar a resolução de conflitos entre as partes.

A peritagem contabilística pode-se dividir em 3 tipos: Judicial, Extrajudicial e Arbitral

A Peritagem judicial é aquela em que o perito é nomeado pelo Tribunal, em processo de ação civil, para ajudar o Juiz a decidir sobre matéria que não domina por requerer conhecimentos técnicos específicos.

No entanto, as partes em conflito de interesses poderão tentar dirimi-lo extrajudicialmente e, para esclarecer dúvidas que têm sobre o facto controverso, recorrerem à opinião de peritos que realizarão uma peritagem extrajudicial. A peritagem extrajudicial será quando as duas partes em conflito de interesses tentam dirimi-lo extrajudicialmente e, para esclarecer dúvidas que têm sobre o fato controverso, recorrem à opinião de peritos. É comum quando se pretende estabelecer o valor de certas

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transações que são realizadas para pôr fim a conflitos, por exemplo: transmissão de quotas e ações para abandonar a sociedade ou indemnizações por danos.

Qualquer litígio de caráter económico que, por lei especial, não esteja submetido exclusivamente a tribunal judicial, pode ser submetido pelas partes a arbitragem voluntária (tribunal arbitral) que entre nós está regulada pela Lei nº 36/86, de 29 de Agosto. Pode ser produzida perante o tribunal arbitral qualquer prova admitida pela lei de processo civil e, portanto, a prova pericial através da nomeação de peritos. Consequentemente, a peritagem arbitral é em tudo idêntica à peritagem judicial, sendo que a peritagem em tribunal arbitral é frequentemente de caráter contabilístico já que a arbitragem respeita a litígios de caráter económico. É comum quando se pretende estabelecer o valor de certas transações que são realizadas para pôr fim a conflitos, por exemplo: transmissão de quotas e acões para abandonar a sociedade ou indemnizações por danos, conforme referido anteriormente. Ao contrário da peritagem judicial em que a peritagem é desencadeada por ordem do tribunal, a peritagem extrajudicial pode ser requisitada por qualquer entidade pública ou privada.

3.2. A peritagem no Código do Processo Civil A prova pericial

De acordo com o Artigo 388º do Código de Processo Civil:

“A prova pericial tem por fim a perceção ou apreciação de factos por meio de peritos, quando sejam necessários conhecimentos especiais que os julgadores não possuem…”

Assim, a peritagem surge para fornecer ao juiz elementos de carácter científico ou técnico sobre matéria que ele não domina.

Dessa forma duas questões se levantam: a) Quem realiza a perícia?

b) Qual o objeto da perícia?

Quem realiza a perícia

De acordo com o nº 1 do artigo 568º do CPC:

“A perícia é requisitada pelo tribunal a estabelecimento, laboratório ou serviço oficial apropriado ou, quando tal não seja possível ou conveniente, realizada por um único perito, nomeado pelo juiz de entre pessoas de reconhecida idoneidade e competência na matéria em causa…”.

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O nº 2 do mesmo artigo determina que as partes são ouvidas sobre a nomeação do perito, nos termos seguintes:

“As partes são ouvidas sobre a nomeação do perito, podendo sugerir quem deve realizar a diligência; havendo acordo das partes sobre a identidade do perito a designar, deve o juiz nomeá-lo, salvo se fundamentadamente tiver razões para pôr em causa a sua idoneidade ou competência.”

O nº 1 do artigo 569º do CPC prevê a perícia colegial:

“1 -A perícia é realizada por mais de um perito, até ao número de três, funcionando em moldes colegiais ou interdisciplinares:

a) Quando o juiz oficiosamente o determine, por entender que a perícia reveste especial complexidade ou exige conhecimento de matérias distintas;

b) Quando alguma das partes, nos requerimentos previstos nos artigos 577.º e 578.º, n.º 1, requerer a realização de perícia colegial”

Objecto da perícia

Conforme artigo 577º do CPC:

“1 - Ao requerer a perícia, a parte indicará logo, sob pena de rejeição, o respectivo objeto, enunciando as questões de facto que pretende ver esclarecidas através da diligência.

2 – A perícia pode reportar-se, quer aos fatos articulados pelo requerente, quer aos alegados pela parte contrária.”

Porém, quem fixa o objeto da perícia é o juiz, em conformidade com o artigo 578º:

“1 - Se entender que a diligência não é impertinente nem dilatória, o juiz ouve a parte contrária sobre o objeto proposto, facultando-lhe aderir a este ou propor a sua ampliação ou restrição.

2 - Incumbe ao juiz, no despacho em que ordene a realização da diligência, determinar o respetivo objeto, indeferindo as questões suscitadas pelas partes que considere inadmissíveis ou irrelevantes ou ampliando-o a outras que considere necessárias ao apuramento da verdade.”

No entanto, de acordo com o artigo 579º, quando se trate de perícia oficiosamente ordenada, o juiz indica, no despacho em que determina a realização da diligência, o respectivo objeto, podendo as partes sugerir o alargamento a outra matéria.

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Na prática o objeto consubstancia-se nas questões – quesitos – formulados pelas partes em litigio e às quais o perito deve dar resposta, emitindo a sua opinião tecnicamente fundamentada.

Note-se que muitas vezes o perito é chamado a “ajudar” o advogado a elaborar os quesitos para que este formule questões possíveis de resposta e a dar-lhes uma sequência lógica de modo a conduzir à conclusão desejada.

Por outro lado, o nº1 do artigo 580º do CPC, determina que:

“1 - No próprio despacho em que ordene a realização da perícia e nomeie os peritos, o juiz designa a data e local para o começo da diligência, notificando-se as partes.”

Definido o objeto da perícia, os peritos procedem à inspeção e averiguações necessárias à elaboração do relatório pericial. Em conformidade com os nºs 2 a 4 do artigo 582º:

“2 -O juiz assiste à inspeção sempre que o considere necessário;

3 - As partes podem assistir à diligência e fazer-se assistir por assessor técnico, nos termos previstos no artigo 42.º, salvo se a perícia for suscetível de ofender o pudor ou implicar quebra de qualquer sigilo que o tribunal entenda merecer proteção.

4 - As partes podem fazer ao perito as observações que entendam e devem prestar os esclarecimentos que o perito julgue necessários; se o juiz estiver presente, podem também requerer o que entendam conveniente em relação ao objeto da diligência.”

Para a prossecução do objeto da perícia, os peritos devem ter presente o previsto no artigo 583º - meios à disposição dos peritos:

“1 - Os peritos podem socorrer-se de todos os meios necessários ao bom desempenho da sua função, podendo solicitar a realização de diligências ou a prestação de esclarecimentos, ou que lhes sejam facultados quaisquer elementos constantes do processo;

2 - Se os peritos, para procederem à diligência, necessitarem de destruir, alterar ou inutilizar qualquer objeto, devem pedir previamente autorização ao juiz;

3 - Concedida a autorização, fica nos autos a descrição exata do objeto e, sempre que possível, a sua fotografia, ou, tratando-se de documento, fotocópia devidamente conferida.”

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Assim, regra geral, nos relatórios que apresentam, os peritos devem colocar uma menção do tipo:

“Nos termos do artigo 581º do Código do Processo Civil, os peritos declaram sob compromisso de honra que dão cumprimento consciencioso da função que lhes foi cometida”

Conforme artigo 586º do CPC, o resultado da perícia é expresso em relatório: – no qual os peritos se pronunciam fundamentadamente sobre o respetivo objeto;

– na perícia colegial, se não houver unanimidade, o discordante apresentará as suas razões. O relatório é notificado às partes, que podem formular reclamações.

Com efeito o artigo 587º prevê:

“2 -Se as partes entenderem que há qualquer deficiência, obscuridade ou contradição no relatório pericial, ou que as conclusões não se mostram devidamente fundamentadas, podem formular as suas reclamações.

3 -Se as reclamações forem atendidas, o juiz ordena que o perito complete, esclareça ou fundamente, por escrito, o relatório apresentado.

4 - O juiz pode, mesmo na falta de reclamações, determinar oficiosamente a prestação dos esclarecimentos ou aditamentos previstos nos números anteriores”

Note-se que a intervenção dos peritos não termina necessariamente com a apresentação do relatório e eventuais esclarecimentos pedidos sobre o mesmo.

Na verdade na fase da discussão e julgamento da causa, podem ser obtidos esclarecimentos verbais dos peritos cuja comparência tenha sido determinada oficiosamente ou a requerimento das partes. (alínea c), nº 3 do artº 652 º)

De acordo com o artigo 571º do CPC: é aplicável aos peritos o regime de impedimentos e suspeições que vigora para os juízes, com as necessárias adaptações.

Por outro lado, prevê o artigo 572º do CPC que “as causas de impedimento, suspeição e dispensa legal do exercício da função de perito podem ser alargadas pelas partes e pelo próprio perito designado, consoante as circunstâncias, dentro do prazo de 10 dias a contar do conhecimento da nomeação ou, sendo superveniente o conhecimento da causa, nos 10 dias subsequentes; e podem ser oficiosamente conhecidas até à realização da diligência.

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26 3.3. O perito no Tribunal Arbitral

Qualquer litígio de caráter económico, que por lei especial não esteja submetido exclusivamente a tribunal judicial, pode ser submetido pelas partes a arbitragem voluntária. (Lei nº 31/86, de 29 de Agosto).

De acordo com o artigo 6º daquela Lei o tribunal arbitral poderá ser constituído por um único árbitro ou por vários, em número ímpar. Se o número de membros do tribunal arbitral não for fixado na convenção de arbitragem ou em escrito posterior assinado pelas partes, nem deles resultar, o tribunal será composto por três árbitros

O artigo 18º da Lei nº 31/86 prescreve que “… pode ser produzida perante o tribunal arbitral qualquer

prova admitida pela lei de processo civil “

Consequentemente, perante o tribunal arbitral pode ser produzida prova pericial e, por isso, o tribunal tem a faculdade de nomear peritos para clarificar fatos sobre os quais é necessária opinião especializada.

4. Peritagem fiscal

De acordo com o artigo 116º do Código de Procedimento e de Processo Tributário (CPPT), “…poderá

haver prova pericial no processo de impugnação judicial sempre que o juiz entenda necessário o parecer de técnicos especializados, sendo tal prova regulada nos termos do Código de Processo Civil”.

Um dos casos em que a situação descrita poderá ocorrer com mais veemência será na definição e, eventual impugnação, dos chamados "preços de transferência". Os “preços de transferência” têm em vista determinar o lucro tributável com base em operações comerciais valoradas a preços de concorrência, pelo que os sujeitos passivos deverão estar em condições de demonstrar que as suas operações são realizadas em termos ou condições substancialmente idênticos aos que normalmente seriam contratados, aceites e praticados entre entidades independentes em operações comparáveis. (nº 1 do artigo 58º do CIRC).

Sempre que as operações sejam realizadas em termos ou condições diferentes, a Direcção-Geral dos Impostos pode proceder a correções do lucro tributável, conforme prevê o n.º 11 do referido artigo 58º. Nessa altura, e na eventual necessidade de impugnação da correção do lucro tributável, como impugnar sem recurso a perito?

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A Portaria n.º 1446-C/2001, de 21 de Dezembro, que regula os preços de transferência, apresenta vários métodos de determinação dos preços de transferência:

- métodos unitários ou baseados nas transações: método do preço comparável de mercado; método do preço de revenda minorado; método do custo majorado;

- métodos globais ou baseados no lucro: método do fracionamento do lucro; método da margem líquida da operação.

Será nesse quadro que o perito, especialista nas matérias em causa, actuará no sentido de fornecer parecer técnico clarificador e promotor duma decisão justa no processo em causa.

4.1 Os peritos na Lei Geral Tributária

Em fiscalidade há um campo muito próprio em que se requer a intervenção de peritos com elevados conhecimentos de contabilidade e matérias afins.

Com efeito, a matéria coletável pode ser apurada por avaliação direta, segundo os critérios próprios de cada tributo, ou por avaliação indireta que visa a determinação do valor dos rendimentos ou bens tributáveis a partir de indícios, presunções ou outros elementos de que a administração tributária disponha.

Dado que na avaliação indireta (métodos indiciários) a matéria colectável é apurada por recurso a presunções ou estimativas, é natural que só seja aplicada nos casos expressamente previstos na lei, como refere o artigo 81º da LGT: “… só podendo a administração tributária proceder a avaliação

indireta nos casos e condições expressamente previstos na lei.”

A aplicação de avaliação indireta decorre, normalmente, de inspeção tributária cujo relatório descreverá os fatos que implicam o recurso a métodos indiretos. Nos métodos indiretos a matéria coletável é apurada, não por cálculo aritmético exacto, mas por presunções.

Conforme artigo 349º do Código Civil, Presunções são as ilações que a lei, ou o julgador, tira de um fato conhecido para provar um fato desconhecido.

Isto significa que na avaliação indireta, a Administração recolhe uma série de elementos – fato conhecido – para a partir dai e através de um raciocínio lógico e dedutivo estabelecer estimativas – presunções – para fixar o valor da matéria colectável.

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E para estabelecer as estimativas, o nº 1 do artigo 90º da LGT exemplifica o tipo de elementos que podem ser tidos em conta para os cálculos das estimativas. Resumem-se alguns exemplos: “Margens médias do lucro”; “taxas médias de rentabilidade”; “Localização e dimensão da atividade exercida”; “O valor de mercado dos bens ou serviços tributados”.

É na discussão dos valores fixados por métodos indiretos que surgem os peritos previstos na LGT. O contribuinte, não se conformando com a fixação da matéria coletável por métodos indiretos, ou com o valor presumido, nos termos do artigo 91º da LGT, pode solicitar a revisão da matéria tributável fixada por métodos indiretos.

Em requerimento fundamentado dirigido ao órgão da administração tributária da área do seu domicílio fiscal, a apresentar no prazo de 30 dias contados a partir da data da notificação da decisão contendo a indicação do perito que o representa.

Recebido o pedido de revisão, a administração tributária designará um perito da administração tributária que preferencialmente não deve ter tido qualquer intervenção anterior no processo e marcará uma reunião entre este e o perito indicado pelo contribuinte.

Note-se ainda que, nos termos do nº4 do artigo 91º da LGT, o contribuinte pode requerer a nomeação de perito independente, igual faculdade cabendo ao órgão da administração tributária.

A lei não impõe quaisquer qualificações ao perito do contribuinte. Poderá, eventualmente, ser um TOC, um ROC ou um Advogado.

O nº 1 do artigo 92º da LGT prescreve:

“O procedimento de revisão da matéria coletável assenta num debate contraditório entre o perito indicado pelo contribuinte e o perito da administração tributária, com a participação do perito independente, quando houver, e visa o estabelecimento de um acordo, nos termos da lei, quanto ao valor da matéria tributável a considerar para efeitos de liquidação.”

Ainda deste normativo devemos reter os seguintes aspetos:

a) Havendo acordo entre os peritos, o tributo será liquidado com base na matéria tributável acordada;

b) Em caso de alteração da matéria inicialmente fixada, o acordo deverá fundamentar a nova matéria tributável encontrada;

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c) Na falta de acordo, o órgão competente para a fixação da matéria tributável resolverá, de acordo com o seu prudente juízo, tendo em conta as posições de ambos os peritos;

d) Se intervier perito independente, a decisão deve obrigatoriamente fundamentar a adesão ou rejeição, total ou parcial, do seu parecer.

De acordo com o nº 8 do artigo 92º, no caso de o parecer do perito independente ser conforme ao do perito do contribuinte e a administração tributária resolver em sentido diferente, a reclamação graciosa ou impugnação judicial têm efeito suspensivo, independentemente da prestação de garantia quanto à parte da liquidação controvertida em que aqueles peritos estiveram de acordo.

Porém a impugnação judicial dos actos tributários com base em erro na quantificação da matéria tributável ou nos pressupostos de aplicação de métodos indiretos depende de prévia apresentação do pedido de revisão da matéria tributável, (nº 1 do artigo 117º CPPT)

O procedimento de revisão é gracioso, conforme n º 8 do artigo 91º: “o sujeito passivo que apresente pedido de revisão da matéria tributável não está sujeito a qualquer encargo em caso de indeferimento do pedido…”.

No entanto: “9 -Poderá ser aplicado ao sujeito passivo um agravamento até 5% da colecta reclamada

quando se verificarem cumulativamente as seguintes circunstâncias: a) Provar-se que lhe é imputável a aplicação de métodos indiretos; b) A reclamação ser destituída de qualquer fundamento;

c) Tendo sido deduzida impugnação judicial, esta ser considerada improcedente”.

Sendo pressuposto da aplicação de métodos indiretos a existência de insuficiências, anomalias ou erros na contabilidade, o perito do contribuinte terá por missão ajuizar da existência desses factos e, por outro lado, comprovando-se tais fatos, verificar se as estimativas – presunções – foram elaboradas com base em elementos e raciocínios tecnicamente adequados.

Salientamos que a lei não impõe quaisquer qualificações ao perito do contribuinte, pelo que esta função pode teoricamente ser desempenhada por qualquer pessoa, mas é óbvio que a natureza das matérias em causa aconselha que o perito seja um profissional com conhecimentos e experiências nas matérias contabilísticas e fiscais.

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Veja-se que em relação ao perito independente, que pode intervir a solicitação do contribuinte ou da administração tributária, já a lei é exigente quanto às qualificações que deve possuir, conforme artigos 93º e 94º da LGT.

Com efeito, o perito independente é sorteado entre as personalidades, constantes de listas distritais, e devem ser:

– especialmente qualificados no domínio da economia, gestão ou auditoria de empresas, – exercer atividade há mais de 10 anos.

A remuneração do Perito independente é encargo de quem solicitou a sua intervenção no processo e está regulada na Portaria n.º 78/2001, de 8 de Fevereiro.

O procedimento de revisão acima descrito, previsto nos artigos 91º e 92º da LGT, com as necessárias adaptações, é igualmente aplicável quando se pretende fazer prova de que o preço efetivamente praticado nas transmissões de direitos reais sobre bens imóveis foi inferior ao valor patrimonial tributário que serviu de base à liquidação do imposto municipal sobre as transmissões onerosas de Imóveis (IMT).

Com efeito, o nº 2 do artigo 58º - A Código do IRC, prevê:

“Sempre que, nas transmissões onerosas previstas no número anterior, o valor constante do contrato seja inferior ao valor patrimonial tributário definitivo do imóvel, é este o valor a considerar pelo alienante e adquirente, para determinação do lucro tributável.”

E o nº 3 do mesmo artigo 58º - A, determina a correcção a efectuar pelo contribuinte:

“3 -Para aplicação do disposto no número anterior:

a) O sujeito passivo alienante deve efectuar uma correção, na declaração de rendimentos do exercício a que é imputável o proveito obtido com a operação de transmissão, correspondente à diferença positiva entre o valor patrimonial tributário definitivo do imóvel e o valor constante do contrato;

b) O sujeito passivo adquirente, desde que registe contabilisticamente o imóvel pelo seu valor patrimonial tributário definitivo, deve tomar tal valor para a base de cálculo das reintegrações e para a determinação de qualquer resultado tributável em IRC relativamente ao mesmo imóvel.”

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Ora, uma vez mais, esta correção não é aplicável se o sujeito passivo fizer prova de que o preço efetivamente praticado nas transmissões de direitos reais sobre bens imóveis foi inferior ao valor patrimonial tributário, mediante requerimento dirigido ao diretor de finanças competente e apresentado em Janeiro do ano seguinte àquele em que ocorreram as transmissões, caso o valor patrimonial tributário já se encontre definitivamente fixado, ou nos 30 dias posteriores à data em que a avaliação se tornou definitiva.

Este requerimento origina um procedimento que se rege pelos artigos que regulam o pedido de revisão da fixação por métodos indiretos (nº5 do artigo 129º do CIRC).

É lógico que o procedimento que tem em vista demonstrar que o preço efetivamente praticado é inferior ao valor tributável tenha a intervenção de perito, que necessariamente tem de possuir experiência contabilística, pois a demonstração do preço passa por demonstrar que os custos de construção foram inferiores aos fixados por portaria a que se refere o nº 3 do artigo 62º do Código do Imposto Municipal sobre Imóveis, conforme exigência contida no nº 2 do artigo 139º do CIRC.

Uma outra área que requer perícia contabilística tem a ver com a recuperação do IVA relativo a créditos considerados incobráveis.

Com efeito, o nº8 do artigo 78º do CIVA prevê:

“8 - Os sujeitos passivos podem igualmente deduzir o imposto respeitante a outros créditos desde que se verifique qualquer das seguintes condições:

a) O valor do crédito não seja superior a (euro) 750, IVA incluído, a mora do pagamento se prolongue para além de seis meses e o devedor seja particular ou sujeito passivo que realize exclusivamente operações isentas que não confiram direito a dedução;

b) Os créditos sejam superiores a (euro) 750 e inferiores a (euro) 8000, IVA incluído, quando o devedor, sendo um particular ou um sujeito passivo que realize exclusivamente operações isentas que não conferem o direito à dedução, conste no registo informático de execuções como executado contra quem foi movido processo de execução anterior entretanto suspenso ou extinto por não terem sido encontrados bens penhoráveis;

c) Os créditos sejam superiores a (euro) 750 e inferiores a (euro) 8000, IVA incluído, tenha havido aposição de fórmula executória em processo de injunção ou reconhecimento em acção de condenação

Referências

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