• Nenhum resultado encontrado

DEBATE TEÓRICO SOBRE A CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL DA AMAZÔNIA

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2019

Share "DEBATE TEÓRICO SOBRE A CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL DA AMAZÔNIA"

Copied!
11
0
0

Texto

(1)

DEBATE TEÓRICO SOBRE A CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL

DA AMAZÔNIA

Leandro Roberto Carneiro1

I. INTRODUÇÃO

O imenso território da Amazônia brasileira2, equivalente a 59% da área total do Brasil (IBGE; 2007), foi desde os primórdios da conquista do Novo Mundo, um alvo de interesse e cobiça internacional. Dessa maneira é fundamental pensar a configuração territorial da Amazônia no seu contexto histórico, pois as ações políticas realizadas na região são de grande importância para a soberania do Brasil.

Ainda no século XVI a Amazônia despertou interesses de ingleses, irlandeses e franceses, que realizaram um reconhecimento da região, apontando a Amazônia como “um mundo paradisíaco que faria a felicidade do gênero humano” (Antonio Filho; 1995: 21). Portugal empreendeu expedições na Amazônia de acordo com a sua prática administrativa, criando capitanias, mas que não resultaram em sucesso na região. Outras estratégias também foram adotadas, como a sesmaria3 e a ação de missionários, que realizaram um papel fundamental para a consolidação de uma sociedade eminente na Amazônia.

(...) a estratégia da Coroa portuguesa para ocupar espaços e fixar seus súditos, em área tão vasta como a Amazônia, levou em consideração a necessidade de miscigenação entre o português, colono ou soldado, com a mulher indígena. (ANTONIO FILHO; 1995: 27)

1 Graduando em Geografia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus Rio

Claro, IGCE.

2 A Amazônia Legal, estabelecida no artigo 2 da lei nº 5.173, de outubro de 1966, abrange os estados do

Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, parte do Maranhão e cinco municípios de Goiás. (http://www.ibge.gov.br)

3 Instituto jurídico português que normatizava a distribuição de terras destinadas à produção. A principal

(2)

Darcy Ribeiro denominou essa ação como “cunhadismo”4, importante componente estratégico na colonização e ocupação da Amazônia. Essa prática consistia no uso indígena por meio de relações sexuais, com o objetivo de incorporar estranhos (colonos) na comunidade. Ao engendrar a moça indígena como esposa, o colono entrava no sistema de parentesco dos índios, facilitando o aliciamento dos mesmos.

Essas tentativas primitivas de exploração da Amazônia destacam o aspecto econômico da colonização portuguesa. O objetivo central colonial era transformar o território da Amazônia na agroindústria açucareira. Entretanto, a produção da cana-de-açúcar não se tornou um empreendimento rentável, principalmente devido às condições específicas do clima e do solo, que não favoreceram o desenvolvimento da monocultura. Como primordialmente o desenvolvimento da região dependeu, neste primeiro momento, das características naturais do meio, é possível inferir que o meio natural na Amazônia comandou, direta ou indiretamente, as ações humanas na região. Dessa maneira, o processo econômico e conseqüentemente a organização social se dispersou, em razão da pobreza das técnicas e do predomínio das características naturais. (SANTOS; SILVEIRA; 2002)

(...) o fracasso do sistema de capitanias na Amazônia, se de um lado se deu, como no resto da colônia, devido ao desinteresse do donatário, sem iniciativa ou sem recursos para ali investir, do outro lado teve como causa uma espécie de centrifuguismo demográfico, tornando inviável qualquer empreendimento econômico que levasse a concentração e fixação do homem. Embora o propósito inicial fosse de implementar uma agricultura latifundiária nestas capitanias amazônicas, os capitães donatários, seus descendentes e os outros colonos devem ter sofrido uma maior atração pela aventura de se embrenhar pelos sertões em busca do lucro certo obtido pelas drogas ou especiarias. (Antonio Filho; 1995: 31)

Em contraste com a maioria das capitanias que permaneceram como vazios demográficos, algumas conseguiram prosperar e se sobressair, resultado da insistência de donatários, que mesmo num período pré-técnico5, alcançaram em seus domínios certo progresso (Antônio Filho; 1995). As primeiras ocupações na Amazônia brasileira se constituíram em atividades econômicas centradas nas especiarias extraídas da floresta, demonstrando o predomínio do meio natural na relação sociedade colonial e natureza.

4 RIBEIRO, Darcy.

O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das

Letras, 1995.

5 Milton Santos divide a história do meio geográfico (grosso modo) em três etapas: o meio natural, o meio

(3)

Quando tudo era meio natural, o homem escolhia da natureza aquelas suas partes ou aspectos considerados fundamentais ao exercício da vida, valorizando, diferentemente, segundo os lugares e as culturas, essas condições naturais que constituíam a base material da existência do grupo. (SANTOS; 1999: 187)

Inegavelmente, o produto do extrativismo mais importante para a Amazônia, sob o ponto de vista econômico, foi a borracha. Ao longo de décadas o centro das atenções econômicas, principalmente do capital internacional, estava voltado para a seringueira6 da Amazônia. Mas apesar do avanço da economia da borracha ter se estabelecido na região, uma grande crise enfraqueceu o desenvolvimento dessa atividade. Grupos internacionais criaram a borracha sintética, economicamente mais rentável que a produzida pelo extrativismo.

Neste quadro, insere-se a alienação das elites nacionais, aspecto, aliás, comum das elites latino-americanas, que pode ser expressa, no caso da Amazônia brasileira, pelo desinteresse político do governo central pelo jogo das potências da época, no mercado mundial da borracha. (Antonio Filho; 1995: 61)

Dessa maneira, a exploração empreendida no conhecido “ciclo da borracha”, foi um período onde se objetivava somente atender, emergencialmente, a crescente demanda mundial da borracha na intensa industrialização dos Estados Unidos e da Europa, não se efetivando nenhuma política para desenvolver a região amazônica no Brasil. Assim, é possível inferir que no ciclo da borracha, a Amazônia brasileira foi inserida na divisão internacional do trabalho, pois se transformou em recurso natural do mundo, uma vez que a divisão do trabalho pode ser compreendida como um processo onde os recursos disponíveis se distribuem geograficamente. (SANTOS; 1999)

Os recursos do mundo constituem, juntos, uma totalidade. Entendamos, aqui, por recurso, toda possibilidade, material ou não, de ação oferecida aos homens (indivíduos, empresas, instituições). Recursos são coisas, naturais ou artificiais, relações compulsórias ou espontâneas, idéias, sentimentos, valores. (SANTOS; 1999: 106)

A produção de borracha através do extrativismo na Amazônia foi substituída pelo desenvolvimento técnico, que criou um produto artificial economicamente mais rentável. No entanto, esse primeiro período de exploração da Amazônia brasileira, contribuiu para configurar um lugar com grande potencialidade de recursos naturais.

(4)

Instituições que buscavam promover a extração da borracha foram modernizadas. O Banco de crédito da borracha, por exemplo, foi transformado no Banco da Amazônia e a SPVEA7 foi transformada na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) (BECKER; 2001).

Aliado ao avanço da modernidade tecnológica, a produção capitalista do espaço geográfico, (sob a ótica do progresso e do consumo irrestrito dos recursos naturais) culminou em uma crise ambiental no mundo. Destarte, todo o aparato técnico-informacional disseminou uma nova ideologia na economia capitalista: o desenvolvimento sustentável. No âmbito da Amazônia, trata-se de um novo período do uso do território brasileiro.

II. CAPITALISMO E A CRISE AMBIENTAL

O desenvolvimento econômico na história do sistema capitalista agravou a condição do meio ambiente como espaço sustentável do homem. Dessa maneira, a priori, temos a indissociabilidade do capitalismo na crise ambiental como ator de efeitos nocivos, por meio do seu modo de produção, distribuição e consumo, pressupostos da consolidação desse sistema, que instalou o paradigma do crescimento econômico como progresso, explorando de maneira desenfreada os recursos naturais.

Em termos de relação sociedade-natureza, o paradigma do sistema capitalista, que se generalizou com o industrialismo, é a economia de fronteira (BOULDING, 1966). Nesse paradigma, o progresso é entendido como crescimento econômico e prosperidade infinitos baseados na exploração de recursos naturais percebidos como igualmente infinitos. (BECKER; 2008: 224)

No entanto, a posteriori, é possível constatar uma ideologia ambientalista em transformar a situação agravante do meio ambiente em oportunidade estratégica de vincular produção-consumo com uma alternativa de preservação da natureza: a sustentabilidade.

Cada gota faz bem para você. Cada gota faz bem para o mundo à sua volta. Cada gota vale à pena. Todo produto da Coca-Cola Brasil hidrata. Afinal, todos são feitos com água. Além de ser nossa matéria-prima básica, a água é essencial para a vida de todos os seres vivos. Por isso, consumindo as bebidas da Coca-Cola Brasil, você ajuda a realizar projetos ambientais e sociais, como o Programa Água das Florestas. Ao reflorestar as matas que

7 A Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia foi criada em 1953 no governo

(5)

ficam nas margens dos rios, a gente protege as águas, preservando ecossistemas e gerando mais vida para os leitos. Em outras palavras, você se hidrata e mesmo sem querer faz o mesmo com os rios. (Propaganda da Coca-Cola. Revista Época, 2008)

Dessa maneira temos não somente a separação do capitalismo como protagonista na crise ambiental, como também uma associação paradoxal entre seu sistema econômico e o uso protetor dos recursos ambientais. O desenvolvimento deixa de ser problema e passa, através do discurso ideológico, a ser solução.

(Propaganda do Bradesco. Revista Época, 2008)

Quando as corporações, através da mídia e pautadas na ciência8, conseguem presumir as mudanças abruptas do quadro natural, elas se preparam para tirar partido desse acontecimento. O quadro informacional, mediado pela ideologia das corporações, difunde um dissimulado compromisso diante da questão ambiental. Segundo a pesquisa do Instituto Akatu, 74% dos brasileiros querem comprar produtos que não degradam o meio ambiente (FERREIRA, 2008). Vender uma boa imagem ambiental virou um bom negócio para as empresas, no momento de alarde de crise ambiental e da ideologia da consciência ecológica.

8 Michel Foucault em seu livro “Microfísica do Poder” traz uma grande contribuição para compreender a

(6)

(Capa da Revista Época, 2008)

A mediação interessada, tantas vezes interesseira, da mídia, conduz, não raro, à doutrinação da linguagem, necessária para ampliar o seu crédito, e à falsificação do discurso, destinado a ensombrecer o entendimento. O discurso do meio ambiente é carregado dessas tintas, exagerando certos aspectos em detrimento de outros, mas, sobretudo, mutilando o conjunto. (SANTOS; 1994: 22)

A crise ambiental e o discurso do desenvolvimento sustentável instalaram um novo paradigma dentro do modelo capitalista. O desenvolvimento sustentável é regido a partir das decisões internacionais da economia e aplicado através da extorsão do território, apropriando das riquezas nacionais e transformando a questão ambiental em “agenda política de países e entre países” (RODRIGUES; 2005: 92)

Os elementos da natureza, as riquezas naturais, as matérias-primas passaram a ser “recursos naturais” que devem ser utilizados para a reprodução ampliada do capital, mas, ao mesmo tempo, têm de ser preservadas, sem contradições e conflitos, pois tudo se resolverá no futuro. As riquezas naturais são mercadorias desde o advento do capitalismo, porém a mercadificação atinge novas dimensões, em especial com a hegemonia do pensamento neoliberal, a financeirização da economia. (RODRIGUES; 2005: 100)

(7)

III. O VETOR TÉCNICO-ECOLÓGICO NA POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DA AMAZÔNIA

A inserção da Amazônia na divisão internacional do trabalho9 obrigou o país a intensificar sua política de fronteira, ou seja, o progresso através do industrialismo acelerado e baseado na exploração de recursos naturais (BECKER; 2008). O regime militar da época desenvolveu um aparato tecnológico para intensificar a modernização do território da Amazônia. O conjunto de programas e planos governamentais permitiu o controle técnico e político na região. Somente nos últimos 30 anos, seis diferentes programas de desenvolvimento regional com ações estatais e privadas foram sobrepostas na Amazônia (KOHLHEPP; 2002).

Na primeira metade dos anos 70 o “Programa para Integração Nacional” (PIN) buscou o desenvolvimento da infra-estrutura da região, realizando construções de estradas, como a Transamazônica. Na segunda fase as estratégias de planejamento regional na Amazônia foram concentradas no conceito de pólos de crescimento, o programa “Polamazônia” de 1974 a 1980, atraiu investidores de capital nacional e internacional que pleiteavam reduções de taxas tributárias. Os projetos de fazendas de gado causaram grandes desmatamentos na floresta, mas foi a exploração de recursos minerais um dos objetivos centrais desse programa de desenvolvimento, com difusão de licenças para exploração cedidas a empresas nacionais e internacionais (KOHLHEPP; 2002).

O fracasso do projeto das fazendas de gado impulsionou novas idéias de colonização agrícola na Amazônia, dessa vez com pequenos agricultores. O “programa de desenvolvimento rural integrado” do início dos anos 1980 desenvolveu a concepção de “desenvolvimento de baixo”, mas não conseguiu avançar na região. A principal barreira foi impulsionada pelo aumento do número de terras apossadas e dos assentamentos descontrolados, que desmataram grandes áreas da floresta e em muitos casos grileiros oportunistas expulsaram assentados (KOHLHEPP; 2002). Diante desses problemas, os mega-programas de desenvolvimento se restabeleceram na região com grande força. O maior exemplo foi o projeto “Grande Carajás”, que apresentou forte dependência do mercado mundial para realizar obras de infra-estrutura, mineração e

9 Retomar a introdução no trecho sobre o ciclo da borracha, período onde é possível perceber a Amazônia

(8)

indústria na jazida de minerais da serra dos Carajás. Entretanto, o crescimento econômico proporcionado pelos grandes programas de desenvolvimento avançou em conjunto com a degradação da floresta, estabelecendo mudanças nos modelos de desenvolvimento.

A mudança nas estratégias de desenvolvimento para um conceito sadio do ponto de vista ambiental e social foi uma das diretrizes básicas da nova política regional para a Amazônia anunciada pelo recém-criado Ministério do Meio Ambiente (MMA/SCA, 1995), após a desordem social e ecológica ter prevalecido em alguns setores dessa região nas últimas três décadas. (KOHLHEPP; 2002: 42)

O “Programa Piloto Internacional para Conservação das Florestas Tropicais Brasileiras” contou com a participação internacional dos países do G710 e do Banco Mundial, que discursavam sobre a preocupação com a destruição do meio ambiente.

O último mega-programa estabelecido na região, o “Avança Brasil”, fez parte da intervenção estatal como medida para melhorar o planejamento de infra-estrutura, desenvolvendo aparatos de controle técnico e político do território. Diversos tipos de redes e conexões foram estabelecidos para controlar fluxos e estoques, tendo as cidades como base logística para a ação (LEFEBVRE apud BECKER; 2001). Nesse contexto a Amazônia assumiu um duplo significado político, a responsabilidade para a sobrevivência humana e o avanço do “capital natural”.

Sua extensão, que deve ser encarada em conjunto com a Amazônia sul-americana, constitui incrível patrimônio de terras e de capital natural, sua posição geográfica é estratégica entre os grandes blocos regionais, e a biodiversidade é base da fronteira da ciência na biotecnologia e biologia molecular. Configura-se, então, uma forte disputa entre as potências pelo controle do capital natural da região, ao mesmo tempo em que movimentos sociais pressionam por sua preservação. (BECKER; 2001: 143)

A crise ambiental e a revolução técnico-científica resultaram na mudança do plano de desenvolvimento baseado na economia de fronteira11 para um novo paradigma: o desenvolvimento sustentável. A idéia desse novo modelo é conciliar o progresso com o uso sustentável dos recursos naturais, ou seja, máximo nível de eficiência e mínimo desperdício.

10 Grupo internacional que reúne os sete países mais industrializados e desenvolvidos economicamente do

mundo, mais a Rússia. Fazem parte do grupo: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá.

11 O progresso através do industrialismo acelerado e baseado na exploração de recursos naturais

(9)

Num quadro de economia mundial unificada, os investimentos tornam-se seletivos, verificando-se uma tendência a um verdadeiro zoneamento em escala global, em que se distinguem centros de inovação tecnológica, áreas desindustrializadas, áreas por onde se difundem a indústria e a agroindústria menos sofisticadas, e também áreas a serem preservadas, como a Amazônia, na medida em que o novo modo de produzir valoriza a natureza como capital de realização atual e/ou futura. (BECKER; 2008: 226)

Essa concepção de desenvolvimento impulsionou a força do Vetor Técnico-Ecológico, que combina a pressão ambientalista e a disputa externa e governamental pelo controle do capital natural e do território. “A cooperação internacional financeira e/ou técnica está presente em todos os projetos ambientais” (BECKER; 2001: 144).

As várias ações que o Estado brasileiro tomou para investir no aparato de controle da Amazônia culminou na criação de órgãos e programas a partir desses investimentos internacionais. As medidas incluíram a criação do IBAMA, do Ministério do Meio Ambiente, da Amazônia Legal e entre outros órgãos de planejamento a SUDAM.

A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia é vinculada ao Ministério da Integração Nacional, e tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável e a integração regional na economia nacional e internacional. A política da superintendência, no entanto, tem demonstrado grandes paradoxos no seu gerenciamento. Os investimentos financeiros através de fundos estrangeiros, contribuem para a implantação, ampliação, modernização e diversificação de empreendimentos privados, possibilitando a constituição de um grande espaço extrovertido na região. Atualmente, a maior parte da produção científica sobre a Amazônia é sustentada por agências internacionais (FUJIYOSHI; 2004)

A introdução de novas tecnologias na política territorial da Amazônia possibilita uma grande atuação no controle das áreas destinadas para atividades específicas, como unidades de conservação, setores da agroindústria, reservas indígenas, corredores de produção e exportação etc., que buscam conciliar o crescimento econômico e a sustentabilidade do meio ambiente.

O resultado da estratégia do vetor técnico-ecológico (aliado à ciência e às

geotecnologias) no desenvolvimento da Amazônia, ainda é incerto, principalmente por

(10)

política de controle do território. Carece nesse momento o debate aprofundado sobre o

significado de uma nova geopolítica e os desafios para a soberania do Brasil.

IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho teve o intuito de analisar12 com necessária fundamentação teórica a configuração territorial da Amazônia por meio do seu processo histórico. O caminho escolhido foi o debate, pois a reflexão (o pensamento sobre o pensamento) é de extrema importância para o estudo da ciência.

Diante de sua potencialidade, a Amazônia brasileira ganhou notoriedade tanto para a configuração territorial do Brasil, como para a política internacional. Trata-se de um novo período do uso do território brasileiro diante da divisão internacional do trabalho, que coloca em voga novas questões como o biopoder, mercado do carbono, especulação energética, biopirataria etc. Neste contexto, um novo significado de geopolítica surge, não mais atuando “na conquista de territórios, mas sim na apropriação da decisão sobre o seu uso.” (BECKER; 2007: 21)

As peculiaridades na configuração territorial da Amazônia demonstram que a região Norte do Brasil está em constante processo de formação. O fator natureza, a integração nacional, a geopolítica, os conflitos e as contradições, as tecnologias da informação e controle, são fatores que explicitam que a extrovertida política de ocupação regional colonizadora precisa ser completamente superada por um projeto de desenvolvimento, onde de maneira soberana, o uso da Amazônia efetive a justiça social no Brasil.

V. BIBLIOGRAFIA

ANTONIO FILHO, F. D. A visão da Amazônia brasileira: uma avaliação do pensamento geográfico entre 1900-1940. Rio Claro: [s.n.], 1995, 246f.

BECKER, B. K. Amazônia: Geopolítica na virada do III milênio. Rio de Janeiro: Garamond, 2007.

12 Interpretar (observar e entender), explicitar os conceitos que estão por trás do texto (fundamentação

(11)

______. Redefinindo a Amazônia: O Vetor Tecno-Ecológico In: Castro, I. E; Gomes, P. C. C; Corrêa, R. L; orgs. Brasil: Questões Atuais da Reorganização do Território. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008. Parte III, p. 223-244.

______. Revisão das políticas de ocupação da Amazônia: é possível identificar modelos para projetar cenários? Parcerias Estratégicas, nº 12 (setembro de 2001). Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia Centro de Estudos Estratégicos, setembro 2001.

______. A (des)ordem global, o desenvolvimento sustentável e a Amazônia In: Becker, B. K; Christofoletti, A; Davidovich, F. R; Geiger, P. P; orgs. Geografia e Meio Ambiente no Brasil. São Paulo - Rio de Janeiro: Hucitec, 1995. Parte I, p. 46-64.

FERREIRA, J. A. T. A competição das empresas pela consciência verde In: Revista Época: edição verde. Rio de Janeiro: Globo, 2008, nº 515.

FUJIYOSHI, Sílvia. A presença da pesquisa estrangeira na Amazônia. Cienc. Cult. [online]. 2004, v. 56, n. 1, pp. 9-11. ISSN 0009-6725.

GONÇALVES, Carlos Walter P. Os descaminhos do meio ambiente. São Paulo: Contexto, 1990.

KOHLHEPP, G. Conflitos de interesse no ordenamento territorial da Amazônia brasileira. Estudos Avançados, São Paulo, v. 16 n. 45, p. 37-61. 2002. Disponível em:

http://www.scielo.br/pdf/ea/v16n45/v16n45a04.pdf

RODRIGUES, A. M. A Questão Ambiental e A (Re)Descoberta do Espaço: Uma Nova Relação Sociedade/Natureza?. Boletim Paulista de Geografia, São Paulo: AGB, n. 73, p. 35-72, 1994.

______. Problemática ambiental = agenda política espaço, território, classes sociais. Boletim Paulista de Geografia, São Paulo: AGB, n. 83. p. 91-109, dez. 2005.

SANTOS, M. A Natureza do Espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1999.

______.Técnica, Espaço, Tempo: Globalização e Meio Técnico Científico Informacional. São Paulo; Hucitec, 1994.

SANTOS, M. SILVEIRA, M. L. Do meio natural ao meio técinco-científico-informacional In: ______. O Brasil: Território e Sociedade no Início do Século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2002.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. http://www.ibge.gov.br. Acessado em: 10 de junho de 2009: 18h33m.

Referências

Documentos relacionados

Após extração do óleo da polpa, foram avaliados alguns dos principais parâmetros de qualidade utilizados para o azeite de oliva: índice de acidez e de peróxidos, além

Disto decorre que cada entidade sindical minimamente representativa deverá, num futuro próximo, escolher, em primeiro lugar, um dado mix de serviços,sejam de de natureza

Tendo em consideração que os valores de temperatura mensal média têm vindo a diminuir entre o ano 2005 e o ano 2016 (conforme visível no gráfico anterior), será razoável e

Revogado pelo/a Artigo 8.º do/a Lei n.º 98/2015 - Diário da República n.º 160/2015, Série I de 2015-08-18, em vigor a partir de 2015-11-16 Alterado pelo/a Artigo 1.º do/a

O presente texto, baseado em revisão da literatura, objetiva relacionar diversos estudos que enfatizam a utilização do dinamômetro Jamar para avaliar a variação da

Usado com o Direct Phone Link 2, o Beltone Smart Remote permite que você use seu dispositivo móvel para obter facilmente uma visão geral e controlar remotamente seus

Em 2004, o Bacen divulgou o Comunicado 12.746 sobre “os procedimentos para a implementação da nova estrutura de capital – Basiléia II” 7 , onde se lê 8 :

A avaliação da atual matriz produtiva do território Sul Sergipano com o uso de indicadores dará elementos para a construção de um estilo de produção familiar de base ecológica,