Produção do espaço urbano e centralidade regional: tecendo reflexões acerca da cidade de Santa Cruz-RN
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(2) ALEXSANDER PEREIRA DANTAS. PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO E CENTRALIDADE REGIONAL: TECENDO REFLEXÕES ACERCA DA CIDADE DE SANTA CRUZ-RN. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia; Linha de Pesquisa: Dinâmica Urbana e Regional; na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito para obtenção do título de Mestre em Geografia. Orientadora: Ione Rodrigues Diniz Morais. NATAL/RN 2017.
(3) Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN Sistema de Bibliotecas – SISBI Catalogação da Publicação na Fonte - Biblioteca Central Zila Mamede Dantas, Alexsander Pereira. Produção do espaço urbano e centralidade regional: tecendo reflexões acerca da Cidade de Santa Cruz-RN / Alexsander Pereira Dantas. - 2017. 115 f. : il. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Programa de PósGraduação e Pesquisa em Geografia - PPGe. Natal, RN, 2017. Orientador: Ione Rodrigues Diniz Morais. 1. Cidade de Santa Cruz (RN) - Dissertação. 2. Espaço urbano Dissertação. 3. Centralidade regional - Dissertação. I. Morais, Ione Rodrigues Diniz. II. Título. RN/UFRN/BCZM 364.652.4. CDU.
(4) UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM GEOGRAFIA. Dissertação intitulada “PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO E CENTRALIDADE REGIONAL: TECENDO REFLEXÕES ACERCA DA CIDADE DE SANTA CRUZ-RN” apresentada por Alexsander Pereira Dantas, como requisito para obtenção do título de Mestre em Geografia.. BANCA EXAMINADORA. ______________________________________________________ Profª. Drª. Ione Rodrigues Diniz Morais – Presidente (Departamento de Geografia - UFRN). __________________________________________________________ Prof. Dr. Ademir Araújo da Costa – Membro Interno (Departamento de Geografia – UFRN). _______________________________________________________ Prof. Dr. Anieres Barbosa da Silva- Membro Externo (Departamento de Geociências-UFPB). Natal, 31 de Julho de 2017..
(5) “O melhor uso da vida consiste em gastá-la por alguma coisa que dure mais que a própria vida.” William James.
(6) AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus por ter me dado o dom da vida, oportunidade e saúde para nesta trajetória da minha vida. Agradeço também por ter me dado forças em momentos difíceis e coragem para não desistir vencer os obstáculos que nos são impostos todos os dias. Agradeço a minha família, minha mão Maria do Socorro, meu pai Antônio Costa e meus irmãos Alexandre e Athilson, pois sempre me ajudaram, apoiaram e me incentivaram nas minhas decisões. Agradeço a Suelly, minha noiva, que me apoiou desde a seleção do mestrado, me compreendeu e me incentivou a terminar o curso. Agradeço também a Professora Ione Rodrigues, a qual tenho um carinho e uma admiração mais do que especial, não só pela pessoa que é, mas também pelo fato de me acolher durante todos esses anos, desde início da graduação, me orientando, ensinando e me inspirando nesta trajetória geográfica. Mais ainda, por acreditar em mim e me ajudar no momento mais difícil da minha trajetória acadêmica. Agradeço a Elton Sullyvan, meu amigo que sempre me ajudou na hospedagem em Natal, sempre que precisei, em congressos e nas semanas árduas de seleção de mestrado. Agradeço a André, Júnior, João Paulo (Dentinho), Marquinhos Fé, Paulo de Tarsso, Diógenes, Daniel, que me acolheram nos primeiros meses em Natal, me abrigando na Residência de Graduação – Campus III. Agradeço a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da UFRN (PROAE), que disponibilizou a estrutura necessária para me auxiliar em termos de moradia e alimentação, para que pudesse me manter na capital e cursar o primeiro ano de curso. Aqui, posso citar as pessoas de Paulo Campos (Pró-reitor), Graça de Sousa (Assistente Social), Vera Lucia (Coordenadora de Gestão das Residências), Seu Carlos (Motorista), os quais conheci em todos esses anos de residência universitária, sobretudo na condição de Coordenador do NAR, sempre me recebendo bem e me atendendo sempre no que fosse possível. Agradeço a Residência Universitária de Pós-graduação (Mipibu), que me deu a experiência de viver na capital, me dedicar nos primeiros meses de curso e conhecer companheiros de luta da pós-graduação, os quais posso mencionar Daniel, Lisa, Altieres, Márcio, Cristiane, Taciane, Tibério (e suas loucuras). Além de Patrícia e Joãozinho, estes desde a residência de graduação em Caicó..
(7) Agradeço a Cleanto, que me ajudou na elaboração dos produtos cartográficos, os quais foram de extrema importância no viés ilustrativo da pesquisa. Agradeço a Alan Oliveira, pela cortesia na tradução do Resumo para o Abstract. Agradeço a Dayane Cassiano pela revisão ortográfica do trabalho. Agradeço a Carlinhos, Funcionário da secretaria de Turismo e Desenvolvimento que me ajudou na pesquisa sobre os hotéis, pousadas e restaurantes. Agradeço a Cares Magno Secretário Municipal de Tributação e Arrecadação, que me atendeu muito bem e foi bastante solícito quando precisei de dados sobre a cidade. Agradeço a Ari e Teixeirinha, colegas de profissão, os quais me forneceram importantes documentos sobre a 7ª DIREC. Agradeço a Daniele e Hialison, servidores da Emater/RN e do IDIARN, respectivamente, os quais me derem importantes informações sobre os órgãos mencionados. Agradeço a André a Elaine, funcionários da Coordenação de Pós-graduação, sempre solícitos as demandas dos alunos do Programa. Agradeço ao Professor Ademir que sempre se colocou a disposição a contribuir com o trabalho e aceitou a participar da Banca de Defesa do mesmo. Agradeço também ao Professor Anieres da Silva, que se disponibilizou a colaborar com a avaliação e melhoramento da dissertação. Agradeço ao Professor Diego Salomão, o qual tenho grande estima, admiração e tive o prazer de ser orientando na monografia, fase em que tive minhas primeiras percepções, que me ajudaram na instiga para a realização deste trabalha. Recentemente, pude participar de algumas aulas de campo do mesmo, me sendo de grande valia no desenvolvimento da dissertação. Agradeço a todos os envolvidos que contribuíram direta e indiretamente na construção desse sonho e peço desculpas caso não os citei. Tenho certeza que futuramente os mencionarei, pois o pesquisador de Geografia nunca está satisfeito com a comodidade. Enfim, agradeço ao Programa de Pós-graduação e todos os professores vinculados pela experiência e pelo conhecimento adquirido, os quais me ajudarão na atuação enquanto Geógrafo, especialmente enquanto professor de Geografia, analítico, crítico e pesquisador do Espaço Geográfico..
(8) DANTAS, Alexsander Pereira. Produção do espaço urbano e centralidade regional: tecendo reflexões acerca da Cidade de Santa Cruz-RN. Dissertação (Mestrado em Geografia). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia. Natal: 2017.115 f. RESUMO. Os estudos sobre cidade assumem diferentes perspectivas, dentre as quais situa-se a temática da centralidade urbano regional. Elegendo a Cidade de Santa Cruz com base empírica, desenvolveu-se uma investigação, que de modo geral, objetivou analisar a relação entre o processo de produção do espaço urbano e a centralidade regional, e de forma específica, analisar o processo de produção do espaço urbano, examinar as atividades que fundamentam a centralidade regional exercida pela cidade e elaborar a cartografia da área de influência de Santa Cruz, segundo segmentos do setor de serviços. Os procedimentos metodológicos envolveram pesquisas bibliográficas, documentais e de campo. Os resultados indicam os processos socioespaciais que envolvem Santa Cruz redefiniram sua base econômica, que passou da agropecuária para o terciário, ressaltando sua função de centro regional. A partir de atividades de comércio e serviços, impulsionando uma dinâmica que envolve uma rede de relações urbanas que tem a cidade como ponto de convergência. Nesse contexto, a expansão do segmento dos serviços foi notável, especialmente no que se refere as instituições públicas que se instalaram na cidade, destacando os campi da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia (IFRN). Acrescentese ainda, a construção do Complexo do Alto de Santa Rita, que tornou a cidade um destino turístico, evento que contribuiu para a ampliação dos serviços, sobretudo de hotelaria e alojamento. Mediante isso, foi dinamizada a produção do espaço urbano de Santa Cruz, sendo notável também o seu crescimento populacional, inclusive, com a população urbana passando a ser predominante e a ampliação do seu sítio urbano, via ocupação de áreas que deram origem a novos bairros. Nessa perspectiva, é possível afirmar que as manifestações do urbano em Santa Cruz redefiniram sua estrutura espacial e ampliaram suas funções urbanas, por meio de uma trama em que a centralidade regional foi sendo fortalecida e seu raio de influência ampliado chegando a extrapolar os limites do território potiguar.. PALAVRAS-CHAVE: Cidade. Urbano. Centralidade Regional..
(9) ABSTRACT. The studies about city take different perspectives, among which is the theme of regional urban centrality. By choosing the City of Santa Cruz on an empirical basis, an investigation was developed, which, in general, aimed to analyze the relationship between the urban space production process and the regional centrality, and were specific to analyze the space production process urban; To examine the activities that underpin the regional centrality exercised by the city and to draw up cartography of the area of influence of Santa Cruz, according to segments of the services sector. The methodological procedures involved bibliographical, documentary and field research. The results indicate that social-spatial processes involving Santa Cruz have redefined their economic base, from farming to tertiary, highlighting its role as a regional center, based on trade and services activities, impelling a dynamic that involves a network of urban relations that has the city as a point of convergence. In this context, the expansion of the services segment was notable, especially with regard to public institutions that installed offices in the city and the campuses of the Federal University of Rio Grande do Norte (UFRN) and the Federal Institute of Education Science and Technology (IFRN). Also, the construction of the Alto de Santa Rita Complex, which made the city a tourist destination, an event that contributed to the expansion of services, especially hotel and accommodation. In this context, the production of the urban space of Santa Cruz was boosted, being also notable its population growth, including with the urban population becoming predominant, and the expansion of its urban site, through occupation of areas that gave rise to new neighborhoods. From this perspective, it is possible to affirm that the manifestations of the urban in Santa Cruz redefined its spatial structure and extended its urban functions, through a plot in which the regional centrality was being strengthened and its radius of influence extended, reaching to extrapolate the limits of the potiguar territory.. KEYWORDS: City. Urban. Regional Centrality..
(10) LISTA DE ILUSTRAÇÕES. Figura 1 - Funcionários trabalhando em fábrica de massas -2017 ........................................... 29 Figura 2 - Crescimento do Perímetro Urbano de Santa Cruz – 1980 a 2017 ........................... 33 Figura 3 - Bairros da Cidade de Santa Cruz segundo divisão adotada pela Agência dos Correios – 2017 ........................................................................................................................ 35 Figura 4 - Casas construídas no loteamento Monsenhor Raimundo - 2017 ............................. 36 Figura 5 - Supermercado Rede Mais em Santa Cruz - 2017 .................................................... 40 Figura 6 - Supermercado Varejão após reforma em Santa Cruz - 2017 ................................... 40 Figura 7 - Santa Cruz - Pontos de parada das lotações no dia da feira livre ............................ 42 Figura 8 - Organização da Feira Livre de Santa Cruz. ............................................................. 43 Figura 9 - Vista parcial da feira livre de Santa Cruz. .............................................................. 44 Figura 10 - Área Central de Santa Cruz: locais de estacionamento das lotações ..................... 47 Figura 11 - Lotações no Pátio da Igreja Matriz de Santa Cruz................................................. 48 Figura 12 - Veículos de lotação na Praça Coronel Ezequiel Mergelino – Santa Cruz ............. 48 Figura 13 - Santa Cruz - policlínica (A), clínica odontológica (B), clínica oftalmológica (C) e clínica de fisioterapia (D). ........................................................................................................ 51 Figura 14 - Santa Cruz - 7ª DIREC – 2017 .............................................................................. 52 Figura 15 - Campus da FACISA/UFRN em Santa Cruz - 2017............................................... 54 Figura 16 - Santa Cruz - Condomínio ao lado da FACISA/UFRN - 2017 ............................... 66 Figura 17 - Estátua de Santa Rita de Cássia ............................................................................. 73 Figura 18 - Santa Cruz - Romeiros em visita ao Alto de Santa Rita - 2017 ............................. 73 Figura 19 - Santa Cruz - Ambulantes na calçada de acesso ao Alto de Santa Rita – 2017 ...... 74 Figura 20 - Agência dos Correios de Santa Cruz ..................................................................... 76 Figura 21 - Santa Cruz - Unidade Regional da EMATER ....................................................... 76.
(11) LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Santa Cruz – PIB municipal (mil reais) - 2000 - 2014 ......................................................... 28 Tabela 2 - Número de contribuintes ativos segundo a atividade - 2017 ............................................... 28 Tabela 3 - Santa Cruz - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – 1991-2010 ....................... 31 Tabela 4 - Santa Cruz - População Urbana e Rural - 1940 - 2010 ........................................................ 31 Tabela 5 - Transportes que interligam aos municípios vizinhos à Santa Cruz - 2017 .......................... 46 Tabela 6 - Origem dos alunos ativos da FACISA/UFRN - 2016 .......................................................... 55 Tabela 7 - Alunos do IFRN de Santa Cruz por município de origem - 2016 ........................................ 58 Tabela 8 - Origem dos alunos ativos dos Cursos Integrados da IFRN - 2016 ...................................... 59 Tabela 9 - Origem dos alunos ativos dos Cursos Subsequentes do IFRN - 2016 ................................. 60 Tabela 10 - Quantidade e origem dos alunos ativos dos cursos EJA do IFRN - 2016 .......................... 61 Tabela 11 - Quantidade e origem dos alunos ativos dos cursos superiores em licenciatura do IFRN 2016 ....................................................................................................................................................... 62 Tabela 12 - Santa Cruz: Rede Hoteleira - 2017..................................................................................... 72. LISTA DE QUADROS. Quadro 1 - Instituições de Ensino Superior em Santa Cruz - 2017 ....................................................... 30 Quadro 2 - Escolas vinculadas a 7ª DIREC, por municípios – 2017 .................................................... 52.
(12) LISTA DE MAPAS. Mapa 1 - Hierarquia urbana do Rio Grande do Norte, segundo o REGIC 2007 ...................... 15 Mapa 2 - Município de Santa Cruz no Rio Grande do Norte ................................................... 16 Mapa 3 - Municípios com fluxos diários com destino a Santa Cruz - 2017............................. 45 Mapa 4 - Santa Cruz - Área de jurisdição da V URSAP – 2017 .............................................. 50 Mapa 5 - Área de atuação da 7ª DIREC – 2017 ....................................................................... 53 Mapa 6 - Estados de origem dos alunos da FACISA/UFRN - 2016 ........................................ 57 Mapa 7 - Rio Grande do Norte - Municípios de origem dos alunos da FACISA/UFRN – 2016. .................................................................................................................................................. 64 Mapa 8 - Rio Grande do Norte - Municípios de origem dos alunos do IFRN – 2016. ............ 65 Mapa 9 - Municípios de atuação da Agência do IBGE de Santa Cruz ..................................... 68 Mapa 10 - Área de Atuação da 9ª DRP de Santa Cruz - 2017 ................................................. 70 Mapa 11 - Área de Atuação da 4ª CIPM – Santa Cruz - 2017 ................................................. 71 Mapa 12 - Área de atuação da Unidade Regional da EMATER em Santa Cruz - 2017 .......... 79 Mapa 13 - Área de atuação da ULSAV de Santa Cruz - 2017 ................................................. 79 Mapa 14 - Área de influência de Santa Cruz por segmentos do setor de serviços ................... 81.
(13) LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS. ATER - Assistência Técnica e Extensão Rural BNH - Banco Nacional da Habitação CAERN - Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte CCI - Centro Comunitário Integral CDP - Centro de Detenção Provisória de Santa Cruz CHESF - Companhia Hidrelétrica do São Francisco COHAB-RN - Companhia de Habitação Popular do Rio Grande do Norte CRUTAC - Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária DAP - Declaração de Aptidão DATASUS - Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil DETRAN - Departamento Estadual de Trânsito DNER - Departamento Nacional de Estradas de Rodagem DRT - Delegacia Regional do Trabalho EBSERH - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares EJA - Educação de Jovens e Adultos EMATER - Assistência Técnica e Extensão Rural FACISA-UFRN - Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi FIES - Fundo de Financiamento Estudantil GTO - Grupo Tático Operacional ICMS - Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDHM - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal IDIARN - Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária IFRN - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte IOF - Imposto Sobre Movimentações Financeiras IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPI - imposto sobre produtos industrializados ISS- Imposto Sobre Serviço ITEP - Instituto Técnico de Polícia MEC - Ministério da Educação NTE - Tecnologia em Educação.
(14) PENUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil PIB - Produto Interno Bruto municipal PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PROCON - Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor PRONAF - Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRONAV - Programa Nacional de Voluntariado PROUNI - Programa Universidade para Todos REGIC – Regiões de Influências das Cidades ROCAM - Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicleta SESAP - Secretaria Estadual de Saúde Pública do Rio Grande do Norte SINE - Sistema Nacional de Emprego TRE - Tribunal Regional Eleitoral UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte ULSAV - Unidade Local de Saúde Animal e Vegetal V USARP - V Unidade Regional de Saúde Pública 4ª CIPM - 4ª Companhia Independente de Polícia Militar 7ª DIREC - 7ª Diretoria Regional da Educação e Cultura 9ª DRP - 9ª Delegacia Regional de Polícia.
(15) SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 14. 2 MANIFESTAÇÕES DO URBANO E CENTRALIDADE REGIONAL: NA TRAMA, A CIDADE DE SANTA CRUZ ............................................................................................. 20 2.1 A CIDADE E URBANO: CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS NA PERSPECTIVA DA CENTRALIDADE REGIONAL .............................................................................................. 21 2.2 SANTA CRUZ: TECENDO A CONFIGURAÇÃO CITADINA. .................................... 25. 3 O TERCIÁRIO NA TESSITURA DA CENTRALIDADE URBANA E REGIONAL DE SANTA CRUZ .................................................................................................................. 38 3.1 SERVIÇOS DISTRIBUTIVOS: COMÉRCIO E TRANSPORTES .................................. 38 3.1.1 Atividade comercial como elemento da centralidade em Santa Cruz ............................. 39 3.1.1.1 A Feira Livre de Santa Cruz: mercado periódico de abrangência regional .................. 41 3.1.2 Os transportes: Santa Cruz como ponto de convergência dos fluxos. ............................. 44 3.2 SERVIÇOS SOCIAIS: SAÚDE, EDUCAÇÃO................................................................. 49 3.3 SERVIÇOS PESSOAIS DE HOTELARIA E ALOJAMENTOS: O TURISMO RELIGIOSO COMO ELEMENTO DE CENTRALIDADE. .................................................. 71 3.4 SERVIÇOS PRODUTIVOS: SERVIÇOS DE APOIO À PRODUÇÃO E A ATIVIDADE PROFISSIONAL. ..................................................................................................................... 75. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 83. REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 85 APÊNDICES ............................................................................................................................ 89 ANEXOS ................................................................................................................................ 101.
(16) 14. 1 INTRODUÇÃO. A temática centralidade urbano-regional tem sido alvo de estudos realizados pelo IBGE, sendo a REGIC 2007 o mais recente deles.. Nesse estudo foi estabelecida uma. classificação e hierarquia dos centros urbanos e delimitada suas respectivas regiões de influência a partir dos aspectos de gestão federal e empresarial e da dotação de equipamentos e serviços, de modo a identificar os pontos do território a partir dos quais são emitidas decisões e é exercido o comando em uma rede de cidades. As áreas de influência dos centros urbanos foram delineadas a partir da intensidade das ligações entre eles, com base em dados secundários e dados obtidos por questionário específico (IBGE, 2008). Considerando a crescente importância das ligações interurbanas, consistindo em múltiplas transações entre firmas, com constantes participações das redes eletrônicas e intensificação da circulação de bens, serviços e mão de obra, a centralidade passa a ser definida não apenas da maneira clássica, como acúmulo de funções urbanas (oferta de bens e serviços para a população dispersa no território), mas como a capacidade de cada cidade em desenvolver a infraestrutura técnica e social necessária para as novas redes e em abrigar as funções de alto nível que as utilizam. Essa centralidade contribui para aumentar a desigualdade entre as cidades, assim como no interior do tecido urbano (IBGE, 2014). A hierarquia dos centros urbanos, conforme a REGIC 2007 (IBGE, 2008), levou em conta a classificação dos centros de gestão do território, a intensidade de relacionamentos e a dimensão da região de influência de cada centro, bem como as diferenciações regionais. De fato, diferenças nos valores obtidos para centros em diferentes regiões não necessariamente implicam distanciamento na hierarquia, pois a avaliação do papel dos centros dá-se em função de sua posição em seu próprio espaço. Nesse ínterim, centros localizados em regiões menos densamente ocupadas em termos demográficos ou econômicos, ainda que apresentem indicativos de centralidade mais fracos do que os de centros localizados em outras regiões, podem assumir o mesmo nível na hierarquia. De acordo com a REGIC (2007), no Rio Grande do Norte a hierarquia dos centros urbanos (cidades) compreende centros regionais, centros sub-regionais, centros de zona e centros locais (Mapa 1), havendo subclassificações no âmbito de um determinado nível..
(17) 15. Mapa 1 - Hierarquia urbana do Rio Grande do Norte, segundo o REGIC 2007. Fonte: REGIC, 2007.. Segundo a classificação da REGIC (2007), o nível de “capital regional” é aquele no qual a cidade tem a capacidade de gestão no nível imediatamente inferior ao das metrópoles, têm área de influência de âmbito regional, sendo referidas como destino para um conjunto de atividades por grande número de municípios. Na hierarquia dos centros urbanos do Rio Grande do Norte, Natal assume a posição de “Capital Regional A” e Mossoró de “Capital Regional C”. O nível de “Centro Subregional” compreende cidades com atividades de gestão menos complexas, que têm área de atuação mais reduzida e os relacionamentos com centros externos à sua própria rede dão-se, em geral, apenas com as três metrópoles nacionais (IBGE, 2008). No Rio Grande do Norte, encontram-se no nível de “Capital Subregional A”, as cidades de Caicó e Pau dos Ferros, e de “Capital Subregional B”, as cidades de Currais Novos e Assu. O nível identificado como “Centro de Zona” compreende cidades de menor porte e com atuação restrita à sua área imediata, exercendo funções de gestão elementares. No estado correspondem a “Centro de Zona A”, as cidades de João Câmara e Macau, e de.
(18) 16. “Centro de Zona B”, as cidades de Apodi, Umarizal, Patu, São Paulo do Potengi, Santa Cruz, Passa e fica, Santo Antônio, Canguaretama, Parelhas, Alexandria e São Miguel. O nível de “Centro Local” é aquele no qual a cidade não exerce funções regionais, ou seja, a centralidade e atuação não extrapolam os limites do seu município, servindo apenas aos seus habitantes; em geral, tem população dominantemente inferior a 10 mil habitantes. Considerando a classificação e hierarquia dos centros urbanos do Rio Grande do Norte estabelecida pela REGIC 2007 (IBGE, 2008), a Cidade de Santa Cruz (Mapa 2), objeto desse estudo configura-se um “Centro de Zona B”, cuja centralidade abrange 7 municípios. Embora seja reconhecível que a região de influência de uma dada cidade pode variar de acordo com os critérios utilizados para sua definição, considera-se importante que os estudos sobre o tema contemplem a dinâmica dos fluxos que articulam a rede urbana.. Mapa 2 - Município de Santa Cruz no Rio Grande do Norte. Diante desse cenário e sendo reconhecida empiricamente, a partir da dinâmica que envolve o cotidiano que Santa Cruz estabelece relações com um número maior de municípios do que aquele indicado pela REGIC (2007) problematizou-se o tema centralidade regional, assumindo como base empírica a referida cidade1. A problematização da pesquisa desenvolveu-se com base no seguinte questionamento: Existe relação entre o processo de produção do espaço urbano e a 1. O Município de Santa Cruz, localizado na Mesorregião Agreste Potiguar, na Microrregião Borborema Potiguar, possui uma população total de 35.797, sendo 30.499 residentes urbanos e 5.298 moradores rurais (IBGE, 2010)..
(19) 17. centralidade regional? Associada a esta questão basilar, buscou-se ainda investigar: Como ocorreu o processo de produção do espaço urbano em análise? Quais as atividades que fundamentam a centralidade regional exercida pela cidade? Nesse sentido, definiu-se como objetivo geral analisar a relação entre o processo de produção do espaço urbano de Santa Cruz e a centralidade regional que exerce, e como objetivos específicos: analisar o processo de produção do espaço urbano; examinar as atividades que fundamentam a centralidade regional exercida pela cidade; elaborar a cartografia da área de influência de Santa Cruz, segundo segmentos do setor de serviços. Os procedimentos técnicos e metodológicos foram devidamente articulados a problematização e aos objetivos. Deste modo, realizou-se a pesquisa bibliográfica com base em livros e artigos que contemplam abordagens teóricas sobre espaço, cidade, urbano, região, centralidade, rede urbana e fluxos na perspectiva de contribuir para a análise da configuração urbana e da centralidade regional de Santa Cruz. Entre os autores estudados, destacam-se: Corrêa (1989) e Santos (1997), com abordagens sobre o espaço urbano da cidade capitalista e rede urbana; Santos (1993) e Gomes (2010) com reflexões acerca dos fixos e fluxos; Lefebvre (2001) com análises sobre a produção do espaço, cidade e modo de vida urbano; Sposito (2008; 2010) com estudos sobre a produção do espaço urbano e regional das cidades médias, a configuração das cidades em redes; Branco (2006) e a centralidade urbana das cidades médias; Catelan (2012) com alguns aspectos analíticos acerca da centralidade regional; Ressalta-se, ainda, o documento publicado pelo IBGE (2007), intitulado Região de Influência das Cidades - REGIC 2007, que se constitui no mais recente estudo acerca da rede urbana brasileira. Paralelamente ao estudo teórico foi realizada a pesquisa com base na historiografia local e regional, na perspectiva de buscar subsídios para analisar o processo de produção urbana de Santa Cruz e evidenciar os segmentos do espaço citadino que contribuem para a centralidade regional que exerce. Para tal, recorreu-se as contribuições de Hermando Amorim (1998), Edgar Santos (2010) e Mons. Severino Bezerra (1983), obras estas que remetem a história de Santa Cruz; Dantas (2012), que trata a dinâmica da cidade, considerando os dois circuitos da economia urbana; e Nunes Filho (2012) que estudou a feira livre e as territorialidades de Santa Cruz. Concomitante à compreensão teórica da temática de estudo, para melhor apreender a configuração urbana de Santa Cruz também recorreu-se a pesquisa documental por meio de levantamento de dados secundários sobre a população e a economia local, em sítios de órgãos que possuem publicações estatísticas, tais como: Instituto de Pesquisa.
(20) 18. Econômica Aplicada (IPEA), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (PNUD). Ainda na perspectiva de atingir esse objetivo, foi realizada uma pesquisa documental sobre comércio e serviços, para evidenciar o número de estabelecimentos em funcionamento registrados na Prefeitura Municipal de Santa Cruz, particularmente na Secretaria de Tributação, Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Social e Secretaria de Transportes, a fim de caracterizarmos as principais atividades econômicas que impulsionam a dinâmica urbana de Santa Cruz, na atualidade e a contribuição destas para os indicadores econômicos do município. Para evidenciar as atividades que fundamentam a centralidade regional exercida por Santa Cruz, analisamos a configuração do setor comercial e dos serviços, com base em dados obtidos junto as instituições públicas que tem sede na cidade e atuação em escala regional, buscamos entender a estrutura de funcionamento, a finalidade da instituição e o seu raio de influência. Além disso, recorremos às observações in lócus e registros fotográficos, com a finalidade de retratar a dinâmica de Santa Cruz. Prosseguindo no exame da centralidade regional de Santa Cruz, consideramos os fluxos gerados pela atuação do terciário. Nesse ínterim, recorreu-se a aplicação de formulários com pessoas de outros municípios e motoristas de transportes alternativos responsáveis pelos deslocamentos de pessoas para a cidade. Esse instrumento permitiu saber sobre a origem dos fluxos, a periodicidade (temporalidade), o número aproximado de pessoas que envolve (densidade) e o que buscavam essas pessoas na cidade (natureza). Com base nas informações obtidas, elaboramos uma cartografia da área de influência de Santa Cruz considerando os pontos de origem desses fluxos para a cidade. A elaboração dessa cartografia possibilitou a correlação com o mapa dos fluxos apresentado pela REGIC 2007, tendo a Cidade de Santa Cruz como ponto de referência. A justificativa para a realização deste trabalho fundamenta-se na importância que estudos dessa natureza assumem, tanto na perspectiva da reflexão teórica quanto da compreensão de uma realidade socioespacial existente, inclusive com possibilidades de servir de subsídios ao planejamento e a gestão do território. Considera-se relevante o estudo também pelo fato de que, embora tenham sido realizados alguns trabalhos científicos acerca de municípios da Mesorregião Agreste Potiguar, estes remetem a uma escala local, não contemplando Santa Cruz na perspectiva da dinâmica urbano-regional. Desse modo, entendese que a pesquisa em pauta sinaliza para uma abordagem teórica e um percurso de pesquisa.
(21) 19. que visa refletir e elucidar aspectos importantes para a produção da Geografia do Rio Grande do Norte, tomando como referência uma escala regional. Nessa lógica, o trabalho segue estruturado em dois capítulos: no primeiro, intitulado “Manifestações do urbano e centralidade regional: na trama, a cidade de Santa Cruz”, analisa-se sua atual configuração citadina e a presença do terciário no quadro da economia local. No segundo capítulo, intitulado “O terciário na tessitura da centralidade urbana e regional de Santa Cruz”, examina-se os elementos que compõem o setor terciário da cidade, levando em consideração a atuação e a contribuição destes para a centralidade regional que esta assume e apresenta-se a cartografia da área de influência de Santa Cruz, segundo segmentos do setor de serviços..
(22) 20. 2 MANIFESTAÇÕES DO URBANO E CENTRALIDADE REGIONAL: NA TRAMA, A CIDADE DE SANTA CRUZ Estudar o espaço no âmbito da Geografia requisita apreender sua relação com a sociedade, considerando, dentre outros, as noções de processo (tempo e mudança), forma, função e estrutura, elementos fundamentais para a compreensão da sua produção (SANTOS, 2004). Neste sentido, compreende-se que. O espaço é simultaneamente produtor e produto; determinante e determinado; um revelador que permite ser decifrado por aqueles mesmos a quem revela; e, ao mesmo tempo, em que adquire uma significação autêntica, atribui um sentido a outras coisas. (SANTOS, 2004, p. 163). Na concepção deste autor (2004), o espaço geográfico é um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá. Nessa perspectiva, pode-se dizer que o espaço é um fato social, um fator social e uma instância social (SANTOS, 2004). A sociedade produz e reproduz sua existência de um modo determinado, o qual imprimirá características históricas específicas e, consequentemente, influenciará e direcionará o processo de produção espacial (CARLOS, 2001). Partindo desses pressupostos, considera-se que a produção do espaço urbano se dá a partir de diferentes usos desencadeados por diferentes agentes sociais. Por esse ângulo, constata-se que, nos primeiros decênios do século XXI, a sociedade mundial tem reafirmado a tendência à consolidação de um perfil marcadamente urbano, que “é mais do que um modo de produzir, é também um modo de consumir, pensar, sentir, enfim, é um modo de vida” (CARLOS, 1997, p. 27). Nesse âmbito, as cidades têm passado por transformações que ampliam e aguçam o interesse da comunidade geográfica pelos os estudos do urbano. Para Carlos (2001), pensar a cidade significa refletir sobre o espaço urbano enquanto produção e reprodução histórica, que é simultaneamente realidade presente e imediata e a sociedade urbana em seu devir. Na contemporaneidade, a cidade e o urbano estão em estreita articulação com o sistema capitalista, o que repercute sob a forma como esse fenômeno – o urbano - se materializa no espaço, de modo geral, assumindo a configuração de cidade. Nessa perspectiva, a cidade pode ser definida como a base material e arquitetônica, a.
(23) 21. forma concreta, prático-sensível, que tomou o processo histórico de divisão socioespacial (LEFEBVRE, 1999). Considerando a dinamicidade do capitalismo, a cidade enquanto um condicionante e um reflexo desse sistema tem entre suas características, a mutabilidade. Assim, a cidade não se constitui um receptáculo passivo da produção e das políticas de planejamento, visto que sua construção se dá na tessitura de relações que envolvem o cotidiano dos seus habitantes (LEFEBVRE, 1999). Sposito (2008) afirma que a cidade revela os interesses e as ações da sociedade e, ao mesmo tempo, oferece condições para que esses se realizem contribuindo para determinar o próprio movimento oriundo desse conjunto de ações. Para Silva (2008), a cidade implodiu e explodiu, simultaneamente. Em outras palavras, apresenta um aumento na malha urbana, ao mesmo tempo que concentra cada vez mais atividades em um mesmo local, passando a ser produzida sob novas lógicas que geram processos espaciais que tanto repercutem na escala intraurbana quanto na interurbana. Assim, elegendo a perspectiva interurbana como norteadora da análise, ressalta-se o processo de centralidade regional, o qual se configura a partir de uma dinâmica de fluxos que articula uma rede de cidades. De modo geral, esse processo assume uma configuração espacial marcada pela existência de uma cidade que assume a condição de centro regional, ponto de convergência e dispersão de fluxos que alimentam uma rede urbana tecida em seu entorno. A seguir, serão traçadas algumas considerações teóricas acerca da cidade, urbano e centralidade regional.. 2.1 A CIDADE E URBANO: CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS NA PERSPECTIVA DA CENTRALIDADE REGIONAL Os estudos acerca da cidade e do urbano tem contribuído para a compreensão dos termos e, por conseguinte, o estabelecimento de suas especificidades. Tanto a cidade como objeto, como o urbano enquanto fenômeno, se situam no âmbito das reflexões sobre o espaço e a sociedade, pois são produtos dessa relação; mais precisamente, são produzidos por relações sociais determinada historicamente. Considerando ser a cidade uma produção social e histórica, resguarda em suas formas, marcas reveladoras da sobreposição e coexistência de tempos (CARLOS, 2004)..
(24) 22. Para Corrêa (1989) a cidade enquanto espaço fragmentado, articulado, reflexo e condicionante social, também é o lugar onde as diversas classes sociais vivem e se reproduzem. Nesse ínterim, Gomes (2010, p. 19), afirma que:. A cidade não pode, pois, ser concebida como uma forma que se produz simplesmente pela contiguidade das moradias pelo simples adensamento de população; ela é, antes de qualquer coisa, um tipo de associação entre pessoas, associação esta que é uma forma física e um conteúdo.. Na discussão que trata sobre urbano e cidade, Lefebvre (1999) ainda remete as noções de morfologia material (cidade) e de morfologia social (urbano), que servem para abarcar teoricamente o processo de urbanização, funcionando como uma totalidade onde os termos são indissociados (não existe sociedade sem organização do espaço). Assim, não se pode confundir urbano e cidade. Segundo Lefebvre (1999), a cidade, sendo algo que existe desde a Antiguidade, desde a própria separação campo-cidade a partir da divisão social do trabalho pode ser definida como a base material e arquitetônica, a forma concreta, prático-sensível, que tomou o processo histórico de divisão socioespacial. O urbano pode ser definido como a dinâmica que engendra o tecido social presente na cidade, a centralidade, as relações e atividades desenvolvidas por “seres concebidos, construídos ou reconstruídos pelo pensamento” (LEFEBVRE, 1999, p. 54). Para Carlos (1994), o produto do processo de produção urbana se dá num determinado momento histórico, não apenas no que se refere à dimensão econômica do processo (produção, distribuição, circulação e troca), mas também as dimensões sociais, políticas, ideológicas, jurídicas que se articulam na totalidade da formação econômica e social. Dessa maneira, o urbano é mais que um modo de produzir, é um modo de consumir, pensar, sentir; enfim, é um modo de vida. De acordo com Sposito (2010), o caráter urbano amplia-se quanto maior for o nível e a quantidade de atividades não agrícolas presentes em uma cidade. Considerando que na contemporaneidade a cidade tem aprofundado o seu papel de centro prestador de serviços, incluindo-se nestes o comércio, tem assumido relevância tanto as abordagens que contemplam a perspectiva intraurbana quanto aquelas que se voltam para as relações interurbanas. No âmbito destas últimas, situam-se os estudos acerca da centralidade urbana regional. Os pioneiros nos estudos referentes à centralidade urbana e regional foram Walter Christaller (1933) e August Lösch (1954), os quais desenvolveram modelos e formulações que ficaram conhecidos como Teoria dos Lugares Centrais, sendo estudada e reinterpretada.
(25) 23. por Keith Beavon (1977). Esta teoria procura explicar a dinâmica e o comportamento dos centros urbanos, defendendo que cada localidade detém uma influência em seu entorno, galgada na disponibilidade e na oferta de bens e serviços. Muitos estudiosos adotaram esta teoria na perspectiva de explicar o crescimento urbano, embora originalmente este não fosse o propósito, pois, de acordo com Andrade e Lodder (1974, p. 96), o desenvolvimento da Teoria do Lugares Centrais. Se deve ao interesse de entender a distribuição espacial das atividades terciárias, ou seja, como a oferta de bens e serviços confrontada com a demanda de consumidores dispersos pelo espaço gera as áreas de mercados para estes bens e serviços e como a concorrência de seus ofertantes determina uma estruturação hierárquica das atividades econômicas exercidas nos lugares centrais.. Deve-se levar em consideração que Christaller (1966, apud CORRÊA, 1989) não se preocupa com a localização, mas com a organização do espaço, pois segundo o autor a centralidade é definida pela capacidade de oferecer bens e serviços (de melhor qualidade) para outras localidades. Com isso, a teoria da centralidade apresenta dificuldades para trabalhos empíricos de regionalização, já que aos poucos foi ocorrendo “a passagem de um esquema de polarização clássico baseado no terciário para uma situação onde a atividade industrial é a predominante” (ROLIM 1993, p.25). Na abordagem teórica de Chistaller (1966), o terciário é considerado como determinante na indicação do processo de polarização, por envolver tanto a produção quanto o consumo. Por ser um setor da economia que favorece a concentração, possibilita o surgimento de economias de aglomeração que por sua vez, facilitarão o aparecimento de novas atividades. Para Catelan (2012), algumas perspectivas analíticas são importantes nos estudos acerca da centralidade regional, das funções e dos papéis que a cidade – centro regional - vem desempenhando na rede a qual está inserida, tais como: as redes regionais que se formam a partir de suas atividades e funções, bem como as atividades e fluxos que mais contribuem para consolidação da centralidade regional que exerce; os crescentes processos de concentração econômica e espacial, crucial para a compreensão do momento atual destas cidades e as interações espaciais que delas partem e nelas chegam e o movimento de inserção delas na escala global e principalmente, como as lógicas desta escala, via agentes econômicos, os quais apontam a necessidade de pensá-las mais pelas interações espaciais interescalares que delas resultam que em sua posição hierárquica..
(26) 24. Nesse sentido, no estudo da centralidade regional torna-se importante considerar a interligação entre os fixos e fluxos. De acordo com Santos, (2009, p. 62), “os fixos são cada vez mais artificiais e mais fixados ao solo; os fluxos são cada vez mais diversos, mais amplos, mais numerosos, mais rápidos.” Os elementos fixos, permitem ações que modificam o próprio lugar, fluxos novos ou renovados que recriam as condições ambientais, as condições sociais e redefinem cada lugar. Os fluxos resultam direta ou indiretamente das ações e atravessam ou se instalam nos fixos, modificando a sua significação e o seu valor, ao mesmo tempo em que, também se modificam (SANTOS, 2009). O estudo dos fluxos e das trocas que se estabelecem em um contexto regional, seja de mercadorias, serviços, mão de obra, entre outros, conduz a uma valorização das relações econômicas (GOMES, 2010). De acordo com Sposito (2010, p. 222): Esses fluxos não dizem respeito somente ao núcleo do „organismo‟ urbano, mas ao conjunto das cidades aglomeradas ou em processo de aglomeração, pois o tamanho desses equipamentos, o nível e atração que eles exercem em função da diversidade de produtos e serviços que eles oferecem, as facilidades de acesso e estacionamento e mesmo a imagem do modernismo que eles exprimem são fatores que permitem a definição de um raio ampliado de mercado. A referida autora considera ainda que o processo de recomposição da rede urbana é condicionado a partir das novas formas de concentração econômica e a composição territorial da atividade terciária, com as novas formas flexíveis de produção industrial terciária, como as novas formas flexíveis de produção industrial e as relações entre estas ou aquelas. Santos (2009) assegura que o conceito de rede está sustentado sob duas grandes matrizes: a realidade material e o dado social. A rede vista sob o aspecto material refere-se à infraestrutura que permite o transporte de matéria, energia ou informação (rede técnica), enquanto que a rede analisada a partir de uma perspectiva social (rede social) refere-se às pessoas, mensagens e valores. De acordo com Araújo (2009, p. 28),. Enquanto uma cidade se interliga com outra através de uma rede bancária, por exemplo, expandindo o capital e sanando demandas sociais, ela também mantém um certo vínculo com diferentes cidades através de elementos de sua formação social própria, que, por conseguinte, se une através de redes menores e menos desenvolvidas.. Ao tratar de rede urbana, Corrêa (1989) a define como um conjunto de centros funcionalmente articulados e que reflete e reforça as características sociais e econômicas de.
(27) 25. um território. Nota-se que essa concepção está articulada a noção de hierarquia urbana, em outras palavras, uma escala de subordinação entre as cidades de diferentes portes: metrópoles, cidades grandes, médias e pequenas. Todavia, com a difusão do meio técnico-cientifico-informacional, as redes e os fluxos passaram a tecer conexões entre os lugares e alteraram a ideia de próximo e distante (RODRIGUES, 1994). Nessa conjuntura, as relações entre cidades foram alteradas, já não se configurando a partir de conexões estabelecidas segundo uma hierarquia urbana, mas pautada numa nova lógica na qual as articulações entre cidades existem, independentemente de sua dimensão (pequena, média, grande). Assim, desenham-se novas configurações para a rede urbana. Dessa forma, no âmbito da urbanização brasileira, que se intensificou no final do século passado, evidencia-se uma configuração de uma rede urbana na qual a hierarquia entre as cidades levou algumas delas a condição de centro regional. Dessa forma, os estudos sobre centralidade regional assumem importância não apenas do ponto de vista da produção do conhecimento, mas também em uma perspectiva pragmática que se associa ao planejamento e gestão do território. Na perspectiva de compreender os fundamentos da centralidade regional exercida por Santa Cruz no contexto da rede urbana potiguar, considerou-se importante, inicialmente, evidenciar aspectos históricos e geográficos que constroem a trama na qual emerge a cidade.. 2.2 SANTA CRUZ: TECENDO A CONFIGURAÇÃO CITADINA. A cidade de Santa Cruz (Latitude: 6° 13‟ 46” Sul; Longitude: 36° 01‟ 22” Oeste) está localizada a 122 km de Natal, da capital do estado do Rio Grande do Norte, a qual se liga através da BR-226. (IBGE, 2017). Sua origem, de acordo com fontes historiográficas e. documentais apresenta duas versões, sendo uma lendária e outra baseada em fatos históricos. Segundo Santos (2010), a perspectiva lendária, que assume um caráter mítico-religioso, está articulada a uma narrativa que fala da existência em abundância de inharé, árvore tida como sagrada e que ao aparecerem galhos quebrados anunciava secas, epidemias e outros males. De acordo com o referido autor (2010), diz a lenda que um santo missionário tomando conhecimento do fato, dirigiu-se ao local e fez uma cruz com os galhos de inharé e os malefícios cessaram como por encanto; das fontes, a água jorrou em abundância, os animais tornaram-se mansos e humildes, as aves entoaram cânticos. A localidade foi então chamada Santa Cruz do Inharé..
(28) 26. Ainda de acordo com a lenda, anos se passaram e o topônimo Inharé foi trocado por Trairi, nome indígena dado a importante curso d'água que banha o território. Mais tarde o local passou a ser chamado simplesmente de Santa Cruz. Conforme Bezerra (1983), a Ribeira do Trairi era habitada pela nação Tapuia que se aglomerava nas serras do Ronca, Tapuia e Doutor, áreas que atualmente integram o Município de Santa Cruz. Segundo os registros historiográficos, a colonização desse espaço foi iniciada em março de 1831, quando Lourenço da Rocha, seu irmão João da Rocha e um companheiro de nome João Rodrigues da Silva iniciaram a edificação de uma pequena capela, sob a invocação de Santa Rita de Cássia. A aglomeração humana que deu origem a Santa Cruz surgiu no período em que a pecuária era a atividade basilar do interior do Rio Grande do Norte, sendo esta subsidiária da atividade canavieira, principal economia voltada para a exploração do território colonial. Segundo Dias (2011, p. 17), “no limiar do século XVIII, o sertão do Rio Grande estava marcado pelos currais de gado, que não só tomavam e alteravam os territórios indígenas, como também modificavam seu modo de viver”. Nesse período, o desenvolvimento da pecuária que fornecia carne, alimento e força motriz para a atividade canavieira, contribuiu para a interiorização da colonização do Rio Grande do Norte, pois se adequou as condições fisiográficas do espaço sertanejo. Na história da evolução político-administrativa de Santa Cruz consta que em março de 1835, a Lei Provincial nº 24, oficializou a criação do Distrito sob o nome de Santa Cruz da Ribeira do Trairi, em território do Município de São José do Mipibu; em 11 de dezembro de 1876, a Lei Provincial n° 777 oficializou a emancipação política do então Distrito, que passou a condição de município-vila sob a denominação de Santa Cruz, e, finalmente, em 03 novembro de 1914, a Lei Estadual nº 372 elevou a vila a condição de cidade (AMORIM, 1998). Durante a década de 1960, a cotonicultura foi a atividade de maior expressão no quadro da economia local, contribuindo para a dinâmica urbana de Santa Cruz. Por ser uma atividade que envolvia tanto a produção, que ocorria no campo, quanto o beneficiamento, que a grosso modo se processava na cidade, onde se localizavam grandes usinas que empregavam uma expressiva quantidade de pessoas. Essa fase próspera da cotonicultura, repercutiu, entre outros, no processo de migração rural-urbana e na ampliação do perímetro urbano de Santa Cruz..
(29) 27. Na década de 1980, a crise da cotonicultura do Rio Grande do Norte foi consumada, em decorrência de um conjunto de fatores, dos quais destacam-se a difusão do tecido sintético, a descapitalização dos produtores e a praga do bicudo 2 , fez com que o contexto urbano do estado vivenciasse um processo de reestruturação produtiva, que segundo Azevedo (2013, p. 114) compreende:. [...] um conjunto de transformações de caráter estrutural, organizacional e técnico, fazendo-se refletir no espaço geográfico em sua totalidade. Tais transformações se articulam e se configuram como alternativas de superação das crises cíclicas do sistema capitalista para a ampliação/reprodução do próprio capital, afetando sobretudo o mundo do trabalho, com contornos muito bem definidos, especialmente nos países subdesenvolvidos, onde o Estado do bem-estar-social ainda apresenta sérios problemas, limites e vulnerabilidades.. Com isso, as cidades que em termos econômicos dependiam da agricultura e/ou da pecuária, desenvolveram um novo arranjo espacial produtivo, marcado por um fortalecimento do setor terciário em que sobressaem o comércio e os serviços, sobretudo nas cidades que assumem a condição de centros regionais. Soja (1993, p. 194) sublinha que a reestruturação produtiva “implica fluxo e transição, posturas ofensivas e defensivas, e uma mescla complexa e irresoluta de continuidade e mudança”. Em outras palavras, essa configuração interferiu na estrutura espacial de tais cidades, delineando as necessidades de novos agentes econômicos. Assim, um primeiro aspecto a se analisar em relação a atual configuração econômica de Santa Cruz diz respeito ao Produto Interno Bruto Municipal (PIB) (Tabela 1). Através deste, pode-se análise ter uma noção da riqueza do município por meio dos dados referentes às estimativas dos preços correntes e per capita, dos valores adicionados da agropecuária, impostos sobre produtos líquidos de subsídios3, indústria e serviços.. 2. MEDEIROS, Aldo; CANAN, Bhaskara; FELIPE, Maria; BACURAU, Maria. A Cotonicultura no Estado do Rio Grande do Norte: aspectos históricos e perspectivas. REDIGE v. 3, n. 02, ago. 2012 ARAÚJO, R. O algodão: do auge a derrocada. Tribuna do Norte, 2013. Disponível em: <http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/o-algodao-do-auge-a-derrocada/246029>. Acesso em: 19 de jun. 2017 3 Tributos que incidem sobre os bens e serviços quando são produzidos ou importados, distribuídos, vendidos, transferidos ou de outra forma disponibilizados pelos seus proprietários, como IPI, ICMS, imposto de importação, ISS, IOF, impostos sobre exportação e outros. IBGE. Séries Estatísticas & Séries Histórica: conceitos e definições – pesquisas econômicas. Disponível em:<http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/pdfs/definicoes_economicas.pdf>. Acesso em: 21 de mai. 2017..
(30) 28. Tabela 1 - Santa Cruz – PIB municipal (mil reais) - 2000 - 2014 Anos PIB Municipal (setores) 2000 2005 2010 Agropecuária 2 088 8 548 9 837 Impostos sobre produtos líquidos de subsídios 3 256 6 044 13 639 Indústria 5 258 8 493 15 178 Serviços 44 407 75 653 152 459 Total 55 009 98 738 191 113. 2014 6 557 29 331 20 222 181 634 237 744. Fonte: Sistema IBGE de Recuperação Automática - IBGE (2016).. De acordo com os dados apresentados, o PIB de Santa Cruz, entre 2000 e 2014, registrou aumento de 332,19%. Analisando o PIB por setores de atividades econômicas, temse um quadro em que cresceram os valores relativos aos setores industriais (284,59%) e de serviços (309,02%). Outrossim, em 2014, os serviços responderam por 76,39% do PIB municipal. Isso demonstra a importância do setor terciário, especialmente o comércio e os serviços sociais – segmentos de educação e saúde e serviços pessoais, na configuração da economia de Santa Cruz. No que concerne ao comércio de Santa Cruz houve um significativo crescimento entre os anos de 1997 e 2017. Segundo Amorim (1998), em 1997 a cidade possuía 124 estabelecimentos comerciais. De acordo com os dados da Secretaria de Tributação do município, em 2017, Santa Cruz detém 726 estabelecimentos comerciais em funcionamento (Tabela 2). Neste sentido, registra-se um crescimento de 485,48 % em 20 anos.. Tabela 2 - Número de contribuintes ativos segundo a atividade - 2017 Atividade Prestação de Serviços Comércio Varejista Comércio Atacadista Indústrias Profissionais Autônomos Total. Nº 613 696 30 114 725 2 182. Fonte: Prefeitura Municipal de Santa Cruz/Secretaria de Tributação, 2017.. A análise por categoria denota que os serviços correspondem a 28,09% das atividades, o comércio varejista e o atacadista totalizam 33,27%. Esses dados demonstram que as atividades que apresentam o maior número de contribuintes ativos são o comércio e os serviços..
(31) 29. Também é pertinente dizer que o setor industrial, embora apresente apenas 5,22% dos estabelecimentos cadastrados em 2017, é importante por gerar renda e emprego em Santa Cruz. Conforme demonstrado na análise sobre o PIB, este foi um dos segmentos que mais ampliou sua contribuição. Em alguns estabelecimentos há até 80 funcionários em atividade (Figura 1), os quais também são oriundos de municípios vizinhos. Estes realizam deslocamento diário para trabalhar, ou moram em apartamentos na área central da cidade, indo para suas respectivas localidades nos finais de semanas e feriados.. Figura 1 - Funcionários trabalhando em fábrica de massas -2017. Fonte: Arquivo do autor, 2017.. Ainda no que concerne às indústrias de transformação, Santa Cruz conta com a presença de indústrias de massas que produzem e exportam uma grande diversidade de produtos - biscoitos, bolachas e pães - para outros estados do Nordeste (Ceará, Paraíba e Pernambuco). No âmbito dos serviços, Santa Cruz dispõe de quatro agências bancárias - Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Bradesco - que atendem tanto ao próprio município, quanto as circunvizinhanças. Os serviços bancários fazem com que pessoas, sobretudo aposentados, pensionistas e funcionários públicos das localidades circunvizinhas se desloquem a Santa Cruz para realizar transações financeiras e adquirir mercadorias no comércio da cidade. Ainda no setor de serviços ressalta-se o segmento da Educação. Na cidade há 26 instituições de diferentes níveis de ensino, sendo duas federais (UFRN e IFRN), 14 estaduais (educação básica), 3 municipais (educação básica) e 7 privadas (educação básica, cursos técnicos, graduação, pós-graduação) (MEC, 2017). Em 2017, Santa Cruz dispõe de quatro.
(32) 30. instituições de ensino superior (Quadro 1) que, juntas, somam aproximadamente 500 vagas em diferentes cursos.. Quadro 1 - Instituições de Ensino Superior em Santa Cruz - 2017 INSTITUIÇÕES CURSOS Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi Enfermagem, Fisioterapia, (FACISA) - Universidade Federal do Rio Psicologia e Nutrição Grande do Norte (UFRN) Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Física e Matemática Rio Grande do Norte (IFRN) Universidade Estadual do Rio Grande do Ciência da Computação Norte (UERN) Administração, Assistência Universidade do Paraná (UNOPAR) Social, Gestão Ambiental, Pedagogia e Gestão Hospitalar Fonte: Ministério da Educação, 2017.. Com relação ao setor de saúde de Santa Cruz, que também está inserido no âmbito dos serviços, sistematizou-se as informações com base no Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde Púbicas e Particulares, disponibilizado pelo sistema de cadastro e pesquisa do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), do Ministério da Saúde. Segundo a referida fonte, em 2007, existiam em Santa Cruz 23 estabelecimentos cadastrados, entre hospitais, postos de saúde e clínicas particulares, com 286 profissionais ativos. Em 2017, esses estabelecimentos totalizaram 31 unidades com 971 profissionais atuantes (Apêndices A a D). Isso se deve aos investimentos do Governo Municipal na construção de unidades básicas de saúde em diversos bairros e na zona rural, da ampliação do Hospital Universitário Ana Bezerra, com a atuação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH)4, além da instalação na cidade de clínicas especializadas, de caráter particular.. Esses dados mostram que Santa Cruz possui serviços básicos nos segmentos de educação e saúde, por exemplo, que contribuem para melhorias no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) (Tabela 3), calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (PNUD).. 4. A criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) integra um conjunto de ações empreendidas pelo Governo Federal no sentido de recuperar os hospitais vinculados às universidades federais. A empresa é um órgão do MEC responsável pela gestão do Programa de Reestruturação e que, por meio de contrato firmado com as universidades federais que assim optarem, atua no sentido de modernizar a gestão dos hospitais universitários federais, preservando e reforçando o papel estratégico desempenhado por essas unidades de centros de formação de profissionais na área da saúde e de prestação de assistência à saúde da população integralmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) (EBSERH, 2017)..
(33) 31. Tabela 3 - Santa Cruz - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – 1991-2010 IDHM IDHM IDHM Ano IDHM Renda Longevidade Educação 0,597 0,220 0,465 1991 0,394 0,702 0,362 0,530 2000 0,513 0,597 0,761 0,564 2010 0,635 Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2013.. Os dados indicam que o IDHM de Santa Cruz se mostrou crescente no período em foco. Em 1991 o IDHM era considerado baixo, passando para o nível médio nos anos de 2000 e 2010. Dentre as variáveis em análise, a que mais contribuiu para que isso ocorresse foi a Longevidade, cujos índices mostraram um crescimento mais expressivo, confirmando a importância que tem o setor saúde para o município. As mudanças que ocorreram na estrutura econômica de Santa Cruz, cuja base transitou da agropecuária para o setor terciário, especialmente comércio e serviços, se processaram em um quadro no qual a distribuição espacial da população pelo território municipal também foi alterada (Tabela 4).. Tabela 4 - Santa Cruz - População Urbana e Rural - 1940 - 2010 População Anos Total Urbana Rural 1940 35 749 3 846 31 903 1950 43 092 5 027 38 065 1960 16 584 6 213 10 371 1970 20 323 9 906 10 417 1980 22 332 13 180 9 152 1991 28 654 21 783 6 871 2000 31 294 25 594 5 700 2010 35 797 30 499 5 298 Fonte: IPEA, 2017.. Analisando os dados da população de Santa Cruz, verifica-se que, entre as décadas de 1950 e 1960, houve um decréscimo de -62% na população total. Isso aconteceu devido alguns distritos pertencentes a Santa Cruz terem sido desmembrados e elevados a categoria de municípios, conforme descrito a seguir: a Lei Estadual nº 1029, de 11 de dezembro de 1953 criou o município de Coronel Ezequiel, a partir dos distritos de Jericó e Jaçanã; pela Lei nº. 2.336, de 31 de dezembro de 1958, Tangará foi desmembrado de Santa.
(34) 32. Cruz e elevado à categoria de município e a Lei Estadual nº 2340, 31 de dezembro de 1958, emancipou o então Distrito de Campo Redondo (AMORIM, 1998). O Censo de 1980 demonstrou a transição em termos demográficos, visto que a população urbana se tornou predominante (59% do total). A partir desse censo, verifica-se uma tendência de crescimento da população urbana, de modo que a taxa de urbanização passou a ser de 76% em 1991, 82% em 2000 e 85% em 2010. Considerando os intervalos censitários, observa-se que a variação percentual do crescimento da população urbana, entre 1980 e 1991, registrou o maior índice, correspondente a 65%. Quanto a população rural, verifica-se a consolidação da tendência de declínio5. A análise da dinâmica demográfica sinaliza para a redefinição da estrutura socioespacial do Município de Santa Cruz, que se evidencia, entre outros, por meio de um expressivo crescimento do perímetro urbano no intervalo entre 1980 e os dias atuais (Figura 2). Verifica-se uma expansão da área urbana da cidade, onde alguns eventos históricos foram importantes para a modificação da cidade, notadamente através do crescimento físico.. 5. Percentual de crescimento da população urbana entre os censos:1940-1950 = 30%; 1950-1960 = 23%; 19601970 = 59%; 1970-1980 = 33%; 1980-1991= 65%; 1991-2000 = 17%; 2000-2010 = 19%. Percentual de crescimento da população rural entre os censos:: 1940-1950 = 19%; 1950-1960 = -73; 1960-1970 = 0; 19701980 = -12%; 1980-1991= -25%; 1991-2000= -17%; 2000-2010= -7%..
(35) 33. Figura 2 - Crescimento do Perímetro Urbano de Santa Cruz – 1980 a 2017. A compreensão do processo de crescimento urbano de Santa Cruz está articulada, entre outros, a um evento catastrófico: o arrombamento do Açude Santa Cruz ocorrido em 01 de abril de 1981, num período atipicamente bastante chuvoso. Parte da cidade foi destruída pela inundação provocada por este arrombamento, que deixou muitas pessoas desabrigadas e determinou a suspensão do fornecimento de energia elétrica da CHESF, durante 4 dias, em todo o Estado do Rio Grande do Norte (AMORIM, 1997). Até esse momento, a cidade só dispunha de 3 bairros - Centro, Paraíso e DNER, conforme demonstrado na Figura 2..
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