• Nenhum resultado encontrado

filosofia da linha de balanço

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "filosofia da linha de balanço"

Copied!
5
0
0

Texto

(1)

A BASE FILOSÓFICA DA LINHA DE BALANÇO

Jorge de Araújo Ichihara

Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção - UFSC

Campus Universitário - CTC/EPS - Trindade - Florianópolis/SC - CEP 88040-900

Abstract: This paper approaches the Line of Balance (LOB) in terms of production

philosophy; therefore, it shows the influences of taylorism, which may cause execution problems due to the rhythm inflicted on workers and the tendence to specialization. These problems became evident when a project presents any complexity cause such as a long-term period, a high number of labor involved or a high number of repetitive units, for instance.

Keywords: Line of Balance, Project Scheduling, Repetitive Construction. 1. Introdução

Nas últimas décadas, Japão, Taiwan, Coréia do Sul e Alemanha conseguiram retirar grandes porções do mercado norte-americano; este fato e a recente reação norte-americana, tiveram como elementos principais uma intensa reavaliação das filosofias de produção, bem como o surgimento de outras novas. Este fenômeno, que assume proporção mundial, tem causado uma recente e profunda reavaliação das tecnologias de produção em todos os níveis, e é neste contexto que este artigo se insere, particularmente na análise da ferramenta denominada Linha de Balanço.

As técnicas mais utilizadas para a programação de obras da Construção Civil são o Gráfico de Gantt, o CPM (Critical Path Method) e o PDM (Precedence Diagraming Method). No entanto, elas não são eficientes quando o projeto é de natureza repetitiva, e para este tipo de empreendimento, a melhor técnica é a Linha de Balanço (LOB - Line of Balance), que no Brasil, saiu muito recentemente do ambiente acadêmico para a aplicação nas empresas. Em respaldo, vários trabalhos tem sido desenvolvidos nas universidades sobre a metodologia da LOB, e este presente artigo objetiva inserir-se na lacuna do enfoque da filosofia da produção.

A necessidade deste tipo de abordagem, surge quando o problema consiste na programação de obras complexas, em que a discussão da escolha e utilização de uma ferramenta extrapola as considerações técnicas da Engenharia. A utilização direta e inquestionável de uma ferramenta, criada para atender às necessidades e critérios convencionados de um determinado ambiente produtivo, fatalmente influenciará a condução do empreendimento segundo suas inerências. Torna-se portanto necessário criar mecanismos que impeçam a proliferação de aspectos causais não considerados na análise técnica, bem como criar mecanismos para impedir o aparecimento de disfunções. Mas, para isto, é necessário conhecer antes a base filosófica da ferramenta. Assim, a adoção da Linha de Balanço envolve a discussão sobre seus princípios tayloristas, que atualmente não são aceitos em todos os seus aspectos, especialmente no que se refere ao elemento humano e a sua produtividade.

2. A Técnica da Linha de Balanço:

A técnica da Linha de Balanço foi criada pela Goodyear na década de 40, e posteriormente foi desenvolvida pela Marinha dos Estados Unidos, durante a Segunda

(2)

Guerra Mundial. O método vem sendo empregado na indústria da produção contínua e em série desde 1942, principalmente devido ao seu objetivo de encontrar uma razão de produção para o fluxo de fabricação, de modo a servir ao controle da produção [Johnston, 1981].

O gráfico da figura 1, consiste em um exemplo da Linha de Balanço, onde encontram-se programadas as atividades contínuas A, B, C e D. O eixo vertical contém a seqüência das unidades repetitivas a serem executadas; o eixo horizontal é relativo às unidades de tempo, e nele percebe-se o tempo “b” igual ao prazo de execução do projeto; o ponto “a” é igual ao término das atividades na unidade repetitiva 1; e o ângulo ω, a razão de produção do projeto. O ritmo de execução de cada atividade é fundamentado na taxa de produtividade da equipe que a executa.

3 A B C D 2

ω 1

0 a b Fig 1 - A linha de Balanço

3. A Influência do Taylorismo

É comum dividir a Revolução Industrial em dois estágios: o primeiro caracterizou-se pelo empenho dos empreendedores em obter capitais, expandir fábricas e multiplicar equipamentos; o segundo, começou por volta de 1880, quando a industrialização crescente e a capacidade da indústria de produzir artigos manufaturados começou a sobrepujar a capacidade do mercado em absorvê-los à preços lucrativos para os produtores. As limitações do mercado tornaram imperativos métodos mais eficientes de usar os equipamentos industriais, a fim de diminuir os custos e consequentemente, aumentar os lucros. As idéias de Frederick Taylor, iniciadas no final do século 19, corresponderam às necessidades reais do segundo estágio da Revolução Industrial. Bertero (1973), conclui que estas idéias tinham como fundamento o contratualismo político do século XVII, de Thomas Hobbes, assim como o liberalismo econômico, especialmente de David Ricardo.

A Linha de Balanço, criada na década de 40 do século atual, constitui em um atendimento eficiente às necessidades originadas na segunda fase da Revolução Industrial e é construída nos domínios da ótica taylorista. Suas características [Maziero, 1990], bem indicam este enquadramento:

• Determinar uma razão de produção;

• Manter a produção uniforme, sem cumes e vales;

• Aumentar aprodutividade pela redução da descontinuidade no trabalho; • Tirar benefícios da repetitividade do trabalho;

• Otimizar o emprego dos recursos;

• Encurtar a duração do projeto pela alocação racional dos recursos;

A Linha de Balanço impõe um ritmo de execução às atividades repetitivas, que é função do prazo a ser cumprido para o término do projeto, ou é função de ritmos ditos naturais, mas que na verdade são baseados em uma taxa de produtividade adotada pelo

(3)

planejamento; em ambas as situações, não existe a consideração devida dos tempos de recuperação do trabalhador e nem são consideradas variações de produtividade ao longo do tempo.

Dejours (1980), em seu estudo de psicopatologia do trabalho, conclui que a imposição de ritmos de trabalho cria ansiedade no trabalhador, motivada mais pela busca da produtividade, dos prêmios, das bonificações e das cotas de produção a serem cumpridas, que pelas próprias condições físico-químicas do trabalho. Mesmo quando o trabalhador adquire habilidade por aprendizado, o resultado é inúmeras vezes afrontado por eventuais aumentos de cadência impostos, por mudanças súbitas de postos de trabalho (para compensar a ausência de um outro trabalhador), ou pela mudança de empreendimento.

Ao analisar a determinação da produtividade para uma atividade e do ritmo de execução dessas atividades nas unidades repetitivas, percebe-se uma das características fundamentais do Taylorismo, que é entrega do domínio do trabalho para a gerência, tirando-a do trabalhador. Taylor acreditava que “um tipo de homem é necessário para planejar e outro tipo diferente para executar o trabalho”, e “todo possível trabalho cerebral deveria ser banido da oficina e centrado no departamento de planejamento ou projeto”. Braverman (1977), observa que a Administração Científica propôs uma estrutura a todo o processo de trabalho que em seus extremos polariza aqueles cujo tempo é infinitamente valioso e aqueles cujo tempo nada vale, com o objetivo de baratear a força de trabalho.

Segundo March e Simon (1966), o pressuposto básico de Taylor é o de que os empregados “são essencialmente instrumentos passivos, capazes de executar o trabalho e receber ordens, mas sem poder de iniciativa e sem exercer influência provida de qualquer significação”. Portanto, segundo o próprio Taylor, deveria ser conseguido o “máximo rendimento de cada homem e máquina” e mais ainda, “em quase todas as artes mecânicas, a ciência que estuda a ação dos trabalhadores é tão vasta e complicada, que o operário, ainda mais competente, é incapaz de compreender esta ciência, sem a orientação e auxílio dos colaboradores e chefes, quer por falta de instrução, quer por capacidade mental insuficiente”.

Chiavenato (1979), acrescenta que dentro da filosofia Taylorista, “o homem deveria produzir como uma máquina ou robô, uma vez que Taylor procurava, sem conhecer devidamente o organismo humano, conseguir o rendimento máximo, quando deveria conseguir o rendimento ótimo”. O baixo custo da produção anunciado pelos tayloristas, resulta do grande aumento de rendimento.

Sobre as freadas de produção, Dejours (1980), considera que este tempo aparentemente morto, é na verdade uma etapa do trabalho durante a qual agem operações de regulagem do binômio homem-trabalho, destinadas a assegurar a continuidade da tarefa e a proteção da vida mental do trabalhador. Em contraste, Taylor afirma que “Esta indolência ou preguiça no trabalho provém de duas causas. Primeiramente da tendência ou instinto nativo de fazer o menor esforço, o que pode ser chamado de indolência natural. Em segundo lugar, das idéias e raciocínios mais ou menos confusos, provenientes da intercomunicação humana a que cabe a denominação de indolência sistemática”, e em seqüência, “a indolência sistemática decorre das conclusões a que chegaram os operários, e da crença que eles nutrem de que agindo assim, estão servindo aos seus interesses”.

Sobre as equipes de trabalho, Taylor considera que “tal propensão geral para o menor esforço agrava-se consideravelmente quando se reúnem vários homens, a fim de realizar trabalho semelhante e receber remuneração diária uniforme. Sob este sistema o melhor trabalhador, gradual e inevitavelmente, baixa seu rendimento ao nível dos mais fracos e ineficientes.”

No modelo de produção contínua da Linha de Balanço, em que a execução das unidades repetitivas é análoga a fabricação de várias unidades de um produto da indústria

(4)

fabril, existe a potencial indução à especialização, outra característica do taylorismo, herdada das idéias de Adam Smith (para o qual não interessava as técnicas de fabricação, mas os ganhos em termos de produtividade, resultantes da separação de atividades em tarefas pequenas e especializadas). Segundo esta visão, os trabalhadores também ganham com a especialização, porque tem seu trabalho reduzido a uma única operação simples, que tomando todo o seu tempo, aumenta sua destreza. De acordo com Hampton (1983), o problema é que estes cargos exigem pouco ou nenhum controle da pessoas sobre seu trabalho, bem como conduzem à dependência, subordinação e passividade; estes cargos, exigem a utilização de apenas algumas das habilidades superficiais dos trabalhadores. Como resultado de despojar os cargos de sua capacidade de esperar sentimentos compensadores de realização, estima, domínio, progresso e assim por diante, os gerentes tem tornado os cargos menos satisfatórios e motivadores. Muitos operários ficam isolados e se tornam menos produtivos. Os seus cargos lhes dão poucas chances de usar suas capacidades de maior nível. Por este motivo, é que argumenta-se que no modelo taylorista, o projeto de cargos está exclusivamente centrado na tecnologia e na eficiência, e pode provocar efeitos psicológicos nos trabalhadores, assim como pode prejudicar o desempenho da empresa.

4. Conclusão

A Linha de Balanço é a técnica mais adequada à programação de projetos repetitivos da Construção Civil. No entanto, sua utilização requer cuidados com algumas influências tayloristas, que podem vir a causar problemas com a mão-de-obra; é necessário um bom desempenho da gerência e do controle para evitar excessos relativos ao cumprimento das metas de produtividade e ritmo.

A Construção Civil é uma indústria de características peculiares, onde cada produto possui alto valor unitário, cada projeto é diferente do outro e existe alta rotatividade de mão-de-obra. Por isto, uma ferramenta de programação de projetos como a LOB, traz consigo o potencial de afetar a organização, moldar os tipos de empregos e as conseqüentes oportunidades de satisfação no trabalho, assim como influir nos padrões de comportamento dos grupos que se desenvolvem. Por estas razões, o entendimento dos efeitos e implicações desta técnica é tão importante para a competência da administração, quanto a compreensão da motivação e da dinâmica dos grupos.

Hampton (1983), observa que é importante que administradores e engenheiros não se tornem instrumentos dos instrumentos produzidos. Nesta inversão, denominada “imperativo tecnológico”, faz-se primeiro o esboço do fluxo de trabalho e dos equipamentos necessários e no final, encaixa-se as pessoas onde seja necessário, com a tecnologia ditando os seus deveres. A compreensão de uma ferramenta à nível da filosofia da produção, representa o exercício do pensamento na dominação do instrumento.

5. Bibliografia

BERTERO, C. O. Algumas Observações sobre o trabalho de G. Elton Mayo. Revista de Administração de Empresas, FGV. 7 (4), p. 71-96, 1973.

BRAVERMAN, H. Trabalho e Capital Monopolista: A Degradação do Trabalho no Século XX. Rio de Janeiro, Zahar, 1977.

CHIAVENATO, I. Teoria Geral da Administração. São Paulo, McGraw-Hill, 1979.

DEJOURS, C. A Loucura do Trabalho: Estudo da Psicopatologia do Trabalho. 5a ed. São Paulo: Cortez-Oboré, 1992.

HAMPTON, D. R. Administração Contemporânea: Teoria, Prática e Casos. 2a ed. São Paulo: McGraw-Hill, 1983.

(5)

ICHIHARA, J. O Estudo de Tempos e Movimentos e a Ergonomia. Piracicaba: 16o ENEGEP, 3rd International Congress of Industrial Engineering, 1996.

JOHNSTON, D. W. Linear Scheduling Method for Highway Construction. Journal of Construction Division, ASCE. 107(co2): p. 247-261, 1981.

MARCH, J. SIMON, H. Teoria das Organizações. Rio de Janeiro: FGV, 1966.

MAZIERO, L. Aplicação do Conceito do Método da Linha de Balanço no Planejamento de Obras Repetitivas. Um Levantamento das Decisões Fundamentais para a sua Aplicação. Dissertação de Mestrado. UFSC. Florianópolis, 1990.

Referências

Documentos relacionados

Quando Goffman (1985) fala em palco e cenário, atores e platéia, papéis e rotinas de representação, necessidade, habilidades e estratégias dramatúrgicas,

Para evitar danos ao equipamento, não gire a antena abaixo da linha imaginária de 180° em relação à base do equipamento.. TP400 WirelessHART TM - Manual de Instrução, Operação

Here, we aim to understand how expression of RA degradation enzymes (Cyp26) can be correlated with RA distribution and functions during amphioxus (B. lanceolatum)

O gráfico nº11 relativo às agências e à escola representa qual a percentagem que as agências tiveram no envio de alunos para a escola Camino Barcelona e ainda, qual a percentagem de

Por não se tratar de um genérico interesse público (lato sensu), compreendido como respeito ao ordenamento jurídico, mas sim de um interesse determinado, especial e titularizado

Purpose: This thesis aims to describe dietary salt intake and to examine potential factors that could help to reduce salt intake. Thus aims to contribute to

The focus of this thesis was to determine the best standard conditions to perform a laboratory-scale dynamic test able to achieve satisfactory results of the

​ — these walls are solidly put together”; and here, through the mere frenzy of bravado, I rapped heavily with a cane which I held in my hand, upon that very portion of