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O PAPEL DA TUTORIA NOS PROCESSOS

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Academic year: 2019

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TUTORIA EM EAD

Para citar este texto:

AZEVEDO, Adriana Barroso. Tutoria em EAD. Departamento de Extensão e Pós-Graduação. Valinhos, SP: Anhanguera Educacional, 2011.

P

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PAPEL DA TUTORIA NA AVALIAÇÃO

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B

ARROSO DE

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ZEVEDO

Publicação: Dezembro de 2011

© DIREITOS RESERVADOS - Proibida a reprodução total ou parcial desta publicação sem o prévio consentimento, por escrito, da Anhanguera Educacional.

DIRETORIA DE EXTENSÃO E PÓS-GRADUAÇÃO

Silvio Cecchi

Correspondência/Contato

Alameda Maria Tereza, 2000, Valinhos, São Paulo, CEP. 13.278-181.

PREPARAÇÃO GRÁFICA

Lusana Veríssimo

Renata Galdino

PARECER TÉCNICO

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O PAPEL DA TUTORIA NOS PROCESSOS

OBJETIVO

Analisar o papel do professor tutor nas avaliações dos cursos oferecidos na modalidade a distância e refletir sobre os objetivos da avaliação para que seja percebida como um exercício de diálogo, de maneira a contribuir e colaborar na construção do conhecimento.

1. INTRODUÇÃO

O desafio permanente da educação a distância consiste em não perder de vista o sentido político original da oferta, em verificar se os suportes tecnológicos utilizados são os mais adequados para o desenvolvimento dos conteúdos, em identificar as propostas de ensino e a concepção de aprendizagem subjacente e em analisar de que maneira os

desafios da „distância‟ são tratados entre alunos e docentes e entre os

próprios alunos... O verdadeiro desafio continua sendo o seu sentido democratizante, a qualidade da proposta pedagógica e de seus materiais (LITWIN, 2001, p.21).

A EAD democratiza o acesso a educação porque aumenta

consideravelmente o número de espaços escolares oferecidos, atendendo a

uma população estudantil geograficamente dispersa e, em particular, aquela

que se encontra em locais distantes das instituições convencionais. Outro fator

importante é a garantia da permanência do estudante em seu meio cultural

natural, evitando-se os êxodos que poderiam ser negativos para o

desenvolvimento regional, principalmente em um país com as dimensões

continentais do Brasil.

(3)

2. AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL E AVALIAÇÃO DA

APRENDIZAGEM

Para o Ministério da Educação - MEC, um projeto de educação a distância precisa contemplar em sua proposta de avaliação a dimensão relacionada ao processo de aprendizagem referente à avaliação institucional.

De acordo com os Referenciais de Qualidade para Educação Superior (2007),

(a) A Avaliação da Aprendizagem

Na educação a distância, o modelo de avaliação da aprendizagem deve ajudar o estudante a desenvolver graus mais complexos de competências cognitivas, habilidades e atitudes, possibilitando-lhe alcançar os objetivos propostos. Para tanto, esta avaliação deve comportar um processo contínuo, para verificar constantemente o progresso dos estudantes e estimulá-los a serem ativos na construção do conhecimento. Desse modo, devem ser articulados mecanismos que promovam o permanente

acompanhamento dos estudantes, no intuito de identificar eventuais dificuldades na aprendizagem e saná-las ainda durante o processo de ensino-aprendizagem.

(b) A Avaliação Institucional

(...) Esta avaliação deve configurar-se em um processo permanente e conseqüente, de forma a subsidiar o aperfeiçoamento dos sistemas de gestão e pedagógico, produzindo efetivamente correções na direção da melhoria de qualidade do processo pedagógico coerentemente com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Para ter sucesso, essa avaliação precisa envolver os diversos atores: estudantes, professores, tutores, e quadro técnico-administrativo. (MEC, 2007, p 16-7)

(4)

Para Azevedo e Gonçalves (2005) a avaliação na instituição de ensino

deve contribuir para a concretização de mudanças efetivas no sistema

educacional, desde as ações burocráticas/administrativas até as

didático/pedagógicas. A própria organização curricular só será bem sucedida

se seus objetivos estiverem implícitos em um sistema de avaliação institucional

que

privilegie

um

novo

enfoque

na

relação

professor/aluno/conhecimento/Instituição. Como propõe Veiga

“A inovação

pressupõe uma estreita relação com a investigação, uma vez que ambas são

atividades intencionais, conscientes e complexas. A investigação é um

elemento impulsionador da inovação, quer no âmbito da sala de aula, quer no

âmbito da instituição com

o um todo” (

2000, p. 199).

No processo avaliativo o uso dos resultados é uma das questões fundamentais. Assim, a identificação das causas determinantes dos resultados, exercício complexo e reflexivo, faz a avaliação assumir função diagnóstica, ou seja, responsável pela alimentação do processo decisório e de retroalimentação da prática pedagógica. A avaliação institucional torna-se, portanto, essencial ao processo de planejamento e gestão caracterizada pela promoção de mudanças. Vale ressaltar que a participação da comunidade e a clareza dos objetivos legitimam a avaliação e comprometem os atores nela envolvidos na fundamentação do processo decisório, permitindo busca de alternativas, correção de rumos e transformação da realidade.

Para que o processo avaliativo seja efetivo, “O conhecim

ento deve ser o

referente teórico que dá sentido global ao processo de realizar uma avaliação,

podendo diferir segundo a percepção teórica que guia a avaliação. Aqui está o

sentido e o significado da avaliação, como substrato, o da educação”

(ALVAREZ MENDEZ. 2002 p.29). Quando desligamos a avaliação do

conhecimento, nós a transformamos em ferramenta, um instrumental que serve

para tudo e qualquer coisa, portanto, a avaliação deve estar estreitamente

ligada à natureza do conhecimento.

Nessa dimensão, a tarefa do professor é despertar o interesse e a

curiosidade do aluno por aprender “e em ajudá

-lo a sentir, agir e internalizar as

normas e os critérios para julgar o que torna diferente o seu conteúdo particular

de aprendizagem como um modo próprio de criar , organizar e compreender a

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principal não é o que fazem os sujeitos que aprendem, mas como construíram

aqueles conhecimentos que possibilitam atuar de modos diferentes em novos e

não conhecidos contextos.

No que se refere à avaliação da aprendizagem pode-se afirmar que nem

tudo que é ensinado deve ser avaliado, ou nem tudo que é aprendido é

avaliável. Não sabemos sequer se aquilo que avaliamos, enquanto

professores, é o mais importante, o mais valioso.

Ao tratarmos, especificamente da avaliação da aprendizagem escolar, temos de ter em mente as relações pedagógicas estabelecidas em função do projeto educacional adotado, que por sua vez, é a expressão escolar do projeto de sociedade imposto pelas elites ou por elas acordado com as demais classes sociais. (...) A avaliação da aprendizagem escolar deve estar atenta não só aos indicadores colocados pelo projeto pedagógico, mas também ao projeto social hegemônico mais amplo e ao contexto no qual as relações sociais se dão (ROMÃO. 1999, p.40).

A avaliação deve estar a serviço da aprendizagem, “devemos reconhecer que

um bom ensino contribui positivamente para tornar boa a aprendizagem e que uma boa atividade de ensino e aprendizagem torna boa a avaliação” (ALVAREZ MENDEZ.

2002 p.36). Os exames, as provas, os exercícios avaliativos ou qualquer outra forma de avaliar deve, acima de tudo, estar a serviço da aprendizagem, do ensino, do currículo, e o mais importante de tudo, de estar a serviço do sujeito que aprende, o aluno.

3. O

PAPEL

DO

PROFESSOR

TUTOR

NOS

PROCESSOS AVALIATIVOS

O papel da tutoria nos processos de avaliação, segundo NEDER (2006) precisa ser desenvolvido em dois níveis:

(6)

 Apontar as falhas no sistema de tutoria;

 Avaliar, com base nas dificuldades apontadas pelos alunos, os materiais didáticos utilizados no curso;

 Informar sobre a necessidade de apoio complementar não previsto pelo projeto pedagógico;

 Mostrar problemas relativos à modalidade de EAD, a partir das observações e das críticas recebidas dos alunos;

 Participar do processo de avaliação do curso.

Já no que se refere ao do acompanhamento e avaliação do processo de ensino e aprendizagem precisa:

 Participar dos cursos e das reuniões de aprofundamento teórico relativo aos conteúdos trabalhados no curso;

 Realizar estudos sobre Educação a Distância;

 Conhecer e participar das discussões relativas à confecção e ao uso do material didático;

 Auxiliar o aluno em seu processo de estudo orientando-o individualmente ou em pequenos grupos;

 Estimular o aluno a ampliar seu processo de leitura, extrapolando o material didático;

 Auxiliar o aluno em sua autoavaliação;

 Detectar problemas dos alunos, buscando encaminhamento de solução;

 Estimular o aluno em momentos de dificuldades para que este não desista do curso;

 Participar ativamente do processo de avaliação de aprendizagem;

 Relacionar-se com os demais professores tutores, no desejo de contribuir para o processo de avaliação do curso.

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Para Freire, a base da educação é o diálogo.

uma educação que possibilitasse ao homem a discussão corajosa de sua problemática. Que o advertisse dos perigos de seu tempo(...) Educação que o colocasse em diálogo constante com o outro. Que o dispusesse a constantes revisões (FREIRE, 1983 p.90).

E o insucesso da educação, a crítica maior de Freire as práticas educacionais tradicionais reside exatamente na falta de diálogo, na impossibilidade do debate.

Não há nada que mais contradiga e comprometa a emersão popular do que uma educação que não jogue o educando às experiências do debate e da análise dos problemas e que não lhe propicie condições de verdadeira participação (Op cit. p.93).

Desta forma, para Freire o único modo de transmissão do saber (construção e/ou sistematização) é na dinâmica da comunicação, que deve ser, por princípio interpessoal/dialógica.

Nesse sentido, sua utopia é uma educação transformadora, que parta das coisas simples do cotidiano, de cada ato humano e possibilite ao sujeito, através de sua capacidade criativa e transformadora, sua libertação da condição de oprimido. O

instrumento de sua libertação será sempre a prática do diálogo. “A educação é um ato

de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da

realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa” (op cit, p.96).

(8)

Dessa Forma, se temos uma concepção autoritária da educação forçamos o aluno a se transformar em um depósito de saberes, mas, se concebemos a educação a partir das bases apresentadas por Paulo Freire, teremos

ao contrário, a escola cidadã, na qual se desenvolve uma educação libertadora, o conhecimento é (...) um processo de descoberta coletiva, mediatizado pelo dialogo entre educador e educando. (...) Na educação libertadora, a avaliação deixa de ser um processo de cobrança para se transformar em mais um momento de aprendizagem tanto para o aluno quanto para o professor (ROMÃO, 1999, p.88).

É importante destacar que o exercício do diálogo entre os professores e com os alunos, suas críticas e sugestões, devem levar o grupo de professores a repensar a proposta avaliativa a cada semestre, acrescentando novos elementos analíticos, retirando pontos identificados como dificultadores e inviabilizadores de um bom trabalho.

O professor deve pesquisar para ensinar e enquanto pesquisa e ensina, aprende; o aluno aprende a buscar as informações necessárias para o conhecimento que visa construir, e, nesta busca, traz elementos novos, colaborando com os colegas e com o próprio professor. A riqueza de um processo avaliativo desenvolvido no âmbito de uma prática docente cidadã está no acompanhamento desse percurso de construção através do dialogo constante entre docentes e discentes.

Contudo, para o professor a docência nem sempre é uma experiência tão tranqüila:

(...) o professor comparece com conhecimento tão respeitável que merece ser copiado. É difícil para ele aceitar que está no mesmo barco que o aluno, nadando nas mesmas águas de dúvidas. Aprender não é manejar certezas, mas trabalhar com inteligência as incertezas (DEMO, 2000, p.11).

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4. VAMOS PENSAR?

Enquanto tutor, qual seria sua atitude, se ao ler uma atividade avaliativa percebesse que o aluno não a cumpriu conforme os critérios descritos para resolução da referida atividade e não atingiu objetivos propostos.

5. PONTUANDO

Para se garantir que os objetivos democratizantes da EAD sejam

alcançados, a avaliação torna-se instrumento indispensável tanto para

aquelas instituições de ensino que assumem com seriedade o

compromisso da qualidade no desenvolvimento dos cursos a distância

quanto para o acompanhamento do processo de ensino-aprendizagem.

Para Azevedo e Gonçalves (2005) a avaliação na instituição de ensino

deve contribuir para a concretização de mudanças efetivas no sistema

educacional, desde as ações burocráticas/administrativas até as

didático/pedagógicas.

O papel da tutoria nos processos de avaliação, segundo NEDER (2006)

precisa ser desenvolvido em dois níveis: a) nível da análise e avaliação

do curso e da modalidade a distância e b) acompanhamento e avaliação

do processo de ensino e aprendizagem.

6. REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS

ALVAREZ MÉNDEZ, Juan Manuel.

Avaliar para conhecer:

examinar para

excluir. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.

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DEMO, Pedro. Conhecer e Aprender. Porto Alegre, RS : Artmed, 2000

FREIRE, Paulo. Extensão e comunicação? Tradução de Rosisca Darcy de Oliveira. 9ª edição, Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1977.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 15ª edição, Rio de janeiro:

Paz e Terra, 1983.

LITWIN, Edith (Org.) Educação a distância temas para o debate de uma nova agenda educativa. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

MEC. Referenciais de qualidade para Educação Superior a Distância. DF, 2007

Disponível em <

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12777%3Aref

erenciais-de-qualidade-para-ead&catid=193%3Aseed-educacao-a-distancia&Itemid=865 > Acesso em: 23 nov. 2011.

NEDER, Maria Lúcia C.A avaliação na Educação a Distância: significações para definição de percursos. In: PRETI, O. (Org.). Educação a Distância: inícios e indícios de um percurso. Cuiabá: EdUFMT, 2006.

ROMÃO, José Eustáquio. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. 2 ed. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 1999.

Referências

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