CAPACIDADE EM DEFESA ALIMENTAR NAS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS – ABORDAGEM SISTÊMICA
Fernanda Carvalho Peixoto* Cristiano Barros de Melo**
RESUMO
O presente trabalho discute o sistema de Defesa Alimentar e subsistemas, pontuando elementos da logística, da segurança em saúde1 humana e animal, do comportamento e da inteligência estratégica resultado de busca retrospectiva e descritiva sobre a ocorrência de surtos e catástrofes alimentares em diferentes contextos com reflexos na redução da capacidade militar e do poder de combate. Ao abordar questões sobre a percepção do risco com relação à vulnerabilidade das reservas militares de água e alimentos e os reflexos no estado de prontidão da força militar desdobrada, este texto busca projetar a inserção do presente tema em discussões afetas à defesa nacional intrinsicamente relacionada à operacionalidade da tropa. Trata-se de tema transversal que dialoga com diferentes setores securitários e estratégicos de interesse da soberania brasileira. A contaminação das reservas de água e alimentos pode levar ao desabastecimento e colapso de sua oferta e, desta maneira, pode ser utilizada como meio de dissuasão e desestabilização de uma força militar representando ameaça à defesa nacional. O desenho do presente estudo é majoritariamente qualitativo, exploratório-descritivo e de caráter analítico. A técnica de pesquisa pode ser utilizada foi revisão bibliográfica e análise de documentos. Este artigo faz parte do trabalho de tese de doutorado da autora no Curso de Pós-graduação em Ciências Animais da Universidade de Brasília, em andamento.
Palavras-chave: Defesa alimentar. Segurança alimentar. Doenças de transmissão
hídrica e alimentar. Forças Armadas Brasileiras. Sistemas. Capacidade militar. 1 Segurança em saúde refere-se às áreas em que interesses de segurança nacional e de saúde
pública se sobrepõem. ____________________
* Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Ciências Animais Universidade de Brasília (UnB), Mestre em Ciências dos Alimentos e Pesquisadora no Grupo de Doenças de Notificação Obrigatória e Vigilância Agropecuária Internacional da Universidade de Brasília. TC QCO Vet do Exército atuou na logística de subsistência em inovações para alimentação militar em campanha (rações operacionais), melhoria de processos no suporte a atividade de subsistência (Programa de Auditoria em Segurança Alimentar – PASA); e na coordenação da Comissão de Estudos de Alimentação das Forças Armadas – CEAFA (2013-2016), do Ministério da Defesa. E-mail: [email protected] ** Professor Associado da Universidade de Brasília (UnB), Doutor em Ciência Animal e Médico
Veterinário. Atua como pesquisador na área de Doenças Infecciosas de Notificação Obrigatória, Vigilância Agropecuária Internacional em aeroportos, portos e fronteiras, Biossegurança e Defesa Alimentar. E-mail: [email protected]
FOOD DEFENSE CAPABILITY IN BRAZILIAN ARMED FORCES - SYSTEMIC APPROACH ABSTRACT
This paper discusses the food defense system and subsystems, highlighting elements of logistics, human and animal health safety, behavior and strategic intelligence; this results from a retrospective and descriptive search of the occurrence of food outbreaks and catastrophes in different contexts, with a reduction of military capability and combat power. By discussing the perception of risk with regard to the vulnerability of military food and water reserves and the reflexes in the state of readiness of the deployed military force, this text seeks to insert food defense in discussions related to national defense, which are intrinsically related to the operability of a troop. Food defense is a cross-cutting theme that intersects with different security and strategic sectors of interest to Brazilian sovereignty. The contamination of water and food supplies can lead to a shortage and collapse of their supply; in this way, it can be used to deter and destabilize a military force, representing a threat to national defense. The design of the present study was mostly qualitative, exploratory-descriptive and analytical in character. The research technique used was a bibliographic review and document analysis.
Keywords: Brazilian Armed Forces. Food defense. Food safety. Military capability.
Systems. Water and foodborne diseases.
CAPACIDAD EN DEFENSA ALIMENTAR EN LAS FUERZAS ARMADAS BRASILEÑAS – ENFOQUE SISTÉMICO
RESUMEN
El presente trabajo discute el Sistema de Defensa Alimentar y subsistemas, puntuando elementos de la logística, de la seguridad en salud humana y animal, del comportamiento y de la inteligencia estratégica resultado de búsqueda retrospectiva y descriptiva sobre la ocurrencia de brotes y catástrofes alimentarias en diferentes contextos con reflejos en la reducción de la capacidad militar y en el poder del combate. Al abordar cuestiones sobre la percepción del riezgo con relación a la vulneralibilidad de las reservas militares de agua y productos alimenticios y los reflejos en el estado de prontitud de la fuerza militar desplegada, este texto tiene el objetivo de proyectar la insersión del presente tema en discusiones relacionadas a la defensa nacional intrínsecamente relacionada al funcionamiento de la tropa. Se trata de un tema transversal que dialoga con diferentes sectores relacionados a la seguridad y estrategia de interés de la soberanía brasileña. La contaminación de las reservas de agua y alimento puede llevar al desabastecimiento y colapso de su oferta e de esta manera, utilizada como medio de disuasión y desestabilización de una fuerza militar y representando amenaza a la defensa nacional. El dibujo del presente estudio es mayoritariamente cualitativo, exploratorio desciriptivo y de
carácter analítico. La técnica de investigación utilizada fue el repaso bibliográfico y análisis de los documentos. Este artículo hace parte del trabajo de tesis de doctorado de la autora en el curso de Posgrado en Ciencias Animales en la Universidad de Brasilia, en progreso.
Palabras-clave: Defensa alimentar. Seguridad alimentar. Enfermidad de transmisión
hídrica y alimentar. Fuerzas Armadas Brasileñas. Sistemas. Capacidad militar.
1 INTRODUÇÃO
“Disentery ... has been more fatal to armies than powder and shot”
(OSLER, 1892) Os surtos alimentares, resultantes da ingestão de água e/ou alimento contaminado, são capazes de desestabilizar uma força de reação militar e produzir muitas baixas, de modo que a oferta de alimento seguro é a garantia do emprego operacional, refletindo diretamente no tempo de engajamento do militar no combate e moral da tropa. Historicamente, água e alimento constituem ótimos substratos para a veiculação e dispersão no ambiente de microrganismos contaminantes. As síndromes, resultantes da ingestão de água ou alimento contaminado, são conhecidas como Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) ou Doenças Veiculadas por Alimentos (DVA). Em todo o mundo, as notificações dos casos de surtos por agentes biológicos das doenças alimentares apontam para um novo panorama epidemiológico caracterizado pela rapidez de propagação, alta patogenicidade e caráter cosmopolita (FRANCO, 2012).
Nesse sentido, o presente trabalho discute a crescente demanda e interesse em defesa alimentar, como contribuição para a garantia da defesa nacional de forma interdependente. Francisco Menezes, presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) (2004 a 2007), durante o V Seminário de Alimentação das Forças Armadas – V SEAL, realizado na Escola Superior de Guerra nos dias 21, 22 e 23 de novembro de 2007 e promovido pela então Secretaria de Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia do Ministério da Defesa, declarou não ser sustentável ao longo do tempo, a segurança alimentar e nutricional e as políticas que lhe dão base, se não houvesse a soberania do país para garanti-la.
Tema recorrente na agenda dos organismos internacionais, a Defesa Alimentar e os impactos que um ataque direcionado as cadeias alimentares e de serviços constitui é discutida em comitês e fóruns de especialistas no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) – (United Nations - UN); Organização Mundial de Saúde (OMS) – (World and Health Organization - WHO); Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) – (World Organization for Animal Health - OIE); Organização para Alimentação e Agricultura (Food and Agricultural Organization - FAO); Organização Mundial do Comércio (OMC) – (World Trade Organization - WTO); e Centro para Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention - CDC).
Mcdowell (2017) do Instituto de Tecnologia da Florida pesquisou sobre a complexidade da indústria alimentícia e a interdependência de suas componentes com reflexos diretos e indiretos na saúde humana e animal, dissertou acerca do crescente tráfico de produtos e organismos não declarados de presumível risco sanitário, aspectos relacionados à influência cultural de cada povo, os costumes e restrições religiosas (o mercado “kosher”, muçulmano e hindu); sobre o vultoso negócio das fraudes alimentares que segundo o Global Food Safety Initiative - GFSI)2 fatura de US$ 30 a 40 bilhões anualmente; o crescente número de recalls, em 2015, obrigou a mais de 120 companhias a retirar produtos contaminados de diferentes marcas de circulação; as barreiras comerciais e econômicas do agronegócio; e, no campo político, a prática de intervenção governamental no competitivo mercado internacional, todos determinantes na gestão de crises alimentares.
O presente trabalho é fruto do Acordo de Cooperação Técnico (ACT) 3 firmado entre a Universidade de Brasília (UnB) e o Ministério da Defesa (MD), com vistas à execução de pesquisas e ações sobre sanidade, defesa alimentar e biossegurança e, tem por objetivo contribuir na estruturação do Sistema de Defesa Alimentar das Forças Armadas brasileiras como suporte a operacionalidade da tropa.
2 DEFESA ALIMENTAR
A Defesa Alimentar4 tem como principal objetivo a proteção dos consumidores da contaminação intencional dos alimentos por agentes biológicos, químicos, físicos ou radiológicos. De modo correlato, a Segurança dos Alimentos estabelece padrões e procedimentos para a garantia da inocuidade do alimento em cada fase da cadeia produtiva, (obtenção, armazenamento, processamento, fracionamento, envase e distribuição) conhecido por “do campo a mesa” Ao longo da cadeia produtiva pode ocorrer a contaminação acidental, por desvios ou falhas do modo de produção, sendo mais vulneráveis os alimentos de origem animal e os preparados para o consumo coletivo (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 2001). A diferença conceitual se deve ao fato de a contaminação ser premeditada (food defense) ou não (food safety).
2 Global Food Safety Initiative (GFSI): Iniciativa Global de Segurança Alimentar é uma organização privada, criada e gerenciada pela associação internacional de comércio, Fórum de Bens de Consumo.
3 Processo n. 60310.000334/2016-87. ISSN DOU 1677-7069, nº 223, 22 nov. 2016.
4 Defesa Alimentar é a proteção de alimentos e bebidas e suas cadeias de suprimentos de quaisquer formas de ataque malicioso, incluindo ataques ideologicamente motivados que possam levar a contaminação ou falha do suprimento. PAS 96:2010.
A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) alerta para os riscos de veiculação em produtos e derivados de origem animal de agentes infecciosos e toxinas, encontrados na população animal, que representam ameaça à saúde pública, à segurança dos alimentos e à economia agropecuária. Cerca de 80% dos patógenos com potencial de serem utilizados como armas biológicas são zoonóticos; intercambiáveis entre a população humana e animal e em cada cinco doenças emergentes em humanos que aparecem por ano, três teriam origem em reservas animais5.
Sobel (2002) disserta acerca da viabilidade de ocorrência de um ataque bioterrorista às reservas de alimentos americanas abordando a estratégia nacional existente de um plano de preparo e resposta na perspectiva do Centro para Controle e Prevenção das Doenças (CDC). Micro organismos podem ser usados como arma biológica em ações terroristas, devido ao seu alto impacto, facilidade em aquisição e dispersão no ambiente produzindo um evento de massa de pânico e desordem social, de modo difuso, com casos esporádicos e aparentemente despercebidos ou mesmo, manifestados na forma de uma grande epidemia, a um custo relativamente baixo. Chama a atenção para o modo de produção americano centralizado e apoiado por uma larga malha logística de transporte e distribuição, o que favorece a rápida disseminação de um lote contaminado por todo o território nacional.
Outra abordagem inerente à vulnerabilidade da cadeia alimentar e modos de produção é tratada por Yannas (2014), no Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos Baseado no Comportamento, ao combinar conhecimento científico com elementos do comportamento humano e da cultura organizacional, com relação à adoção das boas práticas de fabricação dos alimentos e o desenvolvimento da percepção de risco por parte do manipulador, antecipando a interdisciplinaridade através da integração das ciências biológicas e sociais, e incorporando o “pensar sistêmico” (um sistema é uma entidade que mantém sua existência através da interação mútua entre suas partes) um dos pressupostos da Teoria Geral dos Sistemas de Bertalanfy (1977).
No setor privado, as contaminações em plantas de produção de alimentos não são raras, de modo que indústrias alimentícias e agências reguladoras têm avançado no desenvolvimento de mecanismos de prevenção e controle e, na obrigatoriedade das certificações de qualidade para a obtenção do alimento seguro. Um dos sistemas mais difundidos e adotados é o de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) (Hazard Analysis and Critical Control Point - HACCP) capaz de prevenir os riscos acidentais à segurança dos alimentos, predizendo a partir do conhecimento do produto e do processo o que poderá acontecer de errado (perigo), quando e como (ponto críticos de controle), de modo sistematizado e documentado, estabelecendo uma estratégia de prevenção das toxinfecções alimentares em âmbito globalizado 5 Biological threat reduction: OIE. Diosponível em: http://www.oie.int/en/our-scientific-expertise/
(ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 2001). Entretanto, este mesmo sistema é incapaz de prever os casos de contaminação alimentar intencional ou deliberada, geralmente envolvendo o público interno (insider) com livre acesso à produção e a diferentes motivações (funcionário insatisfeito, sabotagem, tentativa de extorsão etc.). A orientação para a Proteção da Cadeia de Alimentos e Bebidas de Ataques Deliberados (Guide to protecting and defending food and drink from deliberate
attack) recomenda a aplicação da Avaliação de Ameaças e Pontos Críticos de
Controle (AAPCC) - (Threat Assessment Critical Control Points - TACCP), ferramenta de prevenção e mitigação de ameaças à cadeia alimentar através da exaustiva avaliação e identificação das vulnerabilidades, e de todos que tenham acesso ao processo produtivo, constituindo o plano de defesa alimentar da empresa (THE BRITISH STANDARDS INSTITUTION, 2014).
No Brasil, o Ministério da Defesa por meio do Regulamento de Segurança dos Alimentos das Forças Armadas – MD 42-R 01 estabeleceu os requisitos essenciais das Boas Práticas e Procedimentos Operacionais para os Serviços de Alimentação em Organizações Militares, a fim de prevenir a ocorrência de contaminação dos alimentos preparados e distribuídos regularmente por uma cozinha militar. (BRASIL, 2015b).
Finalmente, em meio a este cenário multifacetado, o presente trabalho se propõe a discutir a capacidade em Defesa Alimentar militar brasileira de modo sistêmico, entendida como a garantia da inocuidade dos suprimentos militares de água e alimentos, frente às contaminações intencionais, devendo a estrutura de paz atender às situações de conflitos armados sem necessidade de maiores modificações.
3 DOENÇAS DE TRANSMISSÃO ALIMENTAR EM CAMPANHAS MILITARES
Cook (1999), em pesquisa retrospectiva sobre a influência das doenças diarreicas em campanhas militares e navais, descreveu o grande terror causado pela disenteria, peste e tifo durante as Cruzadas (século XI – XIII), responsáveis por produzir mais óbitos do que as injúrias nos campos de batalhas. No século XVI, de um modo geral, as diarreias eram atribuídas à mudança súbita da alimentação, mas no final do século XVII, crescia o consenso de que o sucesso das campanhas militares era determinado pela prevenção das doenças e, cuidados com a saúde e o bem-estar do combatente. Em 1752, Sir Jonh Pringle, escocês considerado o ‘pai da medicina militar’, reuniu nas Observations on the Difeafes of the Army in Camp Garrison as primeiras recomendações sanitárias de higiene nos acampamentos e durante as marchas militares, instituindo medidas básicas e eficientes como a de cobrir latrinas com terra, mudar o local do acampamento após a ocorrência de surtos e realizar a drenagem dos terrenos, entre outras; conhecidas por “Pringles principles”. Em plena Campanha Napoleônica (1803-1815), a causa mortis por doenças era, em geral, oito vezes maior que a provocada durante o confronto propriamente dito; milhares de franceses pereceram na Rússia e no Egito, por doenças diarreicas causadas por
múltiplos agentes e esse índice só iria baixar quase 50 anos mais tarde, durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), com a adoção de medidas sanitárias nos acampamentos militares. Ainda assim, durante este conflito, as baixas militares pelo binômio diarreia / disenteria contabilizariam cerca de 360.000 casos produzindo 21.000 óbitos ao final do conflito. Além da forma aguda, a diarreia crônica (Febre Tifóide), somaria novos 149 mil casos e 35 mil mortes em ambos os lados desta mesma guerra.
Cook (1999) segue descrevendo as inúmeras perdas entre ingleses e americanos causadas pela amebíase, tipo comum de infecção intestinal parasitária durante a Segunda Guerra Mundial. No Vietnã (1955-1975), o número de baixas de militares americanos por DTA foi superior aos casos de malária e, durante as primeiras seis semanas de ocupação na Coreia do Sul (Guerra da Coreia, 1950-1953), as forças americanas registraram 78.970 ocorrências desta afecção, atingindo uma média de 54 casos em cada grupo de 98 soldados. A campanha militar promovida pela Força Expedicionária Francesa na Indo China (1946-1954) sofreu inúmeras baixas, contabilizando cerca de 160 mil casos de colite amebiana, associados a shiguelose, a salmonelose e a cólera. Mais recentemente, durante a Guerra do Golfo (1990-1991) e, na Arábia Saudita, o índice de internações de soldados americanos decorrentes das infecções intestinais correspondeu a uma média de 5 a 10 % em cada grupo de mil americanos por semana.
Michel et al. (2014), em artigo realizado pelo Centro de Epidemiologia e de Saúde Pública das Forças Armadas da França, observam o alto risco sanitário e de saúde das tropas francesas operando em zonas epidêmicas e ou endêmicas para doenças infecciosas de países tropicais. Mencionaram que em 2013 o emprego de franceses em missões na África, América Central, América do Sul e Ásia foi superior a de 40 mil militares. Nesse contexto, a tropa deparou-se com casos prevalentes para as diarreias de transmissão fecal-oral, causadas por múltiplos agentes e outras doenças de veiculação hídrica e de transmissão per cutânea, por contato, como a leptospirose e a esquistossomose, esta última moléstia responsável pela infecção de 10 militares encarregados da reconstrução de uma ponte na Costa do Marfim.
Boni (2016), oficial médico veterinário francês, em artigo sobre a contribuição dos profissionais de saúde no apoio de suprimento durante as operações militares, observou que a salvaguarda dos reservatórios de água e de alimentos é na maioria das vezes negligenciada, tornando-os vulneráveis a ações de grupos terroristas.
Huerta et al. (2000) relataram um surto de diarreia envolvendo civis e militares, ocorrido nas Colinas de Golan, na Judeia, acometendo 175 soldados e 54 civis, decorrente da contaminação da água de abastecimento distribuída pela região com inadequada cloração e alta concentração de E. coli enterotoxigênica, em 1998.
Casos de gastroenterite aguda provocados por Norovírus (NV) em agrupamento militar são recorrentes, Grotto et al. (2004) relataram um surto ocorrido em Base Militar israelense no ano de 1999 acometendo 159 indivíduos. Após a realização de
investigação epidemiológica, foi constatada a falta das boas práticas de manipulação dos alimentos sugestivas de contaminação cruzada. No ano anterior, surto semelhante, explosivo, ocorreu no Forte Blis, em El Paso no Texas onde uma centena de militares adoeceu após o consumo de refeição (ARNESS et al., 2000).
No Exército de Portugal, as gastroenterites envolvendo múltiplos agentes virais enteropatogênicos, Norovírus GI (GI.3), Norovírus GII (GII 4 New Orleans),
Rotavírus, Adenovírus, Astrovírus e Sapovírus, associados ou não, foram descritos
após investigação retrospectiva por Lopes-João (2013). Levantamento, realizado no período de 2006 a 2012, relacionou os alimentos incriminados e as falhas mais comuns envolvidas na confecção das refeições. O Laboratório de Bromatologia e Defesa Biológica (LDBD) do Exército português monitora a qualidade dos serviços de alimentação das unidades militares através de vigilância epidemiológica ativa e passiva, constituindo equipes de segurança alimentar. Lopes-João et al (2015) registraram durante a realização de uma atividade de adestramento militar a ocorrência de um surto de gastroenterite tendo como causa o consumo de água oriunda de uma nascente.
Vários micro-organismos oportunistas são citados em surtos gastrointestinais ocorridos em hospitais militares. Em 1999, a unidade médica de campanha, Czech 6th Field Hospital, que deu assistência aos refugiados do Kosovo, apresentou um caso atípico. O agente envolvido Providencia alcalifaciens, bactéria incriminada em infecções hospitalares envolvendo o trato respiratório e urinário, foi encontrado em águas não tratadas, lixo e solo. O surto diarreico produziu ao todo 27 internações do
staff da unidade médica e teve como suspeita à contaminação de uma das refeições
servidas durante um almoço de confraternização, (CHLIBEK et al., 2013).
Em 2003, as tropas britânicas, que invadiram o Iraque, depararam-se durante várias semanas com condições de saneamento muito precárias. Nesse cenário, foi desdobrado um Hospital de Campanha que deu suporte a quase a metade da tropa com queixas de gastroenterite. Investigações epidemiológicas evidenciaram a presença de Calicivírus agravados pela desidratação e fadiga pessoal (BAILLEY et al., 2005).
Bechtol et al. (2011) relataram o caso de um soldado americano diagnosticado com brucelose após retornar de campanha no Iraque. As principais queixas – acentuada dor muscular acompanhada de fraqueza e os sintomas brandos de infecção, semelhantes aos de uma doença autoimune – dificultaram o diagnóstico final conclusivo para a enfermidade, elucidado pela anamnese onde constava o consumo de alimentos locais.
4 SITUAÇÃO GERAL
Após o ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, o Estados Unidos recrudesceram as medidas de controle de trânsito e comércio de produtos criando a Lei de Segurança da Saúde Pública e Prevenção e Resposta ao Bioterrorismo
(Public Health Security and Bioterrorismo Preparedeness and Response Act of
2002) ou simplesmente Bioterrorism Act/BTA aprovada pelo congresso
norte-americano em 12 de junho de 2002 para execução a partir de 12 de dezembro de 2003, interferindo diretamente na dinâmica de importação e exportação dos produtos agrícolas e alimentares. Entre outras medidas, a agência reguladora responsável pela área de alimentos e medicamentos americana (Food and Drug
Administration – FDA) passou a exigir a notificação prévia sobre todas as remessas
de alimentos importados pelos Estados Unidos, prática adotada pelos Escritórios de Alfândega e Proteção de Fronteiras (Bureau of Customs and Border Protection
- CBP), demonstrando a crescente preocupação com os eventos que poderiam
afetar a biossegurança agrícola nacional e o comércio internacional de commodities alimentares. O Congresso Americano considerou o agroterrorismo como uma vertente do bioterrorismo, definido como a introdução deliberada de animal ou vegetal capaz de afetar a pecuária ou o abastecimento de alimentos, gerando medo e instabilidade e causando grandes perdas econômicas6.
Mais recentemente, seguindo esta mesma orientação, o Congresso Americano através da Public Law 115-43, 115th Congress, de 30 de junho de 2017, intensificou os esforços de coordenação entre os setores de alimentação, agricultura e defesa veterinária contra o terrorismo (Coordination of Food, Agriculture, and Veterinary
Defense Against Terrorism) e as consequências à Segurança Nacional, objetivando
fornecer supervisão e integração das atividades dos departamentos relacionadas à saúde pública veterinária, defesa alimentar e segurança agrícola.7
O Centro para Controle e Prevenção das Doenças (CDC) elencou os principais agentes biológicos de veiculação hídrica e alimentar com potencial de emprego em um ataque bioterrorista: o Clostridium botulinum e a toxina botulínica; o Bacillus anthracis viável na forma de aerossóis; a Salmonella spp de fácil obtenção e alta resistência ambiental; a Shigella spp com baixas doses infectantes; a E. coli O 157 : H7 e as complicações da síndrome hemolítica urêmica (SHU), e o Vibrio cholerae O1 capaz de produzir surtos em larga escala. Quase todos esses micro-organismos são manipulados em laboratórios clínicos e de pesquisa, o que aponta para a necessidade de assegurar as medidas de bioproteção e biossegurança das instalações desta natureza. O receio é tão grande que, nos Estados-Unidos, a investigação de casos suspeitos de bioterrorismo com impacto na cadeia alimentar tradicional envolvendo as reservas de alimentos é conduzida pelo FDA em ação conjunta com a Agência de Inteligência Americana (Federal
Bureau of Investigation – FBI). Nesse sentido, existem diversos relatos da ocorrência
de contaminações propositais em alimentos nos Estados Unidos. Em 1984, uma seita religiosa com intenção eleitoreira contaminou deliberadamente com Salmonella
typhimurium os bufês de saladas de uma rede de restaurantes no estado do Oregon,
6 Disponível em: www.cfsan.fda.gov/~dms/fsbtact.html. Acesso em: 11 abr. 2019.
7 Disponível em: https://www.congress.gov/115/plaws/publ43/PLAW-115publ43.pdf. Acesso em: 11 abr. 2019:
provocando 751 casos de infecção gastrointestinal. Em 1996, um técnico laboratorial de uma universidade americana utilizou uma cepa de Shigella dysenteriae para contaminar colegas de trabalho deliberadamente. Casos assim podem passar despercebidos e incidentais, até que a investigação epidemiológica evidencie um padrão incomum de contaminação, sendo vital a rapidez na identificação e a retirada do produto de circulação (SOBEL et al. 2002).
Outra publicação deste Centro contabilizou por volta de 9,4 milhões de americanos por ano vítimas das síndromes diarreicas sendo 5,5 milhões de origem viral, 3,6 milhões de natureza bacteriana e 200 mil parasitárias. Foram identificados 31 patógenos, em ordem de virulência, destacando-se o Norovírus
(viroses gastrointestinais), sucedido pela Salmonella spp (salmonelose), Clostridium perfringens (clostridiose) e Campilobacter spp (campilobacteriose). Ultimamente, os
micro-organismos emergentes ganham cada vez mais importância epidemiológica em surtos e infecções gastrointestinais como a Listeria monocytogenes (listeriose) e o Toxoplasma gondii (toxoplasmose), responsáveis por altas taxas de internação e de mortalidade por ano (SCALLAN et al. 2011).
Em 2008, o Departamento de Defesa Americano (DoD) elaborou o Guia Técnico de Avaliação das Vulnerabilidades das Reservas de Água e Alimento Militar (Technical Guide 188: U.S. Army Food and Water Vulnerability Assessment Guide). Este protocolo estabelece medidas para o controle frente a ataques terroristas às infraestruturas do sistema de abastecimento de água e à contaminação das reservas de água bruta e tratada; e a identificação das vulnerabilidades das instalações de suprimento dos alimentos, parte do programa antiterrorista de Defesa. No exército americano, o serviço veterinário é encarregado pelo assessoramento no planejamento de ações em defesa alimentar avaliando as vulnerabilidades de segurança das instalações, dos processos e pessoas envolvidas e com acesso aos depósitos / reservatórios e dos meios de obtenção de água ou alimentos de uma organização militar (ESTADOS UNIDOS, 2008).
Em 2011, um surto provocado por Escherichia coli O 104 na Europa decorrente do consumo de alimentos crus evidenciou a capacidade de preparo e resposta militar americana. Até que o agente fosse identificado, no caso, micro-organismo emergente capaz de produzir uma toxina altamente agressiva; e o alimento contaminado, brotos produzidos em uma fazenda na Alemanha, retirado de circulação, cerca de 4.100 pessoas adoeceram e mais de 900 pacientes desenvolveram a SHU totalizando 50 óbitos. O epicentro da crise ocorreu na cidade de Hamburgo, na Alemanha, no período de maio a julho daquele ano. A elucidação do surto mobilizou várias autoridades e especialistas em saúde pública da Europa. Nesse período, o U.S. Army’s Public Health Command Region – Europe coordenou uma equipe multidisciplinar que realizou o monitoramento, a prevenção e a comunicação de risco da exposição à comunidade americana operando no território (militares e agentes de saúde) não havendo registro de internação (DODD; COOPER, 2012).
5 INTRODUÇÃO DE PATÓGENOS ATRAVÉS DAS FRONTEIRAS
O Código de Ética para o Comércio Internacional de Alimentos tem por objetivo a proteção da saúde humana e a prevenção das fraudes e desvios para os países membros, incluindo os responsáveis pela regulação e saúde do consumidor; garantindo assim a confiança na atividade do competitivo mercado internacional de alimentos. O Acordo sobre a Aplicação das Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (Sanitary and Phytosanitary Agreement – SPS) dos países membros da OMC objetiva manter o direito dos países de adotarem normas, regulamentos e medidas técnicas fitossanitárias que julgarem apropriados à proteção da saúde humana, dos animais e dos vegetais e, ao mesmo tempo, assegurar que tais medidas não sejam impostas arbitrariamente, o que resultaria em desnecessárias barreiras ao comércio, sendo aceito pelo Codex Alimentarius8 como garantia da inocuidade dos alimentos e segurança alimentar (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. 2001).
Sobre o assunto o Brasil depara-se com extensa faixa de fronteira e dez países vizinhos com diferente status sanitário que podem intercambiar agentes infecciosos e doenças inexistentes no território nacional. Por meio de estudo retrospectivo da observação do trânsito internacional fronteiriço terrestre em três unidades de vigilância agropecuária (Uvagros/MAPA), localizadas na região norte do país em Pacaraima, Assis Brasil e Epitaciolandia, em 2011 e parte de 2012, foram observados a circulação de laticínios, pescados, carnes e embutidos, produtos apícolas e veterinários procedentes do Peru e Bolívia e o trânsito rodoviário clandestino de aves comerciais oriundos da Venezuela. (EIDT et al., 2015).
A dimensão do impacto econômico de uma catástrofe sanitária pode ser avaliada nos dois últimos episódios de Febre Aftosa ocorridos no Reino Unido em 2001 e 2007, respectivamente. No caso de confirmação de foco, é declarado o estado de emergência veterinária na área e proibida a saída de animais susceptíveis ou não à doença, e de quaisquer outros produtos ou materiais que possam vir a veicular o agente viral, incluindo restrição no trânsito de veículos e de pessoas não autorizadas e estabelecida a política de sacrifício animal. O primeiro dos surtos foi responsável pelo sacrifício de cerca de seis milhões de bovinos a um custo de US$ 6,9 bilhões e foram necessários 18 meses até a completa normalização dos acordos comerciais existentes. Em 2007, um novo surto de aftosa, localizado e de duração menor, resultou no sacrifício de 2.160 milhões de animais a um custo de US$ 200 milhões até a sua completa erradicação 9.
8 O Codex Alimentarius (do latim Lei ou Código dos Alimentos) é uma coletânea de normas
alimentares adotadas internacionalmente e apresentadas de modo uniforme, que inclui disposições de natureza consultiva na forma de códigos de práticas, diretrizes e outras medidas recomendadas. 9 Disponível em: https://www.oda.state.ok.us/ais/atwhatcost.pdf. Acesso em: 11 abr. 2019.
Em 1978 no Brasil, ocorreu pela primeira vez a peste suína africana, até então o país era indene, acarretando severas perdas econômicas. No total foram 24 notificações no estado do Rio de Janeiro que custaram, em valores da época, US$ 13 milhões, o sacrifício de 66.902 animais, e o desemprego de mais de duas mil famílias que viviam direta ou indiretamente do negócio. O vírus da peste suína foi introduzido através de restos da alimentação de bordo (cathering) contaminados que chegaram de voos oriundos de Portugal e Espanha no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e que estavam sendo reaproveitados na alimentação de animais por um criador de porcos em Paracambi/RJ (MOURA, et al. 2010).
No campo acadêmico-científico, a Universidade de Brasília (UnB) vem atuando juntamente com a Vigilância Agropecuária Internacional na realização de pesquisa investigativa voltada ao monitoramento do trânsito ilegal de produtos de origem animal ou insumos com potencial de contaminação, introdução de agentes patogênicos ou exóticos por fronteiras via portos, aeroportos e fronteira seca colaborando diretamente na prevenção de catástrofes sanitárias.
Nesse contexto, recentes publicações descreveram o trânsito clandestino de alimentos de origem animal por aeroportos brasileiros, sem a certificação sanitária internacional. Em trabalho coordenado com autoridades agropecuárias e alfandegárias, De Melo et al. (2014a) confirmaram por testes moleculares realizados no Laboratório Nacional Agropecuário de Minas Gerais, LANAGRO-MG, a presença de microrganismos contaminantes com potencial zoonótico, como a Brucella spp, o Mycobacterium bovis e o Mycobacterium avium sub sp.
paratuberculosis em produtos lácteos, na bagagem de passageiros em trânsito
no Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP e no Aeroporto do Galeão/RJ. Em outra publicação e com o auxílio de scanner contabilizaram a apreensão de 657,40 Kg de carnes e derivados, laticínios, mel, ovos e produtos exóticos, em período pouco maior que cinco meses, nas bagagens de passageiros em um único aeroporto brasileiro de modo aleatório, delineando pela primeira vez o perfil do passageiro mais propício de cometer esta transgressão (DE MELO et al., 2014b).
Na mesma linha de pesquisa, Jansen et al (2019) apresentam indicadores de contaminação alimentar para patógenos zoonóticos que representam ameaça potencial, aliado à crescente resistência bacteriana, à saúde pública humana e animal, quando veiculados em produtos de origem animal importados ilegalmente na União Europeia. Esses produtos são vetores de doenças alimentares emergentes mantidos viáveis graças à contaminação cruzada e falhas higiênico-sanitárias de manipulação e processamento, favorecendo a ocorrência de surtos de larga escala, transfronteiriços, e que representam severos impactos socioeconômicos; muitas vezes disseminados por meio das rotas tradicionais comerciais e por movimentos migratórios.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A alimentação dos militares impõe uma logística de apoio complexa e ágil, capaz de sustentar a duração da ação em condições adversas e restritivas, quando desdobradas. A sua preparação torna-se um dos fatores mais importantes para a saúde, bem-estar e manutenção do moral da tropa. Nesses casos, deve ser dada especial atenção às boas práticas de manipulação dos alimentos, à proteção das reservas de água e aos depósitos de alimentos, ao descarte das sobras, dos resíduos e dos restos de comida preservando as condições ambientais, sanitárias e de higiene na zona de ação (BRASIL, 2017a).
Desde 2005, o Ministério da Defesa institucionalizou a segurança dos alimentos acompanhando a tendência mundial de atuar nos serviços de alimentação com requisitos de qualidade gerencial e promoção das boas práticas de fabricação através do Regulamento de Segurança dos Alimentos das Forças Armadas – MD 42-R-01 (BRASIL, 2017b).
Coelho (2016), da Agência de Inteligência Brasileira (ABIN), em trabalho intitulado, Emergências em saúde pública por eventos químicos, biológicos,
radiológicos e nucleares (QBRN) na perspectiva da inteligência estratégica:
recomendações em prol da intersetorialidade na segurança da saúde e na biodefesa, sugere a associação de elementos da cultura de segurança e de inteligência do Estado no apoio à segurança em saúde e a transmilitarização da defesa química, biológica, radiológica e nuclear (DQBRN) apontando recomendações para a otimização intersetorial de ação do Estado na área de prevenção, preparo e resposta a emergências de saúde pública por eventos QBRN.
O Departamento de Defesa Americano no final da década de 80 lançou o conceito de capacidades militares 10, como uma nova forma de planejamento de defesa capaz de dar conta do imprevisto, e de atender a um conjunto diversificado de cenários de risco (RODRIGUES, 2013). A sustentabilidade é a capacidade militar responsável por manter o nível de prontidão durante a atividade operacional, perfeitamente identificada como objetivo deste estudo. Furcolin et al. (2013) corroboraram a importância do planejamento baseado em capacidade operacional entre a defesa e a segurança pública para a prevenção de atos terroristas, manutenção da segurança de infraestruturas críticas e implementação de medidas de defesa civil.
De modo complementar, citamos a Estratégia Nacional de Defesa que estabele entre as suas diretrizes “estruturar o potencial estratégico em torno de capacidades” (BRASIL, 2017).
Ao final desta discussão, buscamos correlacionar a garantia de oferta de água e alimento seguro como elemento crítico à sustentação da operacionalidade da tropa, e consequentemente da eficiência militar.
10 Capacidade militar (Military Capability) é a habilidade de se atingir um determinado objetivo de guerra e inclui: estrutura de força, modernidade tecnológica, prontidão operacional e sustentabilidade. Fonte: US Department od Fefense dicitonary of Military and associated Words, 2003. Disponível em http://www. answers.com//library/USMilitary-cid-1677649300. Acesso em: 11 abr. 2019.
Por fim, se torna imprescindível ressaltar o caráter transversal dos assuntos tratados no presente trabalho, dialogando com diversos setores da segurança em saúde e da defesa nacional, no qual cada vez mais se é instado a planejar, dar soluções e mediar conflitos, na perspectiva da prevenção, da intersetorialidade e da interoperabilidade das Forças Armadas. O sistema alimentar é dinâmico e multifacetado, dependente de fatores ditados pelo contexto logístico e operacional. Em uma crise alimentar o risco é real, as consequências dramáticas e a habilidade e o tempo de reação, determinante.
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Recebido em: 10 nov. 2018 Aprovado em: 20 mar. 2019