Cartas
do
Leitor
Apurar,
apurar, apurar
...o sacrifíciocom que
implantamos
oSetor deObrasRaras da Biblioteca Central da UFSCsubmeteu-nosa umalutadiuturna
pelo
resgateepreservação
de todososimpressos
que doeumentavama históriade Santa Cata
rina. Com muita
disposição
eluta,
nós bibliotecários reunimos umprecioso
acervoque ao
longo
dos últimos 12anos
ensejou pesquisas
e trabalhosinéditos.
O
desaparecimento
da únicaedição
testemunhal de OCatharinense,
de nunciadopelo
Zero, nãosepode
encerrar nessa reportagem. Habitual mente,a
Seção
deColeção Especiais
procedia
levantamentodoseu acervovisandoaconferiroseu
patrimônio,
de formaaavaliaretomar
providência
notocanteaorelacionamentodeseu
pessoal
com opúblico
usuário,
oquemedeixa contisntede queotrabalho
que realizamosapresentouresultados
eficientes, sem
quaisquer
motivos para esconderfatos que contrariassem
anossafilosofiade
enriquecer
as nossasatividades.
Diante da
afirmação
dos funcioná riosValadares Alves de Oliveiraede MarleiMartins,
deque odesapare
cimentoocorreráhá trêsanos e que
eu tcria ocultado ofato, conforme
constaem
Zero,
tomeiainiciativa desolicitaraoReitorAntônioDiomário
deQueirozaaberturade
inquérito
ad ministrativopara:RP ficou
de fora
Foi realmente um erro de RP a Universidade não ter conside radoa
opinião
pública
namudan ça de trânsito.(.
..)
Lamentamosinformar,
queenquantoprofissio
nalda
área,
nãofomos consulta dos parasugerir
medidas de escla recimento à comunidade univer sitária(.
..)
O máximo queconseguimos, após
váriastentativas,
foi sensibilizarosresponsáveis
pela
implantação
doprojeto
paraconcederem uma entrevista coletiva à
imprensa.
Mesmoassim,
houve resistências.Paulo Fernando Liedtke RP/UFSC
1)
Apurar
aresponsabilidade
do desaparecimento
doexemplar;
2) Apurar
averacidade da denúnciaformuladaatravésdo
jornal
Zero pe losfuncionários Valadares Alves de OliveiraeMarleiMartins;Estou certa de que o
jornal
Zeroprestou
importante serviço
àcomuni dadeaodenunciaraofato. Mascausou-meestranheza, navisão deética
profissional,
o interesse doautorda matériaeminseriro nomedemeu marido,
Laudelino JoséSardá,
enfatizan doocargoque eleocupounoDisrio Catarinense. Se houverintenção
de estabelecerparâmetros
para oleitordispor
de alternativas falsas paraconclusões,
sótenhoprofundamente
ala mentar,pois
sempre tive-eaté que
meproveo contrário sempre terei
-o
jornal
Zero, oqual
habituei-me aler desdeseu
primeiro
número,como umlaboratório capaz de desenvolverprofissionais
nosentido deenriquecer
aindamaisomercado dejornalistas.
Espero,
comdesejos
incontido,que oZerocontinue refletindoa necessi dade deaimprensa
brasileiraexercero seu valioso
papel
emdefesa dos di reitos dohomemamparados
nosprin
cípios
democráticos.Narcisade Fátima
Amboni,
BibliotecáriadaUFSC
Florianópolis
Ombudsman
vê
Recebi
exemplar
dojornal
Zeroe meocorreuperguntarlhesehaveriainteresseem um
contato
pessoal
meucomo senhore seusalunos para análise
do
jornal
e tambémpara umbate-papo
sobreaimprensa
emgeral.
Sehouverinteresse,possoconsultara
direção
da Folha para saberde suadisposição
paracusteara
viagem.
Grato,
Mário Vitor Santos Ombudsman do FSP
Zero
(também)
erra
"Jornal sem erro não é
jornal"
costumadizernossoombudsman.
Assim,
eleavisaqueo Zerodeve fazer al
guns reparosreferentesà úl tima
edição.
Primeiro:oedi tor se entusiasmou com recente
premiação
e nomeou, nacapa, oZerocomohepta
campeão.
Perdão leitores:somos apenas
pentacam
peões,
emdezanosde vida.Segundo:
apágina
7,
nossaprimeira
experiência
emeditoração
eletrônica,
omitiuparte
da últimafrase dotex toImprensa
catarinensefleade
quatro.
A frasecompleta
é "Em
julho,
aRBS,
donado Diário
Catarinense,
com-prouo
jornal
de Santa Catarina." Aindana mesma
pá
gina,
foiomitidoocréditodo autor dostextos,
MaurícioOliveira e, um
perfil
sobreo
jornal
Ocatarinense,
quepublicamos
napágina
5 des taedição.
Aforaestespequenosdeslizes
perdoe algumas
matériaspublicadas
em corpo 7 e
8,
inaceitáveis paraos
padrões
contemporâneos.
Vamosem
frente,
queainda restamdoisnúmerosprafazer.
ZERO
Caminho
de
pedra
Caros
amigos
do Cursode Jornalismo,
Faz um mês que recebi um
exemplar
do DossiêZero-Oligar
quias
dominam rádio e TV emSanta Catarina. Senti-mena ma
nhã de26 demarço,
quando
apre senteiaoscolegas
o trabalho de conclusão do curso, sob o título Conversaaopé
do rádio- Os donosderádioeTVemSanta Cata rina. Graçasà
equipe
de mais de trinta pessoasqueassinaaedição
eoutrascitadasounãono traba
lho,
estasinformações chegaram
apúblico.
O editordo
Zero,
professor
Ri cardo Barreto, foi generoso de maiscom oautordostextos.Ain da nãoestouemcondições
defazer uma reportagem decentena
Alemanha. Tento
aprender
acomplicada língua
alemãe compreender
ocomplicado
povo alemão. Porenquanto,
ganho
opão
comodiaristanaroça,numafábri
ca de sucos e vinhos de
maçã
e naconstruçãocivil. Nas horasdefolga, viajo
de caronapor estasvelhas terras ou
ajudo
meu anfi trião na caça.É
meuestágio
noPartido Verde Alemão
-o uni formedos
caçadores
éverde.Reaproveito
eaprimoro
conhe cimentos quemeupai
me transmitiuem dezanosderoça,senta
donocarrode
boi,
entreoengenho da cana e a casa. São
lições
do tempo em que agente
láemcasasentiaa dor denão ter
nada,
amesmador que levarameutataravô, Johann Nicolau
Hoffmann,
do
pobre
Hunsrück(hoje
sudoeste daAlemanha)
aoBrasil,
em1861. Escrevo este intervalo de vidacom aenxadae acolher de
pedrei
ro,porque aindamefaltam ferramentasparaexercer
aqui
aprofis
sãoque
aprendi
nosbancos deescola e nas
redações
dejornsis.Olimpíadas, Expo
92,
aFeira de LivrosdeFrankfurt,
oplebiscito
.francêssobreo Tratado da União
Européia,
osmurosnacionalistasemqueesbarraessa
União,
o xenofobismo daAlemanha reunifi
cada, a ditadura de Yeltsin na
Rússia... são fatos dessa enorme realidade queme cerca e me fa
zem sentira dorde saberquase nada.
Estoume
preparando
parasentarnum dos bancos das
superlo
tadas universidadesalemãs- há
1,8
milhãode estudantes ocupan doas900 mil vagas. Seiqueocaminhoda burocraciaédepedra.
Agradeço
atodos
oscolegas
que me encorajaram para essa
aventura. Eu procuro,
pelo
menos,realizara
segunda
afirmação
deste trecho do Fausto de Goethe: Fausto: "Sinto a coragem de
mergulhar
nomundo, decarregar todasasdoresealegrias
da terra".Espírito
da Terra:"Porque,
emvezdisso, vocênão luta para se
tornarumMensch -umautêntico serhumano?"
Abraçosdo
GeraldoHoffmam Jornalista AlemanhaCumprimento
CumprimentamosoZeroetodasuaequi
pepela obtençãodaquinta premiaçãocon
secutivsno5�SetUoiversitsno,promovido
pelaPUC-RS. Oprêmioatestaaqualidade
do trabalho desenvolvidopelosalunose
seusprofessores.Parabéns.
Prol Antônio Diomário deOueirôz
Reitor daUFSC
Florian6polis
Dossié
Zero
De
primeiro
preciso cumpri
mentá-Ia(s)
pelo
Zeroe seuDossiê,
querecentementecapturei
nosindicatoelicomprazer. Os
prê
mios do Set Universitário traduzem o que agente
poderia
dizer.Gostei muito da entrevistacorn o
prof.
NilsonLage,
masesperoqueos
companheiros
tenhamdeixadoalgumas
gotasde sanguenavítima.Umraro momento em que o en
me,de extrairomáximo,compen
sa.Também muitobom,porcom
pleto,
o dossiê, cominformações
inclusive
daqui
do RS,sobretudo sobreorápido
(vertiginoso?)
crescimentoda RBS.Enfim,ainvesti
gação
foi valorizadaeadquiriu
aqualidade
de únicapois
adevassa durante oepisódio
Collor teve acolaboração
de muitosem váriosveículos,
enquanto
que o estudoprofundo (histórico)
contido nodossiê somente vocês o fizeram.
Haja
seca...novidades poucas.Faço
free projornal
de Uruguaiana,
umbisemanário,
mas medivirto aindacoma
gurizada
novaque, por
exemplo,
recolhe cedoe me deixa sozinho assistindo o
julgamento
noqual
13candidatosaoúltimo
pleito
(11
à vereançae2 à
vice-prefeitura)
foramimpug
nadospelo
TRE. Sónãodeiofuro estadual porUruguaiana
porqueo
jornal
demorou dois dias parasair,
masterminei vendendoainformação
no diaseguinte
pro"monopólio",
numa cenainteressanteVividanaRBSTV.Aofazer
a
oferta,
umantigo
companheiro
de trabalho foiverificar se tinha
ou não a
informação
"neste queé o
equipamento
mais moderno atualmentenomundo". Só que atelinha mostrou que não tinha a
informação
... comosempre. Eles continuaminvestindonamaismo
derna
tecnologia
eesquecendo
que quemmanuseiaecomandaa
coisaaindaéohomem.
Issomefazlembraro
prof.
Antoninho,
que há muito tempojá
mediziaqueapesardetodaame
canização,
umafunção
seriasempre insubstituível, a do
repórter.
Mas issoé, talvez,
tema paranossosilustres acadêmicos.
Também
faço
freeparaAdjori,
universo quepretendo
conhecercom maior
profundidade.
De cara,
verifiquei
queenquantoternos21 diários nas
principais
cidades dointerior,temos117 semanáriose38
jornais
cornoutrasperiodici
dades. Terna de estudo também.
Aliás,
aimagem
queseteméque
existe uma forte emúltipla
Imprensa interioranasomentenoRS
e SP. Aí ern Santa a dificuldade
emfazer a
distinção
começapelo
portedas cinco
principais cidades,
entre asquais Florianópolis,
queparece nãoser amaior,mais volu
mosa.
Enfim,
faltao traçodivisório entre
capital
e interior... masisto épapo prouta
cerveja.
Abra ços,Sérgio
Becker. Jornalista PortoAlegre
ZERO
2 M.lhorP.ça
Gráfica I,II,
III, IV•V SetUnlv.rsltárlo Maloaa, S.t....broa9,
90•91 Outubro 92 Jornal-laboratório do Curso deJornalismoda Universidade Federal deSanta Catarina. Arte:José da Silva Júnior
Copy-write:
Professores Luiz
Scotto,
Ricar do Barreto, Gastão Cassel eFrancisco Karan.
Diagramação:
Adriane
Canan,
AlexandreGonçalves,
CelsoGick,
JoanaNin,
NelsonCorreia,
PatríciaJacomel, Rogério
MosimanneVictor Carlson.
Direçãode redaçãoe
supervi
são:
Professor Ricardo Barreto
(MTb 2708/RS)
Editores executivos:
Alexandre
Gonçalves,
Joséda Silva Júnior, NelsonCorreia,
Rogério
Mosimann e Victor Carlson.Edição:
Adriane
Canan,
AlexandreGonçalves,
CelsoGick,
Joséda Silva Júnior,Marque Casara,
Mônica
Linhares,
Nelson Correia, Rogério
Mosimann, Simone
Fritsche,
Victor Carlson.Fotografia:
AnaCarine
Montero,
CristinaGallo,
GiancarloProença,
LauroMaeda,
PedroMelo,
Sheila Deretti e VictorCarlson.
Laboratóriofotográfico: AnaCarine
Montero,
Cristina GalloeVictor Carlson Textos:Alexandre
Gonçalves,
CléiaSchmitz,
Diógenes
Botelho,
EdnéiaPavei,Emerson
Gaspe
rin,
IvanaBack,
JaimeMoraes,
Joséda SilvaJúnior,LuísCar losFestl,
MarianoSenna, Mô nicaLinhares,
NelsonCorreia, SheilaDeretti, Suyane
Quevedoe
Ulysses
Dutra Netto Acabamentoeimpressão:
Imprefar
Redação:
Curso de Jornalismo
(UFSC-C
CE-COM),
Trindade,
CEP:88045, Florianópolis/SC.
Telefones:(0482)
31-9215 e 31-9490 Telexetelefax:(0482)
34-4069Distribuição
gratuitaCirculação dirigida
NOV-92flSe
fe
.poilfllm
umaarma
•
f.
mandam.
fossirfl
você
fOSS.fIfI
Soldado
de
Hitler vira
pacifista
Primeiro
sargento
do
Fürher
diz
que
matança
foi desnecessária
Hirschmann: ferimentos degranadaeprisãode18meses
este foi um dos
piores
momentos de batalhaonde testouo limite das
forças
deseucorpo.Hoje
ele éumsenhordesetentaeseis
anos que mora numa pequena e
aconchegante
casa estilo europeu etemcomo
hobby,
em suapacata
vida deaposentado,
o cultivo dasplantas
do seujardim.
Cinqüenta
anosarras,
estemesmohomemlutouna
Segunda
GuerraMundialcomoprimeiro
sargento
dastropas nazistas,
sob oImpasse dematar ou morrer. Semblantetran
qüilo
em traçosalemães,
cabelos brancosqueum dia
já
foram louros e olhos azuis quejá
vivenciaram terríveiscenasde
agonia
eviolência humana. Este éHirschmann- umhomem marcado
pela
guerra.Joachim Hans Emil Hisrch
mann nasceu em
Berlim,
Alemanha,
em 31 de outubro de 1916.Filho mais velho de cinco
irmãos,
começou atrabalharaos catorze
anos como
aprendiz
de ferramenteiro. Não por
necessidade,
masporque seu
pai
achava que dariamais valor aosestudos se tivesse
que
pagá-los.
Hirschmann contaque teve uma boa infância em
Berlim,
havialiberdadeebastan tediálogo
em suafamília,
queeracontra a ditadura hitlerista. Em
1937 foichamado parao
exército,
mas recebeudispensa.
Motivo:estudava
engenharia
mecânica. Em40,
já
engenheiro,
foi obrigado
a servir. em41,
estourouaguerracontraaRússia.
Contraaguerra - Hirschmann viveua
Segunda
Guerra Mundialquase seisanos emeio. Cincode
lesemcombatenaItáliaeRússia.
Foi
prisioneiro
dosingleses
em umdos campos na Itália.Apesar
de ter oposto
depri
meiro
sargento
e recebermuitasmedalhas lutando
pela
Alemanha,
Hirschmann afirma que é contraqualquer tipo
de guerra. Dizquesãofruto daganância
dosgovernadores
e,porisso,
nãotemmágoa
de nenhumanação.
Paraele,
"todo povo ébom,
o queestraga
é apolítica".
Sobreonazis mo, Hirschmann observa que"nem todo alemão é nazista as
simcomo nemtodorussoécomu
nista". Sobresua
posição
naépo
ca, étaxativo: "Selhe
apontarem
uma arma ethe mandaremtossir,
você tosse".
Resistente em falar sobre a
guerra por considerá-la
desumana,
o ex-sargento
de Hitler lamentaumasituação
emque ossoldadossãoobrigados
amatarpessoasquenem ao menosconheceme tirar sem
piedade
avidadepais
de famíliapara não serem mortos. Lembracompesar
algumas
situações
quevivenciou durante
auquele
período,
como aperda
dosamigos,
aprisão,
ofrio,
a fomee a
idelogia
contraseu povo.Quandoesteve
abrigado
comoutrosoldadona casa de umafamíliarussaonde haviauma
mulher,
umvelhoetambém trêscrianças,
ofe receubalasaelas quese recusarem acomê-Ias,
porque os russos
garantiam
que os alemães matavam criancinhas. Então Hirschmann co meu uma bala para provar que não faziamNOV-92
3
mal. Só então
as
crianças
aceitaram.Elecontaque foi ferido trêsvezeporgrana
daefuzil. Foram ferimentosnanuca,navista
e na
mão,
onde atéhoje aloja
umabala não-retirada para não
prejudicar
seus movimentos.Mas o ex-combatente acha que teve sorte de não
perder
nenhumaparte
do corpo e, o melhor,
nãoperder
avida,
comotantosamigos.
Gelono sangue
-Foram 24 horas decom
bate a uma
temperatura
de 52 graus abaixode zero. Era
preciso
enterrar-se naneve, quetinha uma
temperatura
de 1 grau, para que osanguenãocongelasse.
Muitosoldados tiveram que
amputar
pernas ebraços.
Para eleHirschmann foi preso dois diasantesdeter minar a
�uerra
e, dos dezoito meses em queesteve
pnsioneiro
dosingleses
relembraostrêsprimeiros
como osmaisdifíceis. FoiemAlta mura,pertodeBari,
Sul da Itália. Num campo deprisioneiros
ficavam por volta de dois mil militares, Eram comogalpões,
não muito altos, "descreve" com
janelas
e por fora corredores". Eles dormiam todos
juntos
nocimen toerecebiam duasrefeições
por dia. Noalmoço vinha sopa, que ele
relembra,
rindo,
nacomposição:
98% deágua
e os restantesdoisporcento até
hoje
não identificados, Aoutrarefeição
eratípica
dosingleses:
cinco passas ZEROetrêsbolachasquenãoenchiamnem a
palma
da
mão,
acompanhadas
dechá. Osprisioneiro
recebiam o necessário em calorias para não morrer.
Banho s6de latinhaenão dava para trocar
de roupa. Para
Hirschmann,
opior
de tudo eraficarnaociosidade,
jogando
cartasdevez emquando.
Fumar,
beber,
só vendendo osobjetos
pessoais.
Apenas
umavezpode
comunicar a seus familiares que estava
vivo,
e, opior
detudo,
não havia cornofugir.
Depois
de três meses nocampo de
concentração,
foimandado para
Tarento,
onde iria trabalharem obras. Lá ficavam em barracas de lona
e com 16 homens. Mais tarde vol
� tou a
Bari para trabalhar como ii:
enfermeiroe
motorista,
eradifícil�
.., escapar. Sobre sua
fuga,
Hirsch-�
mann não querfalar,
diz apenas<5i que "deuum
jeito".
Fim do
pesadelo
- Terminados os momentos de terror, da guerra e da
prisão,
passou um /tempo
vivendodesregradamente
e sememprego.Em1949se casou
e,em
52,
veioparaoBrasil atra vés de um contrato de empregotrabalhar como técnico de ferra
mentas. Não conhecia nada do
país
e nem ao menosfalavaoportuguês. Chegou
naépoca
do go vernoGetúlioVargas
e disse quehavia boas leis trabalhistas
"que
não eramcumpridas".
Em 57nasceu seu único filho. Atual mente continua morando em
Joinville. Gosta de viver
aqui
eexpressaseu amor
pelo
Brasilonde está há 40 anos.
Conhecedor de onze
países,
aprecia
opovo sul-americano pela
educação
edelicadeza,
características raras no
alemão,
que,segundo
ele,
é um povo muitofrio,
fechado e rude. Mesmoassim,
nãoperde
aoportunidade
de criticar a falta de
pontuali
dade dos
brasileiros,
qualidade
dos alernãês. Para o ex-sargen
to, "tudo fica mais fácil com
pontualidade"
.Abençoam
canhões Hirschmann também
possui
uma visãomuito
particular
dareligião,
apesar de sua
formação
protestante.
Seu Deus é anatureza, realidade
que
nosévisível,
e oSol,
porque sem ele não sobreviveríamos nem cinco minutos.Diantedos horrores daguerra, começouadesacre
ditar das
religiões,
que pregam não matar, masabençoam
canhõesetanques
de guerra.Nos
piores
momentosdaluta,
Hirschmannsemprefoiotimistae acreditouque iria
melhorar,
lembrando
injeções
e calmantes a que seuscolegas
eram submetidos à beira da loucura. Paraele,
"a vida é como o mar, tem altos ebaixos,
o ciclopode
serlongo,
masninguém
escapa".
Em1982 Hirschmann foi paraaAlemanha visitar
familiares,
masnãogostaria
de voltara morar lá.Se tivesse que passar por
,tudo
novamente, teria outraopção:
"EuiaparaAfrica,
ia parao mato".Shel,.De,.ttl
, I
E
AL
DOUTOR?
f
.I
:
I
{
I
fTrabalhando
guardadores
nadesurdina,
carro esostão se
organizando.
Fun dadaemjulho
de1992,
aUnião Catarinense dos Guardadores de Carrojá
contacom 290 filiadossó em
Florianópolis.
Oobjetivo
da entidadeéorientarosguarda
dores para as leis de trânsito e
preservaro direito dos
proprie
tários dosveículos.Porém,toda ess�organização
nãoé suficienteparamanterapaznosestaciona
mentos
públicos
da cidade. Extorsão,rouboevistasgrossasdas autoridades estão se tornando rotinadeumterritórioondenem a
polícia
emuitomenos aprefei
turaditamasnormas.
-O
presidente
daUniãoCatarinensedos Guardadores de Carro
nuncafoi "flanelinha". Sentado
em umasaladecoradacomfotos de Gilberto
Gil,
Antônio Cabral dos Santoscontaqueaprincipal
metada
União,
nomomento, émontaro sindicato da
categoria
para "defender os direitos dos
guardadores
e assegurara tranqüilidade
dosproprietários
dos veículos". Afrustração
de Antô nio é ade ainda não terconseguido alcançar
aadesão dos 620guardadores
decarro existentesem
Florianópolis.
Alémde líder dos"flanelinhas",
Antônio acumula o cargo de
presidente
da União Catarinense dos Homens de CorNegra.
"A
situação
dosguardadores
atualmente éirregular,
mas opoliciamento faz vistas
grossas",
justifica
Antônio. Ele dizcontarcom a
colaboração
do coronel Balocda PM-SCedodelegado
Schmidt,
do 1� Distrito Policial deFlorianópolis.
Revolta- "Esse
cidadão éum
mentiroso",
afirmouodelegado
Schmidt diante da denúncia de
colaboração
dapolícia
comasi-4
Atuandoemgrupo, fazem ameaçasaosmotoristasna earados PMs
tuação
irregular
dosguardado
res.Eleafirmaque
precisam
surgir queixas
paraapolícia
atuar. Odelegado
contaquechegou
afalarcomAntônio: - Eu falei
com esse
negrão
no Box
32,
mas láeu não tratodessesassuntos.
No 4� Batalhãoda Polícia Mili
taroclimadeespantoera o mes
mo. "Nós desconhecemos
qual
quertipo
deacordo,
além doquea
situação
dosguardadores
é irregular,
eles nãopodem
trabalhar",
dizocomandante,
tenente-coronelGilberto da Silva. Na
impossibilidade
daação
dapolícia,
os estacionamentos estão se tornando cada vez mais
perigosos
paraosusuários,
eissonãoé de
hoje.
No dia 26 de de zembro de1988,adona decasa, Matilde Fiamoncini voltava das comprasedirigia-se
aoseucarroestacionadoemfrente aotermi
nalRitaMaria. Foi
surpreendida
por dois homensarmados,
que roubaram seu carro e soltaram elae seufilho nocaminho paraItajaí.
"Eupensei
que eleseramguardadores
decarro",
diz Ma tilde.Maracutaia
-O quea
prefei
tura arrecada em um mês com os estacionamentos
públicos
deFlorianópolis, podena
serarenda deumsódia de trabalho orga nizado. "A
culpa
dasituação
emque se encontram os estaciona
mentos é a falta de
apoio
querecebemos da Secretana de Ur
banismo", revelaochefe de ad
ministração
dos estaciona mentospúblicos
deFlorianópo
lis,
Zilto Izolino Perez. No dia 3 de novembrofoiencaminhado àSecretaria deUrbanismoeServiços
Públicos(SUSP),
umrela tórioexplicando
asituação
atual dos estacionamentos epedindo
apoio
técnico e financeiro paraCriado
cartel
dos
tlanelinhas
Guardadores
irregulares
agem
com a
conivência da Polícia Militar
Turistasepobresdãoasmelhoresgorjetas
-uma
reorganização
do sistema. Opedido
nãofoiatendido,
pois
de acordocomZilto,a
prefeitura
nãoteminteresse emresolvero
problema,
ainda mais agoranofinal de mandato.
Outra
reclamação
de Perezéa
política
que envolve as questões de
serviço público
em Florianópolis, principalmente
àsconcorrências.A últimaconcor
rência
pública
para aliberação
deáreaspara
exploração
deestacionamentos
pnvados
foiganha
pelo
então secretário da Administração, Odilon Furtado
(atual
diretordaComcap).
"Ele sequerpoderia participar
dacon-corrência", afirma Perez.
Atualmente,
estáimplantado
nos estacionamentos em frente
aomercado
público
osistema docartão,obloco de dez folhascus
taCr$ Jmilecada folha
equivale
a uma horade estacionamento.
Mas,
naprática
essesistemanãofunciona,
oquevale éagorjeta
do
guardador.
Flanelinhas-Enésio José da Silva trabalha aoito anos como
guardador
decarroesediz satis feitocom o-"cargo":
- Melhor
que trabalhar de
empregado.
Ele tira de Cr$ 40 a 50 mil por diaetrabalha 12 horas.
Ené-siocontaqueasmaiores
gorjetas
são dadas
pelos
turistas epelo
pessoal
da classepobre.
"Osricos fecham a
janela
e saem fora".
Entreos
guardadores
decarrode
Florianópolis.
90%sãocasados e tem
filhos,
sendo que agorjeta
do estacionamento é oúnico meio de renda dessas pes
soasque moram,na
maioria,
nosmorrosdo
Mocotó, Mariquinha
eCaixaD'
Agua.
Aformação
do sindicato dosguardadores
ainda éumsonhodistante,
e sedepen
der da
prefeitura
estesonhonuncavai serealizar. _
D/6gene.
Botelho NOV-92 ZEROAcervoserá
recontado para
in
vestigação
A
abriureitoriainquérito
da UFSCadministrativo para inves
tigar
oroubo dojornal
O Catharinense,
oprimeiro
doestado,
denunciado no último número do Zero. O únicoexemplar
conhecido dapri
meiraedição desapareceu
hátrês anos do setor de Obras
Raras da Biblioteca Univer sitária.
O processo deve durarcer ca de um
mês,
apartir
danomeação
da comissão que ouvirá os
depoimentos
dos envolvidos. A
administração
daBiblioteca,
que solicitou aabertura do
inquérito
em caráter de
urgência,
interditoua
seção
de Obras Raras paraque o acervo
seja
recontado. A sala deverá passar poruma reforma para atender
melhoras
exigências
de conservação
dasobras: aentradada luz solar será
diminuída,
o acondicionamento melho
rado e mais obras serão
mi-. '. . . nc. êeqUilt"' lmpnnsa.. calannt'� -�
��
r_- -Ojornal
O Cethsrinensefoi fundadoem1831 porJerô
nimo
Coelho,
insatisfeitopelademoracomqueasnotícias
chegavam
emNossaSenhorado Desterro - atual Floria
nópolis.
O semanário perten cia àSociedadePatriótica,
organizada
por liberais catarinenses que combatiam a in
fluência
portuguesa
nogoverno. O
primeiro
número de O Cethetinense circulouno dia28 de
julho,
tinha seispáginas
no formato 15x21 cm e foi
vendido por 60 réis somente
aos
assinantes,
já
que nãoexistiam
jornaleiros.
Como a
tipografia
era umaatividade totalmente desco
nhecida na
ilha,
JerônimoCoelho teve que escrever, compor e
imprimir
ojornal
sozinho.
Aprendeu
estesofí-NOV-92 5
crofilmadas. Está sendo
pla
nejada
acriação
de um laboratório de
restauração
exclusivo para o setor.
Todo o acervo da Biblio teca vem sendo
prejudicado
pelos
roubos. Já houvecasos,flagrados pela
segurança do campus, de livrosjogados
pe lasjanelas (leia
texto ao lado).
Asituação chegou
aoponto
de serem encontradosentreas
doações
queaBiblioteca
recebe,
muitoslivrosquepertencem aela mesma.
O
vandalismo,
outro pro blemasério,
chegou
a gerar umamostra de livrosmutila dos. Os poucos funcionáriosque atendem ao
público
não conseguem fiscalizar todas as3.500 pessoas que
freqüen
tama Biblioteca por dia.
Com a
instalação
do siste ma automatizado de consulta,
prevista
ainda para este ano, começa a sercogitada
aproibição
doacesso àsprate
leiras.Nessa tentativa de pre
servar o acervo, os usuários
escolheriamostítulos através
de vinte terminais de vídeo.
A diretora da
Biblioteca,
Maria
Ghizoni,
diz queafaltade verba é a causa de todos
os
males,
inclusive da poucaespecialização
dos funcionários. "Os baixos salários aca
bam afastando os
profissio
nais
adequados".
Esse problema,
oprofessor
do Cursode
Jornalismo,
Sérgio
Weigert,
sentiu napela quando
quis
saber se,Fausto,
deGoethe,
estavanaBiblioteca:"Não sei... Ele trabalha
aqui?",
foiaresposta
queouviu.
cios trabalhando no Aurora
Fluminense,
do Rio de Janeiro,umdos
jornais
commaiorforça política
naépoca.
Capitão
deengenheiros
doexército,
Jerônimo Coelho fez carreira tambémnapolíti
ca.Foideputado
daprovíncia
de Santa Catarinapor trêsvezes,ministro por duase
presi
dente das
províncias
do ParáeRio Grande do Sul.
Apesar
detersido conselheirodaCo
roa, revelou-se um
opositor
ferrenho da
monarquia
noeditorial de
lançamento
de OCatharinense,
onde chamouDom PedroIde
"ingrato,
estúpido,
avarento e doido".Em
1832,
o nome dojornal
foi substituído por O
Expo
sitor,
que
teve curtaduração.
(M.a.)
MauricioOllvel,a
TODOS
PERDEM
111 ,'''Ifi.11[l!!(
('M'
..;.(<�:l .s.Jdi
Usuários,além deroubar, arrancam eriscamaspáginas
que dificultabastanteotrabalho
dosetorde atendimento éescon
der livros. Eles retiram a obra
dasuaestanteecolocamem ou
tro
lugar
paragarantir
usoexclu sivo.Sigridi
concordaqueonúmero de volumes de cada obra é muito pequeno em compara
çãoaonúmero de
usuários,
maslembra que a BU também pre
cisa diversificarseu acervo com
prando
mastítulos.Um terceiro
problema
quecompromete o acervo da BU é
a
destruição
deseuslivros.É
comumencontrarobras com
pági
nas
cortadas,
riscadas e rasgadas. Omesmoacontece comfo
tografias
eilustrações. Às
vezeselas
chegam
aficartãomutiladas queéimpossível
fazerareferên ciabibliográfica.
Um aluno che gouacolocarpartede umoutrolivro no
lugar
daspáginas
quearrancou de uma obra empres
tada.
Parase teruma idéia da falta de cuidado com os livros basta visitarosetorde restauraçãoda biblioteca. Há sempre uma mé dia de doismillivrosparaserem
restaurados. Por
dia,
osseis fun cionáriosque trabalhamnosetorconsertam cerca de 120 livros. Conforme o encadernador, Os
marJoão Silvério,onúmero de obrasque entra nosetoré sem
pre maior queonúmerodeobras que sai. Osetorapenas faz repa
roscomo costurar,
colar,
refor çarlivrosnovos esubstituirpági
nas
rasgadas.
Às
vezesépreciso
pedir
xérox dessaspáginas
embibliotecas deoutrosestados.
Mau
uso
da BU
piora
serviço
Algumas
obrasprecisam
serrestauradasem
lugares especiais
pois
são muitodelicadas.É
ocasode obras rarasmuito
antigas,
que porterem umpapel
bastante sensível devem serrecuperadas
em laboratórios,
pois
desman chamcom ocontatomanual. Em Santa Catarina o único labora tório derecuperação
de livros fica no
Arquivo
Público. Oscustos com essas
restaurações
sãograndes
e com este dinheiro aBU
poderia
comprar livros no vastãosolicitados porprofesso
res ealunos.Algumas providências já
foramtomadas
pela administração
pararesolver osproblemas
coma
destruição
doslivros,
masvãoexigir
muitapaciência.
A BUaposta na
conscientização
dos leitorespromovendo
umconcursode cartazes sobre "Preserva
ção do material
bibliográfico".
Nopróximo
ano, seráfeitaumacampanha
de incentivoàleitura para que as pessoasaprendam
avalorizareconservarolivro.
Quanto aos furtos de livros. a
solução
definitiva seria amagnetização
dos livroscom acolocação de um ponto
magnético
emcadaumdeles. Umarcoins taladonasaídada biblioteca de tectariaoponto
magnético
dan do um sinal cada vez que umaobra saíssedaBUsempassar pe
losetordeempréstimo,ondeela
seria
desmagnetizada.
Mas, por enquanto, isso é apenasum sonho,
pois
os custos do sistemasãotambém muito altos.
Cléla
SchmitzZero
provoca
inquérito
na
UFSC
Jornal
brigou
com o
rei
Usuários deixam
biblioteca
de
ponta
cabeça
Osetorde atendimento da Bi
blioteca da Universidade Fede ral de Santa Catarina
(UFSC)
deixa de atender por dia cercade 30% das pessoas -que the pe dem
ajuda
por nãoencontraroslivros solicitados. Uma parte desses livrossãoretirados dases
tantese abandonados emoutro
lugar
da biblioteca. A maioria sãoobras que foram roubadas.Afacilidadequeosestudantes
encontram em furtar asobras é
um dos
problemas
daBU. Elesjogam
livrospela
janela,
escondemnaroupaouentreoscader
nos e
dependendo
do tamanho levam até no bolso. Alunosjá
foramflagrados
tentandoroubar livroseporpouco nãoforamexpulsos
da Universidade.Segundo.
a coordenadora dosetor de
atendimento,
Sigridi
Dutra édifícil controlaro furto
pois
o número de funcionários é muito pequeno para uma biblioteca com cerca de 2.600
obras.Alémdisso, nãoseriauma
atitude
simpática
revistarasroupas das pessoaspara saberse es
tãolevando
algum
livro.Sigridi
dizquealgumas
pessoasxingam
oporteiro
quando
elepede
para abrirabolsa.MOTÉIS
EM
CRISE
Libido esbarra
no
bolso
NemaAIDS
.
provocou
cnse
tão
grande
aos nocautes do
governo".
"Deumanopra
cá,
osfreqüentadores
dos motéis têm sido quase que exclusivamente
empresários
eprofissionais
liberais".
A
verdade
éque
oslençóis
de
seda,
colchõesd'água,
saunas episcinas
estão maisdistantes do
que nunca
dos consumidores.-
Etoda a
infra-estrutura do
prazeroferecida
pelos
motéisde
Florianópolis
virousonho
depois
queos
freqüentadores
tiveram queencarar ospreços
dos
apartamen
tos,
queatualmente
variamentreCr$
80
e150
mil,
do
maissimples
quarto
àsuíte,
comdireito
àsauna,
piscina,
banheira de hidro massagem e muito mais.A
debandada
em massa dosfreqüentadores
levouos.
proprie
tários aapertarem
os cintos e aadotaremnovas
políticas
parapoder
driblar
a recessão. "Temos quenosadaptar
àbaixa
produti
vidade. Não se
pode
aumentar opreço,
porque
o consumidor nãotemcomo arcar com
ele",
colocaMauro. A
crise
tambémobrigou
o Motel
Dallas
abaixar
o custodo
apartamento
simples
em20%.
Mesmo
assim,
oproprietário
Síl
vio
aposta
namelhoria doserviço
para manter os atuais
freqüenta
dores. "No ramo de motel é pre
ciso termuito
cuidado
comaroupa e
vestuário.
Higiene
é fundamental,
principalmente depois
queaAids
passouaameaçarnossas
vidas".
O
fantasmado
vírus entretanto,
não éencarado
como causada
queda
de
movimento nos motéis.
O
proprietário
do motel Da llasdescarta
totalmenteessapos-sibilidade
eafirmaque
"omotivo
éestritamente
econômico".Mas
osexólogo
NiltonRibeiro
não pensadesta
forma.Para
ele,
não só a Aidspode
serdeterminante
da
queda
demovimento
nosmotéis,
como aprópria
influência
negativa
da
crise nalibido das
pessoas.
"Quando
alguém
entranum
ciclo
deangústia,
que
pode
sercausado
porumacrise econô
mica,
perde
odesejo,
etende
aficar estressado. Ostress
diminui
onível
do
hormôniotestosteronae faz com que o
apetite
sexual
diminua
oudesapareça"
,explica,
embasando a sua
argumentação
no ato de que em momentos
de
crise,
a procura das pessoas porpsicólogos
ousexólogos
aumentasensivelmente. Para
Nilton,
aclasse
média
éamaisafetada
nes sashoras,
pois percebe
aperda
substancial do
seupoder aquisi
tivo.
"Neste ponto,
ohomem é
ainda
maisatingido, pois
nãopo
de
falharna cama e nem nas contas. A
pressão
social é muito
grande".
Matinho-Se por um
lado,
os motéis foram extremamentecomprometidos pela
recessão,
poroutro,
asagências
de
acompanhantes
escaparampela
tangente.
Karina,
umadas
sóciasproprietárias
daagência
"Garotas
Playboy"
diz quechega
arece
-ber 50
ligações
pordia,
e que omercado neste ramo é
receptivo.
Ela admite que hárealmente,
umproblema
de crise nopaís,
masque
sóafeta
a classebruxa
e média.
"Nossosclientes
são emgrande
maioriapolíticos,
empresários
eprofissionais
liberais. Por
isso,
não estamospreocupadas".
A
agência
Tele-Gatos é
outrada
lista das
invulneráveis
com acondição
do
país.
"Fundamos
aagên
cia
a três meses,gastamos
umanota
preta
noinvestimento,
masjá
recuperamos
odobro
e começamos
asolidificar
a nossaclien
tela",
segaba
André,
sócio-pro
prietário.
As pessoasque procu
ramos
serviços
daTele-Gatos
sãoquase que
exclusivamente
da
classe
média alta paracima. "Não
é todo mundo
quepode
desem
bolsar
Cr$
200
mil porduas ho
ras",
admiteAndré,
apesar de
achar que o preçoestabelecido
está abaixo
do mercado.
Dentro de todaa
situação
gerada
por umaeconomia
em caos,quem
saiperdendo
mesmo é aclasse média.
"Vivemos
umacrise
emocional,
devido
aAids,
euma crise
financeira,
devido
aoCollor",
colocaMarcelo
Cassetari,
que nãopisa
num motel hádois
anos. E ojeito
para quemvive
mesmosemdinheiro
évoltar àsorigens.
"Fazersexo no bancotraseirodo carro,ou mesmonum
matinho,
nunca esteve tão emmoda".
,
'A
g�nte
não quer so comer, a gen te querbeber,
quer fazer amor",gritava
ovocalistadaban
da Titãs em
87,
época
em quequalquer
donode
fusquinha
poderia ter acesso a um
motel
emFlorianópolis. Hoje,
os poucosque
freqüentam
as garagens dosmotéis da cidade são
"Santanas,
Mercedes
eMonzas".
Eagrande
massa,que quer
comida
e prazersexual,
estápassando
por mausbocados.
Os
proprietários
dos
principais
motéis
da
ilhaestimam umaqueda de
50%
nomovimento
-cau
sada
pela
crise econômica queafetao
país
- eatribuem
a
culpa,
,
com
unanimidade,
ao recém-des tituído governo Collor. "Nuncachegamos
a ter nossosnegócios
tão
afetados",
diz Mauro Branzolin,
proprietário
do MotelMeiembipe.
A áreamoteleira,
argumenta,
é comoqualquer
outra,
epor isso está totalmente sujeita
à recessão e àinstabilidade
do mercado.
Sílvio de
Souza,
proprietário
do motelDallas,
doCandelabro
e do Ele eEla,
que trabalha hámais de vinte anos no ramo,con
corda,
e dizjamais
terpresencia
doumacriseeconômica tão
forte.
Para
ele,
aclasse média foiamaisafetada,
principalmente
os funcionários
públicos,
"mais
sujeitos
Monic.Llnh.,..
SERÁ
QUE
É
PECADO?
pujar
asreligiões
pentecostais,
os cultos afro e o
espiritismo.
"Este trabalhoéaprova da preo
cupação
doPapa
em manter aIgreja
sempreatual,
renovandose
constantemente",
dizopadre,
emboraadmite nãodominarto talmente as reformas.
Contudo,
opastordaIgreja
Adventista do SétimoDia,
Vanderlei Moraes, vê de outraformaesta "renovação":
"Deusnuncamuda deopi
nião,
sua lei permanece a mesma,e
ninguém
naterra tem poder para
mudá-la,
avisa.Pecado,
paraopastor
Vanderlei,
éacriação
de umalistacomfaltas toleráveis, "que
poderá
serviratéde estímulo parapráticas
que, indi ferentemente daopinião
doVaticano,
continuam sendo crimesperantes Deus",prega.
Os chamados "novos peca dos"
compõem
quaseque totalmentealista dos "intoleráveis".
Agora,
leitura dehoróscopo,
mapaastral,
superstições
eespi
ritismo levamao
fogo
e ao enxofre,
mais por concorrerem coma
Igreja
Católicanomercadoreligioso
do que porcausaram degradação
noespírito
das pessoas.O aborto ainda éonsideradoum
assassinato, portanto um crime grave, ao contrário do suicídio
edaeutanásia,
promovidos
paraa lista dos "toleráveis" ao lado
doitem"matarem
legítima
defe sa".PCeCollornoinferno- Cor
rupção,
especulação,
suborno,
estelionato e
sonegação
de impostostambém comprometema
imortalidade, segundo
o novocatecismo,queinclui tudo istono
oitavo mandamento: "não rou
barás". Sea
corrupção
levamesmo aoinferno,osdoisassessores
do
Papa
João Paulo II envolvi dos naquebra
fraudulenta do BancoAmbrosiano,
em1987,
já
estãocondenados paraomesmo
caldeirão que
aguarda
Paulo CésarFarias,oPC,eFernando Co llor de
Mello,
grande
devoto de NossoSenhora daRosaMística. Onarcotráfico,
mesmosendoa
conseqüência
do uso de dro gas, garante aos traficantes umburaco mais
profundo
noinferno do que aosviciados,
pelo
novocatecismo,
que condena inclusive a
poluição
ambiental. O padre Pedro acredita que o texto
aprovado pelo
Papa
emjunho,
cuja divulgação
oficialdeve sair até o fim do ano,cumprirá
seupapel
de"guia
para normas de boa conduta"aos960 milhões de católicosespalhados pelo plane
ta. Resta apenas o Vaticano ex
plicar
como ficamaqueles
queJá
morreram e que estãoquei
mando porpecados
considera dos agora toleráveis.Jo•• d.SI/ti.Jr
Dona Vera
e
motorista
deixam
um
corno
doido
Ele chorava
e
chegou
a
bater
o seu
fusquinha
O
bom.homemParecia,
até não.parecia
Era bom.Váláquenãofos
se bonito e bebia um pouco,
mas não
chegava
a serum cude-cana da cidade. Fumava
sim,
mas issoeraalgum
defei to? ohomem,
coitado,
nãojo
gavaenãoeradeprocurarmulher fora. A bem da
verdade,
ocoitado do homemnãomere
cia ser corno. Mas
foi,
e dos mansos. Contamospois,
ahis tória do torneirocorno.No caminhode buscaroleite e voltar pra casa, Dona
Vera,
mulher do Seu RubervalPinto Teixeira
-otorneiro-, pas
sava todos os dias em frente
agaragem do ônibus. Foi inevi
tável conheceromotorista.De cabelo
lambido,
uniforme azule branco bem
passado,
pentepretonobolso de tráse
aquele
crachá,
semprealipregado
nobranquinho
do bolsocom o nome a
profissão.
Não era lá ocapitão
da adolescência. Mas quem disse que toda meninatem o mesmo sonho? Nem sempre
o-capitão
écapitão
equando
é,nãoprecisa
sersempre o de
água
ou de ares. O dela erade ônibus.O leite começou aser pego nofim da
tarde,
maisprecisa
mente naboca danoite,quan
do a
vizinhança
preparava ajanta
pro marido e assistia anovela das sete. Dona Vera passou a ficar mais doente do que de costume. Ia de ônibus todasas semanasbuscarrecur
sosno
hospital
da cidade grande. Dizia que ali os doutores não sabiam seu remédio. O marido não
reclamava.
Doen ça édoença.
Primeiroasaúde,
depois
osprazeres.E láiaDona Vera para Ma racá. AliemRiodas Antasto
dos pensavam que ela estava
desenganada pelos
médicos eque eles iamera comer oresti- Edntí;. P.tI.;
nho do
capital
que o torneiroadquirira.
Naparada
Dona Vera sempre
sorridente,
semprearrumada,
por que não épor
estar doente que se desleixa,
Não. Dona Vera botava saia
preta commeia combinando e
blusa de lãcom colarzinho de
bijuteria
queganhara
do mari do.Hoje
consulta,
amanhã exames,depois
mostradeexameseentãoa
fuga.
Del?ois
deste dianunca maisse vIU Dona
Vera,
o motorista e o ônibus 236.Desgraçaram
com avidado torneiro. Ohomemficoumeio doido.Largou
tudoe foi atrásdamulher,do
capitão-motoris
ta e do ônibus 236. Só viu o
carro encostado numa gara
gem, masdos dois
ninguém
sabiao
paradeiro.
Desgraçaram
com a vida do torneiro.Ohomemagora viviabêbado,
largou
aempreitada,
bateuo
fusquinha
e choravaebabava. Gritava sempre ao
meio-dia
pela
Vera. E nadada Vera.E, assim,foram quatro me
ses.O torneiro vivia
sujo,
rostovermelho da
cachaça,
continuava babando no volante e
gritando
sempre porsuaVera.Começou
a buscarosprazeresde que tanto gostava na zona
aliperto.O pouco dinheiro que tinha ficava no caixa
daquele
bar encardido.Eis quenumsábadoàtarde,
os homens reunidos no posto
pra bater um
papinha, chega
otal do
corneiro,
comoochamavam. O homenzinho se en
fezaebotauma
cabeça
deboi,
inteiramesmo,comolhoeaspa e
prende
nocapô
do carro esaipelapraçanumgriteirasó: "Eu só o rei. eu sou o rei. O rei dos cornos".
E, assim,
otorneiro tornouse rei. Tinha
lugar
no bar, naigreja,
no posto e no campo.Pratodosera
rei,
rei dereinado curto, porque poucotempodepois
Dona Vera voltouejá
tá atéesperando
neném.NOV-92
Vaticano repensa
seus
dogmas
e
cai
no
ridículo
"E
a
chance que
�
todos esperavam
i
para criticar
O
Católica,
novocatecismo daaprovado pelo
Igreja
Papa
João Paulo II emjunho passado
com oobjetivo
deadaptar
osdez mandamentosaomundo
contemporâneo
e deteraevasãode
católicos,
temprovocado mais discussõese
piadas
do quecontribuídonarenovaçãoda fé propostapelo
Vaticano. As 400páginas
dotexto resultaram deumtrabalho de seisanos, ba seadoemsugestão debispos
de todo omundo,
que classifica ospecados
em"toleráveis"e"into leráveis"segundo
ospadrões
daIgreja.
Mesmo nessa tentativa de
atualização,
o Vaticano se contradiz ao esbarrar numa das
questões
associadas aopecado
em seus
dogmas:
o sexo. Enquanto a
Igreja
insisteem fazer vistas grossas para asrelações
mais íntimas antesdo casamen
to, o novo catecismo deixa pas sar como "toleráveis" a
prosti
tuição,
amasturbação
e o ho mossexualismo. OPapa
convida ainda os gays a permaneceremcastos, ou
seja,
alimentando apenas relacionamentosplatôni
cos. Emtroca,aIgreja
lhesofe-rece
"respeito
ecompreensão".
Segundo
oVaticano,
um casal que vivejunto
sem ter casado está em"pecado grave" junto
com odivórcio e a
pornografia.
Para Reinaldo
Gilli,
pastor-responsável
daIgreja
Universal do Reino de Deusem Santa Catarina,
o novo catecismo católico é "contraditório" em sua interpretação
sobreo sexo:"Segundo
a
Bíblia, pecados
comoamasturbação
eohomossexualismo sãointoleráveis, pois agridem
a naturezahumana". Mesmonãoes
tado ainda totalmente informa do sobre o novo
catecismo,
opastorarriscaumaacusação: "o Vaticano
manipula
os ensinamentos de Cristo
segundo
seusinteresses e
segundo
as necessi dades doproprio
clero". Gilli insinua,
com IStO, que ospadres
teriam
inclinações
homossexuais,
que seriam abrandadascom a
masturbação.
Atéaguerraéencarada agora
pelo
Vaticano comotolerável,
com umaressalva:"quando
jus
ta". A pena de morte também passa a servista de umaforma mais suavepela Igreja,
que vêno
cumprimento
doserviço
militarmais um"deverdocristão". Deus muda de
opinião
- O pa dre Pedro José Koehler,vigári
da catedral
metropolitana
deFlorianópolis,
considerao novocatecismo
"opurtuno
e essencial"paraa