• Nenhum resultado encontrado

Zero, 1992, ano 10, n.3, nov.

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Zero, 1992, ano 10, n.3, nov."

Copied!
15
0
0

Texto

(1)
(2)

Cartas

do

Leitor

Apurar,

apurar, apurar

...

o sacrifíciocom que

implantamos

oSetor deObrasRaras da Biblioteca Central da UFSCsubmeteu-nosa uma

lutadiuturna

pelo

resgateepreserva­

ção

de todosos

impressos

que doeu­

mentavama históriade Santa Cata­

rina. Com muita

disposição

e

luta,

nós bibliotecários reunimos um

precioso

acervoque ao

longo

dos últimos 12

anos

ensejou pesquisas

e trabalhos

inéditos.

O

desaparecimento

da única

edição

testemunhal de O

Catharinense,

de­ nunciado

pelo

Zero, nãose

pode

en­

cerrar nessa reportagem. Habitual­ mente,a

Seção

de

Coleção Especiais

procedia

levantamentodoseu acervo

visandoaconferiroseu

patrimônio,

de formaaavaliaretomar

providência

notocanteaorelacionamentodeseu

pessoal

com o

público

usuário,

oque

medeixa contisntede queotrabalho

que realizamosapresentouresultados

eficientes, sem

quaisquer

motivos pa­

ra esconderfatos que contrariassem

anossafilosofiade

enriquecer

as nos­

sasatividades.

Diante da

afirmação

dos funcioná­ riosValadares Alves de Oliveiraede Marlei

Martins,

deque o

desapare­

cimentoocorreráhá trêsanos e que

eu tcria ocultado ofato, conforme

constaem

Zero,

tomeiainiciativa de

solicitaraoReitorAntônioDiomário

deQueirozaaberturade

inquérito

ad­ ministrativopara:

RP ficou

de fora

Foi realmente um erro de RP a Universidade não ter conside­ radoa

opinião

pública

namudan­ ça de trânsito.

(.

.

.)

Lamentamos

informar,

queenquanto

profissio­

nalda

área,

nãofomos consulta­ dos para

sugerir

medidas de escla­ recimento à comunidade univer­ sitária

(.

.

.)

O máximo queconse­

guimos, após

várias

tentativas,

foi sensibilizaros

responsáveis

pela

implantação

do

projeto

paracon­

cederem uma entrevista coletiva à

imprensa.

Mesmo

assim,

houve resistências.

Paulo Fernando Liedtke RP/UFSC

1)

Apurar

a

responsabilidade

do de­

saparecimento

do

exemplar;

2) Apurar

averacidade da denúncia

formuladaatravésdo

jornal

Zero pe­ losfuncionários Valadares Alves de OliveiraeMarleiMartins;

Estou certa de que o

jornal

Zero

prestou

importante serviço

àcomuni­ dadeaodenunciaraofato. Mascau­

sou-meestranheza, navisão deética

profissional,

o interesse doautorda matériaeminseriro nomedemeu ma­

rido,

Laudelino José

Sardá,

enfatizan­ doocargoque eleocupounoDisrio Catarinense. Se houver

intenção

de estabelecer

parâmetros

para oleitor

dispor

de alternativas falsas paracon­

clusões,

sótenho

profundamente

ala­ mentar,

pois

sempre tive

-eaté que

meproveo contrário sempre terei

-o

jornal

Zero, o

qual

habituei-me a

ler desdeseu

primeiro

número,como umlaboratório capaz de desenvolver

profissionais

nosentido de

enriquecer

aindamaisomercado de

jornalistas.

Espero,

com

desejos

incontido,que oZerocontinue refletindoa necessi­ dade dea

imprensa

brasileiraexercer

o seu valioso

papel

emdefesa dos di­ reitos dohomem

amparados

nos

prin­

cípios

democráticos.

Narcisade Fátima

Amboni,

BibliotecáriadaUFSC

Florianópolis

Ombudsman

Recebi

exemplar

do

jornal

Zeroe meocorreuperguntar­

lhesehaveriainteresseem um

contato

pessoal

meucomo se­

nhore seusalunos para análise

do

jornal

e tambémpara um

bate-papo

sobrea

imprensa

em

geral.

Sehouverinteresse,pos­

soconsultara

direção

da Folha para saberde sua

disposição

paracusteara

viagem.

Grato,

Mário Vitor Santos Ombudsman do FSP

Zero

(também)

erra

"Jornal sem erro não é

jornal"

costumadizernosso

ombudsman.

Assim,

eleavi­

saqueo Zerodeve fazer al­

guns reparosreferentesà úl­ tima

edição.

Primeiro:oedi­ tor se entusiasmou com re­

cente

premiação

e nomeou, nacapa, oZerocomo

hepta­

campeão.

Perdão leitores:

somos apenas

pentacam­

peões,

emdezanosde vida.

Segundo:

a

página

7,

nossa

primeira

experiência

emedi­

toração

eletrônica,

omitiu

parte

da últimafrase dotex­ to

Imprensa

catarinenseflea

de

quatro.

A frase

completa

é "

Em

julho,

a

RBS,

dona

do Diário

Catarinense,

com-prouo

jornal

de Santa Cata­

rina." Aindana mesma

pá­

gina,

foiomitidoocréditodo autor dos

textos,

Maurício

Oliveira e, um

perfil

sobre

o

jornal

O

catarinense,

que

publicamos

na

página

5 des­ ta

edição.

Aforaestespeque­

nosdeslizes

perdoe algumas

matérias

publicadas

em cor­

po 7 e

8,

inaceitáveis para

os

padrões

contemporâneos.

Vamosem

frente,

queainda restamdoisnúmerosprafa­

zer.

ZERO

Caminho

de

pedra

Caros

amigos

do Cursode Jor­

nalismo,

Faz um mês que recebi um

exemplar

do Dossiê

Zero-Oligar­

quias

dominam rádio e TV em

Santa Catarina. Senti-mena ma­

nhã de26 demarço,

quando

apre­ senteiaos

colegas

o trabalho de conclusão do curso, sob o título Conversaao

do rádio- Os do­

nosderádioeTVemSanta Cata­ rina. Graçasà

equipe

de mais de trinta pessoasqueassinaa

edição

eoutrascitadasounãono traba­

lho,

estas

informações chegaram

apúblico.

O editordo

Zero,

professor

Ri­ cardo Barreto, foi generoso de­ maiscom oautordostextos.Ain­ da nãoestouem

condições

defa­

zer uma reportagem decentena

Alemanha. Tento

aprender

a

complicada língua

alemãe com­

preender

o

complicado

povo ale­

mão. Porenquanto,

ganho

o

pão

comodiaristanaroça,numafábri­

ca de sucos e vinhos de

maçã

e naconstruçãocivil. Nas horasde

folga, viajo

de caronapor estas

velhas terras ou

ajudo

meu anfi­ trião na caça.

É

meu

estágio

no

Partido Verde Alemão

-o uni­ formedos

caçadores

éverde.

Reaproveito

e

aprimoro

conhe­ cimentos quemeu

pai

me trans­

mitiuem dezanosderoça,senta­

donocarrode

boi,

entreoenge­

nho da cana e a casa. São

lições

do tempo em que a

gente

láem

casasentiaa dor denão ter

nada,

amesmador que levarameutata­

ravô, Johann Nicolau

Hoffmann,

do

pobre

Hunsrück

(hoje

sudoeste da

Alemanha)

ao

Brasil,

em1861. Escrevo este intervalo de vida

com aenxadae acolher de

pedrei­

ro,porque aindamefaltam ferra­

mentasparaexercer

aqui

a

profis­

sãoque

aprendi

nosbancos dees­

cola e nas

redações

dejornsis.

Olimpíadas, Expo

92,

aFeira de Livrosde

Frankfurt,

o

plebiscito

.francêssobreo Tratado da União

Européia,

osmurosnacionalistas

emqueesbarraessa

União,

o xe­

nofobismo daAlemanha reunifi­

cada, a ditadura de Yeltsin na

Rússia... são fatos dessa enorme realidade queme cerca e me fa­

zem sentira dorde saberquase nada.

Estoume

preparando

parasen­

tarnum dos bancos das

superlo­

tadas universidadesalemãs- há

1,8

milhãode estudantes ocupan­ doas900 mil vagas. Seiqueoca­

minhoda burocraciaédepedra.

Agradeço

a

todos

os

colegas

que me encorajaram para essa

aventura. Eu procuro,

pelo

me­

nos,realizara

segunda

afirmação

deste trecho do Fausto de Goethe: Fausto: "Sinto a coragem de

mergulhar

nomundo, decarregar todasasdorese

alegrias

da terra".

Espírito

da Terra:

"Porque,

em

vezdisso, vocênão luta para se

tornarumMensch -umautêntico serhumano?"

Abraçosdo

GeraldoHoffmam Jornalista Alemanha

Cumprimento

CumprimentamosoZeroetodasuaequi­

pepela obtençãodaquinta premiaçãocon­

secutivsno5�SetUoiversitsno,promovido

pelaPUC-RS. Oprêmioatestaaqualidade

do trabalho desenvolvidopelosalunose

seusprofessores.Parabéns.

Prol Antônio Diomário deOueirôz

Reitor daUFSC

Florian6polis

Dossié

Zero

De

primeiro

preciso cumpri­

mentá-Ia

(s)

pelo

Zeroe seuDos­

siê,

querecentemente

capturei

no

sindicatoelicomprazer. Os

prê­

mios do Set Universitário tradu­

zem o que agente

poderia

dizer.

Gostei muito da entrevistacorn o

prof.

Nilson

Lage,

masesperoque

os

companheiros

tenhamdeixado

algumas

gotasde sanguenavítima.

Umraro momento em que o en­

me,de extrairomáximo,compen­

sa.Também muitobom,porcom­

pleto,

o dossiê, com

informações

inclusive

daqui

do RS,sobretudo sobreo

rápido

(vertiginoso?)

cres­

cimentoda RBS.Enfim,ainvesti­

gação

foi valorizadae

adquiriu

a

qualidade

de única

pois

adevassa durante o

episódio

Collor teve a

colaboração

de muitosem vários

veículos,

enquanto

que o estudo

profundo (histórico)

contido no

dossiê somente vocês o fizeram.

Haja

seca...novidades poucas.

Faço

free pro

jornal

de Uru­

guaiana,

um

bisemanário,

mas me

divirto aindacoma

gurizada

nova

que, por

exemplo,

recolhe cedo

e me deixa sozinho assistindo o

julgamento

no

qual

13candidatos

aoúltimo

pleito

(11

à vereançae

2 à

vice-prefeitura)

foram

impug­

nados

pelo

TRE. Sónãodeiofuro estadual por

Uruguaiana

porque

o

jornal

demorou dois dias para

sair,

masterminei vendendoain­

formação

no dia

seguinte

pro

"monopólio",

numa cenainteres­

santeVividanaRBSTV.Aofazer

a

oferta,

um

antigo

companheiro

de trabalho foiverificar se tinha

ou não a

informação

"neste que

é o

equipamento

mais moderno atualmentenomundo". Só que a

telinha mostrou que não tinha a

informação

... como

sempre. Eles continuaminvestindonamaismo­

derna

tecnologia

e

esquecendo

que quemmanuseiaecomandaa

coisaaindaéohomem.

Issomefazlembraro

prof.

An­

toninho,

que há muito tempo

mediziaqueapesardetodaame­

canização,

uma

função

seriasem­

pre insubstituível, a do

repórter.

Mas isso

é, talvez,

tema paranos­

sosilustres acadêmicos.

Também

faço

freepara

Adjori,

universo que

pretendo

conhecer

com maior

profundidade.

De ca­

ra,

verifiquei

queenquantoternos

21 diários nas

principais

cidades dointerior,temos117 semanários

e38

jornais

cornoutras

periodici­

dades. Terna de estudo também.

Aliás,

a

imagem

quesetemé

que

existe uma forte e

múltipla

Im­

prensa interioranasomentenoRS

e SP. Aí ern Santa a dificuldade

emfazer a

distinção

começa

pelo

portedas cinco

principais cidades,

entre as

quais Florianópolis,

que

parece nãoser amaior,mais volu­

mosa.

Enfim,

faltao traçodivisó­

rio entre

capital

e interior... mas

isto épapo prouta

cerveja.

Abra­ ços,

Sérgio

Becker. Jornalista Porto

Alegre

ZERO

2 M.lhor

P.ça

Gráfica I,

II,

III, IV•V SetUnlv.rsltárlo Maloaa, S.t....bro

a9,

90•91 Outubro 92 Jornal-laboratório do Curso deJornalismoda Universidade Federal deSanta Catarina. Arte:

José da Silva Júnior

Copy-write:

Professores Luiz

Scotto,

Ricar­ do Barreto, Gastão Cassel e

Francisco Karan.

Diagramação:

Adriane

Canan,

Alexandre

Gonçalves,

Celso

Gick,

Joana

Nin,

Nelson

Correia,

Patrícia

Jacomel, Rogério

Mosimanne

Victor Carlson.

Direçãode redaçãoe

supervi­

são:

Professor Ricardo Barreto

(MTb 2708/RS)

Editores executivos:

Alexandre

Gonçalves,

Joséda Silva Júnior, Nelson

Correia,

Rogério

Mosimann e Victor Carlson.

Edição:

Adriane

Canan,

Alexandre

Gonçalves,

Celso

Gick,

Joséda Silva Júnior,

Marque Casara,

Mônica

Linhares,

Nelson Cor­

reia, Rogério

Mosimann, Si­

mone

Fritsche,

Victor Carlson.

Fotografia:

AnaCarine

Montero,

Cristina

Gallo,

Giancarlo

Proença,

Lauro

Maeda,

Pedro

Melo,

Sheila Deretti e VictorCarl­

son.

Laboratóriofotográfico: AnaCarine

Montero,

Cristina GalloeVictor Carlson Textos:

Alexandre

Gonçalves,

Cléia

Schmitz,

Diógenes

Botelho,

EdnéiaPavei,Emerson

Gaspe­

rin,

Ivana

Back,

Jaime

Moraes,

Joséda SilvaJúnior,LuísCar­ los

Festl,

MarianoSenna, Mô­ nica

Linhares,

NelsonCorreia, Sheila

Deretti, Suyane

Queve­

doe

Ulysses

Dutra Netto Acabamentoe

impressão:

Imprefar

Redação:

Curso de Jornalismo

(UFSC-C­

CE-COM),

Trindade,

CEP:

88045, Florianópolis/SC.

Telefones:

(0482)

31-9215 e 31-9490 Telexetelefax:

(0482)

34-4069

Distribuição

gratuita

Circulação dirigida

NOV-92

(3)

flSe

fe

.poilfllm

uma

arma

f.

mandam.

fossirfl

você

fOSS.fIfI

Soldado

de

Hitler vira

pacifista

Primeiro

sargento

do

Fürher

diz

que

matança

foi desnecessária

Hirschmann: ferimentos degranadaeprisãode18meses

este foi um dos

piores

momentos de batalha

onde testouo limite das

forças

deseucorpo.

Hoje

ele éumsenhordesetentaeseis

anos que mora numa pequena e

aconchegante

casa estilo europeu e

temcomo

hobby,

em sua

pacata

vida de

aposentado,

o cultivo das

plantas

do seu

jardim.

Cinqüenta

anos

arras,

estemesmoho­

memlutouna

Segunda

GuerraMundialcomo

primeiro

sargento

das

tropas nazistas,

sob o

Impasse dematar ou morrer. Semblantetran­

qüilo

em traços

alemães,

cabelos brancosque

um dia

foram louros e olhos azuis que

vivenciaram terríveiscenasde

agonia

eviolên­

cia humana. Este éHirschmann- umhomem marcado

pela

guerra.

Joachim Hans Emil Hisrch­

mann nasceu em

Berlim,

Alema­

nha,

em 31 de outubro de 1916.

Filho mais velho de cinco

irmãos,

começou atrabalharaos catorze

anos como

aprendiz

de ferramen­

teiro. Não por

necessidade,

mas

porque seu

pai

achava que daria

mais valor aosestudos se tivesse

que

pagá-los.

Hirschmann conta

que teve uma boa infância em

Berlim,

havialiberdadeebastan­ te

diálogo

em sua

família,

queera

contra a ditadura hitlerista. Em

1937 foichamado parao

exército,

mas recebeu

dispensa.

Motivo:

estudava

engenharia

mecânica. Em

40,

engenheiro,

foi obri­

gado

a servir. em

41,

estourou

aguerracontraaRússia.

Contraaguerra - Hirschmann viveua

Segunda

Guerra Mundial

quase seisanos emeio. Cincode­

lesemcombatenaItáliaeRússia.

Foi

prisioneiro

dos

ingleses

em umdos campos na Itália.

Apesar

de ter o

posto

de

pri­

meiro

sargento

e recebermuitas

medalhas lutando

pela

Alema­

nha,

Hirschmann afirma que é contra

qualquer tipo

de guerra. Dizquesãofruto da

ganância

dos

governadores

e,por

isso,

nãotem

mágoa

de nenhuma

nação.

Para

ele,

"todo povo é

bom,

o quees­

traga

é a

política".

Sobreonazis­ mo, Hirschmann observa que

"nem todo alemão é nazista as­

simcomo nemtodorussoécomu­

nista". Sobresua

posição

na

épo­

ca, étaxativo: "Selhe

apontarem

uma arma ethe mandarem

tossir,

você tosse".

Resistente em falar sobre a

guerra por considerá-la

desumana,

o ex-sar­

gento

de Hitler lamentauma

situação

emque ossoldadossão

obrigados

amatarpessoasque

nem ao menosconheceme tirar sem

piedade

avidade

pais

de famíliapara não serem mor­

tos. Lembracompesar

algumas

situações

que

vivenciou durante

auquele

período,

como a

perda

dos

amigos,

a

prisão,

o

frio,

a fome

e a

idelogia

contraseu povo.

Quandoesteve

abrigado

comoutrosoldado

na casa de umafamíliarussaonde haviauma

mulher,

umvelhoetambém três

crianças,

ofe­ receubalasaelas quese recusarem a

comê-Ias,

porque os russos

garantiam

que os alemães matavam criancinhas. Então Hirschmann co­ meu uma bala para provar que não faziam

NOV-92

3

mal. Só então

as

crianças

aceitaram.

Elecontaque foi ferido trêsvezeporgrana­

daefuzil. Foram ferimentosnanuca,navista

e na

mão,

onde até

hoje aloja

umabala não-re­

tirada para não

prejudicar

seus movimentos.

Mas o ex-combatente acha que teve sorte de não

perder

nenhuma

parte

do corpo e, o me­

lhor,

não

perder

a

vida,

comotantos

amigos.

Gelono sangue

-Foram 24 horas decom­

bate a uma

temperatura

de 52 graus abaixo

de zero. Era

preciso

enterrar-se naneve, que

tinha uma

temperatura

de 1 grau, para que osanguenão

congelasse.

Muitosoldados tive­

ram que

amputar

pernas e

braços.

Para ele

Hirschmann foi preso dois diasantesdeter­ minar a

�uerra

e, dos dezoito meses em que

esteve

pnsioneiro

dos

ingleses

relembraostrês

primeiros

como osmaisdifíceis. FoiemAlta­ mura,pertode

Bari,

Sul da Itália. Num campo de

prisioneiros

ficavam por volta de dois mil militares, Eram como

galpões,

não muito al­

tos, "descreve" com

janelas

e por fora corre­

dores". Eles dormiam todos

juntos

nocimen­ toerecebiam duas

refeições

por dia. Noalmo­

ço vinha sopa, que ele

relembra,

rindo,

na

composição:

98% de

água

e os restantesdois

porcento até

hoje

não identificados, Aoutra

refeição

era

típica

dos

ingleses:

cinco passas ZERO

etrêsbolachasquenãoenchiamnem a

palma

da

mão,

acompanhadas

dechá. Os

prisioneiro

recebiam o necessário em calorias para não morrer.

Banho s6de latinhaenão dava para trocar

de roupa. Para

Hirschmann,

o

pior

de tudo eraficarna

ociosidade,

jogando

cartasdevez em

quando.

Fumar,

beber,

só vendendo os

objetos

pessoais.

Apenas

umavez

pode

comu­

nicar a seus familiares que estava

vivo,

e, o

pior

de

tudo,

não havia corno

fugir.

Depois

de três meses nocampo de

concentração,

foi

mandado para

Tarento,

onde iria trabalhar

em obras. Lá ficavam em barracas de lona

e com 16 homens. Mais tarde vol­

tou a

Bari para trabalhar como ii:

enfermeiroe

motorista,

eradifícil

.., escapar. Sobre sua

fuga,

Hirsch-�

mann não quer

falar,

diz apenas

<5i que "deuum

jeito".

Fim do

pesadelo

- Termina­

dos os momentos de terror, da guerra e da

prisão,

passou um /

tempo

vivendo

desregradamente

e sememprego.Em1949se casou

e,em

52,

veioparaoBrasil atra­ vés de um contrato de emprego

trabalhar como técnico de ferra­

mentas. Não conhecia nada do

país

e nem ao menosfalavaopor­

tuguês. Chegou

na

época

do go­ vernoGetúlio

Vargas

e disse que

havia boas leis trabalhistas

"que

não eram

cumpridas".

Em 57

nasceu seu único filho. Atual­ mente continua morando em

Joinville. Gosta de viver

aqui

e

expressaseu amor

pelo

Brasilon­

de está há 40 anos.

Conhecedor de onze

países,

aprecia

opovo sul-americano pe­

la

educação

e

delicadeza,

carac­

terísticas raras no

alemão,

que,

segundo

ele,

é um povo muito

frio,

fechado e rude. Mesmoas­

sim,

não

perde

a

oportunidade

de criticar a falta de

pontuali­

dade dos

brasileiros,

qualidade

dos alernãês. Para o ex-sargen­

to, "tudo fica mais fácil com

pontualidade"

.

Abençoam

canhões Hirsch­

mann também

possui

uma visão

muito

particular

da

religião,

ape­

sar de sua

formação

protestante.

Seu Deus é a

natureza, realidade

que

nosé

visível,

e o

Sol,

porque sem ele não sobreviveríamos nem cinco minutos.

Diantedos horrores daguerra, começouadesacre­

ditar das

religiões,

que pregam não matar, mas

abençoam

canhõese

tanques

de guerra.

Nos

piores

momentosda

luta,

Hirschmannsem­

prefoiotimistae acreditouque iria

melhorar,

lem­

brando

injeções

e calmantes a que seus

colegas

eram submetidos à beira da loucura. Para

ele,

"a vida é como o mar, tem altos e

baixos,

o ciclo

pode

ser

longo,

mas

ninguém

escapa".

Em1982 Hirschmann foi paraaAlemanha visitar

familiares,

masnão

gostaria

de voltara morar lá.

Se tivesse que passar por

,tudo

novamente, teria outra

opção:

"Euiapara

Africa,

ia parao mato".

Shel,.De,.ttl

, I

(4)

E

AL

DOUTOR?

f

.

I

:

I

{

I

f

Trabalhando

guardadores

nade

surdina,

carro es­os

tão se

organizando.

Fun­ dadaem

julho

de

1992,

aUnião Catarinense dos Guardadores de Carro

contacom 290 filiados

só em

Florianópolis.

O

objetivo

da entidadeéorientaros

guarda­

dores para as leis de trânsito e

preservaro direito dos

proprie­

tários dosveículos.Porém,toda ess�

organização

nãoé suficiente

paramanterapaznosestaciona­

mentos

públicos

da cidade. Ex­

torsão,rouboevistasgrossasdas autoridades estão se tornando rotinadeumterritórioondenem a

polícia

emuitomenos a

prefei­

turaditamasnormas.

-O

presidente

daUniãoCatari­

nensedos Guardadores de Carro

nuncafoi "flanelinha". Sentado

em umasaladecoradacomfotos de Gilberto

Gil,

Antônio Cabral dos Santoscontaquea

principal

metada

União,

nomomento, é

montaro sindicato da

categoria

para "defender os direitos dos

guardadores

e assegurara tran­

qüilidade

dos

proprietários

dos veículos". A

frustração

de Antô­ nio é ade ainda não terconse­

guido alcançar

aadesão dos 620

guardadores

decarro existentes

em

Florianópolis.

Alémde líder dos

"flanelinhas",

Antônio acu­

mula o cargo de

presidente

da União Catarinense dos Homens de Cor

Negra.

"A

situação

dos

guardadores

atualmente é

irregular,

mas opo­

liciamento faz vistas

grossas",

justifica

Antônio. Ele dizcontar

com a

colaboração

do coronel Balocda PM-SCedo

delegado

Schmidt,

do 1� Distrito Policial de

Florianópolis.

Revolta- "Esse

cidadão éum

mentiroso",

afirmouo

delegado

Schmidt diante da denúncia de

colaboração

da

polícia

coma

si-4

Atuandoemgrupo, fazem ameaçasaosmotoristasna earados PMs

tuação

irregular

dos

guardado­

res.Eleafirmaque

precisam

sur­

gir queixas

paraa

polícia

atuar. O

delegado

contaque

chegou

a

falarcomAntônio: - Eu falei

com esse

negrão

no Box

32,

mas láeu não trato

dessesassuntos.

No 4� Batalhãoda Polícia Mili­

taroclimadeespantoera o mes­

mo. "Nós desconhecemos

qual­

quer

tipo

de

acordo,

além doque

a

situação

dos

guardadores

é ir­

regular,

eles não

podem

traba­

lhar",

dizo

comandante,

tenen­

te-coronelGilberto da Silva. Na

impossibilidade

da

ação

da

polícia,

os estacionamentos es­

tão se tornando cada vez mais

perigosos

paraos

usuários,

eisso

nãoé de

hoje.

No dia 26 de de­ zembro de1988,adona decasa, Matilde Fiamoncini voltava das comprase

dirigia-se

aoseucarro

estacionadoemfrente aotermi­

nalRitaMaria. Foi

surpreendida

por dois homens

armados,

que roubaram seu carro e soltaram elae seufilho nocaminho para

Itajaí.

"Eu

pensei

que eleseram

guardadores

de

carro",

diz Ma­ tilde.

Maracutaia

-O quea

prefei­

tura arrecada em um mês com os estacionamentos

públicos

de

Florianópolis, podena

seraren­

da deumsódia de trabalho orga­ nizado. "A

culpa

da

situação

em

que se encontram os estaciona­

mentos é a falta de

apoio

que

recebemos da Secretana de Ur­

banismo", revelaochefe de ad­

ministração

dos estaciona­ mentos

públicos

de

Florianópo­

lis,

Zilto Izolino Perez. No dia 3 de novembrofoiencaminhado àSecretaria deUrbanismoeSer­

viços

Públicos

(SUSP),

umrela­ tório

explicando

a

situação

atual dos estacionamentos e

pedindo

apoio

técnico e financeiro para

Criado

cartel

dos

tlanelinhas

Guardadores

irregulares

agem

com a

conivência da Polícia Militar

Turistasepobresdãoasmelhoresgorjetas

-uma

reorganização

do sistema. O

pedido

nãofoi

atendido,

pois

de acordocomZilto,a

prefeitura

nãoteminteresse emresolvero

problema,

ainda mais agorano

final de mandato.

Outra

reclamação

de Perezé

a

política

que envolve as ques­

tões de

serviço público

em Flo­

rianópolis, principalmente

às

concorrências.A últimaconcor­

rência

pública

para a

liberação

deáreaspara

exploração

deesta­

cionamentos

pnvados

foi

ganha

pelo

então secretário da Admi­

nistração, Odilon Furtado

(atual

diretorda

Comcap).

"Ele sequer

poderia participar

da

con-corrência", afirma Perez.

Atualmente,

está

implantado

nos estacionamentos em frente

aomercado

público

osistema do

cartão,obloco de dez folhascus­

taCr$ Jmilecada folha

equivale

a uma horade estacionamento.

Mas,

na

prática

essesistemanão

funciona,

oquevale éa

gorjeta

do

guardador.

Flanelinhas

-Enésio José da Silva trabalha aoito anos como

guardador

decarroesediz satis­ feitocom o

-"cargo":

- Melhor

que trabalhar de

empregado.

Ele tira de Cr$ 40 a 50 mil por diaetrabalha 12 horas.

Ené-siocontaqueasmaiores

gorjetas

são dadas

pelos

turistas e

pelo

pessoal

da classe

pobre.

"Osri­

cos fecham a

janela

e saem fo­

ra".

Entreos

guardadores

decarro

de

Florianópolis.

90%sãocasa­

dos e tem

filhos,

sendo que a

gorjeta

do estacionamento é o

único meio de renda dessas pes­

soasque moram,na

maioria,

nos

morrosdo

Mocotó, Mariquinha

eCaixaD'

Agua.

A

formação

do sindicato dos

guardadores

ainda éumsonho

distante,

e se

depen­

der da

prefeitura

estesonhonun­

cavai serealizar. _

D/6gene.

Botelho NOV-92 ZERO

(5)

Acervoserá

recontado para

in

vestigação

A

abriureitoria

inquérito

da UFSCadmi­

nistrativo para inves­

tigar

oroubo do

jornal

O Ca­

tharinense,

o

primeiro

does­

tado,

denunciado no último número do Zero. O único

exemplar

conhecido da

pri­

meira

edição desapareceu

três anos do setor de Obras

Raras da Biblioteca Univer­ sitária.

O processo deve durarcer­ ca de um

mês,

a

partir

dano­

meação

da comissão que ou­

virá os

depoimentos

dos en­

volvidos. A

administração

da

Biblioteca,

que solicitou a

abertura do

inquérito

em ca­

ráter de

urgência,

interditou

a

seção

de Obras Raras para

que o acervo

seja

recontado. A sala deverá passar por

uma reforma para atender

melhoras

exigências

de con­

servação

dasobras: aentrada

da luz solar será

diminuída,

o acondicionamento melho­

rado e mais obras serão

mi-. '. . . nc. êeqUilt"' lmpnnsa.. calannt'� -�

��

r_- -O

jornal

O Cethsrinense

foi fundadoem1831 porJerô­

nimo

Coelho,

insatisfeitope­

lademoracomqueasnotícias

chegavam

emNossaSenhora

do Desterro - atual Floria­

nópolis.

O semanário perten­ cia àSociedade

Patriótica,

or­

ganizada

por liberais catari­

nenses que combatiam a in­

fluência

portuguesa

nogover­

no. O

primeiro

número de O Cethetinense circulouno dia

28 de

julho,

tinha seis

páginas

no formato 15x21 cm e foi

vendido por 60 réis somente

aos

assinantes,

que não

existiam

jornaleiros.

Como a

tipografia

era uma

atividade totalmente desco­

nhecida na

ilha,

Jerônimo

Coelho teve que escrever, compor e

imprimir

o

jornal

sozinho.

Aprendeu

estes

ofí-NOV-92 5

crofilmadas. Está sendo

pla­

nejada

a

criação

de um labo­

ratório de

restauração

exclu­

sivo para o setor.

Todo o acervo da Biblio­ teca vem sendo

prejudicado

pelos

roubos. Já houvecasos,

flagrados pela

segurança do campus, de livros

jogados

pe­ las

janelas (leia

texto ao la­

do).

A

situação chegou

ao

ponto

de serem encontrados

entreas

doações

queaBiblio­

teca

recebe,

muitoslivrosque

pertencem aela mesma.

O

vandalismo,

outro pro­ blema

sério,

chegou

a gerar umamostra de livrosmutila­ dos. Os poucos funcionários

que atendem ao

público

não conseguem fiscalizar todas as

3.500 pessoas que

freqüen­

tama Biblioteca por dia.

Com a

instalação

do siste­ ma automatizado de consul­

ta,

prevista

ainda para este ano, começa a ser

cogitada

a

proibição

doacesso às

prate­

leiras.Nessa tentativa de pre­

servar o acervo, os usuários

escolheriamostítulos através

de vinte terminais de vídeo.

A diretora da

Biblioteca,

Maria

Ghizoni,

diz queafalta

de verba é a causa de todos

os

males,

inclusive da pouca

especialização

dos funcioná­

rios. "Os baixos salários aca­

bam afastando os

profissio­

nais

adequados".

Esse pro­

blema,

o

professor

do Curso

de

Jornalismo,

Sérgio

Wei­

gert,

sentiu na

pela quando

quis

saber se,

Fausto,

de

Goethe,

estavanaBiblioteca:

"Não sei... Ele trabalha

aqui?",

foia

resposta

queou­

viu.

cios trabalhando no Aurora

Fluminense,

do Rio de Janei­

ro,umdos

jornais

commaior

força política

na

época.

Capitão

de

engenheiros

do

exército,

Jerônimo Coelho fez carreira tambémna

políti­

ca.Foi

deputado

da

província

de Santa Catarinapor trêsve­

zes,ministro por duase

presi­

dente das

províncias

do Pará

eRio Grande do Sul.

Apesar

detersido conselheirodaCo­

roa, revelou-se um

opositor

ferrenho da

monarquia

no

editorial de

lançamento

de O

Catharinense,

onde chamou

Dom PedroIde

"ingrato,

es­

túpido,

avarento e doido".

Em

1832,

o nome do

jornal

foi substituído por O

Expo­

sitor,

que

teve curta

duração.

(M.a.)

MauricioOllvel,a

TODOS

PERDEM

111 ,'''Ifi.11[l!!(

('M'

..;.(<�:l .s.Jdi

Usuários,além deroubar, arrancam eriscamaspáginas

que dificultabastanteotrabalho

dosetorde atendimento éescon­

der livros. Eles retiram a obra

dasuaestanteecolocamem ou­

tro

lugar

para

garantir

usoexclu­ sivo.

Sigridi

concordaqueonú­

mero de volumes de cada obra é muito pequeno em compara­

çãoaonúmero de

usuários,

mas

lembra que a BU também pre­

cisa diversificarseu acervo com­

prando

mastítulos.

Um terceiro

problema

que

compromete o acervo da BU é

a

destruição

deseuslivros.

É

co­

mumencontrarobras com

pági­

nas

cortadas,

riscadas e rasga­

das. Omesmoacontece comfo­

tografias

e

ilustrações. Às

vezes

elas

chegam

aficartãomutiladas queé

impossível

fazerareferên­ cia

bibliográfica.

Um aluno che­ gouacolocarpartede umoutro

livro no

lugar

das

páginas

que

arrancou de uma obra empres­

tada.

Parase teruma idéia da falta de cuidado com os livros basta visitarosetorde restauraçãoda biblioteca. Há sempre uma mé­ dia de doismillivrosparaserem

restaurados. Por

dia,

osseis fun­ cionáriosque trabalhamnosetor

consertam cerca de 120 livros. Conforme o encadernador, Os­

marJoão Silvério,onúmero de obrasque entra nosetoré sem­

pre maior queonúmerodeobras que sai. Osetorapenas faz repa­

roscomo costurar,

colar,

refor­ çarlivrosnovos esubstituir

pági­

nas

rasgadas.

Às

vezesé

preciso

pedir

xérox dessas

páginas

em

bibliotecas deoutrosestados.

Mau

uso

da BU

piora

serviço

Algumas

obras

precisam

ser

restauradasem

lugares especiais

pois

são muitodelicadas.

É

oca­

sode obras rarasmuito

antigas,

que porterem um

papel

bastante sensível devem ser

recuperadas

em laboratórios,

pois

desman­ chamcom ocontatomanual. Em Santa Catarina o único labora­ tório de

recuperação

de livros fi­

ca no

Arquivo

Público. Oscus­

tos com essas

restaurações

são

grandes

e com este dinheiro a

BU

poderia

comprar livros no­ vastãosolicitados por

professo­

res ealunos.

Algumas providências já

fo­

ramtomadas

pela administração

pararesolver os

problemas

com

a

destruição

dos

livros,

masvão

exigir

muita

paciência.

A BU

aposta na

conscientização

dos leitores

promovendo

umconcur­

sode cartazes sobre "Preserva­

ção do material

bibliográfico".

No

próximo

ano, seráfeitauma

campanha

de incentivoàleitura para que as pessoas

aprendam

avalorizareconservarolivro.

Quanto aos furtos de livros. a

solução

definitiva seria amag­

netização

dos livroscom acolo­

cação de um ponto

magnético

emcadaumdeles. Umarcoins­ taladonasaídada biblioteca de­ tectariaoponto

magnético

dan­ do um sinal cada vez que uma

obra saíssedaBUsempassar pe­

losetordeempréstimo,ondeela

seria

desmagnetizada.

Mas, por enquanto, isso é apenasum so­

nho,

pois

os custos do sistema

sãotambém muito altos.

Cléla

Schmitz

Zero

provoca

inquérito

na

UFSC

Jornal

brigou

com o

rei

Usuários deixam

biblioteca

de

ponta

cabeça

Osetorde atendimento da Bi­

blioteca da Universidade Fede­ ral de Santa Catarina

(UFSC)

deixa de atender por dia cerca

de 30% das pessoas -que the pe­ dem

ajuda

por nãoencontraros

livros solicitados. Uma parte desses livrossãoretirados dases­

tantese abandonados emoutro

lugar

da biblioteca. A maioria sãoobras que foram roubadas.

Afacilidadequeosestudantes

encontram em furtar asobras é

um dos

problemas

daBU. Eles

jogam

livros

pela

janela,

escon­

demnaroupaouentreoscader­

nos e

dependendo

do tamanho levam até no bolso. Alunos

foram

flagrados

tentandoroubar livroseporpouco nãoforamex­

pulsos

da Universidade.

Segundo.

a coordenadora do

setor de

atendimento,

Sigridi

Dutra édifícil controlaro furto

pois

o número de funcionários é muito pequeno para uma bi­

blioteca com cerca de 2.600

obras.Alémdisso, nãoseriauma

atitude

simpática

revistarasrou­

pas das pessoaspara saberse es­

tãolevando

algum

livro.

Sigridi

dizque

algumas

pessoas

xingam

o

porteiro

quando

ele

pede

para abrirabolsa.

(6)

MOTÉIS

EM

CRISE

Libido esbarra

no

bolso

NemaAIDS

.

provocou

cnse

tão

grande

aos nocautes do

governo".

"De

umanopra

cá,

os

freqüentadores

dos motéis têm sido quase que exclusivamente

empresários

e

profissionais

liberais".

A

verdade

é

que

os

lençóis

de

seda,

colchões

d'água,

saunas e

piscinas

estão mais

distantes do

que nunca

dos consumidores.-

E

toda a

infra-estrutura do

prazer

oferecida

pelos

motéis

de

Floria­

nópolis

virou

sonho

depois

que

os

freqüentadores

tiveram que

encarar ospreços

dos

apartamen­

tos,

que

atualmente

variamentre

Cr$

80

e

150

mil,

do

mais

simples

quarto

à

suíte,

com

direito

àsau­

na,

piscina,

banheira de hidro­ massagem e muito mais.

A

debandada

em massa dos

freqüentadores

levou

os.

proprie­

tários a

apertarem

os cintos e a

adotaremnovas

políticas

parapo­

der

driblar

a recessão. "Temos quenos

adaptar

à

baixa

produti­

vidade. Não se

pode

aumentar o

preço,

porque

o consumidor não

temcomo arcar com

ele",

coloca

Mauro. A

crise

também

obrigou

o Motel

Dallas

a

baixar

o custo

do

apartamento

simples

em

20%.

Mesmo

assim,

o

proprietário

Síl­

vio

aposta

namelhoria do

serviço

para manter os atuais

freqüenta­

dores. "No ramo de motel é pre­

ciso termuito

cuidado

comarou­

pa e

vestuário.

Higiene

é funda­

mental,

principalmente depois

quea

Aids

passouaameaçarnos­

sas

vidas".

O

fantasma

do

vírus entretan­

to,

não é

encarado

como causa

da

queda

de

movimento nos mo­

téis.

O

proprietário

do motel Da­ llas

descarta

totalmenteessa

pos-sibilidade

eafirma

que

"o

motivo

é

estritamente

econômico".

Mas

o

sexólogo

Nilton

Ribeiro

não pensa

desta

forma.

Para

ele,

não só a Aids

pode

ser

determinante

da

queda

de

movimento

nosmo­

téis,

como a

própria

influência

negativa

da

crise na

libido das

pessoas.

"Quando

alguém

entra

num

ciclo

de

angústia,

que

pode

ser

causado

poruma

crise econô­

mica,

perde

o

desejo,

e

tende

a

ficar estressado. Ostress

diminui

onível

do

hormôniotestosterona

e faz com que o

apetite

sexual

diminua

ou

desapareça"

,

explica,

embasando a sua

argumentação

no ato de que em momentos

de

crise,

a procura das pessoas por

psicólogos

ou

sexólogos

aumenta

sensivelmente. Para

Nilton,

a

classe

média

éamais

afetada

nes­ sas

horas,

pois percebe

a

perda

substancial do

seu

poder aquisi­

tivo.

"Neste ponto,

o

homem é

ainda

mais

atingido, pois

não

po­

de

falharna cama e nem nas con­

tas. A

pressão

social é muito

grande".

Matinho

-Se por um

lado,

os motéis foram extremamente

comprometidos pela

recessão,

por

outro,

as

agências

de

acom­

panhantes

escaparam

pela

tan­

gente.

Karina,

uma

das

sócias

proprietárias

da

agência

"Garo­

tas

Playboy"

diz que

chega

a

rece

-ber 50

ligações

por

dia,

e que o

mercado neste ramo é

receptivo.

Ela admite que há

realmente,

um

problema

de crise no

país,

mas

que

afeta

a classe

bruxa

e mé­

dia.

"Nossos

clientes

são em

grande

maioria

políticos,

empre­

sários

e

profissionais

liberais. Por

isso,

não estamos

preocupadas".

A

agência

Tele-Gatos é

outra

da

lista das

invulneráveis

com acon­

dição

do

país.

"Fundamos

a

agên­

cia

a três meses,

gastamos

uma

nota

preta

no

investimento,

mas

recuperamos

o

dobro

e come­

çamos

a

solidificar

a nossa

clien­

tela",

se

gaba

André,

sócio-pro­

prietário.

As pessoas

que procu­

ramos

serviços

da

Tele-Gatos

são

quase que

exclusivamente

da

classe

média alta para

cima. "Não

é todo mundo

que

pode

desem­

bolsar

Cr$

200

mil por

duas ho­

ras",

admite

André,

apesar de

achar que o preço

estabelecido

está abaixo

do mercado.

Dentro de todaa

situação

gera­

da

por uma

economia

em caos,

quem

sai

perdendo

mesmo é a

classe média.

"Vivemos

umacri­

se

emocional,

devido

a

Aids,

e

uma crise

financeira,

devido

ao

Collor",

coloca

Marcelo

Casse­

tari,

que não

pisa

num motel há

dois

anos. E o

jeito

para quem

vive

mesmosem

dinheiro

évoltar às

origens.

"Fazersexo no banco

traseirodo carro,ou mesmonum

matinho,

nunca esteve tão em

moda".

,

'A

g�nte

não quer so comer, a gen­ te quer

beber,

quer fazer amor",

gritava

ovocalistada

ban­

da Titãs em

87,

época

em que

qualquer

dono

de

fusquinha

po­

deria ter acesso a um

motel

em

Florianópolis. Hoje,

os poucos

que

freqüentam

as garagens dos

motéis da cidade são

"Santanas,

Mercedes

e

Monzas".

Ea

grande

massa,que quer

comida

e prazer

sexual,

está

passando

por maus

bocados.

Os

proprietários

dos

principais

motéis

da

ilhaestimam umaque­

da de

50%

no

movimento

-cau­

sada

pela

crise econômica que

afetao

país

- e

atribuem

a

culpa,

,

com

unanimidade,

ao recém-des­ tituído governo Collor. "Nunca

chegamos

a ter nossos

negócios

tão

afetados",

diz Mauro Bran­

zolin,

proprietário

do Motel

Meiembipe.

A área

moteleira,

argumenta,

é como

qualquer

ou­

tra,

epor isso está totalmente su­

jeita

à recessão e à

instabilidade

do mercado.

Sílvio de

Souza,

proprietário

do motel

Dallas,

do

Candelabro

e do Ele e

Ela,

que trabalha há

mais de vinte anos no ramo,con­

corda,

e diz

jamais

ter

presencia­

doumacriseeconômica tão

forte.

Para

ele,

aclasse média foiamais

afetada,

principalmente

os fun­

cionários

públicos,

"mais

sujeitos

Monic.Llnh.,..

(7)

SERÁ

QUE

É

PECADO?

pujar

as

religiões

pentecostais,

os cultos afro e o

espiritismo.

"Este trabalhoéaprova da preo­

cupação

do

Papa

em manter a

Igreja

sempre

atual,

renovando­

se

constantemente",

dizo

padre,

emboraadmite nãodominarto­ talmente as reformas.

Contudo,

opastorda

Igreja

Adventista do Sétimo

Dia,

Vanderlei Moraes, vê de outraformaesta "renova­

ção":

"Deusnuncamuda de

opi­

nião,

sua lei permanece a mes­

ma,e

ninguém

naterra tem po­

der para

mudá-la,

avisa.

Pecado,

paraopastor

Vanderlei,

éacria­

ção

de umalistacomfaltas tole­

ráveis, "que

poderá

serviratéde estímulo para

práticas

que, indi­ ferentemente da

opinião

doVa­

ticano,

continuam sendo crimes

perantes Deus",prega.

Os chamados "novos peca­ dos"

compõem

quaseque total­

mentealista dos "intoleráveis".

Agora,

leitura de

horóscopo,

mapa

astral,

superstições

e

espi­

ritismo levamao

fogo

e ao enxo­

fre,

mais por concorrerem com

a

Igreja

Católicanomercadore­

ligioso

do que porcausaram de­

gradação

no

espírito

das pessoas.

O aborto ainda éonsideradoum

assassinato, portanto um crime grave, ao contrário do suicídio

edaeutanásia,

promovidos

para

a lista dos "toleráveis" ao lado

doitem"matarem

legítima

defe­ sa".

PCeCollornoinferno- Cor­

rupção,

especulação,

suborno,

estelionato e

sonegação

de im­

postostambém comprometema

imortalidade, segundo

o novo

catecismo,queinclui tudo istono

oitavo mandamento: "não rou­

barás". Sea

corrupção

levames­

mo aoinferno,osdoisassessores

do

Papa

João Paulo II envolvi­ dos na

quebra

fraudulenta do Banco

Ambrosiano,

em

1987,

estãocondenados paraomesmo

caldeirão que

aguarda

Paulo Cé­

sarFarias,oPC,eFernando Co­ llor de

Mello,

grande

devoto de NossoSenhora daRosaMística. O

narcotráfico,

mesmosendo

a

conseqüência

do uso de dro­ gas, garante aos traficantes um

buraco mais

profundo

noinferno do que aos

viciados,

pelo

novo

catecismo,

que condena inclusi­

ve a

poluição

ambiental. O pa­

dre Pedro acredita que o texto

aprovado pelo

Papa

em

junho,

cuja divulgação

oficialdeve sair até o fim do ano,

cumprirá

seu

papel

de

"guia

para normas de boa conduta"aos960 milhões de católicos

espalhados pelo plane­

ta. Resta apenas o Vaticano ex­

plicar

como ficam

aqueles

que

morreram e que estão

quei­

mando por

pecados

considera­ dos agora toleráveis.

Jo•• d.SI/ti.Jr

Dona Vera

e

motorista

deixam

um

corno

doido

Ele chorava

e

chegou

a

bater

o seu

fusquinha

O

bom.homem

Parecia,

até não.

parecia

Era bom.

Váláquenãofos­

se bonito e bebia um pouco,

mas não

chegava

a serum cu­

de-cana da cidade. Fumava

sim,

mas issoera

algum

defei­ to? o

homem,

coitado,

não

jo­

gavaenãoeradeprocurarmu­

lher fora. A bem da

verdade,

ocoitado do homemnãomere­

cia ser corno. Mas

foi,

e dos mansos. Contamos

pois,

ahis­ tória do torneirocorno.

No caminhode buscaroleite e voltar pra casa, Dona

Vera,

mulher do Seu RubervalPinto Teixeira

-otorneiro-, pas­

sava todos os dias em frente

agaragem do ônibus. Foi inevi­

tável conheceromotorista.De cabelo

lambido,

uniforme azul

e branco bem

passado,

pente

pretonobolso de tráse

aquele

crachá,

sempreali

pregado

no

branquinho

do bolsocom o no­

me a

profissão.

Não era lá o

capitão

da adolescência. Mas quem disse que toda menina

tem o mesmo sonho? Nem sempre

o-capitão

é

capitão

e

quando

é,não

precisa

sersem­

pre o de

água

ou de ares. O dela erade ônibus.

O leite começou aser pego nofim da

tarde,

mais

precisa­

mente naboca danoite,quan­

do a

vizinhança

preparava a

janta

pro marido e assistia a

novela das sete. Dona Vera passou a ficar mais doente do que de costume. Ia de ônibus todasas semanasbuscarrecur­

sosno

hospital

da cidade gran­

de. Dizia que ali os doutores não sabiam seu remédio. O marido não

reclamava.

Doen­ ça é

doença.

Primeiroa

saúde,

depois

osprazeres.

E láiaDona Vera para Ma­ racá. AliemRiodas Antasto­

dos pensavam que ela estava

desenganada pelos

médicos e

que eles iamera comer oresti- Edntí;. P.tI.;

nho do

capital

que o torneiro

adquirira.

Na

parada

Dona Ve­

ra sempre

sorridente,

sempre

arrumada,

por que não é

por

estar doente que se desleixa,

Não. Dona Vera botava saia

preta commeia combinando e

blusa de lãcom colarzinho de

bijuteria

que

ganhara

do mari­ do.

Hoje

consulta,

amanhã exames,

depois

mostradeexa­

meseentãoa

fuga.

Del?ois

des­

te dianunca maisse vIU Dona

Vera,

o motorista e o ônibus 236.

Desgraçaram

com avidado torneiro. Ohomemficoumeio doido.

Largou

tudoe foi atrás

damulher,do

capitão-motoris­

ta e do ônibus 236. Só viu o

carro encostado numa gara­

gem, masdos dois

ninguém

sa­

biao

paradeiro.

Desgraçaram

com a vida do torneiro.Ohomemagora vivia

bêbado,

largou

a

empreitada,

bateuo

fusquinha

e choravae

babava. Gritava sempre ao

meio-dia

pela

Vera. E nadada Vera.

E, assim,foram quatro me­

ses.O torneiro vivia

sujo,

rosto

vermelho da

cachaça,

conti­

nuava babando no volante e

gritando

sempre porsuaVera.

Começou

a buscarosprazeres

de que tanto gostava na zona

aliperto.O pouco dinheiro que tinha ficava no caixa

daquele

bar encardido.

Eis quenumsábadoàtarde,

os homens reunidos no posto

pra bater um

papinha, chega

otal do

corneiro,

comoocha­

mavam. O homenzinho se en­

fezaebotauma

cabeça

de

boi,

inteiramesmo,comolhoeaspa e

prende

no

capô

do carro e

saipelapraçanumgriteirasó: "Eu só o rei. eu sou o rei. O rei dos cornos".

E, assim,

otorneiro tornou­

se rei. Tinha

lugar

no bar, na

igreja,

no posto e no campo.

Pratodosera

rei,

rei dereinado curto, porque poucotempode­

pois

Dona Vera voltoue

tá até

esperando

neném.

NOV-92

Vaticano repensa

seus

dogmas

e

cai

no

ridículo

"

E

a

chance que

todos esperavam

i

para criticar

O

Católica,

novocatecismo da

aprovado pelo

Igreja

Papa

João Paulo II em

junho passado

com o

objetivo

de

adaptar

osdez mandamentosao

mundo

contemporâneo

e deter

aevasãode

católicos,

temprovo­

cado mais discussõese

piadas

do quecontribuídonarenovaçãoda fé proposta

pelo

Vaticano. As 400

páginas

dotexto resultaram deumtrabalho de seisanos, ba­ seadoemsugestão de

bispos

de todo o

mundo,

que classifica os

pecados

em"toleráveis"e"into­ leráveis"

segundo

os

padrões

da

Igreja.

Mesmo nessa tentativa de

atualização,

o Vaticano se con­

tradiz ao esbarrar numa das

questões

associadas ao

pecado

em seus

dogmas:

o sexo. En­

quanto a

Igreja

insisteem fazer vistas grossas para as

relações

mais íntimas antesdo casamen­

to, o novo catecismo deixa pas­ sar como "toleráveis" a

prosti­

tuição,

a

masturbação

e o ho­ mossexualismo. O

Papa

convida ainda os gays a permanecerem

castos, ou

seja,

alimentando apenas relacionamentos

platôni­

cos. Emtroca,a

Igreja

lhes

ofe-rece

"respeito

e

compreensão".

Segundo

o

Vaticano,

um casal que vive

junto

sem ter casado está em

"pecado grave" junto

com odivórcio e a

pornografia.

Para Reinaldo

Gilli,

pastor-res­

ponsável

da

Igreja

Universal do Reino de Deusem Santa Cata­

rina,

o novo catecismo católico é "contraditório" em sua inter­

pretação

sobreo sexo:

"Segundo

a

Bíblia, pecados

comoamastur­

bação

eohomossexualismo são

intoleráveis, pois agridem

a na­

turezahumana". Mesmonãoes­

tado ainda totalmente informa­ do sobre o novo

catecismo,

o

pastorarriscaumaacusação: "o Vaticano

manipula

os ensina­

mentos de Cristo

segundo

seus

interesses e

segundo

as necessi­ dades do

proprio

clero". Gilli in­

sinua,

com IStO, que os

padres

teriam

inclinações

homosse­

xuais,

que seriam abrandadas

com a

masturbação.

Atéaguerraéencarada agora

pelo

Vaticano como

tolerável,

com umaressalva:

"quando

jus­

ta". A pena de morte também passa a servista de umaforma mais suave

pela Igreja,

que

no

cumprimento

do

serviço

mili­

tarmais um"deverdocristão". Deus muda de

opinião

- O pa­ dre Pedro José Koehler,

vigári

da catedral

metropolitana

de

Florianópolis,

considerao novo

catecismo

"opurtuno

e essen­

cial"paraa

Igreja

Católica sobre

Referências

Documentos relacionados

Em relação a frequência absoluta desses eventos, que ocorreram 367 vezes para aquisição imediata de bens e serviços e 44 vezes para registrar preços na amostra

Mais do que uma necessidade comum, me parece que o conhecimento da língua portuguesa confere prestígio perante a comunidade xinguana, pois possibilita uma relação mais

Analisando o Quadro 8 é possível perceber que 28 dos 37 cães apresentaram estenose lombossacral com conseqüente compressão da cauda eqüina por isso os principais sinais

Para realizar uma simulação mais fiel – tanto do ponto de vista físico quanto visual – quando trabalhando com este tipo de comportamento, o modelo de renderização utilizado

No contexto da organização, a Justiça do Trabalho, de forma ampla e com ênfase nos processos trabalhistas, pode ser dividida em quatro partes: Tribunal

Densidade de plantas, teores percentuais de matéria seca, produção de matéria seca (MSTotal) da planta total, espigas empalhadas (ESP) e colmos e folhas (CF) e percentagem de

2YHUWKHSDVWWZRGHFDGHVDQXPEHURIK\SR[LDUDGLRLPDJLQJ DJHQWV KDYH EHHQ GHYHORSHG DQG WHVWHG FOLQLFDOO\ 2I WKHVH PLVR DQG ,,$=$ DUH WKH PRVW ZLGHO\ XVHG UDGLRWUDFHUV IRU 37 DQG

O interesse por esta temática surge das divergências no âmbito do Serviço Social quanto à apreensão desse processo de expansão da política de Assistência Social no