AMBIENTE
VIRTUAL
DE
APRENDIZAGEM
COLABORATIVA:
`UM MODELO
PARA O CURSO
NORMAL
SUPERIOR
í
m
ii
í
í
mí
í
í
ííí
í
íí
í
í
íí
íí
4
1-4 -‹ 04058
(ESTUDO DE CASO)
.zArlete
Alves
Hodgson
Dissertação apresentada
ao
Programa
de
Pós-Graduação
em
Engenharia
de Produção da
Universidade Federal
de
Santa
Catarinacomo
requisito parcial paraobtenção
do
títulode
Mestre
em
Engenharia
de
Produção.Florianópolis
Arlete
Alves
Hodgson
AMBIENTE
VIRTUAL
DE
APRENDIZAGEM
COLABORATIVA:
UM
MODELO
PARA
O
CURSO
NORMAL
SUPERIOR
(ESTUDO
DE CASO)
Esta dissertação foi julgada
adequada
e aprovada
paraobtenção
do
títulode
Mestre
em
Engenharia
de
Produçao
no
Programa de Pós-Graduação
em
Engenharia
de Produção da
Universidade
Federalde
Santa
Catarina.Florianópolis, 3
de
ago
to/de 2001.Prof.Ric
oMiranda
arcia,Ph.D.oo denador
Curso
BANCA EXAMINADORA
Pro?
ra. z nicePâsšli
Í.0 entad-A a
”
/1
. 'A /,y
Q
/V
I E . n A " I . _Prof
Dr
androM
rtmsRodr
us
éz/
P
MProf.
Gregó(}›~an
Varvakidos,
Ph.DÍúf
-›Prof*
MSc. Regina
d F.e
And
ade
BolzanLista
de
Quadros
... ._Resumo
... ..Abstract
... ..INTRODUÇÃO
... .. 1Contextualização
... ._ .2 Justificativa ... ._ .3 Objetivos ... .. 1.3.1 Objetivo geral ... _. 1.3.2 Objetivos específicos ... .. 1.4Importância
do
trabalho ... .. 1.5 Estruturado
trabalho ... .. -\-L-á-I2
EDUCAÇAO A
DISTANCIA
E
INTERNET
... ..2.1 Histórico ... ..
2.2
Ensino
a
distânciaou educação
a distância ... ..2.3
A
educação
a
distância:bases
conceituais ... _.2.4
Opções
tecnológicas para
aeducação
a
distância ... ..2.5
Tecnologia
com
maior
eficiênciae baixo custo
... ._2.6
As
gerações de
educação
a distância ... ..2.7
Alguns
exemplos
históricosde
educação
a distânciano
Brasil
e
no
mundo
... ..2.7.1 Projetos
de educação
a distância para alunosde educação
básica e para
formação de
profissionais nívelmédio
... ._2.7.2
Educação
a distâncianas
universidades ... ..2.8
Legislação
brasileirasobre
educação
a distância ... ..2.9
Tecnologias
de
rede
na
educação
... ..2.9.1
A
Internet: histórico e recursos ... ._ 2.9.2O
Projeto Internet 2 ... .. 2.9.3 Interaçãoe
colaboraçãona
rede ... .. 2.9.4 Tecnologiasde
suporte paraaprendizagem
colaborativae
cooperativa ... .. 2.9.5 Internet,
Web
eeducação
a distância ... ._3
FUNDAMENTAÇÃO
TEÓRICA
... ..3.1
Considerações
iniciais ... ..3.2
Aprendizagem
colaborativa eaprendizagem
P
P
P
`°`°'P`P`°.°`P`P 'U¶'U'U'O'U'UP
'U'5'U'O'U'U'U¶P
'U'Ucooperativa
... ..p
3.3
Aprendizagem
colaborativa online:um
novo paradigma na
educação?
... ..3.4
Alguns
modelos
de aprendizagem
colaborativae
cooperativa
on-lineno
Brasil ... ..3.5
Teorias
de
suporte para
ambientes
tecnológicos
de
aprendizagem
... ._P
P
P
x
xi xii `I€>U'I(fl0'I00-ñ-\ _\_\_\...\_\‹p‹p GDGDGIIO-\20
QIGWWGOQNN @OO'IhI|0°O'I-\42
tt
45
47
5153
3.5.4 Paulo Freire: por
uma
educação
emancipadora
... __ 3.5.5 Teoria neo-vygotskianade
Lave
eWenger: o
aprendizadosituado ... ._ 3.5.6
Uma
visao ecológicada
cogniçao ... __ 3.5.7O
professor reflexivo: a teoriade
Schõn
... _.4
O
MODELO
PROPOSTO: AMBIENTE DE
APRENDIZAGEM
COLABORATIVA-AAC
... _.p
4.1
Classificaçao
da
pesquisa
... _.4.2
Por
que
Ambiente de Aprendizagem
Colaborativa ... _.4.3
Fase
preliminar: público-alvo,apoio
institucionale
equipe
de
trabalho4.4
O
modelo
proposto: metodologia
utilizada4.5
A
proposta
pedagógica
do modelo
... _.p
4.6
O
processo
de
produção: aspectos
ergonomicos
... ._4.7 Características,
vantagens e
desvantagens
das
ferramentas
utilizadas ... ... ._
4.8
A
navegação
no
ambiente:
fluxograma
e
detalhamento
... ._4.9
Classes
de
usuários
e
esquema
geraldo
AAC
... ... ._4.10
Acesso
ao ambiente
... ._5
APLICAÇÃO
DO
MODELO
... _.5.1
Considerações
iniciais ... _.5.2.
Dificuldades
previstase
estratégiaspara
superação
... ._5.3
A
aplicação
do
Ambiente de
Aprendizagem
Colaborativa ... _.5.4 Princípios e estratégias
que
norteiam
estemodelo
... ._5.5.
A
interatividade ... ._5.6
Instrumentos
de
verificação
... _.5.6.1
A
obsen/ação
... ._ p5.6.2
O
questionário: resultados, participaçoese
relatos ... _.5.7
Vantagens
e
limitaçõesda
aplicaçãolvalidação ... _.5.8
Aplicação
do modelo
em
outraturma
... ._6
CONCLUSÕES
E
RECOMENDAÇÕES
... _.6.1
Introdução
... ._6.1
Conclusões
... ._6.2
Recomendações
para
trabalhos futuros ... ._ 7.REFERENCIAS
BIBLIOGRAFICAS
... _. 8.ANEXOS
... ._8.1
Anexo
1-Decreto
n°2.949l98 ... ._8.2
Anexo
2- Portaria n° 301/98 ... _.8.3
Anexo
3-Decreto
n° 2.561/98 ... ._Lista
de
Figuras
Figura 3.1:
Educação
on-line:um
novo
caminho
... ._Figura 3.2:
Relação
bipolarsegundo o
inatismo ... ._ Figura 3.3:Relação
bipolarsegundo
oempirismo
... _. Figura 3.4: Interação sujeito-objetosegundo
Piaget ... _. Figura 3.6:Relação
mediada segundo
Vygotsky
... ._ Figura 4.1:As
etapasda
metodologiade produção do modelo
... ._ Figura 4.2: FormulárioHTML
de
preenchimentoda produção do
alunoFigura 4.3: Tela
do Chat
... ._ Figura 4.4: Telado Fórum
... ._ Figura 4.5:Fluxograma
do
AAC
... __ Figura 4.6:Componentes
básicos ... ._ Figura 4.7:Esquema
geraldo
Ambiente
de Aprendizagem
Colaborativa ... _.
Figura 4.8: Link para
acesso
do
AAC
via site institucional ... ._Figura 4.9: Página
de acesso ao
AAC
... _. Figura 4.10: Tela Inicial ... _.Figura 5.1: Tela Mural ... ._ Figura 5.2:
Relação dos
alunos e e-mail ... _. Figura 5.3:Relação dos grupos de
alunos ... .L ... ._ Figura 5.4: TelaResumos
de
texto ... _. Figura 5.5: Tela Síntesesde
artigos ... ._Figura 5.6: Tela Outras contribuições ... _.
Figura 5.7: Tela
Fórum
... _. Figura 5.8:Número
de
alunos por município ________________________________________ __ Figura 5.9:Acesso
acomputador
antesdo
AAC
... ._ Figura 5.10:Acesso
à Internet antesdo
AAC
... ._ Figura 5.11:Grau de conhecimento da
Internet ... ._ Figura 5.12: Interessena
continuidadedo
AAC
... ._ Figura 5.13:O AAC
como
ferramentade
apoio àaaprendizagem
... ._ Figura 5.14: Interação orientadora-aluno e aluno-aluno _______________________ ._ Figura 5.15:Grau de comunicação
entre orientadora-alunose
alunos-alunos ... ._
Figura 5.16:
O AAC
como
ambiente
de aprendizagem
colaborativa .... ._Figura 5.17:
O
AAC
como
ambiente
que desafia
a pensar, a sercriativo ... ._ Figura 5.18:
O
AAC
e a aquisiçãode novos conhecimentos/novas
habilidades ... _. Figura 5.19: Contribuição
do
AAC
no
aperfeiçoamentoda
aprendizagem
... _.Figura 5.20: Contribuição
do
AAC
na
compreensão
do conteúdo da
disciplina ... _. Figura 5.21: Contribuição
do
AAC
no
entendimentoda aprendizagem
via Internet ... ._ 'p-_o'o'o'o'c P P P P P 'O'U'O'O'U'U P P P P P P P P P P P P P P P P P P P `IO)U1U'IU'I-hn U1-*U'IU1-bm 81 81
82
83
87
-¡(O(O(O@@ 8(DOO€O@100
101102
103
103
107
108
108
109
110
110
111 111112
113
113
114
115
115
Figura 5.22: Avaliação afetivo-emocional
na
primeira e última aula ... .. p.116
Figura 5.23: Maiores dificuldades encontradasna
utilizaçãodo
AAC.... p.117
Figura 5.24: Maiores
vantagens na
utilizaçãodo
AAC
... ._ p.118
Figura 5.25: Tela Inicialdo Ambiente
de
Aprendizagem
Colaborativa-
Quadro
2.1a: Paralelo entreeducação
presenciale
educação
adistância,
com
relaçãoaos
itensAlunos
e Docentes
... .. pQuadro
2.1b: Paralelo entreeducação
presencial eeducação
adistância
com
relaçãoaos
itensComunicação/Recursos
e Estrutura/Administração ... .. pQuadro
2.2:As
trêsgerações da
educação
a distância ... ._ pQuadro
2.3:Algumas
instituiçõesautônomas
de
educação
adistância ... .. p
Quadro
2.4: Universidadescom
cursosde graduação
a distânciacredenciados pelo
MEC
... ._ pQuadro
2.5: Diferenças entreCSCW
eCSCL
... .. pQuadro
2.6:Modalidades
de
uso
educacionaldas
tecnologiasde
rede pQuadro
3.1: Paralelo entre instrucionismoe
construtivismo ... .. pQuadro
3.2: Síntesedas
teoriase
conceitos apresentados ... _. pQuadro
4.1:As
etapasda
metodologiade produção do modelo
... _. pQuadro
4.2a:Detalhamento
do fluxograma
-Do
Item 1ao
2.4 ... .. pQuadro
4.2b:Detalhamento
do
fluxograma
-Do
Item 2.4.1ao
2.6.1.2.1 ... _. p
Quadro
4.2c:Detalhamento
do
fluxograma
-Do
Item 2.6.2ao
2.10 ... _. pResumo
HODGSON,
Arlete Alves.Ambiente
Virtualde
Aprendizagem
Colaborativa:
um
modelo
para
o Curso Normal
Superior (Estudo
de
caso). 2001,
154
p. Dissertação (Mestradoem
Engenharia
de
Produção)-
Programa de Pós-Graduação
em
Engenharia
de
Produção,UFSC,
Florianópolis.
Este trabalho apresenta a
concepção
e o desenvolvimentode
um
ambiente
virtual, apoiado
na aprendizagem
colaborativa,como
modelo
para cursosde formação
continuadade
professores.A
propostatem
como
objetivo criarum
espaço
de
encontrona
rede internet paraaprendizagem mediante
interação,
comunicação,
trocas colaborativas e reflexão-na-ação entre osparticipantes, tendo suporte
em um
mix
de
teoriasde
base
construtivista,com
destaque
para aabordagem
sócio-interacionista (Vygotsky).As
bases
tecnológicas e
ergonômicas
do modelo apóiam-se
em
ferramentasdisponíveis
na
Internet(PHP,
mySQL,
e
outras)que permitem acesso
rápido enavegação
clara, fácil, intuitiva,com
a interfacede
páginasdinâmicas, interativas
e
adequadas
ao
perfildo
público-alvo.Para
verificação
da
adequação
das
plataformas teóricas e tecnológicasdo
modelo,
denominado
Ambiente de Aprendizagem
Colaborativa-AAC, foifeito
um
estudode
caso
com
professores-alunosna
disciplinaFundamentos
Metodológicosda
Educação
a Distânciado Curso Normal
Superior,
da
Universidade Estadualde
Mato Grosso do
Sul.O
protótipo foi avaliado pelos alunos-usuáriosmediante
aplicaçãode
um
questionário, cujos resultados foram bastante positivos, oque
ressalta a importânciae
avalidade
da
pesquisa.Palavras-chave:
educação
a distância-
formação de
professores-Abstract
HODGSON,
Arlete Alves.Ambiente
Virtualde
Aprendizagem
Colaborativa:
um
modelo
para
o Curso Normal
Superior (Estudo
de
caso). 2001,
154
p. Dissertação (Mestradoem
Engenharia
de
Produção)-
Programa de Pós-Graduação
em
Engenharia
de
Produção,UFSC,
Florianópolis.
This
work
presents the conceptionand
thedevelopment
of a virtualenvironment,
based on
collaborative learning, as amodel
to courses forteachers' continued formation.
The
proposalaims
the creation of a meetingpoint
on
the Internet for learning through interaction, communication,collaborative
exchanges and
reflection-in-actionamong
participants,supported by a mix of constructivism
based
theories, withemphasis
on thesocial interaction
approach
(Vygotsky).The
technologicand ergonomic
bases
for themodel
are supported by tools availableon
the Internet (PHP,
mySQL,
and
others)which
allow fastaccess and
clear,easy and
self-explained navigation, with interactive
and adequate
to the target-client profile interface pages.To
verify the adequation of theoreticaland
technological platforms of the model, called
Ambiente de Aprendizagem
Colaborativa- AAC,
acase
studywas
done
with teacher-students at the disciplineFundamentos
Metodológicosda
Educação
a Distância from theCurso Normal
Superior, from the Universidade Estadualde
Mato
Grosso do
Sul.
The
prototypewas
appraised by the student-users by applying aquestionnaire, from which results
were
very positive,showing
theimportance
and
validation of this research.Keywords:
distance learning-
teachers' formation-
collaborative learning-
“O
tempo
é construção. (...)Não podemos
ter esperanças de predizer o futuro,mas
podemos
influir nele (...)Há
pessoas quetemem
utopias, eutemo
a falta de utopias”(I/ya Prigogine, 1996, p.268)
1.1
Contextualização
Um
conjuntode
modificaçoes
tecnológicassem
precedentes estágerando
transformações
na sociedade
contemporânea e conduzindo
as instituiçõeseducacionais a
reverem seus
postulados,seus
conceitos,sua
prática e aformação
de
seus
professores.Segundo
Lévy
(1999a, p. 169),“Os sistemas educativos encontram-se hoje submetidos a novas restrições no que diz respeito à quantidade, diversidade e velocidade de evolução dos
saberes.
Em
um
plano puramente quantitativo, ademanda
de formação émaior do que nunca. Agora,
em
diversos paises, é a maioria deuma
faixa etária que cursa algum tipo de ensino secundário.As
universidades transbordam.Os
dispositivos de formação profissional e continua estão saturados.Quase
metade da sociedade está, ou gostaria de estar, na escola."Vive-se, pois,
_um
momento
históricoem
que
os antigosmodelos
educacionais já
não se
sustentame
osnovos
estão aindaem
processo
de
construção. Vivenciar as
mudanças
trazidas pelasnovas
tecnologiassem
terclaro o papel delas
na educação
vem
se constituindoem um
grande desafio
para os
educadores de
hoje.As
instituições educacionaisvêm,
diante disso,buscando
soluçõesnovas mediante
amodalidade da educação
a distância(EAD)
para atender ademanda
do
grande
contingentede pessoas
que
não têm
condições
ou
possibilidadesde
freqüentar ocampus
de
uma
universidade.Projetos educacionais utilizando as
mais
diversas mídiase
hipermídias (televisão, videoconferência, Internet,Web,
CD-ROM,
entre outras)vêm
sendo
experimentados,
de
forma isolada(uma
mídia)ou
integrada (diversas mídiasassociadas), por
essa modalidade
de
educação.Junto
com
a explosãodessas novas
tecnologias,surgem
as
contribuiçõesdas
ciências cognitivas (Neurociência, Psicologia Cognitiva, InteligênciaArtificial etc.),
de
pesquisadoresda
cognição (Maturanae
Varela, Pierre Lévy,Capra, Gardner, Piaget etc.) e
de
teóricosda educação
(Vygotsky, PauloFreire,
Schön
e outros)que
estão revolucionando as tradicionaisconcepções,
desestabilizando certezas
e
posturas arraigadasno
campo
da
educação
e
da
formação.
Enquanto
aeducação
tradicional se caracteriza pelaação
centralizadorade
alguém
que
ensina ede
alguém
que
recebe osensinamentos
de
formapassiva, a
educação
a distância,ao
fazeruso
de
tecnologiasde
redepautadas
em um
referencial teórico-pedagógicoque
privilegie a interação social, aconstrução
do
conhecimento
pelo aprendiz e relaçõesmais
colaborativase
participativas,
pode
trazer importante contribuição parao
surgimentode
mudanças
na
formade
ensinare de
aprender.A
educação
a distância,mediada
pelas tecnologias digitais interativas,vem
seafirmando
cada vez mais
como
impulsionadoradas
mudanças que
estãoacontecendo
principalmentena
área
da formação
inicial e continuadade
professores.Com
o surgimentodesses novos espaços
educacionais e considerando asexigências requeridas pelos
novos
cenários mundiais, cresce a consciênciade
que
é preciso possibilitar a todos os professoresem
formação
a apropriaçãodos
códigos e instrumentos culturais para que,como
cidadãosdo mundo,
possam
participar ativamenteda
transformaçãodesse mundo, preparando
outros cidadãos para
atuarem
numa
sociedade
interativae
interdependente.Sob
essa
ótica, pretende-se,em
uma
experiência-piloto, implementarum
modelo de ambiente
de
aprendizagem,mediado
pelos recursosda
Internet,e
aplicá-lo,
como
estudode
caso,na
disciplinaFundamentos
Metodológicosda
Educação
a Distânciado
curso semipresencialNormal
Superior,da
Universidade Estadual
de Mato
Grosso
do
Sul-UEMS,
objetivando analisar aspossibilidades
que
oferecede
interaçao, colaboraçãoe comunicaçao
entre orientador-alunos e alunos-alunos.Essa é
a contribuição desta pesquisadorapara o
Normal
Superiorda
UEMS,
um
curso destinado a professorescom
magistériode
nívelmédio
que
estãoem
pleno exercíciode
sua
profissão.Para
atender à
determinação da
Lei n° 9.394/96,esses
professores necessitam, atéo
ano
2007, ter concluído curso superior. Esta proposta pretende possibilitar aesses docentes
participar,na
sua
graduação,de
um
ambiente
virtualde
aprendizagem
como
apoiopedagógico
que
permita ampliar acomunicação,
ainteração
e
as trocas entre eles,além de
favorecer a apropriação críticados
instrumentos tecnológicos
de sua
cultura.O
curso semipresencialNormal
Superior
tem
como
suporteas
seguintes tecnologias: textos impressos,telefone e fax.
O
ambiente
proposto nesta pesquisa representa, portanto,um
espaço na
rede para o compartilhamentode
idéiase
experiências, visando àmelhoria
da
aprendizagem,da comunicação, da
interaçãoe
da
reflexão sobre osaber/fazer pedagógico.
Diante disso, este trabalho realiza
um
estudo sobre aeducação
a distânciae
as tecnologiasde
rede,assim
como
fazuma
revisão bibliográficaque
possibilita o
conhecimento
de
teorias, metodologias eabordagens pedagógicas
relevantes para
a configuração
de
um
arcabouço
consistente para o protótipoem
estudo.1.2 Justificativa
Vivemos
em um
país cujoacesso aos
bens
tecnológicos aindaé
bastanterestrito.
Mas
essa
realidadenão pode
impedirque
sepense
em
formas
de
superação dessa
dificuldade,com
orompimento de
fronteiras e limitesque
parecem
provisóriosou
temporários. Hoje setem
a consciênciade
que,no
campo
da
educação e
da
formação,é
preciso trabalharem
dois tempos: fazero
melhor
dentrodas
possibilidades presentes,mas
criar rapidamente condiçõespara
uma
utilizaçãodos novos
potenciaisque surgem
(Dowbor, 1996).O
desafio de
proporno
presenteum
modelo de ambiente
de
aprendizagem
acesso ao computador e
â rede, representou trabalhar dentrode
uma
visão prospectiva, criadorade
bases
paraum
futurobem
próximo,dada
a velocidadecom
que
vem
acontecendo
a evolução tecnológica.Ao
mesmo
tempo,pretende-se minimizar o
desafio da
exclusão tecnológicados
docentes,buscando-se
alternativasque
propiciemo acesso
eqüitativoao
mundo
digital.Com
esta pesquisa espera-se contribuir paraum
novo
olhar sobre o papel atualda
educação
a distância dentrodo
sistema educacionalcomo
um
todo.A
EAD
precisa ser reconhecidacomo
uma
modalidade
viávele
necessáriaem
um
paísde dimensões
continentaiscomo
o nosso e
com
problemas
críticosde
acesso
âeducação
e â formação. Preconceitose
resistências aessa
modalidade
não têm mais
sentido hojequando
as tecnologiasvêm
procurando
reduzir,
com
qualidade, as diferenças entre o presencial e o remoto.A
maiormotivação
desta autoraem
propor este trabalho foi ade
pesquisar,junto a
uma
equipe intere
multidisciplinar, soluções simples para aimplementação
de
um
ambiente
virtual centradona
aprendizagem,na
interaçãosocial,
no conhecimento
construídoem
parceria enas
trocas colaborativas,como
forma
de
reduzir distânciase
aumentar o
diálogo pedagógico.A
maioriadas
universidades brasileirasvem
fazendo
altos investimentosna
aquisição
de
plataformas importadascomo
suporte paraseus
cursos adistância,
sendo
que
existem hoje,na
Internet e naWeb,
ferramentasdisponíveis
que
podem
gerar interatividade e flexibilidade,com
baixo custoimplementacional.
O
problema
principalque
esta pesquisa sepropõe
a investigar é, portanto,este: será
que
omodelo de
ambiente
virtualde
aprendizagem
construído a partirde
soluções simples (ferramentas disponíveisna
Internet) atenderá àsexpectativas
de
ampliaçãoda comunicação,
interação, colaboraçãoe
1.3 Objetivos
1.3.1 Objetivo geral
Conceber, desenvolver, aplicar e avaliar
um
modelo de ambiente
virtualde
aprendizagem
para professoresem
formação
inicialou
continuadaque
possibilite interação,
comunicação,
colaboração e reflexão sobre o sabere
ofazer pedagógico.
1.3.2 Objetivos especificos
Os
objetivos especificos são:o Verificar a
adequação do
referencial teórico escolhido para dar suporteao
modelo de ambiente de aprendizagem
proposto neste trabalho.. Verificar a exeqüibilidade
da implementação de
um
protótipode
ambiente
de
aprendizagem customizado
apoiadoem
ferramentasdisponiveis
na
Internet.o Realizar
um
estudode caso
para investigar se o ferramental tecnológicoutilizado permite interação,
comunicação e
trocas,configurando
um
ambiente
apoiadona
colaboração.o Avaliar o protótipo
de ambiente de aprendizagem
para verificar aadequação
das
ferramentas tecnológicase pedagógicas
utilizadas.o Analisar se o
modelo de ambiente de aprendizagem
proposto contribuipara a apropriação
de novos
saberes e para a reflexão sobre o fazerpedagógico
dos
professores-alunos.o Averiguar se o
ambiente
contribui para desenvolvere
ampliar osconhecimentos
e habilidades sobre os recursos computacionaise de
rede,
e
como
sedá esse
processode
familiarizaçãocom
a tecnologiadigital.
1.4
Importância
do
trabalhoMato Grosso
do
Sul éum
Estado
cujas extensasdimensões geográficas
ecaracterísticas
econômicas expressam
um
quadro de grande
dificuldadede
acesso ao
ensino superior.É
preciso, portanto,que sejam pensadas
soluçõesque
possam
expandir aação da
formação,sem
que,no
entanto, issorepresente perda
da
qualidade.Por
isso, aUEMS,
na
sua
políticade
interiorização e
democratização
do
saber,vem
buscando
outroscaminhos além
do
ensino presencial.O
curso semipresencialNormal
Superioré
uma
primeiraexperiência
que
vem
sendo
aplicada e avaliadadesde
2000,com
objetivode
atender a Lei 9.394/96
no
que
se
refere àgraduação dos
professoresdas
séries iniciais.
O
ambiente
de
aprendizagem
mediado
pela Internet proposto nestetrabalho pretende funcionar
como
ferramentade
apoio aesse
curso, permitindoaos
docentesem
exercícioum
espaço de comunicação,
interação, colaboraçãoe
trocasde
experiências,enfim
um
lugarde
encontrona
rede.E
todo encontroproduz
modificações nos
modos
de
agir, interagir,pensar
e aprender.O
estímulo à criação
de
uma
comunidade
virtualde
docentesem
formação
pode
contribuir para a
renovação da
práticapedagógica
e,conseqüentemente,
paraa melhoria
da
qualidadedo
ensinodas
primeiras séries, ogrande
gargaloda
educação
brasileira.Com
aexpansão
da
rede Internetnos
municípiosdo
Estado, acredita-seque,
em
alguns anos, as escolas públicas estarão providasde computador
com
acesso
à rede.É
importante, portanto,que
os professores,em
seus
cursosde
formação
inicialou
continuada, familiarizem-secom
asnovas
tecnologiasda
informação e
da comunicação
e discutam,nos conteúdos
das
disciplinasdesses
cursos, a inserção críticadessas novas
tecnologiasno
cotidianoda sua
prática pedagógica.
O
que
sepode
constataré
que
ouso
educacionalda
Internet eda
Web
é
um
campo
ainda bastante incipiente,mas
bastante instigante e promissor,Embora
se
saibaque
o aportedas novas
tecnologiasnao
poderá, por si só,provocar
grandes
transformaçõesno
processo educacional vigente, pois estasdemandam
outrasquestões
de
fundo, elas são,no
entanto, incitadorasde
reflexões
que
podem
levar àadoção de novas
posturas,de
novas
visões ede
um
saber/fazerpedagógico
renovado.A
maior relevânciadesse ambiente
virtual está, portanto, na possibilidadeque
cria para a interação,comunicaçao e
trocas, síncronas e assíncronas, entredocentes
distribuidosgeograficamente.
A
participaçãoem um
ambiente
interativo, flexível, dinâmico, acessível
em
qualquer hora e tempo, ricoem
subsídios,
não só
osacumulados
pela cultura,mas também
osgerados
econstruídos
no
compartilhamentodas
idéias, abre perspectivasnovas de
apropriação
de
novos
saberes,assim
como
do
exercíciodo
diálogo sobreo
fazer
pedagógico
-
a reflexãona ação e
sobre a ação.Toda
essa
dinâmicapropiciada hoje pela tecnologia
de
rede tende a contribuir para a melhoriada
qualidade
da formação dos
professores.Por ser
um
projeto pioneirona
UEMS,
aimplementação
desse ambiente
de
aprendizagem
abre perspectivas paraque
outrosmodelos de ambientes
virtuais
sejam
pensados
e criadosnessa
instituição,buscando
atender àdemanda
existentenos
municípiosdo Estado
porformação nas mais
diferentesáreas. -
Merece
aindadestaque
o fatode
que
esta pesquisa integraum
projetomais
amplo da
UEMS
Virtual,agregando-se aos
estudosque
vêm
sendo
desenvolvidos,
em
nívelde
mestrado, pelo professor Luiz Antônio ÁlvaresGonçalves, sobre o
uso da
videoconferêncianos
cursosda
UEMS,
e pelaProfessora
Ana
Tereza
Gottardi, sobre opensamento
dos
docentes a respeito1.5 Estrutura
do
trabalhoEsta dissertação está estruturada
em
6
capítulos. Neste capítulo 1 tem-se aconte›‹tualização, a justificativa e motivação, os objetivos, a importância
e
aestrutura
do
trabalho.O
capítulo 2tem
como
foco aeducação
a distância-
histórico, conceitos, exemplos, tecnologias,
com
ênfasenos
recursosda
Internet
como
ferramentas potencializadorasde ambientes
interativos eflexiveis para
a
aprendizagem.No
capitulo 3,são
apresentados os referenciaisteóricos e
pedagógicos
de
suporte para a criação e desenvolvimentodo
ambiente
virtualde aprendizagem
proposto nesta pesquisa.No
capitulo 4,é
apresentado,
nas suas
várias fasesde
implementação, omodelo do ambiente
virtual
de aprendizagem
colaborativa.No
capitulo 5, descreve-se a aplicaçãodo
modelo
com
professores-alunosdo
cursoNormal Superior/UEMS, os
procedimentos para a avaliação
do
ambiente, a análisedos
resultadose
avalidação
das
ferramentaspedagógica
e tecnológica.No
capítulo 6,são
apresentadas as conclusões e as
recomendações
para trabalhos futuros.Seguem-se
as
referências bibliográficas utilizadas neste trabalhoe
osanexos
Neste
capitulo, pretende-se refletir sobreas
possibilidadesda
educação
adistância,
apresentando
assuas
bases
conceituaise
metodológicas,assim
como
o desenvolvimento históricode suas
experiências até osdesafios
atuais frenteàs
inovações proporcionadas pela informática e pela telemáticaz.Pretende-se investigar
de
quelformaas
novas
tecnologias digitais,em
especiala Internet,
vêm
contribuindo parao
surgimentode
novos ambientes
educacionais
mais
interativose
flexíveis.Essas
reflexões serviramde
fundamentaçao
para aconcepçao
do
modelo
proposto neste trabalho.2.1 Histórico
Sabe-se
que
aeducação
a distâncianão
éum
fenômeno
novo, pelocontrário,
o
caminho
parao
surgimentodessa modalidade
de educação
estava abertodesde quando
oshomens começaram
a utilizar o texto escrito paraaprender sozinhos,
sem
apresença de
um
instrutor.Com
a invençãoda
imprensa,
no
séculoXV, essa
tecnologia difundiu-se pelomundo
e assegurou
lugar
permanente
como
mídia importantena
educação
a distância.A
partirdos
meados
do
século XIX,segundo
Bordenave
(1987), aeducação
a distânciasurge
na sua
forma institucionalizada,e passa
a utilizarcomo
meios
paradistribuição
de conteúdos
os serviçosdo
correio, o rádio, a televisão, satélites,e as
atuais ferramentas digitais hipermidiáticas-
computador
multimidia, redeInternet,
World
Wide
Web
e
outras.Os
modelos
tradicionaisde educação
a distância,ou
seja, aquelesmediados
por impressos, rádio, televisão,baseiam-se na
transmissãode
conteúdos,
ou
seja,na
transmissãode
um-para-muitosou
de
um-para-um.
Hoje, a tecnologia
de computadores
em
rede,ou
telemática, requere
permite2
A
associação da infonnática (processamento de dados)
com
a telecomunicação (envio deinformação a distância) fez surgir a telemática, que é o conjunto de técnicas e sen/iços propiciado por essa integração.
um
inteiroe novo caminho
parao
ensinoe
para a aprendizagem.Daquelas
mídias unidirecionais está-se
caminhando
rapidamente para mídiasmais
interativas
e
multidirecionaisque permitem
acomunicação
e trocasde
informação
em
tempo
real, o trabalho cooperativoe
colaborativo on-line etc.Isso significa que, pela primeira
vez na
históriahumana,
tem-secomunicação
de
muitos-para-muitosalém
do tempo
edo espaço
-
“esse é o suporte parauma
sociedade
da
aprendizagem”, concluiHarasim
(1994).Há
um
consenso
entre os estudiososde
que é
preciso oferecer àpopulação
aumento
de
oportunidades educacionais.Em
vista disso, muitasinstituições
nos
EUA, Canadá
e
paíseseuropeus
vêm
respondendo
aesse
desafio
com
a intensificaçãona
ofertade programas de
educação
a distância.Esses
tiposde programas
podem
ofereceraos
adultosuma
segunda
chance
de
educação,
atenderpessoas
com
problemas
de tempo
limitadoou
de
distância
dos
centrosde
estudo,ou
com
incapacidade fisica,assim
como
propiciar oportunidade
de
atualizaçãode
conhecimentos
para trabalhadores, profissionaisde
diversas áreasem
seu
próprios locaisde
trabalhoou
residências (Willis, 1993).
Segundo
Peraya
(1994), aeducação
a distância está se transformandonas
últimas
décadas
pelas seguintes razões:o os contextos social
e
econômico
estãomudando;
o
o
número
de
trabalhadoresdesempregados
crescee
todos elesprecisam partcipar
de
cursosde
capacitaçãoe
atualização;ø o
conhecimento
está se tornandouma
das
forçaseconômicas mais
importantes;
ø
o conhecimento
está seexpandindo
rapidamente eseu
tempo
de
vidatorna-se
cada vez mais
curto;o investir
nos
recursoshumanos
parece ser o únicocaminho
paraum
desenvolvimento sustentável.
Todas
essas
mudanças
no
contexto sócio-econômico, acrescidosdo
processo atual
da
globalizaçãoe dos avanços
aceleradosda
tecnologia digitalrelação
com
o conhecimento, trazendo perspectivasimpensadas
até algunsanos
atrás paraa educação
e, sobretudo, para aeducação a
distância.2.2
Ensino
a
distânciaou
educação
a distância?Muitos autores,
segundo
Landim
(1997)e Gonçalves
(1996), utilizamindistintamente as
expressões
ensino a distânciae
educação
a distância,sem
atentar para as diferenças conceituais existentes entreuma
e
outra.Para
essas
autoras, ensino
a
distância significa instrução, transmissãode
conhecimentos
e informações, treinamentode
habilidades, organizaçãode
condições paraque
o
indivíduo assimile as informações.
O
foco estána
instituição,no
aparatotecnológico,
no
professore nos
conteúdos.O
aluno é oelemento
passivo, receptor.A
educação a
distância refere-se à prática educativaque
criauma
relação
mais
próxima professor-aluno, enfatizando o esforçoque
leva oindivíduo a (re)construir o
seu
conhecimento, a aprender aaprender
e
aaprender a pensar.
O
foco está na aprendizagem,no
sujeitoque aprende
de
forma ativa. Pelas razões apresentadas, neste trabalho estará
sendo
utilizadaa
expressão educação a
distância.Educação
aberta distingue-seda educação
a distânciaem
algunsaspectos.
As
instituiçõesque
aplicam aeducação
abertapermitem
o ingressodos
individuosem
seus
cursosindependentemente
de
escolaridade anterior.É
o aluno
que
organizaseu
currículo eque
determinaseu
ritmode
aprendizagem.
Um
exemplo de
educação
abertaé
aOpen
University,do Reino
Unido.
Educação
continuadaé
a possibilidadede
formação permanente
paraatender à forte
demanda
socialde
busca
de
atualizaçãoe
de
qualificaçãoprovocadas
pelas aceleradasmudanças
sociaise
tecnológicasdo
mundo
2.3
A
educação
a
distância:bases
conceituaisÉ
comum
entre os autoresdefinirem
aeducação
a distância a partirda
comparação
com
aeducação
presencial.Os
Quadros
2.1ae
2.1b,de
Aretio(apud
Landim, 1997),merecem
ser citados porcausa
da
clareza eda
abrangência
do
estudo comparativoque
faz entre asduas modalidades de
educação.
Quadro
2.1a: Paralelo entreeducação
presenciale educação
a distância,com
relação
aos
itensAlunos
e
Docentes.PRESENCIAL
A
DISTÂNCIA
ALUN
OS
Homogêneos
quanto à idade Heterogèneos quanto à idadeHomogêneos
quanto à qualificação Heterogèneos quanto à qualificaçãoHomogêneos
quanto ao nível deescolaridade Heterogèneos
quanto ao nivel de
escolaridade
Lugar único de encontro
Estudam
em
casa, local de trabalho,Residência local etc População dispersa Situação controlada/Aprendizagem l dependente Situação livre/Aprendizagem independente
A
maioria não trabalha. Habitualmentecrianças/adolescentes/jovens
A
maioria é adulta e trabalha Realiza-se maior interação social Realiza-se
menor
interação socialA
educação é atividade primária.Tempo
integral
A
educação é atividade secundária.Tempo
parcialSeguem,
geralmente,um
currículoobrigatório
O
próprio estudante determina o
currículo a ser seguido
DOCEN
TES
Um
só tipo de docente Vários tipos de docenteFonte de conhecimento Suporte e orientação da aprendizagem
Recurso insubstituível Recurso substituível parcialmente
Juiz supremo da atuação do aluno Guia da atualização do aluno
Basicamente educador/ensinante Basicamente produtor de material ou
tutor
Suas
habilidades e competências sãomuito difundidas
Suas
habilidades e competências sãomenos
conhecidasProblemas normais
em
design,desenvolvimento e avaliação curricular
Sérios problemas para o design, o desenvolvimento e a avaliação
curricular
Os
problemas anterioresdependem
do professorOs
problemas anterioresdependem
dosistema ç
Quadro
2.1b: Paralelo entreeducação
presenciale
a distância,com
relaçãoaos
itensComunicação/Recursos
e Estrutura/Administração.PRESENCIAL
A
DISTÂNCIA
coMuN1cA çÂo/REcuRsos
Ensino face a face 9 Ensino multimidia
Comunicação
diretaComunicação
diferenciadaem
espaço etempo
Oficinas
e
laboratórios próprios Oficinas e laboratórios de outrasz instituições
Uso
limitado de meiosUso
massivo de meiosEsrRuruRA/AoM1N1s TRA
çÃo
Escassa diversificação de unidades e Múltiplas unidades e funções
funções
Os
cursos são concebidos, produzidos e Processos complexos de concepção, difundidoscom
simplicidade e boa definição produção e difusão dos cursosProblemas administrativos de horário `
Os
problemas surgem na coordenação `da concepção, produção e difusão Muitos docentes e poucos administrativos os
Menos
docentes e mais administrativosEscassa relação entre docentes e intensa relação entre docentes e
administrativos administrativos
Os
administrativos são parcialmenteOs
administrativos são basicamentesubstituíveis insubstituíveis
Em
nível universitário, recusa alunos. Mais `Tende
a ser mais democrática noelitista e seletiva acesso de alunos Muitos cursos
com
poucos alunosem
cada Muitos alunos por cursoum
.Inicialmente,
menos
custos,mas
elevados Altos custos iniciais,mas menos
em
função da variável aluno elevadosem
função da variável aluno Fonte: Aretio,apud
Landim, 1997.Keegan
(apud
Landim, 1997, p. 28) conceituaeducação
a distânciatomando
como
referencial assuas
características:a) “a separação do professor e do aluno, o que a distingue das aulas face a face;
b) a influência de
uma
organização educacional que a distingue do ensinoprivado;
c) uso de meios técnicos usualmente impressos, para unir o professor e
aluno e oferecer 0 conteúdo educativo do curso;
dll o provimento de
uma
comunicação bidirecional, demodo
que o alunopossa beneficiar-se e, ainda, iniciar o diálogo, o que a distingue de outros usos
da tecnologia educacional;
e) ensino aos alunos
como
indivíduos e raramenteem
grupos,com
apossibilidade
de
encontros ocasionais,com
propósitos didáticos e desocialização; _
f) a participação
em
uma
forma mais industrializada de educação,baseada na consideração de que c ensino a distância se caracteriza por:
organizativos, controle científico, objetividade do ensino, produção massiva, concentração e centralização.”
Enquanto
alguns autores (Keegan, Peters e Holmberg,apud
Landim, 1997)referem-se
ao
“ensino” a distânciacomo
uma
forma industrializadade
ensinare
de
aprender, outros(como
Moore, Kearsley,Harasim
e
Moran, citados adiante) preferem,com
osavanços da
tecnologiade
rede, apostarem
novas
formasde
educação
a distância, mais flexíveis e interativas,que permitam
derrubar asbarreiras
geográficas
e temporais,aproximando
professorese
alunosem
uma
relação
mais
dialógica e produtiva.Adeptas
desse
segundo
grupo, Isaac&
Gunawardena
(1996),da
Universidade
do Estado do
Arizona eda
Universidadedo
Novo
México,respectivamente, acreditam
que
efetivamente estáhavendo
uma
mudança
importanteno
conceitode educação
a distância: oque
antes era consideradoum
sistemade
transmissãode
conteúdos, está agoratomando
uma
forma
diferente, devido
ao
rápido desenvolvimentoda
tecnologiado computador
edas
telecomunicaçõesque
tornaramessa modalidade mais
interativa,facilitando a
aprendizagem
e reduzindo as distinções entreeducação
presenciale
educação
a distância.Hoje,
pode-se
dizerque
aEAD
apóia-seem
4 componentes:
ø o aluno;
ø oprofessor/orientador/tutor;
0 a
comunicação
bidirecional (hoje, mutidirecional),e
o a estrutura organizacional.
Michael Moore, Diretor
Acadêmico
do American Center
for theStudy
ofDistance Education
da
Universidadedo
Estadoda
Pensilvânia e editordo
American
Journal of Distance Education,ao
realizar,em
1972,uma
pesquisaem
2.000 artigos publicados sobreaprendizagem
independente,educação de
adultos,
educação
a distânciae educação
aberta,chegou
à conclusão que,em
todos os artigos publicados e pesquisados, dois fatores
desempenham
um
papel-chave: a estrutura e
o
diálogo.A
estrutura refere-se às condiçõesque
oprofessor oferece para
que
o ensino e aaprendizagem aconteçam, buscando
maior rigidez
ou
flexibilidadedos
objetivos,das
estratégiase
dos
métodos de
avaliação
dos
cursos(Murphy
&
Collins, 1997);e
diálogo reporta-seà
possibilidade
de
o aluno influenciar e controlar o cursomediante
interaçãocom
seu
instrutor (Saba, 2000).Analisando os estudos
de
Moore,Saba
(op. cit.)percebeu
que
aeducação
a distância
não
era definida por aquele autorcomo
separação geográfica
entreprofessores e alunos,
mas como
soma
de
estruturae
diálogo.Em
outraspalavras:
quando
a estruturaé maximizada
a distânciaaumenta
e
quando
o
diálogo
e
maximizado
a distância diminui.É
o
que
sechama
“distância transacional”.Para
Saba
(ibid.),Moore
trouxeuma
importante contribuiçãoquando afirma
não
estar interessadona
distância fisica,mas
na
qualidadedo
projeto educacional.
As
idéiasde
Moore
têm provocado
muitas reflexões sobreo
conceitode
distânciae de educação
a
distância.A
legislação brasileira conceituaeducação
a distânciacomo
“uma
forma
de
ensino
que
possibilita a auto-aprendizagem,com
amediação de
recursosdidáticos sistematicamente organizados, apresentados
em
diferentes suportesde
informação, utilizados isoladamenteou combinados, e
veiculados pelos diversosmeios
de
comunicação”
(Diário Oficialda
União, art. 1°do
Decreto n°2.494,
de
10de
fevereirode 1998
-Ver
Anexo
1).Considerando esses
conceitos,podem-se
apontar os seguintes objetivosmais
geraisda educação
a distância: democratizaro acesso
àeducação,
proporcionar
um
aprendizadoautônomo e
associado à experiência, fomentar aseducação
continuada e reduzir custos.As
principaisvantagens
da EAD, segundo
Aretio(apud
Landim, 1997), são: abertura (eliminaçãodas
barreirasldiversificaçãode
ofertase
oportunidades), flexibilidade(onde, quando,em
que
ritmo estudar,combinação
estudo/trabalho),eficácia (aluno é sujeito ativo,
vê seu
ritmode
aprender respeitado, materialde
apoio elaborado por especialistas, interatividade),
formação permanente,
estudo personalizado
e
economia
de
recursos financeiros.Ainda
segundo
Aretio (op. cit.), as maioresdesvantagens
são: a falta.de
socialização, respostas lentas,
nao
alcança os analfabetos,homogeneidade
do
material instrucional, dificuldadesde
avaliação a distância, taxas altasde
evasão, serviços administrativos
mais
complexos
que
no
presencial, entre outras.A
educação
a distâncianão deve
ser consideradauma
substitutaou
uma
concorrente
da
educação
presencial,nem
ser vistacomo
inferior,modismo
ou
panacéia,
nem
como
uma
forma
alternativa,mas
sim
como
uma
modalidade
diferente
de
ensinoe de
aprendizagem.Essa modalidade
exige motivação,maturidade e autodisciplina, por isso é
mais
indicada para atendimentoda
população jovem
e
adulta.Discutida a
base
conceitualda
educação
a
distância,é
preciso evidenciaras
opções
tecnológicasdas
quaisos
desenvolvedoresdessa modalidade
podem
disporna
horade implementação
de
seu
cursode
EAD.
2.4
Opções
tecnológicas para
a
educação
a distânciaSegundo
Willis (1993),há
quatroopções
tecnológicas disponíveis paraos
professores
de educaçao
a distância:1.
Voz -
ferramentasde
áudio educacionalque
incluem as tecnologiasinterativas
como
o telefone, a audioconferênciae
a transmissão radiofônicaem
ondas
curtas,além
de
fitasde
áudio;2.
Vídeo
-
ferramentasde
vídeo educacionalque
incluemimagens
como
slides, filmes, videotape, fitas
e
imagens
em
tempo
realcombinadas
com
audioconferência;
3.
Dados
-
oscomputadores enviam e
recebem
informaçõesna
formadigitalizada.
As
aplicaçõesdo
computador
para aeducação a
distânciasão
variadas
e
compreendem:
o
CAI
(Computer-assísted instruction)-
Instrução assistida porcomputador
-
usa o
computador
como
uma
máquina de
ensinar para liçõesindividuais (auto-estudo).
São
tiposde
CAI: os tutoriais, os exercicio-e-o
CMI (Computer-managed
instruction)-
instrução) administrada pelocomputador
-
usao computador
para organizar o ensino (bancode dados
para
armazenar
e recuperar informações) eacompanhar
os acessos, asatividades e
os
progressosdos
estudantes.CMI
é freqüentementecombinado
com
CAI,que
éo
componente
responsável pela instrução.o
CME
(Computer-mediated
education)ou
CMC
(Computer-mediated
comunication)
-
educação
(oucomunicação)
mediada
porcomputador
-
descreve
as aplicaçõesdo
computador que
facilitam acomunicação,
ainteração
e
a aprendizagem. incluemo
uso
de
correio eletrônico (e-mail), fax, conferência porcomputador
em
tempo
real e aplicaçõesda World
Wide Web.
o
Computer-based
multimedia-
multimidiabaseada
em
computador
-envolve
uma
geração de
ferramentas poderosas, sofisticadas e flexiveis,ainda
em
desenvolvimento,que
estãoganhando
a atençãodos educadores
de educação
a distância (hipermidia, HyperCard).O
objetivo é integrarvárias tecnologias
-
som,
imagem
e computadores
em
uma
única interfaceque
seja facilmente acessivel.4.
Impressos
-
é oelemento
básicoda educação
a distância e o alicercesobre o qual os outros sistemas
de
transmissão geralmente se apóiam,e
podem
ser: livros, textos, apostilas, guiade
estudos, livros didáticos,programação
do
curso, estudosde
casos
etc.De
todasessas
aplicações, foi escolhida,como
objeto desta pesquisa, aeducação mediada
porcomputador (CMC),
apoiadana
rede Internete
integrada a outras midias
como
material impresso, fax e telefone.A
interatividade (sincronae
assincrona) possibilitada peloCMC
foicomplementada,
na aplicaçãodo
modelo,com
a interaçãohumana
dos
encontros presenciais.
Essa
associaçãode
midias e metodologias ampliadorasda
interação professor-alunoe
aluno-alunovem
se
afirmando
como
uma
das
formas
mais adequadas,
eficientese econômicas
para suportede
ambientes
educativos virtuais.
Essa
interação entre os atores e a interface estácontemplada na seção
2.5
Tecnologia
com
maior
eficiência e
baixo custo
Na
realidade,é
dificil apontar qual amelhor
tecnologia para obtermelhores
resultadosna
educação
a distância.Mais
importante, porém,que
a escolhada
tecnologia
deve
ser apreocupação
com
asnecessidades
do
aluno,com
odesenho
do ambiente
compatívelcom
essas
necessidades,com
os
sen/içoseducacionais
a
serem
oferecidose
com
os resultados alcançados.Pesquisas
realizadas(Moore
&
Tompson;
Verduin&
Clark,apud
Willis,1993)
comprovam
que,quando
ométodo
e as tecnologias utilizadassão
apropriadas para a tarefa educacional,
quando
há
interação aluno-aluno, aluno-professor e, principalmente,
quando
há
retorno (feedback) imediato professor-para-aluno, a
educação
a distância é tão eficientequanto
a presencial.Hoffman
&
Macking (apud
Bolzan, 1998)propõem que
sejam
consideradasquatro interações
que
se
fazem
presentesna educação
a distância,e
que
devem
merecer
especialatenção no
planejamentoe
desenvolvimentodo
modelo
de
ambiente
de
aprendizagem
proposto neste trabalho:o Aluno-interface
-
proporciona oacesso ao
curso, permitindoaos
alunosnão só
receberos
conteúdos,mas
participar dele.Essa
interaçãoé o
ponto-chave
de
sucesso
de
um
curso, por isso a interfacedeve
sera mais
amigávele
transparente possivel;
ø Aluno-conteúdo
-
a interaçãocom
oconteúdo
deve
serbem
planejadapara
poder
estimular satisfatoriamentenão só
apercepção e
a cognição,mas
aatenção
por longos períodosde
tempo.Por
isso,é
precisoprogramar
atividades interessantes, desafiadoras, motivadoras,
que
mantenham
os
alunosinteressados
em
participar;o Aluno-professor
-
o
professoré o grande
responsávelem
manter o
aluno
permanentemente
interessado, encorajando-o à participação.O
professor
assume
o
papelde
facilitador, orientador, mediador, dinamizadordo
processo
de
aprendizagem;ø Aluno-aluno