CPPMet
Programa de P ´os-Graduac¸ ˜ao em Meteorologia
Dissertac¸ ˜ao
Simulac¸ ˜ao tridimensional da dispers ˜ao de poluentes na
atmosfera em condic¸ ˜
oes de vento fraco
VILIAM CARDOSO DA SILVEIRA
VILIAM CARDOSO DA SILVEIRA
Simulac¸ ˜ao tridimensional da dispers ˜ao de poluentes na
atmosfera em condic¸ ˜
oes de vento fraco
Dissertac¸ ˜ao de Mestrado apresentada ao Programa de P ´os-Graduac¸ ˜ao em Meteorolo-gia da Universidade Federal de Pelotas, como requisito parcial para a obtenc¸ ˜ao do grau de Mestre em Meteorologia
Orientador: Profa. Dra. Daniela Buske
S587s Silveira, Viliam Cardoso da
Simulac¸ ˜ao tridimensional da dispers ˜ao de poluentes na atmosfera em condic¸ ˜oes de vento fraco / Viliam Cardoso da Silveira. – Pelotas, 2013. – 66 f. ; il. – Dissertac¸ ˜ao (Mestrado) – Programa de P ´os-Graduac¸ ˜ao em Meteorolo-gia. Universidade Federal de Pelotas. Centro de Pesquisas e Previs ˜oes Meteorol ´ogicas - CPPMet. Pelotas, 2013. – Orientador Daniela Buske.
1. Poluic¸ ˜ao do ar. 2. Dispers ˜ao de poluentes. 3. Trans-formadas integrais. 4. Soluc¸ ˜ao anal´ıtica. 5. Equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao. I. Buske, Daniela. II. T´ıtulo.
Banca examinadora:
Prof. Dr. Claudio Zen Petersen
Prof. Dr. R ´egis Sperotto de Quadros
Agradec¸o primeiramente a Deus, o qual me possibilitou estar vivo, para assim eu concluir este trabalho;
A todos que de uma forma ou outra contribuiram para a realizac¸ ˜ao dessa dissertac¸ ˜ao, em especial aos meus pais, Viturino e Dalmarcia, minha v ´o, Leda e minha tia (madrinha) e tio, Mara e Jo ˜ao, que me acolheram desde o in´ıcio da faculdade;
A minha orientadora Daniela Buske pela ´otima orientac¸ ˜ao e conhecimento transmitido ao longo da faculdade e mestrado. Ao professor Jonas Carvalho pela orientac¸ ˜ao ao longo da graduac¸ ˜ao e ao professor R ´egis de Quadros pelo apoio ao longo da realizac¸ ˜ao desta dissertac¸ ˜ao;
Por fim, agradec¸o a CAPES pelo suporte financeiro, sem ele se tornaria mais dif´ıcil o desenvolvimento desse trabalho.
RESUMO
SILVEIRA, Viliam Cardoso da. Simulac¸ ˜ao tridimensional da dispers ˜ao de
po-luentes na atmosfera em condic¸ ˜oes de vento fraco. 2013. 66 f. Dissertac¸ ˜ao
(Mestrado) – Programa de P ´os-Graduac¸ ˜ao em Meteorologia. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas.
A import ˆancia da modelagem da dispers ˜ao de poluentes em condic¸ ˜oes de vento fraco se deve ao fato de que tais condic¸ ˜oes ocorrem frequentemente e s ˜ao cruciais para epis ´odios de poluic¸ ˜ao do ar. Em tais condic¸ ˜oes, os poluentes n ˜ao s ˜ao capazes de viajarem para longe da fonte e assim as ´areas mais pr ´oximas da fonte s ˜ao as mais afetadas. A abordagem cl ´assica baseada em modelos convencionais, tais como puff/pluma gaussianos ou teoria-K com suposic¸ ˜oes razo ´aveis, s ˜ao conhecidos por trabalharem razoavelmente bem durante a maio-ria dos regimes meteorol ´ogicos, exceto para condic¸ ˜oes de vento fraco e vari ´avel. As raz ˜oes para isso s ˜ao: a difus ˜ao na direc¸ ˜ao do vento ´e negligenciada com relac¸ ˜ao a advecc¸ ˜ao; a concentrac¸ ˜ao ´e inversamente proporcional a velocidade do vento; as condic¸ ˜oes m ´edias s ˜ao estacion ´arias e h ´a uma falta de estimativas apropriadas dos par ˆametros de disper ˜ao em condic¸ ˜oes de vento fraco. O pre-sente estudo prop ˜oe um modelo matem ´atico para a dispers ˜ao de contaminantes sob condic¸ ˜oes de vento fraco que leva em conta a difus ˜ao ao longo do vento. A soluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao para essas condic¸ ˜oes ´e obtida aplicando o m ´etodo 3D-GILTT (Three-Dimensional Generalized Integral Laplace
Transform Technique). O estudo sugere que a inclus ˜ao da difus ˜ao longitudinal,
importante para a difus ˜ao de curta dist ˆancia de uma fonte pontual continua em condic¸ ˜oes de vento fraco, pode fornecer uma melhor descric¸ ˜ao do transporte turbulento dos contaminantes atmosf ´ericos.
Palavras-chave: Poluic¸ ˜ao do ar, Dispers ˜ao de poluentes, Transformadas
SILVEIRA, Viliam Cardoso da. Tridimensional simulation of pollutant
dis-persion in atmosphere under low wind conditions. 2013. 66 f. Dissertac¸ ˜ao
(Mestrado) – Programa de P ´os-Graduac¸ ˜ao em Meteorologia. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas.
The importance of dispersion modeling in low wind conditions lies in the fact that such conditions occur frequently and are crucial for air pollution episodes. In such conditions, the pollutants are not able to travel far and thus the near-source areas are affected the most.The classical approach based on conventional models, such as Gaussian puff/plume or the K-theory with suitable assumptions, are known to work reasonably well during most meteorological regimes, except for weak and variable wind conditions. The reasons for that are: the down-wind diffusion is neglected with respect to advection; the concentration is inversely proportional to wind speed; the average conditions are stationary and there is a lack of appropriate estimates of dispersion parameters in low wind conditions. The present study proposes a mathematical model for dispersion of contaminants in low winds that takes into account the along-wind diffusion. The solution of the advection-diffusion equation for these conditions is obtained applying the 3D-GILTT method (Three-Dimensional Generalized Integral Laplace Transform Technique). The study suggests that the inclusion of the longitudinal diffusion, important at short distance diffusion from a continuous point source in low wind conditions, can improve the description of the turbulent transport of atmospheric contaminants.
Keywords: Air pollution, pollutants dispersion, integral transforms, analytical
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 Divis ˜ao da troposfera (STULL, 1988) . . . 23 Figura 2 Evoluc¸ ˜ao temporal da CLP (STULL, 1988) . . . 23 Figura 3 Diagrama de espalhamento das concentrac¸ ˜oes observadas
(Co) e preditas pelo m ´etodo 3D-GILTT (Cp) para o experimento
IIT Delhi utilizando perfil de vento pot ˆencia . . . 46 Figura 4 Diagrama de espalhamento das concentrac¸ ˜oes observadas
(Co) e preditas pelo m ´etodo 3D-GILTT (Cp) para o experimento
IIT Delhi utilizando perfil de vento similaridade . . . 47 Figura 5 Diagrama de espalhamento das concentrac¸ ˜oes observadas
(Co) e preditas pelo m ´etodo 3D-GILTT (Cp) para o experimento
INEL utilizando perfil de vento pot ˆencia . . . 50 Figura 6 Diagrama de espalhamento das concentrac¸ ˜oes observadas
(Co) e preditas pelo m ´etodo 3D-GILTT (Cp) para o experimento
INEL comu < 1m/sutilizando perfil de vento pot ˆencia . . . 51 Figura 7 Diagrama de espalhamento das concentrac¸ ˜oes observadas
(Co) e preditas pelo m ´etodo 3D-GILTT (Cp) para o experimento
INEL utilizando perfil de vento similaridade . . . 51 Figura 8 Diagrama de espalhamento das concentrac¸ ˜oes observadas
(Co) e preditas pelo m ´etodo 3D-GILTT (Cp) para o experimento
INEL comu < 1m/sutilizando perfil de vento similaridade . . . 52 Figura 9 Isolinhas de concentrac¸ ˜oes bidimensionais adimensionais
(C∗ = cuh/Q, X∗ = xw
∗/uh, Z∗ = z/h e Hs = 0, 25h) para
diferentes velocidades verticais do vento e condic¸ ˜oes esta-cion ´arias: a)w=-0,5; b) w=0; c)w=0,5 . . . 54 Figura 10 Isolinhas de concentrac¸ ˜oes tridimensionais adimensionais
pre-ditas pelo presente modelo (C∗ = cuh/Q, X∗ = xw ∗/uh,
Z∗ = z/h e H
s = 0, 25h) para diferentes velocidades verticais
Tabela 1 Par ˆametros meteorol ´ogicos observados no experimento IIT Delhi. . . 43 Tabela 2 Par ˆametros meteorol ´ogicos observado e previstos no
experi-mento INEL. . . 44 Tabela 3 Concentrac¸ ˜oes observadas e preditas pelo m ´etodo 3D-GILTT,
utilizando pefil de vento pot ˆencia e similaridade para o experi-mento inst ´avel IIT Delhi. . . 47 Tabela 4 Concentrac¸ ˜oes observadas e preditas pelo m ´etodo 3D-GILTT,
utilizando pefil de vento pot ˆencia e similaridade para o experi-mento est ´avel INEL. . . 48 Tabela 5 Comparac¸ ˜ao estat´ıstica entre os resultados do modelo
3D-GILTT utilizando dados do experimento IIT Delhi sob condic¸ ˜oes atmosf ´ericas inst ´aveis, utilizando perfil de vento pot ˆencia, com todos os coeficientes de difus ˜ao vertical (Kz)
descritos na presente dissertac¸ ˜ao e perfil de vento similari-dade, com outros modelos encontrados na literatura. . . 50 Tabela 6 Comparac¸ ˜ao estat´ıstica entre os resultados do modelo
3D-GILTT utilizando dados do experimento INEL sob condic¸ ˜oes atmosf ´ericas est ´aveis, utilizando perfil de vento pot ˆencia, com todos os coeficientes de difus ˜ao vertical (Kz) descritos na
pre-sente dissertac¸ ˜ao e perfil de vento similaridade, com outros modelos encontrados na literatura. . . 53 Tabela 7 Comparac¸ ˜ao estat´ıstica entre os resultados do modelo
3D-GILTT utilizando dados do experimento INEL com u < 1m/s sob condic¸ ˜oes atmosf ´ericas est ´aveis, utilizando perfil de vento pot ˆencia, com todos os coeficientes de difus ˜ao vertical (Kz)
descritos na presente dissertac¸ ˜ao e perfil de vento similari-dade, com outros modelos encontrados na literatura. . . 56
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CLA Camada Limite Atmosf ´erica CLP Camada Limite Planet ´aria CLE Camada Limite Est ´avel CLC Camada Limite Convectiva
GITT Generalized Integral Transform Technique
GILTT Generalized Integral Laplace Transform Technique
ADMM Advection Diffusion Multilayer Method
GIADMTGeneralized Integral Advection Diffusion Multilayer Technique NMSE erro quadr ´atico m ´edio normalizado
COR Coeficiente de correlac¸ ˜ao F A2 fator de dois
F B frac¸ ˜ao de inclinac¸ ˜ao F S desvio fracional padr ˜ao
B, R, S matrizes de coeficientes do problema transformado de segunda ordem C concentrac¸ ˜ao de um contaminante passivo
c concentrac¸ ˜ao m ´edia de um contaminante passivo
cn vari ´avel dependente da expans ˜ao em s ´erie do problema tridimensional
cn,i vari ´avel dependente da expans ˜ao em s ´erie do problema bidimensional
co concentrac¸ ˜oes observadas experimentalmente
cp concentrac¸ ˜oes preditas pelo modelo
D matriz diagonal dos autovalores do problema transformado de primeira ordem
X matriz diagonal dos autovetores do problema transformado de primeira ordem
X−1 matriz diagonal inversa dos autovetores do problema transformado de
primeira ordem
F matriz de coeficientes do problema transformado de segunda ordem na qualF = B−1D
(f∗
m)i frequ ˆencia normalizada do pico espectral
h altura da camada limite planet ´aria
H matriz bloco do problema transformado de primeira ordem Hs altura da fonte
I matriz identidade
k constante de Von-K ´arm ´an Kα coeficiente de difus ˜ao
α indica as direc¸ ˜oes x,yez
Kx coeficiente de difus ˜ao na direc¸ ˜aox
Ky coeficiente de difus ˜ao na direc¸ ˜aoy
Kz coeficiente de difus ˜ao na direc¸ ˜aoz
L comprimento de Monin-Obukov
Lx dist ˆancia para longe da fonte no eixo x
Ly dist ˆancia para longe da fonte no eixo y
N n ´umero de autovalores no somat ´orio da f ´ormula da inversa da GILTT Q intensidade da fonte
SF6 hexafluoreto de enxofre
U velocidade instant ˆanea do vento na direc¸ ˜aox (m/s) u componente do vento m ´edio orientado na direc¸ ˜ao x (m/s) u′ componente turbulenta do vento na direc¸ ˜aox (m/s)
u∗ velocidade de fricc¸ ˜ao (m/s)
V velocidade instant ˆanea do vento na direc¸ ˜aoy (m/s) v componente do vento m ´edio orientado na direc¸ ˜ao y (m/s) v′ componente turbulenta do vento na direc¸ ˜aoy (m/s)
W velocidade instant ˆanea do vento na direc¸ ˜aoz (m/s) w componente do vento m ´edio orientado na direc¸ ˜ao z (m/s) w′ componente turbulenta do vento na direc¸ ˜aoz (m/s)
w∗ velocidade convectiva(m/s)
u′c′ fluxo turbulento do contaminante nas direc¸ ˜oes longitudinal(g/sm2)
v′c′ fluxo turbulento do contaminante nas direc¸ ˜oes lateral(g/sm2)
w′c′ fluxo turbulento do contaminante nas direc¸ ˜oes vertical(g/sm2)
y dist ˆancia lateral da fonte(m) X∗ dist ˆancia adimensional da fonte
Y (x) vetor de inc ´ognitas do problema transformado de segunda ordem Z(x) vetor de inc ´ognitas do problema transformado de primeira ordem
G(x) matriz diagonal dos autovalores do problema transformado de primeira ordem ap ´os invers ˜ao de Laplace anal´ıtica
z altura acima da superf´ıcie(m) δ func¸ ˜ao delta de Dirac
λn autovalor do problema de Sturm-Liouville
γi autovalor do problema de Sturm-Liouville
ψ taxa de dissipac¸ ˜ao molecular da velocidade turbulenta σy par ˆametro de dispers ˜ao lateral
σo desvio padr ˜ao observado
σp desvio padr ˜ao predito
ξ vetor representado porX−1Z(0)
ζn autofunc¸ ˜ao do problema de Sturm-Liouville
1 INTRODUC¸ ˜AO . . . . 14
2 REVIS ˜AO BIBLIOGR ´AFICA . . . . 18
3 METEOROLOGIA DA CAMADA LIMITE . . . . 22
3.1 Introduc¸ ˜ao . . . . 22
3.2 Energia Cin ´etica turbulenta . . . . 24
3.3 Velocidade de fricc¸ ˜ao . . . . 25
3.4 Velocidade Convectiva . . . . 25
3.5 Comprimento de Monin-Obukhov . . . . 26
3.6 Meandro do vento . . . . 26
4 FORMULAC¸ ˜AO MATEM ´ATICA . . . . 28
4.1 Soluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao tridimensional pelo m ´etodo 3D-GILTT . . . . 28
5 DADOS PARA VALIDAC¸ ˜AO DO MODELO . . . . 40
5.1 Parametrizac¸ ˜oes da turbul ˆencia . . . . 40
5.2 Perfis do vento . . . . 42
5.3 Dados experimentais . . . . 43
5.3.1 Experimento IIT Delhi (´India) . . . 43
5.3.2 Experimento INEL (USA) . . . 43
5.4 ´Indices estat´ısticos . . . . 44
6 RESULTADOS . . . . 46
7 CONCLUS ˜OES E PERSPECTIVAS FUTURAS . . . . 57
1
INTRODUC
¸ ˜
AO
Sempre que estamos interessados em trabalhar e estudar modelos de poluic¸ ˜ao do ar e dispers ˜ao de poluentes, temos que antes de tudo levar em conta a atmosfera em que o transporte e difus ˜ao de poluentes, bem como seus pro-cessos de remoc¸ ˜ao e transformac¸ ˜ao qu´ımica ocorrem. Precisamos inicialmente entender um pouco de meteorologia, ou seja, a meteorologia pode ser entendida como o estudo da estrutura, termodin ˆamica e din ˆamica da atmosfera, particular-mente das partes mais baixas da atmosfera em que a maioria dos fen ˆomenos e processos do tempo ocorrem. Como a dispers ˜ao de poluentes na atmosfera est ´a intimamente ligada a meteorologia, devemos sempre ter em mente alguns con-ceitos fundamentais de meteorologia, tais como: estrutura e composic¸ ˜ao qu´ımica da atmosfera, termodin ˆamica b ´asica e vari ´aveis de estado, conceito de estabi-lidade est ´atica, equac¸ ˜oes fundamentais de conservac¸ ˜ao de energia, massa e
momentum, sendo que sem esses conceitos o entendimento da modelagem da
dispers ˜ao de poluentes se torna mais dif´ıcil.
Tradicionalmente, os movimentos atmosf ´ericos e fen ˆomenos relacionados fo-ram classificados de acordo com suas dimens ˜oes horizontais em tr ˆes amplas categorias: macroescala (escala horizontal da ordem de 1000 km), mesoescala (escala horizontal da ordem de 100 km) e microescala (escala horizontal da or-dem de 10 km ou menos) (ARYA, 1999). O transporte e difus ˜ao atmosf ´erica s ˜ao governados pelos movimentos atmosf ´ericos cobrindo todo o intervalo de esca-las. Os poluentes liberados da exaust ˜ao de carros ou de chamin ´e de uma f ´abrica s ˜ao primeiro dispersados pelos movimentos de microescala na camada limite at-mosf ´erica, subsequentemente, seus transporte e difus ˜ao s ˜ao influenciados pela circulac¸ ˜ao de mesoescala associado com ilhas de calor urbano, brisa do conti-nente o do mar, brisa de vale e montanha, tempestades e outros sistemas de mesoescala. A micrometeorologia que ´e o estudo de fen ˆomenos de pequena escala como j ´a mencionado, ´e o foco principal desse trabalho.
A dispers ˜ao de poluentes de curto intervalo de fontes perto da superf´ıcie ´e essencialmente determinada pelos movimentos e processos de pequena es-cala ocorrendo nas camadas mais baixas da atmosfera, chamada camada li-mite planet ´aria (CLP) ou camada lili-mite atmosf ´erica (CLA). As propriedades f´ısicas e t ´ermicas da superf´ıcie subjacente, juntamente com a din ˆamica e ter-modin ˆamica da baixa atmosfera, determina a estrutura da CLP, ou seja, profun-didade, distribuic¸ ˜oes de vento e temperatura, transporte, mistura, propriedades de difus ˜ao e dissipac¸ ˜ao de energia. Variac¸ ˜oes na profundidade e estrutura da camada limite frequentemente ocorrem como resultado da evoluc¸ ˜ao e passa-gem de sistemas de mesoescala e sistemas de escala sin ´otica. Geralmente, a
camada limite torna-se mais fina sobre a influ ˆencia da subsid ˆencia em grande escala e diverg ˆencia horizontal em baixos n´ıveis associados com a passagem de um sistema de alta press ˜ao (anticiclone). Por outro lado, a CLP pode cres-cer para grandes profundidades e fundir-se com nuvens profundas em condic¸ ˜oes perturbadas do tempo que est ˜ao associadas com sistemas de baixa press ˜ao.
Exitem duas abordagens para representar o fluxo e difus ˜ao em um fluido (ambiente atmosf ´erico, por exemplo), ou seja, a abordagem Euleriana e a La-grangeana. Medidas de instrumentos ou amostradores localizados em locais fixos no solo, mastros ou torres s ˜ao alguns dos exemplos de medidas Eulerianas (referencial fixo), enquanto aquelas de ve´ıculos, barcos e aeronaves s ˜ao exem-plos de medidas Lagrangeanas (refer ˆencial movel). A abordagem Euleriana ´e melhor para descrever o fluxo, usando modelos te ´oricos e num ´ericos, porque as equac¸ ˜oes do movimento Euleriano s ˜ao muito mais simples do que aquelas do movimento Lagrangeano. Na presente dissertac¸ ˜ao usaremos a abordagem Euleriana.
Historicamente a poluic¸ ˜ao do ar veio a ser tratada como um s ´erio problema para grandes cidades e centros comerciais. Com o advento da revoluc¸ ˜ao in-dustrial e depois com a chegada dos autom ´oveis, a qualidade do ar da maioria das grandes ´areas urbanas e industriais ca´ıram expressivamente. Os esforc¸os iniciais no controle da poluic¸ ˜ao do ar foram principalmente direcionados para a melhoria da qualidade do ar nas grandes ´areas urbanas e industriais.
A poluic¸ ˜ao atmosf ´erica ´e ocasionada por efeitos naturais (por exemplo, emiss ˜ao de SO2 por um vulc ˜ao) ou antropog ˆenicos (por exemplo, emiss ˜oes in-dustriais e automotivas). Enquanto os n´ıveis de poluic¸ ˜ao natural podem ser con-siderados constantes no tempo, os n´ıveis de poluic¸ ˜ao ocasionada pelo homem est ˜ao em cont´ınuo aumento. Enquanto que sobre poluic¸ ˜ao natural n ˜ao existe em geral, nenhum controle, a poluic¸ ˜ao antropog ˆenica pode ser controlada. S ˜ao mui-tos os problemas que a poluic¸ ˜ao do ar, produzida por atividades antropog ˆenicas, ocasiona para o equil´ıbrio ecol ´ogico. Os gases e poeiras abandonados na at-mosfera provocam efeitos negativos nas proximidades das fontes (deteriorando a qualidade do ar em regi ˜oes urbanas, agr´ıcolas e industriais), a m ´edia ou longa dist ˆancia (chuva ´acida, transporte transfronteiric¸o) e em escala global (buraco na camada de oz ˆonio). Se as fontes poluidoras s ˜ao numerosas ou de longo tempo de emiss ˜ao ou, ainda se os poluentes s ˜ao suficientemente t ´oxicos, os preju´ızos ocasionados ao equil´ıbrio ecol ´ogico ser ˜ao certamente consider ´aveis. Devido aos problemas ocasionados pela poluic¸ ˜ao do ar, ´e necess ´ario estudar e entender o processo de dispers ˜ao de poluentes para prever as poss´ıveis consequ ˆencias do impacto ambiental sobre os diversos ecossistemas.
Na d ´ecada de cinquenta foram realizadas as primeiras medidas simult ˆaneas de concentrac¸ ˜ao, par ˆametros de dispers ˜ao da pluma e par ˆametros meteo-rol ´ogicos na tentativa de encontrar relac¸ ˜oes emp´ıricas entre difus ˜ao e fatores meteorol ´ogicos, onde destacamos os descritos em (BARAD, 1958a)(BARAD, 1958b)(GRYNING, 1981). Ambos os experimentos determinaram o campo de concentrac¸ ˜ao na superf´ıcie terrestre a uma dist ˆancia de cinquenta a seis mil me-tros a partir da fonte. Atualmente os estudos se expandiram e muitos est ˜ao rela-cionados a dispers ˜ao de poluentes baseados em experimentos de campo (Cope-nhagen (GRYNING et al., 1987), Kinkaid (HANNA; PAINE, 1989), Prairie-Grass (BARAD, 1958a)(BARAD, 1958b), Hanford (DORAN; HORST, 1985), IIT Delhi
16
(SHARAN; SINGH; YADAV, 1996)(SHARAN et al., 1996)(SHARAN; YADAV; MO-DANI, 2002), INEL (SAGENDORF; DICKSON, 1974), Lillestr ¨om (SIVERSTEN; B ¨OHLER, 1985), entre outros), mesmo assim esta ´e uma ´area que ainda precisa ser bastante estudada, para assim podermos simular cen ´arios mais real´ısticos de poluic¸ ˜ao do ar. As observac¸ ˜oes de campo s ˜ao muitas vezes dificultadas por problemas operacionais e pelos altos custos.
Os modelos matem ´aticos s ˜ao um instrumento particularmente ´util no entendi-mento dos fen ˆomenos que controlam o transporte, a dispers ˜ao e a transformac¸ ˜ao f´ısico-qu´ımica dos poluentes imersos na atmosfera. Estes modelos que per-mitem uma validac¸ ˜ao do n´ıvel observado de poluentes e a causa efeito das emiss ˜oes podem ser utilizados para evitar eventos cr´ıticos de poluic¸ ˜ao, discri-minar os efeitos de v ´arias fontes e de v ´arios poluentes, estimar o impacto de novas fontes, e da mesma forma validar o estado da qualidade do ar em um determinado lugar.
Os modelos de difus ˜ao mais conhecidos s ˜ao os modelos Gaussianos, sendo extensivamente usados na avaliac¸ ˜ao de fontes de poluic¸ ˜ao do ar locais e qua-lidade do ar urbano, particularmente para aplicac¸ ˜oes regulat ´orias. A principal justificativa para o uso de modelos Gaussianos de difus ˜ao em aplicac¸ ˜oes regu-lat ´orias vem de sua avaliac¸ ˜ao e validac¸ ˜ao com dados de difus ˜ao experimentais. Outras raz ˜oes para utilizac¸ ˜ao dos modelos Gaussianos de difus ˜ao em aplicac¸ ˜oes regulat ´orias s ˜ao que esses modelos s ˜ao consistentes com a natureza aleat ´oria da turbul ˆencia e s ˜ao computacionalmente mais baratos. Esses modelos s ˜ao anal´ıticos mas com coeficientes constantes.
Atualmente muitos estudos sobre a dispers ˜ao de poluentes s ˜ao realizados tendo como base a condic¸ ˜ao de vento forte ou moderado, mas uma das situac¸ ˜oes mais cr´ıticas e que ocorrem frequentemente ´e a condic¸ ˜ao de vento fraco (< 2 m/s). Sob este aspecto alguns trabalhos j ´a foram produzidos dando consider ´avel ˆenfase a processos atmosf ´ericos tais como turbul ˆencia, dispers ˜ao e estrutura da camada limite atmosf ´erica em situac¸ ˜oes de vento fraco. Existem dois aspectos fundamentais para o interesse em tal estudo (SHARAN; YADAV, 1998). O pri-meiro ´e a grande ocorr ˆencia das condic¸ ˜oes de vento fraco no mundo inteiro e o segundo faz refer ˆencia a irregularidade com que ocorre a dispers ˜ao de poluentes no ar em tal condic¸ ˜ao.
A estrutura da Camada Limite Planet ´aria n ˜ao ´e adequadamente determinada nas condic¸ ˜oes de ventos fracos devido aos limitados dados observados existen-tes. A complexidade da camada limite cresce com a diminuic¸ ˜ao dos ventos e aumenta o grau de instabilidade atmosf ´erica. Al ´em disso, instrumentos de me-didas convencionais n ˜ao funcionam adequadamente abaixo de algumas veloci-dades cr´ıticas e as tradicionais t ´ecnicas de modelagem s ˜ao inadequadas para trabalhar em condic¸ ˜oes de ventos fracos (ZANNETTI, 1990). Nesta situac¸ ˜ao, a pluma de poluentes n ˜ao ´e transportada a longas dist ˆancias e, assim, as ´areas pr ´oximas `as fontes s ˜ao as mais afetadas. Por esta raz ˜ao, na modelagem da dis-pers ˜ao em condic¸ ˜oes de vento fraco, o dom´ınio de interesse permanece pr ´oximo a fonte. Desta forma, durante a ocorr ˆencia de ventos fracos o mecanismo de difus ˜ao longitudinal precisa ser considerado.
Motivados pela modelagem da dispers ˜ao de poluentes em condic¸ ˜oes de vento fraco(< 2m/s) (BUSKE et al., 2007b), iremos aplicar o m ´etodo 3D-GILTT para avaliar a concentrac¸ ˜ao de poluentes na atmosfera, levando em conta a difus ˜ao
longitudinal que n ˜ao pode ser negligenciada em tais condic¸ ˜oes. Este ser ´a um modelo mais real´ıstico, pois ´e, tridimensional, totalmente anal´ıtico e considera a difus ˜ao longitudinal, geralmente desconsiderada nas soluc¸ ˜oes desse tipo de problema. Do nosso conhecimento, um modelo com estas caracter´ısticas e que considera perfil de vento e coeficientes de difus ˜ao vari ´aveis n ˜ao existe na litera-tura.
Essa dissertac¸ ˜ao encontra-se estruturada em sete cap´ıtulos. No cap´ıtulo 2 apresentaremos a revis ˜ao bibliogr ´afica, onde falaremos dos principais m ´etodos, de nosso conhecimento, utilizados em problemas de poluic¸ ˜ao atmosf ´erica. No cap´ıtulo 3, fazemos uma descric¸ ˜ao da camada limite planet ´aria, apresentare-mos a divis ˜ao da troposfera e da CLP e fareapresentare-mos uma descric¸ ˜ao de cada ca-mada da CLP. No cap´ıtulo 4 apresentaremos a formulac¸ ˜ao matem ´atica para re-solver o problema tridimensional da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao. No cap´ıtulo 5 ´e apresentada a validac¸ ˜ao do modelo, apresentaremos as formulac¸ ˜oes para a parametrizac¸ ˜ao da turbul ˆencia, perfis de vento e ´ındices estat´ısticos, faremos uma descric¸ ˜ao dos experimentos utilizados na presente dissertac¸ ˜ao (IIT Delhi e INEL). No cap´ıtulo 6, apresentaremos os resultados num ´ericos e estat´ısticos obtidos com o presente modelo, al ´em disso, faremos comparac¸ ˜oes dos resulta-dos obtiresulta-dos com o modelo e aqueles observaresulta-dos nos experimentos. Por fim, no
2
REVIS ˜
AO BIBLIOGR ´
AFICA
A busca de soluc¸ ˜oes anal´ıticas para solucionar problemas de dispers ˜ao ´e uma linha de pesquisa muito importante, pois todos os par ˆametros aparecem explicitamente na soluc¸ ˜ao de tais problemas, facilitando a investigac¸ ˜ao de suas influ ˆencias. A seguir apresentam-se algumas soluc¸ ˜oes anal´ıticas encontradas na literatura da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao.
A primeira soluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao foi `a soluc¸ ˜ao Gaussiana, devido a Fick, na segunda metade do s ´eculo XIX. Na soluc¸ ˜ao Gaussiana, o co-eficiente de difus ˜ao na direc¸ ˜ao z e a velocidade do vento s ˜ao constantes com a altura e s ˜ao consideradas as seguintes condic¸ ˜oes de contorno:
Kz
∂c
∂z = 0 em z = 0 e z = ∞ (1) Estas s ˜ao geralmente as condic¸ ˜oes de contorno utilizadas nas soluc¸ ˜oes anal´ıticas da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao e correspondem a fluxo nulo de po-luentes na parte inferior e superior da CLP.
(ROBERTS, 1923) apresentou uma soluc¸ ˜ao bidimensional para fontes super-ficiais, onde a velocidade do ventoU e o coeficiente difusivoKz seguem uma lei
de pot ˆencia em func¸ ˜ao da alturaz, ou seja: U = U1 z z1 m ; Kz = K1 z z1 m (2) sendo quem envariam entre 0e1.
(SMITH, 1957) apresentou uma soluc¸ ˜ao para o caso de U constante, mas com o seguinteKz:
Kz = Kozα(zi− z)β (3)
(SCRIVEN; FISHER, 1975) tamb ´em apresentaram uma soluc¸ ˜ao comU cons-tante eKz dado por:
Kz = z para 0 ≤ z ≤ zt e Kz = Kz(zt) para zt≤ z ≤ zi (4)
ondezt ´e uma altura predeterminada, geralmente a altura da camada limite
su-perficial.
(YEH; HUANG, 1975) e (BERLYAND, 1975) publicaram uma soluc¸ ˜ao bidimen-sional para fontes elevadas com U e Kz seguindo os perfis de pot ˆencia, para
uma atmosfera sem contorno superior, sendo as soluc¸ ˜oes obtidas em termos das func¸ ˜oes de Green. (DEMUTH, 1978) avanc¸ou com a soluc¸ ˜ao, dada em termos da
func¸ ˜ao de Bessel, para uma camada verticalmente limitada. (LIN; HILDEMANN, 1997) estenderam as soluc¸ ˜oes de (YEH; HUANG, 1975) e (BERLYAND, 1975) para o caso de deposic¸ ˜ao seca no solo, cujas soluc¸ ˜oes foram apresentadas em termos de func¸ ˜oes de Bessel modificadas.
(VAN ULDEN, 1978) derivou a soluc¸ ˜ao para a difus ˜ao vertical de fontes cont´ınuas pr ´oximas ao solo, supondo queU eKz seguem os perfis de pot ˆencia.
(NIEUWSTADT, 1980) apresentou uma soluc¸ ˜ao para um problema unidimen-sional dependente do tempo, utilizando os polin ˆomios de Legendre e coeficiente de difus ˜ao dado por:
Kz = G u∗z 1 − zz i (5) ondeG ´e uma constante.
(KOCH, 1989) apresentou uma soluc¸ ˜ao anal´ıtica bidimensional para uma fonte ao n´ıvel do solo, na qual o vento e as difusividades ainda seguem os perfis de pot ˆencia, incluindo os efeitos de absorc¸ ˜ao de contaminante pelo solo.
(CHRYSIKOPOULOS; HILDEMANN; ROBERTS, 1992) desenvolveram uma soluc¸ ˜ao tridimensional para uma fonte a ´erea cont´ınua ao n´ıvel do solo comU e Kz dados pela equac¸ ˜ao (19), incluindo o termo de deposic¸ ˜ao seca.
A equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao pode ser resolvida por m ´etodos anal´ıticos e por m ´etodos semi-anal´ıticos. Em m ´etodos anal´ıticos n ˜ao h ´a nenhuma aproximac¸ ˜ao ao longo da derivac¸ ˜ao de uma determinada soluc¸ ˜ao, j ´a os m ´etodos semi-anal´ıticos resolvem uma parte do problema analiticamente e parte numeri-camente.
No nosso conhecimento, os principais m ´etodos utilizados em problemas de poluic¸ ˜ao atmosf ´erica s ˜ao: ADMM (Advection Diffusion Multilayer Model, Modelo de Multicamada Advectivo Difusivo), GITT (Generalized Integral Transform Tech-nique, T ´ecnica da Transformada Integral Generalizada), GIADMT (Generalized Integral Advection Diffusion Multilayer Technique), GILTT (Generalized Integral Laplace Transform Technique).
O m ´etodo ADMM vem sendo amplamente utilizado na resoluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao para simular a dispers ˜ao de poluentes na atmosfera ((MOURA; VILHENA; DEGRAZIA, 1995); (VILHENA et al., 1998); (DEGRAZIA; MOREIRA; VILHENA, 2001); (FERREIRA NETO, 2003); (COSTA; MOREIRA; VI-LHENA, 2004); (MOREIRA et al., 2004); (MOREIRA; CARVALHO; TIRABASSI, 2005); (MOREIRA; FERREIRA NETO; CARVALHO, 2005); (MOREIRA et al., 2005); (MOREIRA et al., 2006); (BULIGON; MOREIRA; VILHENA, 2006)) com destaque para (MOREIRA et al., 2006) que faz uma revis ˜ao completa desse m ´etodo. Este m ´etodo ´e baseado, na discretizac¸ ˜ao da camada limite planet ´aria em N subcamadas. Em cada subcamada a equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao ´e re-solvida pela t ´ecnica da transformada de Laplace com invers ˜ao num ´erica (soluc¸ ˜ao semi-anal´ıtica), sendo dada na forma integral e considerando-se valores m ´edios para os coeficientes de difus ˜ao e perfil do vento. Com isso, o problema com co-eficiente vari ´avel foi substitu´ıdo por um conjunto de problemas com coco-eficientes constantes (coeficientes m ´edios) acoplados por condic¸ ˜oes de continuidade de concentrac¸ ˜ao e fluxo de contaminante nas interfaces.
O m ´etodo GITT ´e anal´ıtico-num ´erico (COTTA, 1993), (COTTA; MIKHAYLOV, 1997) derivado da transformac¸ ˜ao integral cl ´assica (MIKHAYLOV; ¨OZISIK, 1984) que combina uma expans ˜ao em s ´erie com uma integrac¸ ˜ao. Na expans ˜ao ´e
utili-20
zada uma base de autofunc¸ ˜oes determinadas a partir da soluc¸ ˜ao de um problema de Sturm-Liouville associado, com as condic¸ ˜oes de contorno do problema origi-nal. A integrac¸ ˜ao ´e feita em todo o intervalo da vari ´avel transformada, fazendo proveito da propriedade de ortogonalidade da base usada na expans ˜ao. Este procedimento resulta em um sistema de equac¸ ˜oes diferenciais ordin ´arias (EDO) que depois de solucionado, ´e invertido para a obtenc¸ ˜ao do resultado da equac¸ ˜ao original. A soluc¸ ˜ao do sistema EDO (tamb ´em chamado de problema transfor-mado) resultante da aplicac¸ ˜ao da GITT ´e feita numericamente com o aux´ılio de subrotinas num ´ericas.
A t ´ecnica GITT vem sendo utilizada com grande ˆexito na soluc¸ ˜ao de diferen-tes classes de problemas lineares e n ˜ao-lineares de difus ˜ao e difus ˜ao-advecc¸ ˜ao ((CATALDI et al., 2000); (RIBEIRO et al., 2000); (STORCH; PIMENTEL, 2003); (VELLOSO et al., 2004); (COTTA; BARROS, 2007); (GUERRERO et al., 2012)). Com ela tem se obtido excelentes resultados n ˜ao s ´o do ponto de vista de pre-cis ˜ao como tamb ´em sob a ´otica de custos computacionais. A principal diferenc¸a em resolver a equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao utilizando a GITT em relac¸ ˜ao `a soluc¸ ˜ao obtida pelo m ´etodo ADMM (MOREIRA et al., 2006) ´e que a t ´ecnica GITT n ˜ao necessita de discretizac¸ ˜ao do dom´ınio.
O m ´etodo GIADMT ((COSTA et al., 2006); (VILHENA et al., 2008); (COSTA; TIRABASSI; VILHENA, 2010); (COSTA et al., 2012)) consiste na transformac¸ ˜ao do problema tridimensional em um problema bidimensional pela aplicac¸ ˜ao da GITT na vari ´avel y. O problema bidimensional resultante ´e ent ˜ao resolvido pelo m ´etodo ADMM (soluc¸ ˜ao semi-anal´ıtica).
O m ´etodo GILTT ´e obtido pela aplicac¸ ˜ao da t ´ecnica GITT em problemas de poluic¸ ˜ao atmosf ´erica de forma totalmente anal´ıtica. Muitos estudos s ˜ao apresentados na literatura a respeito da dispers ˜ao de poluentes utilizando o m ´etodo GILTT na equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao bidimensional ((WORTMANN et al., 2005); (MOREIRA et al., 2006); (BUSKE et al., 2008); (BUSKE et al., 2007a); (BUSKE et al., 2007b); (TIRABASSI et al., 2008); (TIRABASSI et al., 2009); (MOREIRA; VILHENA; BUSKE, 2009); (MOREIRA et al., 2009); (BUSKE et al., 2010)). Seguindo o mesmo procedimento adotado no m ´etodo GITT, esta t ´ecnica resulta em um sistema de equac¸ ˜oes diferenciais ordin ´arias (EDO), que ´e resolvido analiticamente aplicando-se a transformada de Laplace (no caso da GITT esta EDO ´e resolvida numericamente). A matriz dos coeficientes do sis-tema transformado ´e decomposta em seus autovalores e autovetores. Ap ´os a diagonalizac¸ ˜ao, essa matriz ´e invertida para se obter a soluc¸ ˜ao do sistema alg ´ebrico. Esta invers ˜ao ´e anal´ıtica e sem custo computacional por ser uma matriz diagonalizada. Assim, a soluc¸ ˜ao anal´ıtica do problema transformado ´e finalmente encontrada. O m ´etodo GILTT ´e anal´ıtico no sentido de que nenhuma aproximac¸ ˜ao ´e feita ao longo da derivac¸ ˜ao da soluc¸ ˜ao, a n ˜ao ser o truncamento de um somat ´orio infinito. (MOREIRA et al., 2009) apresentaram uma revis ˜ao do m ´etodo GILTT para problemas de dispers ˜ao atmosf ´erica unidimensionais e bidimensionais da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao.
O m ´etodo GILTT pode ser usado para a soluc¸ ˜ao de problemas em tr ˆes di-mens ˜oes utilizando os m ´etodos conhecidos como GILTTG ou 3D-GILTT. No caso do m ´etodo GILTTG ((WORTMANN et al., 2005); (MOREIRA et al., 2006); (BUSKE et al., 2007a); (TIRABASSI et al., 2008); (BUSKE et al., 2008); (TIRA-BASSI et al., 2009); (MOREIRA; VILHENA; BUSKE, 2009); (MOREIRA et al.,
2009); (BUSKE et al., 2010)), o problema ´e resolvido com o uso do m ´etodo GILTT e, de forma a se obter a soluc¸ ˜ao tridimensional aproximada, assume-se que a pluma de poluentes tem distribuic¸ ˜ao gaussiana na direc¸ ˜ao y. O m ´etodo 3D-GILTT surgiu em 2009 ((BUSKE et al., 2009); (BUSKE; VILHENA; MOREIRA, 2009); (BUSKE et al., 2011); (BUSKE et al., 2011); (BUSKE et al., 2012); (BUSKE et al., 2012); (VILHENA et al., 2012)), e resolve a equac¸ ˜ao tridimensional de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao de forma totalmente anal´ıtica, ou seja, a t ´ecnica GITT ´e apli-cada na vari ´avel y de forma a se obter um problema bidimensional cuja soluc¸ ˜ao
´e conhecida e obtida pelo m ´etodo GILTT bidimensional.
A import ˆancia do estudo da dispers ˜ao de poluentes sob condic¸ ˜oes de vento fraco vem do fato que tais condic¸ ˜oes ocorrem muito frequentemente e s ˜ao de extrema import ˆancia para epis ´odios de poluic¸ ˜ao. Nessas situac¸ ˜oes os poluentes n ˜ao conseguem viajar para longe da fonte e as ´areas mais pr ´oximas da fonte s ˜ao as mais afetadas.
V ´arios modelos foram desenvolvidos para descrever os processos de dis-pers ˜ao em condic¸ ˜oes de vento fraco ((CIRILLO; POLI, 1992); (SHARAN; YADAV, 1998); (OETTL; ALMBAUER; STURM, 2001); (BUSKE et al., 2007b); (MOREIRA et al., 2009)).
(CIRILLO; POLI, 1992) fizeram uma intercomparac¸ ˜ao entre quatro modelos de difus ˜ao semi-emp´ıricos em condic¸ ˜oes de vento fraco e est ´aveis. O modelo que considera a difus ˜ao ao longo do eixo da pluma a pequenas dist ˆancias da fonte de emiss ˜ao e o modelo de pluma de Gaussiana foram os que apresenta-ram os melhores resultados. (SHARAN; YADAV, 1998) usaapresenta-ram um modelo de difus ˜ao incluindo a difus ˜ao longitudinal e coeficientes de difus ˜ao vari ´aveis para descrever o processo de dispers ˜ao em condic¸ ˜oes de ventos fracos. Estes coefi-cientes de difus ˜ao foram considerados como uma func¸ ˜ao linear da dist ˆancia da fonte. (OETTL; ALMBAUER; STURM, 2001) simularam concentrac¸ ˜oes ao n´ıvel do solo em condic¸ ˜oes de vento fraco, utilizando modelo de dispers ˜ao Lagrange-ana com passos de tempo aleat ´orios e par ˆametros de intercorrelac¸ ˜ao negativa para as componentes do vento horizontal. (BUSKE et al., 2007b) apresentaram um modelo Euleriano onde o problema foi resolvido analiticamente pelo m ´etodo GILTT em condic¸ ˜oes de vento fraco. Nessas condic¸ ˜oes deve ser considerada a difus ˜ao longitudinal e coeficientes de difus ˜ao dependentes da dist ˆancia da fonte.
3
METEOROLOGIA DA CAMADA LIMITE
3.1
Introduc¸ ˜ao
Geralmente a turbul ˆencia consiste de turbilh ˜oes de tamanho muito diferentes sobrepostos uns aos outros. As forc¸as relativas a cada um desses turbilh ˜oes de diferentes escalas definem o espectro da tubul ˆencia. A maioria da turbul ˆencia na camada limite ´e gerada por forc¸antes na superf´ıcie. O aquecimento solar da superf´ıcie durante dias ensolarados causa as termas de ar quente que ascen-dem na camada limite, essa termas s ˜ao nada mais que grandes turbilh ˜oes. O arraste friccional do ar soprando sobre a superf´ıcie provoca o desenvolvimento do cisalhamento do vento, que frequentemente torna-se turbulento. A turbul ˆencia ´e que permite que a camada limite responda as mudanc¸as nas forc¸antes de su-perf´ıcie. Essas forc¸antes podem incluir a emiss ˜ao de poluentes, transfer ˆencia de calor, arraste friccional, entre outros. No caso de aus ˆencia da turbul ˆencia acima da camada limite, o resto da atmosfera livre n ˜ao responde as mudanc¸as na superf´ıcie.
Entende-se por atmosfera a camada que vai desde a superf´ıcie at ´e aproxi-madamente120km de altitude. A parte mais baixa dessa camada ´e chamada de troposfera e se estende da superf´ıcie at ´e aproximadamente11km, onde pratica-mente todos os fen ˆomenos e processos do tempo se desenvolvem e onde todos os poluentes s ˜ao liberados e dispersados.
S ´o a parte mais baixa da troposfera, que vai da superf´ıcie at ´e aproximada-mente1500km ´e modificada pela superf´ıcie da Terra, sendo assim a parte mais importante da troposfera, sendo muito sens´ıvel as mudanc¸as dos par ˆametros mi-crometeorol ´ogicos, por exemplo, condic¸ ˜ao de estabilidade. Essa camada ´e cha-mada de cacha-mada limite atmosf ´erica (CLA) ou cacha-mada limite planet ´aria (CLP). A camada limite pode ser definida como a parte da troposfera que ´e diretamente influ ˆenciada pela presenc¸a da superf´ıcie da terra e reponde as forc¸antes de su-perf´ıcie na escala de tempo de uma hora ou menos (STULL, 1988). A camada acima desta ´e conhecida como atmosfera livre, isso ´e ilustrado na figura a seguir (Figura 1). Indiretamente, toda troposfera pode mudar em resposta as carac-ter´ısticas da superf´ıcie, sendo que essa resposta pode ser lenta fora da camada limite.
A CLP se subdivide de acordo com os processos f´ısicos envolvidos (tur-bul ˆencia t ´ermica durante o dia e tur(tur-bul ˆencia mec ˆanica durante a noite), em mada limite superficial, camada de mistura, camada limite est ´avel noturna e ca-mada residual (Figura 2).
Figura 1: Divis ˜ao da troposfera (STULL, 1988)
Figura 2: Evoluc¸ ˜ao temporal da CLP (STULL, 1988)
fluxos trubulentos e tensores variam menos do que 10% de suas magnitudes, independente se essa camada ´e parte de uma camada de mistura ou de uma camada limite est ´avel. Dentro dessa camada ainda pode ser identificada outra camada, chamada de camada interfacial, nos cent´ımetros mais baixos da su-perf´ıcie, onde o transporte molecular domina sobre o transporte turbulento.
A camada de mistura ´e provocada pelo aquecimento diurno da superf´ıcie da
terra devido a radiac¸ ˜ao de onda curta recebida do sol. Nesta camada predomina a turbul ˆencia t ´ermica, provocada pelo aquecimento da superf´ıcie. Essa camada ´e caracterizada por uma intensa mistura (inst ´avel), onde as termas de ar quente ascendem da superf´ıcie. Ela cresce por entranhamento ou mistura do ar e atinge uma profundidade m ´axima no final da tarde. A turbul ˆencia resultante nessa ca-mada tende a misturar uniformemente o calor, umidade e momento na vertical. Essa estrutura convectiva dura o dia todo e cessa com o p ˆor-do-sol. Por volta de meia hora antes do p ˆor-do-sol, as termas cessam (na aus ˆencia de advecc¸ ˜ao de ar frio), permitindo que a energia cin ´etica turbulenta decaia.
A camada residual forma-se ap ´os o p ˆor do sol, mas suas caracter´ısticas
permanecem as mesmas da camada de mistura. Na aus ˆencia de advecc¸ ˜ao, os poluentes dispersados na camada de mistura di ´aria v ˜ao permanecer na camada limite residual durante a noite. A camada residual dura at ´e o in´ıcio do nascer do sol, onde comec¸a o surgimento de uma nova camada de mistura. A cada dia, mais umidade pode ser evaporada para a camada de mistura e essa umidade vai ficar sendo retida na camada residual. Durante dias sucessivos o entranha-mento de ar ´umido para a camada de mistura pode fazer surgir a formac¸ ˜ao de nuvens. Esta camada n ˜ao tem contato com o solo, pois ela se encontra acima
24
da camada limite est ´avel noturna. Assim, a camada limite residual n ˜ao ´e afetada pelo transporte turbulento das propriedades relacionadas a superf´ıcie e portanto n ˜ao tem uma definic¸ ˜ao de camada limite.
A camada limite est ´avel noturna ocorre a noite, devido ao resfriamento
cau-sado pela perda radiativa da superf´ıcie da terra. Nesta camada predomina a tur-bul ˆencia mec ˆancia causada pelo cisalhamento do vento. A noite s ´o sobrevivem os pequenos turbilh ˜oes, portanto, a turbul ˆencia na camada limite est ´avel noturna ´e menos intensa que na camada de mistura, consequentemente, os poluentes emitidos nessa camada n ˜ao se dispersam para longe da fonte e relativamente pouco na vertical, e assim as ´areas mais pr ´oximas s ˜ao as mais afetadas. Um exemplo de poluic¸ ˜ao na camada limite est ´avel noturna ´e sobre as grandes cida-des, provocada pelo escapamento de ve´ıculos automotores.
A seguir ser ˜ao apresentadas as principais vari ´aveis micrometeorol ´ogicas que influenciam a remoc¸ ˜ao, o transporte e a transformac¸ ˜ao f´ısico-qu´ımico dos polu-entes imersos na CLA.
3.2
Energia Cin ´etica turbulenta
A energia cin ´etica turbulenta (ECT) representa uma medida da intensidade da turbul ˆencia, relacionada com o transporte de momento, calor e umidade. A energia cin ´etica do fluxo pode ser dividida em uma parte associada com o vento m ´edio e em uma parte associada com a turbul ˆencia (energia cin ´etica turbulenta). Como estamos trabalhando em um fluido como o ar, ´e mais conveninete expres-sar a ECT por unidade de massa, ou seja:
e = 1 2(u
′2+ v′2+ w′2) (6)
Devido as r ´apidas mudanc¸as do vento na CLP a ECT m ´edia ´e mais represen-tativa do fluxo total, ou seja:
e = 1
2(u′2+ v′2+ w′2) (7) A ECT ´e uma das quantidades mais importante usada para estudar a tur-bul ˆencia na camada limite. Escrevendo a equac¸ ˜ao do balanc¸o de energia cin ´etica, podemos balanc¸ar os termos de produc¸ ˜ao pelos termos de perda para determinar se a camada limite vai tornar-se mais turbulenta ou se a turbul ˆencia vai decair na camada limite. Dias com vento forte e com forte aquecimento v ˜ao ser fontes de gerac¸ ˜ao de turbul ˆencia (turbul ˆencia t ´ermica). Durante a noite a estabilidade est ´atica reprime a energia cin ´etica turbulenta, causando a r ´apida diminuic¸ ˜ao da mesma com a altura. Nesse caso, a turbul ˆencia ´e produzida prin-cipalmente perto do solo pelo cisalhamento do vento (turbul ˆencia mec ˆanica).
A partir da equac¸ ˜ao progn ´ostica para vari ˆancia de velocidade turbulenta, di-vidida por 2 e assumindo que x ´e a direc¸ ˜ao do vento m ´edio, homogeneidade ho-rizontal e negligenciando a subsid ˆencia, podemos escrever a seguinte equac¸ ˜ao para o balanc¸o de ECT (STULL, 1988):
∂e ∂t = g θv (w′ θ′ v) − u ′ w′∂U ∂z − ∂(w′ e) ∂z − 1 ρ ∂(w′ p′ ) ∂z − ǫ (8)
onde g ´e a acelerac¸ ˜ao da gravidade, θv ´e a temperatura potencial virtual, ρ ´e a
densidade do ar ep ´e a press ˜ao.
O primeiro termo do lado esquerdo da equac¸ ˜ao acima representa o armaze-namento local ou tend ˆencia de ECT. O primeiro termo do lado direito da equac¸ ˜ao (8) ´e um termo de produc¸ ˜ao ou consumo de empuxo e isso depende do sinal do fluxo, o segundo termo representa a produc¸ ˜ao ou perda mec ˆanica, o terceiro termo representa o transporte turbulento de ECT, o quarto termo representa o termo de correlac¸ ˜ao de press ˜ao que descreve como a ECT ´e redistribu´ıda pelas perturbac¸ ˜oes de press ˜ao e o ´ultimo termo representa a dissipac¸ ˜ao viscosa de ECT, isto ´e, convers ˜ao de ECT em calor.
Fisicamente o ´ultimo termo da equac¸ ˜ao (8) diz que a turbul ˆencia vai tender a diminuir e desaparecer com o tempo. Sendo assim, a ECT n ˜ao ´e uma quantidade conservativa. A camada limite pode ser turbulenta somente se h ´a processos f´ısicos espec´ıficos gerando a turbul ˆencia.
3.3
Velocidade de fricc¸ ˜ao
A escala de velocidade chamada de velocidade de fricc¸ ˜ao u∗ ´e uma medida da turbul ˆencia mec ˆanica provocada pelo atrito do vento na superf´ıcie. Durante situac¸ ˜oes onde a turbul ˆencia ´e gerada ou modulada pelo cisalhamento do vento pr ´oximo a superf´ıcie do solo, a magnitude do tensor de Reynolds demonstra ser uma importante vari ´avel de escala. O tensor de Reynolds existe somente quando o fluido est ´a em movimento turbulento.
O fluxo vertical total de momento horizontal medido perto da superf´ıcie atua como um tensor e ´e chamado de tensor de Reynolds sendo dado por:
τxz = −ρu′ws′ (9)
e
τyz = −ρv′w′s (10)
Assim, a norma do tensor de Reynolds ´e dada por:
|τReynolds| = [τxz2 + τyz2 ]1/2 (11)
A velocidade de fricc¸ ˜ao ´e definida matem ´aticamente pela raiz quadrada da norma do tensor de Reynolds dividido pela densidade m ´edia do ar, ou seja:
u∗ = s |τReynolds| ρ (12) ou ainda: u∗ = q [u′ w′ s 2 + v′ w′ s 2 ]1/2 (13)
3.4
Velocidade Convectiva
O forte ciclo diurno de aquecimento solar cria um forte fluxo de calor da su-perf´ıcie da terra para o ar. A flutuabilidade associada com esse fluxo alimenta as termas.
26
Mesmo que o fluxo flutuante na superf´ıcie poderia ser usado diretamente como uma vari ´avel de escala, ´e mais conveniente gerar uma escala de veloci-dade usando o fluxo flutuante na superf´ıcie e a altura da CLA (h). Com isso tem-se a escala de velocidade conhecida como escala de velocidade de convecc¸ ˜ao livrew∗, tamb ´em chamada de escala de velocidade convectivaw∗:
w∗ = [gzi θv
(w′
θ′
v)s]1/3 (14)
Essa escala trabalha muito bem na CLC, onde a magnitude das flutuac¸ ˜oes da velocidade vertical nas termas ´e da mesma ordem dew∗.
3.5
Comprimento de Monin-Obukhov
O comprimento de Monin-Obukhov L ´e um par ˆametro de escala da camada de superf´ıcie. A camada de superf´ıcie ´e aquela regi ˜ao onde os fluxos turbulentos variam menos do que10%de suas magnitudes com a altura.
Para encontrarmos uma relac¸ ˜ao para o comprimento de Obukhov multiplica-se toda equac¸ ˜ao (8) por (−kz/u3∗) e assume-se todos fluxos turbulentos iguais aos seus respectivos valores na superf´ıcie e foca-se somente no primeiro termo do lado direito da equac¸ ˜ao (8).
A esse termo geralmente ´e atribu´ıdo o s´ımboloζque ´e definido comoζ ≡ z/L, ondeL ´e o comprimento de Obukhov. Com isso temos:
ζ = z L = −kzg(w′ θ′ v)s θvu3∗ (15) Assim o comprimento de Obukhov em func¸ ˜ao da velocidade de fricc¸ ˜ao ´e dado por: L = −θvu 3 ∗ kg(w′ θ′ v)s (16) Uma forma alternativa do comprimento de Obukhov ´e escrever o mesmo em func¸ ˜ao da velocidade convectiva, ou seja:
L = −ziu 3 ∗ kw3 ∗ (17) Uma interpretac¸ ˜ao f´ısica do comprimento de Obukhov ´e que ele ´e proporcio-nal a altura acima da superf´ıcie onde a produc¸ ˜ao de turbul ˆencia t ´ermica predo-mina sobre a produc¸ ˜ao de turbul ˆencia mec ˆanica.
Com base no comprimento de Obukhov ´e poss´ıvel determinar a condic¸ ˜ao de estabilidade da atmosfera, ou seja, ´e poss´ıvel saber se a atmosfera est ´a inst ´avel (L < 0), neutra (L = 0) ou est ´avel (L > 0).
3.6
Meandro do vento
Para condic¸ ˜oes de vento (u > 2m/s) a dispers ˜ao ´e principalmente governada pelo meandro do vento. Mesmo quando a estabilidade (durante a noite) reduz a dispers ˜ao vertical, o meandro do vento ainda dispersa a pluma. (SAGENDORF;
DICKSON, 1974) encontraram que sobre um terreno plano, a difus ˜ao horizontal ´e realc¸ada pelo meandro do vento.
O meandro do vento est ´a relacionado as oscilac¸ ˜oes de baixa frequencia nas componentes horizontais do vento e ´e um fator importante em condic¸ ˜oes de vento fraco. Essas oscilac¸ ˜oes nas componetes u e v do vento s ˜ao mais ou menos independentes das condic¸ ˜oes de estabilidade na atmosfera, carac-ter´ısticas topogr ´aficas espec´ıficas e estac¸ ˜ao do ano. Tamb ´em exibem um com-portamento oscilat ´orio para as func¸ ˜oes de autocorrelac¸ ˜ao das componentes ho-rizontais do vento, sendo que ´e dif´ıcil definir a direc¸ ˜ao do vento m ´edio. Mesmo que o fen ˆomeno de meandro do vento possa existir na maioria das condic¸ ˜oes de estabilidade atmosf ´erica, seu efeito ´e mais evidente durante condic¸ ˜oes est ´aveis sob condic¸ ˜oes de vento fraco.
N ˜ao existe nenhuma teoria conclusiva dispon´ıvel que ajuda a explicar o me-andro do vento na atmosfera, em diferentes locais e diversas situac¸ ˜oes meteo-rol ´ogicas. No presente modelo o efeito de meandro do vento n ˜ao ser ´a conside-rado. Ser ´a somente considerado no modelo os par ˆametros velocidade de fricc¸ ˜ao, velocidade convectiva e comprimento de Monin-Obukhov descritos acima.
N ˜ao ser ´a f ´acil inserir o meandro do vento no presente modelo, sendo que uma das dificuldades para isso ´e que passaremos a trabalhar com matrizes cheias e n ˜ao mais com matrizes diagonais e o custo computacional aumentar ´a bastante. Al ´em disso, a complexidade f´ısica e matem ´atica do problema aumentar ´a bas-tante.
4
FORMULAC
¸ ˜
AO MATEM ´
ATICA
Quando estamos interessados em simular algo, temos que ter em mente que estamos a procura de uma formulac¸ ˜ao matem ´atica para representar o fen ˆomeno de interesse. Um modelo de dispers ˜ao de poluentes ´e uma express ˜ao ma-tem ´atica capaz de simular o comportamento de um determinado poluente na atmosfera. A seguir apresenta-se a formulac¸ ˜ao matem ´atica capaz de simular a dispers ˜ao de poluentes tridimensional totalmente anal´ıtica na atmosfera.
4.1
Soluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao tridimensional
pelo m ´etodo 3D-GILTT
A advecc¸ ˜ao e difus ˜ao atmosf ´erica podem serem modeladas aplicando-se a equac¸ ˜ao de conservac¸ ˜ao de massa (equac¸ ˜ao da continuidade). Considera-se uma esp ´ecie gen ´erica C que se conserva na atmosfera e com isso tem-se:
U∂C ∂x + V ∂C ∂y + W ∂C ∂z = 0 (18)
onde, U, V e W representam as componentes das velocidades instant ˆaneas do vento(m/s)nas direc¸ ˜oes x,yez respectivamente.
Na modelagem matem ´atica de difus ˜ao e turbul ˆencia, todas as vari ´aveis s ˜ao geralmente expressadas como somas de suas m ´edias e flutuac¸ ˜oes.
U = u + u′; V = v + v′; W = w + w′; C = c + c′ (19)
Substituindo a equac¸ ˜ao (19) na equac¸ ˜ao (18) e utilizando as regras da decomposic¸ ˜ao de Reynolds (ARYA, 2003), a equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao tri-dimensional pode ser escrita como (STULL, 1988):
(u + u′)∂c+ c′ ∂x + (v + v ′)∂c+ c′ ∂y + (w + w ′)∂c+ c′ ∂z = 0 (20)
Efetuando as derivdas e multiplicac¸ ˜oes da equac¸ ˜ao acima (20) tem-se: u∂c ∂x + u ∂c′ ∂x + u ′∂c ∂x + u ′∂c′ ∂x+ +v∂c ∂y + v ∂c′ ∂y + v ′∂c ∂y + v ′∂c′ ∂y+ +w∂c ∂z + w ∂c′ ∂z + w ′∂c ∂z + w ′∂c′ ∂z = 0 (21)
Agora aplicando a m ´edia de Reynolds, obt ´em-se: u∂c ∂x + u ∂c′ ∂x + u′ ∂c ∂x + u′ ∂c′ ∂x+ +v∂c ∂y + v ∂c′ ∂y + v′ ∂c ∂y + v′ ∂c′ ∂y+ +w∂c ∂z + w ∂c′ ∂z + w′ ∂c ∂z + w′ ∂c′ ∂z = 0 (22)
Sabe-se das regras de decomposic¸ ˜ao de Reynolds que: u∂c′ ∂x = 0; u′ ∂c ∂x = 0; v ∂c′ ∂y = 0 v′∂c ∂y = 0; w ∂c′ ∂z = 0; w′ ∂c ∂z = 0 (23)
Substituindo a equac¸ ˜ao (23) na equac¸ ˜ao (22) tem-se: u∂c ∂x + v ∂c ∂y + w ∂c ∂z = − ∂u′c′ ∂x − ∂v′c′ ∂y − ∂w′c′ ∂z (24)
ondecdenota a concentrac¸ ˜ao m ´edia de um contaminante passivo eu,v ews ˜ao as componentes cartesianas do vento m ´edio (m/s). Os termos u′c′, v′c′ e w′c′
representam respectivamente o fluxo turbulento do contaminante (g/sm2) nas
direc¸ ˜oes longitudinal, lateral e vertical.
A equac¸ ˜ao (24) apresenta quatro vari ´aveis desconhecidas (os fluxos turbu-lentos e a concentrac¸ ˜aoc) e por isso essa equac¸ ˜ao n ˜ao pode ser resolvida dire-tamente levando ao chamado problema de fechamento da turbul ˆencia (STULL, 1988).
Uma das maneiras mais utilizada para solucionar o problema de fechamento da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao tridimensional (24) ´e baseada na hip ´otese de transporte por gradiente (ou teoria K) (SEINFELD; PANDIS, 1997), assim:
u′c′ = −K x ∂c ∂x (25) v′c′ = −K y ∂c ∂y (26) w′c′ = −K z ∂c ∂z (27)
A hip ´otese acima ´e v ´alida para fluxos turbulentos laminares, onde n ˜ao ocor-rem fluxos de transporte contragradiente. Essa hip ´otese torna-se question ´avel sobre certas condic¸ ˜oes, principalmente quando os movimentos convectivos do-minam os processos de transporte e difus ˜ao, por exemplo, na camada de mistura
30
convectiva. Substituindo as equac¸ ˜oes (25), (26) e (27) na equac¸ ˜ao (24), obt ´em-se a equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao (BLACKADAR, 1997), ou ´em-seja:
u∂c ∂x + v ∂c ∂y + w ∂c ∂z = ∂ ∂x Kx ∂c ∂x + ∂ ∂y Ky ∂c ∂y + ∂ ∂z Kz ∂c ∂z (28) ondeKx,Ky eKzs ˜ao os coeficientes de difus ˜ao turbulenta longitudinal, lateral e
vertical, respectivamente.
Os tr ˆes termos do lado esquerdo da equac¸ ˜ao (28) representam o transporte devido `a advecc¸ ˜ao. J ´a os termos do lado direito da equac¸ ˜ao (28) representam a difus ˜ao turbulenta. Como estamos trabalhando com vento fraco, os termos que representam a difus ˜ao turbulenta s ˜ao mais importantes que os termos que representam a advecc¸ ˜ao.
A equac¸ ˜ao (28) est ´a sujeita as seguintes condic¸ ˜oes de contorno, ou seja, condic¸ ˜oes de reflex ˜ao:
Kx ∂c(x, y, z) ∂x = 0 em x = Lx (28a) Ky ∂c(x, y, z) ∂y = 0 em y = 0 e y = Ly (28b) Kz ∂c(x, y, z) ∂z = 0 em z = 0 e z = h (28c) E a condic¸ ˜ao de fonte:
u c(0, y, z) = Qδ(y − yo)δ(z − Hs) em x = 0 (28d)
em queQ ´e a intensidade da fonteg/s,h ´e a altura da CLP(m),Hs ´e a altura da
fonte (m), Lx e Ly s ˜ao os limites para longe da fonte no eixox e y,
respectiva-mente em(m)eδ ´e a func¸ ˜ao delta de Dirac.
Neste trabalho assumimos que as velocidades v e w s ˜ao nulas e ainda que o coeficiente de difus ˜ao Ky tem depend ˆencia somente na direc¸ ˜ao z (Ky′ = 0),
assim a equac¸ ˜ao (28) ´e escrita da seguinte forma: −u∂c(x, y, z)∂x + ∂ ∂x Kx ∂c(x, y, z) ∂x + Ky ∂2c(x, y, z) ∂y2 + + ∂ ∂z Kz ∂c(x, y, z) ∂z = 0 (29)
Para resolver o problema da equac¸ ˜ao (29) aplica-se a t ´ecnica da transformada integral na vari ´avely, ent ˜ao, expande-se a concentrac¸ ˜ao do poluente como:
c(x, y, z) = N X n=0 cn(x, z)ζn(y) N 1 2 n (30) sendo queNn ´e dado por:
Nn =
Z Ly
0
Utiliza-se o problema auxiliar de Sturm-Liouville, dado pelo seguinte problema: ζ′′
n(y) + λ2nζn(y) = 0 em 0 < y < Ly (32)
ondeζn(y) ´e um conjunto de autofunc¸ ˜oes ortogonais dadas por:
ζn(y) = cos(λny) (33) em que: λn = nπ Ly (n = 0, 1, 2, ...) (34)
ondeλn ´e um conjunto de autovalores.
Substituindo a equac¸ ˜ao (30) na (29) tem-se:
− N X n=0 u N 1 2 n ∂cn(x, z) ∂x ζn(y) + N X n=0 1 N 1 2 n ∂ ∂x Kx ∂cn(x, z) ∂x ζn(y)+ + N X n=0 1 N 1 2 n Kycn(x, z)ζn′′(y) + N X n=0 1 N 1 2 n ∂ ∂z Kz ∂cn(x, z) ∂z ζn(y) = 0 (35)
Da equac¸ ˜ao (32), conclui-se que: ζ′′
n(y) = −λ2nζn(y) = 0 (36)
Agora substituindo a equac¸ ˜ao (36) na equac¸ ˜ao (35), tem-se:
− N X n=0 u N 1 2 n ∂cn(x, z) ∂x ζn(y) + N X n=0 1 N 1 2 n ∂ ∂x Kx ∂cn(x, z) ∂x ζn(y)− − N X n=0 1 N 1 2 n Kycn(x, z)λ2nζn(y) + N X n=0 1 N 1 2 n ∂ ∂z Kz ∂cn(x, z) ∂z ζn(y) = 0 (37)
O pr ´oximo passo ´e tomar momentos, ou seja, aplicar o operador integral (norma): 1 N 1 2 m Z Ly 0 ( )ζm(y)dy (38)
32
Substituindo o operador da equac¸ ˜ao (38) na equac¸ ˜ao (37) tem-se:
− N X n=0 u N 1 2 nN 1 2 m ∂cn(x, z) ∂x Z Ly 0 ζn(y)ζm(y)dy− − N X n=0 1 N 1 2 nN 1 2 m λ2ncn(x, z) Z Ly 0 Kyζn(y)ζm(y)dy+ + N X n=0 1 N 1 2 nN 1 2 m ∂ ∂x Kx ∂cn(x, z) ∂x Z Ly 0 ζn(y)ζm(y)dy+ + N X n=0 1 N 1 2 nN 1 2 m ∂ ∂z Kz ∂cn(x, z) ∂z Z Ly 0 ζn(y)ζm(y)dy = 0 (39)
Define-se as integrais que aparecem na equac¸ ˜ao (39) por:
αn,m= Z Ly 0 ζn(y)ζm(y)dy (40) γn,m= Z Ly 0 Kyζn(y)ζm(y)dy (41)
Substituindo as equac¸ ˜oes (40) e (41) na equac¸ ˜ao (39), tem-se:
− N X n=0 u N 1 2 nN 1 2 m ∂cn(x, z) ∂x αn,m− N X n=0 1 N 1 2 nN 1 2 m λ2nγn,mcn(x, z)+ + N X n=0 1 N 1 2 nN 1 2 m ∂ ∂x Kx ∂cn(x, z) ∂x αn,m+ + N X n=0 1 N 1 2 nN 1 2 m ∂ ∂z Kz ∂cn(x, z) ∂z αn,m= 0 (42)
As autofunc¸ ˜oes e autovalores possuem a propriedade de ortogonalidade que ´e definida da seguinte forma:
1 N 1 2 nN 1 2 m Z Ly 0 ζn(y)ζm(y)dy = 0, m 6= n 1, m = n (43)
A equac¸ ˜ao (42) ´e escrita na forma matricial da seguinte forma: u 1 0 . . . 0 0 1 . . . 0 .. . ... . .. ... 0 0 . . . 1 ∂c0 ∂x ∂c1 ∂x .. . ∂cN ∂x − Kx 1 0 . . . 0 0 1 . . . 0 .. . ... . .. ... 0 0 . . . 1 ∂2 c0 ∂x2 ∂2 c1 ∂x2 .. . ∂2 cN ∂x2 − Kx′ 1 0 . . . 0 0 1 . . . 0 .. . ... . .. ... 0 0 . . . 1 ∂c0 ∂x ∂c1 ∂x .. . ∂cN ∂x − Kz 1 0 . . . 0 0 1 . . . 0 .. . ... . .. ... 0 0 . . . 1 ∂2 c0 ∂z2 ∂2 c1 ∂z2 .. . ∂2 cN ∂z2 − Kz′ 1 0 . . . 0 0 1 . . . 0 .. . ... . .. ... 0 0 . . . 1 ∂c0 ∂z ∂c1 ∂z .. . ∂cN ∂z + λ2nKy c0 c1 .. . cN = 0 (44)
Ap ´os as suposic¸ ˜oes acima, o seguinte conjunto de N + 1 equac¸ ˜oes de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao ´e obtido:
u∂cn(x, z) ∂x = ∂ ∂x Kx ∂cn(x, z) ∂x + ∂ ∂z Kz ∂cn(x, z) ∂z − λ2nKycn(x, z) (45)
O problema da equc¸ ˜ao (45) ´e resolvido pelo m ´etodo GILTT. Sabendo da bem conhecida soluc¸ ˜ao para o problema estacion ´ario com advecc¸ ˜ao na direc¸ ˜ao x, prop ˜oe-se que a soluc¸ ˜ao do problema da equac¸ ˜ao (45) na seguinte forma:
cn(x, z) = I
X
i=0
cn,i(x)ςi(z) (46)
ondeςi(z) ´e um conjunto de autofunc¸ ˜oes ortogonais, dadas por:
ςi(z) = cos(γiz) (46a)
em que:
γi =
iπ
h (i = 0, 1, 2, ...) (46b) ondeγi ´e um conjunto de autovalores. Da equac¸ ˜ao (45) tem-se:
u∂cn(x, z) ∂x = K ′ x ∂cn(x, z) ∂x + Kx ∂2c n(x, z) ∂x2 + +K′ z ∂cn(x, z) ∂z + Kz ∂2c n(x, z) ∂z2 − λ 2 nKycn(x, z) (47)
34
Substituindo a equac¸ ˜ao (46) na equac¸ ˜ao (47), tem-se:
u I X i=0 c′ n,i(x) ςi(z) = Kx′ I X i=0 c′ n,i(x) ςi(z) + Kx I X i=0 c′′ n,i(x) ςi(z)+ +K′ z I X i=0 cn,i(x) ςi′(z) + Kz I X i=0 cn,i(x) ςi′′(z) − λ2iKy I X i=0 cn,i(x) ςi(z) (48)
Utilizando o problema auxiliar de Sturm-Liouville, dado pelo seguinte pro-blema:
ς′′
i(z) + λ2iςi(z) = 0 em 0 < z < h (49)
Da equac¸ ˜ao (49), tem-se: ς′′
i(z) = −λ2iςi(z) = 0 (50)
Substituindo a equac¸ ˜ao (50) na equac¸ ˜ao (48), tem-se:
u I X i=0 c′ n,i(x) ςi(z) = Kx′ I X i=0 c′ n,i(x) ςi(z) + Kx I X i=0 c′′ n,i(x) ςi(z)+ +K′ z I X i=0 cn,i(x) ςi′(z) − Kzλ2i I X i=0 cn,i(x) ςi(z) − λ2iKy I X i=0 cn,i(x) ςi(z) (51)
O pr ´oximo passo ´e tomar momentos, ou seja, aplicar o operador integral (norma):
Z h
0
( )ςj(z)dz (52)
Substituindo a equac¸ ˜ao (52) na equac¸ ˜ao (51), tem-se:
I X i=0 c′ n,i(x) Z h 0 u ςi(z) ςj(z) dz = I X i=0 c′ n,i(x) Z h 0 K′ xςi(z) ςj(z) dz+ + I X i=0 c′′ n,i(x) Z h 0 Kxςi(z) ςj(z) dz + I X i=0 cn,i(x) Z h 0 K′ zςi′(z) ςj(z) dz− −λ2i I X i=0 cn,i(x) Z h 0 Kzςi(z) ςj(z) dz − λ2i I X i=0 cn,i(x) Z h 0 Kyςi(z) ςj(z) dz (53)
ou − I X i=0 c′ n,i(x) Z h 0 u ςi(z) ςj(z) dz + I X i=0 c′ n,i(x) Z h 0 K′ xςi(z) ςj(z) dz+ + I X i=0 c′′ n,i(x) Z h 0 Kxςi(z) ςj(z) dz + I X i=0 cn,i(x) Z h 0 K′ zςi′(z) ςj(z) dz− −λ2 i I X i=0 cn,i(x) Z h 0 Kzςi(z) ςj(z) dz − λ2i I X i=0 cn,i(x) Z h 0 Kyςi(z) ςj(z) dz = 0 (54)
Reescrevendo a equac¸ ˜ao (54) em notac¸ ˜ao matricial, tem-se:
Y′′(x) + F.Y′(x) + G.Y (x) = 0 (55)
onde,Y (x) ´e o vetor coluna cujas componentes s ˜ao{cn,i(x)}. A matriz F ´e dada
por:
F = B−1.R (55a)
e a matriz G ´e dada por:
G = B−1.S (55b)
As matrizesB,ReS s ˜ao dadas respectivamente por: bi,j = Z h 0 Kxςi(z) ςj(z) dz (55c) ri,j = − Z h 0 u ςi(z) ςj(z) dz + Z h 0 K′ xςi(z) ςj(z) dz (55d) si,j = Z h 0 K′ zςi′(z) ςj(z) dz − λ2i Z h 0 Kzςi(z) ςj(z) dz − λ2i Z h 0 Kyςi(z) ςj(z) dz (55e)
Pela condic¸ ˜ao de fonte, substituindo a equac¸ ˜ao (30) na (28d) e aplicando o operador da (38), tem-se: u N X n=0 cn(0, z) 1 N 1 2 n 1 N 1 2 m Z Ly 0 ζn(y)ζm(y)dy = Qδ(z − Hs) 1 N 1 2 m Z Ly 0 δ(y − y o)ζm(y)dy (56)
Sabe-se da literatura que: Z b
a δ(x − x
36
sendoa < xo < b,f (x)cont´ınua em xo. Portanto:
Z Ly
0 δ(y − y
o)ζm(y)dy = ζm(yo) (58)
Substituindo a equac¸ ˜ao (46) e a equac¸ ˜ao (58) na equac¸ ˜ao (56), tem-se: u I X i=0 cn,i(0)ςi(z) 1 N 1 2 n 1 N 1 2 m Z Ly 0 ζn(y)ζm(y)dy = Qζi(yo) N 1 2 m δ(z − Hs) (59)
Substituindo a equac¸ ˜ao (52) na equac¸ ˜ao (59), tem-se: u I X i=0 cn,i(0) Z h 0 ςi(z)ςj(z)dz 1 N 1 2 n 1 N 1 2 m Z Ly 0 ζn(y)ζm(y)dy = Qζi(yo) N 1 2 m Z h 0 δ(z − H s)ςj(z)dz (60)
Da equac¸ ˜ao (57) conclui-se que: Z h
0 δ(z − H
s)ςj(z)dz = ςj(Hs) (60a)
Assim, executando-se as devidas substituic¸ ˜oes e integrac¸ ˜oes na equac¸ ˜ao (60), chega-se a seguinte condic¸ ˜ao de fonte:
Y (0) = Qζi(yo)ςj(Hs) upLyh para ((i = j) e (m = n)) = 0 (61) Y (0) = Qζi(yo)ςj(Hs) u q Ly 2 h 2 para ((i = j) e (m = n)) 6= 0 (62) onde,Y (0) ´e o vetor coluna cujas componentes s ˜ao{cn,i(0)}.
O pr ´oximo passo ´e aplicar a reduc¸ ˜ao de ordem na equac¸ ˜ao (55), portanto, deve-se, definir novas vari ´aveis como se segue:
Z1(x) = Y (x) (63)
Z2(x) = Y′(x) (64)
Tomando a derivada da equac¸ ˜ao (63) e da equac¸ ˜ao (64), tem-se: Z′
1(x) = Y′(x) (65)
Z′
2(x) = Y′′(x) (66)
Igualando a equac¸ ˜ao (64) a equac¸ ˜ao (65), tem-se: Z′
Reorganizando os termos da equac¸ ˜ao acima, tem-se: Z′
1(x) − Z2(x) = 0 (68)
Substituindo as equac¸ ˜oes (63), (64) e (66) na equac¸ ˜ao (55), tem-se: Z′
2(x) + F.Z2(x) + G.Z1(x) = 0 (69)
As equac¸ ˜oes (68) e (69) constituem um sistema de equac¸ ˜oes matriciais de primeira ordem e podem serem escritas como:
Z′
1(x) + 0Z2′(x) + 0Z1(x) − Z2(x) = 0
0Z′
1(x) + Z2′(x) + G.Z1(x) + F.Z2(x) = 0 (70)
O sistema da equac¸ ˜ao (70) pode ser escrito em notac¸ ˜ao matricial da seguinte maneira: Z′ 1(x) Z′ 2(x) + 0 −I G F . Z1(x) Z2(x) = 0 0 (71) Da equac¸ ˜ao (71) pode-se definir a seguinte EDO na forma matricial:
Z′(x) + H.Z(x) = 0 (72)
onde o vetorZ(x) ´e dado por:
Z(x) = col[Z1(x), Z2(x)] (72a)
A matriz H tem a forma de bloco dada por: H = 0 −I G F (72b) O problema da equac¸ ˜ao (72) pode ser resolvido por transformada de Laplace e diagonalizac¸ ˜ao. Aplicando a transformada de Laplace na equac¸ ˜ao (72) obt ´em-se:
sZ(s) − Z(0) + H.Z(s) = 0 (73) onde Z(s) denota a transformada de Laplace do vetor Z(x). Assumindo que a matrizH ´e n ˜ao-degenerada, pode-se escrever:
H = X D X−1 (74)
onde: D ´e a matriz diagonal de autovalores da matriz H; X ´e a matriz dos res-pectivos autovetores eX−1 ´e a matriz inversa de X.
Portanto, substituindo a equac¸ ˜ao (74) na equac¸ ˜ao (73) obt ´em-se:
sZ(s) − Z(0) + X D X−1. Z(s) = 0 (75)
Rearranjando os termos da equac¸ ˜ao (75) obt ´em-se:
(s I + X D X−1) . Z(s) = Z(0) (76)
ondeI ´e a matriz identidade e lembrando que:
38
Substituindo a equac¸ ˜ao (76a) na equac¸ ˜ao (76) tem-se:
(s X X−1 + X D X−1) . Z(s) = Z(0) (77)
Rearranjando os termos na equac¸ ˜ao (77) tem-se:
X(sI + D)X−1. Z(s) = Z(0) (78)
A equac¸ ˜ao (78) tem a seguinte soluc¸ ˜ao:
Z(s) = X(s I + D)−1X−1Z(0) (79)
Fazendo a transformada Inversa de Laplace (L)na equac¸ ˜ao (79) tem-se: Z(x) = X. L−1{(sI + D)−1}.X−1.Z(0) (80)
A matriz(sI + D) ´e escrita como:
(sI + D) = s + d1 0 . . . 0 0 s + d2 . . . 0 .. . ... . .. ... 0 0 . . . s + dn (81)
ondedn s ˜ao os autovalores da matrizH (equac¸ ˜ao (72b)). Da ´algebra matricial, a
inversa de uma matriz diagonal ´e a inversa dos seus elementos, ent ˜ao a matriz inversa da matriz diagonal(sI + D) ´e escrita como:
(sI + D)−1 = 1 s+d1 0 . . . 0 0 s+d12 . . . 0 .. . ... . .. ... 0 0 . . . s+d1 n (82)
Fazendo a invers ˜ao da Transformada Laplace de(sI + D)−1 (equac¸ ˜ao (82)) e
usando os resultados padr ˜oes da teoria da transformada de Laplace, que podem ser encontrados tabelados em livros, obt ´em-se:
L−1{(sI + D)−1} = G(x) = e−d1x 0 . . . 0 0 e−d2x . . . 0 .. . ... . .. ... 0 0 . . . e−dnx (83)
Finalmente, substituindo a equac¸ ˜ao (83) na equac¸ ˜ao (80), tem-se a seguinte soluc¸ ˜ao para o problema da equac¸ ˜ao (72), ou seja:
Z(x) = X. e−d1x 0 . . . 0 0 e−d2x . . . 0 .. . ... . .. ... 0 0 . . . e−dnx .X−1.Z(0) (84) ou ainda: Z(x) = X . G(x) . X−1. Z(0) (85)
Definindo:
M(x) = X . G(x) (85b)
e
ξ = X−1. Z(0) (85a)
Ent ˜ao, a equac¸ ˜ao (85) ´e escrita como:
Z(x) = M(x) ξ (86)
Podemos reescrever a soluc¸ ˜ao dada pela equac¸ ˜ao (86) como: Z1(x) Z2(x) = M11(x) M12(x) M21(x) M22(x) ξ1 ξ2 (86a) Finalmente para determinar o vetor desconhecido ξ precisamos resolver o seguinte sistema linear resultante da aplicac¸ ˜ao das condic¸ ˜oes de contorno da soluc¸ ˜ao (72): M11(0) M12(0) M21(Lx) M22(Lx) ξ1 ξ2 = Z1(0) Z2(Lx) (86b) Substituindo os resultados da equac¸ ˜ao (86) na equac¸ ˜ao (46), obt ´em-se a soluc¸ ˜ao do problema bidimensional (2D). Desde que cn(x, z) ´e conhecido da
resoluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao (46), se est ´a a um passo de escrever a soluc¸ ˜ao tridimen-sional (3D) do problema da equac¸ ˜ao (18), que ´e dado pela equac¸ ˜ao (30).
Finalmente substituindo os resultados da soluc¸ ˜ao do problema 2D da equac¸ ˜ao (46) na equac¸ ˜ao (30), obt ´em-se a soluc¸ ˜ao 3D-GILTT da equac¸ ˜ao de advecc¸ ˜ao-difus ˜ao.
Uma vez que a soluc¸ ˜ao do problema proposto ´e obtida precisamos ainda, afim de obter resultados num ´ericos, conhecer o perfil do vento e os coeficien-tes de difus ˜ao. Para tanto na sequ ˆencia ser ˜ao introduzidas as parametrizac¸ ˜oes da turbul ˆencia. Tamb ´em ´e preciso conhecer os dados experimentais que ser ˜ao usados para validar o modelo e as formulac¸ ˜oes dos ´ındices estat´ısticos que s ˜ao usados para avaliar a performance do modelo.